Por
Vladimir Spinelli Chagas (*)
Na edição de 13/07/2026, deste Jornal,
abordamos uma questão que consideramos de enorme gravidade, caracterizada por
uma avalanche do que se designou como bets (apostas, em inglês), as temíveis
plataformas de apostas digitais.
No Brasil, elas trazem um problema
adicional, por estarem fortemente vinculadas ao futebol, esporte de enorme
popularidade, e assim aparentarem uma diversão inocente. Mas, além dos esportes
tradicionais, eletrônicos e entretenimentos, as bets exploram, especialmente,
jogos de sorte virtuais, como caça-níqueis, roletas e cartas.
O massivo investimento de patrocínio nos
clubes e campeonatos brasileiros se dá na contramão do que ocorre, por exemplo,
na Europa, em que algumas ligas proíbem as agremiações de estamparem em seus
uniformes propagandas de bets. Aqui, pelo contrário, há um incentivo não apenas
para uniformes, mas para estádios e programas de televisão, por exemplo.
Assim, as pessoas são expostas a um mundo
fantasioso, em que desfilam craques do presente e do passado, influenciadores
digitais e outras figuras de destaque, sempre passando a falsa ideia de que
apostar é algo glamuroso, que não representa qualquer risco e pode proporcionar
uma renda extra, sempre bem-vinda.
No entanto, quando se chegou ao ponto em
que os gastos com essas apostas ultrapassaram os R$ 30 bilhões mensais, em
contraponto aos R$ 20 bilhões mensais investidos no nosso programa de saúde
pública, o SUS, não há dúvidas de que é preciso, para ontem, inibir as
facilidades hoje apresentadas, com uma forte regulamentação na publicidade, que
não pode se limitar às discretas frases de advertência impostas pelas recentes
regulamentações governamentais.
E, para além disso, uma reavaliação, também
urgente, na questão da educação financeira e digital já a partir dos primeiros
anos escolares, trabalhando o tema de forma transversal em que se ligue
Matemática à interpretação de tabelas e juros, o consumo consciente em
disciplinas como Geografia e História ou o impacto das mídias na Sociologia, e
no campo da Tecnologia, a criação de barreiras virtuais para inibir o consumo
por compulsão.
(*) Professor aposentado da Uece,
membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.
Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/08/26.
Opinião. p.18.
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