quinta-feira, 8 de outubro de 2026

FOI ONTEM

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Foi ontem que te vi.

Estavas alegre,

E sorrias, feliz.

 

Falavas de tuas pelejas,

E ria de tuas peraltices,

Na condução de tua vida.

 

Teus olhos tinham o brilho

De tuas vitórias e lutas,

Das perdas mágoas vazias.

 

Hoje, vejo teu corpo.

Sem teu álacre sorriso,

Em palidez exangue.

 

Olhos cerrados

A ver outros cenários,

Dantes invisíveis.

 

Coração transmudado

Noutra escala a pulsar,

Em perpétuo ritmar.

 

Tua mente livre

Voa no infinito,

Memórias de teus feitos.

 

Com teus amores,

Com teus princípios,

Com teus valores.

 

No tempo que tiveste,

Elegeste teu espaço,

Eis tua sempre morada.

 

A fé que cultivaste,

A acolhida que fizeste,

O perdão que dispensaste,

 

São teus assessores,

Teus sinceros guias,

Nessa travessia.

 

Tu sentes os ardores

Dessa infinita viagem.

Sorrisos ou lamentos

 

Teu nome ornarão.

Amigos e criaturas todas

Também te reconhecerão.

 

E Deus indicar-te-á

Teu lugar eterno,

Casa que tu construíste,

 

Com os dons que te deu

O Soberano Altíssimo,

E ao teu alvedrio Lhe restituíste.

 

Teus princípios vividos,

Baluartes de tua vida,

À eternidade dizem-te:

 

Bem-vindo!

Bem-vindo!

Bem-vindo in aeternum!

(Pierre Nadie)

 

Uma boa terça-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 3/08/26.


Defesa de Memorial de Fernando Mourão Cavalcante para Professor Titular de Ciências Biológicas da Uece

Na manhã de quarta-feira (7/10/26), aconteceu na Sala 3 do Instituto Superior de Ciências Biomédicas da Universidade Estadual do Ceará - ISCB /Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, do professor José Fernando Mourão Cavalcante, pertencente ao colegiado do Curso de Ciências Biológicas da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, formada pelos Profs. Drs. Selene Maia de Morais (efetivo Uece), Nélio José de Andrade Loiola (efetivo UFV-MG), Paulo Henrique Machado (efetivo UFC), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno) e José César Pinheiro (suplente externo), consoante Portaria Nº 2906/2026/Reitoria-Uece, de 21 de setembro de 2026, tendo por secretário o Prof. Dr. Valberto Barbosa Porto, aprovou o Memorial exposto pelo professor doutor JOSÉ FERNANDO MOURÃO CAVALCANTE.

Sinceras congratulações ao professor José Fernando Mourão Cavalcante, engenheiro de alimentos com expertise e microbiologia, por chegar e o topo da docência universitária em sua trajetória profissional, plena de marcos pessoais e docentes, que bem expressam o seu desempenho de educador dedicado e a sua decisiva contribuição ao ensino superior cearense, com especial referência à pesquisa em microbiologia e à atuação em atividades de extensão rural.

Da mesma maneira, são merecedores de reconhecimentos, no seio da Uece, a graduação (licenciatura e bacharelado) em Ciências Biolõgicas, bem como o Curso de Medicina, que contam com o professor Fernando Mourão Cavalcante como integrante do corpo docente.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-Uece


PRIMEIRAS VEZES

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Um mês sem meu pai. Um mês alargado. Detalhes da nossa convivência voltam a mim sem aviso. Qualquer minúcia da realidade é capaz de me levar até ele. Um mês alargado pela dor e pela sensação de viver em vários tempos.

Fecho os olhos e lembro-me dele apertando as minhas bochechas, que insistiram em permanecer, ou inflando as dele para imitar as minhas.

Conversando com o meu irmão, soube que o papai havia escolhido Cartas a um Jovem Poeta, de Rilke, para os líderes da escola lerem este ano. Lembrei-me de que ele já havia me dado esse livro, assim como muitos outros, mas sabia que, neste, escrevera uma dedicatória.

