quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O BRASIL ANEDÓTICO L



A PIEDADE DE PEDRO II
"Revista da Semana", do Rio de Janeiro, número especial, de 28 de novembro de 1925.
Quatro dias após a proclamação da República, a legislação brasileira recebia o seguinte decreto:
"Considerando que o senhor D. Pedro II pensionava de seu bolso a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos, para muitos dos quais esse subsídio se tornava o único meio de subsistência e educação;
Considerando que seria crueldade envolver na queda da monarquia o infortúnio de tantos desvalidos;
Considerando a inconveniência de amargurar com esses sofrimentos imerecidos a fundação da República;
Resolve o Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil:
Artigo 1° - Os necessitados, enfermos, viúvas e órfãos, pensionados pelo Imperador deposto continuarão a perceber o mesmo subsídio, enquanto durar a respeito de cada um a indigência, a moléstia, a viuvez ou a menoridade em que hoje se acharem.
Artigo 2° - Para cumprimento dessa disposição se organizará, segundo a escrituração da ex-mordomia da casa imperial, uma lista discriminada quanto à situação de cada indivíduo ou à quota que lhe couber.
Artigo 3° - Revogam-se as disposições em contrário.
Sala das sessões do Governo Provisório, em 19 de novembro de 1889. - Manuel Deodoro da Fonseca - Aristides da Silveira Lobo - Rui Barbosa - Manuel Ferraz de Campos Sales - Quintino Bocaiuva - Benjamim Constant Botelho de Magalhães - Eduardo Wandenkolk".
Observação de um republicano:
- Não precisa o túmulo de Pedro II de epitáfios pomposos, em latim grandiloqüente. Basta que se grave esse decreto do Governo Provisório sobre a pedra mármore de Pedro, o Pobre.
O "FILHO DA TERRA"
Moreira de Azevedo - "Mosaico Brasileiro", pág. 121.
Por ocasião das lutas que precederam a maioridade, surgiram numerosos periódicos combativos, cada qual com um título mais extravagante.
Certo dia, foram comunicar a Evaristo Ferreira da Veiga, o próximo aparecimento de uma folha, destinada a atacá-lo.
- Como se intitula? - indagou o grande jornalista.
- Filho da Terra.
E Evaristo, rindo:
- Se não é gigante, é minhoca!
O SÓSIA DO IMPERADOR
Múcio Teixeira - "Os Gaúchos", pág. 312; confirmada pelo prof. Raul Pederneiras, filho de Paranhos Pederneiras.
O dr. Manuel Veloso Paranhos Pederneiras, falecido em 1906, era da idade de Pedro II e, parte por coincidência, parte por esforço, nas maneiras e no trajar, parecidíssimo com o Imperador. Trabalhando na imprensa, coube-lhe certa vez acompanhar o soberano em uma das suas excursões pelo interior. Ao passar o trem, em marcha lenta, por uma estação de segunda ordem, a multidão, ao ver a figura imponente do jornalista na plataforma do carro destinado à imprensa, rompeu em ovação:
- Viva o nosso Imperador!
Pederneiras, o lenço na mão, agradecia risonho:
- Obrigado, meu povo! Obrigado!... Obrigado!...
Pedro II, que vinha no carro anexo, ia chegar à portinhola. Ao dar, porém, com Pederneiras, encolheu-se todo na poltrona para que o povo continuasse na sua ilusão...
O "GUARANI"
Taunay - "Reminiscências", vol. I, pág. 87.
Ao aparecer a partitura do Guarani, José de Alencar mostrou-se, a princípio, desolado. Pouco a pouco, porém, se foi conformando, a ponto de dizer, apenas:
- O Gomes fez do meu Guarani uma embrulhada sem nome cheia de disparates, obrigando a pobre da Ceci a cantar duetos com o cacique dos Aimorés, que lhe oferece o trono da sua tribo e fazendo Peri jactar-se de ser o "leão" das nossas matas. Desculpo-lhe, porém, tudo, porque daqui a tempo, por causa talvez das suas espontâneas e inspiradas harmonias, não poucos hão de ir ler esse livro, senão relê-lo - o maior favor que pode merecer um autor.
Fonte: Humberto de Campos. O Brasil Anedótico (1927).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

