sábado, 31 de janeiro de 2015

O BRASIL ANEDÓTICO LXVII


A MORTE DE RACTCLIFF
Ulisses Brandão - "A Confederação do Equador", pág. 287.
João Guilherme Ractcliff, cujo nome se acha tão ligado à história das ideias liberais no Brasil e que foi uma das vítimas do movimento republicano de 1824 em Pernambuco, viu-se condenado à morte, na Corte, a 15 de março de 1825, sendo conduzido à forca no dia 17, com os seus dois companheiros de jornada, João Metrowick e Joaquim da Silva Loureiro. No local do suplício tentou falar ao povo, e começou:
- Brasileiros! Eu morro inocente; morro pela causa da razão, da justiça e da liberdade! Praza ao céu que o meu sangue seja o último que se derrame no Brasil e no mundo por motivos políticos...
Ia continuar, mas o padre que o acompanhava pediu-lhe que o não fizesse. Ractcliff atendeu-o, acrescentando, apenas:
- Eu me resigno, e morro pela causa da Liberdade!...

REMÉDIO SEM USO
J.M. de Macedo - "Ano Biográfico", vol. II, pág. 498.
Antônio Francisco de Paula e Holanda Cavalcanti de Albuquerque, Visconde de Albuquerque, que foi senador de 1838 a 1863, e um dos estadistas do Império que sobraçou maior número de pastas ministeriais, era temido no Senado pela franqueza com que julgava, incisivamente, os homens e os fatos.
Certa vez, em 1848, acabava um dos membros do governo de dar, da tribuna, informações sobre a grave situação do país, quando o visconde se ergueu:
- Senhor presidente! - começou. - O país vai mal, e o seu estado não melhorará enquanto não se enforcar algum ministro. Tenho dito.
E sentou-se.

ÁGUIAS E PERUS
A. Cerqueira Mendes - "Figuras Antigas", vol. I, pág. 71.
O Visconde de S. Lourenço e o Barão de Cotegipe, dois dos maiores espíritos do Senado do Império, viviam quase sempre em divergência. Certo dia, historiava o primeiro, da tribuna, a sua atuação na política nacional, a sua preocupação em pôr em evidência os homens de real merecimento, quando Cotegipe começou a aparteá-lo.
- Eu também tenho feito o mesmo e, no entanto, só tenho colhido desilusões, - declarou o Barão.
- Mas há uma diferença, - replicou S. Lourenço.
E alteando a voz:
- É que eu tenho criado águias, e V. Excia. perus!

DIPLOMACIA PARAGUAIA
Moreira de Azevedo - "Mosaico Brasileiro"
Era José Maria do Amaral ministro do Brasil no Paraguai, quando, em uma audiência que lhe fora concedida pelo ditador Lopez, com a assistência do respectivo ministro dos Estrangeiros, teve de apresentar uma série de queixas formuladas pelo governo Imperial. Ao expor o caso de mau tratamento dado pelas autoridades paraguaias ao comandante de um navio brasileiro, Lopez o interrompeu, brusco:
- Mente Usted!
José Maria estremeceu com aquele modo de contestar, mas continuou. E o ditador, de novo:
- Mente Usted!
Concluída a exposição, durante a qual Solano Lopez desmentiu quatro ou cinco vezes, sumariamente, o nosso ministro, coube ao ditador a vez de falar. À enunciação, porém, do Primeiro fato, José Maria o interrompeu, claro:
- Mente V. Excia.!
- Como é isso? - bradou Lopez, furioso. - Eu minto? Dizer-me a mim que minto?
- Perdão, Excia., - observou José Maria, respeitoso.
E numa reverência:
- Estou apenas usando uma fórmula da diplomacia paraguaia!
E continuou a desmentir.
Fonte: Humberto de Campos. O Brasil Anedótico (1927).

FILA NA BAHIA

 

Fonte: Fotomontagem circulando por e-mail (internet), sem autoria explícita.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

PESAR POR PROF. JARBAS STUDART GURGEL


É consternado que aqui anuncio o falecimento às 18 horas, de ontem, dia 29 de janeiro de 2015, do Dr. JOSÉ JARBAS STUDART GURGEL, escritor, professor aposentado da UFC e pesquisador aposentado do DNOCS.
Eu o conheci há mais de vinte anos, pois era irmão da professora Elsie Studart Gurgel de Oliveira, uma grande amiga, com quem trabalhei no ICC, de 1990 a julho de 2013.
O Prof. Jarbas presidiu a solenidade que me outorgou o título de membro honorário da Academia Cearense de Farmácia, cabendo-lhe também fazer a saudação ao recipiendário.
Ele também foi um incentivador do meu ingresso no Instituto do Ceará, abrindo mão da sua potencial candidatura que engrandeceria essa vetusta casa da cultura cearense.
Trocávamos e-mails com frequência e dele recebia, antecipadamente, sua produção literária, o que me franqueava a leitura antes mesmo da publicação dos seus trabalhos.
Pessoa agradável, de gestos generosos, amante das letras, e dono de apurada escrita, com inserção em diversos gêneros literários: memórias, biografias, discursos, crônicas, poesias, genealogia etc.
Após o desaparecimento terreno de Elsie, estivemos juntos em várias oportunidades, quando reverenciamos a memória de sua querida irmã. Dividimos a autoria do livro Religio, composto de temas católicos, que bem refletiam a religiosidade dos seus autores. Fui editor e prefaciador de seu livro de memórias de docente da UFC.
Nos últimos meses, eu acompanhei, como amigo próximo, o desenrolar de sua enfermidade até o seu passamento, quando voltou aos braços do Pai.
Pesaroso, exponho meus sentimentos à sua esposa Maria Juvenilia Amorim Studart Gurgel e aos seus filhos Gustavo, Guilherme, Viviane e Eduardo.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva

P.S.: O corpo do Prof. Jarbas Studart Gurgel está sendo velado no Ternura, local em que será celebrada Missa às 9h, e de onde será trasladado para o Cemitério Parque da Paz, para ser sepultado às 11 horas de hoje (30/01/15).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O esquecido campo de concentração nazista só para mulheres


