Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
- Amizade possessiva e pegajosa.
Na verdade, um conflito interior de
carências e de baixa autoestima, busca, incessantemente, uma tábua de garantir
alguma segurança, uma vez que a instabilidade emocional cobra, de maneira
possessiva, tornando-se insana obsessão. O ciúme enverga o rigor do bastão do
controle, com investidas contra até mesmo um sorriso inocente. Este tipo
doentio de amizade não abraça, prende; não dialoga, impõe; não confia, sufoca.
Atitudes, que tentam isolar até mesmo do círculo de familiares. Trata-se de uma
amizade, que consome e que pode chegar a níveis, altamente, perigosos.
Características, que apontam tal amizade: chantagem emocional, invasão de
privacidade, vitimização e outras.
- Amizade subserviente e dependente. Esta
modalidade também é disfuncional. Enquanto uma parte desdobra-se em servir e
ser agradável, a outra parte não reage com cumplicidade, ou seja, não há
mutualidade. Há uma carência e uma dependência emocional, com forte medo de
perda, se não permanecer, irrestritamente, ‘servil’; e uma ansiedade
angustiante termina por uma anulação pessoal, cedendo a atitudes abusivas. Cedo
ou tarde, vem o desgaste pelo desequilíbrio ‘inter pares’.
- Amizade dominadora. Pior que ‘um chato de
galocha’, esta amizade tóxica é própria de pessoas autossuficientes, egoístas e
orgulhosas, com laivos de narcisismo. Determina regras e cobra atitudes,
chegando a impor sua vontade, seus valores e suas opiniões. Aponta defeitos,
estabelece limites e trata a outra parte como ‘tabula rasa’. Não há espaço para
diálogo, nem para críticas.
- Amizade interesseira. Enquanto ferve a
panela, prospera a amizade. Na verdade, não há traços vinculantes de afeto, nem
dança de empatia. O móvel deste relacionamento é a conveniência para um ou para
ambos. A aproximação está sujeita a necessidades, ou seja, quando surgem
problemas, sendo que, na maioria das vezes, também não há reciprocidade, se é a
outra parte que está precisando de apoio.
- Amizade predadora. Este modal pode-se
dizer que é o extremismo do anterior. Os motivos que levam a este tipo são
diversos, inclusive a vingança e a inveja, no sentido de falsear sentimentos
para extrair vantagens excessivas, que minam bens, segurança e podem anular
sonhos e conquistas pessoais. A máscara de empatia busca barganhar confiança da
outra parte, com o objetivo de manipular e explorar: dourar a pílula não
transforma em ouro ouropel.
O predador intenta anda isolar a pessoa de
amigos e de familiares, que possam denunciar a exploração.
Nada, portanto, mais triste e deprimente,
quando toda uma afeição amigável é contrastada pela hipocrisia e traição de
quem se tinha a certeza de que fluía uma verdadeira amizade e sincera.
Nossa contingência, sabe-se, exibe uma
caixinha de surpresas, que orquestram nossas fragilidades, mas norteiam também
nossas qualidades, ainda que idiossincrasias internas possam ocultar algumas
ou, infelizmente, quase todas. E tudo isso tem um balizamento pelo nosso livre
arbítrio, o qual, por sua vez, atende aos alicerces que fundamos no nosso ser e
nos torna responsáveis pela amizade que cativamos, como diz o Pequeno Príncipe.
Enfim, a amizade precisa aprender que a
atitude do amigo deve ser mais compreensível do que repreensível, porém sem se
furtar, tampouco omitir-se em momentos necessários. E, mais do que isso, a
prudência deve conjugar-se com a sabedoria, ao compreender que cultivar uma
amizade é tomar consciência de que neste jardim, não florescem rosas sem
espinhos e que os espinhos falam da humildade e simplicidade, ao lado das
rosas, que exalam prazer e alegria. Sem essa consciência assumida, não é de
estranhar que se pode perder num minuto uma amizade de muitos anos, talvez, sem
mesmo dar tempo de ouvir o ‘canto do cisne’, porque a hora não demora.
Dignidade humilhada e ferida, triste
amizade perdida.
E, no caminho, que não se ouça nenhum
aboio, porque a toada é do apoio afetuoso, que anda ao lado.
Uma saudável quinta-feira, com as bênçãos
de Deus e a proteção de Maria!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 25/06/26.
