segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A DOENÇA DA VIOLÊNCIA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Quando o clima de insegurança atinge a sociedade como um todo, a violência transforma-se numa reação corriqueira. Estudos demonstram que gestação que evolui em clima de medo, agressão, desamparo - influi na personalidade do indivíduo. O fortalecimento dos vínculos familiares é a única prevenção da doença da violência.
É muito importante destacar que o desenvolvimento educacional deverá estimular os sentimentos de compaixão, compreensão e solidariedade; maneira essencial de criar uma cultura da não violência. Uma das principais linhas de trabalho consiste em estabelecer "circuitos interativos" visando ampliar o campo da reflexão e de alternativas e de condutas cordiais entre as pessoas. Digo, sem sombra de dúvidas que a cultura do "não violência" tem início dentro da família. Seguem-se alguns exemplos práticos de comportamentos.
- Quando você arranca o brinquedo da mão do seu irmão, ele fica assustado e chora e eu fico muito zangada com você; aí a gente briga e você fica triste, achando que eu gosto mais dele do que de você. Não seria melhor conversar com seu filho ou filha sobre o assunto?
- Sei que você está chateado(a) porque não vou poder sair com você, agora. Acontece que cheguei em casa muito cansada. Mas, em vez de ficar triste, poderíamos combinar outra coisa?
- Fico danado da vida quando encontro sua toalha molhada em cima da cama. Coloque-a no banheiro, por favor, em vez de dizer: - Só um a idiota é capaz de deixar uma toalha molhada em cima da cama!
- Pô, pai, você é careta demais mesmo, não dá pra entender por que eu quero ir a essa festa? Tente negociar uma solução mais satisfatória do tipo "Vamos tentar chegar a um acordo sobre o horário de sair da festa".
Senhores pais, em vez de se preocuparem com ganhar ou perder a discussão, preocupem-se em encontrar uma solução. Resolver o problema sem atacar a pessoa é promover a Educação para a Paz.
Muitos pais batem nos filhos - não só porque não conseguem colocar limites de modo firme, sereno e consistente, mas, sobretudo, porque acham que este é um meio legítimo de impor disciplina. No entanto, quando perguntados se acham que os professores ou a babá poderiam dispor desse recurso para serem obedecidos, ficam indignados e respondem: Claro que não! Portanto, se os pais acham que educadores e empregadas domésticas precisam usar métodos não violentos para colocar limites e estimular o cumprimento das tarefas, por que eles próprios não conseguem fazer o mesmo?
Diversos métodos não violentos de disciplina devem ser pensados, tais como colocar a criança "para pensar", privá-la temporariamente de coisas de que ela gosta ou restringir atividades tais como brincar com amigos ou ver TV ou entrar na Internet. O mais importante é saber que ninguém nasce violento. É preciso construir a mentalidade de que a violência é inaceitável, por parte de todos. A violência é um comportamento "aprendido" no processo socialização.
As linhas de ação para a prevenção e o tratamento da violência começam em casa. Devemos nos lembrar de que o ciclo da violência tende a passar de uma geração a outra: números expressivos dos adultos e adolescentes violentos, foram crianças vítimas de abusos de outros adultos quando crianças...
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

domingo, 19 de fevereiro de 2017

ESCOLHAS E EXPERIÊNCIAS

 
Chargista: não explícito.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

ENGOMANDO AS ORELHAS


 Fonte: Circulando por e-mail (internet). Fotomontagem sem autoria explícita.

DIÁLOGOS ENTRE MORCEGOS


 Chargista: Angeloholtz?.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Astúcia feminina


 Fonte: Circulando por e-mail (internet), sem autoria definida.

Balança feminina

 
Chargista: Lúcio.
Fonte: Krotton/Edibar. Circulando por e-mail (internet).

