Por Davi
Cunha (*)
A saúde bucal ainda é um desafio importante
no Brasil, especialmente quando se observa a realidade da população idosa.
Dados recentes indicam que cerca de 36,5% dos idosos
brasileiros perderam todos os dentes naturais. No Ceará, esse índice é ainda
mais elevado e chega a aproximadamente 45,9%, um dos maiores do país. Em
Fortaleza, a situação também chama atenção: cerca de 42% das pessoas acima dos
60 anos já não possuem dentes naturais.
Embora muitas pessoas associam a perda
dentária ao envelhecimento, especialistas destacam que esse processo não é
inevitável. Na maior parte dos casos, a perda de dentes está relacionada a
doenças bucais preveníveis, como cáries em estágio avançado e, principalmente,
a periodontite, uma inflamação que afeta a gengiva e o osso responsável por
sustentar os dentes.
Além de afetar a estética e a autoestima, a
ausência de dentes pode trazer impactos diretos para a saúde geral. A
dificuldade de mastigação costuma levar idosos a modificar a alimentação,
priorizando alimentos mais macios e, muitas vezes, menos nutritivos. Esse
hábito pode contribuir para quadros de desnutrição, perda de massa muscular e
piora da qualidade de vida.
Outro fator comum é o uso prolongado de
próteses dentárias. Embora as dentaduras representem uma solução importante
para reabilitação bucal, quando utilizadas por muitos anos podem contribuir
para a reabsorção do osso da mandíbula e da maxila, o que pode dificultar
tratamentos futuros.
Alguns cuidados simples ajudam a preservar
a saúde bucal ao longo da vida. A higiene adequada dos dentes e das próteses, o
uso regular do fio dental e as consultas periódicas ao dentista são medidas
fundamentais para prevenir doenças bucais.
Na terceira idade, também é importante
estar atento à chamada boca seca, condição comum em pessoas que utilizam
medicamentos para hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas. A redução da
saliva aumenta o risco de cáries e infecções, exigindo acompanhamento
profissional.
Outro ponto de atenção são feridas ou
manchas na boca que não cicatrizam em até 15 dias. Nesses casos, a avaliação de
um dentista é fundamental para descartar problemas mais graves.
Mais do que tratar dores ou problemas já
instalados, o cuidado com a saúde bucal deve fazer parte da rotina ao longo de
toda a vida. A prevenção continua sendo o caminho mais eficaz para garantir que
mais pessoas envelheçam com saúde, autonomia e qualidade de vida.
(*) Cirurgião-dentista.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/03/2026. Opinião. p.16.
