sábado, 3 de outubro de 2026

Defesa de Memorial para Professor Titular da Medicina da UFC de Sthela Maria Murad Regadas

 

Flagrante da Comissão Especial Julgadora, ao término da defesa do Memorial da médica STHELA MARIA MURAD REGADAS, quando a Profa. Dra. Maria Luzete Costa Cavalcante, por determinação do presidente da banca, fez a leitura da ata de conclusão do julgamento do memorial acadêmico. O Prof. Dr. José Huygens Parente Garcia, que presidiu essa banca, está ladeado por Profs. João Batista de Sousa e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, à esquerda, e pela professora Maria Helena Pitombeira, à direita. (Foto cedida por Prof. Dr. Fernando Siqueira).

Aconteceu na manhã de sexta-feira (2/10/26), de forma presencial, no Auditório Antônio Jucá, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da classe de professor associado 4 para Professor Titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Huygens Parente Garcia (presidente UFC), Maria Helena Pitombeira (efetiva UFC), João Batista de Sousa (efetivo UnB) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva (efetivo Uece), e ainda por Luiz Gonzaga Porto Pinheiro (suplente interno) e Ricardo de Carvalho Cavalli (suplente externo), conforme Portaria Nº 1/2026/FAMED-UFC, de 1º de setembro de 2026, e secretaiada pela Profa. Dra. Maria Luzete Costa Cavalcante, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora STHELA MARIA MURAD REGADAS.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


ADEUS AO ACADÊMICO FRANCISCO FLÁVIO LEITÃO DE CARVALHO

Francisco Flávio Leitão de Carvalho nasceu em Fortaleza-Ceará, em 21 de abril de 1939, filho do poeta, jornalista e professor José Valdivino de Carvalho e da pianista Maria Adamir Leitão de Carvalho.

Boa parte da sua formação escolar transcorreu no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, o afamado Seminário da Prainha, onde, dos 10 aos 14 anos de idade, adquiriu com os padres lazaristas muitos conhecimentos religiosos, filosóficos e literários e, também, absorveu qualidades morais que o levaram a pautar a sua existência observando e praticando as virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1959, concluindo o curso médico em 1964. Durante a graduação, foi monitor concursado de Anatomia Patológica e fez estágio no Serviço de Patologia do Prof. Luigi Bogliolo, na Universidade Federal de Minas Gerais.

O Dr. Flávio Leitão realizou Residência Médica em Neurologia e Neurocirurgia no Instituto de Neurocirurgia de Porto Alegre, em 1965, sob a orientação do Prof. Elyseu Paglioli, tendo obtido o título de especialista em Neurocirurgia, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, em 1970.

Flávio Leitão concluiu o Mestrado em Cirurgia na UFC em 2000, com a dissertação Auxílio ao diagnóstico do ângulo ponto-cerebelar com utilização de técnica de inteligência artificial, consubstanciando a sua produção científica, expressa em mais de trinta artigos em revistas nacionais e três em periódicos estrangeiros e mais de 60 trabalhos apresentados em congressos médicos.

Sua atividade médica predominante foi realizada no Serviço de Neurocirurgia do Hospital Geral de Fortaleza, do qual se aposentou em 2006, e a de docência superior foi exercida no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC, na qual ocupou diferentes funções, entre elas as de subchefe e chefe do departamento e de chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Universitário Walter Cantídio, estando aposentado, como professor adjunto, desde 2009, mas ainda prosseguiu atuando em atividades profissionais particulares.

No âmbito profissional, é membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, da Academia Brasileira de Neurocirurgia, da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia, da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Em 20 de abril de 2002 foi empossado como Membro Titular da Academia Cearense de Medicina (ACM), preenchendo a Cadeira 50, patroneada pelo Dr. Walder Bezerra Sá.

Nos últimos tempos, ele vinha se dedicando de modo mais intenso à literatura, com primorosa produção de contos e peças oratórias. Era membro titular da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras e Artes do Nordeste e da Academia Cearense de Letras.

Sócio da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional Ceará (Sobrames-CE), da qual foi presidente no biênio 2010-12 e participou de 27 antologias. O seu interesse pela escrita o conduziu à Academia Cearense de Letras (ACL). Tomou posse, como imortal dessa arcádia, em 10 de janeiro de 2017, ocupando a Cadeira 34, patroneada por Samuel Uchoa.

Como católico, era um assíduo participante das ações evangelizadoras da Sociedade Médica São Lucas (SMSL), e ainda trabalhava, como médico voluntário, em um ambulatório, dirigido por religiosas, para atendimento a pessoas carentes.

Casado, desde 1966, com Marimília Quevedo Esteves, deixa quatro filhos: Anamaria, Flávio Filho, André e Manuela.

Foi com imenso pesar que se registrou o falecimento, na noite de 1º de setembro de 2026, do Dr. FLÁVIO LEITÃO, médico neurocirurgião e membro de diversas confrarias profissionais e literárias cearenses.

