quinta-feira, 11 de junho de 2026

Rio, quem te viu, quem te vê

Por Romeu Duarte Junior (*)

Assim como muitos e muitas da minha geração, fui criado sob a égide da visão do Rio de Janeiro como a maior das maravilhas do mundo. Meu pai, mineiro de nascença, mas carioca por desejo, morou cerca de 15 anos na belíssima Cidade Maravilhosa, precisamente no período que é conhecido como "anos dourados". Quando falava do que lá passara, seus olhos brilhavam, para aborrecimento de minha mãe, que via o Rio como um lugar de perdição e pecado. Aprendi, pois, com o autor dos meus dias (obrigado, Aírton Monte, que também era um fã do RJ), a venerar a capital carioca, sua cultura urbana, suas variadas expressões, seus lugares, seu povo. "Algum dia ainda vou morar lá", repetia sempre de mim para comigo esse mantra. Hoje, por várias questões, não mais, e explico porquê.

Meus interesses se concentravam no futebol, na literatura e na música da terra de Machado de Assis, numa relação idealizada e apaixonada. O Rio é um lugar onde o corpo ainda conta muito, principalmente o feminino, em torno do qual todas essas manifestações artísticas orbitam. Juntamente com as muitas praias, formavam um binômio irresistível, a Garota de Ipanema que o diga. O Botafogo de 1969, Doval, Zico, Adílio e Adão, Rivelino no Flu, a zaga do Vasco em 1974, o Bangu e o Ameriquinha, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, a turma afiada do Pasquim, Clarice Lispector, Antônio Callado, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Jacob do Bandolim, Tom Jobim, Vinícius, Chico Buarque, Edu Lobo, Martinho, Paulinho da Viola, tanta gente boa. E aí, e agora?

Como dizem seus cultores, a História serve para explicar o presente e não para glorificar o passado. No começo do século XX, de um lado, a cidade esplêndida, com a sua natureza magnífica e a sua arquitetura deslumbrante, e de outro, a morraria, que já se via ocupada pelos pobres favelados. Deixados à própria sorte pelo ausente Estado, criaram normas de conduta próprias que findaram dando no que aí está. A perda da condição de capital do Império e da República foi um duro golpe para o Rio, pondo fim a 152 anos de fastígio. A cidade, referência nacional e internacional da boa vida e do turismo, e o morro, abandonado e cada vez mais perigoso, vão ser dominados respectivamente por uma classe política corrupta e por toda sorte de bandidagem, facções e milícias. O resto você sabe...

Vejo na TV o governador-tampão do RJ demitindo centenas de terceirizados que ganhavam sem trabalhar. Vários agentes da Receita Federal envolvidos em grosso esquema de corrupção na zona portuária. Muitos secretários e deputados estaduais presos por meterem a mão no dinheiro público. Em mais de 30 anos, a única dirigente do estado que não foi presa é Benedita da Silva. O Rio é o locus da atuação do grupo político liderado pelo inominável presidiário. A política se deixou dominar por faccionados e milicianos. A polícia carioca, em seu estilo Robocop, é uma das que mais matam cidadãos e cidadãs no Brasil. Em vez de Festa de Arromba, baile funk. Em vez de Bossa-Nova, gangster rap. Em vez de Nuvem Cigana, tiroteios mil. Em vez de João Gilberto, Poze do Rodo. Barbárie...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/05/26. Vida & Arte. p.2.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Convite: Defesa de Memorial para Ascensão a Professora Titular de Ilvana Lima Verde Gomes

Banca de Titular da Profa. Ilvana Lima Verde Gomes, dia 12 de junho de 2026, às 15h no Auditório do Nupeinsc/Uece:

Banca de Titulares:Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Patricia Neyva da Costa Pinheiroe Andrea Gomes Linard

Suplentes: José Jackson Coelho Sampaio e Maria Salete Bessa Jorge

Secretária: Edna Maria Camelo Chaves


A economia chinesa é resiliente mesmo com crises geopolíticas

Por José Nelson Bessa Maia (*)

O mundo passa por turbulência e incertezas devido a tensões geopolíticas levadas ao extremo pela agressão dos EUA e Israel ao Irã. Como consequência, essa guerra levou a novo choque de energia, com forte elevação nos preços do petróleo e interrupções nos suprimentos. Os mercados financeiros oscilam devido a volatilidades nos preços dos ativos. Nesse contexto poucos países mantêm o crescimento e conseguem amortecer os choques externos.

A China tem sido capaz de preservar o crescimento a julgar pelos dados oficiais. O PIB da China cresceu 1,3% no 1º trimestre de 2026 ou 5% ano a ano, 0,5 ponto percentual mais rápido que o do quarto trimestre de 2025. A produção cresceu e a oferta acelerou-se, com a demanda em recuperação, o emprego se mantendo estável, com aumentos moderados nos preços e avanços nos segmentos da nova economia.

De fato, o produto industrial chinês cresceu 6,1% em base anual no 1º trimestre de 2026. Ritmo mais rápido do que no 4º trimestre de 2025. Em termos mensais, o produto industrial aumentou 0,28% em março. O produto da mineração subiu 6% em termos anuais entre janeiro e março, enquanto o da indústria de transformação cresceu 6,4%. O produto dos serviços de utilidade pública aumentou 4,3%. O produto da manufatura de alta tecnologia teve aumento de 12,5% no 1º trimestre, com participação no produto industrial atingindo 16,9%, e impulsionando o crescimento geral em dois pontos percentuais.

O investimento cresceu 1,7% no primeiro trimestre, revertendo queda de 3,8% em 2025, turbinado pelos gastos com infraestruturas e aceleração dos investimentos industriais, compensando a queda nos investimentos do setor imobiliário. No total, o consumo e o investimento responderam por 84,7% do crescimento do PIB no 1º trimestre, um aumento de quase 30 pontos em relação ao ano anterior, indicando mudança gradual, mas contínua no modelo de crescimento mais baseado no mercado interno e menos dependente do setor externo.

