quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Flávio Ibiapina é eleito presidente da Unimed Fortaleza

O Povo, Economia.

O médico ginecologista/obstetra Dr. Flávio Lúcio Pontes Ibiapina foi eleito presidente da Unimed Fortaleza para o período de 2026-2030. Com eleições encerradas na noite desta quarta-feira, 4/02, a cooperativa de médicos teve 3.556 votantes, dos quais 79,75% elegeram a chapa liderada por Ibiapina.

O novo presidente é mestre e doutor em Saúde Coletiva e tem no currículo atuação desde a assistência médica, passando pelo ensino e também a gestão em saúde.

No Sistema Unimed, Ibiapina já exerceu cargos estratégicos, tendo atuado como diretor de Recursos Próprios e, mais recentemente, como diretor Administrativo-financeiro da Unimed Fortaleza, entre 2023 e 2026. Nesse período, seu trabalho foi voltado para a governança, finanças, tecnologia e estruturação de serviços.

"Essa vitória nasceu do diálogo e da construção de uma cooperativa forte. A troca de gestão não é um ponto final, é um recomeço. Espero que essa união continue ajudando a construir uma cooperativa cada vez mais transparente e dedicada aos nossos cooperados, clientes e colaboradores. Hoje, celebramos a força do cooperativismo, fruto de uma vitória histórica. Desejo que este seja o ponto de partida de uma nova e grande jornada", comentou o novo presidente.

Conheça a diretoria

Acompanham Ibiapina no comando da Unimed Fortaleza no quadriênio 2026-2030 o anestesiologista Marcos Antônio Aragão de Macedo, como diretor Administrativo-financeiro; o pediatra João Osmiro Barreto, como diretor Comercial; o cirurgião geral Marcus Valerius Sabóia Rattacaso, como diretor de Provimento de Saúde; e a cardiologista Patrícia Lopes de Souza, como diretora de Recursos Próprios.

Também foram eleitos os demais integrantes do Conselho de Administração: o mastologista/ginecologistas/obstetra Antônio de Pádua; a pediatra Aurélia Teixeira; o cirurgião geral/urologista Lívio Lobo e a ortopedista/traumatologista Christiane Muniz.

No Conselho Técnico foram eleitos a oftalmologista Ana Valéria Teixeira; o cardiologista Fernando Medeiros; o anestesiologista Túlio Osterne; o cirurgião vascular Renato Callado; o ortopedista/traumatologista Ronaldo Silva; e a otorrinolaringologista Patrícia Mesquita.

Vidas e ativos sob gestão

Os diretores assumem nos próximos quatro anos a 11ª maior cooperativa singular do Sistema Unimed em números de beneficiários. No total, a Unimed Fortaleza administra os cuidados de 375 mil pessoas a partir da cooperação de 4 mil médicos, entre inscritos como pessoas física e jurídica.

Ficam sob a gestão deles também o Hospital da Unimed, o maior hospital do Ceará em número de leitos (330) e o maior do sistema Unimed no Brasil. Além disso, estão na lista de ativos o Hospital Unimed Sul, que possui serviços de emergência pediátrica e obstétrica, internação obstétrica, adulta e pediátrica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e oncologia pediátrica, um centro cirúrgico moderno, com atendimento a cirurgias eletivas.

A rede própria da Unimed Fortaleza conta ainda com 11 laboratórios, cinco Clínicas Unimed, oito Clínicas de Saúde Integral, além de programas como a Medicina Preventiva.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/02/2026. Economia. p.11.

UMA SUMÁRIA REFLEXÃO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Conta-se que, certa vez, numa instituição, havia uma diretora muito sagaz. Era assaz comunicativa e seu sorriso constante cativava os seus funcionários. Costumava apaziguar os ânimos, quando os espíritos se inflamavam.

Havia, no entanto, algo de estranho, na sua postura, que intrigava. Isto chamou a atenção e um seu assessor percebeu que, no surgimento de qualquer diatribe, seu sorriso não era franco, senão matreiro, perdia aquela beleza que cativava as pessoas.

Como nada se mantém escondido por todo tempo, a verdade surgiu. Percebeu-se que ela provocava os mal-estares e as confusões, para, em seguida, aparecer como uma pessoa pacificadora, amante da paz e da harmonia. E, como tal, receber os apupos e os aplausos, navegando na crista da onda.

