segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Defesa de Memorial de Consuelo Helena Aires de Freitas para Professora Titular da Enfermagem da Uece

Ocorreu na manhã de sexta-feira (4/09/26), no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará - NUTEE/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da professora Consuelo Helena Aires de Freitas, docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Joselany Afio Caetano (efetivo UFC), Patrícia Neyva da Costa Pinheiro (efetivo UFC), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno) e Ana Karina Bezerra Pinheiro (suplente externo), tendo por secretária a Profa. Dra. Lucilane Maria Sales da Silva, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora CONSUELO HELENA AIRES DE FREITAS.

Congratulações à professora Consuelo de Freitas, por chegar ao ápice da carreira acadêmica em seu bem construído exitoso percurso, repleto de êxitos pessoais e profissionais, que exibem o seu rigor científico e a sua valiosa colaboração ao ensino superior.

Também dignos de congratulações figuram a graduação em Enfermagem e o programa de pós-graduação da Cuidados Clínicos e Enfermagem (PPCLIS) da Uece, por contarem com a professora Consuelo de Freitas em seus colegiados de docência.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-Uece


domingo, 6 de setembro de 2026

Melissa Vieira: “A curiosidade é o mais importante para um futuro cientista”

Por Kaio Pimentel, jornalista especial para O Povo

Foto: Divulgação/ Igor Alisson Marques Roman | Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Natural de Fortaleza, a engenheira química Melissa Gurgel Adeodato Vieira passou em 1º lugar para ocupar cadeira de titularidade acadêmica após 16 anos de docência em Campinas.

Um professor-titular representa e exerce atividades nos extramuros do ensino superior. É assim que a fortalezense Melissa Gurgel Adeodato Vieira, 47, resume o cargo que deve assumir, em janeiro de 2027, após aprovação em 1º lugar na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Formada em Engenharia Química pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ela mudou-se para realizar mestrado em São Paulo aos 22 anos, seguindo para doutorado e pós-doutorados. "Ninguém chega lá em cima sozinho", assegura.

O currículo da profissional inclui ainda intercâmbio acadêmico na École Centrale Paris (ECP), na França, e pós-doutorado pela Universität Stuttgart, na Alemanha. Não à toa, desde 2023, é citada na lista de cientistas mais influentes do mundo, segundo a editora internacional Elsevier.

Depois de 16 anos como associada com livre-docência na Unicamp, ela ocupará a nova responsabilidade institucional, enquanto já coordena dois laboratórios de pesquisas sobre saúde e meio ambiente e orienta quase 20 estudantes.

O POVO - Qual deve ser a melhor metodologia para aproveitar o campo da ciência desde a infância e promover futuros interessados na área?

Melissa Vieira - Acho que a curiosidade é o mais importante para um futuro cientista. Não aceitar porquês preestabelecidos, mas buscar sempre novas respostas, porque o conhecimento é dinâmico. A gente tem que sempre estar investigando. Coisas que antigamente estavam consolidadas, hoje já se descobre que não é mais dessa forma.

Eu diria que também a resiliência, nem sempre você tem os dados que está esperando. Ser ambicioso nas suas perguntas para procurar as respostas que, de fato, vão contribuir para os desafios que a gente tem hoje. Todo pesquisador tem que ser muito disciplinado naquilo que faz.

O POVO - O começo da sua vida acadêmica foi por meio de uma graduação em engenharia química na UFC. Por que esse curso?

Melissa Vieira - Porque é um curso muito interdisciplinar. É um curso que consegue, com a formação que a gente tem ao longo dos cinco anos, resolver problemas relevantes da sociedade em termos de produção de produtos químicos para fertilizantes, segurança alimentar, desenvolvimento de larga escala de medicamentos, área de energia limpa, produção de hidrogênio verde, produção de baterias, energia solar.

O POVO - A xenofobia contra nordestinos ainda persiste no Brasil. Precisou enfrentar isso na Unicamp?

Melissa Vieira - Eu não tive problemas de xenofobia [na Unicamp]. Eu senti um pouco disso quando eu fui fazer mobilidade na França. Eu fiz vários trabalhos acadêmicos sozinha, porque ninguém queria fazer grupo comigo lá. Iniciação científica era realizada em dupla. Ninguém quis fazer dupla comigo, eu fiz sozinha também.

