Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
Nas caladas do tempo, a escalada da vida. E
com ela todo o universo vibra, enquanto um ser salta do ventre de uma mulher
para lançar-se à maior epopeia da vida.
Esta mulher, mãe de todo vivente, traz o
nome sagrado de mãe; ela partilha suas energias, sua essência de humana raça
para que um outro humano se faça e se desenvolva de suas entranhas.
A história da maternidade vem atravessando
tempos e culturas e sempre com a significação da força da resiliência, da
superação e do amor incondicional, bem como sem isenção de dores e sofrimentos.
A natureza outorgou à mulher o poder e a
dignidade não apenas da procriação, numa invejável colaboração com o Criador,
mas de fundamental valor e inigualável, na convivência da humanidade. Nenhum
outro ser humano tem tamanha pujança da mulher, nem jamais a suplantará, no
carinho, na dedicação, na maneira de encarar o mundo e ver a realidade.
Mãe não se atrela a nenhum estereótipo, nem
se fecha em nenhuma ideologia, nem também se circunscreve a opiniões
contraditórias e tentativas ‘fugidias’ da própria natureza da mulher.
Na esteira da história, a mãe é considerada
o pilar do filho e este, conforme afirma Sófocles, é a âncora da vida da mãe.
Não apenas a mãe biológica, mas aquela que adota e que se dedica a filhos não,
biologicamente, seus.
A maternidade vai além da dimensão
biológica, ela vem moldando valores e princípios, subjetividade e compreensão
da família, da sociedade, do mundo, a iniciar no colo da mãe. A mãe não é a
rainha do lar, ela é, de fato e de direito, a Rainha da vida.
A hodiernidade, metida em avanços
científicos e tecnológicos, muitos capitaneados por mulheres-mães, tem cultuado
uma visão um tanto esdrúxula e, mesmo, improcedente da maternidade,
negligenciando e/ou negando suas características intrínsecas ao ser-mulher. Não
é a ‘existência’ mulher, que deve se adequar ao sistema, todavia, é o sistema
que deve abrir espaço para que a mulher possa se realizar, em conformidade com
o seu desiderato de livre arbítrio – maternidade ou não –, sem abdicar de
sonhos profissionais e afins.
Por que a maternidade causa impacto no
mercado de trabalho? Por que desconsiderar mulheres-mães, em muitas atividades
laborais?
Ora, uma sociedade, que não privilegia a
maternidade, escanteia toda uma geração do desenvolvimento psicológico, ético,
moral e espiritual, pois é no aconchego materno que começa a educação da
criança. A essa altura, cabe o enunciado de Pitágoras, ao dizer que educar as
crianças é necessário para não punir os adultos, ou seja, para que a sociedade
tenha adultos éticos, honestos e justos.
Freud argumenta que a mãe é o primeiro
objeto de amor e desejo do bebê e o mais fundamental. E isto é imprescindível
na formação do ego e na estruturação psíquica, pois, este primeiro vínculo
‘esculpe’ todas as relações futuras do indivíduo. Daí que a maternidade deve
ser celebrada e não mitigada pelo mercado de trabalho e pelas instituições.
Injuriar a maternidade não é apenas agredir a natureza, senão, também, tentar
justificar o injustificável.
É a mãe que dá as primeiras matrizes
sociais, psicológicas, espirituais ao seu filho. É a mãe que mostra a seu filho
como reagir, mesmo, aos instintos naturais de medo, tristeza, mágoa e outros. É
a mãe que testemunha ao filho como cuidar de si e como cuidar dos outros.
Certa vez, entrou no meu consultório uma
família para consultar seu filho de três aninhos; após a consulta, o marido
ficou um instante comigo e segredou-me: ‘eu tenho inveja de minha mulher que
está grávida, como gostaria de sentir o bebê, como ela o sente no seu ventre,
mas me conformo em auscultar seus movimentos através do ventre de minha
esposa’.
Ser mãe é privilégio único e absoluto da
mulher, partilhando do dom da criação, da doação e de um amor tão forte e
ardente.
Nesta efeméride, em que se elogiam as mães,
relembro o exemplo de Maria, mãe de Jesus, que lhe ensinou valores humanos e
virtudes espirituais, com dedicação, carinho e amor. Relembro, também, as mães
solo e as mães trabalhadoras, que suportam dificuldades financeiras, tão
vulneráveis a preconceitos e intolerâncias. Saúdo ainda as mães empreendedoras,
que sabem equilibrar sua vida pessoal, profissional e o cuidado e a atenção aos
filhos.
Enfim, um convite a todos os filhos e
filhas para respeitarem e cuidarem de quem os gerou e cuidou e ainda cuida,
pois, a mãe nunca esquece os filhos.
E que a sociedade aprenda a respeitar a
dignidade das mães.
Nós somos o legado de nossas mães, que se
estende por gerações, e é reconhecido como pilar de amor e sabedoria na
família.
A todas as mães vivas e falecidas, de todas
as raças e de todas as cores, de todas as espiritualidades e de todos os
credos, de todos os níveis, mães biológicas e mães de amor e acolhimento, o meu
mais profundo amplexo oracional e a eterna gratidão de todos nós 'humanos'. Vós
sois a alma do mundo, a alavanca da dignidade e o esteio da vida. Nós filhos e filhas, ajoelhados, vos veneramos e
benditos os que vos reconhecem, vos amam e vos cuidam, com respeito, atenção e
carinho, todos os dias de vossa vida.
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/05/26.