quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A ILUSÃO NO CLIQUE: o custo social das bets

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

No Brasil de hoje, bares, calçadas ou pontos de ônibus exibem o brilho de telas de celulares com gráficos coloridos, foguetes que sobem, promessas de multiplicação instantânea de dinheiro das chamadas "bets". Elas passaram de entretenimento para um problema de urgência social, econômica e de saúde pública, ocupando, com uma velocidade impressionante, espaço no cotidiano de uma população já endividada e pouco alertada para os riscos sobre o orçamento doméstico.

Dados recentes de pesquisa realizada pela CNC, estimam em 81,6% o número de famílias endividadas, 29,7% com atraso e 12,3% sem condições de quitação. Esse recorde histórico, não admitindo mais protelações.

A demora já favoreceu o caminho para aquele clique, que cria um momento lúdico, mas, na realidade, torna o cidadão um possível viciado, com a ilusão do ganho fácil, desde que persevere. "Insista, persista, não desista. O seu dia chegará", já dizia velho bordão da Loteria Cearense.

Contudo, o problema não é o jogo em si, mas o dinheiro da bodega, da conta de luz ou do mercantil do mês, canalizado para a ilusão do ganho fácil. Números do Banco Central indicam que os recursos transferidos via Pix para plataformas de apostas - hoje na casa das 200 legalmente estabelecidas -, podem chegar a R$ 30 bilhões mensais e, mais grave, análises amostrais apontam para que 5 milhões de  teriam destinado, em um mês, cerca de R$ 3,0 bilhões para essas plataformas.

Não é de estranhar que os varejistas cearenses já se ressintam da perda de fôlego do consumo básico, porquanto a renda que circularia no comércio do bairro, por exemplo, está sendo desviada para essas plataformas e distribuída não se sabe exatamente para onde.

O debate sobre a regulamentação, com regras de publicidade, tributação e mecanismos de identificação de perfis de risco, já tardio, da burocracia estatal, em ritmo de tartaruga versus a velocidade do clique. Devemos tratar o superendividamento por apostas não como um desvio de caráter, mas como um problema de saúde coletiva— a ludopatia.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Opinião. p.18.


QUANDO O GLOBAL ENCONTRA O LOCAL

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Para além dos territórios nacionais, as políticas educacionais contemporâneas circulam globalmente. Neste cenário orientações de organismos internacionais com foco em direitos, inclusão, equidade e sustentabilidade convivem com políticas de avaliação externa e controle de resultados, fenômeno que alguns estudiosos têm denominado de "datificação". Essas ideias, nem sempre convergentes, atravessam fronteiras e chegam às mais diferentes realidades, incluindo as escolas.

Ao aportar no Brasil, tais iniciativas ganham relevo. O país, entretanto, nunca foi um terreno de simples reprodução de políticas. Nosso sistema federativo constitui uma realidade complexa onde União, Estados e Municípios compartilham responsabilidades e preservam margens de autonomia.

Assim, no âmbito local, as políticas globais são apropriadas, negociadas e recriadas. A homogeneidade de formulações globais perde terreno para a heterogeneidade de políticas locais em ambientes marcados por tensões e contradições.

Seus avanços educacionais resultam de políticas locais consistentes de cooperação, avaliação e fortalecimento das redes municipais. As iniciativas, contudo, não chegam a todos os municípios da mesma forma. Embora compartilhem diretrizes comuns, estes constroem caminhos próprios, definem prioridades distintas e inventam diferentes formas de governar a educação.

Em alguns casos, traços do velho clientelismo persistem e imprimem marcas a políticas supostamente novas. Pesquisa recente sobre o tema, cujos resultados estão reunidos no livro "Desafios da Educação na Região Metropolitana de Fortaleza", permitiu perceber que não existe uma única experiência metropolitana, mas múltiplas formas de traduzir orientações comuns em políticas concretas.

A heterogeneidade é, pois, incorporando sentidos tanto das políticas globais quanto da singularidade de suas invenções. A experiência do Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), que o Ceará vem exportando para o mundo, é uma evidência virtuosa do encontro entre o global e o local

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Opinião. p.18.


