terça-feira, 10 de março de 2026

Transnordestina. Mais uma vergonha

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Há algum tempo publiquei um artigo falando dos meus porquês sobre o Brasil e, também, há algum tempo publiquei artigos sobre a Transnordestina. Hoje, volto aos dois assuntos.

Vamos relembrar alguns dos aspectos que nortearam construção da Ferrovia Transnordestina: a) em 1990 teve início a construção de um trecho da proposta Ferrovia Transnordestina; b) em 2006 teve início a implantação da "nova" Ferrovia Transnordestina; c) em 2016 a obra parou com apenas 52,0% concluída e com gastos já realizados de R$ 6,27 bilhões; d) as novas previsões de término foram estabelecidas para 2017; e) os gastos adicionais somavam R$ 6,7 bilhões; f) seu percurso inicial de 2.304 km diminuído para 1.753 km.

Estamos no começo de 2026 e desde 2016 o que aconteceu? a) seu término deverá (sic) acontecer em 2027; b) estimativas apontam que seu custo, até este ano, deverá alcançar o valor de R$ 8,2 bilhões; c) sua rota terá extensão de, apenas, 1.206km; d) ela não irá mais até o porto de Recife.

O seu percurso irá de Eliseu Martins, no Piauí, passando por Trindade e chegando a Salgueiro (ambos em Pernambuco), entrando no Estado do Ceará e indo até o porto de Pecém, no litoral cearense.

Agora, vamos aos meus "porquês".

No artigo a que me referi fiz a seguinte pergunta: "Por que a construção de qualquer obra pública no Brasil demora muito mais para ser concluída do que está previsto? E por que os custos finais sempre são bem maiores que os custos iniciais previstos?"

No caso da Ferrovia Transnordestina tenho agora a resposta. A falta de definição precisa sobre o projeto a ser executado por parte das autoridades brasileira; a falta de compromisso dos responsáveis pela execução de obras públicas. Haja vista que por suas falhas, nada lhes será cobrado. Nem agora, nem no futuro. Não importa o que acontecer, esta falta de responsabilização pelo fracasso, pelos prejuízos, permite-lhes agir sem nenhum compromisso com a honestidade e a seriedade, que a construção de uma obra pública exige.

Vejam o que aconteceu. Um trem da Ferrovia Transnordestina deveria no dia 24/1/2025 fazer seu primeiro percurso, saindo de Bela Vista, no Piauí e ir até Iguatu, no Ceará. Entretanto, tal fato não aconteceu. E por que não? Pelo simples fato, acreditem, que o IBAMA, simplesmente, ainda não havia dado a permissão para a operação da ferrovia.

Como é que os administradores de um empreendimento que já dura mais de 20 anos, ainda não têm em mãos, todas as licenças necessárias, sejam quais forem, para sua plena operação?

Este trem deveria transportar uma carga de milho. Como ficam os produtores agrícolas com esta falta de transporte no tempo aprazado? E os prejuízos, quem paga?

Este é o Brasil da irresponsabilidade!

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 8/02/26. Opinião. p.22.


Nenhum comentário:

Postar um comentário