LITERAPIA



Pedro Henrique Saraiva Leão (*)
É um neologismo (palavra nova) cunhado por mim em 1996. Significa terapêutica, terapia, tratamento pela literatura. Cura ou alivia, como a fisioterapia, embora exercitando não a musculatura, mas o intelecto, a cortiça cerebral. Método indolor, agradável, sua aplicação exige apenas um livro e um leitor.
Àquela data foi título de uma das antologias da Sobrames-CE (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores), a seguir de sua revista, tornando-se, há 3 números, “uma revista de escritores cearenses”.
Atenta à importância da leitura, a Unimed Fortaleza já promoveu dois concorridos cursos de Literatura para Médicos: UnimedLits, 8/2011 e 8/2012. Brevemente estará funcionando na sua sede a Blume – Biblioteca Unimed de Médicos Escritores. Denominada “Biblioteca Airton Monte”, colega médico/escritor há pouco falecido, e um dos três mais recentes festejados cronistas de Fortaleza.
Michel Eyquem de Montaigne (1533–1592) – criador do gênero ensaio em literatura, afirmou ser o livro a melhor provisão (...) para esta humana viagem. Mesmo para as viagens menores, aí estão as gares (estações ferroviárias), os embarcadouros e os aeroportos abrigam livrarias, onde os passageiros encontram os melhores acompanhantes, os livros.
O carioca Mariano Pereira da Fonseca (1773-1848), Marquês de Maricá, quase médico, famoso por suas máximas, e talvez o primeiro moralista do Brasil, assegurava ser a companhia dos livros mais vantajosa do que a dos homens. Para o poeta gaúcho Mario Quintana, lendo estamos a sós, embora acompanhados.
Segundo Thomas Carlyle (1795-1881), historiador e ensaísta escocês, “a verdadeira universidade (...) é uma coleção de livros”.
Ler é a melhor distração, superior ao baralho, à TV, aos vídeos, até ao sexo, pois o livro está sempre disponível, nunca tem enxaqueca. Nasci ente livros, e estantes compunham várias das paredes da minha casa. Além da costumaz (contumaz, habitual) leitura, mais até aprecio reler, e a cada três anos revisito Machado de Assis e Eça de Queiroz. Carece reler os fundadores da Literatura ocidental: Homero, Dante, Shakespeare, Cervantes. Várias vezes voltei ao “Brave New World”, de Aldous Huxley (1932), à “of Humam Bondage” (“Servidão Humana”) do médico/ecritor inglês Somerset Maugham, “Le Petit Prince”, e tantoutros quetais.
Nosso Rui d’Hã, Enoch Villalobos, Nero de Tal (entre inúmeros pseudônimos) José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) sustentava que um país se faz com homens e com livros.
É triste constatar que Fortaleza ostenta o 3º menor índice de leitura no Brasil. (“O POVO”, 25/1; 6, 7, 8/2/2013). Há muito, no nosso colégio marista um colega, amigo – hoje empresário, riquíssimo – confessou-me nunca ter lido um livro!
Curiosamente, aquele mesmo inglês Huxley afirmava: “ignorance is insensible bliss” (felicidade).
Preferimos ser menos ditosos (felizes), mas ruminar o fértil alimento que nos fornecem os livros. Antes da sua destruição pelo fogo, a umidade, os cupins, e as viúvas.
(*) Médico e secretário geral da Academia Cearense de Letras.
Fonte: O Povo, Opinião, de 27/02/2013.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

APRESSANDO A MORTE DE IDOSOS



Ministro japonês causa polêmica ao dizer que idosos devem 'se apressar e morrer'
TÓQUIO - Um dos integrantes mais antigos do governo japonês, o ministro das Finanças, Taro Aso, causou polêmica no país ao sugerir que os idosos são um dreno desnecessário nas finanças do país e deveriam "morrer" para poupar gastos do governo com a saúde pública.

