terça-feira, 15 de setembro de 2026

SETOR DE ATACAREJO IMPULSIONA A ECONOMIA CARIRIENSE

Por Rita Fabiana Arrais (*)

O ano de 2009 representa para a Região Metropolitana do Cariri (RMC) o início de uma nova relação econômica entre os ofertantes e os demandantes do setor varejista de alimentos.

O dinamismo urbano, a economia diversificada, a constante e elevada demanda, a localização estratégica e o suporte do poder público em proporcionar infraestrutura adequada foram condicionantes primordiais para que, nesse período, Juazeiro do Norte fosse a primeira cidade do Ceará a receber uma rede de atacarejo.

O modelo de larga escala de mercadorias e os preços competitivos modificaram a rotina das compras do dia a dia dos caririenses, ao mesmo tempo em que expandiu a concorrência de preços pressionando os médios e grandes varejistas, do mercado local, a redefinirem as suas margens de lucros.

É cabível de registro que esse formato utilizado na rede de atacarejo com características definidas (autosserviço, rede de distribuição local, preços distintos para o atacado e varejo, custos e preços reduzidos), impactou consideravelmente a economia local e o entorno.

Na prática ocorreram rearranjos comerciais entre os agentes econômicos (produtores locais e lojistas) impulsionando a capacidade produtiva regional do setor de hortifrúti, o que diretamente colaborou para o aumento da geração de empregos, assegurando um volume maior de vendas e encurtando a distância entre às grandes cadeias de consumo.

Informações disponíveis pela Associação Brasileira dos Atacarejos (Abaas) revelam que especialmente em Juazeiro do Norte houve uma expansão de filias de grandes redes de atacarejos (Atacadão, Mix Mateus, Brasil Atacarejo, Assaí Atacadão, R. Carvalho, entre outros). Se levarmos em consideração o período de 2009 a 2026 as redes como Atacadão, Mix Mateus e Assaí Atacadão, duplicaram suas lojas em Juazeiro, e ampliaram para outras cidades da região.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) no ano de 2025 as redes de atacarejos cresceram 10,5% com faturamento recorde de mais de R$ 1 trilhão de reais, e dominando a fatia de 49,3% do mercado alimentício nacional.

A relação da renda com o consumo "explica" a expansão dessas redes na região. O cenário econômico instável com a disparada da inflação desacelera o consumo das famílias ao reduzir o poder de compra, deslocando a curva da demanda para locais (atacarejos) em que há possibilidade de fazer a feira (as compras) com preços mais acessíveis.

Nesses últimos dezessete anos a economia da RMC consolidou-se como uma das maiores, e mais importantes do Nordeste. Logo, permanece atraindo investimentos públicos e grandes volumes de capital privado.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 30/07/26. Opinião. p.19.


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