Essa história, história com h, inspira algumas reflexões no mundo polímata de opiniões e ideias, desde as mais simples até as mais estapafúrdias, passando pelas sábias e prudentes.

Refiro-me ao Sistema Perverso, que a criatura humana tem inventado e alimenta, na mediocridade de seu livre arbítrio.

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 22/01/26.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Breakneck e as lições para o Brasil

Por Lauro Chaves Neto (*)

"Breakneck: China's Quest to Engineer the Future", de Dan Wang, da Universidade de Stanford, na Califórnia, publicado em 2025, e considerado por parte da mídia mundial o livro do ano, apresenta a ideia central de que "os EUA são governados por advogados, enquanto a China é governada por engenheiros", enquanto os americanos priorizam o jurídico e o regulatório, os chineses colocam a engenharia e a execução prática no centro de sua estratégia nacional.

O livro destaca que a estratégia chinesa envolve uma visão articulada de futuro, na qual infraestrutura é sinônimo de influência geopolítica, segurança nacional e projeção global, combinando planejamento estatal, inovação tecnológica e diplomacia econômica, sem esquecer os lados negativos da engenharia social, incluindo a vigilância de minorias étnicas, a repressão política e os traumas da política do filho único e da Covid zero.

Em contraste, os EUA são governados por advogados que são realmente eficientes em bloquear as coisas, o que pode ser ruim e bom. Podem barrar ideias sem sentido, assim como reduzir a velocidade e aumentar o custo da economia.

O livro oferece lições relevantes para o Brasil ao mostrar como a China articula planejamento de longo prazo, coordenação institucional e investimentos estratégicos em infraestrutura. A principal lição é a importância de definir projetos estruturantes que sejam sustentados por políticas de Estado, não apenas de governo.

A experiência chinesa também revela o valor de integrar infraestrutura física, digital e energética, ampliando competitividade e conectividade regional, além de estimular inovação tecnológica com foco em produtividade.

O livro também alerta que infraestrutura só gera prosperidade quando integrada a políticas industriais, inovação e logística sustentável - caso contrário, transforma-se em ativo caro e subutilizado.

Por fim, ressalta que velocidade não substitui participação social, nem os princípios democráticos, isso significa a necessidade de ampliar diálogo com comunidades, setor produtivo e academia, garantindo que o desenvolvimento seja inclusivo e estratégico.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 5/01/26. Opinião. p.22.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

DIA DA MULHER MÉDICA

Dia 3 de fevereiro marca o Dia da Mulher Médica em homenagem a Elizabeth Blackwell (1821-1910), que foi a primeira mulher que conseguiu ser médica nos Estados Unidos e em todo o mundo. Dez universidades rejeitaram seu pedido até ser admitida no Geneva Medical College (NY) e, em janeiro de 1849, tornou-se a primeira mulher a receber um título de medicina. Pioneira em promover a entrada de mais mulheres na medicina nos Estados Unidos, foi também uma reformista e abolicionista. Sua irmã, Emily, foi a terceira mulher a se formar em medicina nos Estados Unidos.

Em 11 janeiro de 1849 se tornou a primeira mulher a receber um doutorado nos Estados Unidos. Ela foi para Paris onde trabalhou na maternidade. Quando tratava de uma criança, uma secreção purulenta espirrou no seu olho esquerdo deixando-a cega. Logo depois, foi para a Inglaterra. Quando retornou para os Estados Unidos, fundou com a irmã Emily, uma escola de enfermagem para as mulheres.

Depois da guerra, em 1868 fundou uma Universidade Médica da Mulher e no ano seguinte foi para a Inglaterra onde ela foi professora de ginecologia até sua aposentadoria em 1907.

Brasil – A primeira médica brasileira foi uma desbravadora. Maria Augusta Generoso Estrela nasceu no Rio de Janeiro em 1860 e tinha inteligência superior. Decidida a ser médica enfrentou e venceu preconceitos e até barreiras legais para conseguir o que queria. Como lhe era vedado o acesso às faculdades de medicina no Brasil, Maria Augusta convenceu seus pais a lhe permitirem viajar aos EUA para tentar a matricula em uma das faculdades americanas, que já admitiam mulheres. Acontece que ela tinha menos de 16 anos e a idade mínima para ingresso era de 18 anos e a New York Medical College and Hospital for Women recusou sua matrícula. Inconformada, Maria Augusta conseguiu ser ouvida por um colegiado, que aquiesceu aos seus argumentos e ela foi em seguida submetida ao exame de suficiência para ingresso. Foi aprovada com distinção.