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Posse da diretoria da Academia Cearense de Letras (Biênio 2017-2018)


Na noite de ontem, 16/02/2017, às 20h, aconteceu a posse da Diretoria da Academia Cearense de Letras (ACL), com mandato no biênio 2017-2018.
O Ac. José Augusto Bezerra, em objetivo e claro discurso, tendo por fio condutor a alegoria de uma viagem de navio, prestou contas de suas profícuas realizações ao cabo de dois mandatos, e passou o comando do timão ao Ac. Ubiratan Diniz de Aguiar, o qual, em ato contínuo, deu posse à toda nova diretoria e proferiu o seu bem construído discurso de posse, deixando entrever o quanto de responsabilidades terá pela frente, como timoneiro do sodalício.
Com a presença de autoridades, incluindo convidados advindos de Brasília, e de um grande público, a Solenidade transcorreu na sede da ACL no Palácio da Luz, recentemente reinaugurado.
Parabéns aos dirigentes recém-empossados na ACL.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

COMPLEXIDADE


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Em qualquer atividade, seja pública ou privada, o bom senso, a sinceridade e a determinação permitem que as dificuldades e os obstáculos sejam superados. Dentro deste prisma de raciocínio, vivenciamos, há algum tempo, no Brasil momentos complicados envolvendo crises, conflitos e desajustes em vários segmentos, inclusive nos Poderes Constituídos, com consequências danosas, é claro, para a população em geral. Fazendo-se uma analogia com a medicina, podemos dizer que o País se encontra na UTI, precisando de cuidados especiais para levá-lo ao quarto, e depois receber alta. Tudo compatível com uma “posologia” adequada. O desafio não é fácil. Abrange aspectos políticos, econômicos, sociais, éticos e morais. Reconhecemos ser fundamental, de um lado, a redução do desemprego, da inflação, da taxa de juros, dos desníveis de renda, e de outro, melhores níveis de saúde, de educação (cognitiva e comportamental), de segurança, dentre vários pontos. Esse esforço, bem que poderia gerar um “pacto de desambição nacional”, priorizando a justiça, no sentido amplo, e combatendo a ganância, a falta de espírito público e a corrupção. Por sua vez, os formuladores das politicas, além da reação de determinados grupos cartoriais e corporativos, terão que lidar com variáveis exógenas, efeitos colaterais negativos e, muitas vezes, erros de avaliação. Ademais, é importante que as ações sejam eficientes, isto é, evidenciem uma menor relação custo/benefício. Torna-se dispensável, por fim, ressaltar que esse processo de recuperação nacional deva ocorrer de forma democrática e republicana, observando-se a Constituição.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 7/10/2016.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

FRASES E PENSAMENTOS DE MARTIN LUTHER KING II


11 “Nossa eterna mensagem de esperança é que a aurora chegará.”
12 “Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver.”
13 “O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor.”
14 “Nunca estarei satisfeito até que a segregação racial desapareça da América.”
15 “O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.”
16 “Eu tentei ser direto e caminhar ao lado do próximo.”
17 “A greve, no fundo, é a linguagem dos que não são ouvidos.”
18 “Tenho visto demasiado ódio para querer odiar.”
19 “A nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos.”
20 “Ao final, não nos lembraremos tanto das palavras de nossos inimigos, senão dos silêncios de nossos amigos.”
Fonte: gingaronline.com

FRASES E PENSAMENTOS DE MARTIN LUTHER KING I


1 “Enfrentaremos a força física com a nossa força moral.”
2 “Não permita que ninguém o faça descer tão baixo a ponto de você sentir ódio.”
3 “Quase sempre minorias criativas e dedicadas tornam o mundo melhor.”
4 “Um líder autêntico, em vez de buscar consenso, molda-o.”
5 “Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter.”
6 “Mesmo as noites completamente sem estrelas, podem anunciar a aurora de uma grande realização.”
7 “Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.”
8 “O bom vizinho olha além das circunstâncias externas e distingue aquelas qualidades intrínsecas que fazem de todos os homens seres humanos e, portanto, irmãos.”
9 “Não fiz o melhor, mas fiz tudo para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas não sou o que era antes.”
10 “Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio.”
Fonte: gingaronline.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

PESAR POR MIGUEL ANTÔNIO FURTADO ARRUDA



É entristecido que assinalo aqui o falecimento na madrugada de hoje, 14 de fevereiro de 2017, do Dr. MIGUEL ANTÔNIO FURTADO ARRUDA, irmão das amigas e colegas Ana Margarida Rosemberg e Clêide Arruda, integrante de tradicional família Arruda da serrana Baturité.
Miguel era formado em Direito pela UFC. Era advogado atuante como profissional liberal.
O corpo de Miguel Arruda está sendo velado na funerária Ternura (Rua Padre Valdevino, Aldeota). A missa de corpo presente será celebrada às 15 horas de hoje (14/02/17) e o cortejo fúnebre sairá em seguida para o sepultamento no Cemitério São João Batista, marcado para às 16h.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Amigo da família Furtado Arruda

