sexta-feira, 6 de março de 2026

A epifania do Senhor: luz para todos os povos

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Janeiro é o mês do recomeço. O calendário vira, os dias se renovam, e somos convidados a olhar para frente com esperança. Para nós cristãos, esse tempo não é apenas uma oportunidade de traçar metas e fazer promessas: é um chamado à conversão, à escuta de Deus e à vivência mais profunda da fé.

O tempo é um dos maiores dons que Deus nos concede. Cada segundo é uma oportunidade de amar, servir, crescer e se aproximar do Senhor. No entanto, muitas vezes vivemos como se o tempo fosse infinito, adiando decisões importantes, negligenciando relacionamentos e esquecendo que "o hoje" é tudo o que temos.

Por isso, Janeiro, por excelência traz a proposta de mudanças de renovação em nossa vida espiritual. Após as festas de fim de ano, é comum sentirmos um certo vazio ou cansaço. Mas Deus nos chama a recomeçar com Ele. A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de Janeiro), nos lembra que o ano começa sob o olhar materno da Virgem Maria, que nos conduz a Jesus.

Logo depois, somos convidados a contemplar com profundidade o mistério da Epifania do Senhor, uma das celebrações mais ricas e universais da nossa fé cristã. A palavra "Epifania" vem do grego epiphaneia, que significa "manifestação" ou "revelação". Jesus Cristo se manifesta como luz para todas as nações, como Salvador não apenas de Israel, mas de toda a humanidade.

A Solenidade da Epifania encerra o Tempo do Natal. Enquanto o nascimento de Jesus foi revelado aos pastores - representantes dos humildes e marginalizados de Israel - a Epifania marca a visita dos Magos do Oriente, que representam os povos gentios, os estrangeiros, os buscadores da verdade. Eles vêm guiados por uma estrela, símbolo da luz divina que brilha nas trevas e conduz os corações sinceros até o Salvador.

Este encontro entre os Magos e o Menino Jesus é profundamente simbólico: é o cumprimento das profecias que anunciavam que todas as nações viriam adorar o Messias (Is 2,2-3. 11,10. 60,3; Zc 14,16). É a confirmação de que o amor de Deus não conhece fronteiras, que o Cristo é universal, que a salvação é oferecida a todos.

Quem eram esses Magos? A tradição os chama de reis, e lhes atribui nomes: Gaspar, Melchior e Baltasar. Mais do que reis, eram sábios, estudiosos dos astros, homens que buscavam sentido para a existência. Eles representam todos os que são tocados pela graça e se põem a caminho.

O que os move? Uma estrela. Um sinal no céu. Deus fala também através da criação, e os corações atentos percebem. Eles não se contentam com o conforto de suas terras; enfrentam perigos, atravessam desertos, perguntam, erram, recomeçam. São peregrinos da fé. E quando finalmente encontram o Menino, não hesitam: prostram-se e O adoram.

Os presentes que os Magos oferecem - ouro, incenso e mirra - são cheios de significado:

* Ouro: símbolo da realeza. Jesus é Rei, mas não como os reis deste mundo. Seu trono é a cruz, seu cetro é o amor.

* Incenso: símbolo da divindade. Jesus é Deus, digno de adoração.

* Mirra: símbolo do sofrimento. Jesus é homem, destinado a sofrer por nós.

Esses presentes revelam quem é Jesus: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Rei e Servo, Salvador e Sacrifício.

Celebrar a Epifania é mais do que recordar um evento do passado. É reconhecer que Deus continua se manifestando. A estrela ainda brilha. Os sinais ainda são dados. Mas é preciso ter olhos atentos e coração disponível.

Muitas vezes Deus se revela nas pequenas coisas: na beleza da natureza, na Palavra proclamada, na Eucaristia celebrada. A Epifania nos convida a sermos como os Magos: buscadores da verdade, adoradores do Mistério, generosos em nossa entrega.