"Minha querida filha Ticinha, este livro é um dos meus preferidos. Espero que este clássico da literatura universal contribua, ainda mais, para o seu entendimento da vida humana e, sobretudo, para a sua felicidade. Um beijo carinhoso do seu pai, Oto. 01/07/2015."

Dizem que, em um passeio pelo campo com Freud, Rilke admirava a beleza da paisagem, mas não conseguia extrair dela nenhuma alegria. Perturbava-o saber que toda aquela beleza, um dia, desapareceria. Freud acreditava que a dor antecipada da perda lhe roubava o prazer da contemplação. Quantos de nós evitamos viver o amor em sua inteireza com receio de perdê-lo?

Ele me conhecia pelo tom da minha voz. Ao telefone, percebia minha alegria antes que eu dissesse qualquer coisa: a voz está ótima!

Quando ele implicava comigo, eu dizia: "Gaiato!" Ele dava uma gaitada e respondia: "Folgada chamando o pai de gaiato!" Gargalhávamos juntos.

Ainda não tive coragem de ouvir a sua voz.

Depois que ele partiu, nada do que eu vivia ficou do mesmo tamanho. As experiências parecem absolutamente modificadas de tal forma que sinto que estou vivendo muitas primeiras vezes. Meu primeiro aniversário. O primeiro dia no trabalho. O primeiro dia dos pais.

Tomei banho de mar. Foi uma primeira vez.

Volto ao Pacheco. Meus pés pequeninos estão grudentos de maresia. Sinto o silêncio. Ouço o barulho do mar. Vejo o papai deitado no sofá, sem luz artificial. Ele foi muito feliz naquela casa. Estou na escadaria, com um aperto na garganta. Os olhinhos em direção ao horizonte, esperando o sol secar meu corpo.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/08/2026. Opinião. p.18.


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

SORRISO DO ABRAÇO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

O abraço do peito

Desperta emoção,

Sentimento de acolhida,

Sem impor condição.

 

O sorriso da mente

Alegra o diálogo,

Emite sinais candente

De tolerância e paz.

 

O beijo do coração

Aquece boa amizade,

Para ser capaz

De ecoar ao mundo

 

Que a fé existe,

Nunca se omite,

Nem o afeto sincero

Do amor trovador.

 

O abraço sorri

Colhendo amores

Sabendo quais flores

Não sucumbem a dores.

 

E o cuidado aparece,

No imo sagrado do peito,

A Deus eleva uma prece,

Ajoelhado, sorri e agradece.

 

Uma boa segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 4/08/26.


COMO FORMAR "CIRURGIÕES DO FUTURO"

ROBÔ | Em um hospital de Londres, médico ensina outros profissionais a usar capacete de realidade virtual 3D. O treinamento em cirurgia robótica é para a realização de procedimentos menos invasivos.

O cirurgião Sasha Stamenkovic tira o capacete de realidade virtual em 3D. "Hoje realizamos uma intervenção muito, muito complexa", comemora, após uma operação robotizada que permitiu retirar um tumor do pulmão de um paciente.

No St Bartholomew's Hospital, no centro de Londres, ele ensina outros três médicos a utilizar um novo sistema de cirurgia assistida por robô, chamado Da Vinci 5.

O capacete permite que ele observe o pulmão do paciente.

"Conservamos grande parte do pulmão, contornando vasos sanguíneos e vias respiratórias realmente muito pequenos", explica o cirurgião torácico de 60 anos.

Ele se dirige a três cirurgiões de outro hospital que observam como Stamenkovic utiliza o novo sistema fabricado pela empresa americana Intuitive.

O equipamento chegará ao seu centro cirúrgico no fim deste ano, como parte de uma estratégia nacional para aumentar o uso da robótica na cirurgia minimamente invasiva no sistema público de saúde britânico.

Como diretor de cirurgia robótica e pesquisa do Barts Health NHS Trust, Stamenkovic treina aqueles que, segundo ele, serão os "cirurgiões do futuro".

