quarta-feira, 1 de julho de 2026

ONDE E O TEMPO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Perguntei ao onde:

- Onde estou?

- Aqui, respondeu-me ele.

- Mas, eu não sei onde estou, como posso saber o que é aqui?

O onde calou-se…

O tempo soprou

Soprou, soprou e soprou.

Então, perguntei ao vento:

- De tanto soprares, jogaste-me mais longe do onde.

O vento não respondeu:

- Tão longe estou do onde, que nem mesmo me vejo.

Com isto, o vento interveio:

- Mas, sabes quem és tu.

- Não, não sei. Não me sei, porém, vejo-me perdido. Mas, não me interessa saber, pelo menos, por agora.

Fez uma pausa. Calou-se.

- Se não sabes quem és tu, por que queres saber o ‘onde’? questionou-me o tempo. O caminho faz-se com a razão. Ela o indica e somente ela pode dizer-te onde estás.

Nisso, o onde volta ao cenário:

- Não posso dizer-te onde está o ‘onde’. Pois, o ‘onde’ anda perto do ‘sou’. E se não sabes o teu ‘sou’, de que adianta buscar o onde? Faze-o em vão.

Fiquei mudo.

E continua o onde:

- Estás louco? Não vês que o teu ‘sou’ é que define e determina o ‘onde’? Caso não saibas o teu ‘sou’, nunca encontrarás o ‘onde’.

- Não consigo entender.

O onde esboçou um riso de ironia.

Foi aí que o tempo falou:

- Não entendes porque não te entendes. E, se não te entendes, como queres entender o ‘onde’?  Ele nem está em mim, mas no esconderijo de tuas narinas.

- Minhas narinas? Quem o colocou nelas?

 O tempo ri, sarcasticamente:

- Estás com amnésia? Com Alzheimer? Ou tua desídia és tu mesmo?

Meu rosto enrubesce e meu corpo tensiona:

- Tua acusação me desonra e me atinge como cruel verdugo a açoitar suas vítimas. Como podes acusar-me de mim mesmo?

E o vento volta a assoprar. Não, agora ele assovia um refrão:

- Eu sou Noto. Lá do Mediterrâneo vi teu surto e corri a ajudar-te quebrar alguma corrente, mas percebo que és cabeçudo.

E com uma canção nos lábios:

- O que passou, passou / Teu sou ficou no passado. / O hoje não é presença, teu passado não passou. / O onde também ficou / na esquina do passado. / Se não recuperares, de novo, / o sou que faz o teu onde / o que seria não será mais.

E termina com melancolia:

- O que foi não é, o que é já foi, e o que será seria. O foi não foi, o é não veio e o será em coma adormeceu.

Assustei-me com tal premonição. A raiva deu lugar ao remorso. Incontinenti aos dois eu falei:

- Há uma dor doendo em mim. Grande dor. Não sei onde está, nem de onde veio, mas sinto que me queima.

O onde interveio:

- Se te queima, tu a sentes. E, se a sentes, segue-lhe o rastro e encontrarás o onde.

E o tempo:

- E, lá, no onde, se investigares profundo, darás de cara com o teu ‘sou’.

E lá me fui eu, em busca de mim e de minha orquestra, lá, onde  o onde pode encontrar o sou.

Então, voltei a sonhar e a alegria retornou, minha vida saltando para dentro de mim.

Encontrei o ‘onde’ e descobri o ‘sou’, no seio de mim e na plataforma do tempo.

Vitória do sofrimento, que somente eu vivi, vitória, que somente eu pude ver, curtir e viver. E mais ninguém viu, nem sentiu.

Sem fé em mim, perco o sentido da fé em Deus e a convivência fraterna de paz, partilha e amor, naufraga no orgulho e ousadia de ‘ser’ o que não sou, de não saber ‘onde’ estou e de chegar aonde eu não sei.

Mundus a me transit, sed huius  mea visio a me nascit. Mundum non poneo, sed  in eo interago principiis meis ac valoribus, quomodo sum. Ergo, primum ordo me cognoscere. (O mundo passa por mim, mas minha visão dele nasce dentro de mim. Não posso criar o mundo, mas nele interajo, a partir de meus princípios e valores, como eu sou. Daí que a primeira coisa a fazer é me conhecer).