A Epifania também nos ensina sobre conversão. Os Magos, depois de encontrarem Jesus, voltam por outro caminho. Isso não é apenas geográfico - é espiritual. Quem encontra o Cristo não pode seguir vivendo da mesma forma. A luz que brilha transforma, ilumina, purifica. A Epifania é convite à mudança, à renovação, à abertura ao novo.

Deixemo-nos guiar pela estrela da fé. Que possamos reconhecer os sinais de Deus em nossa vida, adorá-Lo com sinceridade, oferecer-Lhe o ouro do nosso amor, o incenso da nossa oração e a mirra dos nossos sofrimentos.

Que a luz de Cristo brilhe em nós e nos torne também manifestações do amor de Deus no mundo. Que sejamos estrelas que conduzem outros ao Salvador. E que, como os Magos, nunca deixemos de buscar, de caminhar, e de ser corações adoradores.

Desejo a todos um 2026 de bençãos, paz e prosperidade!

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 24/01/2026. Opinião. p.18.

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 861 Blog 6/02/26

Abro com uma historinha.

"Leu os livros errados"

Brasília, Congresso Nacional, 11 de abril de 1964. Castelo Branco não teve o voto de Tancredo Neves, seu amigo pessoal de longa data, companheiro na Escola Superior de Guerra, em 1956. Tancredo bateu o pé. Comunicou ao PSD que votaria em branco, apesar dos méritos e credenciais do general Castelo Branco. Questão de princípio: era contra o golpe. Não queria nem um minuto de regime militar, não abria mão da democracia. Conta-se que, esgotados todos os argumentos dos pessedistas para convencê-lo, o amigo e ex-chefe JK, então senador por Goiás, fez um apelo: "Mas, Tancredo, o Castelo é um sorbonniano, estudou na França. É militar diferente, um intelectual como você. Já leu centenas de livros!". Tancredo: "É verdade, Juscelino. Só que ele leu os livros errados".

Dois meses depois o governo cassou o mandato e os direitos políticos de JK, que partiu para o exílio e o sofrimento sem fim.

(Caso narrado por Ronaldo Costa Couto).

Vestiu a camisa do desenvolvimento e seu slogan "50 anos em 5" foi um sucesso. Colou. Seu sorriso era a estampa de um país feliz.

(História narrada por Isabel Lustosa)

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/416431/porandubas-n-861


quinta-feira, 5 de março de 2026

COMEMORAÇÃO DOS 139 ANOS DO INSTITUTO DO CEARÁ

Os sócios na solenidade de comemoração dos 139 anos de fundação do Instituto do Ceará em 4/03/26 (Foto compartilha pelo sócio Dr. Giçspn Moreira).

O Presidente do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), SERIDIÃO CORREIA MONTENEGRO, conduziu a solenidade comemorativa dos 139 anos de fundação do INSTITUTO DO CEARÁ, que foi realizada no Instituto do Ceará, na noite de quarta-feira passada (4 de março de 2026).

A Mesa Diretora dos trabalhos contou com a presença do Presidente de Honra José Augusto Bezerra, dos ex-presidentes Lúcio Alcântara e Júlio Lima Verde, do associado remido Miguel Ângelo (Nirez), do associado efetivo Ésio de Souza, da Deputada Federal Fernanda Pessoa e do atual presidente Seridião Montenegro.

A fala em homenagem ao aniversário institucional foi de responsabilidade do do consócio José Filomeno Morais Filho, que brindou a audiência com um robusto e bem-urdido discurso repleto de referências históricas alusivas à Casa do Barão, notadamente vinculadas a sócios pioneiros.

Na oportunidade, foi apresentada e distribuída aos membros da mesa diretora e aos sócios presentes na sessão o número 139 da Revista do Instituto do Ceará, cuja coordenação editorial coube Gen. Júlio Lima Verde. Nela há, da nossa autoria, um ensaio intitulado “A História da Medicina do Ceará contada em livros”.

