segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Lavagem nasal não causa mastoidite

Por Daniel Pinheiro (*)

O recente internamento de um comunicador cearense  por mastoidite aguda despertou preocupação e gerou um debate nas redes sociais. Como ele relatou ter realizado uma lavagem nasal antes do início dos sintomas, muitas pessoas passaram a estabelecer uma relação direta entre o procedimento e a doença. Essa associação, entretanto, não encontra respaldo nas evidências científicas.

A mastoidite é uma infecção do osso localizado atrás da orelha, a mastoide, e quase sempre representa uma complicação de uma otite média aguda. Embora hoje seja incomum graças ao uso dos antibióticos, continua sendo uma condição potencialmente grave, capaz de provocar perda auditiva, meningite e outras complicações quando o tratamento é retardado.

É importante esclarecer: a lavagem nasal com soro fisiológico não causa mastoidite. Pelo contrário, ela é recomendada pelas principais sociedades médicas para o tratamento da rinite e da rinossinusite. Quando realizada corretamente, melhora o funcionamento da mucosa nasal, facilita a eliminação de secreções e pode, inclusive, reduzir a ocorrência de otites, especialmente em crianças.

Como qualquer procedimento, entretanto, exige técnica adequada. O uso de pressão excessiva, principalmente durante episódios de intensa congestão nasal, pode provocar desconforto nos ouvidos e, em situações específicas, favorecer a passagem de secreções para a tuba auditiva. Se houver uma infecção respiratória em curso, isso pode contribuir para o aparecimento de uma otite. A mastoidite, quando ocorre, decorre da evolução dessa infecção do ouvido - não da lavagem nasal.

Criar uma relação de causa e efeito entre a irrigação nasal e a mastoidite pode produzir um efeito indesejado: afastar pacientes de um tratamento simples, seguro e eficaz por medo de uma complicação extremamente rara.

Mais do que procurar culpados, este caso deve servir para reafirmar o valor da informação baseada em evidências. Em tempos de conclusões apressadas, a ciência continua sendo o caminho mais seguro para orientar decisões que envolvem a saúde. Afinal, informação de qualidade também salva vidas.

(*) Médico otorrinolaringologista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/07/2026. Opinião. p.18.


domingo, 30 de agosto de 2026

Causo Médico: A EQUIPE DE DISSECAÇÃO MATRIARCAL

Mesmo tendo decorrido mais de meio século, também temos boas recordações dos saudosos tempos da disciplina de Anatomia Humana, que bem merecem ser compartilhadas.

Valemo-nos aqui para trazer uma lembrança de nossa equipe de dissecação ao tempo em cursávamos a disciplina de Anatomia Humana do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1973.1. Éramos Maria Edsoni Guerra Bezerra, Myria do Egyto Vieira de Sousa, Marcos Sandro Fernandes de Vasconcelos, Marcus Davis Machado Braga e Marcelo Gurgel Carlos da Silva.

Formávamos uma equipe que se diferenciava das demais, pois era a única “matriarcal”: as duas acadêmicas dissecavam o cadáver enquanto os rapazes davam o “apoio moral”, somente cuidando da leitura do livro-texto do Gardner e da visualização do Atlas de Anatomia do Gardner, cabendo as duas, seguindo o manual da dissecção, manejar pinças, bisturis e tesouras.

Recordamos que houve um dia em que as colegas Edsoni e Myria, talvez se sentindo exploradas pelos seus companheiros de equipe, decidiram cruzar os braços para que assumíssemos a dissecação, desprezando a nossa tentativa de convencimento de que elas gozariam da regalia do treinamento que “grosso modo” seria sonegada às acadêmicas de outras equipes.

Foi um horror para os três marmanjos, que pouco rendiam na exploração do corpo humano inerte, o que fez com que as duas estudantes se apiedassem dos viris mancebos e retomassem à prática de desbravar o estudo que nos foi legado por Andreas Vesalius, um seguidor de Aulus Cornelius Celsus, autor De Re Medica, após um longo período de obscurantismo da história da humanidade em que se vedava o exame dos corpos de pessoas falecidas.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio jubilado da Associação Médica Cearense

* Extraído de SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina da UFC 1977-2022: 45 anos de formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro. Fortaleza: Edição do autor, 2022. 160p. p.90.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: a equipe de dissecação matriarcal. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2025 - Edição n.41. p.6-7. (online).