O desemprego urbano ficou em 5,3% no 1º trimestre de 2026, mantendo-se no nível do mesmo período do ano passado. Somente em março, o desemprego urbano ficou em 5,4%, 0,1 ponto percentual acima do mês anterior. A meta estabelecida para o desemprego urbano é de 5,5% em 2026 e projeta-se criar mais de 12 milhões de novos empregos urbanos em 2026.

Por fim, a China gera estabilidade num ambiente global de incerteza, apoiada em seu sistema estatal de planejamento central e a eficácia de suas políticas de longo prazo, sempre atentas às turbulências externas e à necessidade de ajustes a fatores adversos. A melhoria da confiança na China reflete-se nos fluxos de entrada de investimento direto estrangeiro, atraído pelo vigor de seu setor de Inteligência Artificial (IA) e o vasto e denso mercado interno como grandes atrativos.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 10/05/26. Opinião. p.23.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Convite: Defesa de Memorial para Ascensão a Professora Titular de José Joaquim Neto Cisne

Banca de Titular do Prof. José Joaquim Neto Cisne, dia 10 de junho de 2026, às 15h no Miniauditório Áurea Bessa do CESA/Uece:

Titulares: Ana Augusta Ferreira de Freitas, Jair do Amaral Filho e Almir Bittencourt da Silva

Suplentes: Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Krishnamurti de Morais Carvalho

Secretária: Thiciane Mary Carvalho Teixeira


Polo de Saúde impulsiona o hub logístico juazeirense

Por Rita Fabiana Arrais (*)

A consolidação da economia caririense como um dos principais eixos de crescimento econômico do interior do Nordeste, apoia-se estrategicamente na eficiência do polo de saúde - Hospital Regional do Cariri, Hospital São Vicente, Hospital do Coração e Hospital Santo Antônio - que concentra uma gama de especialidades médicas, bem como ofertas de serviços capazes de suprirem os atendimentos da Região Metropolitana do Cariri (RMC) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo setor privado.

O dinamismo do setor de saúde é um atrativo para o aumento dos investimentos privados, pois há segurança de retorno do capital mediante a demanda crescente e consistente do mercado, e o aumento das Parcerias Público - Privadas (PPPs) em que o setor público investe na aquisição de serviços do setor privado para preencher a oferta insuficiente da rede pública.

É importante pontuar os impactos socioeconômicos para a RMC, tais como: geração de emprego, inovação tecnológica, aumento da oferta de serviços em saúde, melhorias na infraestrutura das cidades, construção de hospitais públicos e privados, e a elevação na exigência de qualificação profissional, que vieram por meio de volumosos investimentos tanto públicos, quanto privados.

Economicamente, esses pontos descritos juntam-se a outros setores (indústria, serviços, educação) permitindo a diversificação do mercado, ao mesmo tempo que impulsiona o crescimento e o desenvolvimento da região com a abertura de novos empreendimentos visando suprir a cadeia produtiva regional. É cabível de registro que a região faz fronteira com os estados do Pernambuco, Paraíba e Piauí, favorecendo a integração dos mercados e o aumento da demanda por bens e serviços.

Neste cenário, um conjunto de fatores infraestruturais faz da cidade de Juazeiro do Norte um hub logístico estratégico, que funciona otimizando o custo de distribuição de mercadorias, proporcionando eficiência nos prazos de entregas, principalmente aqueles relacionados ao mercado de suprimentos hospitalares, medicações e insumos de alta sensibilidade.

Para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município, a existência de uma malha rodoviária eficiente e o transporte aéreo garantem uma conectividade regional, em que na prática significa vincular fornecedores, transportadores e consumidores.

A necessidade de promover saúde para 1,5 milhão de pessoas em 45 municípios trouxe mudanças significativas na infraestrutura das cidades polo através da mobilidade urbana, e também na captação de novas empresas para atuar no ramo de operador logístico especializado no mercado de saúde e hospitalar.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 8/05/26. Opinião. p.21.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

QUANDO ME LEMBRO DO SEU NOME

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Os nomes começaram a escapar depois dos quarenta. Pergunto, não memorizo e, logo em seguida, repito: qual é mesmo o seu nome? Daí, associo-o ao nome de alguém que conheço - uma amiga, uma tia, um irmão.

Às vezes, surpreendo-me ao relembrar pessoas há tempos esquecidas: Raimundinha. Mundinha costureira. Casa da vovó. Baralho com os primos. Vovó falando para quem não estava no jogo: "Não vale peruar". Uma lembrança puxa a outra e, se continuo, é como puxar a linha de um novelo que não termina.

Quando a associação funciona, respiro aliviada. É delicado chamar as pessoas pelo nome, reconhecê-las. Talvez porque, ao ouvir o próprio nome, a gente se sinta, ainda que por um instante, existindo para alguém.

Outro dia, entrei em uma ótica e uma moça muito gentil me atendeu. Como é o seu nome? Wendy, respondeu. Fiquei animada e logo associei: a Wendy do Peter Pan? Ela sorriu e disse: não, foi um nome que minha mãe viu num romance. Você conhece a história original? Só conheço as adaptações da Disney, ela respondeu.

"Wendy estava brincando no jardim e, depois de colher mais uma flor, correu para junto de sua mãe. "Ah, se você ficasse assim para sempre!", disse a senhora Darling. Foi a partir daí que Wendy soube que teria de crescer. A gente sempre sabe quando tem dois anos: dois é o começo do fim."

Peter Pan foi, certamente, o livro que mais li para os meus filhos. Logo na primeira página, eu já ficava angustiada, engasgava-me e, em seguida, falava com uma voz bem animada, quase cantada: "Dois é o começo do fim!" Eles riam e pediam: faz de novo, mamãe, faz de novo.