Taro Aso causa polêmica com declaração sobre idosos. Koji Sasahara/AP
"Deus nos livre se você é forçado a viver quando quer morrer. Eu acordaria me sentindo cada vez pior sabendo que (meu tratamento) foi todo pago pelo governo", disse Aso na segunda-feira, durante reunião do Conselho Nacional de Reformas da Segurança Social, de acordo com o jornal britânico The Guardian. "O problema não será resolvido a não ser que você deixe que eles se apressem e morram."
O ministro, de 72 anos, também disse que recusaria qualquer tratamento médico para prolongar a própria vida. "Eu não preciso desse tipo de tratamento", afirmou Aso, acrescentando que escreveu uma carta aos seus familiares informando-os dessa escolha.
No Japão, quase 25% dos 128 milhões de habitantes têm mais de 60 anos. A proporção aumenta para 40% ao considerar a população com mais de 50 anos.
As declarações de Aso foram consideradas um problema para o novo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, obrigado a deixar o cargo em seu primeiro mandato em 2007 devido a declarações embaraçosas de integrantes de sua equipe.
Após muitas críticas, Aso tentou se retratar e reconheceu que seus comentários foram "inapropriados" e que suas declarações somente refletiam uma opinião pessoal e não eram uma sugestão para o governo. "Eu dei uma opinião pessoal, não quis sugerir como o tratamento de doentes terminais deve ser. É importante que uma pessoa consiga passar os últimos dias de sua vida em paz."
Fonte: estadão.com.br

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

EDITAL BEM-HUMORADO



Diante da divulgação de que a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará - Secult-CE, em atendimento ao pleito formulado por humoristas locais ao Sr. Governador Cid Gomes, ultima o lançamento de um edital específico para a área de Humor, toma-se aqui a liberdade de propor a inclusão de obras literárias, desse jocoso gênero, entre os segmentos a serem abrangidos no edital em referência.
O Ceará é um grande celeiro de humoristas, que tanto abastece o consumo local, como serve de canteiro para exportação de produtos para outros estados, sendo que esses artistas, para que possam exibir os seus dotes, precisam de uma rede de produção, em que se incluem autores e redatores, sem os quais não serão gerados os espetáculos.
Mesmo considerando que a literatura, em sua diversidade de gêneros, está contemplada em outros editais da Secult-CE, a especificidade do humor torna-o bastante difícil ser cotejado com outros gêneros, para fins de avaliação e premiação, merecendo ser devidamente descolado desses, correndo em raia própria.
Vale destacar, ainda, que há muitos autores cearenses escrevendo textos de humor, o que pode ser comprovado pela existência de uma biblioteca particular, sob a custódia do Prof. Jader Soares, o conhecido humorista Zebrinha, cujo acervo supera a marca de mil títulos, com importante parcela das obras compostas por autores radicados no Ceará.
Muitos desses autores, no entanto, deparam-se com sérias dificuldades financeiras para publicar seus bem humorados escritos, à conta da carência de numerários, servindo de exemplo a falta de patrocínio, escudado em algum dispositivo legal, ou mesmo ancorado no interesse particular; essa insuficiência de fundos poderá, nalguns casos, causar distimias, aumentando o contingente de mau-humorados.
A abertura dessa nova linha de apoio teria forte guarida entre potenciais candidatos e se prestaria para emular o surgimento de novas vocações literárias, fomentando a cadeia produtiva do humor cearense, que tanto cativa o público nativo e os turistas que estão aqui de passagem, e, que, costumeiramente, inserem em suas visitas a assistência a shows de humor, decentes ou esculachados.
Aguarda-se a sensibilidade dos gestores da Cultura, acerca do assunto aqui tratado, pois a versatilidade dos atores pode ser limitada pela pouca oferta de bons e criativos textos de humor, em decorrência da falta de estímulo oficial.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Brasileira de Médicos Escritores
* Publicado In: O Povo, de 24 de fevereiro de 2013. Opinião. p.7.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

