sábado, 25 de abril de 2026

O FANTASMA NO ESCRITÓRIO

Marcelo chega ao escritório de manhã. Ele mal senta na cadeira e seu chefe já vem atrás. No entanto, o chefe faz uma pergunta bastante estranha...

— Bom dia, Marcelo. Deixe-me perguntar: você acredita em vida após a morte?

Ele não entende nada da pergunta, mas responde:

— Ah, chefe, eu não acredito nisso não.

— E por que você não acredita? Marcelo fica com a pulga atrás da orelha, mas não contesta o chefe.

— Ah, para mim se a pessoa morreu, morreu e acabou, chefe. Não existe prova nenhuma para isso. Ninguém nunca voltou do outro lado depois de morto. Pelo menos eu nunca vi!

O chefe responde:

 — É mesmo? Pois você está enganado. Agora essa prova existe! Marcelo arregalou os olhos e ficou com medo também.

— Existe?!

— Sim, existe. A prova apareceu ontem aqui no escritório. Marcelo ficou gelado e começou olhar para os lados. Será que ali haviam mesmo fantasmas?

— E... e... que prova é essa, chefe?

— Ontem, quando você saiu mais cedo para ir ao velório do seu tio... Ele veio aqui te procurar!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Abril/2026

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de abril/2026, que será realizada HOJE (25/04/2026), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Crônica: “Aplicando um ‘aí dentro!’ no centro de Londres” ... e outros causos

Aplicando um ‘aí dentro!’ no centro de Londres

Das Chagas e Tabosa, compadres hoje aposentados, amigos do Colégio 7 de Setembro - tempos do Dr. Edilson Soares Brasil. Solângela, filha primeira de Das Chagas, orgulho do pai, casou-se faz já algum tempo e mora na capital da Inglaterra, para onde foi o pai, "mês trasado", a convite dela, para "beber o mijo" de Chagas Neto nascido há pouco.

- Vem, pai! Aqui é maior que o Pacoti! Tem até pizza!

Das Chagas foi, e deu o maior ponto. Porém, teve um porém - conforme consta do áudio que enviou pra Tabosa ainda em solo europeu, a mim encaminhado só pra eu me abrir da marmota.

- Macho, a Sol me levou pra conhecer a torre dum tal relógio do Big 'Bento' e eu quase saio no tabefe com um brancão lá, caba escovado, metido a mudo, se fazendo de estauta. Pensou que me enganava! Enquanto Solângela foi pegar uma água mineral - peste de cidade quente aquela, eu futurei falar com um soldado do chapéu preto bem grande, que parece uma casa de cupim, peluda. O samango véi num se bole, num faz pantim... Eu dou por vista se der uma coceira nos ovos, quem é que vem coçar por ele?"

Das Chagas continua empolgado o recado gravado, passando pros finalmente de um relato empolgado que, confesso, por pouco não causaria um embaraço diplomático entre o Brasil e o país da finada rainha Elizabeth.

- Macho, como a gente aqui no Ceará é muito dada, eu sapequei um 'rauáriu!!!' na cara dele e tu me acredite que ele nem piscou os ói!?! 'Rauariei' umas cinco vezes na cara dele e nada. Antes que Sol chegasse com a água, me enfezei e sabe o que eu falei pra ele? Aí dentro, nessa loca de jumento!

E finalizou o áudio:

- Ele só não deu uma carreira em mim porque a espingarda era muito pesada!...

Histórias de Dedé Odrin

Nosso vetusto fabricante de veneno pra rato me mandou essas três historinhas:

1 - Arrumei uma criatura acolá e a mulher descobriu. Cheguei em casa cheirando a Charisma e ela veio esparrar:

- Raparigando de novo, né seu Dedé!?!

- Minha filha, aguente que é só uma fase!

2 - Dona Jarina, a tal mulher de Dedé, não tinha nome pra botar no menino dela que acabará se nascer, tem uns 20 anos isso, e um amigo do casal, o Carlos Panariço, sugeriu:

- Conheço um doído em Quixadá que se chama Alfredo... Bota esse nome no menino de vocês!

- Alfredo, Alfredo... Belo nome! - defendeu Dedé.

E botaram o nome do menino de Alfredo. Hoje com 45 anos, gordo e corado.

3 - Tem gente que faz análise para não ficar doido. E eu quero um doutor desses pra ficar mental do juízo. Tô muito certim da cabeça, pro meu gosto!

Cearensês novíssimo

- A três por dois mil - Muito, demais - gente, coisa.

- Acender vela pra defunto ruim - Coisa mais sem futuro do mundo - perder tempo com o que (quem) não presta.

- Acordei de manhã, o canto mais limpo!!! - Acordei, que cacei o cachorro, o bicho tinha ido embora, com coleira e tudo!

