Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Ainda na minha infância, aprendi que ‘a
história é mestra da vida’. Claro que, na minha meninice, não cheguei a
compreender bem a dimensão e a profundidade desta asserção de Cícero: “A
história é testemunha dos séculos, luz da verdade, vida da memória, mestra da
vida, mensageira do passado”.
“Historia vero testis temporum, lux
veritatis, vita memoriae, magistra vitae, nuntia vetustatis, qua voce alia nisi
oratoris immortalitati commendatur?” (Cicero, De Oratore, II, 36).
Imaginava que havia uma grande mestra a nos
mostrar a excelência da história. Mais tarde, porém, compreendi.
Na verdade, um olhar pelo retrovisor, tanto
da vida pessoal como da história, é um alerta para tudo o que ocorreu,
merecendo uma avaliação crítica de causas e consequências, com o objetivo de
correção, ajustes e, mesmo, de não repetição das mesmas atitudes e atos que
levaram a efeitos desastrosos e/ou danosos.
Muitas revoluções têm surgido, porém, não
se tem notícias de muitas ‘revolições’, no sentido de mudar e aplainar os
ínvios caminhos, que diversas nações vêm palmilhando, sobretudo, em detrimento
de seu povo e de sua nação.
É imperativo que causas e efeitos sejam
vistos e analisados com ‘criticidade imparcial’ e isso exige conhecimento das
fontes e honestidade de caráter, uma vez que o passado não pode ser objeto de
narrativas ideológicas ou de qualquer outro tipo de matiz. A análise dos fatos
também não pode ocorrer sob olhar adrede direcionado, em pseudo-interpretação,
para justificar desatinos de mentes doentias, autoritárias e obcecadas pelo
poder e pela tirania.
A história põe-se uma fala e os que a ouvem
e com ela dialogam, à luz do bem-estar de povos e nações, encontrarão subsídios
para fortalecer suas convicções, afastando-se de malsãs opiniões dominadoras,
que um vislumbre do passado desnuda.
O desconhecimento da realidade dos fatos
ilude qualquer idiota, pela empolgação, pela doutrinação e pela manipulação bem
conduzida por seus cultores. E um idiota útil segue, indefectivelmente,
qualquer falastrão, mesmo sem fundamentações, mas justificativas falaciosas;
tem olhos vendados que nem a miséria consegue abrir e suas mentes recusam-se a
raciocinar.
Ao historiador não cabe um juízo de valor,
nem juízo conforme suas crenças, mas, simplesmente, descrever os fatos, já
acontecidos e que não podem ser mudados. O historiador, na dignidade de seu
caráter, na sua faina historiográfica, não
conta, tampouco se dá a narrativas. Ele, simplesmente, relata fatos.
A história é fonte não apenas de
conhecimentos, de avanços culturais, de processos tecnológicos e sociológicos,
de títeres desastrosos, mas, sobretudo, de sabedoria. Erros, injustiças,
perseguições, genocídios, guerras, e demais conteúdos, que a história nos
apresenta, são um despertar para a liberdade de ser, de fazer e de conviver.
A palavra história deriva do latim
historia, originalmente, do grego historía (ἱστορία), associado a historein
(ιστορειν), que significa tanto testemunhar, quanto relatar, inquirir e
investigar.
A história é, portanto, o olho do passado a
nos propiciar relatos, que se nos apresentam também como lições experienciais.
Afinal, somos todos herdeiros de um passado
e, também, as ciências tiveram a sua evolução histórica.
Tenhamos uma boa terça-feira, com as
bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 13/01/26.
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