quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LAUDATE: homenagens a confrades das academias médicas do Ceará

Por Antônio Augusto Guimarães Lima (*)

O livro Laudate – Aos Confrades das Academias Médicas do Ceará, de Marcelo Gurgel Carlos da Silva, é uma obra dedicada à valorização da história, da ética e da identidade das academias médicas do Estado. Publicado pelas Edições INESP (ALECE), o livro reúne registros históricos, homenagens a confrades e reflexões sobre o papel dessas instituições na preservação da tradição médica.

Mais do que um tributo, Laudate propõe uma reflexão sobre os desafios contemporâneos da profissão, especialmente diante das mudanças no ensino médico e na organização da assistência à saúde. O autor destaca que as academias não são apenas espaços honoríficos, mas centros de memória, cultura e responsabilidade moral.

Ao resgatar trajetórias de médicos que marcaram a história do Ceará, a obra reforça a importância da continuidade institucional e da formação humanística. O livro se dirige a médicos, professores e interessados na história da medicina, funcionando como um convite à preservação do legado profissional e ao fortalecimento dos valores éticos que sustentam a prática médica.

(*) Membro titular da Academia Cearense de Medicina.


MÉDICOS ESPECIALISTAS, EM TERMOS

Por Jocélio Leal (*)

Não é raro um paciente ser atendido por um médico portador de RQE - o Registro de Qualificação de Especialista - mesmo que este nem tenha feito uma residência. Em suma, um programa de pós-graduação lato sensu para médicos formados. Nesta formação, o foco é a especialização prática e teórica em uma área específica. Pode ser cardiologia ou nefrologia, por exemplo. É um período de treinamento intensivo em hospitais sob supervisão, visando obter o título.

Médicos com RQE, mas sem residência são uma temeridade. Mas é tudo legalizado. Pode ter sido aprovado em prova de título de especialista organizada por uma sociedade de especialidade reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB). Só precisa da comprovação do dobro do tempo da residência no exercício da especialidade. Uma declaração de um município onde atuou como generalista sustentando que sim, atuava em área específica, resolve.

Com o número emitido pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), fica oficializado. E como o paciente checa o RQE? Procura no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou no Conselho Regional (CRM) - no Ceará o Cremec. Encontra o Registro, mas não sabe se foi obtido do modo mais consistente.

Aliás, há situações em que, por exemplo, hospital de oftalmologia emprega ainda residentes no serviço de urgência, mas esta já é outra história. Não é ilegal, porque enquanto médico ele pode abrir um peito ou uma cabeça. Não o faz porque não tem formação, mas legalmente pode.

E por que aumentou a olhos vistos a quantidade de especialistas sem residência? Porque as vagas para residência estão muito aquém da demanda, oriunda da enxurrada de faculdades Brasil afora, daí o pessoal busca o caminho mais curto. O número de escolas chega perto de 500, com mais de 50 mil vagas anuais, conforme diferentes levantamentos.

Sabe como é, o garoto ou garota passa seis anos a estudar na graduação, pagando algo na casa dos dois dígitos, e tem pressa para rentabilizar o canudo.

Agora no Ceará um pequeno alento. Após aderir a dois editais do Governo Federal e conseguir a aprovação dos projetos submetidos, a Escola de Saúde Pública do Estado passa a contar com novas 174 bolsas: 92 para a Residência Médica e outras 82 voltadas à Residência em Área Profissional da Saúde (Uniprofissional e Multiprofissional.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/01/2025. Economia. p.13.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

POSSES DOS NOVOS SÓCIOS NO INSTITUTO DO CEARÁ (fevereiro de 2026)

Alguns sócios na solenidade de posses de novos consócios no Instituto do Ceará em 10/02/26. (Foto cedida por Dr. Luciano Dídimo Camurça Vieira).

O Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) realizou na noite de ontem (11/02/26), no Palacete Jeremias Arruda, a solenidade de posse dos seus associados efetivos Drs. Angélica Cecília Freire Sampaio de Almeida, Joaquim de Albuquerque e Reginaldo Ayrton Pequeno Vasconcelos Bomfim Júnior, admitidos nas vagas geradas pela passagem à condição de sócio remido dos sócios efetivos Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez), Paulo Elpídio de Meneses Neto e Pedro Sisnando Leite, e dos seus novos sócios colaboradores os Drs. Luciano Dídimo Camurça Vieira e Marco Antônio Praxedes César de Moraes Filho.

A saudação coletiva aos novos sócios, em caráter oficial do Instituto do Ceará,  foi pronunciada pela sócia efetiva Greciany Carvalho Cordeiro, que salientou as qualidades e a competências técnicas dos seus homenageados.

As palavras de agradecimento, em nome dos sócios efetivos recém-empossados, foram proferidas pela sócia Angélica Sampaio, seguidas do discurso do novo sócio colaborador Marco Antônio Praxedes, que falou pelos dois sócios colaboradores.