Campo de concentração de Ravensbrück, na Alemanha

Campo no leste da Alemanha reuniu mulheres judias, ciganas, prostitutas e ativistas europeias.
Auschwitz-Birkenau, Treblinka e Dachau são notórios campos de concentração do Terceiro Reich alemão que se fixaram na consciência humana por causa das atrocidades cometidas com os homens, mulheres e crianças presos neles.
Muitos outros campos são menos conhecidos, como o de Ravensbrück.
Apesar de ter sido um dos primeiros a serem abertos – em 1939, pouco antes do início da guerra, a 80 km de Berlim, em um cenário idílico na costa báltica – e um dos últimos a serem liberados – em 1945 –, este campo de trabalho e, no final, de extermínio, permaneceu às margens da história.
Ravensbrück era exclusivamente para mulheres.
No fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 130 mil haviam passado por suas portas.
Entre 30 mil e 50 mil morreram de fome, de exaustão, de frio ou pelos tiros e pelo gás administrados pelos guardas nazistas.
Várias internas eram judias, mas elas não eram maioria. Havia prisioneiras políticas, ciganas, doentes mentais ou as chamadas "associais" – prostitutas ou quaisquer mulheres consideradas "inúteis" pela doutrina nazista.
"Ravensbrück era uma história com a qual eu havia me deparado e me dei conta de que era quase desconhecida", disse à BBC Sarah Helm, que acaba de publicar um livro sobre o campo de mulheres.
O livro se chama Se isto é uma mulher, uma referência ao famoso livro do escritor italiano Primo Levi Se Isto é um homem, que descreve sua prisão por ser um membro da resistência antifascista na Itália e sua experiência no campo de Auschwitz.
"Assim como Auschwitz foi a capital do crime contra os judeus, Ravensbrück foi a capital do crime contra as mulheres", afirma Helm.
"Estamos falando de crimes específicos de gênero, como abortos forçados, esterilização, prostituição forçada. É uma parte crucial da história das atrocidades nazistas."
Helm diz ainda que, na fase final do campo, muito depois de ter sido suspenso o uso de câmaras de gás nos campos mais ao leste da Europa, uma delas foi construída em Ravensbrück.
"Eles levaram partes das câmaras desmanteladas em Auschwitz. Até esse extermínio – no qual morreram seis mil mulheres e que foi o último extermínio em massa da história do nazismo – foi, em grande medida, deixado de lado.

Trabalho escravo

Selma van der Perre foi uma das internas de Ravensbrück e contou à BBC como eram os dias naquele lugar.
"Éramos despertadas a gritos às quatro da manhã. Em seguida, tinhamos que responder à chamada e nos davam café. Nos deixavam ir ao banheiro e às 05h30 tínhamos que ir trabalhar na fábrica da Siemens, onde pagavam pelas prisioneiras: nós não recebíamos o dinheiro, ele era entregue à SS (força paramilitar nazista)."
"Trabalhávamos por 12 horas e depois voltávamos ao campo. Por volta das 20h nos davam um prato de sopa e dormíamos."
A rotina era recheada de casos de crueldade dos quais pouco se falou. Tragédias que, ao serem contadas por sobreviventes, segundo Helm, fizeram com que ela e também seus tradutores chorassem, como a descrição de uma francesa sobre como deixavam que os bebês morressem de fome.
Outros testemunhos afirmam que algumas mulheres eram "deixadas quase nuas na neve até morrerem" e outras tinham "germes de sífilis injetados na medula espinhal".

Coragem em meio ao desespero

Em seu livro, Helm também destaca as histórias de bravura e de solidariedade, como a das "77 cobaias", que reúne ao mesmo tempo o melhor e o pior de Ravensbrück.
Em 1942, as prisioneiras passaram as ser usadas como cobaias em experimentos científicos. Em "operações especiais", elas tinham os músculos da pele cortados e eram inseridos vidro, madeira ou terra nos ferimentos. Algumas não recebiam tratamento e outras sim, com tipos de drogas diferentes.
Os experimentos se repetiram algumas vezes, mas quando chegou o momento de esconder as provas e matar as cobaias, todo o campo conspirou para escondê-las.
"Aqueles experimentos não provaram nada para a ciência, mas, sim, para a humanidade", escreve Helm.
Mas por que se sabe tão pouco sobre esse campo de mulheres?
"Uma das razões principais é que, depois dos julgamentos pelos crimes de guerra, que ocorreram imediatamente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, começou a Guerra Fria, veio a cortina de ferro e Ravensbrück ficou do lado oriental – de modo que permaneceu, em grande medida, inacessível ao Ocidente", afirma a escritora.
"Os que estavam no leste da Alemanha não esqueceram de Ravensbrück, mas o converteram em um centro de resistência comunista, de maneira que as lembranças das mulheres ocidentais e das judias desapareceu por completo da história. Também desapareceu a história das alemãs que estiveram lá no início, que é uma das mais esquecidas."
Eram mulheres como a austríaca defensora dos direitos da mulher Rosa Jochmann, social-democrata e membro da Resistência; como Läthe Leichter, a feminista socialista mais famosa durante o período da "Viena vermelha", entre as guerras mundiais, e como a alemã Elsa Krug, uma prostituta que praticava BDSM (sigla em ingês para Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), mas se recusou a bater nas outras prisioneiras.
"Ignorar Ravensbrück não é só ignorar a história dos campos de concentração, é também ignorar a história das mulheres", afirma Sarah Helm.
Fonte: BBC/UOL Notícias, de 27/01/2015.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os números estarrecedores da “Marcha da Morte” de Auschwitz

Este mês se completam 70 anos da libertação de Auschwitz, símbolo do Holocausto e das atrocidades cometidas pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Mas antes da liberdade, uma última tortura esperava os prisioneiros.

O termo "marchas da morte" foi criado pelos prisioneiros judeus para descrever a evacuação em massa dos campos de concentração.
Esses deslocamentos forçados ocorreram em vários momentos, mas a maior e mais famosa marcha foi protagonizada pelos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, em janeiro de 1945.
Essa última evacuação ocorreu graças ao avanço do Exército Vermelho sobre o país, que já havia descoberto e libertado o campo de concentração de Majdanek, perto de Lublin.
Sem tempo a perder, os nazistas obrigaram cerca de 60 mil prisioneiros a marchar para a cidade vizinha de Wodzisław Śląski - Loslau, em alemão -, no coração do Terceiro Reich nazista, para que continuassem a servir como mão de obra.
4 dias foi a duração da viagem
A sangrenta ofensiva soviética de Vistula-Oder havia começado em 12 de janeiro de 1945.
Alarmados, os oficiais nazistas adiantaram os planos de evacuação campos e subcampos próximos. Para ocultar a realidade dos "campos de trabalho" das forças aliadas, os nazistas também queimaram documentos com os registros dos prisioneiros, além de desmontar e dinamitar as câmaras de gás.
Em 17 de janeiro, começaram a partir as primeiras colunas de prisioneiros.
Durante a marcha, que ocorreu em pleno inverno, eles percorreram caminhos acidentados e tiveram poucos momentos de descanso, dormindo ao relento no chão gelado.
56.000 prisioneiros
Crédito: Creative Commons
Era um número ínfimo diante da imensa quantidade de pessoas que foram deportadas para Auschwitz a partir da primavera de 1940.