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

INFORMAÇÃO NÃO É SABEDORIA

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Uma leitura recente do economista e escritor americano Thomas Sowell levou-me a uma reflexão que parece cada vez mais atual. Vivemos a era da inteligência artificial, da informação instantânea e da abundância de dados. Nunca foi tão fácil saber. Paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil compreender.

Em Os Intelectuais e a Sociedade, Sowell distingue conhecimento de sabedoria. Os intelectuais - os chamados "ungidos" - acumulam informações, formulam teorias e influenciam o debate público. Mas isso não os torna, necessariamente, sábios. A sabedoria nasce quando o conhecimento é temperado pela experiência, pela humildade e pelo compromisso com o bem comum. Seu oposto não é a ignorância, mas a insensatez. Da mesma forma, a inteligência pode sucumbir à estupidez quando perde a capacidade de reconhecer os próprios limites.

A história é pródiga em teorias defendidas com fervor, muitas delas apresentadas como verdades definitivas que acabaram desmentidas pelo tempo. Ainda assim, seus formuladores permanecem reverenciados, como se a eloquência pudesse substituir a evidência. O progresso do conhecimento nunca foi linear; sempre dependeu da disposição de revisar certezas.

A questão que se impõe é outra: a revolução tecnológica tornará o debate público mais racional? Seremos mais capazes de ouvir, ponderar e mudar de opinião diante dos fatos? Ou caminharemos para uma sociedade dividida entre certezas absolutas, onde qualquer discordância é tratada como ameaça?

A informação é indispensável ao desenvolvimento humano. Contudo, isolada do contexto e da reflexão crítica, ela pode produzir exatamente o efeito contrário. Em vez de aproximar, separa; em vez de esclarecer, confunde. Narrativas simplificadas encontram terreno fértil quando oferecem respostas fáceis para problemas complexos. E, na velocidade das redes, emoções costumam viajar mais rápido que evidências.

Enquanto continuarmos a rotular pessoas antes de examinar argumentos, pouco avançaremos. Crenças não são artigos de fé imutáveis. Diferentemente dos gostos pessoais, elas devem estar abertas à revisão sempre que novas evidências surgirem, sobretudo quando dizem respeito aos fatos e às relações de causa e efeito.

Decidir bem exige mais do que informação. Exige método, espírito crítico, capacidade de verificar, responsabilidade intelectual e, sobretudo, humildade para admitir o erro.

Lembro-me, então, de uma frase de um antigo professor: "O céu é longe", assim como a caminhada rumo à sabedoria. Ainda habitamos um mundo de opiniões apressadas e certezas frágeis, frequentemente sustentadas mais pela convicção do que pela razão.

Talvez por isso permaneça tão atual a observação de Bertrand Russell: "O problema do mundo é que os estúpidos têm plena convicção, enquanto os inteligentes são cheios de dúvidas." Em tempos de excesso de informação, talvez a virtude esteja em cultivar a dúvida honesta, aquela que não enfraquece o pensamento, mas o torna mais livre e mais próximo da verdade.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/07/2026. Opinião. p.23.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Defesa de Memorial de Lucilane Maria Sales da Silva para Professora Titular da Enfermagem da Uece

Ocorreu na tarde de ontem, segunda-feira (10/08/26), no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará - NUTEE/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da professora Lucilane Maria Sales da Silva, docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Ana Karina Bezerra Pinheiro (efetivo UFC), Patrícia Neyva da Costa Pinheiro (efetivo UFC), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno) e Joselany Afio Caetano (suplente externo), tendo por secretária a Profa. Dra. Dafne Paiva Rodrigues, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora LUCILANE MARIA SALES DA SILVA.

Congratulações à professora Lucilane da Silva, por alcançar o topo da carreira universitária, acadêmica em seu exitoso caminhar, pontuado por marcos pessoais e profissionais expressivos, que revelam o seu vigor científico e a sua valorosa contribuição ao ensino superior.

Também dignos de parabéns estão a graduação em Enfermagem e os programas de pós-graduação da área da Saúde Coletiva da Uece, por terem a professora Lucilane da Silva em seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


CLÃDESTINOS

Por Pedro Salgueiro, cronista de O Povo

Uma novíssima publicação de literatura e artes foi lançada em nossa "Loirinha-descabelada-pelo-sol": Contos, crônicas, ensaios, poemas, décimas, aldravias, canções, fotos e encARTEs de 23 convidados integram a edição inaugural da Clãdestinos (A revista oficial da Academia Cearense de Médicos Escritores - Acemes - foi lançada dia 13 de maio, no Palácio da Luz - Academia Cearense de Letras, com apresentação do escritor Juarez Leitão).