A solenidade, presidida pelo Seridião Correia Montenegro, Presidente do Instituto do Ceará, que assinalou a conclusão das melhorias fisicas efetuadas na seda da instituição.

Após a solenidade de posse, foi oferecido pelos recipiendários um coquetel aos convidados, nos majestosos salões e sacadas do Palacete Jeremias Arruda, que estava vistosa exibido, a partir da bela escadaria de entrada, objeto de um cuidado especial de restauração.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio do Instituto do Ceará

UMA QUESTÃO DE BOM SENSO

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

A opção pelo uso de siglas é por vezes duvidosa. No caso de CPF, por exemplo, é de melhor uso do que "Cadastro de Pessoa Física". Por feliz iniciativa do prefeito Roberto Pessoa, a Biblioteca de Maracanaú chama-se "José Augusto Bezerra", decerto ali não haverá placa com a sigla BJAB. Esta seria ofensiva ao notório intelectual e à palavra biblioteca, que é de origem grega, na junção de biblíon (livro) com thḗkē (caixa, depósito), a formar uma coleção de preciosidades. Homenageados e fundadores não devem ser reduzidos a letras.

Já Mr. (mister) Trump fez pior ao extinguir a biblioteca da NASA (por sinal, uma boa abreviação). O saudoso e notável empresário José Dias de Macêdo, que criou a J. Macêdo (e não JDM), ensinava: "mais importante do que o que eu digo é o que você entende". O uso de siglas possibilita erro de interpretação, por serem simples iniciais.

A defender essa tese, a antiga Revista São Paulo Magazine já publicou texto sobre a visita de britânicos a uma casa alemã para alugá-la. De volta à Inglaterra, a senhora lembrou-se de não ter visto o WC e escreveu ao proprietário: "(...) sou da família que (...) o visitou (...), mas (...) agradeceríamos se nos informasse onde se encontra o WC". O alemão, não compreendendo o sentido da abreviatura "WC" e julgando tratar-se da capela da seita inglesa White Chapel, assim respondeu: "(...) o local a que se refere fica a 12 km da moradia. Isto é muito cômodo, sobretudo se tem o hábito de ir lá frequentemente (...). Alguns vão a pé, outros de bicicleta. Há lugar para 400 pessoas sentadas e 100 em pé. Os assentos são de veludo; recomenda-se chegar cedo para arrumar lugar sentado. (...) À entrada, é fornecida uma folha de papel a cada pessoa, mas, se chegar depois (...), pode usar a do vizinho ao lado. Tal folha deve ser restituída à saída para ser usada durante o mês. Existem amplificadores de sons. (...) Fotógrafos especiais tiram flagrantes para os jornais da cidade, de modo que todos possam ver seus semelhantes no cumprimento de um dever tão honrado". O uso de siglas é uma decisão sua, portanto uma questão de bom senso. E não "UQBS".

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/01/26. Opinião, p.16.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

GRAN CIRCO TERRA BRASILIS

Por Romeu Duarte Junior (*)

Pelo jeitão da coisa, 2026 vai ser um ano trepidante, com montanhas-russas de emoções e amplo consumo de valium, dienpax, imosec e outros remédios tarja-preta por parte dos mais fracos. Para os que se cansarem de tanta correria e nervos à flor da pele, um bálsamo: dos dez feriados nacionais, nove cairão em dias úteis, gerando os mui famosos 'imprensados", pais dos feriadões. Isso sem se falar dos dias de dolce far niente cearenses e fortalezenses, que completarão a agenda de rede, cachacinha e pé na parede. Portanto, se o bicho vai pegar, teremos sombra e água fresca de sobra. Lazer? Ócio? Vagabundagem mesmo, que ninguém é de ferro. Para quem, como eu, pensa em se aposentar, já é um estímulo e tanto. Gentilândia, Joaquim Távora e Barra do Ceará, me aguardem!

Para quem gosta de atividades esportivas, será um ano para passar assistindo à TV. Será realizada a Copa do Mundo Fifa, com 48 seleções, 104 jogos e três sedes, Canadá, EUA e México. Fico pensando se o angu não vai engrossar por conta das atuais tensas relações entre estes três países, construídas pelo agente laranja no seu afã de anexar territórios e submeter povos ao seu talante. Para quem gosta de sofrer, Ceará e Fortaleza disputarão o Manjadinho, a Lampions League, a Copa do Brasil e o calvário da Série B do Brasileirão. De quebra, teremos também os Jogos Olímpicos de Inverno na Itália, mais precisamente em Milão e Cortina D'Ampezzo, geladíssimo aquecimento para a Olimpíada de Los Angeles em 2028. Será um olho no peixe do trabalho e o outro no gato da bola...

