quinta-feira, 19 de março de 2026

Ceará se prepara para receber a nova Diocese de Baturité

Por Carlos Daniel, jornalista de O Povo.

Celebração histórica ocorre no próximo dia 25 e deve reunir cerca de 10 mil fiéis, além de forte esquema de segurança na cidade

A Arquidiocese de Fortaleza apresentou, nesta quarta-feira, 18, os detalhes da criação da nova Diocese de Baturité. A instalação canônica está marcada para o próximo dia 25 de março e deve reunir milhares de fiéis, além de autoridades civis e religiosas de todo o Ceará. O evento contará com um esquema especial de segurança e uma ampla estrutura para acolher o público.

Durante coletiva de imprensa realizada no Palácio Entre Rios, em Baturité, o padre José Benício Nogueira afirmou que a cidade se prepara para receber cerca de 10 mil pessoas.

A programação oficial terá início às 17h30min, com a entrada do novo bispo, dom Luiz Gonzaga Pepeu — conhecido como dom Pepeu — na Catedral de Nossa Senhora da Palma, onde ocorrerão os ritos de instalação e posse, em cerimônia privada. Em seguida, às 18h30min, será celebrada uma missa campal no patamar da igreja, aberta ao público.

Ao todo, estão confirmados 41 bispos, mais de 250 sacerdotes, cerca de 50 religiosos e mais de 30 diáconos. A cerimônia marca um momento histórico para a Igreja Católica no Ceará.

Marco histórico para a Igreja no Ceará

O padre Vanderlúcio Souza, representante da Arquidiocese de Fortaleza, afirmou que “a igreja no Ceará vive um momento histórico e de grande significado pastoral” com a criação do novo episcopado.

A nova diocese é a décima do Ceará e a primeira criada pelo papa Leão XIV no Brasil. O anúncio foi feito no dia 1º de janeiro deste ano e simboliza, segundo o padre Vanderlúcio, o fortalecimento da presença da Igreja na região do Maciço de Baturité, ampliando a ação evangelizadora e o cuidado pastoral com as comunidades.

Estrutura e organização da nova diocese

A Diocese de Baturité abrangerá 21 paróquias distribuídas em 14 municípios da região, sendo Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia, Paramoti, Redenção, Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira e a própria cidade de Baturité.

Como parte da estruturação da nova diocese, a Prefeitura de Baturité anunciou a doação de um terreno de aproximadamente quatro hectares. Localizado da igreja da Sagrada Família, no conjunto Maria José Viana, o espaço será destinado à construção dos equipamentos da cúria diocesana

Dom Luiz Gonzaga Pepeu será o primeiro bispo da nova circunscrição e chegará ao Ceará no dia 24 de março, sendo recebido em Fortaleza por dom Gregório antes de seguir para Baturité.

A posse canônica ocorrerá durante a cerimônia do dia 25, oficializando a missão do novo bispo e a estrutura eclesial da diocese. A celebração contará com a presença de representantes do Vaticano, incluindo o cardeal Sérgio da Rocha.

Esquema de segurança e organização do trânsito

Para garantir a tranquilidade do evento, foi montada uma operação integrada envolvendo forças de segurança estaduais e municipais. Cerca de 150 policiais militares atuarão diretamente na operação, que começa já no dia 24 de março, com o reforço do policiamento nos principais pontos da cidade.

O planejamento prevê a divisão das áreas de atuação em zonas de segurança, com policiamento a pé nas imediações da catedral, além do apoio de unidades especializadas, como cavalaria, Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) e Polícia Rodoviária Estadual, que atuará nas vias de acesso ao município.

O Corpo de Bombeiros e equipes de saúde também estarão de prontidão para atendimentos emergenciais, enquanto agentes de trânsito irão coordenar o fluxo de veículos. As ruas no entorno da Praça da Matriz serão interditadas para garantir a circulação dos pedestres e a realização da missa campal.

Além disso, a prefeitura organizará espaços de apoio, como praça de alimentação e áreas específicas para ambulantes, com o objetivo de oferecer melhor estrutura aos visitantes e evitar aglomerações em pontos críticos.