Não me causou nenhum problema, porque eu já realizava iniciação científica desde o primeiro ano da graduação. Eu consegui desempenhar bem, trabalhando sozinha. Na França, eu senti não por ser cearense, mas por ser brasileira.

O POVO - A que passos o Brasil caminha se comparado à França e à Alemanha no que se refere aos estudos científicos e à engenharia química?

Melissa Vieira - Eu diria que a Unicamp tem uma infraestrutura muito mais avançada do que as duas universidades que eu presenciei. Poderia te dizer certamente que atualmente eu estou numa universidade de excelência, compatível com as melhores universidades do mundo. Pesquisadores altamente competentes que não seriam diminuídos em relação a nenhum outro pesquisador.

O POVO - Morando em Campinas, você ainda mantém vínculo afetivo com o Ceará? De que forma consegue fazê-lo?

Melissa Vieira - Sim. Todos os anos eu retorno ao Ceará. Eu tenho minha família, irmãs, meus pais, sobrinhos, tios, todos estão no Ceará, com exceção de uma tia que mora em Campinas. Tenho também convívio com professores da UFC, que foram inclusive meus colegas durante a graduação e pós-graduação aqui na Unicamp, meus antigos orientadores também são professores ainda da UFC.

O POVO - Você passou em primeiro lugar no concurso para professora-titular da Unicamp. Qual é a sensação?

Melissa Vieira - É uma sensação gratificante de reconhecimento pelos pares. Porque o professor-titular avalia toda a trajetória acadêmica do docente, as contribuições na área de ensino, pesquisa, extensão e gestão universitária. Ser indicada em primeiro lugar mostra que os meus pares me reconheceram, que eu tenho potencial de liderança, prevista para um titular.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/09/26. Farol. p.4.

Nota do Blog do Marcelo Gurgel: Melissa Gurgel é uma querida sobrinha minha que obteve o primeiro lugar, disputando esse concurso público da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, com cinco concorrentes, sendo três da própria Unicamp e dois outros de fora. Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.

Professor Flávio Leitão (1939-2026): o médico

Por José Maria Bonfim de Morais (*)

Brasil colônia não tinha médico. Portugal não admitia alguém que lesse. Queria manter seus súditos analfabetos. Fazia uma exceção os seminários católicos. Estes estabelecimentos possuíam Filosofia e Teologia.

Somente com abrupta vinda de Dom João VI se iniciaria Faculdade de Medicina. A primeira no Terreiro de Jesus em Salvador. A Faculdade de Medicina de Salvador fez florescer a vocação de médicos que adormecia em tantos lares.

Flávio Leitão e seu irmão caminharam com brilho e com determinação na arte de curar. Flávio engendrou os caminhos misteriosos da neuromedicina. Foi mais longe. Buscou a Neurocirurgia. Formado foi para longe. Em 1949 Eliseu Paglioli, filho de Caxias do Sul, inaugurava o Pavilhão São José.

A Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre, inaugurada em 1881, é um conglomerado de Hospitais. Lá você encontra o Pavilhão Pereira Filho, inaugurado por um grande médico cearense o Dr. Fernando Carneiro. A proximidade com a Argentina uma das maiores e mais ricas potências pós-guerra, só benefícios trouxeram para os pampas. Flávio trouxe consigo não somente conhecimento, mas a maneira de ser médico. De um comportamento profissional incontestável.

O Hospital Geral de Fortaleza do ex-Inamps, era um hospital de alta complexidade com a predominância de casos cirúrgicos. A equipe de Neurocirurgia era relativamente grande. Dr. Djacir, Dr. Vicente Lobo, Dr. Flávio Leitão, Dr. Sérgio Pouchain, Dr. Soleno Paiva, Dr. Vicente Leitão e Dr. Firmo Holanda. Era a mesma equipe que atuava na Casa de Saúde São Raimundo.

Por muitos anos Flávio foi médico do meu tio José Olímpio de Moraes, portador da Síndrome de Parkinson. A neurocirurgia, como a cirurgia cardíaca, sofreu o impacto do intervencionista. Flávio foi pioneiro em Fortaleza na abordagem cirúrgica transesfenoidal. Foi o pioneiro, que tenho conhecimento da Tomografia do Cérebro. Depois viria a RNM.

