quinta-feira, 7 de maio de 2026

ARIOSTO HOLANDA, PRESENTE!

Por Antônio Vusques (*)

A partida de Ariosto Holanda deixa uma lacuna não apenas nos corredores da política, mas sobretudo naqueles que tiveram o privilégio de conviver com sua grandeza humana. Ex-deputado federal por cinco legislaturas, Ariosto construiu uma trajetória marcada pela seriedade, pelo compromisso público e por uma visão rara de desenvolvimento baseada no conhecimento e na educação.

Foi um servidor incansável da sociedade. Defensor da ciência, da tecnologia e da inovação, acreditava que o verdadeiro progresso se faz com investimento nas pessoas. Sua atuação parlamentar sempre esteve voltada à interiorização das oportunidades, à inclusão social e à valorização das instituições de ensino, pesquisa e extensão tecnológica.

Tive a honra de servi-lo como auxiliar direto por mais de duas décadas. Nesse tempo, testemunhei não apenas o político dedicado, mas o ser humano íntegro, generoso e profundamente respeitoso. Ariosto liderava pelo exemplo: firme em seus princípios, mas sempre acessível, atento e disposto a ouvir.

Entre suas contribuições mais transformadoras está a criação do Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará- Nutec, instituição que se consolidou como referência no apoio à indústria, à inovação e ao desenvolvimento tecnológico do Estado e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior-Secitece. Também foi o grande idealizador de um modelo inovador de educação profissional, capitaneado pelo Instituto Centec e pelos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs).

O modelo de educação profissional por ele concebido e implantado mostrou-se tão eficaz que foi replicado em nível nacional, tornando-se referência para políticas públicas voltadas à formação técnica e à inclusão produtiva. Trata-se de um legado concreto, que segue gerando oportunidades e transformando realidades.

Sua partida para o plano celestial nos entristece, mas também nos convida à reflexão. Permanecem sua história, seus valores e sua inspiração. Cabe a nós, que tivemos o privilégio de caminhar ao seu lado, honrar sua memória dando continuidade ao seu compromisso com o bem público.

Ariosto Holanda parte, mas sua presença seguirá viva na construção de um Brasil mais justo, consciente e preparado para o futuro.

(*) Ex-presidente do NUTEC e ex-secretário da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/04/26. Opinião, p.28.

SELECINHA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Mesmo não chegando a ser nem de longe um Sérgio Redes (também conhecido nos mundos da bola e do livro como Serginho Amizade), meu prezadíssimo amigo, gosto de dar meus pitacos quando o assunto é futebol. Não, hipócrita leitor(a), não falarei da tragédia em curso no futebol cearense, de times em baixa, lisos e abandonados pelos próprios torcedores. Reportar-me-ei a um problema muito maior: a péssima fase da nossa seleção, antes chamada carinhosamente de Canarinho e hoje por mim apelidada de selecinha, pelo péssimo futebol que ela apresenta. Fomos campeões do mundo pela última vez em 2002, já lá se vão 24 anos. De lá para cá, só fracasso e frustração. Lembro-me de que eu parava tudo o que estava fazendo para ver um jogo dela. Hoje prefiro mais ver o Chaves.

Sou do tempo em que um jogador, ao ser convocado para a seleção brasileira, levantava as mãos para o céu e agradecia a Deus pelo presente. Sua família o saudava como a um herói de guerra. Na convocação, o sorriso aberto, o peito estufado de orgulho, a postura de guerreiro. Nas copas a que assisti e que o Brasil ganhou (a primeira em 1970), os técnicos eram praticamente entregadores de camisas aos jogadores. Ora, como ensinar o esporte bretão a um Pelé, a um Tostão, a um Gérson, a um Carlos Alberto, a um Rivelino? Os caras resolviam as coisas no campo com a qualidade, a matreirice e o talento que tinham de sobra. Presentemente, parece-me que os nossos atletas veem qualquer jogo da seleção como uma partida a mais, a frio, sem tesão. Nelson Rodrigues vomitaria.

Senão, vejamos: no último prélio com a França, quando perdemos por 2 a 1, com a seleção gaulesa com um a menos, viu-se uma equipe com uma defesa fraca, um meio de campo sem qualquer criatividade e um ataque comandado por um jogador mais interessado em denunciar atos de racismo contra si (no que está certo) do que jogar futebol. O desempenho que os nossos players exibem nos seus clubes da Europa está muito distante daquele que apresentam na seleção. Quando são chamados de "jogadores de time" ficam bravos, vociferam, brigam. Mas, infelizmente, é o que acontece. Salvo uma ou duas exceções de praxe (que só confirmam a regra), são apenas atletas bonzinhos, daqueles que costumam tirar a canela de jogadas mais duras. Assim não passaremos da fase de grupos.