QUEM TRABALHA NO BRASIL



Um prédio de quatro andares foi totalmente destruído pelo fogo; um incêndio terrível.
Todas as pessoas das 10 famílias de Sem-teto, que haviam invadido o 1º andar, filhos de presidiários que ganham salário de R$ 850,00, faleceram no incêndio.
No 2º andar, todos os componentes das 12 famílias de retirantes, que viviam dos proventos da “Bolsa Família”, também não escaparam.
O 3º andar era ocupado por quatro famílias de ex-guerrilheiros, todos beneficiários de ações bem sucedidas contra o Governo, filiados a um ParTido político influente, com altos cargos (AED) em estatais e empresas governamentais, que também faleceram.
No 4º andar viviam engenheiros, médicos, advogados, professores, empresários, bancários, vendedores, comerciantes e trabalhadores com suas famílias. Todos escaparam.
Imediatamente a “Presidenta da Nação” e toda a sua assessoria mandou instalar um inquérito para que o "Chefe do Corpo de Bombeiros" explicasse a morte dos “cumpanheiros” e por que somente os moradores, do 4º andar haviam escapado.
O Chefe dos Bombeiros respondeu:
- “Eles não estavam em casa. Estavam trabalhando.”
Fonte: Internet (circulando por e-mail).

OS MORTOS QUE NOS GOVERNAM



Na Venezuela, manda um morto.
Em Cuba, o irmão do morto.
Na Argentina, a mulher do morto.
No Brasil, a sucessora de um vivo que se finge de morto.
Fonte: Comentário bem humorado de um leitor da Folha Online.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

AS MELHORES CHARGES (fev/2013) II



6. E lá em Cuba (ou entre os dois mundos)...

7. The inflation, begins...

8. Vexame para inglês (e o resto do mundo) ver...

9. Mas "ELE" não perdeu e empáfia...

10. E lá em Santa Catarina....

Fonte: Circulando por e-mail (internet).

AS MELHORES CHARGES (fev/2013) I




1. E lá no Congresso...

2. Trocando seis por meia dúzia...

3. E ainda no Senado...

4. E ainda em Brasília...

5. E direto do além, digo, da Venezuela...

Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Chama a Ivete!



Por Ricardo Alcântara (*)
Deveria ser tratado como um mero problema técnico, mas o desabamento da marquise do hospital regional Norte virou piada.
Como, apesar de inaugurado com estardalhaço, o hospital ainda não entrou em funcionamento, a vítima do acidente foi socorrida em outra unidade.
Tudo isso, claro, culpa do vedetismo de procuradores desocupados que gostam de fazer confusão para aparecer na mídia.
(*) Jornalista e escritor. Publicado In: Pauta Livre.
Pauta Livre é cão sem dono. Se gostou, passe adiante.

A IGREJA QUE O PADRE HAROLDO NÃO CONCLUIU II



Em 23 de maio de 2009, publicamos In: O Povo. Jornal do Leitor. p.3, o artigo “Uma Igreja para o Padre Haroldo”, no qual conclamamos o Padre Haroldo Coelho a retomar as obras e soerguer a Igreja de São Francisco de Assis, paralisada há mais de cinquenta anos.

Em nosso julgamento, isso poderia ser um grande desafio para o Pe. Haroldo Coelho, então vigário coadjutor da paróquia a que pertence essa igreja. Esse feito, somado ao engajamento político e social desse prelado, um defensor permanente dos descamisados e dos marginalizados, dar-lhe-ia, certamente, uma dimensão pública ainda maior, além do reconhecimento dos fiéis e dos devotos franciscanos.

Ao final do artigo, provocamos: “Que venha a nova igreja: que se acerque do pastor um novo rebanho de ovelhas, munidas de fé e transformadas, de fato, em instrumento de paz, como quer a Oração de São Francisco. Por conseguinte, mãos à obra, Pe. Haroldo.”

Infelizmente, o Pe. Haroldo, talvez pela idade, já tendo entrado na oitava década da vida, ou por outras razões motivacionais, a exemplo do seu envolvimento direto nas grandes causas sociais, não aderiu à proposição pública que apresentáramos. No entanto, pensamos que tal inação não diminuirá o legado, político, social e religioso, que ele deixa ao povo cearense, com sua súbita e inoportuna partida, em 11 de janeiro de 2013, submisso à orfandade, tomado de um sentimento de intensa perda.