E eu fazia tantas vezes que, em certo momento, já não lia mais aflita e me demorava um pouco mais na Terra do Nunca. Quem sabe ali fosse a terra do sempre.

Nessa época, eu lia sem óculos. Agora, compro meu primeiro par. Espero que me ajudem a enxergar melhor as minúcias do mundo, dos outros e as minhas, como escreveu José Saramago, "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Qual é mesmo o seu nome?

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/04/2026. Opinião. p.22.


domingo, 7 de junho de 2026

Causo Médico: O ENTERRO DE UM FUNDADOR

Corriam os anos setenta do século antanho, quando a comunidade médica e a sociedade locais foram colhidas pelo abrupto falecimento de um dos fundadores da primeira Faculdade de Medicina de um estado nordestino.

À beira do túmulo, sem pedir licença a ninguém, um antigo catedrático da escola médica, possuidor de grande erudição, resolveu fazer uso da palavra e tome a falar, discorrendo sobre os notáveis feitos do falecido, enaltecendo suas valorosas qualidades.

Falou tanto, que só faltou dizer que o morto, como sempre, estava na vanguarda institucional, e que, logo mais, seria seguido por seus colegas docentes, que fariam companhia a ele na morada eterna. Por muito pouco, o orador não chegou a apontar e a nomear os seus colegas médicos, dentre os ali assistentes, que o acompanhariam, algo que, certamente, causaria um certo rebuliço e desconforto entre os que seriam indicados para um tão inusitado séquito funéreo.

Após mais de uma hora de laudatório no campo santo, com o sol a pino, pois chegara o meio-dia, sem sinais de quaisquer nebulosidades que amenizassem os efeitos das radiações ionizantes, com os presentes suando a cântaros, os coveiros, cansados de esperar, encostaram suas pás e foram descansar sob a sombra de uma velha árvore.

O receio era de que o extinto, a qualquer instante, decidisse despertar do sono da morte, rogando que o fastidioso discurso fosse interrompido, deixando-o, finalmente, descansar na eternidade, liberando, assim, familiares e amigos de tão demorada cerimônia fúnebre.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.77.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: o enterro de um fundadorIn: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Janeiro de 2025 - Edição n.40. p.24 (online). (Doc. Nº 8.2.747).


Passos para atingir a paz interior IV

8. Medite sempre

A meditação acalma a mente, ajuda a dissolver pensamentos negativos, e isso influencia muito em nosso estado de espírito. É o maior alcance de bem-estar que podemos atingir. Se você meditar seriamente, sua mente vai permanecer tranquila por aproximadamente 23 horas e meia. Com o passar do tempo, vai perceber que seus pensamentos não serão tão nebulosos como antes, e você só tem a ganhar com os benefícios da meditação diária.  E se acha que isso vai interferir no seu dia a dia, o que acontece é justamente o contrário – a meditação aumenta sua eficiência para fazer suas tarefas, produzindo mais em menos tempo.

9. Nunca deixe a mente desocupada

Vale aquele antigo ditado: “Mente vazia é oficina do diabo”. Todas as nossas más ações surgem quando estamos, como diz o ditado, com a mente vazia. Mantenha-se ocupado com coisas boas e úteis. Tenha um passatempo em seu tempo livre. Junte-se com pessoas que tenham os mesmos interesses que os seus. E pondere o que é mais importante: dinheiro ou bem-estar. Seu tempo livre bem utilizado, sua vida social e atividades que trazem o bem, como por exemplo fazer caridade, vão te proporcionar uma sensação de gratidão e alegria.

10. Não procrastine e nunca se arrependa

Não perca seu tempo com a pergunta “Devo ou não devo fazer? ”. Dias, semanas, meses e anos podem ser desperdiçados através da dúvida e dessa questão que não vai levar a lugar algum, apenas a desperdício de tempo. Ninguém pode antecipar o futuro. Ninguém sabe o que vai acontecer no mundo e até mesmo em suas próprias vidas daqui 10 minutos. Todos nós aprendemos com nossos erros e, dessa forma, saímos fortalecidos no caminho da vida. E o mais importante: o passado já foi. Nunca olhe para trás.

NÃO SE ARREPENDA. O que quer que aconteça em sua vida, não chore sobre o leite derramado.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Passos para atingir a paz interior III

5. Adapte-se de acordo com o ambiente

Se você tentar mudar o que está ao seu redor por conta própria, as chances de falhar são grandes. Ao invés disso, adapte-se ao novo ambiente no qual está agora. Ao fazer isso, tudo ao redor melhora e você tem uma nova visão sobre o todo. E isso funciona como um milagre: até aquelas pessoas que pareciam desagradáveis para você mudam, e o ambiente fica muito mais harmonioso.

6. Aceite o que não pode ser mudado

Esta é a melhor forma de transformar uma desvantagem em uma grande vantagem. Todos os dias, enfrentamos diversos inconvenientes, como irritações, pequenos acidentes, ficar doentes, e assim por diante, e isso pode nos deixar fora de controle. Se não nos controlarmos ou mudarmos em relação a isso, tudo pode piorar. O ideal é aprender a lidar com essas situações de forma alegre e descontraída. Acredite em si mesmo e você vai ganhar em paciência, força de vontade e fortalecimento interior.