Transmissão do evento

A instalação da Diocese de Baturité será transmitida ao vivo em rede nacional por emissoras de televisão católicas, além de plataformas digitais.

Entre os veículos que farão a transmissão estão Rede Vida, TV Evangelizar, Sistema Shalom de Comunicação, além de emissoras de rádio local. (Colaborou Penélope Menezes)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/03/26. Cidades. p.14.


COISAS NA VIDA

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Na vida, acontecem muitas coisas, pois, sem acontecer coisas, a vida fenece e deita-se no vácuo.

Acontecem coisas simples e labirínticas, herméticas e transparentes, plurais e diversas, semelhantes e diferentes, amistosas e irônicas, hilárias e tristonhas, destruidoras e edificantes, decepcionantes e motivadoras. Todas elas chegam como visitas, muitas passam ao largo, porém algumas ficam como residentes e outras, se deixar, somente se eu permitir, ficam fantasmas a me importunar e a me tentar estorvar.

As coisas, que me interpelam, eu falo com elas. As coisas, que me ironizam, eu as analiso. As coisas amistosas e sinceras, eu caminho com elas. As coisas mascaradas, eu desconfio delas. As coisas dissimuladas e vazias, eu as descarto. As coisas, surpresas desagradáveis, eu as busco ‘resiliar’. As coisas sonhadas, eu acordo com elas. As coisas deprimentes e decepcionantes, atiro-as de mim. As coisas hilárias, eu sorrio com elas.

Apesar de todo esmero, há coisas que salpicam, grudam e não desgrudam, mas calam-se ao serem calcadas, com a força proativa da resiliência.

Há, porém, outro tipo de coisas, mais robustas e mais vigorosas, por vezes, contundentes, são as coisas que me mergulham e nelas eu imerjo, rastreio seus calcáreos, meço sua profundidade e delas emerjo. Novas aprendizagens, asas mais fortes para voos mais audazes, sem perder a prudência e a humildade de um simples e sábio andarilho.

Dulcia non merit qui non gustat amara (tradução livre: Ninguém merece o doce, sem nunca ter provado o amargo).

A todos desejo uma boa quaresma e uma agradável quarta-feira, com as bênçãos de Deus !!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 18/02/26.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Carnaval e café com bolo da Walma

Por Izabel Gurgel (*)

O melhor bolo do nosso mundo é o da Walma, a primeira Laena da família e a herdeira da forma de bolo da tia Meralda. Tia Esmeralda fez durante anos nossos melhores bolos. O de cobertura de maracujá, cortado em losangos, surgia feito um painel Athos Bulcão, daqueles que a gente vê em Brasília e reconhece o jogo, a brincadeira com a geometria, e lambe com os olhos, ao tempo que a obra nos olha, como a paisagem.

No caso do simples bolo fofo da Walma, dá pra saber bonito, sentindo, por que chamamos de céu da boca um dos portais de alegrias que levamos em nós.

Depois da Flora - que tem dois anos, dois meses e três dias e já tem chão de apreciadora praticante do bolo da vó -, o bolo da Walma é o ímã mais eficaz para nos aglutinar. Mal aparece no zap a mensagem "tem bolo da Walma" e chega todo mundo antes que o bolo esfrie. Velozes? Kms de distância parecem ficção.

Dobramos o espaço, e a mesa realiza seu destino de encruzilhada. É o nosso simpósio. E cada bolo, a nos lembrar de que nadica de nada sabemos sobre o milagre que é a vida, cada bolo atualiza a cantada perfeição do anterior. E nos absurda. Como pode estar melhor que aquele?

O cheiro do bolo é banda de bloco dobrando a rua. O corpo escuta logo. Células no modo confete, coluna se desenrola feito serpentina e os pés ensaiam rotas de cura. É tipo anúncio da farra, e me faz pensar n'A Turma do Mamão, nascida e criada no Centro de Fortaleza.

A Turma do Mamão desfila amanhã, segunda, na Domingos Olímpio, onde a vi passar anos atrás com aquela alegria em bando que a rua amplia de um jeito que só é possível na rua. E a rua cresce com ela.

