Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
Num Planeta, onde todos os dias são
celebradas missas, há um dia em que nenhum sacerdote pode celebrar a santa
missa.
Antes de tudo, uma contextualização
histórica:
Após a ceia eucarística, Jesus retira-se
com seus apóstolos ao Getsêmani e, ao romper da noite, começa o seu martírio,
com o beijo fatídico do apóstolo Judas Iscariotes. Jesus é levado preso, sofre
humilhações, é torturado, flagelado, coroado de espinhos e, no dia seguinte,
uma sexta-feira, é crucificado ao lado de dois ladrões, Gestas e Dimas.
Os Evangelistas Lucas, Mateus e Marcos
atestam que uma como mortalha negra cobriu a terra: “Era quase à hora
sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona, isto é, das 12h às 15h.
Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio”. Foi o momento da
morte de Jesus.
É importante esclarecer que esse eclipse de
3 horas se deu, contrariando evidências científicas: 1) a Páscoa judaica,
celebrada na lua cheia, permitiria apenas cenário de um eclipse lunar, mas não
de um eclipse solar, que se dá quando a lua está na fase de lua nova, ou seja,
a lua fica entre a terra e o sol; 2) A duração máxima de um eclipse solar é de
7h:31min.
Um aspecto considerável é o rasgamento, de
alto a baixo, do véu do Santo dos Santos, pois, onde só podia entrar o sumo
sacerdote uma vez por ano, agora é uma porta aberta a todos.
No que tange à celebração eucarística, como
a Missa é a memória da morte e ressureição de Jesus, é o Sacrifício celebrado,
sacramentalmente, na sexta-feira santa, a Igreja contempla o Sacrifício de
Cristo, em sua realidade histórica: vivência litúrgica como acontecimento: o
Cordeiro de Deus imolado por nossos pecados.
Daí que a sexta-feira santa, com a mesa sem
toalha, o sacrário vazio, a matraca em lugar dos sinos, faz uma provocação
espiritual: o silêncio vazio exorta-nos a refletir, a escutar e a contemplar o
mistério Pascal. O silêncio do túmulo que precede a alegria da ressurreição.
A celebração litúrgica da sexta-feira santa
é chamada a ‘missa dos pré-santificados’, porque não há a consagração, sendo as
partículas consagradas na quinta-feira santa oferecidas para a comunhão desse
dia.
“Ecce lignum Crucis in quo pependit salus mundi. Venite adoremus” (Eis o lenho da Cruz,
do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde, adoremos) ensina-nos a enfrentar
nossas dores, sofrimentos e limitações, e a não nos acovardarmos ante a cruz.
Com as bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 4/04/26.
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