Encontrar Deus nas pequenas coisas: o legado de Santo Inácio

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

No dia 31 de julho, a Igreja celebra Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus e um dos maiores mestres da espiritualidade cristã. Diferentemente do que fazemos ao comemorar aniversários, a liturgia recorda o dia de sua páscoa definitiva, sua entrada na vida eterna. Mais do que recordar uma data, celebramos o testemunho de uma vida que continua iluminando pessoas em busca de sentido.

Vivemos um tempo marcado pela velocidade, pela hiperconectividade e pela dificuldade de permanecer em silêncio. Somos constantemente estimulados a produzir, responder e consumir, mas pouco ensinados a contemplar. É justamente nesse cenário que a espiritualidade inaciana revela toda a sua atualidade. Santo Inácio nos convida a desacelerar, a discernir e a reconhecer que Deus continua presente na simplicidade da vida.

Seu ensinamento mais conhecido, "encontrar Deus em todas as coisas", é um verdadeiro caminho de transformação. Deus não se manifesta apenas em acontecimentos extraordinários ou em momentos de intensa emoção religiosa. Ele também está na mesa compartilhada em família, no trabalho realizado com honestidade, no gesto de perdão, na escuta atenta, na contemplação da natureza e no cuidado com o outro.

Essa espiritualidade torna-se necessária dentro das famílias. Em meio às telas, às agendas cheias e à convivência cada vez mais apressada, corremos o risco de estarmos fisicamente próximos, mas emocionalmente distantes. Santo Inácio nos recorda que a presença é uma forma de amor e que Deus costuma falar nos espaços onde existe atenção, escuta e disponibilidade interior.

Pausa não representa perda de tempo, mas exercício de sabedoria. Quando silenciamos o coração, reorganizamos os afetos e recuperamos a capacidade de perceber a presença amorosa de Deus no cotidiano. Essa também é a inspiração de Tempo de Pausa e Calma: recordar que a serenidade nasce da confiança em Deus e da disposição de viver cada instante com profundidade.

Celebrar Santo Inácio é renovar esse convite. Em um mundo fascinado pelo extraordinário, talvez a maior revolução espiritual seja aprender a reconhecer Deus nas pequenas coisas.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 25/07/2026. Opinião. p.22.


sábado, 29 de agosto de 2026

Evento literário comemorativo dos 85 anos do Sindicato dos Médicos do Ceará

O Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), como um momento muito especial dentro das celebrações de seus 85 anos de história, realizou no Piazza Aldeota, na noite de ontem, 28 de agosto de 2026, o lançamento da obra "Escritos e prescritos: as mãos que curam também escrevem".

Trata-se de um livro, organizado por Vanessa Gomes de Moraes e impresso na Expressão Gráfica, que reúne textos de médicos autores e celebra a sensibilidade, a cultura e a riqueza da produção literária da classe médica.

Dessa antologia literária, participam 20 (vinte) autores, dos quais sete (Edmar Fernandes, Fernando Furtado, Luiz Barbosa, Fernando Melo. Francisco Eleutério, Marcelo Gurgel e Maria Sidneuma) são sócios da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE), sendo os quatro últimos mencionados, também, membros titulares da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes).

Tomei parte dessa obra, publicando o texto: “Nossos elóquios acadêmicos” In: Sindicato dos Médicos do Ceará. Fortaleza: Simec/Expressão, 2026. 144p. p.88-91.

Congratulações merecidas cabem à atual diretoria do Simec e, especialmente, ao seu presidente Edmar Fernandes de Araújo Filho, por tão louvável iniciativa no da cultura.

Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da Sobrames-CE e da Acemes


Sob o manto da mãe do Carmelo

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Há amores que o tempo não apaga. Há experiências de Deus que marcam a alma para sempre. E há devoções que se tornam morada permanente dentro do coração sacerdotal. Assim é minha relação com Nossa Senhora do Carmo.

Sou padre, filho do Carmelo por vocação e amor, hoje diocesano pois a Providência me conduziu pelos caminhos da Igreja e me confiou uma missão diferente daquela que um dia imaginei viver. Contudo, existe algo que nunca deixei para trás: meu amor profundo pela Mãe do Carmelo. Ainda carrego no peito o santo escapulário, ainda me emociono ao ouvir os antigos cantos carmelitas, ainda sinto o perfume espiritual do Carmelo cada vez que pronuncio o nome daquela que sempre considerei minha Mãe, minha Rainha e minha Protetora.

Meu sacerdócio foi consagrado a ela, a Obra Evangelizar é Preciso a tem como Madrinha. E, enquanto eu tiver voz, falarei da beleza da força do escapulário e da ternura da Virgem Santíssima.

