quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

O QUE É UM LOOP?

LOOP: Palavra usada por especialistas em informática para explicar uma confusão criada no programa, fazendo com que ele fique “andando em círculos” e sempre voltando ao ponto de origem.

Um programa de computador "entra em loop" quando acontece uma situação quase assim:

O diretor de uma empresa chama a secretária e diz:

- Senhorita Vanessa: Tenho um seminário na Argentina por uma semana e quero que você me acompanhe. Por favor, faça os preparativos da viagem...

A secretária liga para o marido:

- Alô, Paulo! Vou viajar para o exterior com o diretor por uma semana. Cuide-se meu querido!

O marido liga para a amante:

- Eleonor, meu amor! A bruxa vai viajar para o exterior por uma semana, vamos passar esta semana juntos, minha princesa!

No momento seguinte, a amante liga para o menino para quem dá aulas particulares:

- Joãozinho, estou com muito trabalho esta semana e não vou poder te dar aulas...

A criança liga para seu avô:

- Vovô, esta semana não terei aulas, minha professora estará muito ocupada. Vamos passar a semana juntos?

O avô (que é o Diretor da empresa) chama imediatamente a secretária:

- Senhorita Vanessa: Suspenda a viagem, vou passar a semana com meu netinho que não vejo há um ano. Não vamos mais participar do seminário. Cancele a viagem e o hotel.

A secretária liga para seu marido:

- Ai amorzinho! O babaca do diretor mudou de ideia e acabou de cancelar a viagem.

O marido liga novamente para a amante:

- Amorzinho, desculpe! Não podemos mais passar a semana juntinhos! A viagem da mocréia foi cancelada.

A amante liga para o menino a quem dá aulas particulares:

- Joãozinho, mudei os planos: esta semana teremos aulas como de costume.

A criança liga para o avô:

- Puta merda vovô! A véia da minha professora disse que terei aulas. Desculpe, mas não poderemos ficar juntos esta semana.

O avô liga para a secretária:

- Senhorita Vanessa, meu neto acabou de me ligar e dizer que não vai poder ficar comigo essa semana, porque terá aulas. Portanto dê prosseguimento à viagem para o Seminário.

Isso é um LOOP.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

LOJAS AMERICANAS PELO RETROVISOR

Por Henrique Soárez (*)

"Todos os pagamentos foram feitos." E "o efeito no caixa é imaterial." Tradução: ninguém se apropriou indevidamente de recursos da empresa. E entretanto, se bem feita a contabilidade, a empresa tem dezenas de bilhões de dívida além do que os credores imaginavam. E os diretores foram recompensados por lucros que a rigor não existiram.

Nada disso é inédito. Diz Ray Dalio: "depois que os bancos centrais aumentam os juros os credores pedem falência, fraudes são expostas e a contratação do crédito pode impactar a economia real." Nas Lojas Americanas as despesas com juros, por exemplo, subiram de R$ 542 milhões nos 3 primeiros trimestres de 2021 para R$ 1,6 bilhão no mesmo período de 2022.

Na década de 60, Warren Buffet decidiu que valia a pena pagar para que a American Express saísse limpa de um escândalo envolvendo a substituição de óleo de cozinha (que deveria servir como garantia de transações de crédito) por água do mar em dezenas de tanques. A companhia honrou os credores porque os acionistas apostaram que a reputação da firma era um ativo que iria gerar retornos maiores no longo prazo.

Eugene Soltes, professor de Harvard, é autor de um interessante livro sobre fraude corporativa. Em 2021 ele elaborou um estudo de caso sobre a disposição da InBev para utilizar inteligência artificial na identificação de fraude e corrupção nas suas operações em mais de uma centena de países. É interessante notar que acionistas cuidadosos devem investir energia tanto para detectar desvios pequenos entre vendedores e gerentes quanto para evitar decisões questionáveis de diretores e executivos "C-level".

Algumas destas decisões começam pequenas e crescem até serem impossíveis de ignorar. Quando houve a combinação de B2W e Americanas no 2º trimestre de 2021, de certo houve uma cuidadosa comparação linha-a-linha dos dois balanços para determinar a razão de troca de ações. Ficam então algumas perguntas para os especialistas no tema: as práticas contábeis das duas empresas eram as mesmas? Os acionistas minoritários que detinham 37,6% do capital social da B2W permanecem satisfeitos com a troca após as divulgações das últimas 2 semanas?