7. Não morda mais do que você pode mastigar

Esta máxima deve ser lembrada constantemente. Nós frequentemente tendemos a adquirir muito mais responsabilidades além do que somos capazes de carregar, somente para satisfazer nosso ego. Por isso, aceite suas limitações. Todos nós temos. Para quê acumular tantas funções e ter preocupações extras? Isso vai te deixar longe da sua paz de espírito, e ainda pode te causar ansiedade.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 6 de junho de 2026

Passos para atingir a paz interior II

2. Esqueça e perdoe

Esta é a ajuda mais poderosa quando falamos em paz de espírito. Grande parte de nós sempre alimenta sentimentos negativos em relação a pessoas que nos insultaram ou feriram nossos sentimentos. Nós nutrimos queixas e sentimentos ruins. Isso desencadeia problemas de saúde, como dores no estômago (gastrite e úlceras são comuns em relação a isso), noites mal dormidas e pressão alta. Em muitos casos, o insulto foi feito apenas uma vez, e a pessoa carrega aquilo por anos, lembrando-se constantemente disso. Perdoe. Esta é a melhor forma de evoluir. Por isso, você deve banir este péssimo hábito. A vida é muito curta para desperdiçarmos com esse tipo de sentimento e pensamentos negativos.

3. Não espere o tempo todo por reconhecimento

Infelizmente, no mundo de hoje, grande parte das pessoas pensam mais em si mesmos. Elogios em muitos casos são difíceis de serem ouvidos, e em diversos casos alguns indivíduos o fazem por interesse próprio. Alguns podem elogiá-lo pelo fato de você estar bem hoje, mas, se um dia algo acontece e você perde o poder, fica menos favorecido e precisa de ajuda, esses mesmos que um dia o elogiaram podem não fazer isso quando você estiver em uma posição diferente. Por isso, faça seus deveres de forma ética e sincera.

4. Tente não sucumbir à inveja e o ciúme

Todos nós sabemos o quanto a inveja pode influenciar o nosso estado de espírito. Você sabe que trabalha até mais que seus colegas de trabalho, mas às vezes outra pessoa pode conseguir aquele cargo superior ou promoção que você tanto almejava. Em outro caso, você começa o seu próprio negócio, mas não tem o mesmo sucesso que um parente, colega ou até mesmo seu vizinho, que começou a trabalhar por conta até depois que você. Isso acontece. E por acaso precisamos alimentar algum sentimento de inveja?  Não! Lembre-se que, na vida, tudo é moldado pelo destino, e isso resulta em nossa realidade. Você não vai conseguir mudar e evoluir ao se queixar, invejar e culpar os outros. A inveja não vai te levar a nada, e vai te deixar ainda mais longe da sua paz de espírito.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Passos para atingir a paz interior I

Atingir a Paz Interior é Fácil: Siga Esses 10 Passos

A vida é um longo caminho cheio de desafios. Muitos deles são internos, e dependem de como NÓS os aceitamos e os interpretamos. Nossas vidas podem levar diferentes caminhos, dependendo do que fazemos e o que buscamos ao longo dessa jornada. Aqui estão 10 avisos que, se seguidos, vão garantir uma vida melhor – e com certeza com mais paz de espírito.

1. Não interfira na vida dos outros a não ser que te peçam ajuda

Muitos de nós criamos nossos próprios problemas quando interferimos demais na vida alheia. Fazemos isso porque de certa forma achamos que estamos convencidos de que a nossa solução é sempre a melhor, nossa lógica é a mais perfeita e que aqueles que não nos seguem não estão na direção certa. Mas isso é um engano. Não existem dois seres humanos que podem pensar ou agir exatamente da mesma maneira. O ideal é cuidar da nossa própria vida e, assim, manter a paz interior. E somente dê conselhos quando a pessoa pedir.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

NAQUELA TARDE

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Naquela tarde, o inverno tinha chovido toda a manhã e continuava um sereno inconstante.

Quando? eu não recordo, mas não havia atravessado os 7 anos de minha meninice.

Aconteceu, à tardinha, ainda com o céu plúmbeo; o cheiro de terra molhada lembrava as pancadas da manhã. Era, na verdade, o petricor, que ainda exsudava da terra molhada.

A rua estendia-se sobre o barro. Aqui e ali, algumas poças d’água, entremeadas de pequenas moitas de plantas silvestres, expandiam-se, livremente, sem a ameaça de transportes, salvo as carroças de seu Odilo, que, naquele dia, estavam recolhidas, e o livre ir e vir de transeuntes.

Foi, nesse cenário, que eu e uma querida amiga, infante como eu, resolvemos desafiar aquela tardezinha cinzenta, com uma das diversas brincadeiras, que criávamos.

Deixamos a calçada, onde estávamos a conversar e rir de nossas tagarelices, caminhamos até o meio da rua e, entre duas poças d’água, naquele pedaço de barro ainda empapado, mas não escorregadio e começamos a rodopiar, segurando-nos com uma mão – mão-com-mão – tendo como ponto de apoio um pé-com-um pé.

E rodopiamos e rodopiamos, com alegria no sorriso, contrastando com a carranca, que as nuvens se nos ofereciam.

E foi, num desses rodopios, que nos pregou um susto uma pequena cobra listrada, que atravessava nosso pequeno espaço; levantou a cabeça com a boca aberta, no que não pude evitar pisar-lhe a cabeça, pois, em nosso rodopio, aquela passada era minha.

Paramos o rodopio, incontinenti. A cobra estava morta, era uma cobra coral. Seu corpo, com as belas listras à vista, tinha também marcas de um pé, provavelmente, de minha amiga.

O pavor apresentou-se na lividez de nossos rostos, enquanto o coração disparava. Assustados, corremos para a calçada, onde, sentados, passamos a examinar, nervosa e ansiosamente, nossos pés e pernas: dobramos a perna direita sobre a coxa esquerda e, depois, a perna esquerda sobre a coxa direita. Nossos olhos varreram-nas, seguindo a palpação de nossas mãos. Então, uma onda de calmaria deu um banho em nosso medo: não havia sinais de picada em nossos pés e pernas.

Respiramos, enfim, aliviados e agradecemos a Deus.

Acabara a brincadeira e retornamos para nossas casas.

Um bom sábado, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 18/04/26.