Encontrava-se em Flávio, um remanso de serenidade. Uma segurança de um porto iluminado de esperança. Seja pelo sonho que se leva. Seja pelo barco que sai em busca para minar o desespero. Mas Flavio que sempre retornava cheio de alegria. Cheio de vidas alentadas de esperança. Deus é bom.

(*) Da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.


Flávio Leitão - Requiescat in pace

Por Sebastião Diógenes e família (*)

Tive a fortuna de conhecer e conviver com o médico Flávio Leitão desde o tempo da Faculdade de Medicina. Tornamo-nos amigos ao longo da caminhada de mais de meio século. Dou fé. Foi meu professor e foi bom professor.

Fomos colegas no Departamento de Cirurgia e foi um bom colega. Fomos confrades na Academia Cearense de Medicina e foi um bom confrade, amigo, atencioso e lhano. Fomos confrades na Sobrames e foi um escritor dedicado às letras quanto o foi ao bisturi. Este o levou ao panteão nacional dos grandes neurocirurgiões. A pena, vocacionada para o clássico, o levou à gloriosa Academia Cearense de Letras.

O simpático e sempre bem-humorado Flávio Leitão foi um cidadão de bem que se tornou referência exemplar por onde o lume de Deus o guiou.

Marido extremamente cuidadoso com a esposa. Em conversas, quando o assunto pedia, ele adorava pronunciar Marimília. Até em aulas formais. Por vezes, em aulas de neurologia sobre o diagnóstico diferencial entre “hematoma subdural e extradural”, para os alunos da graduação da UFC, dizia que era fácil fazê-lo. “Até Marímília sabe”.

A minha aula de Otorrino seguia à dele. Chegava mais cedo e tinha o prazer de assistia à aula do admirável mestre.

Estou triste com a partida do amigo. Embora ciente da evolução da doença, o impacto da notícia me causou profunda consternação.

Que Deus o receba no Céu e conforte Dona Marimília e toda amada família.

2/9/2026

(*) Da Academia Cearense de Medicina, da Faculdade de Medicina da UFC e da Sobrames/CE.


sábado, 5 de setembro de 2026

Flávio Leitão ditava para todos a necessidade de entender, cativar e acolher a dor do próximo

Por Leda Maria, jornalista e escritora

Havia em Flávio Leitão uma maneira singular de caminhar pela vida: com sabedoria, simplicidade e um profundo reconhecimento de tudo aquilo que verdadeiramente importa. A solidariedade, o bem-querer, a delicadeza nas relações e a capacidade de acolher o outro eram valores que cultivava com naturalidade. Preferia sempre a paz à disputa, a essência às aparências, a suavidade à vaidade e a firmeza do coração às palavras vazias.

Inteligente, culto e profundamente humanista, Flávio transformava conhecimento em serviço. Foi assim que construiu uma trajetória admirável como professor e líder docente da Faculdade de Medicina da UFC, contribuindo decisivamente para a formação de gerações de médicos. Na medicina, exerceu com competência e generosidade a arte de cuidar.

Em seu consultório e nos muitos hospitais de Fortaleza onde atuou, acolheu pacientes que, muitas vezes, além do tratamento, buscavam nele uma palavra de conforto. Não por acaso, alguns dos mais necessitados chegaram a chamá-lo de "santo", reconhecendo naquele médico uma presença que ultrapassa os limites da profissão.

Mas foi na família que sua missão encontrou uma de suas expressões mais profundas. Ao lado de Marimilia, companheira de toda uma vida, construiu um lar onde o amor, a ternura e o aconchego se tornaram fundamentos. Foi nesse espaço de afetos que os filhos aprendem, por exemplo, a força da generosidade e a responsabilidade de fazer o bem.

Entre os amigos que conquistou, os alunos que formou, os colegas de profissão, os escritores e acadêmicos com quem conviveu e os tantos grupos dos quais participou, Flávio deixou uma marca luminosa. Sua presença tinha a rara capacidade de aproximar pessoas, suavizar diferenças e transformar encontros em vínculos duradouros.

Partiu em 1º de setembro, sob o brilho de uma lua cheia que parecia acompanhar, silenciosamente, sua nova trajetória. Ficou, para todos nós, a lembrança de um homem que fez da vida uma permanente lição de solidariedade, paz, conhecimento e alegria. Um homem cuja luz não se apaga com a partida: permanece na memória, nos ensinamentos e, sobretudo, no coração de quem teve o privilégio de conhecê-lo.

