domingo, 2 de agosto de 2026

O desafio de ter o coração semelhante ao de Cristo

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

Junho ocupa um lugar especial na espiritualidade católica. Tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, este mês convida os cristãos a contemplarem a essência do Evangelho: o amor de Deus revelado em Cristo.

A imagem do Coração de Jesus tornou-se, ao longo da história, um dos símbolos mais profundos da misericórdia divina. É o coração que acolhe os que sofrem, que perdoa os pecadores, que consola os aflitos e que permanece aberto mesmo diante da rejeição. Contemplar o Coração de Jesus é contemplar um amor que não desiste da humanidade.

Talvez uma das maiores necessidades do nosso tempo seja justamente reaprender a viver a partir das premissas do coração de Jesus. Estamos conectados por inúmeras tecnologias, mas muito distantes uns dos outros. Temos acesso a informações em abundância, mas nem sempre cultivamos a escuta, a compreensão e a capacidade de ocupar o lugar do outro.

O coração do homem contemporâneo é constantemente inquieto, cansado e endurecido. Há pressa para julgar, mas pouca disposição para acolher. Há facilidade para apontar falhas, mas dificuldade para praticar a misericórdia. Em uma sociedade marcada por divisões e intolerâncias, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus nos recorda que a verdadeira transformação começa dentro de nós.

Quando olhamos para Jesus nos Evangelhos, encontramos alguém profundamente sensível à dor do próximo. Ele acolhe os excluídos, aproxima-se dos marginalizados e oferece esperança aos que perderam o sentido da vida. Seu coração é movido pela compaixão, pela humildade e pelo amor.

Por isso, celebrar o mês do Sagrado Coração é também uma oportunidade de examinar a própria vida. O que temos cultivado em nosso coração? Somos instrumentos de reconciliação ou de conflito? Nossas palavras aproximam ou afastam as pessoas?

O mundo necessita de homens e mulheres que tenham um coração semelhante ao de Cristo: capaz de acolher, perdoar, servir e amar gratuitamente. A paz que tanto buscamos para a sociedade nasce, antes de tudo, da conversão do coração humano.

Que junho seja um convite para nos deixarmos transformar por esse amor. E que, ao contemplarmos o Coração de Jesus, aprendamos a viver com mais ternura, tolerância e misericórdia.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 27/06/2026. Opinião. p.24.


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