(*) Engenheiro eletricista, diretor do Colégio 7 de Setembro e da Uni7.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/01/23. Opinião, p.20.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Socialista de iPhone

José Roberto Guzzo, jornalista

Quando Marcelo Freixo grita aos quatro cantos que é a favor do desarmamento e do fim da policia militar, mas anda em um carro blindado e com seguranças armados; ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando Chico Buarque canta verdadeiros hinos contra a ditadura do regime militar, mas se cala e beija as mãos dos ditadores Raul Castro e Maduro; ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando o mesmo Chico canta mil versos a favor do Socialismo, se mostra tão devoto dos mais necessitados e cobra quatrocentos reais por um ingresso em seu show; ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando os psolistas dizem que cadeia e punição não resolvem nada, mas pedem que justiça e punição severa sejam feitas com os assassinos da vereadora; eles estão sendo incoerentes ou hipócritas?

Quando você que se diz humanista seleciona os mortos assassinados para chorar por eles; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você se escandaliza com o capitalismo, mas ama o Facebook, a Sky, o Whats App e tudo que só ele pode te dar; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você tão socialista, só compra roupas, bolsas, joias de griffe, celular da última geração, você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você odeia o capitalismo, mas quer fazer intercâmbio é nos Estados Unidos, Canadá ou Inglaterra; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando seu professor de história da escola com partido se escandaliza com o muro de Trump, mas se desconversa quando perguntam a ele qual o propósito do Muro de Berlim; ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você diz que que bandidos são vítimas da Sociedade, mas se nega a dormir onde não se sente seguro; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você pergunta aos pensadores modernos qual o regime de governo de Cuba e eles dão mil voltas e te enrolam; eles estão sendo incoerentes ou hipócritas?

Quando você se diz tão preocupado com a pobreza dos brasileiros e anseia pela justiça social, mas não demonstra a menor indignação pelo assalto à Petrobrás, mensalão, despreza a Lava Jato e diz que eleição sem Lula é golpe; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você se revolta com a situação dos refugiados e das crianças da Síria, mas acha normal tudo que se passa na Venezuela; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você se diz a favor da escola com partido, da liberdade de expressão, tão intelectualizado, mas tem que seguir a cartilha e doutrina da esquerda à risca; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você universitário, tão adepto das liberdades em todos os sentidos, tão tolerante, faz piquete na entrada do campus obrigando a todos participarem da greve e se revolta, vaia, agride se por ventura aparecer alguém por lá com uma camisa de Bolsonaro; você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando Wagner Moura, exemplo maior dos artistas, ícone do Socialismo, trocou o Brasil pelos Estados Unidos, símbolo do capitalismo selvagem, ele foi incoerente ou hipócrita?

Quando você concorda com tudo ou quase tudo que eu falei, mas não vai curtir porque tem medo do patrulhamento; você estará sendo incoerente ou hipócrita?

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

SOMOS OITO BILHÕES EM ENVELHECIMENTO

Por Andréa Silva Gondim (*)

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo chegou a 8 bilhões de habitantes, em 15 de novembro de 2022, em decorrência do crescimento da expectativa de vida, sendo esta data declarada o "Dia dos Oito Bilhões". Segundo a ONU, esse número é o resultado do rápido aumento populacional no último século: a população mundial atingiu 1 bilhão de habitantes até 1800 e há 100 anos não havia atingido 2 bilhões, sendo necessários somente 12 anos para a população aumentar de 7 bilhões para 8 bilhões.

Em países de todo o globo, os seres humanos estão vivendo mais, em decorrência de melhor nutrição e assistência à saúde, bem como de melhorias no saneamento e no tratamento da água, que reduziram significativamente as taxas de mortalidade e prolongaram a expectativa de vida. Para que alcancemos o próximo bilhão, a ONU estima que serão necessários pelo menos mais quinze anos, de forma que a expectativa é de que o mundo alcance 9,7 bilhões de pessoas até 2050 e chegue ao seu auge, de 10,4 bilhões, até 2080.

Os idosos irão compor uma parcela cada vez maior da sociedade. A expectativa de vida no mundo atingiu 72,8 anos em 2019, caiu para 71 anos em 2021, por reflexo da pandemia por Covid-19, e a projeção é de que a longevidade média global chegue a 77,2 anos em 2050. As Nações Unidas esperam que, até a metade do século, o número de pessoas com mais de 65 anos seja maior do que o dobro do número de crianças com menos de 5 anos de idade, resultado também da redução das taxas de fecundidade.