A comunidade médica e o meio cultural locais sentiram intensamente por tão grande perda desse valoroso cidadão cearense, dotado de tantos predicados humanos, que, como médico, professor, escritor e outros relevantes atributos pessoais, a exemplo da cordialidade e da lhaneza de trato, muito contribuiu para o engrandecimento da medicina e da literatura do Ceará.

Que Deus o acolha em Seus braços misericordiosos.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo, colega, confrade e consócio de Flávio Leitão

* Publicado. In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Setembro de 2026 - Edição n.60. p.17-18 (online).

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

SACRA CRUZ

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Ó Sacrifício Sagrado,

Quão amoroso que sois

De incondicional brado

Misericordioso sois.

 

No patíbulo da cruz,

Vosso trono inaugurou

E para filhos amados

Resgate eterno ele doou.

 

Lavastes nossos pecados

Do céu portas nos abristes

Com teu sangue derramado

 

Alento pra nossa fé

Gratidão em nossos peitos

Ó Christe adoramus Te!

 

Uma agradável segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 20/07/26.


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 732

Abro a coluna com a Paraíba.

O médico João Izidro

João Izidro, pai do amigo Carlos Alberto e do psiquiatra-escritor Luís Carlos, era pediatra, clínico geral e sábio. Atendia famílias de todos os recantos dos fundões da Paraíba. Sua clientela incluía Luís Gomes, cidade do Rio Grande do Norte na fronteira com a Paraíba, onde este escriba nasceu e de onde, do alto da serra, contemplava Uiraúna, terra de Luiza Erundina. Um dia, em Cajazeiras, sua cidade, atendeu a uma velhinha que se queixava de "incômodo em todo o corpo". Fez as perguntas tradicionais:

– A senhora tosse?

– Às vezes, sim, às vezes, não.

– A senhora tem dor de cabeça?

– Às vezes, sim, às vezes, não.

– A senhora sente febre?

– Às vezes, sim, às vezes, não.

Paciente, o médico botou os óculos e escreveu a receita:

– Pegue a receita, minha senhora. Pode ir, a senhora vai melhorar.

A velhinha pegou a receita e tascou a pergunta:

– Doutor, e esse remédio, hein, como é que eu tomo?

A resposta do João veio no mesmo tom da voz da velhinha:

– Tome o remédio às vezes, sim, às vezes, não.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/352016/porandubas-n-732


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

QUEM AMA, CUIDA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Parece letra de canção ou nome de novela, mas é, nada mais, nada menos, do que a pura verdade. Quem ama alguém, um bicho, uma planta, qualquer coisa, cuida dela com afinco. Observo da janela do meu escritório a moça, lata de coca-cola numa mão e um saco plástico na outra, passeando na calçada com seu lulu da Pomerânia, cachorrinho peludo e afetado. Chama-o de "docinho", toma-o nos braços, beija seu nariz e sua boca. De repente, o animal late e fica naquela posição do Napoleão quando perdeu a guerra. A moça se abaixa, recolhe com o saco plástico o 02 que o lulu depositou e joga a lata de refrigerante vazia (ou melhor, seca, como dizem os cearenses) no meu pobre jardim. "Poderia ser pior", alguém poderia dizer. Ah, Dusek, "troque seu cachorro por uma criança pobre"...

Todavia, divago um pouco. Usei todo esse introito para falar de uma situação que me preocupa e acabei fazendo piada de um instantâneo do existir. Se sobra afeto na relação da moça com seu cãozinho, falta a consideração dela para com os outros. Vivemos fechados nos nossos universos-bolhas e não damos sequer a mínima para quem está fora desses territórios. O chato foi o fato dela ver o meu sofrido garden como uma lixeira, indigna de receber os dejetos do seu doguinho de estimação. Esses problemas acontecem em escalas variadas e me têm tirado o sono. Egoístas e cheios de si, cuidamos com antolhos do nosso mundinho e esquecemos que a vida comunitária é toda composta por conexões e liames de todo tipo. Tudo junto e misturado, como dizem os cantores de forró.

Falo do grave descaso com que tratamos o planeta Terra. Um exemplo disso é que não estamos nem aí para o aquecimento global. Continuamos queimando gasolina, cortando árvores e lançando toneladas de gás carbônico na atmosfera. Os negacionistas da ciência parecem ter ganho a batalha final. Nossa nave-mãe já começa a dar mostras do seu aborrecimento e impaciência para conosco. São ou não são claros os indícios desse esgotamento os recentes terremotos havidos na Venezuela, no Japão e nos EUA (Califórnia), todos de elevadas magnitudes e causadores de milhares de mortes? Na semana passada, no miúdo Nepal, na fronteira que faz com a China e o Tibete, o derretimento de uma geleira causou uma avalanche que arrasou cidades inteiras e muitas famílias. Ninguém vê isso?