A NOIVA


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Eis um causo de amor e dor. Jacinta, moça prendada e estudiosa, era admirada por José, rapaz dotado de bom caráter, trabalhador, porém não possuía recursos financeiros. O pai da donzela queria que a filha namorasse Ricardo, jovem arrogante e filho de um rico empresário; não tinha boas intenções. Jacinta, sem desejar magoar o seu grosseiro genitor, e ouvindo as ponderações pacificadoras da mãe, cedeu e, sem esquecer José, passou a namorar o vaidoso jovem rico. José, humildemente, recolheu-se pensando que tinha caído no esquecimento da triste moça. Por sua vez, o interesseiro pai propôs o noivado da filha com Ricardo. Este concordou e marcou para o final do ano, cerca de seis meses, o enlace matrimonial. “Seu” Chico, orgulhoso, vendeu uma pequena propriedade rural para custear a festa de casamento, o enxoval e a confecção do vestido da noiva. Passaram-se os dias. Jacinta, apesar de gostar de José, mantinha-se fiel a Ricardo aguardando o dia do casamento. Vivendo às custas do pai, o “rabo de burro” (expressão usada no Ceará há aproximadamente 60 anos) era assíduo frequentador dos prostíbulos da cidade, explorando infelizes mulheres, e também um contumaz alcoólatra. Certo dia, antes do matrimônio, apareceram na casa do “Seu” Chico duas mulheres levando documentos mostrando que Ricardo era bígamo. O velho tomou um susto, teve um infarto, não resistiu e morreu. Jacinta e sua mãe denunciaram Ricardo. Apesar do dinheiro, foi julgado, condenado e preso. José reaproximou-se de Jacinta e, com amor, conforme as Leis de Deus e dos homens contraíram núpcias. A vida, às vezes, é assim.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 30/9/2016.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CONVITE: Lançamento do livro “Saúde & Poder”


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convida para o lançamento do livro “Saúde & Poder”, do sobramista Policarpo Barbosa, a realizar-se no dia 13/02/2017, às 20h30, no Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n° 1.880, Aldeota.
A obra será distribuída aos presentes no lançamento que ocorrerá logo depois da palestra MOSAICOS do médico, artista plástico e escritor Dr. Isaac Furtado.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames-CE

CONVITE: X Semeando Cultura da Sobrames-CE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convida para o 10º SEMEANDO CULTURA, evento bimestral promovido pela Sobrames-CE, a realizar-se no dia 13/02/2017, às 19h30, no Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n° 1.880, Aldeota.
O palestrante do evento será o médico, artista plástico e escritor Dr. Isaac Furtado, que abordará o tema: MOSAICOS.
Contamos com a nobre participação dos colegas, amigos e familiares neste aprazível momento cultural, que, por motivos técnicos, não foi possível ser apresentada em novembro do ano pretérito.
Após a palestra, será lançado e distribuído o livro “Saúde & Poder”, do sobramista Policarpo Barbosa, e, em seguida, servido um coquetel.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames-CE

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Asteroide na Terra

 
Chargista: Zé da Silva.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

Casamento na Era da Internet


Chargista: não explícito.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Acupuntura entre roedores


 Chargista: não explícito.
Fonte: chistes21.com / Circulando por e-mail (internet).