O objetivo do governo é que, até 2035, a assistência robótica seja utilizada em nove de cada dez cirurgias minimamente invasivas na Inglaterra.

À primeira vista, parece um videogame. Stamenkovic realiza a operação a partir de um console situado em um dos lados da sala.

Os movimentos de suas mãos são transmitidos a três braços robóticos que manuseiam os instrumentos cirúrgicos sobre um paciente deitado a alguns metros de distância.

Um quarto braço segura uma câmera que fornece a imagem em 3D ao cirurgião. As imagens podem ser vistas em duas telas instaladas na sala de cirurgia.

Esse sistema pode ser utilizado em diversas especialidades, como urologia, ginecologia e várias cirurgias: colorretal, torácica, abdominal ou geral.

Stamenkovic vê vantagens para a cirurgia minimamente invasiva, pois os finos braços robóticos são mais adequados do que as mãos para manipular instrumentos em incisões pequenas.

A precisão também reduz o risco de complicações, como escapes de ar, frequentes após uma intervenção pulmonar.

Esse tipo de intervenção reduz a duração da internação e o período de recuperação. Em um sistema de saúde público sob pressão, a expectativa é que os pacientes possam deixar o hospital mais cedo, para liberar leitos e reduzir as listas de espera.

Ian Macleod, de 76 anos, foi o primeiro paciente do sistema de saúde público britânico a se submeter a uma cirurgia de câncer de pulmão com essa tecnologia. Considera que sua recuperação foi "extraordinária".

Apenas 30 minutos depois de voltar ao quarto, já estava de pé. Ele recebeu alta do hospital com apenas um ponto de sutura e, menos de uma semana depois, já estava dirigindo seu carro ao lado da esposa.

A robótica é uma das cinco "grandes apostas" do plano de saúde de dez anos para a Inglaterra. Mas o Royal College of Surgeons, que representa os cirurgiões, denuncia um acesso desigual a essa técnica cirúrgica entre as diferentes regiões. Fala em "loteria geográfica".

Também critica a ausência de um modelo de financiamento "coerente" para a robótica nos hospitais públicos, o que obriga alguns estabelecimentos a depender de doações. (AFP)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/08/2026. Ciência & Saúde. p.18.


terça-feira, 6 de outubro de 2026

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

- A gente é um bando de miseráveis.

- As coisas podem ser caras, mas há quem as compre; a gente é que é miserável mesmo.

- Ah! Vida do inferno. Não estou mais me aguentando.

Estas queixas não são tão incomuns de se ouvir.

Nas minhas palestras e cursos, tenho ouvido semelhantes depoimentos, que margeiam o abismo da depressão.

Muitas vezes, são almas pequenas com grandes dons. Almas que se fazem pequenas pela inércia de sair do casulo, em busca de seus sonhos, que permanecem, no universo dos possíveis.

Eles não apodrecem, mas são chutados para debaixo do tapete, em cima do qual assentam-se lamúrias de uma inteligência arguta, de uma visão míope, de um arrazoado ideologizado, de uma negação de si.

Tal atitude pode provir de frustração sofrida, diante do fracasso em algum momento na vida, o que acontece com qualquer um de nós. Pode provir ainda de discordâncias, conflitos e confrontos internos, de ‘menos valia’ e de diversas outras causas, mesmo silenciosas. A frustração provoca dor profunda e impacta toda a nossa dimensão existencial.  É o preço de nossas fragilidades, no campo da realização de nossos sonhos, de nossas pretensões, de nossas expectativas. Para umas pessoas, exercita o caráter e treina a resiliência – no grego άσκηση (áskese): o conflito pode ajudar a clarear ideias e convicções que a pessoa acalenta. Para outras, cria um lamaçal, uma areia movediça, que vai consumindo quaisquer expectativas, quaisquer sonhos, na impotência assumida de qualidades e conhecimentos adquiridos.

