Por Rita Fabiana Arrais (*)
O ano de 2009
representa para a Região Metropolitana do Cariri (RMC) o início de uma nova
relação econômica entre os ofertantes e os demandantes do setor varejista
de alimentos.
O dinamismo
urbano, a economia diversificada, a constante e elevada demanda, a localização
estratégica e o suporte do poder público em proporcionar infraestrutura
adequada foram condicionantes primordiais para que, nesse período, Juazeiro do
Norte fosse a primeira cidade do Ceará a receber uma rede de atacarejo.
O modelo de larga
escala de mercadorias e os preços competitivos modificaram a rotina das
compras do dia a dia dos caririenses, ao mesmo tempo em que expandiu a
concorrência de preços pressionando os médios e grandes varejistas, do mercado
local, a redefinirem as suas margens de lucros.
É cabível de
registro que esse formato utilizado na rede de atacarejo com características definidas
(autosserviço, rede de distribuição local, preços distintos para o atacado e
varejo, custos e preços reduzidos), impactou consideravelmente a economia local
e o entorno.
Na prática
ocorreram rearranjos comerciais entre os agentes econômicos (produtores locais
e lojistas) impulsionando a capacidade produtiva regional do setor de
hortifrúti, o que diretamente colaborou para o aumento da geração de empregos,
assegurando um volume maior de vendas e encurtando a distância entre às grandes
cadeias de consumo.
Informações
disponíveis pela Associação Brasileira dos Atacarejos (Abaas) revelam que
especialmente em Juazeiro do Norte houve uma expansão de filias de grandes
redes de atacarejos (Atacadão, Mix Mateus, Brasil Atacarejo, Assaí Atacadão, R.
Carvalho, entre outros). Se levarmos em consideração o período de 2009 a 2026
as redes como Atacadão, Mix Mateus e Assaí Atacadão, duplicaram suas lojas em
Juazeiro, e ampliaram para outras cidades da região.
De acordo com a
Associação Brasileira de Supermercados (Abras) no ano de 2025 as redes de
atacarejos cresceram 10,5% com faturamento recorde de mais de R$ 1 trilhão de
reais, e dominando a fatia de 49,3% do mercado alimentício nacional.
A relação da
renda com o consumo "explica" a expansão dessas redes na região. O
cenário econômico instável com a disparada da inflação desacelera o consumo das
famílias ao reduzir o poder de compra, deslocando a curva da demanda para
locais (atacarejos) em que há possibilidade de fazer a feira (as compras) com
preços mais acessíveis.
Nesses últimos
dezessete anos a economia da RMC consolidou-se como uma das maiores, e mais
importantes do Nordeste. Logo, permanece atraindo investimentos públicos e
grandes volumes de capital privado.
(*) Economista.
Fonte:
O Povo,
de 30/07/26. Opinião. p.19.
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