segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A Missão da IA para o desenvolvimento seguro e compartilhado da humanidade

Por José Nelson Bessa Maia (*)

O debate internacional sobre inteligência artificial (IA) entrou em nova fase. A discussão se concentra agora não apenas no potencial da nova tecnologia, mas em regulá-la e utilizá-la para aumentar a produtividade e potencializar o desenvolvimento de todos os países. Há divergências entre o Ocidente e a China quanto aos objetivos estratégicos, ao papel do Estado, à governança, ao tratamento dos dados e à forma de equilibrar inovação, segurança e direitos individuais.

A divergência entre as abordagens ocidental e chinesa não decorre de avaliação diferente sobre a importância da IA - ambas a consideram uma tecnologia decisiva para o futuro. A principal diferença está no modelo de governança. Em linhas gerais, o Ocidente baseado no Liberalismo tende a privilegiar a inovação liderada pelo mercado, com dispositivos de proteção a direitos individuais e de regulação de riscos.

A China, por sua vez, adota a estratégia de coordenação pública em que a IA é tratada como ativo estratégico para impulsionar o desenvolvimento, modernização industrial, prestação de serviços públicos e segurança nacional.

Na Conferência Mundial de IA 2026 e em Xangai em 17-20 de julho, a China fez quatro observações importantes sobre a IA: primeiro, a necessidade de cooperação mutuamente benéfica e o estímulo à inovação. Para tal o código aberto, o compartilhamento para facilitar a inovação, o desenvolvimento industrial e a aplicação seriam essenciais para o avanço da IA.

Segundo, a percepção dos riscos e a garantia de que a IA seja segura e controlável, devendo estar sempre sob o controle humano e evitar a ênfase excessiva do conceito de segurança nacional no campo da IA.

Em terceiro, foi destacado o incentivo à inclusão e promoção do aprendizado mútuo entre as nações, uma vez que o avanço da IA e sua aplicação não devem minar a diversidade entre os países. Por último, a China defende a solidariedade e o aprimoramento da governança global, cabendo à ONU um papel nessa mediação, de modo a dar alinhamento e coordenação às estratégias de desenvolvimento, as regras de governança e os padrões técnicos da IA.

A posição chinesa tem méritos já que o debate sobre IA deixou de ser só tecnológico para se tornar uma questão de estratégia econômica, competitividade industrial e política pública. Passou a ser sobre uma ferramenta essencial para o crescimento no século XXI, comparável ao papel que as ferrovias, a eletricidade e a própria internet desempenharam no passado. Portanto, para os países do Sul Global a cooperação internacional será essencial para transformar a IA em aumento da sua competitividade e modernização, contribuindo para a transferência efetiva das novas tecnologias digitais e colocá-las a favor de seu genuíno desenvolvimento e soberania.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 25/07/26. Opinião. p.23.

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