- Agora deu!!! - Agora pronto! Marrapaz, num tô dizendo mesmo! Interjeição de espanto que equivale a "nossa!", "arre égua!"

Fonte: O POVO, de 27/03/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

ESCOLAS: espaços de proteção e aprendizagem

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Pesquisa recente financiada pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), sob nossa coordenação, focalizou desafios da política educacional na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O estudo detectou que a presença de facções criminosas em diversos municípios impacta escolas, famílias e comunidades, gerando medo e até suspensão de aulas.

O poder público tem buscado respostas para enfrentar tal situação, mediante ações de órgãos de Educação, Segurança Pública, Assistência Social e do Justiça, buscando também coordenar esforços intersetoriais.

As secretarias de Educação têm adotado medidas como reforço da vigilância em imediações de escolas, reorganização de horários e rotas de transporte seguro para estudantes, e ações pedagógicas e socioemocionais visando aumentar a resiliência dos alunos.

Iniciativas voltadas para a segurança escolar existem tanto no âmbito estadual quanto municipal. Em Fortaleza, por exemplo, a Guarda Comunitária Escolar (GCE) realiza patrulhamento preventivo e contínuo em mais de 650 escolas, CEIs e creches, acompanhando alunos e professores na entrada e saída das escolas.

Apesar dos esforços, desafios persistem. Políticas setoriais esbarram em limitações de recursos, dificuldades de articulação interinstitucional e na própria desigualdade territorial na região, repercutindo sobre o acesso das comunidades a programas de prevenção e apoio. A rotatividade de profissionais, a escassez de infraestrutura adequada e a incapacidade de implementação uniforme de programas educativos agravam essas dificuldades.

Para familiares e educadores, a sensação de insegurança continua sendo um obstáculo cotidiano, e as respostas encontradas têm sido insuficientes para confrontar problemas complexos que atravessam a vida escolar e social dos jovens. É urgente e necessário fortalecer a presença do Estado nas comunidades, mediante esforços institucionais coordenados. Ações dessa natureza reduzem riscos imediatos, reafirmando a escola e o território como espaços de proteção, aprendizagem e futuro, e não de medo e abandono.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.

O feminino na irmandade da Santa Casa

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Em 14 de março, ao completar seus 165 anos de existência, a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza já tinha decidido, por aclamação da Assembleia Geral Ordinária, escolher a primeira mulher para ocupar a Provedoria da instituição, no triênio 2026-2029.

Destacamos essa característica de pioneirismo da Irmandade: na radiologia, obstetrícia, tratamento da tuberculose, serviço de urgência, além do apoio à Faculdade de Medicina do Ceará e ao Curso de Enfermagem das Vicentinas.

Historicamente, as mulheres estiveram presentes nessa história, seja pela figura da Rainha Dona Leonor de Viseu que, em Portugal, criou a primeira Santa Casa, seja aqui pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo (Irmãs Vicentinas), esteio do atendimento humanizado direto aos pacientes da Santa Casa, desde 1861.

Em 1943, com a criação da Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo, com as Irmãs Vicentinas responsáveis pela sua direção, a Santa Casa de Fortaleza passou a funcionar como hospital-escola oficial, o que se manteve com a criação do Curso de Enfermagem da UFC.

Mas, a presença feminina vem desde os primeiros momentos, com as Irmãs Vicentinas presentes na estruturação da Irmandade e na sua consolidação, a partir das bases de enfermagem, humanização e assistência, antes mesmo da profissionalização.

No entanto, a visão patriarcal destinava aos homens os cargos de direção, apesar de ser um serviço que exige muito mais sensibilidade do que formação técnica, com uma visão mais humanizada, o que é mais característico do universo feminino.

Uma simples pesquisa da última relação dos 36 Mordomos, a chamada Mesa Administrativa da Irmandade, mostra a presença de apenas seis mulheres, nenhuma delas entre os oito ocupantes dos cargos da Provedoria.

Para a nova Mesa, foi ampliado esse número para nove mulheres e, o que é mais relevante, quatro ocupando cargos na Provedoria, encabeçadas pela Provedora Magda Busgaib, indício de maior sensibilidade no futuro desta Instituição. Afinal, o trabalho de Magda como a Mordomo responsável pelo Hospital Psiquiátrico São Vicente de Paulo é disto um claro exemplo.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Ariosto, um homem à frente do seu tempo

Por Cláudio Ricardo (*)

O Ceará perde um de seus mais extraordinários homens públicos: Ariosto Holanda. Sua partida entristece profundamente todos os que acreditam no poder transformador da educação, da ciência, da tecnologia e da vida pública exercida com dignidade. Mais do que um gestor, parlamentar ou intelectual, Ariosto foi um verdadeiro visionário, daqueles raros que enxergam antes dos outros o caminho que o futuro exige.

