sexta-feira, 3 de abril de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 863

Abro com uma historinha de Leonardo Mota.

Idôneo, o comandante

Em certa cidade fluminense, o chefe local era um monumento de ignorância. A política era feita de batalhas diárias. Um dia, o chefe político recebeu um telegrama de Feliciano Sodré, que presidia o Estado:

- Conforme seu pedido, segue força comandada por oficial idôneo. O coronelão relaxou e gritou para a galera que o ouvia:

- Agora, sim, quero ver a oposição não pagar imposto: a força que eu pedi vem aí. E quem vem com ela é o comandante Idôneo.

(Historinha contada por Leonardo Mota, em seu livro Sertão Alegre)

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/417723/porandubas-n-863

DO DESERTO À VIDA NOVA

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

A Quaresma já caminha há alguns dias. Este tempo santo não é feito apenas de começos, mas de continuidade, porque talvez tenhamos feito, na Quarta-feira de Cinzas, propósitos que já foram colocados à prova. É exatamente aqui que a Quaresma revela sua verdade mais profunda: ela nos ensina a perseverar, a permanecer. Perseverar quando a oração parece árida. Perseverar quando mudar exige renúncia. Quando amar custa mais do que gostaríamos. Se em algum momento falhamos nos propósitos assumidos no início dessa caminhada, não devemos desanimar. Sempre é tempo de recomeçar. O Senhor é rico em misericórdia e não se cansa de nos oferecer novas oportunidades. Cada dia é um novo chamado à conversão.

Esse é um tempo oportuno para rever o caminho. Não com culpa, mas com sinceridade. Como está nossa oração? Temos reservado um espaço para Deus em meio às preocupações diárias? O jejum que escolhemos está nos tornando mais livres ou apenas mais rígidos? E a caridade, tem se traduzido em gestos concretos de atenção, escuta e partilha?

Estamos nos preparando para a Páscoa, para a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas. Mas não chegaremos à alegria pascal sem antes atravessar o deserto.

Dentro deste itinerário, a Igreja celebrou, no dia 19, a solenidade de São José, esposo de Maria. Poderia parecer estranho uma festa tão solene em meio à sobriedade da Quaresma, mas São José é o modelo perfeito para este tempo. Ele foi um mestre silencioso da conversão diária, um homem justo que soube ouvir Deus no silêncio e obedecer com prontidão, mesmo quando não compreendia plenamente os caminhos que lhe eram propostos.

São José simboliza virtudes como a humildade, a obediência e a fé. Sua vida de entrega e serviço, especialmente ao cuidar de Maria e Jesus, reflete o espírito de sacrifício e dedicação são centrais na Quaresma.

Que este mês de março nos ajude a viver uma Quaresma mais profunda, menos apressada e mais verdadeira. Que não caminhemos movidos apenas por sentimentos, mas sustentados pela confiança em Deus. Que São José interceda por nós, para que saibamos perseverar neste tempo de graça, guardando no coração a esperança da Ressurreição.

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 21/03/2026. Opinião. p.16.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Programação da Semana Santa na Paróquia São Vicente de Paulo – 2026

Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo:

pousaste sobre mim a tua mão, tua sabedoria é admirável".

“Mais que comum dos dias,

olhei o mais que pude os rostos

dos pobres, gastos pela fome,

esmagados pelas humilhações,

e neles descobri teu rosto,

Cristo Ressuscitado!”

Dom Hélder Câmara

PROGRAMAÇÃO

29/03/2026 (domingo): Procissão do Domingo de Ramos: às 8h.

• Solene Bênção dos Ramos – Logo em seguida, Procissão e Missa na Matriz de São Vicente.

•Outras Missas: 11h30min, 17h e 19h.

Todos devem levar ramos de palmeiras para a procissão.

30/03/2026 (segunda-feira santa): Celebração Penitencial: confissões individuais das 16h às 19h.

• Missas: 6h30min e 17h30min.

31/03/2026 (terça-feira santa): Celebração Penitencial: confissões individuais das 16h às 19h.

 • Missas – 6h30min e 17h30min.

1/04/2026 (quarta-feira santa): Celebração Penitencial: confissões individuais das 16h às 19h.

• Missas – 6h30min, 11h30min e 17h30min.

2/04/2026 (quinta-feira santa): Missa da Ceia do Senhor (Lava-pés). Transladação do Santíssimo Sacramento às 19h.

• Adoração até às 22h.

3/04/2026 (sexta-feira santa): Solene Comemoração da Paixão e Morte do Senhor, às 15h.

• Via Sacra – Conjunto São Vicente – 18h30 (Unijocc).

4/04/2026 (sábado): Sábado Santo: Solene Vigília Pascal às 18h.

• Celebração da luz; Bênção do Fogo, Procissão do Círio Pascal e Proclamação da Páscoa, Liturgia da Palavra, Bênção da Água Batismal e Eucaristia.

