Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
- Eu peço desculpas
Tomado de raiva, que lhe envermelha o rosto
e franze o cenho, a bruta de uma emoção arremete, tão áspera quanto violenta:
- Não, não desculpo.
E repete, com as pulsações do coração
soprando-lhe a camisa branca, à altura do peito esquerdo, no inflar célere dos
pulmões:
- Não e não.
Emoções são um dos nossos patrimônios
humanos. Elas mesmas nos antecedem o farfalhar da razão, nascem conosco, inda
que embrionárias, dentro de seu casulo, mas, com, pelo menos, uma probóscide em
atividade, ora instintiva.
Elas não explodem sem, antes, nos implodir,
por primeiro.
Mas, o que é emoção?
É um sentimento ou uma forte e abrupta
reação a algo ou alguém, que nos provoca, ao atingir a fragilidade de nossos
domínios interiores e nos bofeteia ou arranha ou nos acaricia, galanteia e
empluma?
Derivada do latim e + movére (mover para
fora), emoção apresenta-se como reação psicofisiológica instantânea, provocada
por um estímulo qualquer e dispõe de três assessores: neurobiológico,
comportamental e cognitivo. A psicologia considera a emoção uma reação
biológica automática, enquanto o sentimento decorre da interpretação de nosso
consciente, fundamentado em nosso livre arbítrio.
Não há muros que suportem o ataque das
nossas emoções, dessas catapultas, que assaltam todos os nossos flancos,
traindo nossa interioridade ou admoestando o ‘ignoto’, que somos: segredo, que
não conseguimos guardar, pois, nalgum momento, nos expõe, às claras.
Essa lava vulcânica não apenas pode
destruir, mas lastreia também um terreno fértil ao exercício de nossa
maturidade. São emoções que nos afastam de perigos, que nos estimulam empatia
ou antipatia. Emoções podem estimular a produção tanto de serotonina como de
cortisol: aquela, de emoções positivas, como a gratidão, a admiração, a
esperança e este, de emoções negativas, a exemplo da ansiedade, da angústia, da
raiva e da ira.
Se deixas tuas emoções te dominarem, elas
decidirão por ti e talvez te denunciem orgulho e autossuficiência de uma certa
altivez indomada. E não te assustes com as deletérias surpresas que elas te
criarão, mais no interior do que ao teu derredor, que também não são menos
deletérias.
Tu lhe deste o timão de tua vida.
Lembra-te: toda decisão que tomares em
momentos de forte e profunda emoção, seja de qualquer timbre, provocar-te-á
arrependimento e para mitigá-lo, tu engendrarás quaisquer justificativas,
far-te-ás de vítima ou remoerás remorsos, inda que com a hipocrisia de
mambembes disfarces, que não te promovem paz de consciência tampouco
tranquilidade de espírito, a não ser que tenhas imposto algum dano ao teu
caráter e humana hombridade.
Enfim, emoções são patrimônio de todos e de
cada um de nós, sem as quais o viver seria inviável. Todavia, seu descontrole
são raptos espúrios de um caráter agonizante.
Há emoções que doem n’alma, antes que a
cabeça comece a entender e o coração comece a experienciar.
Nihil sine onere aut sine praemio suo.
Uma boa quarta-feira, com as bênçãos de
Deus!!!
(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 27/05/26.
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