Não há Carnaval que não me ocorra Clarice, adulta, recriando o Recife da infância em tempo de folia. Ela afirma que foi quando se deu conta do destino para o qual as ruas da cidade haviam sido feitas.

Um pedacinho do texto "Restos do Carnaval" nos dá as boas-vindas, a nós visitantes, ao Paço do Frevo, museu no Centro de Recife. Se der vontade de ler na íntegra, dá um google e vc acha fácil. Prefere ler no papel? Está no livro "Felicidade Clandestina".

Tão nosso isso da escritora "complexa e difícil" de abre-alas no velho prédio restaurado que abriga uma fonte sobre um dos ímãs da vida em Pernambuco. Pernambuco do bolo de rolo e do bolo de noiva, tão apreciada a parte comida na festa quanto a guardável para se comer no ano seguinte.

Feito brincantes do Rei de Paus hoje, depois do desfile na Domingos Olímpio, escutando, no gosto do recém-vivido à flor da pele, os sinais do Carnaval que virá.

Pele de brincante é tipo casca de bolo: está tudo ali. Tem mais maracatu na avenida. Mas eu sou tão fã do que Seu Geraldo (Barbosa) fazia no Rei de Paus quanto da oferenda da Laena-Mãe.

O bolo da Walma é nosso Carnaval, nunca fora de época, porque festa que é festa nos
instala no agora.

E quem não vai querer?

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/02/26. Vida & Arte, p.2.

terça-feira, 17 de março de 2026

Por que relacionamentos definham?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Relacionamentos de amizade e, sobretudo, de amor, começam com muito elã, com muito aconchego, mas, com o passar do tempo, muitas vezes, esse elã e esse aconchego vão diminuindo, por vários motivos. A rotina instala a mesmice, a casa emudece, as paredes ensurdecem, e os ambientes, cegos, monologam. As conversas diminuem e os encontros tornam-se frios.

Esse ramerrão, que anula sentimentos e mata relacionamentos, pode descambar para um afastamento, que, aos poucos, vai configurando uma separação de corpos, de afetos, de atenção, de cuidados até um rompimento total e irrecuperável.

Às vezes, acontece uma solidão discreta, surda e invisível aos outros, mas sentida e demonstrada através de sorrisos amarelos e palavras, que não implicam a força real de um relacionamento. Esse mal-estar silencioso instala um distanciamento erosivo e a dimensão emocional começa a desmilinguir-se, a partir de uma dissonância interior acerca da validade da continuidade do relacionamento; perdem-se a espontaneidade convivencial, a alegria do sabor do encontro e o ambiente torna-se mais do que frio, por vezes, tempestuoso.

O espirito também ressente-se e começa a encolher-se, não encontrando guarida coloquial de partilha e de reciprocidade.

É importante considerar que as pessoas não renunciam àquilo que são, elas continuam sendo o que elas são. E, quando buscam apresentar máscaras apenas de qualidades e virtudes, a realidade cobra alto preço do estorvo do ‘si mesmo’ de cada um, pois, a sua farsa impede qualquer tipo de correção, de adaptação e de ajustes e parte para acusar e cobrar mudanças do outro.

Tanto na vida social, familiar e relacional, o autogerenciamento e o autocontrole precisam ser aprendidos e ativados, no sentido de que ninguém se relaciona com pedaços, tampouco com máscaras, se o objetivo é estabilidade, serenidade e paz; sem ocultar nem fugir, nem menosprezar a ‘si mesmo’, senão cultivar o equilíbrio e a autoestima, com humildade e sinceridade e abertura. É impossível tentar burlar a identidade pessoal, sem infames sequelas traumáticas.

O elã, que motivou o relacionamento, volto a dizer, pode amainar um pouco, ou mesmo debilitar-se, mas pode ser reavivado pela prudência, pela gestão das emoções e atitudes, pela adaptação respeitosa de caracteres e o autocontrole, em vista de construir ou reificar o sentido do relacionamento e da amizade.

Não se trata de ‘renunciar’ à sua identidade, aos seus sonhos, senão de aprender que não há paz com máscaras, nem amor sem abertura ao outro.

Não é o outro que deve mudar, são os dois que precisam se entender e se adaptar.