5/04/2026 (domingo): Missa do Cristo Ressuscitado.

Missa às 6h30min). 

Outras Missas: 9h, 11h30min (coral e orquestra), 17h e 19h.

Feliz Páscoa a todos!

Pároco: Pe. Sávio

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Paroquiano de São Vicente de Paulo


JOIAS DA FORTALEZA DE 300 ANOS

Por Izabel Gurgel (*)

Seu Miguel, minha melhor fonte de sapotis na Cidade. Tem banca à esquerda da porta da Leão do Sul, na Praça do Ferreira, de segunda a sábado.

Na praça, dar-se conta que o São Luiz não virou estacionamento, igreja ou loja de produtos cada vez mais desqualificados. Festejar o feito. Sentir a incidência de política pública sobre a vida da gente. Sentar no térreo e, antes de começar o programa da vez, voltar ao primeiro filme visto ali, nos altos: "Quando o coração bate mais forte". Cada qual guarda como pode uma caixinha de primeiras vezes.

No Centro, em direção à praça ou dela saindo, ir pelo antigo Beco, atual rua do Pocinho, só fruindo da brisa, Anarina. E apreciar o céu entre o Palácio Progresso de um lado e a coluna de cubos vermelhos do outro plantadinha pelo escultor Sérvulo Esmeraldo (1929-2017). "Olha pro céu, meu amor". O térreo externo do Palácio do Progresso é um elogio ao vento. Fica à beira do Pajeú, que um dia poderá voltar como referência de vida, feito o São Luiz. O projeto do prédio (1964-1969) é do prof. Liberal de Castro (1926-2022). Anos depois, a pedido de Cláudio Pereira, então presidente da Fundação Cultural de Fortaleza, o professor sugere 13 de abril para data de aniversário da Cidade. Ao contar por escrito sobre a sugestão, diz: "a cidade é uma dádiva do vento".

No Centro, no alto de ruas como a Senador Pompeu ou Barão do Rio Branco, ver o mar ao tempo da surpresa do vento. Pode-se ampliar a sensação saindo da capela da Santa Casa de Misericórdia, na calçada, conspirar por um segundo sobre ter mais árvores no meio do nosso mundo, como o pedaço sobrevivente do Passeio Público. Passa em frente ao Passeio o ônibus para a Floresta. É a linha 106.

Imenso Liberal de Castro, das iniciativas, nos anos de 1960, de tombamentos da Casa de José de Alencar e do Theatro José de Alencar. Integrada à UFC, a Casa guarda o nosso mais precioso acervo de rendas. Conspiração em curso: levar rendeiras dos quatro cantos do Ceará para conhecer as coleções que elas podem ampliar com suas histórias e trabalhos. Uma escola de apreciação do fio da vida feito poesia tátil. Conhece? Já esteve lá?

O TJA, flor do algodão em renda de ferro prêt-à-porter, tem uma singularidade no desenho. Do palco dá pra ver a rua, o lugar mais importante de uma cidade (repito Leminski). Um teatro banhado de sol, desde a reabertura em janeiro de 1991, depois do segundo restauro integral, tem quase todos os espaços experimentados com uso cênico, para apresentações artísticas. À espera de um restauro, é como as mais finas joias: só têm sentido se forem usadas. São nossos usos que o mantém. Assim como não é possível hoje pensar o TJA sem o jardim de um lado e o prédio anexo do outro, não dá para separar teatro e praça. Silêda Franklin chama de ciclorama verde a cascata de thumbergia no jardim. Natureza é cultura.

A graça das joias, penso eu, é o uso público. Como faz o maracatu Rei de Paus. Esplende. Na rua.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/03/26. Vida & Arte, p.2.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O desenvolvimento industrial cearense e a infraestrutura

Por Lauro Chaves Neto (*)

O desenvolvimento sustentável pressupõe uma indústria forte. A atividade industrial é a que mais gera encadeamentos produtivos, inovação, empregos qualificados e renda. No Estado do Ceará, representa 18,3% da economia, 82% das exportações e sustenta 387 mil empregos formais - cerca de 28% do total do estado. Esses números, por si só, já justificam prioridade a uma agenda estratégica: infraestrutura moderna, integrada e orientada ao futuro.

Infraestrutura não é gasto; é investimento estruturante. É ela que reduz custos, amplia competitividade e transforma potencial em realidade econômica. A ampliação das redes de transporte, energia, segurança hídrica e telecomunicações não pode ser vista como opção, mas como condição para que o Estado consolide seu protagonismo industrial no Nordeste e no Brasil.

No campo logístico, a duplicação de corredores rodoviários, a melhoria da mobilidade urbana e a integração efetiva com o interior produtivo fortalecem a conexão com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

A conclusão da Ferrovia Transnordestina, integrada ao sistema porto-rodovia, representa um divisor de águas para o escoamento de grandes volumes, reduzindo custos e elevando a competitividade das nossas cadeias produtivas.