As habilidades anulam-se, seja pelo orgulho ferido, pela decepção humilhante ou por outros arrazoados, que a própria frustração legitima, criando seus levianos gatilhos. A alma apequena-se, o mundo fica mau, as pessoas são inimigas e um auto ódio toma conta e aliena a mente. A pessoa desconhece suas forças e desgasta suas energias com situações dissinérgicas, quais sejam de irritabilidade, cansaço, insatisfação, impaciência, protelação constante. Seu olhar volta-se, então, para o sucesso dos outros e, incomodada, a pessoa passa a criticá-los, impulsivamente, na inveja e vitimização da miserabilidade de sua alma, criando ao seu derredor uma nuvem de mal-entendidos, de malquereres, num inferno que a pessoa cria para si e tenta mergulhar seu entorno.

Em tudo isso, há que se questionar, como escreve Victor Frank, o sentido da vida, no encontro consigo mesmo, ressignificar seus valores e princípios, fortalecer a sua fé e reconquistar sua autoestima. Rever seus ‘hábitos de vida’ e seu ‘padrão mental’.

E, antes que a frustração teime em permanecer, com seus deletérios sintomas, é necessário a busca de profissional.

“A vida é luta renhida”, diz Gonçalves Dias, em sua Canção dos Tamoios. Ela abre espaço aos corajosos e intrépidos, enquanto simplesmente, passa pelos fracos, ironiza-os e apena-se dos dons desperdiçados.

Uma boa quinta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 30/07/26.

A ESPERANÇA EQUILIBRISTA

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Alguém me perguntou, outro dia, o que espero do futuro. Ué! Eu e meu alter ego — essa outra identidade que teima em me acompanhar — esperamos muita poesia, alguma lucidez, uma dose necessária de loucura e, sobretudo, fantasia. Meus caros amigos, sobre esses desejos arrisco aqui alguns rabiscos. Aí vão.

Da lucidez, espero que finalmente compreendamos que nenhuma transformação verdadeira começa nos palácios, gabinetes ou tribunas. Ela começa no comportamento. Na maneira como enxergamos o outro, convivemos com as diferenças e decidimos participar da construção de uma sociedade menos egoísta e mais fraterna.

Por incrível que pareça, talvez este seja justamente o tempo de romper paradigmas. Há momentos em que o desencanto pode ser fértil. Quando velhas certezas desmoronam, abre-se espaço para desconfiar das verdades prontas e inverter a lógica de um passado que tantas vezes fabricou conveniências travestidas de certezas. Quem sabe estejamos assistindo ao início do fim dos falsos profetas?

Da fantasia, espero que o mundo ouse interromper o eterno déjà-vu. A história brasileira parece, às vezes, uma peça em permanente reprise: mudam os figurinos, as falas e os cenários, mas os personagens continuam por ali. Ora irreverentes, ora indignados, noutras ocasiões bonzinhos e convenientes. E há os autoproclamados "intelectuais", sempre preparados para explicar aos outros aquilo que eles próprios pouco compreendem.

Da loucura — porque alguma loucura é indispensável à sanidade — espero que consigamos manter a uma distância razoável os convenientes, os chatos de plantão, os protagonistas da tolice e, principalmente, os hipócritas. Estes atravessam governos, ideologias e gerações com impressionante capacidade de sobrevivência. Trocam de discurso com a mesma desenvoltura com que preservam seus interesses.

E deixo para a poesia aquilo que talvez seja o mais importante.

Que ela nos devolva um samba com bossa, emoção e paixão. Que nos permita acreditar novamente na delicadeza em tempos de brutalidade, na beleza em tempos de vulgaridade e na esperança em tempos de desencanto. Que possamos olhar para este país sem ingenuidade, mas também sem desistência.

Afinal, a esperança brasileira sempre teve algo de equilibrista. Caminha sobre o fio, tropeça, quase cai, recupera-se e continua. Talvez porque tenhamos aprendido, entre quedas e recomeços, que desistir também é uma forma de perder o equilíbrio.

E quem sabe ainda possamos sonhar, como naquela canção, com o Brasil que esperava a volta do irmão do Henfil.

Porque, enquanto houver poesia, ainda haverá um país possível.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/08/2026. Opinião. p.15.


 

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