Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
Sonhos são pajens do sono.
Eu os tenho, você também, mas este me veio
de fora e não de minhas entranhas.
“Estava dormindo.
E, quando aquele sopro suave e relaxante do
filho de Nix tocou-me as pálpebras, dei-me conta de que eu adentrara uma outra
realidade, um mundo etéreo. E devaneios envolveram este meu sonho, que passo a
relatar, segredou-me Icelo, um protetor onírico
Eu me vi saindo de casa, em direção à
cidade, no mesmo percurso costumeiro, que sempre fazia.
Nesse trajeto, porém, o caminho
estreitava-se, parecia-me estar atravessando um beco, em cujas paredes havia
cabides e varetas com exposição de várias peças de roupa, como se estivessem à
venda. O ‘beco’ não tinha claridade e, antes de passar à frente, de uma porta
saiu um moço, o qual ficava a me ofertar as roupas e eu lhe dizia que não as
queria.
Ao continuar a caminhar, vi que não estava
mais com calça cor palha e uma bermuda verde, como saí de casa, mas vestia uma
camisa mostarda e dei-me conta de que havia esquecido a calça. Nisso, percebi
que, em meu braço, havia uma calça, uma bermuda e outras peças de roupa, as
quais pensei que pertenciam ao moço do beco.
Continuei o meu percurso e, logo, logo,
avistei uma casa de pessoas conhecidas e pensei em pedir que alguém pudesse ir
devolver as roupas ao homem do corredor, para eu não ter de retroceder meus
passos.
Ao aproximar-me da casa, discerni a figura
de uma adolescente, que me chamou pelo nome, mas não a reconheci. Todavia,
indaguei-lhe se sua mãe estava em casa e, erguendo os olhos, avistei seu pai
debaixo de uma árvore, reconheci-o, mas não consegui lembrar-me de seu nome.
Mesmo assim, pedi-lhe o favor de devolver as roupas ao homem que me tinha
oferecido. Respondendo-me, em voz baixa, não entendi se poderia ou não e
resolvi dar continuidade à minha jornada, levando as roupas comigo.
A poucos metros dali, deparei-me com uma
pequena trilha, ladeada por mata bastante verde. Parei uns instantes e mirei o
espaço. Vi muitas nuvens e delas saindo umas bolhas alvacentas; ao espalhar-se
pela amplidão do espaço, assumiam tonalidade escura, agrupando-se entre si. Foi
aí, então, onde percebi que algo de muito estranho estava acontecendo: pessoas
gritando, dizendo que iam morrer e pedindo socorro, enquanto as bolhas, umas
vinham com muita fumaça, e outras rubras, com labaredas e raios de fogo, que caiam
também ao meu redor. Tentando livrar-me eu desse fragmentos, servindo-me das
peças de roupa, passei a lembrar-me de minha mãe, que havia deixado em casa,
sozinha. No entanto, querendo voltar para protegê-la e ajudá-la, como
aumentavam as bolhas de fogo, eu tinha de defender-me de seus ataques, usando
sempre as peças de roupa. Travei uma rigorosa autodefesa e, quando estava
conseguindo desvencilhar-me de seus ataques, acordei um tanto ofegante, com os
braços dormentes e doloridos.
Haja tamanha batalha.
Até que enfim, estava são e salvo.”
Uma boa quinta-feira, com as bênçãos de
Deus e a proteção de Maria Santíssima!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 21/05/26.
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