O Bundão da Madame

 
Chargista: De Morro.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

DE ESSÊNCIAS E PÁSSAROS


Por José Jackson Coelho Sampaio (*)
O Jornal O POVO, neste início de ano, nos incitou a pensar sobre o essencial e o jornalista Demitri Túlio intuiu sobre a necessidade de observar pássaros, distinguindo seus trinados em meio à cacofonia urbana. No varandão da Reitoria da UECE, no campus Itaperi, contemplando o arvoredo que esconde os prédios e o azul das serras distantes, vi a beleza do entardecer e distingui patrimônios materiais e imateriais.
Na árvore solar, ao lado, com sua estética de palmeira, em cujas palmas de metal branco fulgem placas fotovoltaicas, surge um ícone de energia limpa, sempre renovável, que alimentará bicicletas elétricas para o uso no campus. É projeto piloto, financiado pelo Fundo de Inovação Tecnológica-FIT, refeito duas vezes, mas entra na reta final de uso. Depois, a empresa, associada a nossa Incubadora, disporá a árvore para o uso da cidade.
Adiante, destaca-se o tom verde do túnel do vento, instalado com recursos do Tesouro do Estado e do Ministério de Ciência e Tecnologia, que já sofreu a fragilidade de alguns modelos de parceria e gestão, apronta-se agora, junto com o Mestrado em Ciências Físicas Aplicadas, para subsidiar pesquisa e inovação tecnológica, em energia eólica e teste de anemômetros.
Do outro lado da Silas Munguba, brilha a lagoa Itaperaoba; esticando o olhar pela direita, vê-se o denso verde do brejo do riacho Alto da Coruja; no rumo sul, após o Restaurante Universitário, mancha clara delimita a mata ciliar do açude do campus; e, mais ao sul, após o Hospital Veterinário, adensa-se a mata ciliar do riacho Itaperi. Estes ambientes compõem o Complexo Urbanístico Sustentável do Itaperi-CURSI, fina construção político-jurídica da SEUMA/PMF com a UECE, o primeiro destes complexos na cidade. O objetivo decisivo para criá-lo, além de resgatar paisagens e águas, foi preservar santuário onde ocorrem 80% dos pássaros que ocorrem na grande Fortaleza. Paisagem, água, nuvem, flor de ipê e passaredo convivem com a vida acadêmica e permitem lutar pelo futuro como um sonho bom.
(*) Professor titular em saúde pública e reitor da Uece.
Publicado. In: O Povo, Opinião, de 12/1/17. p.11.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A SÍNDROME DE ESTOCOLMO E O HOMEM CORDIAL

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
(Quando é que Vamos Deixar de ter Peninhas¹?)
A Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet, em sueco) é um distúrbio mental apresentado por pessoas que foram vítimas de sequestro ou de torturas. A expressão foi cunhada pelo psiquiatra e criminologista Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto ao Banco Kreditbanken, ocorrido em 1973, em Estocolmo, na Suécia.
Neste sentido, pela primeira vez, conseguiu-se registrar como o “Eu” de uma vítima buscava se moldar a algumas características do sequestrador/torturador, como um mecanismo de defesa, ou talvez, segundo explica a Psicologia, como uma expiação de culpas inconscientes.
A mídia destacava o fato de que as vítimas, em seus depoimentos realizados após o resgate, pareciam simpatizar com os criminosos, destacando certas gentilezas recebidas deles, que as haviam mantido em cárcere privado no interior de uma agência bancária cercada pela polícia por mais de seis dias. Isso permaneceu como um fator inexplicável. Soube-se que uma das vítimas se casou com um dos assaltantes e que outro integrante do bando, durante sua permanência no cárcere, recebia cartas apaixonadas de uma refém.
Trabalhos posteriores sobre a relação de parceria/afinidade entre vítimas e agressores, ou seja, torturados e torturadores, passaram a ser pesquisados em outras condições, a exemplo de cenários de guerras, com sobreviventes de campos de concentração, indivíduos que foram submetidos à prisão domiciliar por parte de familiares, vítimas de abusos de diversas ordens, e mulheres e crianças submetidas à violência doméstica.
Como pediatra, muitas vezes pude observar, por ocasião dos depoimentos, crianças e adolescentes que foram barbaramente agredidas pela mãe, pelo pai ou por outro adulto responsável por sua guarda, defenderem o agressor ou agressora.
Com o tempo, os torturadores começam a parecer menos ameaçadores e passam a ser compreendidos menos como agressores e mais como instrumentos de sobrevivência e de proteção. A vítima passa a sofrer, então, uma ilusão autoimposta em uma tentativa de sobrevivência psicológica, além de física. E, no intuito de reduzir o inimaginável estresse de sua situação, começa a acreditar que os torturadores, agressores ou carcereiros sejam seus amigos, que não a matarão, e que as duas partes podem mutuamente ajudar-se.
Desse modo, as pessoas do lado de fora, que se esforçam para lhes resgatar dos seus captores, parecem-lhes mais ameaçadoras que os próprios criminosos.
Esta síndrome, também conhecida como Vinculação Afetiva de Terror ou Traumática, não é reconhecida por dois importantes manuais de psiquiatria: o "Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders" (DSM, ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o "International Classification of Diseases" (ICD, ou Classificação Internacional de Doenças).
Quanto a muito discutida cordialidade do brasileiro, vale conferir: HOLANDA, Sérgio Buarque de. O homem cordial. In: Raízes do Brasil: 26 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995; receio que venhamos a fatiar/abrandar as sentenças dos verdadeiros culpados de corrupção muito embora não sendo ingênuo de acreditar que a situação nacional no presente tem muitas outras causas que estão fora do Petrolão, sinônimo atualmente de corrupção.
Há! Se fosse apenas isso. Pobre nação.
Quando é que vamos deixar de ter peninhas?
***
¹Peninha - Termo diminutivo de pena, geralmente usado no sentido de lástima, de tristeza.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

