Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)
Junho ocupa um lugar especial na
espiritualidade católica. Tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de
Jesus, este mês convida os cristãos a contemplarem a essência do Evangelho: o
amor de Deus revelado em Cristo.
A imagem do Coração de Jesus tornou-se,
ao longo da história, um dos símbolos mais profundos da misericórdia divina. É
o coração que acolhe os que sofrem, que perdoa os pecadores, que consola os
aflitos e que permanece aberto mesmo diante da rejeição. Contemplar o Coração
de Jesus é contemplar um amor que não desiste da humanidade.
Talvez uma das maiores necessidades do
nosso tempo seja justamente reaprender a viver a partir das premissas
do coração de Jesus. Estamos conectados por inúmeras tecnologias, mas
muito distantes uns dos outros. Temos acesso a informações em abundância, mas
nem sempre cultivamos a escuta, a compreensão e a capacidade de ocupar o lugar
do outro.
O coração do homem contemporâneo é
constantemente inquieto, cansado e endurecido. Há pressa para julgar, mas
pouca disposição para acolher. Há facilidade para apontar falhas, mas
dificuldade para praticar a misericórdia. Em uma sociedade marcada por divisões
e intolerâncias, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus nos recorda que a
verdadeira transformação começa dentro de nós.
Quando olhamos para Jesus nos
Evangelhos, encontramos alguém profundamente sensível à dor do próximo. Ele
acolhe os excluídos, aproxima-se dos marginalizados e oferece esperança aos que
perderam o sentido da vida. Seu coração é movido pela compaixão, pela humildade
e pelo amor.
Por isso, celebrar o mês do Sagrado
Coração é também uma oportunidade de examinar a própria vida. O que temos
cultivado em nosso coração? Somos instrumentos de reconciliação ou de conflito?
Nossas palavras aproximam ou afastam as pessoas?
O mundo necessita de homens e mulheres
que tenham um coração semelhante ao de Cristo: capaz de acolher, perdoar,
servir e amar gratuitamente. A paz que tanto buscamos para a sociedade nasce,
antes de tudo, da conversão do coração humano.
Que junho seja um convite para nos
deixarmos transformar por esse amor. E que, ao contemplarmos o Coração de
Jesus, aprendamos a viver com mais ternura, tolerância e misericórdia.
(*) Sacerdote jesuíta e
mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do
Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.
Fonte: O Povo, de 27/06/2026.
Opinião. p.24.
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