Por Daniel
Gifone, jornalista de O Povo
Projeto feito
em colaboração entre a Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos foi
pioneiro na Cidade, mas situação de abandono é destacada por frequentadores
No dia 19 de novembro de 2015, foi
inaugurada, no bairro Dionísio Torres, a primeira rua compartilhada de
Fortaleza, realizada a partir da Parceria Pública e Privada (PPP) entre a
Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos.
O projeto tinha como objetivo, de acordo com a própria gestão
municipal, possibilitar uma convivência harmoniosa entre pedestres e ciclistas,
autorizando a apenas a passagem de ambulâncias em caso de emergências e
inserindo o conceito de traffic calming nas extremidades das ruas, sem
desníveis ou barreiras, facilitando o trânsito das pessoas.
A via contava, a princípio, com bancos, mobiliário urbano,
paraciclo, piso drenante, painel de mosaico, jardim vertical, paisagismo,
iluminação de LED e uma geladeira que servia como biblioteca pública, para quem
quisesse ler no local.
Desde então, pouco se foi noticiado sobre a rua, apesar de a
Prefeitura ter verbalizado, na época, sua intenção de continuar investindo em
projetos voltados para a melhoria da mobilidade urbana.
A poucos meses do décimo primeiro aniversário de inauguração, o O
POVO visitou a rua, a fim de observar o cenário atual e averiguar como tem sido
a manutenção do equipamento.
O que foi encontrado foi uma rua em situação precária, com lixo
espalhado pelo chão, vegetação crescendo desordenadamente nas beiradas dos
muros que, por sua vez, estão com sua pintura desgastada, descascando e com
manchas.
Outras características notáveis são um jardim vertical mal cuidado,
bancos faltando, além de um poste com seu transformador exposto, com grande
potencial de causar um acidente.
O comerciante Sebastião Gomes, que há dez anos possui um ponto de
venda de lanches na rua, diz que chegou a notar serviços como retirada de
algumas vegetações, porém, nenhuma reforma significativa.
De acordo com ele, a coleta de lixo no local teria sido
interrompida, com lixeiros já não passando mais pela rua para coletar os
dejetos, tornando a limpeza do local responsabilidade dele e da equipe do
Hospital São Carlos.
“Não tinha lixeiro recolhendo mais, porque antes eles faziam
isso, né? Tinha um rapaz que tirava o lixo que tava aí dentro e levava pro
caminhão recolher, aí depois desistiram do rapaz. Aí ficou por nossa conta, aí
toda vez que a gente vinha aqui tinha muito lixo aí, mas sem proteção, aí eu
mesmo decidi 'emborcar', aí fica como assento”, explica.
O eletricista Leandro Barros destacou que os postes e as árvores
também apresentam insegurança para quem transita no local: "As árvores estão
muito velhas. O perigo delas é de cair, é mais perigoso ficar embaixo da árvore
do que esperar nelas para ter proteção do sol. É muito risco”.
“Se é responsabilidade da Prefeitura, então é a responsabilidade
dela de zelar, assim como é do hospital também. Mas que ela está maltratadinha
ela está, de limpeza, acho que não teve a evolução dela. No começo ela parecia
ser artística, mas não está mais atrativa”, avalia.
Em nota, a Coordenadoria Especial de Apoio à Governança das
Regionais (Cegor) informou que tanto a rua Otoní Façanha de Sá quanto a Praça
Rogério Froes, contam com projeto de manutenção elaborado pela gestão
municipal.
A proposta para a rua, em particular, contempla a manutenção do
piso drenante, com o objetivo de qualificar a infraestrutura local e
proporcionar mais conforto e segurança aos usuários.
Quanto à previsão para a realização, a nota informa que as
intervenções serão executadas de acordo com a disponibilidade orçamentária e o
cronograma de investimentos da gestão municipal.
Já a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP)
comunicou que realiza a coleta domiciliar de resíduos na rua Otoní Façanha de
Sá três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, no período da
noite.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/07/26. Cidades. p.12.