Tenhamos uma boa terça-feira,  com as bênçãos de Deus!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/02/26.


Carnaval e a inversão de prioridades no Ceará

Por Luiz Eduardo Girão (*)

O exemplo precisa vir de cima, de líderes com coragem para enfrentar e consertar o que está errado e serem os primeiros a renunciar privilégios, como tenho feito no Senado desde que assumi o mandato em 2019.

É triste ver políticos do Ceará “sambarem” com o dinheiro de quem paga imposto em nosso Estado, que fica mais caro a cada dia com PT. Constatar que prefeitos não têm sensibilidade e torram dinheiro público com festas, mesmo diante de graves fatos como a bilionária roubalheira dos aposentados e a maior fraude no sistema financeiro do Brasil: a do Banco Master, que envolve autoridades poderosas.

É de constranger ver prefeituras reclamando dos altos cachês de artistas para o carnaval, quando deveriam cancelar as festas e fazer investimentos urgentes e prioritários como em saúde e segurança, que estão em frangalhos na maioria dos municípios. Eu visito pessoalmente meus conterrâneos e vejo quão sofríveis estão esses serviços básicos.

Gerir um Estado de forma responsável economicamente não difere muito de cuidar de um lar familiar. Os princípios são os mesmos: manter equilíbrio entre o que se arrecada e o que se gasta. Desde 2023, o governador Elmano já solicitou mais de R$ 13 bilhões em empréstimos e, só em 2025, a Assembleia Legislativa aprovou 3 novos pedidos, totalizando R$ 6 bilhões. Isso não tem como dar certo quando se mantém no caminho da irresponsabilidade.

Para exemplificar: O governo estadual petista possui 36 Secretarias para uma população de pouco mais de 9 milhões de habitantes, em 184 municípios. Minas Gerais, governada pelo Partido Novo, tem apenas 16 secretarias para uma população de quase 22 milhões em 853 municípios. Sem falar dos cargos comissionados, que, no Ceará, passam dos 10 mil. Uma indecência que visa acomodar interesses político-partidários.

Tenho aproveitado o lançamento da pré-candidatura ao governo para apresentar um novo modelo de administração, que tem tido boa receptividade conforme atesta a última pesquisa da CNN, que nos dá 16% das intenções de voto. Depois de Fortaleza e da Região do Cariri, o lançamento acontecerá em Sobral no próximo dia 14 de março.

Tenho trabalhado para beneficiar os 184 municípios do Ceará em emendas com transparência, fiscalização e participação popular. Na região Norte foram investidos quase R$ 49 milhões. Só em Sobral, foram mais de R$ 6 milhões atendendo à Santa Casa de Misericórdia, Hospital do Coração, unidades básicas de saúde, comunidades terapêuticas e Apae.

A direita e os conservadores cearenses estão preparados para virar a página do atraso produzido por uma oligarquia que se revezou por 20 anos no poder. Deu no que deu. Vamos juntos escrever um "Novo" capítulo de desenvolvimento do Ceará. Paz & Bem

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/02/26. Opinião, p.19.


segunda-feira, 16 de março de 2026

Colunistas parciais maculam a seriedade de um veículo

Por Marcos L Susskind (*)

O jornal O POVO é, sem dúvida, um dos mais influentes veículos do Ceará. Foi em suas páginas que a colunista Mônica Dias Martins escreveu artigo iniciando por uma acusação feita pelo grupo Women in Black em Jan/2004 que demonizava soldados Israelenses. Mas a mesma Women in Black, pacifista, não condenou o massacre do Hamas.

Não é segredo que grupos de esquerda e pro-palestina abusem de acusações sem fundamento sobre violência sexual por parte de soldados Israelenses, jamais documentadas, mas originadas apenas nas falas de mulheres palestinas.

No entanto, estas mesmas organizações calam-se quando são exibidos fotos e vídeos de corpos de mulheres israelenses violentadas, com imenso sangramento vaginal, com seus quadris quebrados e até mesmo espancamentos com bastões em vias públicas. Assim, movimentos feministas como “Me Too”; “Ni Una Menos” e “Marcha das Mulheres” calaram-se ou emitiram notas apenas superficiais.