O Auditório Thomaz Pompeu Sobrinho esteve lotado de autoridades civis e militares, bem como de representantes de entidades culturais que, juntamente, contando com a larga presença de consócios, puderam desfrutam de uma noite repleta de simbolismo social e de enlevo cultural.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Do Instituto do Ceará

PESAR POR DR. JOSÉ WILSON ACCIOLY

É com profundo pesar que aqui anuncio o falecimento na tarde de ontem, 4 de março de 2026, do Dr. JOSÉ WILSON ACCIOLY, médico dermatologista e membro honorável da Academia Cearense de Medicina (ACM), desde 29/09/2023.

Nasceu José Wilson Accioly em Santana do Acaraú, Ceará, em 3/07/1936, filho de José Accioly Araújo e Ana Alice Accioly.

Estudou do primário até o segundo ano científico em escolas sobralenses, as cumpriu o terceiro ano científico, em Fortaleza, no Liceu do Ceará.

Ingressou na Faculdade de Medicina do Ceará em 1956 e colou grau da Universidade Federal do Ceará em 1961

Wilson Accioly iniciou seu aprendizado Dermatologia, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina do Ceará. Seguiu depois para o Rio de Janeiro, onde cumpriu curso de especialização na Santa Casa de Misericórdia.

Após a formatura, foi admitido como médico do Hospital do Pronto-Socorro da Assistência Municipal de Fortaleza. Exerceu o cargo de dermatologista do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE) e da Secretaria da Saúde do Estado, sendo alçado às funções de diretor da Unidade Sanitária Darcy Vargas durante várias gestões.

Profissional de reconhecida competência manteve, por longos anos, um concorrido consultório particular, tornando-se referência na Dermatologia cearense.

Foi admitido na ACM, como Membro Titular, em 9/09/1994, ocupando a cadeira 38, patroneada por Álvaro Otacílio Nogueira Fernandes. Nessa arcádia médica exerceu relevantes cargos, incluindo o de Secretário Geral e o de Presidente.

Casado com Therezinha Mont’Alverne Adeodato Accioly, desde 1964, deixa os filhos: José Wilson Filho, dermatologista; Paulo Marcelo, urologista; Adriano, dermatologista; e Janine, advogada.

O corpo do Dr. Wilson Accioly está sendo velado, desde às 21 horas de ontem, no Velatório Aethernus, à Rua Pe. Valdivino, Nº 1688. Hoje, dia 5 de março de 2026, às 11h, transcorrerá a missa de corpo presente, e  seus despojos serão cremados.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina


PROTAGONISMO DA DIVERSIDADE

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Sem liberdade, perde-se a essência da existência, perde-se a dignidade de filhos de Deus, perde-se o direito à autodeterminação, perde-se o direito a escolhas e o encontro do sentido da vida esvai-se como fumaça. A paz torna-se um pesadelo. A cidadania vai para o ralo e a gente deixa DE SER GENTE, de ser humano, se nos extirparem o direito de pensar, de decidir, de ser.

Esse ponto não é o calcanhar de Aquiles, mas é o fio condutor da coexistência humana, nos seus princípios, valores, direitos e deveres, em vista do bem comum – para todos e não para castas e elites, cada pessoa com capacidade e oportunidade de desenvolver seus potenciais de sobrevivência, de existência e de convivência.

Dizem que a diversidade é uma riqueza da humanidade e o é. Todavia, diversidade sem universidade, ou seja, sem algum polo de convergência, torna-se ‘Homo homini lupus’, como dizia Thomas Hobbes, fundamentado na Asinaria do dramaturgo romano Plauto. Parodiando-o, ouso afirmar “Diversitas homini ac vitae lupus”.