MEIOS E FIM


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
O fim justifica os meios”, frase atribuída a Maquiavel, não é uma atitude estratégica, mas uma conduta incorreta que não leva uma sociedade a uma situação de justiça, nem se baseia na essência da democracia. Como disse Norberto Bobbio: "Tradicionalmente, a ética distinguiu os deveres em relação aos outros e os deveres para consigo mesmo. No debate sobre o problema da moral em política aparecem exclusivamente os deveres em relação aos outros". Ademais, a honestidade política, no sentido amplo, não precisa de justificativa de conduta, pois tem por alicerce a disciplina e por objetivo principal a verdadeira justiça. Nos dias atuais existem muitos países ditos democráticos; elegem seus governantes, todavia, não apresentam uma sincera e clara harmonia entre os aspectos éticos e de governabilidade. Esses países são subdesenvolvidos, estão em fase de desenvolvimento ou, até mesmo, podem ser considerados desenvolvidos. Acreditamos que eles fazem parte de um contexto que é a nova versão do colonialismo primitivo e do imperialismo industrial, isto é, da globalização perversa. Não é justo atender exigências monetárias e financeiras significativas, deixando o povo sem esperança, com vários problemas, em função da falsa governabilidade. Os dirigentes de tais países chegam a rejeitar a ética, muitas vezes prometida em campanhas políticas, argumentando a necessidade da governabilidade. Lamentavelmente, alguns governantes não sabem distinguir os dois conceitos. Por sua vez, defendemos que ética e governabilidade caminhem juntas, buscando uma sociedade politicamente aberta, soberana, não corrupta, de economia forte e socialmente justa.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 23/9/2016.
Nota: Na oportunidade, expresso meus votos de pesar à família Gonzaga Mota pelo recente falecimento do seu amado João Turíbio.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SOLENIDADE DE REINAUGURAÇÃO DO PALÁCIO DA LUZ


Participei ontem à noite, 6 de fevereiro de 2017, da Solenidade de Reinauguração do Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras (ACL), restaurado na atual administração, cuja entrada solene voltou a ser pela rua Sena Madureira. A ocasião serviu para reavivar o clima do que seria esse palácio, ao tempo de sua inauguração, em 1781.
Na oportunidade, foram agraciados com a Medalha 120 Anos - Benemérito e a Comenda Uma Lenda do Ceará personalidades e instituições apoiadoras da entidade, dentre os quais, os seguintes homens públicos: o governador Camilo Santana, o senador Tasso Jereissati, o prefeito Roberto Cláudio, o chanceler Airton Queiroz e os empresários Beto Studart e Ivens Dias Branco (in memoriam). O governador Camilo Santana agradeceu em nome dos homenageados.
A solenidade, presidida pelo bibliófilo José Augusto Bezerra, foi conduzida, com muito cuidado e organização, pela Diretora Administrativa da ACL, a escritora Regina Cláudia Fiúza, sendo justo destacar a abertura musical com a Camerata de Cordas da Unifor e a reverência aos poetas antepassados do Ceará, por meio de declamações de poesias, tendo por mote um passeio de Maria Fumaça, um espetáculo concebido pelo Ac. Carlos Augusto Viana.
O evento foi abrilhantado pela presença expressiva de pessoas do mundo empresarial e cultural cearense, além de integrantes de academias e sociedades locais, como o Instituto do Ceará, a Academia Cearense de Medicina e a Sobrames/CE.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE

ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA DO INSTITUTO DO CEARÁ


Ontem, dia 6/02/2017, realizou-se a eleição da nova diretoria do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico). Presidi a Comissão Eleitoral que teve por escrutinadores os sócios Ubiratan Aguiar e Fernando Câmara. A chapa União, liderada pelo sócio Lúcio Alcântara, foi eleita pela unanimidade dos sócios votantes, que compareceram em grande número.
A chapa eleita tem a seguinte composição diretiva:
Presidente de Honra: Paulo Ayrton Araújo
Presidente: Lúcio Gonçalo de Alcântara
1º Vice-Presidente: Osmar Maia Diógenes
2º Vice-Presidente: Pedro Sisnando Leite
Diretor da Biblioteca e Arquivo: Pedro Alberto de Oliveira Silva
Diretor de Comunicação: Miguel Ângelo de Azevedo (NIREZ)
Secretário-Geral: Geová Lemos Cavalcante
1º Secretário: Juarez Fernandes Leitão
2º Secretário: Affonso Taboza Pereira
1º Tesoureiro: José Eurípedes Maia Chaves Junior
2º Tesoureiro: Luciano Pinheiro Klein Filho

Conselho Superior Consultivo
Presidente: Carlos Mauro Cabral Benevides
Membros: José Augusto Bezerra, José Liberal de Castro, Cid Sabóia de Carvalho e Paulo Elpídio de Menezes Neto

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Do Instituto do Ceará

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

DIPLOMA PERDIDO


Geraldo Duarte (*)
Enfocamos, aqui, acontecimento registrado no início do ano sessenta, século passado.
Novamente, lembrados com saudades, o engenheiro Clóvis de Araújo Janja e o mestre de obras Manuel do Montserrat.
Trabalhos do Serviço de Abastecimento D’Água, do Dnocs, no distrito de Messejana. Execução do projeto da rede abastecedora local, aprovado pela direção geral do Departamento.
Na fase de assentamento das tubulações, fez-se verificado clamoroso erro técnico. Não havia projetado um ramal para atender ao hospital-maternidade.
Dr. Clóvis Janja procurou o engenheiro seu chefe e do SAD, cientificando-lhe e requerendo providências para a correção. Nenhuma solução assomou.
Em comentário e protesto, Montserrat externou: “Se eu fosse engenheiro, podia perder meu diploma, mas não ficava assim!”.
Dia seguinte, Janja chamou o mestre e a mim e disse-nos: “Ontem, em casa, procurei por todos os lugares meu diploma e não achei! Cheguei à conclusão de que o perdi! Portanto, vamos utilizar os tubos da reserva técnica e fazer um desvio para a maternidade!”.
Deu sonora gargalhada, acendeu um cigarro que sempre pendia na boca e determinou rápida ação.
Inexistiu resposta aos ofícios visando à reparação. Aquele chefe, mesmo contrário à alteração, silenciou. A extensão foi executada por Montserrat e sua turma de campo, servindo aos socorridos naquela unidade de saúde pública.
Sem dúvidas, até hoje, os encanamentos tubulares ainda permanecem enterrados na área.
Quem sabe, Janja, Montserrat e os operários, de há muito moradores do Oriente Eterno, estejam a gargalhar com este artiguete...
(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 31/1/2017.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN)


Quando a gente pensa que o Brasil vai começar a se recompor, a melhorar seus padrões éticos e de moralidade, leva na cara uma cusparada dessa.
A B S U R D O
I N T O L E R A V E L
I N D E C E N T E
I M O R A L

DIVULGAÇÃO A PEDIDO
Veja mais essa aberração do judiciário. Vamos denunciar.
O cúmulo será a aprovação da Nova LEI ORGÂNICA da Magistratura Nacional (LOMAN).
O projeto cria, por exemplo, auxílio-educação para filhos com até 24 anos de juízes, desembargadores e ministros do Judiciário em escolas e universidades privadas; auxílio-moradia equivalente a 20% do salário; transporte, quando não houver veículo oficial; reembolso por despesas médicas e odontológicas não cobertas por plano de saúde, e licenças para estudar no exterior com remuneração extra.
FONTE: Internet (circulando nas redes sociais).

