Por Sofia Lerche Vieira (*)
Pesquisa recente financiada pela Fundação
Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), sob
nossa coordenação, focalizou desafios da política educacional na Região
Metropolitana de Fortaleza (RMF). O estudo detectou que a presença de facções
criminosas em diversos municípios impacta escolas, famílias e comunidades,
gerando medo e até suspensão de aulas.
O poder público tem buscado respostas para
enfrentar tal situação, mediante ações de órgãos de Educação, Segurança
Pública, Assistência Social e do Justiça, buscando também coordenar esforços
intersetoriais.
As secretarias de Educação têm adotado
medidas como reforço da vigilância em imediações de escolas, reorganização de
horários e rotas de transporte seguro para estudantes, e ações pedagógicas e
socioemocionais visando aumentar a resiliência dos alunos.
Iniciativas voltadas para a segurança
escolar existem tanto no âmbito estadual quanto municipal. Em Fortaleza, por
exemplo, a Guarda Comunitária Escolar (GCE) realiza patrulhamento preventivo e
contínuo em mais de 650 escolas, CEIs e creches, acompanhando alunos e
professores na entrada e saída das escolas.
Apesar dos esforços, desafios persistem.
Políticas setoriais esbarram em limitações de recursos, dificuldades de
articulação interinstitucional e na própria desigualdade territorial na região,
repercutindo sobre o acesso das comunidades a programas de prevenção e apoio. A
rotatividade de profissionais, a escassez de infraestrutura adequada e a
incapacidade de implementação uniforme de programas educativos agravam essas
dificuldades.
Para familiares e educadores, a sensação de
insegurança continua sendo um obstáculo cotidiano, e as respostas encontradas
têm sido insuficientes para confrontar problemas complexos que atravessam a
vida escolar e social dos jovens. É urgente e necessário fortalecer a presença
do Estado nas comunidades, mediante esforços institucionais coordenados. Ações
dessa natureza reduzem riscos imediatos, reafirmando a escola e o território
como espaços de proteção, aprendizagem e futuro, e não de medo e abandono.
(*) Professora do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.