Crônica: "Avohaia" - a vaia que leva o avô paia ... e outros causos

"Avohaia" - a vaia que leva o avô paia

Mencionada vaia eu levei dum menino de sete aninhos - o neto Bernardo. Tudo pela ausência de comprovação de que já treinei no Fortaleza Esporte Clube -Tricolor de Aço do Parque dos Campeonatos. Era o primeiro semestre de 1969, eu estive no Estádio Alcides Santos, no Pici, levado pelo Jurandir Branco (Jurandir "Ratinho", como o conhecíamos em São Gerardo), para mostrar alguma habilidade no "dente de leite".

- Com essa perna, vô? - pergunta curioso o amável netinho conversador.

- Não, eu nem caxingava ainda.

- Como foi nesse dia, no Leão?

- A ruma de meninos em campo, Jurandir botou uma camisa no meu ombro, pediu que eu vestisse e entrasse. Queria que eu desse uma de Croinha!

- Fez gol?

- Dez minutos, somente 10 gols!

- Égua do vô!!! Se garantiu!!! Me mostre uma foto do senhor em campo!!!

- Tem não, Bernardo!

- Mas vô, como é que eu vou acreditar nesses 10 gols?

- Minha palavra num vale?

- Vale, com uma foto!!!

Não deu outra - a "avohaia" comeu de esmola. Inda teve coice:

- Esse vovô jogador é muito paia! Em campo, vô! Em campo!...

A outra foi com tia Dilurde

A gente "véve" falando das coisas passadas, quando quase impossível era comprová-las por imagem, e passamos por loroteiros. Desta vez fui eu que duvidei de uma irmã de papai, na famosa história da dentadura. Nesse tempo não havia a fotografia fácil do celular. Que o comprove tia Dilurde, na consulta ao médico. Pela demora em ser atendida, foi ao banheiro. Terminado o serviço, despiu a boca das próteses dentárias para lavá-las, e assim a Binaca (spray de refrescar o hálito) fazer melhor efeito.

Desprovida dos dentes postiços que levara com esmero, deixados sobre o tampo da pia enquanto passava uma aguinha no rosto, ouviu seu nome ser chamado. Aperreada por ser atendida pelo clínico geral, deixou o banheiro e o par de próteses também. Já em atendimento, nem deu fé que estava banguela. O médico falou que tia estava bem, mas...

- ... precisa só botar esses dentes!

- Dentes? Ah! Peraí, doutor!

Lembrou-se da dentadura no banheiro e correu. Lá, porém, o canto mais limpo. Reclamou-se à atendente, que disse nada poder fazer. Confusão chega à gerência. Diretor vai direto ao assunto, pede foto dos dispositivos removíveis na bancada do WC.

- Como é que eu vou acreditar numa história dessa, senhora Dilurde?

- Minha palavra num vale?

- Vale, com uma foto!!!

Adjetivando o "bife do oião"

Todo santo dia lá estava o amigo Manel no restaurante da Vitória, e sempre a mesma comida no almoço: baião de dois, bife mal passado e farofa. Tinha dois anos isso. Até que uma vez, com jeito, perguntou à proprietária senão havia outra opção. Ela cismou.

- O senhor não está gostando do nosso dicumê, Dr. Manel?

- Tô gostando, sim! Ocorre que, tanto tempo com o cardápio igual eu...

- Ah, pois amanhã se prepare para uma surpresa! Maravilhosa surpresa, meu dotô!

Dia seguinte a surpresa: um ovo frito cobrindo o prato de sempre.

- Gostou?

- Formidável, maravilhoso, sensacional, fantástico, fora de série, inigualável!

Fonte: O POVO, de 8/05/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

SONHOS NOSSOS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Todos temos nossos sonhos, que vão moldar nossas vidas: sonhos profissionais, sonhos intimamente pessoais, sonhos amorosos, sonhos espirituais.

Muitas pessoas, porém, não conseguem realizá-los. Não há uma explicação tão simples das razões e causas. São muitas variáveis, todavia, pode-se tentar ver o epicentro.

Em nosso processo de socialização, vamos aprendendo a lidar com nossos desejos e nossa vontade. Em princípio, espelhamo-nos em nossa família e dela dependemos também na obtenção de nossos desejos: comida, roupas, diversão. Suas atitudes de passividade e acomodação, de resistência, de proatividade, de resiliência causam-nos forte influência. E tudo isso é absorvido pelo nosso self, mas não de forma totalmente irreversível ou imutável, embora fiquem sombras que nos podem assustar. Ninguém é carimbo, tampouco produto enlatado.

Mais tarde, quando vamos tomando consciência de nós e do mundo ao nosso redor, começamos a tecer nossos planos para colimar nossos sonhos. Essa primeira etapa não pode ser burlada, ela vai nos ajudar a perseguir o ‘como’ do ‘o quê’ de nossos sonhos.

A realização de qualquer sonho precisa de uma estratégia, mesmo os mais simples, aliás, não somos nós a seguir nossos sonhos, ao contrário, são eles nos devem seguir. E, para isso, é imperioso conhecer seu portifólio, analisar nosso potencial e as condições que precisamos criar e desenvolver para que eles se nos aprocheguem e nós, em nós, façamos o seu lar.

Nessa empreitada – não é nenhuma novidade – devemos fazer reajustes, corrigir falhas e praticar reparos. Essas atitudes convêm a todos, mas nem todos a seguem. Entram em ação o autoconhecimento e autocrítica, de maneira lhana como convém a pessoas proativas e resilientes, cujo caráter respalda-se na humildade e na honestidade, diante da realidade dos fatos, mesmo porque fantasiar, ignorar ou culpar nunca foram bons assessores.

 Narrativas e desculpas não servem para nada. Desespero e lágrimas entornam o caminhar e decepcionam os sonhos, afastando-os de nós e nos desfazendo deles. 