Muito antes de se tornar consenso falar em inovação, qualificação profissional, desenvolvimento científico e inclusão tecnológica, Ariosto já defendia, com firmeza e lucidez, que o Brasil só alcançaria um novo patamar de desenvolvimento se investisse seriamente no conhecimento e na formação de seu povo. Era, acima de tudo, um professor por essência. Tinha o dom de ensinar, inspirar, orientar e mobilizar. Sua vida foi uma permanente aula de compromisso com o futuro.

Na vida pública, destacou-se pela retidão, seriedade e coerência ética. Honrou cada função que exerceu com espírito republicano, respeito ao interesse coletivo e fidelidade aos mais nobres valores do serviço público. Em tempos tão desafiadores, sua trajetória se impõe como referência de integridade e decência.

Mas Ariosto também foi grande no plano humano. Homem de afetos sólidos, cultivou com zelo a família e os amigos, compreendendo que os vínculos humanos são parte essencial de qualquer legado verdadeiro. Sua generosidade, lealdade e sensibilidade marcaram todos os que tiveram o privilégio de conviver com ele.

Entre suas contribuições permanentes, destacam-se a criação e o fortalecimento de instituições como o NUTEC e o CENTEC, a criação do Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, além de inúmeros projetos voltados à educação, ciência, tecnologia e inovação.

Ariosto parte fisicamente, mas permanece vivo em suas ideias, em suas obras e no exemplo que deixa ao Ceará e ao Brasil.

Foi, de fato, um homem à frente do seu tempo.

(*) Professor doutor e ex-reitor do IFCE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.


terça-feira, 21 de abril de 2026

TJA MAIS BONITO PRA CHOVER

Por Izabel Gurgel (*)

O espetáculo nos altos. No térreo, o público de pé olha em direção ao primeiro andar da edificação que, ao lado do Theatro José de Alencar, sediava, então, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Vizinhos, TJA e Iphan.

Ambas em movimento, cena e plateia aqui citadas se realizaram há pouco mais de dez, doze anos. Era programação do Zé de Alencar. O Theatro havia completado cem anos em 2010. Há décadas já existia com uma dimensão para além do desenho do Theatro que Fortaleza inaugurou em 1910. A peça teatral acolhida pelo vizinho Iphan foi um dos modos que o Zé de Alencar fez uso, sobretudo pós-segundo restauro, finalizado em 1991, para estar em interlocução com o pensamento, a imaginação, a necessidade dos dias atuais.

Como tudo que é vivo, que se quer vivo, o que chamamos TJA não cessa de mudar.

Até o comecinho da década de 1970, o Theatro era "só" a edificação histórica, os dois blocos mediados por um pátio. O da fachada, todo em alvenaria, e o da sala de espetáculo com estrutura metálica. Sai de cena o vizinho do outro lado, instituição pública ligada à saúde. A área recebe o que se tornou a primeira versão do jardim, já um projeto do escritório do paisagista Burle Marx.

Em janeiro de 1991, reabre restaurado, com um outro desenho de jardim, a caixa cênica tinindo de nova, com mais amplitude e equipada, bastidores com qualidade de uso para trabalhadoras, trabalhadores. O campo das artes é canteiro de obra. Chão de muito serviço. A inserção da "cortina de vidro" talvez seja uma das mudanças melhor sentidas pelo público. Tornou possível o fechamento que permite a climatização da sala de espetáculos sem comprometer a visualização do monumento.

O TJA aguarda um restauro integral. Será o seu terceiro. Quando do segundo, existia a ideia de desapropriar a quadra onde está o TJA, deixando-o abraçado por jardins, áreas livres, com passagem direta para a Casa Juvenal Galeno; contemplado com espaços de estudo, pesquisa, guarda de acervos etc., espaços passíveis de oxigenar o tanto de vida que ali pode e precisa florescer. O prédio anexo, com entrada também pela rua 24 de Maio, foi um primeiro suspiro.

Dá gosto pensar que um novo caminho se abre com a incorporação, pelo TJA, da antiga sede do Iphan. É uma conversa entre Governo do Estado e UFC, que já conversaram quando do destino da área onde está o atual "anexo". Uma instituição de ensino, pesquisa e extensão como a UFC, desde o início ela própria campo para as artes, pode tocar melhor ainda o modo singularmente bonito de expansão do TJA para abrigar e abraçar o que não pode nem deve ser contido.

Os pés de jasmim e castanhola do antigo Iphan estão em festa. E não só pela chuva. Viva São José. E Viva o Zé.

P.S.: E bora ver outro nome para o terminal de transporte ali vizinho. Antes que toque o terceiro sinal e comece o espetáculo.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/03/26. Vida & Arte, p.2.

 

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