Foi Ela quem me tomou pela mão nos dias de prova e quem me conduziu à fonte da compaixão sacerdotal. Ao celebrarmos sua festa, quero partilhar um pouco desse afeto e da graça que recebi, para que outros também encontrem refúgio no manto da Mãe do Carmelo.

Quantas vezes, nos momentos difíceis do meu ministério, segurei o escapulário e rezei em silêncio! Quantas vezes senti que a Virgem do Carmo me sustentava quando minhas forças humanas já não bastavam!

E posso testemunhar: Maria jamais abandona os filhos que a ela se consagram.

Existe uma razão ainda mais profunda pela qual prometi anunciar a Mãe do Carmelo por onde eu passar.

Num tempo de angústia, minha família passou por uma provação, com um diagnóstico de câncer. Foi então que recorri à Mãe do Carmelo e pedi pela minha irmã. Não como padre. Não como alguém forte. Mas como um filho necessitado do colo da mãe. Em oração, clamei à Mãe do Carmo com a simplicidade de quem confia tudo à Sua Mãe. Foi nessa confiança que vi brotar a graça da cura. Não nego a ação dos tratamentos; porém, para nós, aquele restabelecimento teve o caráter de um milagre, uma luz que revelou a presença materna de Maria em meio à nossa dor.

Diante dessa graça intensifiquei minha promessa: por onde eu for, proclamarei o amor de Nossa Senhora do Carmo e recomendarei o escapulário como sinal de consagração e proteção.

Muitas vezes, vejo pessoas usando o Escapulário do Carmo como se fosse um "patuá", ou um simples ornamento. Meus filhos e filhas, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina no parágrafo que a religiosidade popular, como o uso de sacramentais, deve ser uma extensão da vida litúrgica da Igreja (cf. CIC 1674).

O Escapulário é um Sacramental. Diz o Catecismo: "Os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela." CIC (1670).

Quando você coloca o Escapulário, você está dizendo: "Maria, eu sou Teu". É como se você estivesse vestindo a "farda" da Rainha. E uma Rainha nunca deixa um soldado Seu desamparado no meio da batalha.

Por isso, reforço: o escapulário do Carmelo não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda nossa pertença a Cristo por Maria; é chamado à conversão diária, à oração e à perseverança. Vestir-se do escapulário é vestir-se da confiança filial que nos impele a viver segundo o Evangelho.

Nossa Senhora do Carmo nos ensina a contemplação ativa: juntar a oração ao serviço, o recolhimento à caridade, o silêncio à palavra que consola. Ela não é um fim em si mesma, mas a estrada segura que nos leva ao Filho. No Carmelo aprendi que todo gesto mariano deve desembocar no mistério pascal de Cristo - e foi essa verdade que quis levar comigo ao me tornar padre diocesano.

Convido vocês a entregar a vida a Maria: confiar-lhe as angústias, entregar aos cuidados da Mãe, sua casa. Colocar no peito o escapulário como lembrete de uma filial pertença. Quem se entrega verdadeiramente a Maria jamais caminha sozinho.

Que a Mãe do Carmelo, a Virgem que acompanha os passos dos seus filhos, interceda por nós e nos conduza sempre mais perto do seu Filho Jesus.

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 11/07/2026. Opinião. p.22.


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Crônica: A colega doutora ... e outros causos

A colega doutora

Gente boa o Neto, homem de bem com quem é bom estar. Servidor e simpático, sóbrio é esse sujeito maravilhoso; lasca quando toma umas pôde a mais, aí é boneco federal, o que não inibe em absoluto a percepção que dele temos acerca do reconhecido valor humano. Sucede que o amigo, de poucas letras, aprontou de novo e foi chamado a responder processo, aberto pela própria esposa em momento de justificável aperreio.

E já está ele diante da juíza - audiência remota. A competente advogada dá as devidas orientações, no sentido de seu cliente tratar com "respeito e educação a digníssima juíza". Que use termos condizentes, mantenha a calma e responda apenas o que for perguntado. Mas vemos um Neto tenso, em risco de baldear o juízo e botar a causa a perder.

A advogada, cautelosa, reforça:

— Ao dirigir-se à meritíssima juíza, chame-a de doutora! Ou de excelência! Ouviu, Neto?

— Na hora, dona Maria!

Final da audiência e a douta juíza prolata:

— Sr. Francisco Neto, pelo que vejo, o senhor, réu primário, não é pessoa má, apenas mais uma vítima do álcool. Por isso, sua pena será a prestação de serviços comunitários.

— Obrigado, colega!!! Maravilha, colega!!!

Juíza ouviu os "colegas" e se riu, entendendo o contexto. Pediu maternal:

— Aproveite (o serviço comunitário) que é numa escola e estude. Seja decente e brilhe!