O morcego que mora no meu escritório, pendurado no varal da área de serviço, leu meus pensamentos e veio de lá com uma provocação: "O Brasil só ganha essa Copa se o Neymar for convocado". "Só se for a Copa de mau-caratismo, trambicagem e jogador mascarado", retruquei. Ele deu de ombros, bateu as asas e saiu voando por aí. "Ainda mais essa, aguentar praga de morcego", disse de mim para comigo. Saio do estúdio para tomar um ar sob a sombra do jasmim-manga do meu jardim, quando ouço a conversa de dois sujeitos: "O Brasil não vai ganhar essa Copa porque o treinador é italiano". Febeapá puro, o que tem a ver o traseiro com as calças? O que falta, na verdade, é futebol bem jogado, com raça, malícia e destreza, como alguém faminto que avança num prato de comida.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/03/26. Vida & Arte. p.2.


quarta-feira, 6 de maio de 2026

ICC: instituição que luta pela dignidade humana

Por Socorro França (*)

Não há vida sem o enfrentamento a desafios. Cotidianamente nos deparamos com problemas, os chamados "leões" que enfrentamos diariamente, e alguns deles podem transformar rotinas e planos. Entre as experiências mais desafiadoras que alguém pode enfrentar está a luta por saúde, um momento que exige acolhimento e confiança. Nessas circunstâncias, contar com instituições como a Rede ICC Saúde pode representar um sopro de esperança em meio às incertezas.

Desde 1944, o então Instituto do Câncer do Ceará (ICC) atua como instituição privada e filantrópica. Fundado por um grupo de 10 médicos e um padre, tornou-se referência em oncologia e pioneiro na organização do tratamento oncológico no Ceará, impactando, há mais de oito décadas, a vida de milhares de cearenses. Hoje à frente da presidência da Rede ICC Saúde e também na direção técnica do Hospital Haroldo Juaçaba, o médico Sérgio Juaçaba conduz a rede com maestria e dá continuidade ao legado iniciado por seu pai, Haroldo Juaçaba, um dos nomes centrais na construção da oncologia cearense. Ao longo de toda sua trajetória, a Rede oferta mais do que assistência médica, possibilitando o acesso a direitos essenciais sem discriminação.

Com origem filantrópica e forte atuação junto ao Sistema Único de Saúde, por meio de pacientes encaminhados pela rede pública, a instituição dialoga diretamente com os direitos humanos ao transformar princípios como dignidade, igualdade e direito à saúde em cuidado concreto. Na prática, contribui para que garantias previstas na Constituição sejam efetivamente vividas por quem mais precisa.

Além dos atendimentos hospitalares, a Rede mantém a Casa Vida, espaço que acolhe pacientes SUS vindos do interior do estado durante o tratamento oncológico. Trata-se de um verdadeiro abraço às pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo suporte psicossocial e ampliando o acesso à oncologia de alta complexidade, dando condições para a continuidade do tratamento.

Em um mundo onde buscamos dignidade e acesso a direitos, é essencial exaltarmos o trabalho realizado há mais de 80 anos por essa instituição cearense. Evoluindo junto com a medicina, expandindo sua atuação em inovação, ensino e pesquisa, a Rede ICC Saúde mantém o cuidado como prioridade, a filantropia como propósito e a defesa da vida como compromisso diário, sendo uma forte aliada da população nos cuidados com a saúde.

(*) Secretária de Direitos Humanos do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/05/2026. Opinião. p.14.


Escutar o vento, ler e bordar

Por Izabel Gurgel (*)

Leitora de Horácio Dídimo, levo o poeta comigo. Releio, cito, invoco. Ano passado, levei "A palavra e a Palavra", editado pela UFC em 2002, para o curso que elaborei e ministramos com a bordadeira Alba Alves. Tornou-se nosso poeta-guia.

Leia comigo: "Vede como dentro e fora antemão entrementes e outrora estão aqui agora". Você não vê o poema espacializado como no livro, com pausa, respiro, ritmo que o desenho sugere na página. Digito o poema em linha contínua e me ocorre o "Galáxias", de Haroldo de Campos, a terceira edição revista da editora 34, realizada em 2004.

A conversa entre poetas, feito constelação, é movente.

