Por Rita Fabiana Arrais (*)
A sala de aula é
um dos melhores lugares para uma professora de economia aprender mais sobre a
sua região e os problemas que permeiam o cotidiano de cada aluno que sonha
alcançar - por meio do curso superior - à emancipação financeira.
É visível a
angústia com que questionam a situação econômica do seu município, ao mesmo
tempo em que buscam qualificação para atuar em um grande centro urbano.
Por que no meu
município não tem emprego? Esse questionamento é necessário para compreendermos
que o atraso estrutural dos municípios, a curto prazo, os torna financeiramente
endividados e dependentes de empréstimos federais.
Na Região
Metropolitana do Cariri esse debate acirra-se em período eleitoral a fim de
encontrar respostas para a invisibilidade de alguns municípios que permanecem
com baixíssimos indicadores socioeconômicos, dificultando a captação dos
investidores privados.
Esses indicadores
(renda, nível educacional, taxa de desemprego, saúde, saneamento, estradas
etc.) são imprescindíveis para atrair capital para o município, pois mostram
não só a economia, mas as condições reais da população e do mercado consumidor.
É importante
pensarmos na RMC para além do Crato-Juazeiro-Barbalha, visto que a concentração
de investimentos públicos e privados acelera a desigualdade interna.
No ano de 2024, o
Cariri tinha 27 cidades com Índice de Desenvolvimento Socioeconômico na linha
da pobreza, como por exemplo: os municípios de Abaiara, Potengi e Caririaçu.
Esses dados
revelados dos Índices Firjan (2025) corroboram para o aprofundamento do debate,
a fim de buscar soluções para encurtar a distância dos municípios menos
desenvolvidos para o polo mais dinâmico.
A desigualdade
interna avança pela Chapada do Araripe e exige uma mudança na rota dos
investimentos públicos para que haja possibilidade de diversificação
econômica nesses municípios, evitando a cristalização das atividades
econômicas voltadas para o pequeno comércio e o setor público.
Será que podemos
pensar no Cariri mais integrado? E como podemos expandir a economia do Crajubar
beneficiando o entorno? Esses gargalos que são perceptíveis não ocupam a esfera
do problema fácil de se resolver.
Para modificar o
cenário, é preciso trabalho conjunto. Não é só uma questão de dinheiro em
abundância. É preciso as Parcerias Público-Privadas conectando as cadeias
produtivas locais às grandes empresas.
Como diz a
professora: sua cidade pode ser produtiva utilizando as ferramentas que se tem
de melhor, mas é preciso que você retorne com mais conhecimento e ajude a
transformar essa realidade.
(*) Economista.
Fonte: O Povo, de 10/04/26. Opinião. p.21.