A VOZ DO FILHO

"Chorarás teus mortos por três dias." Papai sempre dizia isso para nós. Agora, eu digo: é impossível, papai, chorarmos a sua partida por apenas três dias, mesmo amparados pela fé e pelas palavras de Cristo: "Não perturbe o vosso coração, porque eu preparei um lugar para vocês".

Ainda assim, é muito difícil, neste momento, manter os olhos secos e conter a emoção. Mas o senhor sempre nos ensinou que o espírito deve prevaleceramparado pela razão e pela sensibilidade de ouvir e atender os aflitos.

Nós vamos seguir a vida fazendo aquilo que o senhor sempre nos ensinou: praticar a caridade, fazer o bem sem olhar a quem, acolher quem nos procura, oferecer atenção aos pacientes, cercá-los de carinho e compreender a dor do próximo — a dor de um familiar, a dor de um amigo. Ouvindo, escutando e mantendo o bom senso para compreender... É difícil falar. O senhor sempre foi o melhor orientador. Por isso, é impossível, neste instante, explicar o amor mergulhado em uma profunda saudade."

E, entre soluços, encerrou-se o depoimento de Flavinho, o filho amado, que traduziu em palavras aquilo que todos sentiam: a dimensão imensa da perda e a permanência de um amor que o tempo jamais será capaz de apagar.

O RECONHECIMENTO DOS AMIGOS

JOÃO MACEDO, MÉDICO E DIRETOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UFC

"Doutor Flávio Leitão foi uma referência da medicina cearense. Ajudou a desenvolver a neurocirurgia em nosso meio, foi um exímio cirurgião e deu uma contribuição muito grande à universidade, tendo-se destacado como chefe do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC. Com a aposentadoria, dedicou-se às letras, tornando-se membro extremamente ativo da Academia Cearense de Médicos e Escritores, da Academia Cearense de Letras e da Academia Metropolitana de Letras."

JUAREZ LEITÃO, ESCRITOR

"Flávio Leitão foi o cidadão querido por todos: afável, sorridente, educado, fino. Era uma das grandes unanimidades afetivas de Fortaleza. Cronista e contista de estilo leve, membro e secretário da Academia Cearense de Letras, deixa uma cidade inteira mergulhada na saudade. Sua figura cativante permanecerá perene na memória de Fortaleza, onde desenvolveu, com dignidade, competência e bem-querência, sua trajetória vital. Flávio Leitão está vivo em nós."

HENRY CAMPOS, MÉDICO E PROFESSOR

"Flávio Leitão foi um homem extraordinário: inteligência fulgurante, humanista profundamente culto, mestre como poucos do conhecimento científico vigoroso e da arte médica. Pontificava pela doçura, elegância, generosidade e solidariedade. Inabalável em sua ética, associada a um grande espírito público e conciliador, deixa um exemplo de cidadania e de defesa intransigente da democracia."

JOSÉ MARIA BONFIM, MÉDICO E ESCRITOR

"Professor Francisco Flávio Leitão (1939-2026), uma eterna saudade. Pouco a pouco, a vida vai nos levando aqueles que nos alegram e encantam, negando-nos o abraço, o sorriso, o encontro que é a vitalidade do nosso viver. Flávio Leitão sintetizava toda essa face admirável de passear pela vida. Era uma referência para toda a comunidade médica. Sabia manter um convívio leve, amigo e jocoso."

FERNANDO PONTE, PADRE E MÉDICO

"Ele foi seminarista no Seminário da Praínha. Por toda sua história atendeu muitos pobres que não podiam pagar um médico. Eramos amigos há mais de 60 anos, e estive com ele durante o período de sua enfermidade. Na segunda-feira, fiz a última visita, acompanhando de pertinho a assistência da família. Ele foi um pai e marido, exemplar".

ERNANDO SOUZA, MÉDICO

"A Medicina cearense perdeu ontem um de seus grandes nomes. Flávio Leitão, neurocirurgião, professor e sensível escritor, deixa um legado que vai muito além da técnica: o compromisso com o conhecimento, com o ensino e com as gerações seguintes. Para nós, médicos mais jovens, fica o exemplo de que uma grande carreira não se mede apenas pelos títulos conquistados, mas pelo conhecimento compartilhado, pelas pessoas que ajudamos a formar e pela mão que estendemos aos mais necessitados."