A diversidade de flores, árvores, montes e colinas, de animais e toda sorte de seres vivos, não apenas forma ecossistemas e assegura a vida deles e do planeta, mas nos fala de uma harmonia que mantém a dinâmica da natureza. Diferentemente dessas classes, que denominamos de irracionais e são movidas pelo instinto de sobrevivência da ‘struggle for life’, como expressava Darwin, referindo-se à sobrevivência das espécies, a criatura humana é o protagonista da história do planeta, com a diversidade de culturas, de raças, de hábitos e de crenças. Com sua capacidade de pensar, de discernir e de decidir, o ser humano pode optar pela vida ou pela morte, pela paz ou pelo ódio, pela tolerância ou pelo preconceito, pela exclusão ou pela inclusão, pelo todo ou pelas partes, pelo diálogo ou pela submissão, pelo diálogo ou pelo confronto, pela ruptura, pela beligerância ou pela harmonia da interdependência, pela honradez ou pela bandidagem, pela virtude ou pelo vício, pelo prazer ou pelo amor, pela convivência ou pela divergência, pela constatação ou contestação, pela confraternização ou pela conflagração, pela liberdade ou pela escravidão. Enfim, pela cidadania, que nos irmana e nos faz todos cidadãos e cidadãs do mundo, com direitos inalienáveis e deveres inextinguíveis, ambos inegociáveis.

Não se podem confundir sobrevivência e consciência por subserviência, fé com irracionalidade, livre arbítrio com libertinagem.

Fala-se em riqueza de diversidade, mas se golpeiam cultos, crenças e opiniões divergentes. Fala-se de tolerância, mas invadem-se liberdade e dignidade de princípios e valores. Fala-se de respeito, mas confunde-se fidelidade com fundamentalismo e extremismo.

Precisamos de um ponto comum, numa reflexão profunda, séria e verdadeira, para nos situarmos com justiça, verdade, respeito, tolerância. Assim, construiremos, deveras, o respeito que merecem as diversidades, no concerto sereno, justo e convivencial de todas as nações, de todos os povos. Ou, então, continuaremos a nos ‘hipocritar’, enquanto dança estranha torna-se vírus mortal de toda a riqueza e beleza e magnanimidade da diversidade e da própria vida.

E paz e amor e justiça exorcizam-se da humanidade.

No final, uma pequena reflexão pessoal.

Creio que não somos produtos do acaso. Mas, uma Sabedoria incriada, absoluta e poderosa proporcionou-nos ‘vida plena’ de pujantes dons de ser e de viver, colocando-os dentro de nós, à espera de os descobrimos e deles fazermos nossos condutores, conselheiros e companheiros essenciais de nossas decisões, atitudes e gestos. Denomino-O Deus, Criador de todas as coisas, a Quem devemos, como humanidade, como indivíduos e como pessoas, reconhecimento, gratidão e responsabilidade de cuidar com amor, carinho e determinação de nossa ‘casa comum e de todos os seus habitantes’.

Independentemente de qualquer postura, que deve ser respeitada, a afirmação de Benjamin Franklin ainda pulula, gritante e contundente, em nossas mentes e nos arremete a sérias e profundas reflexões: “Achar que o mundo não tem um Criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão numa tipografia.”

Deus é bom!

Tenhamos uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 6/02/26.

quarta-feira, 4 de março de 2026

ECONOMIA CIRCULAR: caminho estratégico para a indústria do futuro

Por Lauro Chaves Neto (*)

A Economia Circular deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se consolidar como estratégia essencial de competitividade para a indústria. Em um cenário de escassez de recursos, aumento de custos e pressão por sustentabilidade, reaproveitar materiais, reduzir desperdícios e redesenhar processos produtivos não é mais opção - é necessidade.

Para que essa transformação aconteça de forma consistente, é fundamental promover a colaboração integrada entre os diferentes níveis de governo, os elos da cadeia produtiva e os trabalhadores do setor industrial. A atuação conjunta permite superar barreiras regulatórias, alinhar políticas públicas e criar um ambiente favorável à inovação. Cabe ao poder público criar incentivos, atualizar legislações e oferecer segurança jurídica.