A orientação política de esquerda da autora do artigo em questão parece dar-lhe licença para demonização de tudo que diz respeito a Israel enquanto silencia sobre atrocidades de palestinos ou até as glorifica. Nenhuma linha sobre assassinato por estrangulamento dos bebês Bibas, das sevícías nos moradores de Nir Oz.

Artigos anteriores da mesma autora saúdam a flotilha de Greta Thumberg, extremamente vocal contra Israel, mas desaparecida em relação aos massacres do Irã, numa clara evidência que não lhe importam direitos humanos e sim propaganda anti-israelense. Outros artigos investem contra os Estados Unidos, mas silenciam sobre a opressão na Venezuela, Nicarágua e Cuba.

Israel, como qualquer nação, tem defeitos - mas tem inegáveis qualidades, que a autora faz questão de ignorar.

Quando uma pessoa defende veementemente apenas um lado, ela perde a função de jornalista e passa a ser apenas panfletária. É uma pena que uma pessoa assim tenha assento como professora numa universidade onde ao invés de formar, ela deforma seus alunos, usando apenas de uma visão parcial maniqueísta.

E, ainda, é lastimável que O POVO lhe dê tribuna para inculcar ideias parciais a seus leitores.

(*) Palestrante e Ativista Social. Autor do livro "Combatendo o Antissemitismo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/02/26. Opinião, p.16.

Romaria das Candeias e o debate da exploração dos preços

Por Rita Fabiana Arrais (*)

A cidade de Juazeiro do Norte é um dos campos mais fecundos das variadas manifestações religiosas populares do Brasil. A sua religiosidade parece distante de tudo que achamos sacrificial e místico.

O calendário religioso local distribui-se entre dez romarias por ano, permitindo o fluxo constante de romeiros, ao mesmo tempo em que fortalece a economia com o aumento da circulação de moedas, e a geração de empregos.

Ocorreu entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro a Romaria das Candeias, conhecida como a "procissão luminosa". Dados disponibilizados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Turismo e Inovação de Juazeiro do Norte (Sedetur) informam que mais de 250 mil pessoas visitaram a cidade.

Não há informações concretas de quando iniciou-se a romaria, mas um fato importante e conhecido como a narrativa mais popular e fiel, é que no "[...] o crescimento do povoado no final do século XIX, em busca de alento espiritual e material, surgiu a necessidade de gerar emprego. Um serralheiro, passando por dificuldades, pediu ajuda ao Padre Cícero, que o orientou a fabricar candeeiros. [...] e aproveitando-se da comunhão com o povo os instruiu a comprar candeeiros para utilizar na data da procissão' (MARINHO, R. 2023).

A excelente resolutiva empreendedora do Padre reverbera por todo o Nordeste, relacionando as romarias aos efeitos do mercado econômico local.

A exploração dos preços de bens e serviços em tempos de romarias reflete a ausência de estratégias entre os empreendedores locais, (que precisam vender seus produtos), e o poder público que poderia negociar medidas em forma de incentivos promovendo a estagnação de preços, ou aumentos reduzidos e fragmentados anualmente para setores específicos da romaria, como os ranchos e pousadas.

É notório que as elevações de preços de diárias em 300%, com oferta de um quarto modesto com banheiro no corredor por uma bagatela de R$ 500,00 reais por pessoa é imoral. Outros produtos chamaram atenção pelo preço, como por exemplo: 300 ml de água por R$ 4,00, o café com leite e o pão de sal por R$ 7,00, o almoço estava o quilo por R$ 59,90, o prato de sopa ou caldo no jantar era vendido a R$ 15,00.

Diante desta realidade muitos romeiros passaram a substituir a alimentação, e a pernoitar dentro dos ônibus, em praças ou arredores das igrejas.

Perolina Lins, uma romeira de Maceió que durante a missa na Basílica Nossa Senhora das Dores, cantou assim o seu bendito da carestia: "Meu padrinho Ciço Romão nos ajude por favor. É grande a exploração na cidade do Senhor! Nas pousadas e racharia os valores são altos demais. E os romeiros sofrendo sem poder viajar mais.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 13/02/26. Opinião. p.19.

 

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