Em meados de 1944, cerca de 65.000 prisioneiros foram transferidos para outras unidades industriais do Terceiro Reich, reduzindo o total de presos à metade. 
Até então, Auschwitz era um dos maiores campos de trabalho da indústria alemã - era dividido em 28 subcampos e tinha três campos independentes. Os presos que não foram selecionados para o extermínio imediato eram enviados para trabalhar em fábricas de armamentos, minas de carvão e outros empreendimentos nazistas.
23 graus abaixo de zero
Era temperatura suportada pelos prisioneiros. A viagem para Loslau, no sul da Polônia, ocorreu no auge do inverno. Durante a jornada, os prisioneiros contavam apenas com o uniforme fino da prisão e sapatos rotos, sem nem uma bebida quente para aliviar o frio.
63 quilômetros
Era a distância até seu destino. Apesar de ser uma das "marchas da morte" mais curtas, as condições climáticas dificultavam qualquer esforço.
Os que conseguiram chegar foram enviados a outros campos em trens superlotados. Cerca de 20 mil recém-chegados foram para o campo de Bergen-Belsen, onde morreu a jovem Anne Frank. Os prisioneiros enfrentaram uma grave epidemia de tifo antes de finalmente serem libertados pelas forças britânicas, em abril de 1945.
 
9.000 mortos 
Foi o saldo da marcha, embora algumas estimativas citem 15.000 vítimas. Alguns homens, mulheres e crianças morreram de exaustão ou de frio. Muitos outros foram assassinados no caminho pelos guardas da SS, a polícia nazista.
"Meus amigos e eu estávamos juntos em um grupo", recorda Florian Granek, então um jovem de 22 anos. "Nós marchávamos atrás da coluna e víamos que eles atiravam em quem não conseguia manter o ritmo, jogando os corpos em uma vala. Começamos a contar os mortos, mas acabamos perdendo a conta.
A Alemanha assinou sua rendição incondicional em 8 de maio de 1945. Todos os campos foram libertados gradualmente com o avanço das forças aliadas. Em 27 de janeiro, chegou a vez de Auschwitz, onde ainda viviam sete mil prisioneiros gravemente doentes, incluindo 180 crianças.
Se você quiser saber mais sobre o fim da guerra mais sangrenta da história, não perca o especial Um Dia em Auschwitz, no Discovery.
Fonte: Brasil Discovery/UOL Notícias, de 25/1/2015.
 
 
 

 
 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

JOVENS NA UECE: possibilidades e desafios


Por Geovani Jacó de Freitas (*)
“48% dos seus estudantes cursaram, integralmente, o ensino médio em escolas públicas”
A Universidade Estadual do Ceará, no limiar de seus quase 40 anos, continua muito jovem e com predominância do sexo feminino. Pelo menos é o que informa o Censo Discente 2013 da Uece, realizado pela Pró-Reitoria de Políticas Estudantis – Prae, ao atestar que 58% dos estudantes são mulheres, contra 42% de homens. Do total, 85% estão situados na faixa etária de 15 a 29 anos, dos quais 47% pertencem à faixa entre 20 a 24 anos, 16% entre 15 a 19 anos e 20% situados na faixa etária de 25 a 29 anos. Este peso juvenil, peculiar ao ensino universitário, representa uma responsabilidade especial paras as universidades, sobretudo para aquelas de natureza pública, como a Uece.
O pioneirismo da Uece na interiorização do ensino universitário no Ceará, em sua forma multicampi, presente além de Fortaleza, em seis importantes municípios e nas regiões por estes polarizadas, permitiu maior acessibilidade dos jovens do interior e da Capital à universidade. Este aspecto crucial explica a diversidade das juventudes presentes na trajetória dos discentes na Uece.
Em meio a esta rica diversidade, a Uece é marcada por algumas especificidades, certamente devido à sua capilaridade no Estado: 48% dos seus estudantes cursaram, integralmente, o ensino médio em escolas públicas, contra 44% dos que concluíram em escola particular; 85% desses jovens moram com seus familiares, 63% deles dependem financeiramente dos pais enquanto 25% dependem de si mesmos para se sustentarem.
Do ponto de vista socioeconômico, 60% dos jovens estudantes da Uece pertencem a famílias cuja renda bruta situa-se na faixa entre 0-3 salários mínimos (SM), sendo 15,91% de jovens oriundos de famílias com rendimentos entre 0-1 SM e 44,33% pertencentes a famílias com renda entre 1 a 3 SM. Estes dados revelam o tipo de juventudes presentes na Uece e a responsabilidade acadêmica, científica e social da Universidade em criar e assegurar oportunidades aos jovens com políticas públicas de apoio ao estudante, além do desafio de ampliar, ainda mais, a universalização das vagas oferecidas aos demais jovens que anseiam acesso ao ensino universitário como forma de afirmação de seus desejos e sonhos.
É obrigação republicana da Uece garantir formação acadêmica, científica, profissional, política e social, com qualidade, a seus jovens estudantes, como, também, desenvolver essas políticas públicas específicas como modo de afirmação destes jovens estudantes como sujeitos de direitos e de cuidados. Esta perspectiva de reforço à permanência qualificada e à resiliência dos jovens na universidade é desafio importante tanto para a Uece, quanto para as demais universidades públicas do Brasil.
(*) Pró-Reitor de Políticas Estudantis da Uece.
Publicado In: O Povo, Opinião, de 22/11/14. p.9.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

E O PISO GOVERNADOR?

Por Antônio Mourão Cavalcante (*)

O novo governador do Estado do Ceará, Camilo Santana, iniciou seu mandato abrindo um diálogo construtivo naqueles pontos que parecem mais agudos em sua administração. Convocou encontro com os policiais de postura sempre conflitante com o governo passado. (Leia-se capitão Wagner). Convocou as lideranças dos professores das universidades estaduais – em greve – e prometeu realizar concurso o mais rápido possível. Condicionando-o ao encerramento da greve. Dito e feito.
Estas atitudes estão indicando um novo caminho a ser construído pelo gestor estadual. No lugar do confronto e desqualificação do interlocutor – “Não são policiais, mas um bando de marginais!” Lembram-se? – a compreensão que eles têm algo a dizer. Por isso, devem ser escutados. E, no caso da academia universitária, a prudência do diálogo, com o encaminhamento concreto do que impedia avançar. Como disse o capitão Wagner “não tem nem como comparar.”
Só gostaria, em aproveitando estes gestos de boa vontade do novel ocupante do Abolição, lembrar-lhe que há mais pepinos a descascar... Dentre eles: O piso dos professores das referidas universidades estaduais. Essa querela, que se tornou judicial, desde os tempos do doutor Tasso governador. Dura até hoje, quase 30 anos. Muitos dos que reivindicavam tal direito, já morreram. Todas as instâncias judiciais do país já se pronunciaram. É fato transitado em julgado. Não cabe mais qualquer recurso. Nem para frente, nem para trás. Resta pagar. E, o Governo do Estado como réu declarado, litigante de má fé, vem empurrando com a barriga. Sem motivo. Sem razão. Até o último dia ele se fez ouvidos de mercador... Muitos dos mestres já se aposentaram. E, não podem receber o que já ganharam em todas as instâncias judiciais. Nem uma greve é possível e o nosso sindicato apodreceu!
Camilo Santana teria a coragem de restaurar a justiça para com esses injustiçados? Somos igualmente professores. Somos legitimamente ganhadores de uma questão com o Estado. E hoje, sendo o primeiro governador do Partido dos Trabalhadores (PT) no Ceará, teria ânimo de resolver essa parada? Pelo que fez até agora, sem marketing exagerado, sem bravatas, nos anima acreditar que logo mais será a nossa vez. Será a concretização do adágio: a Justiça tarda, mas não falha!
(*) Médico e antropólogo. Professor universitário.
Publicado In: O Povo, Opinião, de 24/1/15. p.8.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Pérolas do Febeapá