SULIVAN MOTA, MÉDICO

"Um grande médico. Um grande professor. Um grande ser humano. Hoje, uma grande saudade."

RAFAELA CORTEZ, VIZINHA E AMIGA

"Havia nele uma leveza rara, uma leveza d'alma de quem já estava ancorado em um plano maior. Não precisava de muitos discursos; sabia falar apenas com o olhar. E que olhar! Olhos grandes, luminosos e profundamente expressivos, capazes de acolher, advertir ou acalmar sem que um único som fosse emitido. Mas também era um grande apreciador de uma boa prosa. A porta do céu é bem pequenininha, mas ele passou foi sobrando. Já está com Deus e Nossa Senhora."

Fonte: O Povo, de 5/09/2026. Leda Maria V&A. p.3


Professor Francisco Flavio Leitão (1939-2026): uma eterna saudade

Por José Maria Bonfim de Morais (*)

Pouco a pouco a vida vai nos levando, o que nos alegra. O que nos encanta. Momentos a momentos a vida vai nos negando o abraço. O sorriso. O encontro que é a vitalidade de nosso viver.  Flavio Leitão sintetizava toda esta face admirável de passear na vida!

Havia muitos pontos que nos assemelhavam. Havia muitos estreitos que nos estreitavam.  Flavio Leitão era uma referencial para toda a comunidade médica.

Paulo Marcelo o admirava com entusiasmo. Paulo Marcelo quase sempre o consultava. Quando lancei o livro sobre o grande internista, ele fez o prefácio.

No Hospital Geral de Fortaleza trabalhamos juntos. Na fase áurea daquela grande instituição hospitalar. Fiz um ano de Clínica Médica, antes de fazer residência de cardiologia. E fiz a Clínica Médica, na Santa Casa de Porto Alegre.

A Santa Casa é um conjunto de grandes hospitais. Um deles é o de Neurologia e Neurocirurgia onde Flavio fez sua residência. Foi aluno do grande Dr. Eliseu Paglioli (1898-1985) o pioneiro da Neurocirurgia no Brasil. Foi o Dr. Eliseu que inaugurou o Pavilhão São José, onde nosso saudoso professor iniciou seus primeiros passos. Irmanados pelo nosso testemunho de Fé, éramos católicos desassombrados.

Trabalhando com a Dra. Glaura atendi várias vezes seu querido pai o poeta ortodoxo Frâncico Valdevino de Carvalho. Uma certa feita nos encontramos na celebração dos 150 anos do Seminário da Prainha. Uma missa totalmente em latim.

Nas sessões do HGF. Nos corredores da Casa de Saúde São Raimundo. Depois na Sobrames e por fim na ACADEMIA de Médicos Escritores. Um convívio leve. Amigo. jocoso.

De repente surge esta ruptura dolorosa que nos deixa mais tristonhos. Mais empobrecidos por perdermos um profissional tão precioso.

Requiescat In Pace.

Deus é bom.

(*) Da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.


FLÁVIO LEITÃO: o legado do confrade imortal

Por Luiz Gonzaga de Moura Jr. (*)

Todos nós temos o professor, o confrade, o escritor, a verve literária, a lhaneza, a elegância, a experiência, a simplicidade e o fino trato do amigo Flávio Leitão como PROTAGONISTA em várias ações do nosso cotidiano. Delas destaco dois capítulos:

O convívio informal das nossas viagens para os Encontros de Academias Literárias, Ceará adentro: Crateús, Quixadá, Lavras da Mangabeira, Camocim. Apaixonado, atento, protetor e cuidadoso na caminhada, de mãos dadas com sua Marimilia, musa inspiradora do verso e da prosa!

O outro, dele para mim, num dos momentos mais importantes e simbólicos da minha trajetória da atividade profissional:

“O ponto alto do meu relacionamento com o ilustre aniversariante (ao completar SETENT’ANOS), por determinação do Conselho Departamental, tive a honra de outorgar-lhe, na qualidade de Chefe do Departamento da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, a honrosa Comenda Distinção no Ensino Médico.

Fica gravada na memória a sua história, o exemplo, o legado do confrade imortal!

- Amém!

(*) Da Academia Cearense de Medicina, da Academia Cearense de Médicos Escritores e da Sobrames/CE.


 

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