Uma boa terça-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 26/05/26.


Gravidez tardia, estilo de vida e síndrome de Down

Por Evangelista Torquato (*)

A gravidez tardia deixou de ser exceção e passou a fazer parte da realidade de muitos casais. Motivos profissionais, estabilidade financeira e mudanças sociais levaram pessoas a postergar o projeto de ter filhos. No entanto, é essencial compreender como a idade e o estilo de vida impactam a fertilidade e os riscos genéticos, entre eles a síndrome de Down, para que decisões sejam tomadas com informação e responsabilidade.

Do ponto de vista feminino, o avanço da idade está diretamente relacionado à diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos. Após os 35 anos, e de forma mais acentuada após os 40, aumenta o risco de alterações cromossômicas nos óvulos, elevando a probabilidade de embriões com aneuploidias, incluindo a trissomia do cromossomo 21. Já no homem, embora a produção de espermatozoides seja contínua, o envelhecimento também traz impactos importantes, como maior fragmentação do DNA espermático e alterações genéticas associadas à idade.

O estilo de vida exerce papel fundamental nesse cenário. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo, estresse crônico e noites mal dormidas afetam diretamente a qualidade dos gametas femininos e masculinos.

Felizmente, a medicina reprodutiva avançou de forma significativa. Métodos como a fertilização in vitro permitem avaliação criteriosa dos embriões antes da transferência ao útero. O teste genético pré-implantacional é hoje uma ferramenta eficaz para identificar embriões cromossomicamente normais, reduzindo riscos e aumentando as chances de uma gestação saudável. Além disso, estratégias como o congelamento de óvulos em idades mais jovens e o acompanhamento individualizado do casal contribuem.

Falar sobre gravidez tardia não é estimular o medo, mas promover consciência. Informação, planejamento e acompanhamento especializado permitem que pessoas façam escolhas alinhadas aos seus desejos e à ciência. A tecnologia não elimina riscos, mas oferece caminhos mais seguros para quem sonha em formar uma família, mesmo com o passar do tempo.

(*) Ginecologista com atuação em reprodução humana.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/06/2026. Opinião. p. 18.

terça-feira, 30 de junho de 2026

LEITURAS NO CÉU DA BOCA

Por Izabel Gurgel (*)

Brincamos, entre pessoas queridas, sobre testes de vida que podem ser feitos antes de tocar nossos enterros.

No meu caso, os últimos a serem feitos são simples como dizer até logo no dia-a-dia.

Pertinho do caixão, alguém comenta sobre um livro que está lendo. Fala com o entusiasmo das criaturas doidas por livro e leitura. Vislumbra o outro fruindo da graça de ler o dito cujo citado para, de fato, saber, sentindo, o que um irmão de "A Casa" (Natércia Campos), "Yuxin" (Ana Miranda), "Um defeito de cor" (Ana Maria Gonçalves), "O infinito em um junco - A invenção dos livros no mundo antigo" (Irene Vallejo) pode fazer nas veredas de alguém em estado de leitura, vasto sertão. A pessoa falante arremata o comentário: "Será que a Izabel leu? Não lembro de ter comentado com ela...".

Outra prova pode se dar com a mesma criatura leitora, desde que tenha a fome de viver para quem a gula é promessa de paraíso, uma biblioteca a ser incorporada. Aquela criatura que, saindo da sorveteria do Juarez (a da Barão de Studart), ainda que reconhecendo as mudanças no sorvete dos sorvetes de Fortaleza (e se não mudar, não há como permanecer, sabemos), a tal criatura quer nem que seja só uma mordida do picolé rosa choque avistado nas mãos de uma passante. Não importa se acabou de tomar um ou dois sorvetes, e lembrou do Juarez, ampliando os sentidos do termo presente, abrindo um freezer depois do outro e, de colherzinha na mão, vir ensinar a fazer de cada prova de sabor uma festa no céu da boca. Cajarana, capim santo, cajá tão felizes por encerrar a vida vegetal virando sorvete do Juarez.