 Nossa atitude de ousadia ou de covardia para com nossos sonhos traz um sinete de nossos vagidos, porém, o entorpecimento é um hóspede vitalício a nos incomodar e chacoalhar, se não descobrirmos seu esconderijo em nós e não o trouxermos para o campo de batalha a fim de fazê-lo calar-se e podermos prosseguir com os sonhos que desejamos, queremos e nos dispomos a colimar.

Há muitas outras encruzilhadas, algumas insanas e ríspidas, no entanto, o fundamental está na capacidade real do protagonista e, é bom dar-se conta, ao alcance de qualquer mortal.

Aprender as nuances dos sonhos e saber discernir oportunidades e possibilidades, refazendo-nos e reajustando-nos impõem-se, ‘sine qua non’, pois, querermos alcançar objetivos, repetindo os mesmos erros das mesmas estratégias é caldo mais de burrice do que de ignorância. Não se vai ao céu, permanecendo na trilha do inferno, nem vice-versa.

“Quem sabe faz hora, nunca espera acontecer”, assim cantava Geraldo Vandré, ainda em 1968.

Uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/04/26.

Aos bilionários do Ceará - sugestões II

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Em artigo publicado neste conceituado Jornal, em 10/4/2022, fiz uma sugestão aos bilionários do Ceará. A ideia nasceu de uma reportagem sobre a compra de um iate feita pelo homem mais rico do mundo: o iate custou US$ 500 milhões e isso tinha representado, apenas, 0,03% de sua riqueza.

Àquela época, os bilionários cearenses eram 16 ou 17, segundo os jornais. A diferença talvez seja porque um deles não mora em Fortaleza. Sugeri que usassem 0,03% de suas fortunas para doarem casas populares para os sem-teto de Fortaleza. Em 2025 estes números mudaram: passou de 18 ou 19 e suas fortunas somaram R$ 58 bilhões, conforme os dados publicados na imprensa.

Por que voltei ao tema? Este ano a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema "Ele veio morar entre nós". O que significa o vocábulo "Fraternidade"? Antigamente era a expressão de um valor fundamental de união entre as pessoas. Hoje, seu sentido é de um ideal de que todos os seres humanos devem ser tratados com igual dignidade e afeto.

Temos aqui dois dos temas fundamentais do artigo já publicado: o poder econômico e o problema da moradia para os "sem-teto". O que, na minha opinião, justifica este artigo.

Primeiro, ser bilionário não é ser um "Tio Patinhas". Suas fortunas são constituídas mais de bens valiosos do que de moedas. Por outro lado, os bens físicos têm a propriedade de envolver o sentimento de pertencimento, do apego, o que às vezes prejudica seu comércio.

Também se deve ter em conta que regras do IR permitem que um percentual do Imposto de Renda devido pelo contribuinte seja utilizado para doações. E isso é muito usado pelas pessoas que têm posse. Entretanto, neste caso, a doação é do Governo Federal, e não do contribuinte, pois esse recurso não mais lhe pertencia. Mas, em termos monetários, de quanto estamos falando?

Para responder, utilizarei os dados do artigo de 10/4/2024: àquela época, conforme dados fornecidos por um construtor: o custo da construção de uma casa popular seria em torno de R$ 80 mil. Como a inflação no período 2022-2025 foi de, aproximadamente, 5,63%, a construção de uma casa popular passou para algo em torno de R$ 83 mil. Dessa forma, 0,03% da fortuna de R$ 58 bilhões corresponderia a um valor em torno de R$ 17,4 milhões. O que equivaleria ao valor de, aproximadamente, 209 casas ao preço de R$ 83 mil cada uma,

Considerando que as estatísticas indicam um déficit de 2.863 casas necessárias para abrigar a população de rua de Fortaleza, isso representaria, apenas, 7% do déficit habitacional da cidade.

São dados aproximados, pois poder-se-ia construir casas mais baratas, em bairros distantes. Mas já seria uma grande ajuda para a Campanha da Fraternidade! Que Deus ilumine nossos bilionários!

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 3/05/26. Opinião. p.18.


quarta-feira, 3 de junho de 2026

CONSAD NO CEARÁ: marco para a gestão pública

A Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag-CE) está trazendo para o Ceará o XV Congresso Consad de Gestão Pública, considerado o maior evento da área da América Latina. Pela primeira vez realizado fora de Brasília, o encontro ocorrerá entre os dias 20 e 22 de maio, no Centro de Eventos.

Com o tema "Governo Digital e Governança Interfederativa: a Agenda Estratégica do Estado do Futuro", o congresso adota uma abordagem multidimensional voltada ao fortalecimento da colaboração e à disseminação de boas práticas na gestão pública brasileira.

Vale ressaltar que a colaboração desempenha um papel fundamental na produção de conhecimento. Estudos recentes indicam que os padrões de interação em congressos podem ser usados para prever a formação de novas parcerias, mesmo quando essas interações são previamente organizadas e não escolhidas livremente pelos participantes.

Nesse contexto, destaca-se o estudo "Catalisando colaborações: interações prescritas em conferências determinam a formação de equipes", coordenado pelos pesquisadores Emma Zajdela e Daniel Abrams, da Universidade Northwestern. A pesquisa demonstrou que os participantes que formaram novas colaborações interagiram, em média, 63% mais do que aqueles que não o fizeram. Além disso, indivíduos inseridos em um cenário com maior interação apresentaram um aumento de mais de oito vezes na probabilidade d c (laborar.