A indústria ocupa papel central nesse processo. É nela que surgem as maiores oportunidades de redução de impactos ambientais, economia de insumos e aumento da produtividade. A adoção de modelos circulares possibilita às empresas reduzir custos operacionais, otimizar o uso de energia, reaproveitar resíduos e desenvolver novos produtos a partir de materiais antes descartados, ampliando também a competitividade nacional e internacional.

Nesse contexto, a colaboração público-privada é decisiva. Parcerias estratégicas estimulam o desenvolvimento de tecnologias limpas, a modernização dos processos produtivos e a criação de novos modelos de negócio. Reconhecer e divulgar experiências bem-sucedidas é fundamental para inspirar outras indústrias a adotarem práticas sustentáveis.

Além dos ganhos ambientais, esse modelo gera impactos sociais positivos, com a criação de empregos, valorização do trabalho local e fortalecimento das cadeias produtivas regionais. Investir em Economia Circular é apostar em desenvolvimento econômico com responsabilidade social.

Para a indústria brasileira, a Economia Circular não é uma escolha, é uma imposição do presente. Permanecer preso a modelos ultrapassados significa perder competitividade, mercados e oportunidades. O futuro da produção exige inovação e uso inteligente dos recursos.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 2/02/26. Opinião. p.20.


As normas contábeis e a reforma tributária

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

As dificuldades de relacionamento e negociação entre empresas de diferentes países levaram à criação, nos anos 1970, do International Accounting Standards Committee (IASC), organismo independente formado por entidades contábeis da Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Irlanda, Japão, México, Países Baixos e Reino Unido. O objetivo era definir normas contábeis que pudessem ser utilizadas globalmente.

As primeiras medidas foram publicadas pelo International Accounting Standards Board (IASB), que ficou responsável pela emissão das Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS). A instituição possui mais de 140 entidades contábeis profissionais, inclusive do Brasil. No mundo empresarial, se cada organização seguir as normas contábeis do seu país, não existirá um padrão para as demonstrações contábeis, consequentemente, estas informações não serão comparáveis. No entanto, se for aplicado o mesmo padrão nos diferentes países a compreensão das informações fluirá de forma natural.

O processo de adoção das normas internacionais de padrões contábeis no Brasil teve início em 2005, com a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), responsável pela tradução e adaptação das normas internacionais às normas brasileiras de contabilidade (NBC). Em 2007, as normas IFRS tornaram-se obrigatórias para as empresas de capital aberto, que tiveram um prazo de adaptação de três anos para implementá-las.

Atualmente, o CPC é responsável pelo alinhamento das regras contábeis brasileiras, emitidas por diversas entidades regulatórias, com os padrões internacionais IFRS e são editadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A última edição aconteceu em 24 de dezembro passado, que tornou obrigatória para as companhias abertas o aprimoramento e a apresentação das demonstrações contábeis, exigiu a divulgação em notas explicativas de medidas de desempenho definidas pela administração e introduziu novos princípios para a agregação e desagregação de informações contábeis.

A Reforma Tributária muda profundamente o papel da contabilidade, exigindo adaptação dos sistemas, revisão de processos e capacitação, com o CPC tendo um papel crucial na normatização do IVA Dual (CBS e IBS) e na orientação sobre a não cumulatividade plena, créditos fiscais mais amplos e novas obrigações acessórias. O CPC será fundamental para emitir pronunciamentos que interpretem e orientem a aplicação das novas regras do IVA Dual, do conceito de "estoques" e da apuração de créditos.

Em resumo, a reforma tributária exige uma reengenharia dos processos contábeis, direcionando o foco para uma gestão mais estratégica e integrada ao negócio, com o CPC liderando a normatização desse novo cenário.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 22/01/26. Opinião. p.19.


 

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