... recolhidas por Valdir Sanches

Mexendo em meus livros, notei um volume de capa cor de abóbora, com letras pretas. Era o Febeapá, edição de 1966. Para os mais jovens, esclareço que o Festival de Besteira que Assola o País, o Febeapá, é uma gozação que o jornalista Sérgio Porto, na pele de Stanislaw Ponte Preta, fazia dos militares, políticos, delegados de polícia e assemelhados em plena ditadura. Sérgio não cobre a fase mais dura do regime, iniciada com o fechamento do Congresso Nacional, pelo AI-5, em dezembro de 1968. Nem teve tempo. Morreu três meses antes, em setembro, aos 45 anos.
Separei alguns trechos.
“Correu o mês de março tranquilo, embora o Coronel Costa Cavalcanti, deputado pernambucano e líder da tal linha dura, afirmasse que a candidatura Costa e Silva ‘cheirava a povo’, demonstrando um defeito olfativo impressionante."
***
“O General Olímpio Mourão Filho doava ao Museu Mariano Procópio, de Juiz de Fora, a espada e a farda de campanha que usava como comandante das forças que fizeram a ‘redentora’ de 1º de abril. Isso é que foi revolução; com pouco mais de dois anos já estava dando peças para museu.”
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“Foi então que estreou no Teatro Municipal de São Paulo a peça clássica Electra, tendo comparecido ao local alguns agentes do DOPS para prender Sófocles, autor da peça e acusado de subversão, mas já falecido em 406 a.C..”
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“E quando a gente pensava que tinha diminuído o número de deputados cocorocas, aparecia o parlamentar Tufic Nassif com um projeto instituindo a escritura pública para venda de automóveis. Na ocasião, enviamos os nossos sinceros parabéns ao esclarecido deputado, com a sugestão de que aproveitasse o embalo e instituísse também um projeto sugerindo a lei do inquilinato para aluguel de táxis.”
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“Repetia-se em Porto Alegre episódio semelhante ao ocorrido com Sófocles, em São Paulo. O Coronel Bermudes, secretário da insegurança pública, acusava todo o elenco do Teatro Leopoldina de debochado e exigia a presença dos atores e do autor da peça em seu gabinete. Depois ficou muito decepcionado, porque Georgers Feydeau – o autor – desobedeceu sua ordem por motivo de força maior, isto é, faleceu em Paris, em 1921.”
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“A minissaia era lançada no Rio e execrada em Belo Horizonte, onde o Delegado de Costumes (inclusive costumes femininos), declarava aos jornais que prenderia o costureiro francês Pierre Cardin (bicharoca parisiense responsável pelo referido lançamento), caso aparecesse na capital mineira ‘para dar espetáculos obscenos, com seus vestidos decotados e saias curtas’. (…) Toda essa cocorocada iria influenciar um deputado estadual de lá, Lourival Pereira da Silva – que fez um discurso na Câmara sobre o tema ‘Ninguém Levantará a Saia da Mulher Mineira.’”
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“Em Belém do Pará um vereador era o precursor dessa bobagem de proibir mulher em anúncio publicitário. É verdade que o Prefeito Faria Lima, de São Paulo, foi mais bacaninha ainda, porque iria – mais tarde – proibir mulher e propor que ‘figuras da nossa História ilustrem os anúncios’, isto é Rui Barbosa vendendo sabão em pó, Tiradentes fazendo anúncio de lâmina de barbear, etc..”

(Um outro vereador de Belém protestou) “O mal não reside nas figuras femininas, mas no coração de quem vê nelas o lado imoral. Eu, por exemplo, seria capaz de olhar a foto de minha mãe nua e não sentir a menor reação”. O nome desse vereador que respeita o chamado amor filial: Álvaro de Freitas, ao qual aproveitamos o ensejo para enviar nossos parabéns.”)
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“E o Secretário de Turismo da Guanabara, Sr. Rio Branco, mudava a ornamentação para o Carnaval, na Avenida Rio Branco, por outra mais leve, e saía-se com esta: “Deus me livre acontecer um acidente na Avenida do Vovô.”
Fonte: Antonio Pastori, guardião da Domingueira Poética.

ADOTE UM PRESO


Por Rogério Medeiros Garcia de Lima *
“Direitos humanos”
Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.
Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. Retruquei para não irem tão longe, tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.
Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me “honraram” mais com suas visitas e... os menores ficaram presos. É assim que funciona a “esquerda caviar”.
Tenho uma sugestão ao Professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Jânio de Freitas, à Ministra Maria do Rosário e a outros tantos defensores dos “direitos humanos” no Brasil. Criemos o programa social “Adote um Preso”. Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a sociedade a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda, é claro.
* Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (Belo Horizonte, MG).
Fonte: Folha de São Paulo, Painel do Leitor, de 10/01/2014. Reproduzido em vários blogs.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Posse de Huygenes Garcia e Osvaldo Gutierrez na Academia Cearense de Medicina


Mesa diretora e acadêmicos ao término da solenidade de posse da ACM.
 
