Por Rev.
Munguba Jr. (*)
De quatro em quatro anos o Brasil se
reúne para viver a magia de uma Copa do Mundo. Pais sacrificam parte da
poupança para realizar o sonho dos filhos com os álbuns de figurinhas, e
milhões de brasileiros alimentam a esperança de ver mais uma estrela estampada
na camisa da nossa seleção.
Lembro-me da Copa de 1970. Eu era apenas
um menino, comendo rocambole de goiaba e correndo pelas ruas atrás do Colégio
Batista, onde morávamos, comemorando cada vitória da seleção brasileira. Depois
daquela conquista vieram outras duas inesquecíveis, consolidando o Brasil como
a única seleção pentacampeã do mundo.
Entretanto, neste ano chegamos a um
ponto diferente. O debate deixou de ser sobre futebol.
Assistimos a campanhas favoráveis e
contrárias ao nosso camisa 10 não por sua condição física, seu talento, sua
capacidade técnica ou sua recuperação das lesões, mas por causa de suas
preferências políticas e declarações públicas.
Todo cidadão tem o direito de manifestar
suas convicções e fazer suas escolhas. Somos contrários a qualquer forma de discriminação.
Seja na política, na religião, na vida familiar ou na esfera da sexualidade,
cada pessoa deve ser livre para expressar suas convicções. Respeitar uma
decisão não significa, necessariamente, concordar com ela.
Quando escolhemos um médico para
realizar uma cirurgia, observamos sua formação, sua experiência e seus
resultados. Quando buscamos um salão de beleza, avaliamos a qualidade do
atendimento e o resultado do serviço. Raramente perguntamos qual é a
preferência política ou a orientação ideológica dessas pessoas.
Talvez estejamos perdendo a capacidade
de distinguir o que é essencial do que é secundário. Precisamos aprender
novamente a separar as estações da vida e evitar transformar diferenças de
opinião em critérios absolutos para julgar pessoas.
Quando confundimos competência com
preferência, perdemos muito mais do que um jogo. Perdemos a capacidade de
conviver.
Vai lá, Neymar! Faça no campo aquilo que
você sabe fazer. Honre a camisa da seleção com dedicação, entrega e excelência.
E, se Deus permitir, ajude a trazer para o Brasil mais uma estrela.
(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador
Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.
Fonte: O Povo, 4/07/2026. Opinião. p.24.

