Aplicando um ‘aí dentro!’ no
centro de Londres
Das
Chagas e Tabosa, compadres hoje aposentados, amigos do Colégio 7 de Setembro -
tempos do Dr. Edilson Soares Brasil. Solângela, filha primeira de Das Chagas,
orgulho do pai, casou-se faz já algum tempo e mora na capital da Inglaterra,
para onde foi o pai, "mês trasado", a convite dela, para "beber
o mijo" de Chagas Neto nascido há pouco.
-
Vem, pai! Aqui é maior que o Pacoti! Tem até pizza!
Das
Chagas foi, e deu o maior ponto. Porém, teve um porém - conforme consta do
áudio que enviou pra Tabosa ainda em solo europeu, a mim encaminhado só pra eu
me abrir da marmota.
-
Macho, a Sol me levou pra conhecer a torre dum tal relógio do Big 'Bento' e eu
quase saio no tabefe com um brancão lá, caba escovado, metido a mudo, se
fazendo de estauta. Pensou que me enganava! Enquanto Solângela foi pegar uma
água mineral - peste de cidade quente aquela, eu futurei falar com um soldado
do chapéu preto bem grande, que parece uma casa de cupim, peluda. O samango véi
num se bole, num faz pantim... Eu dou por vista se der uma coceira nos ovos,
quem é que vem coçar por ele?"
Das
Chagas continua empolgado o recado gravado, passando pros finalmente de um
relato empolgado que, confesso, por pouco não causaria um embaraço diplomático
entre o Brasil e o país da finada rainha Elizabeth.
-
Macho, como a gente aqui no Ceará é muito dada, eu sapequei um 'rauáriu!!!' na
cara dele e tu me acredite que ele nem piscou os ói!?! 'Rauariei' umas cinco
vezes na cara dele e nada. Antes que Sol chegasse com a água, me enfezei e sabe
o que eu falei pra ele? Aí dentro, nessa loca de jumento!
E
finalizou o áudio:
-
Ele só não deu uma carreira em mim porque a espingarda era muito pesada!...
Histórias de Dedé Odrin
Nosso
vetusto fabricante de veneno pra rato me mandou essas três historinhas:
1
- Arrumei uma criatura acolá e a mulher descobriu. Cheguei em casa cheirando a
Charisma e ela veio esparrar:
-
Raparigando de novo, né seu Dedé!?!
-
Minha filha, aguente que é só uma fase!
2
- Dona Jarina, a tal mulher de Dedé, não tinha nome pra botar no menino dela
que acabará se nascer, tem uns 20 anos isso, e um amigo do casal, o Carlos
Panariço, sugeriu:
-
Conheço um doído em Quixadá que se chama Alfredo... Bota esse nome no menino de
vocês!
-
Alfredo, Alfredo... Belo nome! - defendeu Dedé.
E
botaram o nome do menino de Alfredo. Hoje com 45 anos, gordo e corado.
3
- Tem gente que faz análise para não ficar doido. E eu quero um doutor desses
pra ficar mental do juízo. Tô muito certim da cabeça, pro meu gosto!
Cearensês novíssimo
-
A três por dois mil - Muito, demais - gente, coisa.
-
Acender vela pra defunto ruim - Coisa mais sem futuro do mundo - perder
tempo com o que (quem) não presta.
-
Acordei de manhã, o canto mais limpo!!! - Acordei, que cacei o cachorro, o
bicho tinha ido embora, com coleira e tudo!
-
Agora deu!!! - Agora pronto! Marrapaz, num tô dizendo mesmo! Interjeição
de espanto que equivale a "nossa!", "arre égua!"
Fonte: O POVO, de 27/03/2026. Coluna
“Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.