Cheia da fome de viver, ao pé do meu caixão, a pessoa convida outra para um café com bolo da Walma Laena, tapioca da Lalá, ou pão de chapa de rua, tão passado que afina e nos faz pensar em papel manteiga. Se for amiga da onça, a pessoa falante vai saber cutucar diretamente a finada, sem vara. Pode citar o bolo de caco cuja lembrança fez Seu Nery - cozinheiro na casa de Arneiroz que ele transformou em pousada - inventar um passeio com a hóspede até o Planalto, na zona rural. Ele dirigindo não só o carro, mas dando ao deus do acaso a vez de manobrar o passeio para chegarem à casa de uns conhecidos bem na hora de festejar o calor da tarde, na calçada alta, com café que a gente precisa soprar antes de tomar. A mãos-de-fada dona da morada na rodagem estava botando na janela a travessa de bruaca de farinha de milho. Reluzia o açúcar com canela.

O outro teste de vida é tocar ou cantarolar "Reconvexo" na voz da Maria Bethânia ou uma canção de Carnaval com letra do Fausto Nilo. Pode ser baixinho.

Nas três provas, se a finada não levantar do caixão, pode tocar o enterro. Está mortinha da silva. E talvez danada por perder a volta do cemitério, entre pessoas muito queridas. Que sabem estar ao redor de uma mesa, ao pé de um balcão, ou em alguma beirada do mundo, olhando o tempo.

Mas tem gente que não sabe brincar.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/05/26. Vida & Arte, p.2.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O legado do XV Consad: governança multinível e as transformações tecnológicas

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

A governança multinível refere-se ao sistema que apoia a formulação de políticas e a tomada de decisões entre os governos nacionais, regionais e locais. Quando esses diferentes níveis de governo atuam de forma integrada, as políticas públicas têm maior probabilidade de sucesso, promovendo desenvolvimento em todos os lugares. No Brasil, a expressão é traduzida como governança interfederativa.

O avanço tecnológico tem transformado significativamente as interações entre a Administração Pública e os cidadãos, ampliando tanto a disponibilidade quanto a capacidade de gerenciamento de dados. Esse progresso possibilita decisões mais rápidas, simplifica tarefas cotidianas e viabiliza a prestação de serviços em tempo real, entre outros benefícios.

As discussões sobre governo multinível e transformações tecnológicas nortearam o XV Congresso Consad considerado o maior evento de gestão pública do Brasil e da América Latina. Pela primeira vez, o encontro foi realizado fora de Brasília.

O Ceará sediou o evento entre os dias 20 e 22 de maio, reunindo ministros, prefeitos, especialistas internacionais e mais de 3.100 participantes. Importantes instituições de pesquisa e ensino na área da administração pública estiveram presentes, entre elas, o Insper, a Fundação Getúlio Vargas, a Fundação Dom Cabral, a Universidade de São Paulo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada.

O encontro também contou com uma seção específica destinada aos projetos de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, com a apresentação de iniciativas desenvolvidas pelos estados no campo das transformações tecnológicas.

Pesquisadores de todo o país tiveram a oportunidade de apresentar trabalhos científicos voltados à gestão pública. Ao todo, foram submetidos 1.386 resumos, resultando na aprovação de 400 artigos. O congresso também promoveu palestras com 31 especialistas, entre elas a apresentação "Mulheres em posições de liderança no setor público", conduzida pela ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia.

Com poesia e emoção, a edição histórica do Congresso Consad foi encerrada pelo escritor e poeta cearense Bráulio Bessa. Em uma fala marcada pela sensibilidade, ele resgatou a força de suas origens e destacou a importância da resiliência ao afirmar que, em sua trajetória, substituiu a letra "D" de desistir, pela letra "R", de resistir. Como declamou o poeta:

"Acredite no poder da palavra desistir.

Tire o D, coloque um R, que você tem que resistir.

É uma pequena mudança

Que nos enche de esperança

E faz a gente seguir.

A vida não é tão fácil,

Viver não é sorrir.

A lagarta que rasteja,

Rasteja para evoluir.

