Por Pe. José Carlos Miranda (*)
Francisca
Miranda Moura, minha mãe, me consagrou a São José. Na década de 90 quando
descobriu a gravidez e fez as contas para saber em que tempo daria a luz, viu
que eu nasceria no mês de São José. Fez, então, uma promessa, pois era muito
devota do santo.
Quando chegou o
tempo de dar a luz, minha mãe, esperando eu nascer, começou a ficar com
medo, pois passou-se o tempo indicado pelos médicos e não houve nascimento.
Aconteceu,
então, que no dia 19 de março, ela foi ao hospital sentindo pequenas
contrações. Pensou, inclusive, que eu tinha morrido, pois não mexia mais nesses
últimos dias e, ao nascer, não havia choro.
Lembrou-se logo
da promessa a São José e nas primeiras palmadas do médico o choro veio da
criança e também da mãe, agradecida a Deus pela intercessão de São
José. O desejo da minha mãe era me consagrar apenas com o nome de José, mas
quem vive na Igreja sabe que os santos são generosos na graça e são José não
apenas me levou a Deus sendo seu onomástico, mas me protegeu com vida e
saúde me configurando ao próprio Cristo como padre.
São José é o
grande modelo também da vocação sacerdotal. O padre, assim como São
José, que protegeu a Sagrada família das perseguições desse mundo, deve também
proteger os filhos de Deus e da Igreja das seduções atuais.
Nos tempos de
hoje, a vida e o exemplo de São José emergem como sinais de esperança. Em
um mundo marcado pela guerra e crise, com barulhos dos mais diversos,
inspira-nos o testemunho do homem que protegeu o Deus-Menino e sua mãe sem
dizer uma palavra sequer, pois era guiado pela sabedoria do Senhor, em quem ele
depositou a sua fé.
O silêncio de
São José não era um silêncio estéril e nem mesmo uma omissão. Eis o silêncio
que falou e fez mais que qualquer belo discurso ou 'textão', tão
comuns nos dias atuais.
Um silêncio
cheio de amor que falava de paz. O amor que São José tinha por seu filho e sua
esposa fez com que ele se abaixasse para ouvir o Deus que o falava e em quem
depositava a sua fé. São José, Rogai por nós!
(*)
Sacerdote da Arquidiocese de Fortaleza e Vigário da
Paróquia Santa Paula Frassinetti.
Fonte: O Povo, de 19/03/2022.
Opinião. p.22.
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