Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Eros surge com Hesíodo, como Procriação, a
força de atração que viria a unir imortais e mortais entre si e uns com os
outros. Mais tarde, no período Alexandrino, assume um garoto com asas que
dispara flechas amorosas. Cupido é ele denominado.
Platão descreve-o com duas características:
a pobreza e a carência da mãe Pênia e a sagacidade, audácia e coragem do pai
Poros, à espreita dos belos de corpo e de alma. Da contemplação da beleza
física chega-se à contemplação de todo o belo.
Para Hesíodo, porém, Eros era filho de
Afrodite, formada pelos testículos de Urano, e com seus irmãos eram chamados de
Erotes, com as suas diversas faces do amor.
Eros, com sua flecha sempre pronta a
disparar, é assumido 'correio' do amor.
Platão apresenta este amor ‘como uma doença
mental grave’ e, ao mesmo tempo, como caminho para a sabedoria, através do que
ele denomina ascese.
Mais tarde, no Romantismo, surge um amor
melancólico e nostálgico, com a paixão sobrepondo-se à razão, quando Eros
aproxima-se de Tanatos. Os sentimentos explodem no prazer sexual, gerando
tristeza e sofrimento na sua carência.
Em nossos dias, o amor tende a ceder a
instâncias genitais, com seu efêmero prazer, como se fora mera paixão. “Amor é
apenas instinto de sobrevivência da espécie.” – Arthur Schopenhauer. Erich From
assim fala do amor: "O amor é uma força ativa no homem; uma força que
irrompe pelas paredes, que separam o homem de seus semelhantes, que o une aos
outros; o amor leva-o a superar o sentimento de isolamento e de separação,
permitindo-lhe, porém, ser ele mesmo, reter sua integridade. No amor, ocorre o
paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois."
O historiador Will Durant conta que "o
amor romântico existia entre os gregos, mas raramente determinava os
casamentos".
Pra Zygmunt Bauman, vive-se hoje o ‘amor
líquido’: o simples apertar de uma tecla rompe laços e os relacionamentos
tornam-se irrelevantes e efêmeros, com ainda mais riscos num encontro físico.
O amor jamais será uma invenção ou uma
criação. O amor é expressão do próprio ser humano, cujo ônus é encontrá-lo no
seu recôndito para amá-lo ou assumir penúrias de sórdida contradição ou
traumática rejeição.
Tenhamos uma boa segunda-feira, com as
bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 23/02/26.