A publicação que chega tem periodicidade prevista para ser anual, e, segundo o editor, médico e escritor Fernando Siqueira Pinheiro, a ideia da Clãdestinos é ser um espaço para divulgação "de nossa rica e pungente produção artística e literária, destacando nomes consagrados e revelando novos talentos dessa nossa gloriosa província de Alencar".

A revista tem 84 páginas e seis encARTEs. São produções literárias de Pedro Salgueiro, Carlos Augusto Viana, Fernando Siqueira Pinheiro, Sérgio Telles, Daniel Mazza, Ana Márcia Diógenes, Dimas Macedo, Paulo Elpídio de Menezes Neto, Lia Leite, José Leite Jr, Romeu Duarte, João Macedo, Assis Ximenes, Karla Cavalcante e Geraldo Bezerra.

Algumas obras artísticas estão dentro da revista, como as de José Guedes, que tem participação especial com a tela Lúcio; e as fotos intituladas Descaminhos, de Leopoldo Kaswiner. Os demais encARTEs têm a base picotada para facilitar a retirada, caso o leitor queira emoldurar. E trazem produções artísticas de Virgílio Maia, Elberty Oliveira, Isaac Furtado e Sônia Figueiró.

O número 1 da revista traz ainda uma entrevista com o cantor e compositor Raimundo Fagner e a seção "A biblioteca dos Acadêmicos", que contemplou a biblioteca Labirinto, do médico e ex-governador Lúcio Alcântara. A cada edição outros espaços irão se somar.

A revista, com capa em verniz e papel couchê, tem projeto gráfico, ilustrações e a maioria das fotos de Glauco Sobreira. A foto da capa é de Leontino Eugênio. O conselho editorial da revista é formado por: Carlos Augusto Viana, Fernando Melo, Glauco Sobreira, Isaac Furtado, João Macedo, Luiz Moura e Walter Miranda.

O editor, Fernando Siqueira Pinheiro, esclarece:

"A proposta de uma publicação anual na forma de uma revista tradicional de literatura sob os auspícios da Acemes me foi feita pelo amigo médico, escritor e artista plástico Glauco Sobreira. A ideia seria produzir algo livre abrangendo todas as formas de expressão literária, com os participantes escolhidos a convite pelo conselho editorial e sempre procurando imprimir um modelo arrojado e transformador. Não sei dizer ao certo como cheguei ao título Clãdestinos. É sempre complicado tentar mapear os caminhos da nossa imaginação. Talvez tenha vindo desta natureza indisciplinada que há em todo artista, algo que nasce assim sem explicação e à margem das normas. Neste sentido, posso dizer, portanto, que toda arte é clandestina, surge antes de ser aceita, incomoda antes de ser celebrada e diz quase sempre o que o discurso oficial silencia. Claro que há também aqui uma explicita homenagem ao Grupo CLÃ, que em meados do século passado reuniu o que tínhamos de melhor do ponto de vista intelectual e que foi responsável por um dos mais importantes movimentos culturais do nosso estado".

Fonte: O POVO, de 10/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Pedro Salgueiro. p.2.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Como está a primeira rua compartilhada de Fortaleza quase 11 anos depois

Por Daniel Gifone, jornalista de O Povo

Projeto feito em colaboração entre a Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos foi pioneiro na Cidade, mas situação de abandono é destacada por frequentadores

No dia 19 de novembro de 2015, foi inaugurada, no bairro Dionísio Torres, a primeira rua compartilhada de Fortaleza, realizada a partir da Parceria Pública e Privada (PPP) entre a Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos.

O projeto tinha como objetivo, de acordo com a própria gestão municipal, possibilitar uma convivência harmoniosa entre pedestres e ciclistas, autorizando a apenas a passagem de ambulâncias em caso de emergências e inserindo o conceito de traffic calming nas extremidades das ruas, sem desníveis ou barreiras, facilitando o trânsito das pessoas.