O trabalho de Zajdela e Abrams, disponível em (https://arxiv.org/abs/2112.08468), não apenas sugere que os encontros entre indivíduos são importantes na definição do futuro da ciência, mas que também podem ser planejados para catalisar melhor as colaborações. No Ceará, essa dinâmica já vem sendo aplicada. A partir de 2025, o governador Elmano de Freitas orientou a implementação da governança interfederativa por meio do projeto Caravana Ceará Um Só, baseado justamente na cooperação entre o Estado e os municípios. A iniciativa já percorreu as 14 regiões de planejamento, levando boas práticas fiscais, administrativas e financeiras a mais de 4 mil gestores, servidores e técnicos municipais.

Ampliando essa lógica de cooperação, o XV Consad abre espaço para a produção científica e a interação entre pesquisadores, com a submissão recorde de 1.386 resumos de trabalhos. Diante da alta qualidade das propostas, professores de diversas universidades brasileiras enfrentaram o desafio de selecionar 400 resumos, cujos autores foram habilitados a desenvolver artigos completos que serão publicados em livro editado pela Escola de Gestão Pública do Ceará em parceria com o Insper.

As inscrições para o congresso já estão abertas e podem ser realizadas no portal oficial do evento (https://congressoconsad.org.br), que reúne todas as informações sobre a programação.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 30/04/26. Opinião. p.17.


ÁGUA, BENDITA SOIS

Por Romeu Duarte Junior (*)

À memória do Prof. Eng. Francisco de Assis Souza Filho

Dizia o grande cearense Virgílio Távora que o maior governador do Ceará é o inverno. "Tendo água, doutorzinho, o povo, que já é inventivo e trabalhador, constrói a sua vida", falava ele com seu tom de voz peculiar. Minha mãe ia pela mesma linha, só que mandando um recado certeiro: duas coisas não podem faltar no Ceará: chuva e mão nos beiços de menino respondão (adivinhem quem era o peralta). A cultura alencarina elaborou em torno da água e da chuva um verdadeiro rito, quase uma religião. Lembro-me de uma senhora minha vizinha lá na Base que, toda vez que chovia, botava um maiô, punha três dedos de cana num copo e ficava debaixo da bica, chorando. Era o trauma dos anos de seca no sertão. Esses momentos não se perderão no tempo como lágrimas na chuva.

Como choveu neste torrão neste abril que se despede... Tenho amigos atentos que monitoram nossos açudes. "Está faltando apenas 11 centímetros para o Orós sangrar! Deve ser de hoje para amanhã! Vamos para lá agora", gritam uns para os outros, como garotos à volta de um brinquedo novo. Param tudo o que estão fazendo, catam suas coisas e caem na estrada embalados. Chegando lá, sob o céu plúmbeo, aguardam a chuva instalados em barraquinhas, tomando umas e outras e tirando o gosto com cará frito. Quando o pé-d'água cai, é uma alegria só: homens e mulheres abraçados, celebrando o milagre do dilúvio. De repente, um, aos berros, avisa: "Vai sangrar! É agora que o bicho sangra! Muito obrigado, meu Deus!". A torrente lambendo os tornozelos é uma ansiada benção.

Todavia, o mais importante é pensar no que o aguaceiro dará de retorno às pessoas. Curimatã ovada, tilápia, traíra pau-de-negro, tucunaré, as opções de pescado de água doce (que o cearense ainda não valoriza devidamente) são muitas. As hortas e pomares irrigados produzindo o legume, verduras e frutos variados. O de beber ao dispor do gado e das criações e para garantir o pasto esmeraldino. O precioso líquido guardado nos potes, cacimbas e cisternas para dele precisar se e quando faltar. A fartura que se enxerga nos olhos rasos d'água de quem vê o temporal cair. Muita gente que mora na capital se vale desses benefícios, mas não imagina o que isso representa para a população rural. Só quer saber da comida chegando à mesa e nada mais. Alienados bichos urbanos.

Ligo a TV e vejo dois jovens escalando a parede de concreto do sangradouro do Açude Orós. Não imaginam o perigo que correm, talvez estejam impondo a si um ritual de passagem da adolescência para a idade adulta, uma prova de fogo em meio a veloz corrente d'água ou simplesmente a afirmação de macheza. Rio da arrumação que vejo, uma temerária brincadeira, mas meu pensamento me leva à contribuição de um já saudoso amigo, alguém que dedicou a vida a estudar a água e as secas, a compreender o semiárido e a elaborar alternativas técnicas para a plena superação dos nossos problemas de desenvolvimento socioeconômico. Como professor da UFC, era idolatrado pelos seus alunos. É por tudo isso, Assis, que essa crônica lhe é dedicada. Chovendo, penso em você.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/04/26. Vida & Arte. p.2.


terça-feira, 2 de junho de 2026

Defesa de Memorial de Heraldo Simões para Professor Titular da Educação Física da Uece

Flagrante da Comissão Especial Julgadora, logo depois da defesa do Memorial do educador físico HERALDO SIMÕES. O Prof. Heraldo Simões está ladeado pelos professores José Jackson Coelho Sampaio e José Gerardo Vasconcelos, à esquerda, e por Profs. Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Paula Matias Soares, à direita. Ao fundo, aparece a imagem do Prof. Fabricio Boscolo del Vecchio, que participou da avaliação de forma remota. (Foto cedida por Paula Matias).

Aconteceu na tarde de ontem, segunda-feira (1º/06/26), rm formato híbrido: pelo Zoom e no Auditório do Mundo Verde da Universidade Estadual do Ceará - Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da Professor Titular do docente do Curso de Educação Física da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. professores doutores José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Fabricio Boscolo del Vecchio (efetivo UF Pel), José Gerardo Vasconcelos (efetivo UFC), Emerson Franchini (suplente externo) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Paula Matias Soares, aprovou o Memorial apresentado pelo professor doutor HERALDO SIMÕES FERREIRA.

Cumprimentos efusivos ao professor Heraldo Simões, por chegar ao ápice da carreira acadêmica, ratificada em sua robusta trajetória de vida, pontuada por expressivas realizações pessoais e profissionais, que consagram o seu ardor científico e a sua valorosa dedicação ao ensino universitário.