Alba descobriu nosso poeta. E bordou Horácio Dídimo para vestir. O tecido, guardado desde 2002, ano da edição do livro, foi tingido com jucá. Cortado para vestido, ganhou, nas costas, o poema citado, e, na frente, um jardim com croché de Vilani Moreira Barbosa. Galhos se bifurcam com micro botões bordados. Botões de flor em um ponto tão presente em enxoval de bebê que nos faz pensar nos nascimentos da inteligência das mãos. Tem linha tracejada, tem folha com o desenho que nossas rendeiras de bilro chamam de traça e se vê direitinho tanto no papelão riscado e pinicado, o "molde" da renda, quanto na renda pronta. Traças-pétalas, compondo flor.

Tem mais Horácio Dídimo por Alba. Em pequenos formatos, uma vez abertos e folheados, os três livros-arte remetem a borboleta batendo asa e desenhando no ar. Pouco maiores que caixas de fósforo convencional, os horacinhos voadores (nos) acendem. São corte e costura, caligrafia, apliques de bordado, um reuso de material que se vê com mais gosto ainda andando com Alba pelas bordas da Chapada do Araripe, onde ela mora.

Prestar atenção é prática. Torna-se incontornável para sempre, como achar grande o mar. Os horacinhos têm papel de sabonete com cerejeiras em flor, de catálogo botânico; de pacotes de chá, de café, de chocolate (você também gosta da expressão "pra comer com os olhos"?) e um etc. que inclui pedaço de artigo com nota de rodapé sobre "O apanhador no campo de centeio".

Horácio Dídimo (1935-1918), seu livro é fonte de mel, colmeia.

Estão lá outros livros dele. Cito "Tijolo de Barro" e "Tempo de Chuva" para ir terminando junto com março saudando as águas e São José, padroeiro do Ceará e protetor de mulheres e homens das artesanias.

A aranha tece puxando o fio da teia.

Citei uma linha da canção "Na asa do vento", de João do Valle e Luiz Vieira. Escuto Caetano. E me ocorre Liberal de Castro inscrevendo, e escrevendo Fortaleza como uma dádiva do vento. Refere-se o professor aos ventos bravios que dificultavam a travessia pela costa.

Feliz aniversário, Fortaleza.

Vou começar abril relendo "Yuxin". Outra vez na floresta, nas águas e seres que Ana Miranda nos convida a escutar ao tempo que seguimos com Yuxin. Yuxin borda, borda.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/03/26. Vida & Arte, p.2.

PROPAGANDA DE GOVERNO VS. ELEITORAL

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Tenho assistido na TV a uma série de textos publicitários do Governo do Estado do Ceará, sob o slogan "O governo não para". São vídeos tratando de várias situações, com vários participantes cada um, repetidos várias vezes durante o dia e até nos horários ditos nobres. Fico me perguntando, dado que estamos em ano eleitoral se isso não seria uma propaganda sub-reptícia de cunho eleitoreiro.

Para tirar minha dúvida, fui pesquisar na Constituição Federal do Brasil. Não existe verbete sobre o tema. O que existe é a Lei nº 9.504, de 30/09/1997. Mas nada que diga respeito aos tipos de propaganda do setor público.

Porém a literatura sobre o assunto define quatro (alguns autores descrevem três) tipos de propaganda, quais são: a propaganda interpartidária; a propaganda partidária, a eleitoral, e a institucional. Pelo que pesquisei as mais discutidas são as três últimas.

Antes de discutir por que vejo as atuais propagandas do governo do Ceará como propaganda eleitoral sub-reptícia, talvez seja importante definir o conceito básico envolvido no verbete "propaganda".

Este verbete, de acordo com o Dicionário Koogan Larousse, de Antônio Houaiss, significa "ação ou efeito de propagar ou difundir ideias, princípios, teorias etc./vulgarização/promoção."

Assim, o uso da frase "O governo não para", repetido às dezenas de vezes todos os dias em rede de televisão não está fazendo a promoção dos bens públicos oferecidos, pois estes não precisam de promoção, mas, sim, do governo (leia-se, governador). No ano eleitoral, isso é propaganda eleitoral!

Não nego que o governo pode (e deve) mostrar ao povo o que está fazendo, através de informes oficiais, digamos uma vez por mês, mostrando os dados fundamentais dessas obras, como, por exemplo: o tamanho; o que foi feito de novo; sua localização; o quanto foi gasto; o benefício que trará para a população beneficiada.

Isso não seria promoção do governador, mas, uma satisfação à população sobre o que o governo está fazendo.