A edificação em epígrafe está sendo cuidada, atualmente, pelo Pe. Bezerra que, aos poucos, vem fazendo reparos na estrutura corroída pelo tempo e captando recursos com a intenção de concluir essa obra inacabada. Temos sido testemunhas desse desmedido esforço do Pe. Bezerra, e, dentro do possível, nossa família tem-lhe emprestado o apoio material, com vistas à concretização do sonho do Pe. Hélio Campos.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da Sociedade Médica São Lucas

* Publicado, com ajustes, In: Boletim Informativo da Sociedade Médica São Lucas, 9(67): 5, fevereiro de 2013.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A MEMÓRIA DAS INSTITUIÇÕES



Antero Coelho Neto (*)
Tenho participado de várias instituições brasileiras que se destacaram e ganharam um passado importante e até histórico. Também tenho conhecido, convivido e sido integrante de várias instituições internacionais de grande significado mundial, o que me permite fazer as comparações.
Da mesma maneira que a nossa Memória Individual, com seus diferentes tipos e manifestações, como tenho já destacado para vocês verificamos, com tristeza, a pouca importância que nós brasileiros damos para a preservação dos fatos, atos e passado de nossas instituições. E mais, a pouca importância que damos, também, para os seus planejadores, criadores e administradores posteriores das instituições públicas e, principalmente, privadas.
Temos tido uma melhoria nos últimos anos, principalmente nas memórias das instituições públicas, sociais e culturais, mas ainda muito insuficiente para os critérios internacionais.
Nas instituições privadas, ditas particulares, a falta de valorização e perpetuação dos fatos acontecidos e das pessoas envolvidas é muito grande. Muitas vezes fica apenas conservada e valorizada a figura de seus Criadores. Esquecem que estão perdendo uma grande oportunidade, quando bem feito esse destaque, uma maneira importante de engrandecer a Instituição e torná-la mais conhecida e valorizada pela sociedade em geral. Comprovei que, em algumas delas, é até muito triste essa prática.
Fiz parte de duas instituições internacionais públicas, não governamentais, que destacam enormemente essa cultura de perpetuação de suas Memórias: a Fundação Kellogg e o Rotary Clube. E aí comprovei a importância dessa Memória Institucional, valorizando os seus criadores e também seus dirigentes e seguidores posteriores.
W.K.Kellogg e Paul Harris. doaram grande parte de seus tempos e fortunas para o benefício da humanidade, mas com destaque dirigido para as criações e seguidores posteriores. Seus projetos e programas, desenvolvidos em quase todo o mundo, são planejados e executados por dirigentes e seguidores conscientes de suas  responsabilidades e valores.
Daí a grandeza alcançada pelo verdadeiro amor que os seus seguidores tem pelo que projetam, fazem e dignificam.
Sinto um grande orgulho de ter participado dessas instituições, que são tão importantes para os nossos povos, que tenho de reconhecer que muito mais eu poderia e deveria ter dado para elas.
E aí, criadores e dirigentes das instituições brasileiras, vamos pensar no que os profissionais da informação chamam de Sociedades do Esquecimento? Garantimos para vocês: “elas não valem a pena”. O Futuro vai provar o que digo.
(*) Médico, professor e ex-presidente da Academia Cearense de Medicina.
Publicado In: O Povo, 20/02/2013.

