Por
Mário Mamede (*)
Em primeiro de julho de 2025 foi publicado
no jornal O POVO matéria com bastante destaque acerca da morte de 50 Palmeiras
na Beira Mar de Fortaleza, numa extensão de aproximadamente 1,6 km. Várias
opiniões foram manifestadas por curiosos leigos, turistas, moradores próximos e
de administradores da Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza -
Urbfor.
Dentre os vários palpites e pitacos alguns
apontaram que isso ocorreu porque não foram cuidadas adequadamente; faltou
adubação e aguação; o sol é muito intenso; a estiagem foi prolongada...
Um botânico da Semace comentou que as
mortes pudessem estar relacionadas a Doença do Bronzeamento Letal, causada por
um inseto que se alimenta de sua seiva e ocasiona uma contaminação letal para a
planta. Outros ainda comentaram dificuldades de transplantar uma planta já de
médio porte ou mesmo mudas cultivadas fora do seu habitat em terrenos de
baixios no semiárido nordestino.
Devo dizer que já viajei muito pelo Ceará e
vi muitas carnaubeiras em convívio coletivo e mesmo, aqui e acolá,
isoladamente, mas sempre na região do nosso sertão. Por outro lado, nunca vi
uma carnaúba nascida ou plantada por praianos nas franjas do litoral cearense.
E não fazem isso simplesmente porque sabem que essas plantas não são praieiras.
Outra reportagem nesse mesmo jornal, em 13
de janeiro recente, com manchete de chamada em primeira página dizia que as
finadas carnaubeiras (aquelas da reportagem de Julho do ano passado, lembram?),
ainda não tiveram os seus restos mortais retirados e estão à espera do órgão de
paisagismo da PMF ou da empresa contratada para que tal faça a limpeza e
providencie o plantio de outras carnaúbas logo que as chuvas começarem.
A questão não é chuva de mais ou de menos
nem a culpa é do calor do sol. Se assim fosse não teríamos a riqueza de
exuberantes coqueirais em nossas praias e nem das colônias de carnaubeiras
enfeitando nossos baixios na paisagem do semiárido cearense. A questão é que
devemos respeitar a natureza das plantas e as características dos seus lugares
de moradia, seus habitats. Repetir o mesmo procedimento errado para chegar a um
resultado desejável não é uma boa prática.
Seguramente é mais coerente fazer acertadas
escolhas de plantas com copas frondosas, exuberantes, para nos beneficiarem com
suas sombras acolhedoras, dos belos ipês e mesmo de árvores frutíferas para
enfeitar nossa cidade e deixar que num futuro próximo a moçada se delicie com
seus saborosos frutos.
(*) Médico ortopedista.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/03/2026. Opinião. p.18.