Do nosso Cearazinho de açúcar, ou de fel, como queiram, chegam-nos notícias, no mínimo, curiosas. Neste célere 2026, que corre a se perder de vista, foram registradas temperaturas de 13,3º C e 18,9º C, respectivamente, em Aiuaba e Poranga, duas urbes representantes do nosso mais que semiárido Inhamuns. É como diria, na sua sertaneja sabedoria, acocorado na rodagem, o nosso matuto: "É o fim das eras". E los niños, o garoto e a garota, virão aquecendo a água do Oceano Pacífico Equatorial a mais de mil neste ano, complicando ainda mais o quadro. Já, já entraremos nos b-r-o bros, tempo de quentura e chuva de caju, que já era para ter começado neste agosto/desgosto, antes da campanha política. Só me resta pedir que Deus nos salve. Muito antes da política e da seca.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 31/08/26. Vida & Arte. p.2.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MISSA DE TRIGÉSIMO DIA POR DR. FLÁVIO LEITÃO

Amanhã (1º/10/2026), quinta-feira, às 19h, na Capela de Santa Filomena, do Colégio, situada na Rua Joaquim Nabuco, 176 – Meireles, Fortaleza-CE, será celebrada a Missa de Trigésimo Dia em sufrágio da alma do acadêmico Dr. Francisco Flávio Leitão de Carvalho, ilustre membro titular da Academia Cearense de Medicina.

O médico neurocirurgião Dr. Flávio Leitão faleceu na noite de 1º/09/2026, causando grande tristeza no seu amplo circuito de relacionamento, constituído por familiares, amigos, confrades, colegas e pacientes, derivado dos reconhecidos méritos humanos e profissionais do ilustre confrade recém-falecido.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


Várzea Alegre tem memória doce

Por Izabel Gurgel (*)

Dona Beta fez tijolo de leite por mais de meio século. O doce surgia à tarde na paisagem, vendido de porta em porta, Dona Beta anunciando o que levava sob a toalhinha. A passagem dela acontecia como uma diária inscrição sonora, visual, a deixar o céu da boca tão aceso quanto o céu da cidade. Voltava para casa depois de vender toda a produção do dia. Imagine comigo o reluzir do sol na bacia de alumínio vazia e, dia após dia, cheia outra vez, por mais de cinco décadas.

Elisabete Ferreira Pinto, a Dona Beta, vai fazer 95 anos em dezembro. Agora permanece em casa, bem cuidada como a feitura do doce, que continua por outras mãos. O tijolo circula, cria novas memórias e, como um livro que não cessa de encontrar leitores, leva Dona Beta a múltiplos destinos sem que ela saia da rede que a embala na sala, de zelo conventual, feito o papel de seda embalando cada um dos doces viajantes.

No mês que finda amanhã com a Festa de Agosto, o papel de seda é vermelho, a cor do santo padroeiro da cidade, São Raimundo Nonato. Várzea Alegre usa uma medida singular ao fazer as duas coisas, a festa e o leite com açúcar se demorando no fogo. O mundo é grande, o Ceará é maior, e Várzea Alegre em estado de Festa de Agosto é imensidão.

O tijolinho de Dona Beta é um festejo portátil, um banquete de brinquedo, uma oração bem doce. Uma mordida e você fica inteiramente presente. É o auge da concretude do saber fazer. A nos lembrar de sabor e saber tão próximos quanto humano e húmus. A fertilidade da terra se celebra de tantos modos quanto possa se manifestar a vida. A cidade às portas do Cariri, no centro-sul do Ceará, louva a fertilidade da várzea onde nasceu.

O nome do santo, No-nato, tem um não-nascido dentro. É protetor dos partos, das parteiras, guarda quem faz nascer, quem ajuda a nascer, tudo o que nasce, pois. Naquela várzea, juntou-se o santo Raimundo ao ímpeto da vida, feito a poesia, de brotar sempre.

Dona Beta vem do sítio Chico, conta Eniete, como é conhecida a filha caçula do casal. Aniete, de batismo, Eliete, Elizete. O pai, Joaquim Pinto, morreu aos 69 anos. Seu Joaquim Ota tocava a casa de jogos e a roça.

Aos 79 anos, na véspera da viagem para Fortaleza para tratamento de saúde, Dona Beta fez doce pela última vez. Por anos, Eniete caçou aquele gosto. "Comprava, comia e não encontrava o sabor do doce de mãe".

Passou a fazer. "Foi muito, muito difícil acertar, mesmo tendo visto mãe a vida inteira fazendo". O ponto de doce é quando se começa a ver o fundo da panela. O de tijolo, é mais apertado. Nos dois, o borbulhar pode causar queimaduras. Aniete usa luvas, manguita de mototaxista, tecido sob o queixo, óculos e, por vezes, máscara. Marcas da feitura, só as da memória da mãe a tirar do ofício o sustento da família. E ficar para sempre nas histórias daquela várzea como uma vida inventada com sabor.

p.s.: o tijolo é uma joia do Ceará: (88) 99908.5713. Embalagens de cerca de 500g e de 1kg. Na casa da antiga rua do Capim, guarda-se a grade para tijolinhos. Tia Eniete a usou para festejar José, único neto de Dona Beta. Se perder o telefone, grave Dona Isla Mônica. Tem nome de ilha e conhece cada ponto de Várzea Alegre que vale um desembarque. São incontáveis.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/08/26. Vida & Arte, p.2.


 

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