Quem vaia Yoani denuncia Fidel



Por Ricardo Alcântara (*)
Sou filho da Guerra Fria. Quando alcancei a vida adulta, ainda vivia sob o império da mesma ditadura militar que me assombrara a infância, onde fui testemunha muda de sussurros adultos que indicavam a morte como possibilidade cotidiana.
A liberdade não tem preço – foi o que tudo aquilo desde cedo me ensinou. Não é sensato supor que o novo homem com que sonhou Che Guevara possa se construir negando a si mesmo o que é fundamental à consciência: o direito de expressão.
Para estabelecer os princípios de sua nova ordem, as revoluções quase sempre necessitam suspender alguns espaços de manifestação para que a vontade da maioria, desordenada no momento de insurreição, prevaleça.
Mas se, meio século depois de sua vitória, um movimento revolucionário ainda recorre a meios extraordinários de controle social para ir adiante, é sinal de que o sonho acabou – e é exatamente isto o que acontece em Cuba nos dias de hoje.
Está no Brasil, favorecida pelas novas medidas de flexibilização adotadas em seu país, a cubana Yoani Sánchez, redatora de um blog de notas breves sobre a vida cotidiana da ilha que já simbolizou um dos mais generosos sonhos da humanidade.
Soube hoje, através dos jornais, que alguns militantes de esquerda, em número reduzido, não superior a vinte pessoas, foram ao aeroporto recepcioná-la com vaias e acusações de que seria a blogueira uma agente da Inteligência americana.
Yoani ofereceu uma resposta sábia aos manifestantes: recebeu as vaias como um ato cívico saudável, democrático, e disse lutar para que coisas assim também possam acontecer em seu país. Ao vaiar Yoani, vaiaram, sem saber, a Fidel Castro.
Dialeticamente, ao protestar sem nenhuma restrição contra alguém que luta pela liberdade de expressão, o inexpressivo grupo de militantes presentes ao ato denunciou involuntariamente aquilo que imaginava defender: o regime cubano.
Quem deveria festejar, dado o efeito contrário, seria a embaixada norte-americana em Brasília. Não seria de todo absurdo supor que, ao contrário, aqueles militantes, e não Yoani, teriam por mérito seus nomes incluídos na folha de pagamento da CIA.
Mais tarde, militantes estudantis invadiram o local onde a blogueira dava palestra e, ao tentar interditar sua fala, emprestaram ainda maior pertinência aos argumentos usados por ela para justificar suas posições contrárias ao regime.
E aí, uma vez mais, sobrou para a embaixada norte-americana nova dívida de gratidão com a contribuição involuntária que o internacionalismo proletário deu a quem pretende demonizar os irmãos Castro e os quadros de seu governo.
O bloqueio econômico imposto pelos EUA a Cuba fora compensado pelo apoio soviético, enquanto este existiu. Entregue à própria sorte desde que o bloco do Leste evaporou, o regime cubano sobrevive em estado terminal. Isso é História.
Yoani Sánchez é apenas uma blogueira. Seu Generación Y é bem escrito e perspicaz, mas poderia passaria batido, caso editado em um país democrático. Quem faz de Yoani Sánchez personalidade internacional é o próprio regime cubano.
(*) Jornalista e escritor. Publicado In: Pauta Livre.
Pauta Livre é cão sem dono. Se gostou, passe adiante.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

OS ENGENHEIROS DA CONFUSÃO



O Governo segurou o preço da gasolina, para evitar inflação (é mais fácil segurar um preço-chave do que conter gastos públicos, cortar mordomias, buscar eficiência). O álcool entrou em crise: com o preço da gasolina artificialmente baixo, foi empurrado para fora do mercado. Resultado: como não é compensador produzi-lo, o investimento em álcool caiu (e o Brasil está importando álcool americano para misturar na gasolina). Como o consumo de gasolina subiu, o Brasil está importando gasolina. Como os preços estão contidos, falta dinheiro à Petrobras para concluir suas novas refinarias. E o Governo procura estimular a produção e venda de automóveis para lutar contra a recessão. Sem as novas refinarias, com os novos automóveis, torna-se preciso importar mais gasolina.
A Petrobras acaba de pedir ao Ministério de Minas e Energia que autorize a mistura de 25% de álcool na gasolina, em vez dos 20% atuais. Tecnicamente, não há problema: a frota brasileira funcionou muito tempo com os 25%. Ambientalmente, é bom: reduz um pouco a poluição dos automóveis. Só que, como não há álcool suficiente, o Brasil terá de importá-lo em maior quantidade. Reduz a importação de gasolina, mas tem de gastar com a importação de álcool.
Lembra do Aprendiz de Feiticeiro, episódio de Fantasia, de Walt Disney, com música de Paul Dukas e tendo Mickey como astro? Mickey achava que sabia ser feiticeiro, mas só provocou confusões com sua bruxaria mal-ajambrada.
Hoje Mickey não teria a menor chance. Há gente mais confusa do que ele.
Bons tempos
Fantasia, que nome ótimo! A gente lembra do presidente Lula com as mãos sujas de óleo, ao visitar um campo de testes do pré-sal; a gente lembra do presidente Lula anunciando a autossuficiência em petróleo. A gente lembra do presidente Lula comunicando que a matriz energética mundial iria mudar, com o combustível verde, renovável, de nossos canaviais. A gente lembra dos especialistas explicando que o álcool de milho americano era inviável pelo custo, incapaz de concorrer com nosso álcool de cana. E é dos EUA que importamos álcool.
Vejam só na foto a cara de deslumbradas da cumpanhêrada da Petrobraxx...

