Por Pe.
Reginaldo
Manzotti (*)
Há amores que o tempo não
apaga. Há experiências de Deus que marcam a alma para sempre. E há devoções que
se tornam morada permanente dentro do coração sacerdotal. Assim é minha
relação com Nossa Senhora do Carmo.
Sou padre, filho do Carmelo
por vocação e amor, hoje diocesano pois a Providência me conduziu pelos
caminhos da Igreja e me confiou uma missão diferente daquela que um dia
imaginei viver. Contudo, existe algo que nunca deixei para trás: meu amor
profundo pela Mãe do Carmelo. Ainda carrego no peito o santo escapulário, ainda
me emociono ao ouvir os antigos cantos carmelitas, ainda sinto o perfume
espiritual do Carmelo cada vez que pronuncio o nome daquela que sempre
considerei minha Mãe, minha Rainha e minha Protetora.
Meu sacerdócio foi
consagrado a ela, a Obra Evangelizar é Preciso a tem como Madrinha. E, enquanto
eu tiver voz, falarei da beleza da força do escapulário e da ternura da Virgem
Santíssima.
Foi Ela quem me tomou pela
mão nos dias de prova e quem me conduziu à fonte da compaixão sacerdotal. Ao
celebrarmos sua festa, quero partilhar um pouco desse afeto e da graça que
recebi, para que outros também encontrem refúgio no manto da Mãe do Carmelo.
Quantas vezes, nos momentos
difíceis do meu ministério, segurei o escapulário e rezei em silêncio! Quantas
vezes senti que a Virgem do Carmo me sustentava quando minhas forças humanas já
não bastavam!
E posso testemunhar: Maria
jamais abandona os filhos que a ela se consagram.
Existe uma razão ainda mais
profunda pela qual prometi anunciar a Mãe do Carmelo por onde eu passar.
Num tempo de angústia,
minha família passou por uma provação, com um diagnóstico de câncer. Foi então
que recorri à Mãe do Carmelo e pedi pela minha irmã. Não como padre. Não como
alguém forte. Mas como um filho necessitado do colo da mãe. Em oração, clamei à
Mãe do Carmo com a simplicidade de quem confia tudo à Sua Mãe. Foi nessa
confiança que vi brotar a graça da cura. Não nego a ação dos tratamentos;
porém, para nós, aquele restabelecimento teve o caráter de um milagre, uma luz
que revelou a presença materna de Maria em meio à nossa dor.
Diante dessa graça
intensifiquei minha promessa: por onde eu for, proclamarei o amor de Nossa
Senhora do Carmo e recomendarei o escapulário como sinal de consagração e
proteção.
Muitas vezes, vejo pessoas
usando o Escapulário do Carmo como se fosse um "patuá", ou um simples
ornamento. Meus filhos e filhas, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina no
parágrafo que a religiosidade popular, como o uso de sacramentais, deve ser uma
extensão da vida litúrgica da Igreja (cf. CIC 1674).
O Escapulário é um
Sacramental. Diz o Catecismo: "Os sacramentais não conferem a graça do Espírito
Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para
receber a graça e dispõem para cooperar com ela." CIC (1670).
Quando você coloca o
Escapulário, você está dizendo: "Maria, eu sou Teu". É como se você
estivesse vestindo a "farda" da Rainha. E uma Rainha nunca deixa um
soldado Seu desamparado no meio da batalha.
Por isso, reforço: o
escapulário do Carmelo não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda
nossa pertença a Cristo por Maria; é chamado à conversão diária, à oração e à
perseverança. Vestir-se do escapulário é vestir-se da confiança filial que nos impele
a viver segundo o Evangelho.
Nossa Senhora do Carmo nos
ensina a contemplação ativa: juntar a oração ao serviço, o recolhimento à
caridade, o silêncio à palavra que consola. Ela não é um fim em si mesma, mas a
estrada segura que nos leva ao Filho. No Carmelo aprendi que todo gesto mariano
deve desembocar no mistério pascal de Cristo - e foi essa verdade que quis
levar comigo ao me tornar padre diocesano.
Convido vocês a entregar a
vida a Maria: confiar-lhe as angústias, entregar aos cuidados da Mãe, sua casa.
Colocar no peito o escapulário como lembrete de uma filial pertença. Quem se
entrega verdadeiramente a Maria jamais caminha sozinho.
Que a Mãe do Carmelo, a
Virgem que acompanha os passos dos seus filhos, interceda por nós e nos conduza
sempre mais perto do seu Filho Jesus.
(*) Fundador e presidente da
Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de
Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 11/07/2026.
Opinião. p.22.