Também dignos de parabéns estão a graduação em Educação Física e os programas de pós-graduação em Educação e o de Ensino da Saúde da Uece, por terem o professor Heraldo Simões entre os seus docentes etetivos.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


Comida, louvor e festa e a Casa Plebeu

Por Izabel Gurgel (*)

Maria Socorro Alves Bezerra faz o bolo de milho com rapadura servido no café-da-manhã dos dias 6 de janeiro no sítio Aroeiras, em Guassussê, Orós. Abre-se com uma mesa longa feito estrada reta o encontro sobre experiências de chuva realizado há mais de 20 anos na casa da família do poeta, compositor, cantor Zé Vicente. O bolo leva cravo, erva doce, canela em pau e gergelim. Na finalização, já na forma, Socorro coloca amendoim e castanha.

Os dias 6 no sítio Aroeiras têm cortejo de Santos Reis depois do café. A manhã inteira é cantada. Tem poeta repentista, tem coro livre na partilha das sementes, improviso na roda de conversa e sanfoneiro depois do almoço, outro banquete, de renovada comunhão.

Ricardo Bernardo Silva faz os sequilhos para a Renovação na casa de Dona Teresinha e do finado Seu Manoel, no sítio Baixa do Quaresma, em Missão Velha. É a casa junto à qual a filha loiceira Corrinha construiu a olaria, com forno no quintal. Tornou-se museu e manteve a placa "Mão na Massa Artesanato".

Renovação, a palavra anuncia, é como se diz da confirmação, a cada ano, da entrega da casa e da família ao Sagrado Coração de Jesus. O Cariri cearense cultua e cultiva a prática. A entronização do Sagrado Coração quase sempre se dá relacionada à data das núpcias do casal. O casamento de Dona Teresinha e Seu Manoel se deu em um mês de novembro. Seu Manoel manteve a data da Renovação que trazia da casa dos pais, Josefa Joaquina do Espírito Santo e Vicente José do Nascimento, o dia 6 de janeiro. Corrinha conta que a avó paterna levou o Sagrado Coração para Padre Cícero benzer e ele recomendou o dia de Santos Reis. Ricardo, na casa dos 30 anos, mora no sítio Passagem de Pedra. É "tirador" de Renovação, como se nomeia o encarregado das rezas e cânticos.

Cuscuz de milho com galinha cozida foi o prato de sustança servido na manhã de 6 de janeiro último, quando da saída do Reisado dos Irmãos, na casa-sede no bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte. O grupo dançaria o dia inteiro conduzido por Mestre Antônio, subindo e descendo as ruas do bairro, com encontro final à noite no terreiro da casa de onde havia saído depois da comida de sustentação.

Sexta-feira agora, como todo primeiro de maio, acontece a Renovação do Reisado São Miguel, na casa-sede do grupo do Mestre Tarcísio, no citado João Cabral. A louvação, a brincadeira e o comer junto se dão com fartura, abundância, na batida da casa aberta, terreiro aceso e, como sabemos sobre as festas, muito trabalho e investimento nos bastidores para que se realize.

Em Fortaleza, estaremos assim no primeiro de maio, nos festejos de abertura da Casa Plebeu, nova sede do Plebeu Gabinete de Leitura, no São João do Tauape. Escrevo Tauape e me dou conta que contém Tauá, o lugar de nascença da leitora Adelaide Gonçalves, que nos daria a biblioteca. Plebeu é uma casa-sementeira, de força e fé na produção da alegria. Louvação da leitura, livros pra comer com os olhos, mesa farta. Tem açude sangrando na Fortaleza.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/04/26. Vida & Arte, p.2.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

FORTALEZA: a evolução e os desafios

Por Lauro Chaves Neto (*)

Fortaleza chega aos 300 anos reafirmando uma característica central de sua trajetória: a capacidade de transformar posição geográfica em protagonismo econômico.   Hoje, responde por quase 40% do PIB estadual, esse dado revela não apenas liderança, mas uma forte concentração econômica que molda o desenvolvimento do estado.

Quando o Ceará tinha sua capital em Aquiraz, o dinamismo econômico estava em polos como Aracati. Fortaleza surgiu mais como uma escolha estratégica e administrativa do que como centro econômico. Sua ascensão veio com o tempo, consolidada pelo comércio, pelo ciclo do algodão e pela centralização política.

Hoje, é uma das principais economias urbanas do país, com destaque crescente na economia de serviços e, mais recentemente, na conectividade digital. A cidade deixou de ser apenas um entreposto para se tornar um hub estratégico, conectando o Brasil a mercados internacionais por meio de infraestrutura logística e tecnológica.

Entretanto, a estrutura econômica da cidade ainda revela fragilidades importantes. A elevada dependência do setor de serviços, muitas vezes de baixa produtividade, limita ganhos mais robustos de renda e competitividade. A indústria perdeu participação relativa nas últimas décadas, reduzindo o potencial de encadeamentos produtivos mais complexos. Soma-se a isso a informalidade persistente, a baixa qualificação de parte da força de trabalho e os gargalos em infraestrutura urbana, que impactam diretamente a eficiência econômica.

A elevada concentração econômica exige políticas que ampliem a inclusão e reduzam as desigualdades. A transição para uma economia mais sofisticada demanda investimentos em educação, inovação e produtividade. Além disso, questões urbanas e ambientais ganham centralidade.

Fortaleza precisa qualificar seu crescimento, elevar o padrão de produtividade e sofisticação da economia local. Se conseguir alinhar conectividade, capital humano e estratégia de longo prazo, poderá transformar sua posição privilegiada em desenvolvimento sustentável e inclusivo, consolidando-se como uma das cidades mais dinâmicas do país.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 27/04/26. Opinião. p.16.