A Academia Cearense de Medicina (ACM) realizou ontem à noite, dia 23/1/15, no Auditório Castello Branco, da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), a solenidade de posse dos seus novos membros titulares: os Profs. Drs. José Huygenes Parente Garcia, cirurgião geral e professor titular da UFC, e Osvaldo Augusto Gutierrez Adrianzen, nefrologista e professor associado da UFC, como ocupantes das Cadeiras 13 e 23, respectivamente, patroneadas pelos médicos José Fernandes Teles e Alísio Borges Mamede, em vagas anteriormente ocupadas por José de Aguiar Ramos e Washington Carneiro Baratta Monteiro.
Os novos acadêmicos foram saudados pelo Ac. João Martins de Sousa Torres.
Ac. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da ACM – Cadeira 18

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Janeiro/2015

A DIRETORIA DA SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) CONVIDA todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de NOVEMBRO/2014, que será realizada HOJE (24/1/2015), às 18h30min, na Igreja de N. S. das GRAÇAS, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.
CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!
MUITO OBRIGADO!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

LEGITIMAÇÃO DO MAL

Por Maria Lucia Victor Barbosa

Os recentes atos terroristas perpetrados na França por fundamentalistas islâmicos levam a reflexões importantes, pois envolvem situações globais que atingem indivíduos isoladamente ou mesmo populações inteiras.
Para começar lembremos que a liberdade é essencial à vida, uma espécie de oxigênio que permite viver com dignidade. É fruto da sociedade ocidental capitalista, do Estado Liberal que evoluiu para o Estado Democrático de Direito. É um bem precioso que foi conquistado aos poucos, lembrando que sistemas totalitários como o comunismo e o nazismo extinguiram a liberdade e massacraram os que tentaram exercê-la, assim como os regimes ditatoriais.
Mas existe limite à liberdade de expressão? Pode a mídia ser antissemita, racista, achincalhar, insultar, tripudiar sobre valores incluindo os religiosos? E não me venham dizer que não posso perguntar isso ou que estou do lado do terror. Tenho direito de me expressar livremente enquanto o ministro petista Berzoine não baixar a censura total.
Que fique bem claro de minha parte, que as charges sem graça e de péssimo gosto jamais justificariam a chacina dos chargistas levada a cabo pelos irmãos terroristas Chérif e Said Kouachi, na redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris.  Defender o terrorismo e legitimar o mal é característica da esquerda primitiva e acéfala que culpa os franceses, os Estados Unidos, os judeus, a islamofobia, a direita pelos brutais assassinatos em nome da fé. Tudo indica que os grupos fundamentalistas sendo totalitários, expansionistas, tribais, medievais atraem irresistivelmente a esquerda que encontra naquelas organizações fanáticas ecos do seu próprio modo de ser, identificando-se com as mesmas.
Seguiram-se às mortes dos jornalistas o assassinato de quatro judeus em um supermercado Kosher, pelo terrorista, Amedy Coulibaly e sua amante, Hayat Boumeddiene. As quatro vítimas chamavam-se: Yoav Hattab, 21, Yohan Cohen, 20 (que salvou uma criança de três anos quando lutou com o terrorista), Philippe Braham, 45 e François Saada, 64.
Lembra Gilles Lapouge sobre os judeus na França (O Estado de S. Paulo, 14/01/2015), que “fundidos na sociedade francesa e sentindo-se franceses até a raiz dos cabelos, seus talentos (Bergson, Lévi-Strauss, Mendés France, Léon Blum, Montaigne e outras milhares de centenas de pessoas) levaram à incandescência o gênio da França, à beleza de sua civilização – excluindo, claro, o vergonhoso espetáculo da ocupação nazista (1940 – 44) quando o general Pétain empreendeu uma campanha de perseguição aos judeus”.
Contudo, passado um dia ou dois dos ataques terroristas tudo voltou ao normal e as afrontas, as agressões e ameaças aos judeus se multiplicaram. Uma contradição, sem dúvida, pois se milhões de franceses foram às ruas para defender a liberdade de expressão, por que alguns negam a outros a liberdade de existir?
Um dos irmãos Kouachi também matou o policial Ahmed Merabet, um mulçumano que ferido e deitado no chão pediu clemência, mas levou um tiro na cabeça. Coulibaly, um dia antes de entrar no Koscher atirou em dois policiais, sendo que a agente Clarissa Jean-Philippe, de 25 anos, morreu.
Os franceses acorreram às ruas para defender um valor que lhes é caro, a liberdade ou para defender sua sobrevivência. Afinal, o ato terrorista se seu dentro do seu território e atingiu o chamado Quarto Poder. Porém, há uma legitimação do mal que não é só apanágio da esquerda diante das facções jihadistas ou guerra santa.
Afirmo isso porque houve mais espanto do que manifestações mundiais quando emissários de Bin Laden derrubaram as Torres Gêmeas em 11 de novembro de 2001. Atualmente ninguém se comoveu com o sequestro e assassinato de três jovens Israelenses, ao que tudo indica pelos terroristas do Hamas cujo objetivo é dar fim a israel. Mulçumanos matam mulçumanos e fica por isso mesmo entre eles.
O Boko Haram sequestra jovens que são estupradas, mantidas como escravas, vendidas, além de dizimar populações inteiras a ferro e fogo, algo que parece apenas uma notícia longínqua que não interessa a ninguém.
Outras facções do Islamismo radical seguem atuantes como o Taleban e agora entra em cena o Estado Islâmico com seus degoladores, crucificadores de cristãos, experts em todo tipo de atrocidades. Isso se dá sob a indiferença, legitimação ou aceitação das maiorias que aguardam sua vez de se submeter. Afinal, Islã quer dizer submissão.
Está na hora do mundo se movimentar para valer em vez de ficar esperando a ação dos Estados Unidos para depois criticá-la. E nem menciono o Brasil porque aqui a governanta quer diálogo com o terror, como se isso fosse possível, enquanto já se diz que fundamentalistas recrutam jovens em nossas favelas. Só falta Maria do Rosário declarar que terroristas desumanos têm direitos humanos.
Maria Lucia Vitor Barbosa é socióloga.
Fonte: Datado de 16/01/2015 e postado em diversos blogs. Desconheço a fonte primária.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Colégios cearenses alcançam 38% dos aprovados no vestibular do IME em 2014

149 estudantes de Fortaleza passaram em um dos vestibulares mais difíceis do país, o do Instituto Militar de Engenharia (IME) e o número impressiona