No eixo energético, já demonstra vocação para liderar a transição. A expansão das energias renováveis, o avanço do hidrogênio verde, os projetos eólicos offshore e a atração de data centers posicionam o estado na fronteira da economia de baixo carbono. Trata-se de uma oportunidade histórica de industrializar com inovação, agregar valor e gerar empregos qualificados.

Segurança hídrica e infraestrutura digital completam esse ciclo virtuoso, ampliando a resiliência produtiva e interiorizando oportunidades. A digitalização e a adoção de tecnologias da Indústria 4.0 não são tendências, são exigências do presente.

O Estado do Ceará reúne condições únicas para consolidar-se como polo logístico, industrial e energético. Mas isso exige visão estratégica, continuidade de políticas e investimentos. O desenvolvimento industrial cearense está intimamente ligado à evolução da infraestrutura.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 2/03/26. Opinião. p.18.

O silêncio que antecede a Páscoa: porque a alma precisa da Quaresma

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

Março chega envolto em uma pedagogia silenciosa. Não traz ainda o júbilo da Páscoa nem a densidade da Semana Santa, mas carrega algo essencial: o convite à interioridade.

A liturgia parece sussurrar à pressa contemporânea uma verdade antiga — não há ressurreição sem travessia, nem luz duradoura sem que a alma atravesse suas próprias sombras.

A Quaresma, por vezes reduzida a renúncias externas, é, em sua essência, um tempo de realinhamento interior. Mais do que abdicar de hábitos, trata-se de reaprender a escutar: a própria consciência, tantas vezes soterrada pelo ruído; o outro, cuja dor raramente encontra espaço; e Deus, cuja voz não disputa volume, mas profundidade.

Vivemos sob a lógica da saturação. Informações, estímulos e opiniões se acumulam em ritmo vertiginoso. Nunca se falou tanto e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil cultivar silêncio. No entanto, é no silêncio que a vida espiritual respira. É nele que emergem verdades incômodas, que feridas pedem cuidado, que intenções se purificam. Sem essa pausa, corre-se o risco de viver apenas na superfície de si mesmo.

Preparar-se para a Semana Santa é acolher o movimento de descida que o Evangelho propõe. Não há atalhos para a Páscoa. O Cristo ressuscitado é o mesmo que passou pelo deserto, pela incompreensão e pela cruz. A lógica quaresmal não é de tristeza, mas de lucidez. Recorda que a transformação exige coragem, que a conversão é menos emoção e mais decisão.

Talvez o maior desafio deste tempo não seja apenas "abrir mão", mas abrir espaço. Espaço para a oração que não cabe entre notificações, para a reflexão que não se acomoda em respostas rápidas, para encontros que não se medem em produtividade. A Quaresma educa para essa reorganização invisível, onde o essencial retoma o centro.

No fim, a pergunta é inevitável: que Páscoa pode florescer em uma alma que nunca silencia, nunca desacelera, nunca se revê? Março oferece a resposta na forma de convite. Não ao isolamento, mas à consciência. Não à rigidez, mas à conversão. Porque toda verdadeira ressurreição começa, inevitavelmente, dentro.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 7/03/2026. Opinião. p.18.

terça-feira, 31 de março de 2026

MISSA DE SÉTIMO DIA POR DRA. ALICEMARIA CIARLINI PINHEIRO

 

Hoje (31/03/2026), terça-feira, às 18h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situada na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE, será celebrada a Missa da Ressurreição em sufrágio da alma da médica Dra. Alicemaria Ciarlini Pinheiro.

Ela ingressou no Curso da Medicina da Universidade Federal do Ceará em 1975 e colou grau em 1980, integrando a Turma Samuel Pessoa.

Fez Residência Médica em Medicina Preventiva e Social do INAMPS-CE, nos anos de 1981 e 1982, concluído com a monografia “Casos de sarampo notificados no Ceará no período de 1976-82, executada em Fortaleza-CE, no período de março a dezembro de 1982, sob a nossa orientação.

Participou do I Curso de Especialização em Epidemiologia, promovido pela Universidade Estadual do Ceará, em convênio com a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, no período de 17 de fevereiro de 1986 a 17 de agosto de 1987, concluso com a monografia “Casos notificados de sarampo no Brasil, Nordeste e Ceará no período de 1976-86, realizada no período de 1º de agosto de 1986 a 17 de agosto de 1987, sob a nossa orientação.

Durante muitos anos, foi uma dedicada servidora da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará e da Secretaria da Saúde de Fortaleza, desenvolvendo suas atividades funcionais na área da Epidemiologia.

A médica sanitarista Dra. Alicemaria Ciarlini faleceu na semana passada, depois de longo padecimento, contristando o seu ciclo de relacionamento, composto por familiares, amigos e colegas.

Descansa em paz, cara Alicemaria.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva


 

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