Fonte: Internet (circulando por e-mail). Atribuído ao jornalista Carlos Alberto Sardenberg.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

GAFES NO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES



Chefe de cerimonial do governo de SP revela gafes no Palácio dos Bandeirantes
Daniela Lima, de São Paulo
O ex-governador José Serra (PSDB) não sabe, mas em 2007 serviu um brunch para autoridades da área ambiental sobre um lençol usado antes para cobrir uma maca de massagens do ex-governador Mário Covas, morto em 2001.
De tecido estampado em verde e amarelo, o lençol foi confundido com uma toalha de mesa pelo caseiro do Palácio do Horto Florestal, onde Covas costumava repousar.
O episódio é descrito num livro recém-lançado pela chefe do cerimonial do governo de São Paulo, Claudia Matarazzo, Gafes no Palácio. Ela diz que nunca contou o episódio a Serra. Agora ele vai saber pelo livro, conclui.
A obra é uma coletânea de episódios embaraçosos ocorridos desde que ela começou a organizar os eventos do governo estadual, há seis anos.
Em outro capítulo sobre Serra, de quem é amiga, ela diz que pediu demissão na véspera de uma visita do príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, após receber e-mails cheios de críticas de Serra.
Claudia Matarazzo conta no livro que um descuido de uma funcionária deixou uma visita da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao Palácio dos Bandeirantes sem registro no livro oficial de visitas do governo estadual.
A calígrafa do palácio escreveu errado o nome da presidente. Cristina Quiche! Assim mesmo, prima das tortas: quiche lorraine, quiche de queijo..., escreve Claudia.
A assinatura da autoridade visitante no livro é exigida como parte do protocolo, mas o cerimonial dispensou-a dizendo que a calígrafa não havia concluído seu trabalho a tempo. Depois que a presidente argentina foi embora, Claudia cortou com estilete a página comprometedora.
Quando o papa Bento 16 esteve no Brasil, em 2007, o Vaticano avisou que não era de bom tom que as autoridades usassem adereços vermelhos como as vestes do líder religioso. Não adiantou. No dia, Serra e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usaram gloriosas gravatas vermelhas ao lado do pontífice.
Antes, o cerimonial do palácio havia passado por outro apuro na mesma visita. Um dos dois veículos abertos trazidos para o papa usar em passeios ao ar livre enguiçou.
Numa operação sigilosa, já que não poderia haver qualquer risco à segurança do veículo e do papa, o governo acionou o dono de uma concessionária da Mercedes-Benz para resolver o problema.
Uma visita do ex-presidente americano George W. Bush é descrita com ares de desespero em alguns momentos, tamanho o aparato de segurança que o acompanhava.
É de bom tom que autoridades visitantes sejam presenteados, e o mimo encomendado pelo governo para Bush foi um chapéu como os de Indiana Jones, produzido no interior do Estado. Não deu certo. Quando os seguranças americanos decidiram inspecionar o presente, cães farejadores babaram sobre o objeto e o estragaram.
ESCOLTA DO AMOR
Em 1997, o ex-presidente americano Bill Clinton esteve em São Paulo. À noite, quis jantar com a mulher, Hillary. Comemorariam o aniversário de casamento. Exigiu música. Levá-los a um restaurante era inviável. A boate do hotel foi fechada, uma banda foi contratada e os dois tiveram sua noite romântica alheios ao pequeno exército que fazia a segurança na porta.
NA CRACOLÂNDIA
Em visita a São Paulo, a chanceler alemã Angela Merkel ficou mais de três horas presa no trânsito com seu comboio, tentando ir do Aeroporto de Guarulhos até o Palácio dos Bandeirantes. O trânsito deixou a comitiva enlouquecida, especialmente quando a chanceler atravessou a região da Luz e avistou a cracolândia. Ao chegar ao palácio, Merkel reclamou com Serra do que classificou como "falta de organização".
GAFES NO PALÁCIO
Autora Claudia Matarazzo
Editora Planeta
Quanto R$ 30 (224 págs.)
Fonte: Notícias UOL, 25/12/2012.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