— Eita, dotorinha! A senhora é só o mí disbuiado!

Ô, taria!

Clarice é esperta. Cinco aninhos e, ouvidos atentos, sabe muito bem o que dizem em derredor, escutando com perfeição a coisa proferida. Estamos na casa da avó Dijé que, na sala, assiste às arrumações do marido-vovô em brincadeiras ingênuas com a netinharada ("calango na parede", "João atrepa", "carrapicho"). Lá pelas tantas, Dijé solta a forma foneticamente reduzida da palavra que, em seu uso informal, é utilizada para descrever bagunça, injustiça, diversão, fulerage, cachorrada...

— Ô taria!!!

Clarice, vigilante, vai até onde está Dijé e, professoral, corrige.

— Vó!!! Não é "taria"! É putaria! Aprende!

Fé muita, fé demais!

Primeiro ano de namoro do casal e Leléo leva Madinha pra passar final de semana na casa dos pais. Domingo bem cedo, é praxe, o jovem sai para o grupo de oração. Madinha fica, entabulando boa conversa com a cunhada. 10 horas da manhã e a moça sente cólicas - vontade urgente e súbita de evacuar. Corre em busca do banheiro. De lá, liga encabulada pro namorado; ele, absorto no culto, "pedindo, agradecendo e louvando o Senhor", não ouve a chamada. Uma, duas, três tentativas... Até que deu certo.

— Oi, amor! Jesus contigo!

— Para, Leléo! O negócio aqui fedeu! Fala baixo! Não volte pra casa sem um...

— ... sem um bocado de louvores abençoados pra te embalar, nunquinha!!!

— Não, Leléo! Não volte sem um desentupidor, o sanitário entalou! Tô no banheiro da sala, traga sem fazer enxame!

Largando vexado o culto, ele compra o desentupidor e, provando que o Senhor lhe tocou o coração, um buquê de rosas. Em casa, Evangelho de João palpitando ainda, entrega a "ferramenta de limpeza de desobstruir vasos sanitários" e as flores, murmurando discreto, na porta entreaberta do banheiro.

— Madinha, na casa de meu Pai há muitas moradas!

— É? Então por que justamente na sua a privada enguiçou? Hein? Me fala!

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Quem ganhou a copa? Espanha ou Japão?

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Nas corridas de cavalos na Inglaterra, quando havia apenas um competidor apto a disputar a prova, bastava caminhar (to walk) até o ponto de chegada para ser considerado vencedor, sem precisar competir de fato.

Neste caso, para indicar uma vitória por ausência do adversário, ou sem competição, passou-se a usar a expressão inglesa "Walkover" - depois abreviada para W.O., a designar vencedor sem contenda.

A Espanha ganhou, com disputa, a tradicional Copa, mas, se tivéssemos criado a Copa do Meio Ambiente, o Japão teria ganho todos os jogos por W.O., porque sua torcida deu exemplo ao recolher, sempre, o lixo nas arquibancadas, após os jogos nipônicos.

Como um dos coordenadores do Programa de Escolas Associadas à Unesco, fui um dos visitantes a colégios japoneses quando, entre outras atividades, assistimos a aulas juntamente com as crianças. No final da manhã, os estudantes formam várias equipes. Uma delas transforma as carteiras escolares em mesas para o almoço, que se dá na própria sala de aula. Alguns vão à cozinha e trazem os alimentos. Um grupo deles serve-os. Outros recolhem a louça e as sobras. Após a refeição, uns limpam a sala e removem as cestas de lixo.

O que os japoneses fizeram na Copa do Mundo não foi sacrifício algum. Faz parte de sua cultura. Para quem viu tudo isso, não foi surpresa observar que, no metrô, em atenção aos vizinhos, as pessoas não usam o telemóvel por voz e se comunicam apenas com mensagens, para evitar o incômodo a terceiros. No aeroporto, há cabines telefônicas sem telefone exclusivamente para o uso de celulares.

O garçom não aceita gorjeta e se ofende se você deseja concedê-la. Para eles, o bom serviço independe de gratificação. Objetos e dinheiro são recebidos com as duas mãos. Cumprimentos não são feitos com mãos a trocar bactérias senão por mesuras; e, quanto maior o respeito, maior a curvatura do corpo.

Valorizam os mais velhos, as hierarquias, as autoridades, o próximo, a disciplina, os valores coletivos, o bem comum, a harmonia entre tradição e modernidade, a educação e a priorização do social sobre o individual. Chegaremos lá? 

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/07/26. Opinião, p.18.


 

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