Seus estudos nos EUA foram bancados pelo Império brasileiro, por decreto do Imperador Pedro II. D. Pedro tomou essa iniciativa por conhecer a história de Maria Augusta e pelo fato de que o pai dela, não teve mais condições de mantê-la em Nova Yorque, por conta da falência da companhia que representava. Pelo decreto imperial, a bolsa foi de 100 mil reis mensais para a faculdade, mais 300 mil reis anuais para as despesas gerais.

O curso de medicina foi completado em 1879 e aí outro problema: Maria Augusta não tinha idade suficiente para receber o diploma. Teve que aguardar por mais dois anos, tempo que utilizou em estágios profissionais.

Finalmente graduada doutora Maria Augusta Generoso Estrella voltou ao Brasil em 1882 e foi submetida a exames para validar seu diploma americano e conquistar o direito de exercer a profissão no Brasil. Isso só foi possível porque em 1879, o imperador havia emitido um decreto permitindo às mulheres o acesso ao ensino superior. É bem possível que a saga de Maria Augusta tenha influenciado o imperador a tomar essa medida, afinal ele custeara os estudos dela. A jovem doutora estabeleceu-se no Rio de Janeiro e atendia principalmente mulheres e crianças.

Fonte: FenaSaúde.

Educação superior une governo e sociedade pelo desenvolvimento do Ceará

Por Cândido B.C. Neto (*)

O desenvolvimento científico, tecnológico e humano contemporâneo depende substancialmente do conhecimento e da capacidade de produção do país, da região e de cada comunidade.

A competitividade, a agregação de valores, a criação de oportunidades com impactos positivos sobre a distribuição de renda, a inovação dos processos de produção e de seus produtos, dentre outros aspectos, passa essencialmente pela geração e difusão do conhecimento coletivo, seja pelas áreas de P&D das empresas, seja dentro das universidades ou institutos de pesquisa científica.

Nesse contexto, as Instituições de Ensino Superior têm papel relevante como promotoras, incentivadoras e indutoras do setor produtivo, através da oferta de uma "Educação Humanista com Inclusão Produtiva", com ensino de qualidade e programas de apoio à ciência, tecnologia e inovação.

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) e de parceiros, tem promovido um espaço de debate e de construção coletiva ao ampliar a articulação com diversos setores, tendo em vista o desenvolvimento harmonioso e igualitário o estado.

Reconhecendo, acima de tudo, ser a Educação um compromisso com a condição humana, o Governo do Ceará está implantando o Programa de Universalização da Educação Superior como ação do Plano de Desenvolvimento Integral da Educação Superior (MAPP 241Secitece).

O objetivo principal do programa é trazer, durante os próximos anos, um novo cenário para o Plano Nacional da Educação (PNE), focado nas principais demandas dos municípios e na redução das desigualdades regionais, destacando a política de cooperação federativa e o regime de colaboração interinstitucional para os avanços e desenvolvimento do Ceará.

Teremos, por assim dizer, um dos mais importantes momentos da história da educação cearense, unindo o Ceará através do binômio "educação-desenvolvimento" para construção, com a sociedade, de uma realidade tão almejada pelo nosso povo.

(*) Professor da Uece e coordenador da Educação Superior da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/01/26. Opinião. p.16.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A verdade é sempre o melhor caminho: os investimentos do Estado em Juazeiro do Norte

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Em publicação no O POVO de 24 de dezembro, o Prefeito de Juazeiro do Norte produziu um texto onde mostrou números parciais e omitiu a verdade dos fatos. Senão vejamos: o gestor não mencionou a importância da obrigação da Prefeitura com adimplência à Lei Complementar 178/2018 e ao Decreto Estadual 32.811/ 2018. A Prefeitura de Juazeiro, por diversas vezes, ficou em débito com as responsabilidades dos convênios. No dia 24 de dezembro, por exemplo, o município estava inadimplente no CAUC (Sistema de Informações sobre Requisitos Fiscais), o que inviabiliza receber repasses de convênios, seja federal ou estadual. Estando adimplente com as obrigações e prestação de contas o repasse seguirá o fluxo do cronograma de desembolso.

