sexta-feira, 26 de junho de 2026

SONHO DE UM SONO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Sonhos são pajens do sono.

Eu os tenho, você também, mas este me veio de fora e não de minhas entranhas.

“Estava dormindo.

E, quando aquele sopro suave e relaxante do filho de Nix tocou-me as pálpebras, dei-me conta de que eu adentrara uma outra realidade, um mundo etéreo. E devaneios envolveram este meu sonho, que passo a relatar, segredou-me Icelo, um protetor onírico

Eu me vi saindo de casa, em direção à cidade, no mesmo percurso costumeiro, que sempre fazia.

Nesse trajeto, porém, o caminho estreitava-se, parecia-me estar atravessando um beco, em cujas paredes havia cabides e varetas com exposição de várias peças de roupa, como se estivessem à venda. O ‘beco’ não tinha claridade e, antes de passar à frente, de uma porta saiu um moço, o qual ficava a me ofertar as roupas e eu lhe dizia que não as queria.

Ao continuar a caminhar, vi que não estava mais com calça cor palha e uma bermuda verde, como saí de casa, mas vestia uma camisa mostarda e dei-me conta de que havia esquecido a calça. Nisso, percebi que, em meu braço, havia uma calça, uma bermuda e outras peças de roupa, as quais pensei que pertenciam ao moço do beco.

Continuei o meu percurso e, logo, logo, avistei uma casa de pessoas conhecidas e pensei em pedir que alguém pudesse ir devolver as roupas ao homem do corredor, para eu não ter de retroceder meus passos.

Ao aproximar-me da casa, discerni a figura de uma adolescente, que me chamou pelo nome, mas não a reconheci. Todavia, indaguei-lhe se sua mãe estava em casa e, erguendo os olhos, avistei seu pai debaixo de uma árvore, reconheci-o, mas não consegui lembrar-me de seu nome. Mesmo assim, pedi-lhe o favor de devolver as roupas ao homem que me tinha oferecido. Respondendo-me, em voz baixa, não entendi se poderia ou não e resolvi dar continuidade à minha jornada, levando as roupas comigo.

A poucos metros dali, deparei-me com uma pequena trilha, ladeada por mata bastante verde. Parei uns instantes e mirei o espaço. Vi muitas nuvens e delas saindo umas bolhas alvacentas; ao espalhar-se pela amplidão do espaço, assumiam tonalidade escura, agrupando-se entre si. Foi aí, então, onde percebi que algo de muito estranho estava acontecendo: pessoas gritando, dizendo que iam morrer e pedindo socorro, enquanto as bolhas, umas vinham com muita fumaça, e outras rubras, com labaredas e raios de fogo, que caiam também ao meu redor. Tentando livrar-me eu desse fragmentos, servindo-me das peças de roupa, passei a lembrar-me de minha mãe, que havia deixado em casa, sozinha. No entanto, querendo voltar para protegê-la e ajudá-la, como aumentavam as bolhas de fogo, eu tinha de defender-me de seus ataques, usando sempre as peças de roupa. Travei uma rigorosa autodefesa e, quando estava conseguindo desvencilhar-me de seus ataques, acordei um tanto ofegante, com os braços dormentes e doloridos.

Haja tamanha batalha.

Até que enfim, estava são e salvo.”

Uma boa quinta-feira, com as bênçãos de Deus e a proteção de Maria Santíssima!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 21/05/26.


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