Por Pe.
Reginaldo
Manzotti (*)
O mês de maio ocupa um lugar especial na
vida da Igreja e na devoção popular. Tradicionalmente, é reconhecido como o mês
de Maria, tempo em que os fiéis intensificam sua oração mariana, especialmente
através do Rosário, e rendem homenagens à Mãe de Deus, modelo de fé e entrega.
Ao mesmo tempo, maio é também o mês das mães, ocasião em que celebramos aquelas
que, à semelhança de Maria, acolhem a vida, cuidam e se doam com amor
silencioso e perseverante.
Mas, neste ano, maio também é marcado
pela celebração da Ascensão do Senhor.
"Enquanto os abençoava, afastou-se deles
e foi levado ao céu. Eles, então, o adoraram e voltaram para Jerusalém com
grande alegria" (Lc 24,51-52).
A Ascensão de Jesus não é uma despedida,
mas a plenitude da sua missão. Ele sobe ao Pai levando consigo nossa
humanidade, abrindo para nós o caminho da vida eterna. Ao mesmo tempo, confia
aos discípulos (a todos nós), a missão de anunciar o Evangelho "até os confins da
terra"
(At 1,8).
A cena é marcante: os discípulos olham
para o céu, mas logo são chamados a olhar para a terra, para o mundo real, onde
devem testemunhar a Boa Nova. A Ascensão nos recorda que comunicar a fé é parte
essencial da missão da Igreja.
Não por acaso, a Igreja em sua sabedoria
guiada pelo Espírito Santo, escolheu o domingo da Ascensão para celebrar o Dia
Mundial das Comunicações Sociais, instituído pelo Concílio Vaticano II. A
lógica é clara: assim como os discípulos foram enviados a anunciar, também nós
somos chamados a usar os meios de comunicação para irradiar Cristo vivo.
"Ide por todo o mundo e proclamai o
Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15).
A comunicação é ponte entre pessoas,
culturas e gerações. É missão, é serviço, é testemunho.
No mundo atual, marcado por redes
sociais, inteligência artificial e algoritmos, a Igreja insiste que comunicar
não é apenas transmitir dados, mas preservar a dignidade humana, por isso o
Tema escolhido para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2026: "Preservar vozes e
rostos humanos".
Vivemos em uma era de avanços
tecnológicos sem precedentes. O mundo digital nos oferece ferramentas
incríveis, mas também nos apresenta um risco silencioso: o de perdermos o que
nos torna únicos. Como nos adverte o papa Leão XIV, em meio a tantas vozes
sintéticas e rostos gerados por máquinas, a Igreja é chamada a ser a guardiã do
encontro real.
Jesus, ao subir aos céus, confiou a
missão a pessoas de carne e osso. Ele não enviou conceitos abstratos, Ele
enviou vozes que tremiam de emoção, que tinham sentimentos e rostos que
manifestavam a alegria do Ressuscitado. A Ascensão nos ensina que a comunicação
cristã nunca será apenas técnica; ela é, acima de tudo, a transmissão de uma
vida por meio de uma presença humana.
O rosto e a voz são sinais únicos da
identidade de cada pessoa. Preservá-los significa não reduzir o ser humano a
dados ou figuras sem alma.
Preservar vozes e rostos humanos
significa lutar para que a tecnologia nunca substitua o calor do abraço, a
verdade do olhar e a singularidade da alma de cada filho de Deus.
Preservar a Voz: Que a nossa comunicação
não seja o eco frio de mensagens prontas, mas a voz que consola, que denuncia a
injustiça e que anuncia a misericórdia com a ternura que só o coração humano
possui.
Preservar o Rosto: Que nas nossas redes
sociais e nas nossas pastorais, o rosto do irmão sofredor, do idoso e do jovem
não seja ocultado por filtros ou indiferença. Devemos ver Cristo no rosto de
cada pessoa que encontramos.
Jesus, o Verbo feito carne (Jo 1,14),
comunicou o amor de Deus com sua voz e seu rosto humano. Ele olhou nos olhos,
chamou pelo nome, tocou os corações, façamos o mesmo.
A todas as mães, meu fraterno abraço.
Deus as abençoe!
(*) Fundador e presidente da
Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de
Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 16/05/2026.
Opinião. p.22.