Sobre os convênios citados no artigo - 273/2022; 274/2022 e 080/2021 -, o Estado já liberou o percentual de 42,45% e 39,23% para os dois primeiros, respectivamente. No caso do último, o Governo já desembolsou 82,94% dos recursos. Todavia, o que não foi mencionado pelo Prefeito de Juazeiro é que, mesmo com dificuldades de liquidez, pois o município de Juazeiro está com indisponibilidade de caixa bruta ou insuficiência de caixa (https://www.tesourotransparente.gov.br/temas/estados-e-municipios/capacidade-de-pagamento-capag), o Governo Elmano de Freitas cumpriu com suas obrigações sobre os convênios citados.

O Prefeito também não mencionou a amplitude dos investimentos do Governo do Ceará e do Governo Federal em Juazeiro do Norte. Nos últimos cinco anos, entre os investimentos realizados, o Governo do Estado reconstruiu a Arena Romeirão, obra entregue em março de 2022, uma das mais modernas do interior do Brasil. Apenas na Saúde, os Governos Federal e Estadual já enviaram R$ 559 milhões, afora o investimento e manutenção do Hospital Regional do Cariri, que o Estado mantém plenamente, no valor de manutenção de mais de R$ 200 milhões.

Cabe também reconhecer que o Governo Elmano de Freitas já aportou recursos superiores a 320 milhões em Juazeiro do Norte, no período de 2023-2025. Esses investimentos foram multidimensionais, nas áreas de infraestrutura e mobilidade, recursos hídricos, saneamento básico e social. No Anel Viário, uma obra de investimento do Estado, a atual administração estadual entregou os trechos 4 e 5, totalizando R$ 67 milhões, e o trecho 6 já está com a ordem de serviço assinada. Investimentos diretos do Estado, sem contrapartida da Prefeitura de Juazeiro. O Prefeito esteve presente em quase todas as entregas resultantes desses investimentos estaduais, a exemplo da inauguração da Casa da Mulher Cearense, mantida pelo Governo do Ceará. A verdade é sempre o melhor caminho.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 27/12/25. Opinião. p.15.

O SOL QUE INSISTE EM NÃO SE PÔR

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Em São Petersburgo, há alguns dias de verão em que o sol se recusa a desaparecer por completo. As noites não escurecem, permanecendo suspensas na claridade do crepúsculo. Noites Brancas foi minha última leitura de 2025. Uma novela de Dostoievski sobre dois jovens que se encontram durante quatro dessas noites luminosas. Curiosamente, terminei o livro no dia 25 de dezembro, enquanto recebia mensagens de amigos queridos desejando feliz Natal e um ótimo Ano-Novo.

O protagonista se autodenomina um sonhador - alguém que passou a vida inteira sonhando acordado, encolhido em seu refúgio como um caracol na concha, solitário, distante da realidade concreta. Nástienka, a moça por quem se apaixona, vive presa: a avó cega mantém os vestidos das duas unidos apenas por um alfinete.

A atmosfera onírica das noites brancas torna-se o cenário perfeito para esse encontro improvável.

Nessas quatro noites, caminhando sobre as pontes da cidade, o sonhador experimenta algo nunca vivido. Um momento de intimidade, ainda que breve.

As pontes atravessam o rio, mas reduzem a distância entre dois solitários e ligam o imaginar ao viver. Sonho e realidade não são opostos irreconciliáveis. São duas faces da mesma moeda, e a vida acontece justamente no equilíbrio entre eles.

Pensei bastante sobre essa imagem: o sol que se recusa a se pôr. No sonhador, ela ganha forma: a tentativa de manter acesa uma luz capaz de dar conta da própria escuridão. Não precisamos viver o tempo todo sonhando, mas esses intervalos de luz são vitais.

"As noites brancas virão". É o consolo de quem vive na escuridão durante os meses de inverno em São Petersburgo. Elas duram apenas algumas semanas por ano. São um fenômeno efêmero, e é justamente essa brevidade que as torna preciosas.

Haverá dias frios. A escuridão virá certamente. Mas, por vezes, você será esse sol que insiste em não se pôr. Viva suas próprias noites brancas: luminosas, imprescindíveis. Ainda que seja por alguns instantes.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/12/2025. Opinião. p.18.

 

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