Em países desenvolvidos, a imigração é responsável por uma parcela maior do aumento populacional do que os nascimentos. Os países com populações mais velhas precisarão tomar medidas de adaptação ao maior número de idosos, melhorando e ampliando o acesso à saúde e desenvolvendo sistemas de cuidados de longo prazo, bem como melhorando a sustentabilidade da segurança social e dos regimes de aposentadoria; a própria ONU faz um alerta aos países a esse respeito. O envelhecimento populacional deverá nos estimular a desenvolver uma cultura de cuidado aos mais idosos, com responsabilidades compartilhadas entre família e Estado.

(*) Médica geriatra. Diretora Científica da SBGG.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/01/2023. Opinião. p.14.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

POR QUE CERTAS PALAVRAS CAEM EM DESUSO?

Atribuído a Mário Alberto P. de Paiva

Aquele abilolado está namorando aquela gasguita que tem os cambitos mais finos que canela de sabiá.

Pela frase acima, quem tem mais de 40 anos já deve ter percebido que muitas palavras e expressões que se usavam até bem pouco tempo, não as usamos mais.

Para adentrarmos ao colégio no início do ano letivo, tínhamos que ir ao serviço de Saúde Pública para fazer uma abreugrafia, cujo aparelho estava no outro lado de um biombo.

As casas, muitas delas bangalôs, eram arrodeadas de alpendres, onde nas salas além do sumier, sempre tínhamos uma cristaleira enfeitada com biscuit, uma eletrola (que é uma vitrola elétrica) para tocar disco. Na copa, a petisqueira guardava doces, sobremesas bolos e o lambedor que era o melhor remédio para gripe, substituía qualquer cachete. No quarto junto ao criado mudo ficava o urinol para mictar durante a noite e em cima a quartinha com água.

Os petizes quando muito danados, eram chamados de azougue, e quase sempre faziam uma arte, se arranhavam, produzindo uma pereba ou tuíta, o pai além de uns croques, cascudos ou = cocorotes ainda os colocava de castigo sem direito a fita da matinal no cinema aos sábados e nem tão pouco o sorvete com carlito.

As meninas que estavam ficando mocinhas, as mães faziam penteados armados com laquê, presos com biliro ou invisível que é a mesma coisa ou um belo diadema, estava chegando a hora das moçoilas usarem corpete, saieta e porta-seios.

O automóvel era dirigido por um chofer particular que usava um casquete na cabeça e tinha toda responsabilidade sobre o veículo, evitar os catabis, atenção ao atravessar uma pinguela, não dar bigu a desconhecido, tinha também obrigação de manter o carro limpo, principalmente a boleia, com o tabelier lustrando. Quando viajava, para economizar combustível a marcha utilizada deveria ser a prise e tomar todo o cuidado quando fosse dar rier para não amassar o pára-choques, a rodagem deveria sempre ser verificada e em caso de problema com um dos pneus usaria o suporte.

Aos recém-nascidos costumavam dar de lembrança um par de chiquitos e os mais abastados presenteavam com trancelim de ouro.

As lojas, armarinhos, as empresas de modo geral, nos finais de ano sempre mandavam confeccionar cromos com calendários para distribuir com seus fregueses.

Os barbeiros, perguntavam ao cliente se a liberdade do cabelo era no meio ou de lado.

Sentir-se mal, era ter um farnesim. Urinar, no mictório. Escrever para alguém, era uma missiva. Se tinha ânsia de vômito, cuidado aonde ia lançar. Se na cozinha a buchada não estava bem lavada subia aquele pituim.

Palavras chulas não se permitiam usar. Vá prá baixa da égua, filho de uma mãe, você parece um três vezes oito, fruviôco e fiofó eram o extremo.

Ah! Na minha casa para se fazer ponche de cajá ou mangaba ainda se usa a urupema.

Fonte: Circulando por i-phones, sem autoria clara, em setembro de 1999.

O IBGE, o censo populacional e a cidadania

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi criado em 1936 e tem como missão "retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento de sua realidade e ao exercício da cidadania". Conforme pesquisa realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID (https://bityli.com/sRUrC).

O nosso IBGE é um dos principais institutos de pesquisa das Américas, com capacidade estatística para gerar, de maneira sustentada, dados estatísticos relevantes e de qualidade. O conceito de capacidade estatística desenvolvido por Luís Beccaria definiu a importância de aferir, de forma quantitativa, a capacidade dos sistemas estatísticos dos países. Trata-se de uma medição composta com metodologia e práticas institucionais científicas. (https://bityli.com/2KI5z).

