Por Pe.
Reginaldo
Manzotti (*)
Novembro é um mês que nos convida a
refletir sobre a vida, a morte e a esperança que nos é oferecida em Cristo. O
mês começa com duas celebrações que nos tocam profundamente: o Dia de Todos os
Santos e o Dia de Finados. Uma nos aponta o céu; a outra nos faz encarar a
condição terrena nos lembrando da fragilidade da existência humana, e de algo
que ninguém pode evitar. Juntas, elas nos fazem contemplar o mistério da vida,
da morte e da santidade.
Celebrarmos todos os santos, conhecidos
e anônimos, que viveram com fidelidade o Evangelho, nos recorda que a santidade
não é privilégio de poucos, mas vocação de todos. Os santos são aqueles que,
mesmo em meio às tribulações e falhas, mantiveram os olhos fixos em Cristo.
Este mês é também um convite à
reconciliação. Com Deus, com os outros, e com a própria vida. Visitar os
cemitérios, acender velas, rezar pelos que partiram, tudo isso nos lembra que
somos peregrinos. Que a vida é breve. E que o tempo é um dom sagrado, um
presente que Deus nos oferece e que nunca podemos recuperar. Ao entender que
nossos dias são limitados, somos convidados a viver com propósito, rever nossas
prioridades e buscar o que realmente importa, como disse o Salmista: "Ensina-nos a contar
os nossos dias, para que alcancemos coração sábio" (Sl 89/90, 12).
A perda de alguém que amamos é uma
ferida que não cicatriza com o tempo, mas com a graça. É uma das experiências
mais dolorosas que podemos enfrentar. A angústia da perda é um sinal de que
amamos profundamente. Parece que dormimos e acordamos com a dor dentro de nós,
e ela nos acompanha onde quer que estejamos e isso faz parte do luto, que é um
processo natural, e é importante viver todas as suas fases, reconhecendo a dor
que sentimos.
Choramos, sim, e devemos chorar. Um dos versículos
mais curtos e profundos de toda a Escritura, diz simplesmente: "Jesus chorou." (Jo 11,35).
Diante da morte de Lázaro, mesmo sabendo que o traria de volta a vida, Jesus se
comove com o sofrimento de Maria e Marta, e chora. O Senhor não é indiferente à
dor, mas compartilha dela e nos convida a buscar conforto Nele.
Não há vergonha em sofrer. No entanto,
como cristãos, somos chamados a olhar além da dor e da tristeza. A nossa fé nos
ensina que a morte não é o fim, mas uma passagem para a vida eterna, como nos
garantiu Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que
morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá." (Jo 11,25-26).
Essa é a esperança que nos sustenta. A morte não tem a última palavra. Em
Cristo, a vida é mais forte que a morte. Essa fé e certeza não é uma fuga da realidade,
mas a força que nos permite enfrentá-la.
Perder é parte da existência. Esperar e
acreditar mesmo em meio à dor, é um ato de coragem. E viver, apesar de
tudo, é o maior tributo que podemos oferecer àqueles que se foram, mas
principalmente aos que estão a nossa volta e a nós mesmos.
Se você está vivendo um luto, saiba que
não está só. Deus caminha com você. Que a dor não te endureça, mas te
fortaleça. Não ignore a saudade. Mas, também nunca se esqueça da promessa:
"Ele
enxugará toda lágrima de seus olhos, e não haverá mais morte, nem luto, nem
grito, nem dor, porque as coisas antigas passaram" (Apo 21,4).
(*) Fundador e presidente da
Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de
Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 1/11/2025. Opinião. p.16.
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