Todavia, iniciei esta crônica falando de antidepressivos, calmantes e outros fármacos que socorrem os débeis de alma, cabeça e coração. Outro evento de rachar o quengo também se anuncia: as eleições para presidente, governador, senador e deputados. Ainda estava com a fatia do peru na boca quando vi o mimimito-réu sair do hospital e ir para a sua cela na PF. Na mesma toada, presenciei seu assessor pegar uma preventiva por ter usado indevidamente uma rede social. Por fim, mas não menos, flagrei o bananinha tendo o mandato cassado, virando réu por coação e intimado a voltar ao Brasil para reassumir seu posto de escrivão na PF. Chegando em solo pátrio, já se sabe o que vai acontecer com ele. Como diz o doido, o mundo não gira, capota...

Porém, o sábado nos trouxe o tom tragicômico deste ano maluco. Inspirado na tal Doutrina Monroe ["A América para os (norte) americanos"], as forças militares estadunidenses invadiram a Venezuela por terra, mar e ar, mandando bala e despejando bombas, além de terem sequestrado Nicolás Maduro. Muito boa essa: o mandatário venezuelano é "autocrata" enquanto o agente laranja é "presidente". À frente de um império decadente, mira as riquezas dos países para extorqui-los em vez de resolver os problemas agudos da Terra do Tio Sam. Inventa um inimigo, tal como na fábula do lobo e do cordeiro, para justificar um direito que não possui. Enquanto isso, ONU calada, Europa lascada, China, Irã e Rússia de binóculos, Brasil atento. Tudo pode acontecer, caros, inclusive nada.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/01/26. Vida & Arte. p.2.


A expressão "manicômio tributário" e sua real consequência

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O professor Lello Gangemi, catedrático da Universidade de Nápoles e estudioso do sistema tributário italiano, escreveu, em 1959, o artigo “O manicômio tributário italiano”. A análise impressiona pela atualidade e semelhança com o nosso sistema tributário, que se encontra em fase terminal. Gangemi afirmou: “... a infelicíssima situação do nosso ordenamento tributário: um caos de leis contraditórias e em antítese aos mais elementares princípios de racionalidade, justiça e socialidade”. A frase foi amplamente disseminada no Brasil pelo tributarista Alfredo Becker, em sua obra Teoria Geral do Direito Tributário.

Em minha trajetória, ouvi muitos utilizarem o termo “manicômio tributário” como mera crítica marginal ao sistema, sem o devido aprofundamento epistemológico. Isso me levou a examinar o cerne da manifestação de Gangemi, que escreveu o referido artigo em homenagem a Benvenuto Griziotti – economista e financista italiano que desenvolveu a teoria da capacidade contributiva, entendida como a possibilidade econômica de pagar tributos.

O nosso “manicômio tributário” distorceu, ao longo de mais de 30 anos, o princípio da capacidade contributiva e produziu um padrão de desigualdade inigualável. No Brasil, a carga tributária incidente sobre os mais ricos é inferior à observada na maior parte dos países. O 1% mais rico da população concentra 27,4% da renda nacional (dados de 2019), percentual significativamente superior à estimativa anterior, de 20,3%.

Esses dados fazem parte do estudo “Progressividade Tributária e Desigualdade no Brasil: Evidências a partir de Dados Administrativos Integrados”, elaborado por economistas brasileiros e de outras nacionalidades, com a colaboração da Receita Federal. O levantamento, disponível em: <https://share.google/sijO6M78RFLDCaM4z>, revela que os milionários em dólar no País – aqueles que recebem mais de R$ 5,5 milhões anuais – pagam alíquotas efetivas muito menores do que o restante da população: 20,6% (incluindo todos os tributos), contra 42,5% pagos pelo brasileiro médio.

O estudo também aponta que o 0,1% mais rico do Brasil – cerca de 150 mil pessoas, com renda anual média de R$ 4,6 milhões – concentra 12,4% de toda a renda nacional. Já o 0,01% mais rico – aproximadamente 15 mil pessoas, com média anual de R$ 23 milhões – detém 6,1% da renda total.

Diante desse cenário, pode-se constatar que o “manicômio tributário” produziu no Brasil uma das maiores desigualdades do mundo, por meio de um sistema tributário regressivo que distorceu completamente a capacidade de pagamento de pessoas físicas e jurídicas. Nesse contexto, a aprovação da Emenda Constitucional 132/2023 representa um marco relevante ao iniciar um amplo processo de transformação do sistema tributário brasileiro, com vigência a partir de 2026.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 8/01/26. Opinião. p.17.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CONVITE Lançamento da obra Laudate

O Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Deputado Estadual Romeu Aldigueri, o Presidente da Academia Cearense de Medicina, Acadêmico José Henrique Leal Cardoso, e o Diretor-Executivo do Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), Prof. Dr. João Milton Cunha de Miranda convidam para a solenidade de lançamento da obra Laudate – Aos confrades das academias médicas do Ceará, de autoria do Acadêmico Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Presidente da Academia Cearense de Saúde Pública.

Dia: 11/02/2026 (quarta-feira).

Horário: 15h.

Local: Auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), Avenida da Universidade, nº 2853, Benfica, Fortaleza-CE.


 

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