No dia 28 de dezembro de 2022 o IBGE divulgou a prévia da população dos municípios, com base nos dados coletados pelo Censo Demográfico 2022, até o dia 25 de dezembro. A prévia mostrou que o Brasil chegou a 207.750.291 milhões de habitantes. A divulgação vem ao encontro da lei 8.443, de 16 de julho de 1992 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União-TCU), que determina ao IBGE fornecer, anualmente, o cálculo da população de cada um dos 5.570 municípios do país para o TCU basilar o cálculo do FPM. Seguindo um modelo estatístico, o IBGE entregou um resultado prévio do ano de 2022 a partir dos 83,9% da população recenseada, que representou 87,7 milhões de domicílios particulares e mais de 178 milhões de pessoas.

Censo 2022 ainda está em campo realizando coletas desde 1º de agosto de 2022 e continuará durante o mês de janeiro de 2023. Os moradores de domicílios onde ainda ninguém respondeu ao Censo 2022 devem ligar para o Disque-Censo 137, que atende a todos os estados do país. Importa salientar que, se não fosse a direção do IBGE, em conjunto com seus servidores públicos e a pressão da comunidade científica e acadêmica, o Governo Bolsonaro não teria realizado o Censo de 2022.

A cada dez anos, o Brasil se redescobre por meio da pesquisa censitária realizada pelo IBGE. O censo traz ao país a sua realidade, nos permite o exercício da cidadania, vai até aos domicílios e diz para o cidadão: você existe, precisamos de você. As estatísticas e a geoinformação propiciam a integração entre território e cidadãos, em cortes geográficos muito detalhados. Assim, ao permitir que o Brasil se conheça e, ao gerar um retrato muito fiel da realidade, o censo cumpre diversas funções, inclusive a demonstração da falência de nosso modelo de transferências compensatórias, representado pelo FPM. O modelo exauriu há muito tempo e não é o IBGE o culpado. O Censo de 2022 demonstrou a necessidade de mudança sobre os Fundos de Participação, principalmente o FPM.

O conhecimento da informação é poder. "Scientia potentia est" (Thomas Hobbes-1688). As sociedades hiperconectadas na nova economia digital se baseiam na exploração e usabilidade dos dados e informações, que vão subsidiar os processos de planejamento públicos e privados, demonstrando a relevância e insubstituibilidade do censo demográfico no Brasil.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 12/1/23. Opinião. p.21.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

HOMENAGEM E GRATIDÃO PÓSTUMA AO PADRE LÉO PESSINI E AOS CAMILIANOS (*)

Helio Begliomini (urologista, membro da Sobrames/SP e do Instituto Histórico de SP)

Batizado como Leocir Pessini, tornar-se-ia mais conhecido e afamado como padre Léo Pessini. Ele nasceu na pequena cidade de Ibicaré, no oeste catarinense, aos 14 de maio de 1955, e era aproximadamente dois meses mais jovem do que eu. Ainda na infância, seus pais mudaram-se para a cidade de Arroio Trinta (SC) e depois para Iomerê (SC).

Contando com 21 anos e desejoso de seguir sua vocação religiosa, ingressou no seminário São Camilo, em Iomerê (SC), onde iniciou o noviciado em 25 de janeiro de 1974.

Na Ordem dos Clérigos Regulares dos Ministros dos Enfermos ou simplesmente Ordem dos Ministros dos Enfermos, também chamada e conhecida por Ordem Camiliana, fundada em 1590, pelo italiano São Camilo de Lellis (1550-1614), fez sua primeira profissão religiosa em 26 de janeiro de 1975.

No ano em que me graduei em medicina, Leocir Pessini fez sua profissão perpétua, ocorrida em 25 de janeiro de 1978. Recebeu a ordenação diaconal em 21 de fevereiro de 1980 e, a ordenação presbiteral, em 23 de outubro de 1980, por dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016).

Leocir Pessini licenciou-se em filosofia na Escola Nossa Senhora da Assunção de São Paulo (1975-1977) e, em teologia (1977-1980), na Universidade Pontifícia Salesiana, em Roma. Posteriormente, fez pós-graduação em educação pastoral clínica e bioética (1982-1983 e 1985-1986) no St. Lukes’s Medical Center, em Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos da América (EUA).

Além de sacerdote, dedicou-se à vida universitária, obtendo seu mestrado (1990) e doutorado (2001) em teologia moral e bioética na Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Posteriormente, concluiu seu pós-doutorado na Edinboro University, no Centro de Bioética, na Pensilvânia (EUA).