VIRGINDADE MASCULINA X VIRGINDADE FEMININA



O jornal a Folha de São Paulo divulgou, em 24/10/2012, o resultado final do leilão da virgindade de uma jovem catarinense, que alcançou a fabulosa quantia de R$ 1,5 milhão, arrematado por um cidadão japonês (vide reprodução abaixo). A mesma matéria dá conta do encerramento do pregão da virgindade de um rapaz russo, cujo martelo foi batido pelo leiloeiro pela relativa e módica conta de R$ 6.000,00.
Passando ao largo das questões morais que envolvem as transações em tela, chamou a atenção a disparidade dos “valores” pecuniários, que definiram a aquisição desses “bens” ou “mercadorias”, constatando-se que, pela lógica do mercado, a virgindade feminina custa 250 vezes mais que a masculina, surpreendendo o quanto vale um hímen íntegro, medido pela disposição a pagar, por parte dos potenciais “consumidores”, interessados em romper a membrana himenal. Essa valoração pode ser vinculada ao apreço fálico, visível entre muitos homens, ao longo do tempo e em diferentes povos, de serem desbravadores das intimidades femininas.
Por outro lado, se a virgindade da mulher pode ser atestada pela natural integridade do hímen (exceto, nos casos do rotulado de complacente, descritos em compêndios de Medicina Legal, e das mulheres submetidas a himenoplastia), a do homem não pode ser confirmada por qualquer exame anatômico, valendo apenas a palavra do donzelo, quiçá ratificada por provas testemunhais.
Lembre-se, por oportuno, que, à época do desfecho do leilão, pairavam dúvidas se o arrematante, por seus traços hereditários nipônicos, os quais levam a fama de possuidores de micropênis, seria capaz de consumar o ato, transformando a donzela em mulher.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Leilão de virgindade de brasileira termina com lance de R$ 1,5 mi
Reprodução da página na internet onde foi feito o leilão da virgindade dos dois jovens

O leilão da virgindade da brasileira Catarina Migliorini, 20, foi encerrado nesta quarta-feira com o lance de US$ 780 mil (o que equivale a cerca de R$ 1,5 milhão). O último lance computado pela virgindade da brasileira foi dado hoje por um japonês identificado apenas como Natsu.
O russo Alexander Stepanov, que também leiloava a virgindade, encerrou com o lance de US$ 3.000 (cerca de R$ 6.000) vindo do Brasil. O comprador é identificado no site apenas como Nene B., mas não é informado o sexo da pessoa.
A "experiência" dos dois jovens faz parte do documentário "Virgins Wanted", que conta a história de dois jovens antes e depois da primeira vez. 

Segundo os produtores do filme, Catarina se entregará a um estranho a bordo de um avião entre a Austrália e os Estados Unidos. Serão feitas muitas entrevistas antes e depois do ato sexual, mas quem vencer o leilão terá a opção de permanecer anônimo. O ato sexual não será filmado.
A garota também pretende usar o dinheiro para estudar medicina na Argentina. "Já estava até matriculada, mas decidi adiar e vou em 2013. Tenho 20 anos, sou responsável pelo meu corpo e não estou prejudicando ninguém", disse em entrevista à Folha.

 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

CHARGE: Sinal de celular espiritual




Fonte: Circulando por e-mail (internet).

CHARGE: Político Aedes




Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sábado, 16 de fevereiro de 2013

CHARGE: Praia Barata




Fonte: Circulando por e-mail (internet).

CHARGE: Previsão da inflação de 2013




Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

GANHEI CORAGEM



por Rubem Alves
“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”, observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: "Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem.
Vou dizer aquilo sobre o que me calei: “O povo unido jamais será vencido”, é disso que eu tenho medo.
Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo” tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.
A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se integrasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras ideias. Amava a prostituição. Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou. Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: "Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro “O Homem Moral e a Sociedade Imoral” observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.
O povo, unido, jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos. Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China.
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: "Caminhando e cantando e seguindo a canção.".
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.
Rubem Alves - colunista da Folha de S. Paulo ...
 

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