Os irmãos Alice e Vinícius Campos têm muitas semelhanças. Além de herdarem a mesma fisionomia dos pais e estudarem no mesmo colégio, eles almejam um objetivo: serem engenheiros. Com 19 e 18 anos, respectivamente, já alcançaram uma grande vitória. Foram aprovados em um dos vestibulares mais difíceis do país, o do Instituto Militar de Engenharia (IME). E juntos, na edição de 2014.
Foram dias incontáveis estudando dia e noite no colégio, além de incluir os finais de semana. O fator biológico ajudou sobretudo na hora de sanar dúvidas. “Eu tenho mais afinidades com algumas matérias e ele com outras. Daí a gente vai se ajudando”, ressalta Alice.
Com eles, mais 147 cearenses conseguiram aprovação, na lista que foi divulgada no início de dezembro. Ao todo, passaram 391 estudantes. Isso significa que 38% é proveniente do Ceará. É a prova que os “cabeças chatas” estão conquistando o mundo. Ou pelo menos as universidades mais exigentes do país.
Colégios em destaque
O Tribuna do Ceará entrou em contato com os colégios locais que se destacam nacionalmente quando se trata de aprovação nessa instituição. Às vezes, um único colégio aprova mais que uma cidade. O professor Marcelo Pena, do Farias Brito, ressaltou que dos 149 aprovados cearenses, 59 estudaram lá, ou seja, quase 40%.
“Isso mostra que o cearense tem um foco, busca o sonho. Os cearenses também têm bons resultados em olimpíadas. Os meninos são preparados desde o ensino fundamental, quando demonstram interesse pelo IME ou ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica]. Esse trabalho é feito em parceria com professores, famílias e o próprio aluno. Ficamos muito felizes em celebrar a vitória com eles”, enfatizou Pena.
No Colégio 7 de Setembro, onde Alice e Vinícius estudaram, não é diferente. Segundo o supervisor do pré-vestibular, Silvio Mota, 23 setembrinos foram aprovados no IME. O segredo está no time de profissionais, nas avaliações e nas correções dos erros.
 “Nosso trabalho vem de muito tempo, desde 1984. Buscamos desenvolver o potencial dos alunos, com carga horária diferenciada. Quando um aluno consegue o objetivo é motivo de felicidade para todos nós, principalmente quando a gente consegue transformar aquele aluno que não é o melhor da turma, mas que consegue se superar”.
ITA
A lista de cearenses que se formam fora é extensa e histórica. Com o ITA é do mesmo jeito. O Tribuna do Ceará publicou em 2013 um levantamento, indicando que Fortaleza aprovou 23,5% dos novos alunos na última década. Líder nacional nesse quesito, essa foi a cidade onde estudavam 305 dos 1.296 aprovados entre 2004 e 2013. Quem chega mais perto é São José dos Campos, sede de vários cursos preparatórios para a faculdade, com 291 (22,5%).
Fonte: Tribuna do Ceará / UOL Notícias.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

FRANCISCO LONGE DAS HERESIAS

Por Padre Geovane Saraiva *

Bem aventurados aqueles que acolhem e se deixam conduzir pela Palavra de Deus, tendo-a como eterna e sagrada, na qual se edificam sonhos e projetos de vida. O Papa Francisco ao comentar o Evangelho da casa edificada sobre a rocha, ou sobre a areia, na missa do dia 4/12/2014, disse que “Não basta se declarar cristão, é preciso agir”, deixando claro que o cristão não pode ser de aparência, mas deve colocar em prática o amor de Jesus, mostrando-nos portanto, que a missão de santificar, ensinar e governar tem sempre como fundamento a Boa Nova da salvação, anunciando Jesus Cristo, o Evangelho por excelência, maior e melhor dom inigualável de riqueza, que Deus Pai fez descer do céu, abrindo nossos olhos, quando afirma: “A Igreja é chamada a aproximar-se de todas as pessoas, começando pelos mais pobres e aqueles que sofrem”.
No Jornal El País em 3/12/2014 o jornalista Juan Arias fala que os burocratas da Igreja o acusam entre dentes de que fala pouco de Deus e muito dos homens, sobretudo, dos mais marginalizados pela sociedade, sendo cada vez menos amado por setores da hierarquia da Igreja do que pelas pessoas, dizendo que Francisco gosta menos de muitos devotos do que da caravana humana dos que sofrem. Para ele, bastam as páginas dos evangelhos que estão mais povoados de histórias de marginalizados e excluídos do convívio social do que de glória e triunfos divinos, indicando que o Santo Padre cita menos documentos e encíclicas. Em verdade Francisco tem absoluta convicção de que a promessa do Pai se concretiza no Filho Jesus Cristo que “sendo rico, se fez pobre, a fim de nos enriquecer com sua pobreza” (cf. 2Cor 8, 9), e que “Os orgulhosos, os vaidosos, os cristãos de aparência” – sublinhou o Papa Francisco – “serão derrubados, humilhados”, enquanto “os pobres serão os que vão triunfar, os pobres em espírito, aqueles que diante de Deus não se sentem importantes, os humildes, e que realizam a salvação, colocando em prática a Palavra do Senhor”.
Ainda, segundo o referido colunista, o Sumo Pontífice opta em falar mais da criatura humana como imagem e semelhança de Deus do que da divindade, o que começa a ser visto como uma heresia. Sinceramente, não compreendo a relação disto com uma heresia, sendo que Francisco tem manifestado posições que carregam a marca redentora do absoluto de Deus, associado e intimamente unido a Jesus de Nazaré, que foi pregado aos trinta e três anos de idade numa cruz, por ter percebido os sinais dos tempos e sido exagerado em defender os empobrecidos, antevendo neles seu próprio aniquilamento, sua suprema dor e angústia, em uma realidade misteriosa, da qual não se pode dissociar o humano do divino.
Retomando o assunto anterior do Bispo de Roma, ao assegurar que “não basta pertencer a uma família muito católica, a uma associação ou ser um benfeitor se, depois, não se faz a vontade de Deus. ‘Muitos cristãos de aparência caem nas primeiras tentações’, afirmou, porque não têm ‘substância’, construíram sua casa sobre a areia”.
Dentre as inúmeras e inspiradoras frases de Francisco, duas em especial, relacionadas a este contexto, vêm à minha mente neste instante: “Vivemos na religião mais desigual do mundo”; “A paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a humanidade”. Uma construção na qual reina a paz precisa ser sólida e segura no seu alicerce, indo na direção do Romano Pontífice, deixando claro que os cristãos jamais poderão se distanciar dos seus ensinamentos, ao encerrar a referida homilia, na Casa Santa Marta, citando São Bernardo de Claraval: “Pense, homem, o que será de você: alimento para os vermes”. “Os vermes irão nos comer, a todos” - recordou o Papa – “Se não temos esta rocha, vamos acabar pisoteados”: “Neste tempo de preparação para o Natal pedimos ao Senhor para sermos firmes na rocha que é Ele, a nossa esperança é Ele.
Todos nós somos pecadores, somos fracos, mas se colocarmos a esperança n’Ele podemos avançar. E esta é a alegria de um cristão: saber que n’Ele há esperança, há perdão, há paz, há alegria. E não colocar a nossa esperança em coisas que hoje existem e amanhã não existem mais”. Assim seja!
* Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza.
Fonte: O Povo, de 14/12/2014. Espiritualidade. p.14.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

É DE VIDRO, DOUTOR?


