quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Francisco Flávio Leitão (1939-2026): uma forte comoção silenciosa

Por José Maria Bonfim de Morais (*)

Professor Dr. Francisco Flávio Leitão (1939-2026) que está nos deixando, causou uma forte comoção silenciosa, mas profunda no seio da sociedade de Fortaleza.

Flavio nasceu com os horizontes escurecidos da II Guerra Mundial. A Igreja Católica Apostólica Romana, último bastião contra a Modernidade erguia na cidade pernambucana do Recife, o III Congresso Eucarístico Nacional. Um dos versos do hino falava ”quem não crê, brasileiro não é”.  Flávio, cidadão de Fé, estendeu ao longo de sua vida um caminho afortunado de luz. O Congresso Eucarístico do Recife foi um marco que conseguiu frear o Iluminismo que desejava toldar os rumos intangíveis de nossa Igreja.

Flávio entrava no Seminário da Prainha, no mesmo ano em que o Professor Eliseu Paglioli iniciava o ensino da Neurocirurgia no Pavilhão São José da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. A Santa Casa gaúcha agrupa em torno de sua imensa enseada cerca de 9 hospitais, sendo 7 de alta complexidade. O maior centro médico da América Latina. O incrível do fenômeno gaúcho é que está plêiade de nosocômios, acontece no próprio seio da Casa da Caridade.

O pai poeta e a mãe pianista, Flávio Leitão aprendeu cedo a compreender cedo que a vida se engrandece com o serviço.  Flávio era um ser onipresente sem ser onipotente. Foi presidente da Sobrames, mas não aceitou ser reeleito. Frequentava com assiduidade a Sociedade São Lucas de Médico Católico. Quando era voluntário no serviço médico de Guanacés sempre o procurava. Sempre era bem acolhido.

João Alves, o sanfoneiro da Vila era um excelente músico. Certa feita começou a tropeçar nas palavras. A errar as notas. Depois começou a ter convulsões. Conseguimos realizar exames. A TC do Crânio mostrava uma massa expansiva na região frontal. Mostrei o caso ao Flávio. Ele acolheu o diagnóstico.  Disse que operaria. Porém seria interessante realizar uma ressonância magnética do crânio.

João era pobre. Um pobre agricultor que aprendeu a tocar sanfona. Senti dó do João. Pobre, doente e sem dinheiro para se tratar. Fui ao Dr. Arimatéia Santos e ele pagou a RNM. Pedíamos a Deus pelo pobre João. Pois fizemos a RNM e o tumor havia desaparecido.  Um milagre. Uma graça de Deus. Ary ajudando. Flávio sensível ao drama do João. Foi quando sem que fosse chamado, Deus faz a sua parte. E cura o João. Ditosa lembrança que guardo de Arimatéia Santos, Flávio Leitão e a Vila de Guanacés.

Deus é bom!

(*) Da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.


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