A via contava, a princípio, com bancos, mobiliário urbano, paraciclo, piso drenante, painel de mosaico, jardim vertical, paisagismo, iluminação de LED e uma geladeira que servia como biblioteca pública, para quem quisesse ler no local.

Desde então, pouco se foi noticiado sobre a rua, apesar de a Prefeitura ter verbalizado, na época, sua intenção de continuar investindo em projetos voltados para a melhoria da mobilidade urbana.

A poucos meses do décimo primeiro aniversário de inauguração, o O POVO visitou a rua, a fim de observar o cenário atual e averiguar como tem sido a manutenção do equipamento.

O que foi encontrado foi uma rua em situação precária, com lixo espalhado pelo chão, vegetação crescendo desordenadamente nas beiradas dos muros que, por sua vez, estão com sua pintura desgastada, descascando e com manchas.

Outras características notáveis são um jardim vertical mal cuidado, bancos faltando, além de um poste com seu transformador exposto, com grande potencial de causar um acidente.

O comerciante Sebastião Gomes, que há dez anos possui um ponto de venda de lanches na rua, diz que chegou a notar serviços como retirada de algumas vegetações, porém, nenhuma reforma significativa.

De acordo com ele, a coleta de lixo no local teria sido interrompida, com lixeiros já não passando mais pela rua para coletar os dejetos, tornando a limpeza do local responsabilidade dele e da equipe do Hospital São Carlos.

Não tinha lixeiro recolhendo mais, porque antes eles faziam isso, né? Tinha um rapaz que tirava o lixo que tava aí dentro e levava pro caminhão recolher, aí depois desistiram do rapaz. Aí ficou por nossa conta, aí toda vez que a gente vinha aqui tinha muito lixo aí, mas sem proteção, aí eu mesmo decidi 'emborcar', aí fica como assento”, explica.

O eletricista Leandro Barros destacou que os postes e as árvores também apresentam insegurança para quem transita no local: "As árvores estão muito velhas. O perigo delas é de cair, é mais perigoso ficar embaixo da árvore do que esperar nelas para ter proteção do sol. É muito risco”.

Se é responsabilidade da Prefeitura, então é a responsabilidade dela de zelar, assim como é do hospital também. Mas que ela está maltratadinha ela está, de limpeza, acho que não teve a evolução dela. No começo ela parecia ser artística, mas não está mais atrativa”, avalia.

Em nota, a Coordenadoria Especial de Apoio à Governança das Regionais (Cegor) informou que tanto a rua Otoní Façanha de Sá quanto a Praça Rogério Froes, contam com projeto de manutenção elaborado pela gestão municipal.

A proposta para a rua, em particular, contempla a manutenção do piso drenante, com o objetivo de qualificar a infraestrutura local e proporcionar mais conforto e segurança aos usuários.

Quanto à previsão para a realização, a nota informa que as intervenções serão executadas de acordo com a disponibilidade orçamentária e o cronograma de investimentos da gestão municipal.

Já a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) comunicou que realiza a coleta domiciliar de resíduos na rua Otoní Façanha de Sá três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, no período da noite.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/07/26. Cidades. p.12.


domingo, 9 de agosto de 2026

PAI QUERIDO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Pai querido,

Eu venho te agradecer

Pela vida e pelo amor,

Que me deste,

Desde o nascer.

 

Pelos exemplos de fé

De resistência aos atropelos

De resiliência nas quedas

Que, no silêncio, me deste.

 

Para mim foste perfeito,

Mesmo nas tuas imperfeições.

Quanto trabalho eu te dei,

E tu nunca me deixaste na mão.

 

Perdão pelos dissabores que te dei,

Gratidão pelo teu amor e carinho,

Pelos conselhos, correções e castigos

Com eles aprendi, cresci e amadureci

 

Eu te vejo em celeste dimensão,

No céu, com Maria, mãe de Jesus,

Ao lado de muitas outras Marias,

Uma delas é minha mãe querida.

 

Por ti, Papai, elevo

Uma ardente prece de amor.

Sê feliz e abençoa-me

Até um dia juntos pra sempre.

 

Com esta mensagem, abraçando meu pai, que já partiu, saúdo todos os pais, tanto os vivos como os que se transmudaram para os páramos da eternidade, onde todos nos encontraremos um dia.

Pedro Bezerra de Araújo

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 9/08/26.


 

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