João Brainer Clares de Andrade (*)
Foi necessário um programa de importação de médicos para se avaliar o quanto a medicina brasileira repousava aparentemente inerte a qualquer crítica. Em todo o mundo, a medicina continua recebendo os melhores olhares. Historicamente, o ofício do médico se atrelava a uma figura próxima ao poder dos deuses, ofendendo-os, por vezes, quando se curava a despeito das forças superiores. Mitos e lendas à parte, a figura do médico continua exercendo arte e ciência; feitos que não permitem dissociação e estão, portanto, muito além do julgamento leigo que, por vezes, resume a medicina a uma fórmula ou meia dúzia de artigos científicos. É muito mais: é saber ouvir, quando tocar, o que tocar, cheirar, ver, sentir, interpretar, associar, ponderar, zelar... É um misto harmonioso de ciência inerente à arte de cuidar.
Embora o mítico eleve a imagem do bom ofício, aquilo que se aprende de médico a médico, de tutor a tutor, há incontáveis falhas. A imagem mítica colocava o médico em um rótulo inviolável... Porém, denúncias de corrupção, jornadas de trabalho desfalcadas no serviço público, negligência e imprudência aparecem aos montes nos últimos noticiários. A imagem quase inviolável mostra-se frágil, apesar de todo peso histórico; e mais: mostra que o médico é tão comum quanto qualquer outro cidadão.
Assim, digo aos que furam filas, sonegam impostos, fraudam doenças para o gozo da aposentadoria, faltam ou mal atendem no serviço público, aos políticos que pactuam o roubo de bilhões aos cofres públicos, aos que são maus gestores: alguns médicos também são iguais a vocês. Nenhum erro justifica o outro, é verdade. Pela missão que carrega, pelo peso histórico, pela confiança que lhe é depositada, nada disso seria esperado do médico, mas infelizmente não é a verdade que impera; verdade essa que deve ser lidada sem preconceitos, sem a alcunha comprada de “corporativismo”, sem a ignorância das generalizações.
Associar o médico a qualquer outro cidadão traz, até, benefício: é humano, tem necessidades sociais, políticas e econômicas, pensa tal como você; o que torna fácil aceitar quando o médico não tolera, por exemplo, trabalhar no interior do país na precariedade de recursos, na ausência de estabilidade, na degola dos salários que sempre atrasam, no desrespeito à missão que carrega. No entanto, sobra a necessidade de avaliação: a imagem do mito soberano não mais existe, o rótulo não mais é inviolável e as responsabilidades se tornaram maiores. Assim, se o teto é de vidro e a casa é nossa, é porque o médico construiu sua casa assim. E pedras não nos faltam.
(*) Médico residente de Neurologia – Hospital Geral de Fortaleza
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 20/1/2015. p.7


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

MEDICINA E LITERATURA

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a  coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
(Mário Quintana (1906-1994)/[Caderno H])
Definições:
Literatura - é a arte de compor ou escrever textos atraentes.
Medicina - é a “ciência-arte” de tratar ou curar as doenças.
A Medicina é uma ciência porque se baseia em conhecimento adquirido por meio de acurado estudo e experimentação. É Arte porque depende da perícia com que os médicos e outros profissionais ligados à medicina aplicam seu conhecimento ao lidar com os pacientes.
Constantin Brancusi (1876-1957), um dos escultores mais importantes da primeira metade do século XX, era um romeno radicado em Paris. Começou trabalhando com a madeira, buscando o segredo da matéria. Simplificou incessantemente, repisando em sua obra uma série limitada de temas, ‘Mademoiselle Pogany, Peixe e Pássaro no Espaço’ são duas de suas obras da maturidade que parecem abranger a essência da velocidade e a sensação de liberdade humana. Costumava ele dizer aos seus discípulos: “No momento em que o artista deixa de ser criança, morre”. Verdade! É brincando que se constrói o mundo. Crianças e artistas inventam o instante da criação.
Mesmo quem não se julga artista e, entrado em anos, consiga compreender o seu Eu infantil, o que é uma abonação da criatividade, atesta com isso uma grande sensibilidade. Mas voltemos à literatura e deixemos de devaneios.
Escrever é uma profissão muito infantil. Mas, às vezes, como as brincadeiras das crianças, pode se transformar em algo muito sério. Excessivamente circunspecto é o escritor, como, geralmente, são as crianças quando estão brincando ou procurando um substituto para o seu palco de atuação social, através da escolha de seus jogos. Vários médicos que tentaram a literatura sentiram, mesmo antes de serem médicos, que lhes sobressai uma forma diferente de ser. Mas não é agora que desejo debater este tema, embora possa vir a debater a procura das personagens que habitam o nosso Eu.
Somos mais complexos do que as personagens criadas pelo teatrólogo Luigi Pirandello (1867-1936), famoso por suas peças de teatro de caráter filosófico. A maior parte dos trabalhos de Pirandello reflete uma visão pessimista da vida, porque mostra a dificuldade em se conhecer a verdade acerca dos seres humanos. Pirandello recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, de 1934. Os médicos literatos principiantes são como os “Seis Personagens à Procura de um Autor” (1921) de Pirandello, uma fantasia sobre seis pessoas que pedem para serem personagens de uma peça, mas que não têm nenhum autor para lhes orientar os passos.
Não saberia explicar quanto ou quando a magia da literatura começa a tomar corpo dentro das pessoas, principalmente quando já escolhemos uma roupagem para melhor nos representar no cenário social – a do médico.
Porém, mesmo com todos os êxitos profissionais, a contaminação de ler e escrever não nos permite abandonar a literatura ao longo da vida. Ela vai se agravando como um vírus de ação lenta: os mais infectados percebem que, não podendo dela se livrar, se deixam por ela ser levados, o mais cedo possível, quando se deparam com as mais tênues oportunidades. Os menos imaginosos devem aguardar, pois, no dizer de muitos estudiosos da alma humana: “O grande dilema humano não é a sexualidade - como desejava Sigmund Freud - e sim a sobrevivência da prole”.
Assim, ficam à espera de um maior equilíbrio para que, à musa literária possa o seu corpo ser oferecido – após garantir o sustento da sua família.
Não importa quando e como a ficção-real da literatura contamine: ela não tem cura. A doença e a terapia se confundem dentro da ânsia por ler e escrever. Buscar algo mais do que a trivialidade da sucessão dos dias nos hospitais, nos ambulatórios, nos consultórios e em tantos outros locais em que a mais social das ciências está sendo praticada ajuda, porém não cura.
Na maioria das vezes, ler e escrever são um lenitivo e um aperfeiçoamento na prática da profissão médica. Doença salvadora, durante os anos cinzentos em que a literatura e as leituras técnicas travam as batalhas.
A família e a pátria do escritor são a língua. Thomas Mann dizia ser a linguagem a placenta do literato. A linguagem é, mais do que um lar, o útero onde ele pode encontrar seus irmãos de gemiparidade. É seu refúgio infantil, sua casa e seu revestimento à sobrevivência.
Dostoievski afirmava que o mundo será salvo pela beleza. Não tenho tanta certeza.
É impossível prever qual o futuro da literatura, se algum futuro um dia tiver. Mas ouso esperar que ela consiga revelar, diante de suas incessantes indagações – sobre amor, morte, violências, guerras, covardia e inconformismo, engajamento ou falta de engajamento social, solidariedade, egoísmo, etc. – a beleza estética, ou não, de um texto bem ou mal escrito, uma promessa de bondade. Difícil de ser abandonada, mesmo em momentos de incerteza e ameaça à vida. Por mais ingênuo que isso possa parecer no mundo atual, o escritor solitário não passa de um operário do amor.
É bom rememorar que a arte literária não se prende à conjuntura que abrange a mídia e os inventos modernos, e que, do outro lado, a medicina, se não estiver em consonância com o humanismo, não passa de tecnologia. As inseguranças, de um modo geral, provêm de uma ênfase acentuada na ciência e em seus procedimentos, uma vez que as conquistas científicas aumentaram muito o conhecimento e o poder do homem. Mas as pessoas devem aprender a utilizar esse “poder” de maneira sensível e moral [palavras são palavras].
Não são poucos os profissionais de saúde que sentem o chamamento às artes, mas têm de aguardar o momento propício para atender a esse apelo. Passam a desempenhar papel diverso na vida social, porém, na primeira oportunidade, rendem-se às musas.  Os que escolhem a medicina sabem ser ela a mais social das ciências. Médicos escritores são em geral grandes leitores, apreciadores das artes, cientes de que se conhecessem apenas a medicina nem de medicina saberiam.
Não importa o êxito profissional. O médico escritor, apesar da cobrança de exclusividade da profissão abraçada, sempre encontra espaço para as coisas da arte. Assim, ao buscar o alívio do sofrimento humano, encontra o belo e, diante do belo, torna-se mais humano.
Acredito serem parceiras, a Medicina e a Literatura, nas artes e nas ciências. São ambas antropocêntricas. A Medicina possui a incumbência de aliviar a dor e a Literatura o dever de contar a vida. E para melhor fazer-me entender, tomo a passagem da carta dirigida a Marcos por seu pai, o Imperador Adriano, imaginada pela escritora Margaret Yoursenay, em Memórias de Adriano: 