Se transforma em borboleta

Depois voa por aí."

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 28/05/26. Opinião. p.17.


domingo, 28 de junho de 2026

ICC recebe equipamento para radioterapia de alta precisão para tratamento contra câncer

Por Ana Rute Ramires, jornalista de O Povo

Equipamento foi entregue pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Agora Tem Especialistas, na tarde dessa terça-feira, 23

O Instituto do Câncer do Ceará (ICC) - Hospital Haroldo Juaçaba passa a contar com um acelerador linear Halcyon, um equipamento de alta tecnologia que realiza radioterapia com mais precisão e rapidez. Além do acelerador, no valor de R$ 7 milhões, outros novos equipamentos estão sendo incorporados pelo hospital.

Equipamento foi entregue pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Agora Tem Especialistas, na tarde dessa terça-feira, 23/06, no ICC, com a presença do secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales.

Ele explica que precisa ser feito um bunker — uma estrutura de concreto para a radiação — que custa mais R$ 4,5 milhões.

"Também estamos investindo na formação de radioterapeutas, físicos, médicos que são necessários para esse processo. E esse equipamento precisa ter um conjunto de outros equipamentos associados", detalha.

O acelerador linear permite a realização de tratamentos guiados por imagem com maior velocidade e precisão. Com isso, as sessões de radioterapia são mais rápidas e eficientes e o paciente permanece por menos tempo no equipamento.

O sistema permite localizar com exatidão a região a ser tratada antes de cada sessão, garantindo que a radiação seja direcionada ao tumor com máxima precisão e preservação dos tecidos saudáveis ao redor.

Ele explica que unidade também recebeu um PETscan, "que é um equipamento para fazer o rastreio com muita precocidade em relação à possibilidade do aparecimento do câncer ou para identificar o tratamento que foi satisfatório e resolutivo ou se teve uma recidiva em tempo adequado e de maneira muito precoce".

Entre os equipamentos incorporados ao ICC, estão a gama-câmara para medicina nuclear, utilizada em exames que avaliam o funcionamento de órgãos e tecidos por meio da utilização de radiofármacos, e um novo tomógrafo de alta performance.

Há um pleito de um aparelho de ressonância nuclear magnética no ICC. "São dois tomógrafos, seis aceleradores lineares e nós entendemos que uma instituição como essa é muito importante ter um aparelho de ressonância nuclear magnética", afirma Mozart Sales.

Nesta terça, outros dois aceleradores lineares foram entregues pelo ministério em São Paulo (SP) e em Sinop (MT). As entregas fazem parte do Programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS).

Fortaleza adota sistema inovador para rastreamento de pacientes com predisposição ao câncer

Na ocasião, foi assinado um Termo de Cooperação para implantar em Fortaleza um sistema inovador voltado para rastreamento de pacientes com predisposição ao câncer. O compromisso foi firmado pelo prefeito Evandro Leitão, com o secretário do MS, Mozart Sales, e com Caio Juaçaba, CEO do Grupo Instituto do Câncer do Ceará (ICC).

O sistema Korina, desenvolvido pelo ICC, fará o cruzamento de dados com o histórico dos pacientes acompanhados na Rede de Atenção Primária à Saúde de Fortaleza.

Por meio dessa integração, será possível identificar moradores com maior risco de desenvolver doenças oncológicas, permitindo o fortalecimento de ações preventivas e o acompanhamento adequado desses pacientes.

A expectativa é rodar o sistema nos próximos meses na Capital e, posteriormente, estender para outros municípios do estado do Ceará.

"Nossa pauta estratégica é que a gente consiga detectar esse câncer mais precocemente através do rastreio junto aos pacientes do município e do estado do Ceará através de inteligência artificial", afirma Caio Juaçaba.

"A identificação desses pacientes para que a gente possa acolhê-los e tratar o quanto antes, para que a gente evite tanto a questão de um maior custo no futuro, como também uma melhor qualidade de vida para esse paciente", acrescenta Riane Azevedo, secretária de Saúde de Fortaleza.