Na linguagem comum, quando se faz uma "promoção" é por que se está querendo "vender" algo. No presente caso, o objeto da venda é a imagem do governador, um homem que "não para". Mas, como as outras "mercadorias"(os outros candidatos), podem ser "promovidas"? Dentro deste contexto não há como. Por que, então, permitir que isso aconteça? Por que a lei não trata desse assunto?

Para os políticos "da situação", isso é muito bom. E os políticos "da oposição", por que não se posicionam? Porque eles esperam um dia ser "da situação".

O que mais dizer?

Termino este artigo com as seguintes sentenças que, estou convicto, dizem muito sobre a nossa população: "O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta por seus direitos, público só assiste de camarote.", de Lima Barreto; "Você tem todo o direito de não gostar de política, mas sua vida terá influência e será governada por aqueles que gostam. Portanto, o castigo dos bons que não fazem política e ser governado pelos maus que a fazem.", de Platão; "Em geral, os homens julgam mais pelos olhos do que pela inteligência, pois todos podem ver, mas poucos entendem o que veem.", de Nicolau Maquiavel; "Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem", de Bertoldt Brecht.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 5/04/26. Opinião. p.18.

terça-feira, 5 de maio de 2026

CONVITE: Centenário de nascimento da Profa. Dra. Grasiela Teixeira Barroso

A Diretoria da Academia Cearense de Enfermagem (ACEn) convida para a solenidade comemorativa do Centenário de Nascimento de “Maria Grasiela Teixeira Barroso”, a patrona perpétua da ACEn.

A enfermeira e professora emérita da Universidade Federal do Ceará (UFC) Grasiela Teixeira Barroso estaria completando cem anos de idade, no corrente mês, se viva fosse.

Local: Auditório Reitor Martins Filho da Reitoria da UFC - Campus do Benfica – Fortaleza.

Data: 6 de maio de 2026 (quarta-feira) Horário: 16h.


A GOVERNANÇA DE DADOS E A PRODUTIVIDADE

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O economista Paul Krugman afirmou: "A produtividade não é tudo, mas, a longo prazo, é quase tudo". Aumentar a produtividade é essencial para alcançar empresas sustentáveis e criar empregos qualificados. Elementos fundamentais para qualquer estratégia de desenvolvimento que tenha como principal objetivo a melhoria da vida das pessoas e passam, necessariamente, por uma boa governança de dados, com cadastros confiáveis e interoperáveis. Embora a produtividade não signifique apenas trabalhar mais, mas sim criar mais valor com eficiência, ela é crucial para o crescimento sustentável e competitivo.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) demonstrou, em estudos disponíveis, que os dados dos setores público e privado têm o potencial de gerar benefícios sociais e econômicos equivalentes a um intervalo entre 1% e 2,5% do PIB. No entanto, esse resultado ainda não foi atingido devido a desafios como a falta de confiança, os interesses conflitantes entre diferentes partes interessadas e a fragilidade cadastral.

Nesse contexto, o Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE), firmou um acordo de cooperação técnica com a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para fortalecer o apoio institucional aos municípios cearenses no cumprimento de obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas.

O acordo tem como objetivo auxiliar as administrações municipais, durante as edições da Caravana Ceará um Só 2026, na correta prestação de informações ao Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhista (eSocial), além de orientar sobre procedimentos de regularização no âmbito do Programa Receita Social – Autorregularização. 

A iniciativa é mais uma conquista que pode ser creditada à importância do Programa de Governança Interfederativa Ceará um Só, realizado na gestão do governador Elmano de Freitas. O delegado da Receita Federal, Paulo Régis Paulino, ressaltou a participação do Fisco na jornada interfederativa deste ano e valorizou o ineditismo da experiência conduzida pela Secretaria.

Pelo documento, a Seplag-CE e a Escola de Gestão Pública do Ceará serão responsáveis pela articulação com os municípios, pela organização das atividades e pela disponibilização de materiais de apoio. Já a Receita Federal atuará compartilhando orientações técnicas e participando das ações conforme sua disponibilidade, sendo cada órgão responsável pelo custeio das atividades relacionadas à execução das ações. 

Trata-se de mais uma boa prática da Secretaria do Planejamento e Gestão, reconhecida por um órgão federal e disseminada para os municípios cearenses. O trabalho já teve início nas regiões do Maciço de Baturité e do Sertão de Canindé, evidenciando a importância da governança de dados para a melhoria da produtividade em todos os municípios cearenses.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 2/04/26. Opinião. p.19.


 

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