RETRATOS DA BELA MULHER


Por Ângela Gutiérrez (*)
A bela mulher de cabelos brancos e fartos e cabeça erguida guarda no peito a bebezinha rechonchuda que o pai levanta no ar com uma mão, a menininha azougada que olha de lado e sorri marota, a menina compungida em seu vestido de primeira comunhão, a moça que se apoia elegantemente sobre o piano de cauda, a recém-casada que vai ao cinema com o marido amado, a jovem mãe com cada um dos sete filhos...
Criança, olho os retratos de minha mãe com fascinação. Retratos em preto e branco. Cada um me conta uma história. Rio-me a valer da menininha de cabelos negros em caracóis, que cabe na concha da mão do elegantíssimo pai. Como é possível que minha mãe tenha sido um dia tão pequenina! O menino e a menina louros ao lado do pai são meus tios. Que graça!
Ah, já entendo por que Mamãe era chamada de Joãozinho em casa. A menina de sorriso maroto só podia mesmo ser danada como um menino. Quando olha o retrato da Mamãe apoiada no piano, Papai diz que essa moça de dezesseis anos prendeu seu coração. Mamãe sorri.
No retrato da Mamãe com as duas filhas, não me reconheço na mimosa menina de um ano, com laço de fita nos cabelos e pulseirinha de ouro no bracinho bem torneado como os de anjinho de cartão-postal. Ao olhar-me no espelho, vejo somente uma menina tão magrinha, de seis anos.
Há muitos anos os retratos da Mamãe são coloridos e se multiplicam em muito mais de mil pelo talento da sobrinha que adora tirar fotos dos tios Luciano e Angela: ele toca violão, imagino que canta: “Enquanto eu viver, você será o meu maior bem-querer” e ela sorri. O casal dança... dança abraçado até os primeiros anos do novo milênio. Depois vejo Mamãe vestida de negro, com uma flor branca no casaco e ar desamparado.
A bela mulher de cabelos brancos e fartos e cabeça erguida completa hoje cem anos, em festa de amor, rodeada de filhos, netos, bisnetos e trinetos... Guarda no peito a bebê, a menina, a mocinha, a moça enamorada, a jovem mãe, a senhora de mãos dadas com o marido, o casal que dança e dança...
(*) Filha de Ângela Laís Pompeu Rossas Mota. Professora aposentada da UFC. Membro da Academia Cearense de Letras e sócia do Instituto do Ceará.
Fonte: Publicado In: O Povo. Fortaleza, 3/2/2017. Opinião. p.8.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Garrafadas para todos os males


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Foto sem autoria explícita.

Beber pela Mãe


Chargista: André Mansur.
Fonte: andremansur.com.br. Circulando por e-mail (internet).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A ELEIÇÃO DE TRUMP


Por Affonso Taboza (*)
Louco, paspalho, estúpido são alguns dos adjetivos com que sábios jornalistas brasileiros “ornaram” a figura de Trump, candidato e depois presidente eleito dos EEUU. Até de palhaço ele foi qualificado por escritor latino-americano famoso. Mas será que ele merece essas “honrarias” todas?
Como refresco de memória, duas dicas aos analistas políticos e aos intelectuais agressivos: Trump é bilionário, Trump foi eleito presidente dos EEUU. Arrisco-me a dizer que é a primeira vez, na história da humanidade, que um homem criticado por carregar tantos “defeitos de fabricação” atinge escores tão altos em áreas tão diferentes quanto a política e os negócios. Há muito de ideologia contrariada e parti pris no cérebro desses críticos!
Trump não nasceu bilionário. Seguiu os passos do pai, médio empresário do ramo imobiliário e logo revelou seu descortino e visão. Dirigindo sua própria empresa, focou na região mais rica da cidade, a ilha de Manhattan. Comprou prédios velhos decadentes em áreas nobres e os repaginou, dando-lhes um visual moderno, com vidros espelhados e esquadrias douradas. Um efeito de marketing irresistível. Criou o seu próprio padrão de qualidade. Assim surgiu a Trump Tower, um ícone e uma referência em Nova York. Partiu para o ramo hoteleiro, e logo descobriu que os hotéis mais lucrativos exploravam o jogo, atividade legal. Daí surgiu o Taj Mahal, outro ícone no país. E assim, de vitória em vitória, construiu sua fortuna pensando grande. Ora, ficar bilionário num país competitivo como os EEUU não é tarefa para loucos, paspalhos, estúpidos e palhaços! Menos ainda para uma pessoa que, sozinha, reúna todas essas “qualidades”!
Na política, em seu batismo eleitoral conquistou a presidência do país, lutando contra tudo e contra todos: a grande imprensa, um vistoso segmento de intelectuais e artistas, e até a direção carcomida do seu partido. Louco, paspalho, estúpido, palhaço? Ou uma inteligência rara? Captou os anseios do povo americano, cansado de políticos faz-de-conta. A bordo de seu gigantesco Boeing, sem dever favor “a seu ninguém”, como dizem nossos matutos, varou o país em todos as direções e falou suas verdades, olho no olho e no cérebro dos eleitores. E o povo americano entendeu o foco da mensagem: virar a mesa!
Agora, já nos primeiros dias de governo, trata de cumprir o que prometeu, para surpresa dos que acham que promessas de campanha são meras promessas. Certo, errado, o que ele está fazendo? Ora, ele sabe mais do que eu e você, caro leitor, e mais do que analistas palpiteiros, sobre o que é bom para o seu país. Ele foi eleito porque é brilhante. Ele vê o que nós não vemos.
(*) Oficial Reformado do Exército Brasileiro e membro do Instituto do Ceará Histórico, Geográfico e Antropológico.
Fonte: Publicado In: O Povo. Fortaleza, 1/2/2017. Opinião. p.8.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Resistência da democracia aos maus governantes