Hospital

O ICC é referência estadual para diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos do câncer

Fonte: O Povo, de 24/06/26.Cidades. p.14.


sábado, 27 de junho de 2026

A ascensão de Jesus e a missão de comunicar a boa nova

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

O mês de maio ocupa um lugar especial na vida da Igreja e na devoção popular. Tradicionalmente, é reconhecido como o mês de Maria, tempo em que os fiéis intensificam sua oração mariana, especialmente através do Rosário, e rendem homenagens à Mãe de Deus, modelo de fé e entrega. Ao mesmo tempo, maio é também o mês das mães, ocasião em que celebramos aquelas que, à semelhança de Maria, acolhem a vida, cuidam e se doam com amor silencioso e perseverante.

Mas, neste ano, maio também é marcado pela celebração da Ascensão do Senhor.

"Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado ao céu. Eles, então, o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria" (Lc 24,51-52).

A Ascensão de Jesus não é uma despedida, mas a plenitude da sua missão. Ele sobe ao Pai levando consigo nossa humanidade, abrindo para nós o caminho da vida eterna. Ao mesmo tempo, confia aos discípulos (a todos nós), a missão de anunciar o Evangelho "até os confins da terra" (At 1,8).

A cena é marcante: os discípulos olham para o céu, mas logo são chamados a olhar para a terra, para o mundo real, onde devem testemunhar a Boa Nova. A Ascensão nos recorda que comunicar a fé é parte essencial da missão da Igreja.

Não por acaso, a Igreja em sua sabedoria guiada pelo Espírito Santo, escolheu o domingo da Ascensão para celebrar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, instituído pelo Concílio Vaticano II. A lógica é clara: assim como os discípulos foram enviados a anunciar, também nós somos chamados a usar os meios de comunicação para irradiar Cristo vivo.

"Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15).

A comunicação é ponte entre pessoas, culturas e gerações. É missão, é serviço, é testemunho.

No mundo atual, marcado por redes sociais, inteligência artificial e algoritmos, a Igreja insiste que comunicar não é apenas transmitir dados, mas preservar a dignidade humana, por isso o Tema escolhido para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2026: "Preservar vozes e rostos humanos".

Vivemos em uma era de avanços tecnológicos sem precedentes. O mundo digital nos oferece ferramentas incríveis, mas também nos apresenta um risco silencioso: o de perdermos o que nos torna únicos. Como nos adverte o papa Leão XIV, em meio a tantas vozes sintéticas e rostos gerados por máquinas, a Igreja é chamada a ser a guardiã do encontro real.

Jesus, ao subir aos céus, confiou a missão a pessoas de carne e osso. Ele não enviou conceitos abstratos, Ele enviou vozes que tremiam de emoção, que tinham sentimentos e rostos que manifestavam a alegria do Ressuscitado. A Ascensão nos ensina que a comunicação cristã nunca será apenas técnica; ela é, acima de tudo, a transmissão de uma vida por meio de uma presença humana.

O rosto e a voz são sinais únicos da identidade de cada pessoa. Preservá-los significa não reduzir o ser humano a dados ou figuras sem alma.

Preservar vozes e rostos humanos significa lutar para que a tecnologia nunca substitua o calor do abraço, a verdade do olhar e a singularidade da alma de cada filho de Deus.

Preservar a Voz: Que a nossa comunicação não seja o eco frio de mensagens prontas, mas a voz que consola, que denuncia a injustiça e que anuncia a misericórdia com a ternura que só o coração humano possui.

Preservar o Rosto: Que nas nossas redes sociais e nas nossas pastorais, o rosto do irmão sofredor, do idoso e do jovem não seja ocultado por filtros ou indiferença. Devemos ver Cristo no rosto de cada pessoa que encontramos.

Jesus, o Verbo feito carne (Jo 1,14), comunicou o amor de Deus com sua voz e seu rosto humano. Ele olhou nos olhos, chamou pelo nome, tocou os corações, façamos o mesmo.

A todas as mães, meu fraterno abraço. Deus as abençoe!

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 16/05/2026. Opinião. p.22.


CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Junho/2026

 

 A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de junho/2026, que será realizada HOJE (27/06/2026), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas

 

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