Por Affonso Taboza (*)
Temer tem lá seus erros, mas que prestou um grande
serviço ao País ajudando a destronar o PT, isso ninguém pode negar. Que
destruiu grande parte da estrutura e dos esquemas da esquerda radical e de seus
aproveitadores, isso também é fato. Que por isso é odiado por petistas e afins
que perderam “boquinhas”, só não vê quem não quer.
Que interrompeu a desordem geral do desgoverno Dilma e
fez voltar um fio de confiança no País, melhorando a economia, só cegos não
veem.
Que nos deu fundadas esperanças de chegarmos a 2018 com
boa arrumação na casa, isso também é fato. Que forças poderosas da imprensa, em
coro com a esquerda, se empenham em detonar seu governo, é muito claro. Que a
direita ajuda a desestabilizar o País quando apoia e reforça a ação da esquerda
contra Temer, só os desinformados não sentem.
“Ah, mas ele roubou”! Ora, o País está cheio de ladrões
de todos os matizes e quilates. Acontece que ele é o piloto de frágil navio em
alto-mar, no meio de terrível borrasca. Deixem que ele chegue ao porto. Que
seja, então, julgado e punido se for o caso. Jogá-lo ao mar agora e procurar
outro em plena tempestade não me parece de bom alvitre.
Estamos numa situação ingrata, em que cabe a pergunta: o
que é menos ruim para o País, a permanência de Temer ou sua saída? Ora, se ele
ficar, a oposição, ajudada pelos inocentes úteis radicais e por políticos
hipócritas da direita, vai infernizar sua vida, dificultando a gestão; se sair,
isso acontecerá após um processo traumático no STF, enquanto o País, perplexo,
parado, assistirá ao show de discursos bombásticos, prolixos, superadjetivados
e intermináveis dos senhores ministros, arrotando sabedoria jurídica em suas
togas sinistras; e depois, o vendaval – respeite o vendaval! – da eleição do
presidente-tampão. Aí já estaremos, chamuscados, exaustos, a um passo da
eleição de 2018. Poucos meses terá o presidente-tampão para compor seu
ministério e fazer planos de governo, porque para governar não lhe sobrará
tempo. E tudo num ambiente de perplexidade, economia arrasada e campanha
eleitoral apaixonada.
Vamos jogar no lixo, por pura paixão e radicalismo, um
ano e meio que poderia ser de trabalho profícuo? “Ah, mas o cara roubou!”.
Ora... Dá vontade de parafrasear Bill Clinton e gritar aos políticos
interesseiros e aos inocentes úteis desinformados: o mais importante é a
economia! O resto vem depois!
Não votei em Temer e nunca votaria, mas torço por sua
permanência.
Acho que o dano será infinitamente menor. Mas quem
poderia responder melhor essa questão seriam os 14 milhões de desempregados e
os milhares de empresários que tiveram de cerrar suas portas.
(*) Coronel engenheiro reformado do Exército Brasileiro
e membro do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará.
Fonte: O Povo, de 10/7/2017.
Opinião. p.17.
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