Conheci o padre Léo Pessini na cidade de São Paulo, no início de minha carreira como médico. Era um jovem sacerdote, capelão do Hospital das Clínicas, experiência que lhe proporcionou assistir o presidente eleito do Brasil Tancredo de Almeida Neves (1910-1985), em sua enfermidade, que o levaria ao óbito. Desse inesquecível convívio escreveu o livro “Eu Vi Tancredo Morrer” (1985).

Alegre, dinâmico, muito entusiasta e idealista, organizou diversos Congressos de Pastoral da Saúde e Humanismo, no campus Ipiranga da Universidade São Camilo, onde eu participei de vários.

Dentre os cargos que padre Léo Pessini ocupou salientam-se: coordenador da Delegação de Pastoral da Saúde da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre 1994 e 1997, e membro da equipe de apoio do Observatório Pastoral do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). Foi também moderador do Camillianum – Instituto Internacional de Teologia Pastoral da Saúde, afiliado à Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Itália.

Além disso, padre Léo Pessini integrou a Câmara Técnica do Conselho Federal de Medicina e foi um dos grandes colaboradores do Código de Ética Médica atualizado em 2009.

Leo Pessini tornou-se uma das maiores autoridades no país, no campo da bioética! Foi editor de duas revistas científicas, sendo uma delas “O Mundo da Saúde”, e membro da diretoria da Associação Internacional de Bioética. Conferencista, ministrou muitos cursos no Brasil e no exterior. Escreveu inúmeros de artigos e, dentre eles, desde 1989, textos para a revista “Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus”. Eu fui seu assíduo leitor na coluna de bioética, que durante anos publicou mensalmente, na revista “Família Cristã” das Edições Paulinas. Era especialista em abordar temas relacionados à vida e à morte e, dentre eles, vale citar o título do artigo publicado pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná: “Dizer Adeus à Vida com Dignidade e Elegância”.

Ademais, publicou mais de 20 livros sobre bioética, pastoral da saúde e humanização da saúde, e ao menos um dele foi traduzido para o idioma croata. Dentre as obras de sua lavra, diversas delas com várias edições, têm-se: “Ministério da Vida”, “Problemas Atuais de Bioética” e a trilogia: “Distanásia: Até Quando Investir Sem Agredir”, “Eutanásia: Por Que Abreviar a Vida?” e “Humanização e Cuidados Paliativos”.

Padre Léo Pessini estimulou as comunidades médica e religiosa a refletir sobre questões como terminalidade da vida, obstinação terapêutica, cuidados paliativos e respeito à dignidade do ser humano vulnerabilizado pela doença e pelo sofrimento, sendo defensor da ética do cuidado e da proteção.

Destacou-se como sacerdote, professor universitário, pensador, conferencista, escritor e grande intelectual, um dos nomes mais importantes e respeitados da bioética do Brasil.

Na Congregação Camiliana foi superintendente da União Social Camiliana (desde 1995), superintendente do Círculo Social Camiliano (desde 2000); professor no curso de mestrado em bioética do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo; vice-reitor do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo e em Cachoeiro do Itapemirim (ES); superior da Província Brasileira dos Camilianos; e presidente das Organizações Camilianas no Brasil.

O Capítulo Geral Extraordinário da Ordem dos Ministros dos Enfermos ocorrido em Ariccia (Roma), elegeu padre Leonir Pessini seu 60o superior geral para o período 2014-2020. Contudo, acometido por uma doença neoplásica fatal, não chegou a terminar seu mandato, vindo a falecer em 24 de julho de 2019, aos 64 anos.

Passou seus últimos dias internado no Hospital São Camilo da Granja Viana, em São Paulo, cercado do afeto de seus irmãos de congregação e familiares.

Seu velório foi feito na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no bairro Pompeia (SP), e seu sepultamento ocorreu no dia 26 de julho de 2019, após a Santa Missa Exequial presidida pelo cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer.

Guardo grande gratidão e recordação do padre Léo Pessini. Além dos ensinamentos auferidos pelas reflexões de seus lúcidos artigos, tive a oportunidade de publicar há alguns anos, o livro “Urologia, Vida e Ética” (2006), no qual tive a honra de ter seis ilustríssimos e renomados prefaciadores – Dalton Luiz de Paula Ramos, José Renato Nalini, Miguel Srougi, Nelson Rodrigues Netto Júnior, Sami Arap, bem como o inesquecível padre Léo Pessini.

Seu nome é honrado e perenizado post-mortem, no “Auditório Padre Léo Pessini”, no Centro Universitário São Camilo, no campus Pompeia.

(*) Extraído do Blog sobramespaulista2018.blogspot.com; há uma versão curta em O Bandeirante Jan/23

 

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