'Caro Marcos,
Por indicação de meu médico, Hermógenes, despi-me. A túnica e minhas vestimentas caíram ao chão. Recostei-me para ser examinado, a hidropisia seguia a sua marcha bem com a verdade inexorável dos sessenta anos vividos. Gostava de meu médico. Hermógenes era um probo, posto que ninguém pratica a arte da Medicina por mais de 40 anos impunemente. Difícil é ser imperador diante de seu médico, e muito mais difícil permanecer homem'.
É isso tudo o que desejo dizer nesta altura de minha vida.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

domingo, 18 de janeiro de 2015

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO IV


21. Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.
22. Vênus de Milo promete dar uma mãozinha a desempregados.
23. Áries, deus da guerra, foi pego em flagrante desviando armamento para a milícia carioca.
24. Sócrates, Aristóteles e Platão negam envolvimento na rebelião da USP: "Estamos na pindaíba, mas ainda não descemos a esse ponto".
25. A caverna de Platão está abrigando milhares de sem teto.
26. Descobri o porquê da crise: os economistas estão falando grego!!!
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO III


14. Lula recomenda demissão de Zeus e indica Zéus Dirceu para o cargo.
15. Hermes está entregando o currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.
16. Caronte anuncia que a partir da próxima semana passará a aceitar o bilhete único.
17. Afrodite aceitou posar para a Playboy.
18. Sem dinheiro pra pagar os salários, Zeus libera as ninfas pra trabalharem na Eurozona.
19. Ilha de Lesbos abre resort hétero.
20. Para economizar energia, Diógenes apaga sua lanterna.
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO II

8. O Minotauro está puxando carroça para ganhar a vida.
9. Acrópole é vendida e em seu lugar é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.
10. Afrodite teve que montar uma banquinha de produtos afrodisíacos para pagar as contas.
11. Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: "ela tem minhocas na cabeça".
12. Sócrates inaugura Cicuta's Bar para tentar ganhar uns trocados.
13. Dioniso vende seus vinhos na beira da estrada de Marathónas.
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO I

1. Zeus vende o seu trono para uma multinacional coreana.
2. Medusa faz bico na ala dos ofídios em um zoológico local.
3. Narciso vende seus espelhos para pagar a sua dívida do cheque especial.
4. Aquiles vai tratar o seu calcanhar no SUS.
5. Eros e Pan inauguram um prostíbulo.
6. Hércules suspende os seus 12 trabalhos por falta de pagamento.
7. Medusa transforma pessoas em pedra e vende na Cracolândia.
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

PERFIL DE CARLILE LAVOR



A Assessoria de Comunicação (ASCOM) da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA) apresentou na posse do novo gestor da pasta da Saúde uma síntese biográfica do empossado a seguir reproduzida:
Perfil do Secretário da Saúde do Estado do Ceará Antônio Carlile Holanda Lavor
Antônio Carlile Holanda Lavor nasceu no dia 23 de agosto de 1940, em Jucás. Médico, formado pela Universidade Federal do Ceará, tem formação em Microbiologia. Carlile Lavor trabalhou no Instituto de Medicina Preventiva do Ceará (IMEP-UFC), dirigiu o laboratório de microbiologia do Hospital das Clínicas e o laboratório do Hospital de Maracanaú.
Foi professor da Universidade de Brasília de 1969 a 1978. Lá construiu as bases do sanitarismo comunitário e iniciou as pesquisas, ainda na década de 70, para a construção do Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS), uma das marcas de sua gestão como secretário de Saúde do Estado, de março de 1987 a abril de 1988. Nesse período, contratou 6.000 agentes comunitários de saúde para um trabalho emergencial por um ano. Os agentes de saúde transformaram-se em programa permanente da Secretaria e, em 1991, foi adotado pelo Ministério da Saúde.
Carlile Lavor ajudou a criar o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE), presidindo-o desde sua criação, em 1989, até 1991. Ex-prefeito de Jucás, presidiu a Associação dos Municípios do Ceará, dedicando-se especialmente à campanha de escolarização das crianças de 7 a 14 anos, contribuindo para criação do Fundef. Premiado pelo Unicef, representou o Brasil no Encontro Internacional dos Prefeitos Amigos da Criança, realizado no México, em 1994. Na África, iniciou em 2007 a implantação do Programa Agentes Comunitários de Saúde em Luanda, Angola. Em 2014 ajudou o governo angolano a regulamentar o PACS. Quando convidado a retornar à Secretaria da Saúde do Estado, Carlile Lavor dirigia o escritório da Fundação Oswaldo Cruz no Ceará e estava à frente da implantação da unidade da Fiocruz no Estado.
Fonte: SESA/ASCOM
 

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