Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)
A Econofísica é
um campo de pesquisa dinâmico que faz a interface entre a física e a economia,
no qual técnicas analíticas e computacionais da física são empregadas para
estudar as propriedades dos sistemas econômicos.
O rigor, a
precisão e o prestígio da física sempre exerceram grande fascínio sobre nós,
economistas. O físico Isaac Newton, por exemplo, criou o modelo gravitacional
que influenciou o modelo de comércio gravitacional, o qual prevê naturalmente o
comércio entre parceiros, utilizando uma interpretação metafórica da lei
universal de Newton - aplicada a países, regiões ou empresas.
Esse modelo foi
desenvolvido em 1962, quando o físico e economista Jan Tinbergen, vencedor do
primeiro Prêmio Nobel de Economia em 1969, propôs um estudo econométrico sobre
o padrão que prevaleceria nas relações entre países sem barreiras comerciais.
Segundo ele, “os fluxos de comércio estão diretamente relacionados com a
dimensão econômica dos países envolvidos e inversamente proporcional à
distância entre eles”.
Tinbergen
identificou os países mais afetados por medidas protecionistas, confrontando os
resultados com o modelo gravitacional de Newton, segundo o qual “cada partícula
do universo atrai todas as outras com uma força (F) diretamente proporcional
(k) ao produto de suas massas (m1 e m2) e inversamente proporcional
ao quadrado da distância (r).
A adaptação dessa
lei ao comércio internacional sugere que o volume de trocas é diretamente
proporcional ao Produto Interno Bruto (PIB) -- as “massas” dos países – e
inversamente proporcional à distância entre eles. Assim, grandes economias
tendem a comercializar mais entre si.
A distância, por
sua vez, funciona como um obstáculo: quanto maior, menor tende a ser o
comércio, já que custos de transporte e fatores logísticos influenciam
negativamente os fluxos.
Nesse contexto,
eu e o pesquisador Raimundo Costa (físico), em parceria com outros estudiosos,
estamos desenvolvendo um modelo para analisar os efeitos do quadripé
Transnordestina–Porto Seco--ZPE–Porto do Pecém, com base na organização dos
Arranjos Produtivos Locais (APLs) em seis dimensões: a) territorial; b)
diversidade de atividades e de atores econômicos, políticos e sociais; c)
conhecimento tácito; d) inovação e aprendizado interativo; e) governança; e f)
grau de enraizamento.
Os estudos
preliminares estimam que esse complexo multimodal envolverá investimentos de R$
1,75 bilhão em dez anos, com retorno de R$ 7,2 bilhões no mesmo período. Em
apenas quatro anos, espera-se uma profunda transformação no PIB do Estado e da
região, com efeitos diretos em 28 municípios.
O modelo
gravitacional em desenvolvimento demonstra que os fluxos comerciais crescem
quando os custos de transporte diminuem e quando há grandes economias
interconectadas. Os portos secos atuam exatamente nesses dois aspectos,
ampliando fluxos e fortalecendo a rede de comércio regional.
(*) Mestre em
Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e
Planejamento do Eusébio-Ceará.
Fonte: O Povo, de 16/10/25. Opinião. p.15.
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