Por Paulo Elpídio de Menezes Neto (*)
“Data venia”, permito-me a invocação vaidosa, banhada na retórica forense para mergulhar em conjecturas ambiciosas (pretensiosas, dirão os mais críticos). Nesse nado de escafandrista, fisguei dois vocábulos postos em merecido sossego. Começo por “ordália”, assemelhada, na Bíblia, a “águas da amargura” ou “juízo divino”. Essa prática foi muito usada nos julgamentos de infidelidade, nos quais os juízes não interferiam, cumpria-se a vontade de Deus. A mulher adúltera recebia, com sincera isenção judicante, a penalidade merecida, conforme impunha o Livro dos Números: suspeitada de adultério, a pecadora deveria beber de água contaminada; culpada, morreria, com o ventre inchado e a coxa consumida; se inocente, sobreviveria e teria filhos.
O segundo vocábulo, “demo”, de origem distante e imprecisa, vem a ser variante de designações perdidas com o correr dos tempos como registro de “povo”. Datam da antiguidade grega alguns conceitos léxicos e sociais que distinguem o povo, entidade vaga, por vezes em oposição aos governantes, outras como entidade soberana. Os escritores dessa idade remota pouco tinham de sociólogos ou politicólogos; deixavam-se guiar pelos caprichos estilísticos na escrita, assim o exigiam as leis da retórica. No mais das vezes, empregavam um termo pelo outro, sem qualquer preocupação com o seu significado ou coerência, que não fosse a elegância do texto.
Reconhecemos “democracia” como paradigma de certezas e virtudes e brandimo-lo contra tudo que a pudesse desvirtuar ou comprometer. Sobressaem, entretanto, nessa semântica de conceitos, valores e pressupostos excludentes, segundo a métrica de nossa visão, uma espécie de “água da amargura”, quem não acreditasse em suas peregrinas virtudes morreria, contaminado pelas impurezas da negação. Os modelos e variantes da democracia se sucederam, e já não coincidem, tampouco se ajustam aos ideais que a inspiraram. O “neopopulismo” de esquerda ou de direita apoderou-se, dissimuladamente, dos governos latino-americanos e de velhas nações europeias, de cara nova, e promessas sedutoras.
O “neopopulismo” representa manifestações contestatárias, dominadas por bandeiras ilusórias, empunhadas por chefes carismáticos.
Os novos “condottieres”, os “caudillos” repaginados, reproduzem-se à sombra da incultura política e da esperteza de lideranças redentoras, e exacerbam paixões identitárias: protecionismo, nacionalismo, intervencionismo e autoritarismo. Esses profetas da Revelação reproduziram-se, nos últimos tempos, diante da inércia fatalista das massas crédulas. A confiança brota, assim, do povo convencido pelas pressões de “marketing político, da “ordália” dos desígnios do poder e de uma cultura “pós-factual”, ideologizada, que tudo contamina.
O “neopopulismo” reflete lenta e indistinta transmutação dos ideais da sociedade dominada por irresistível tentação autoritária, compartilhada incestuosamente pela direita da esquerda e pela esquerda da direita. A democracia tem chances reais de sobreviver em uma sociedade bem governada. Na medida em que a mediocridade dos atores públicos for contida pela “inteligência” coletiva do sistema político.
(*) Cientista político. Membro da Academia Brasileira de Educação e do Instituto do Ceará.
Fonte: O Povo, 1/02/17. Opinião, p.8.
 

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