sábado, 24 de outubro de 2026

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Outubro/2026

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de outubro/2026, que será realizada HOJE (24/10/2026), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O PÓ NÃO É O FIM

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Quando ao túmulo baixar,

E meu corpo ao pó retornar,

Corpo, dádiva de meus pais

Órfão de mim não vou ficar.

 

Tampouco virarei alma penada,

Pois ser humano é que nasci.

E outro ser não poderei ser,

Alma e corpo sempre serei.

 

Quando ao túmulo baixar,

Meu eu vai perdurar,

Sopro vital de meu corpo,

Não ficará a vagar.

 

É corpo vindo de Deus,

No seu poder eternal,

Não é retorno ao mundo,

Rasgar meu eu Deus não faz, é mau.

 

Memórias que levarei,

Sejam boas ou más,

Com o perdão que ganhei,

Em mim ficarão guardadas.

 

De meu nome lembrarei,

De amores e amigos também,

Porém, no meu acervo eterno,

Ficarão as que me fazem bem.

 

No meu afã de ver Jesus Cristo,

A Maria pedirei levar-me a Ele.

Depois, com familiares e amigos,

A todo povo de fé me unirei.

 

Banhados aos pés do Criador,

Cantos de júbilo, de adoração,

No sangue imaculado do Cordeiro,

Entoaremos juntos, eterno encanto.

 

E as criaturas todas

Prostrar-se-ão ao Senhor.

Túmulos ficarão vazios

De seres plenos de amor

 

Quando a primavera chegar,

E a ressurreição final brilhar,

Então, grandiosa alegria pulsará

Momento eterno sem fim selará.

 

Uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus.

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 21/08/26.


Crônica: Chico Pinto e a riqueza que vinha dos 'vazios'... e outros causos

Chico Pinto e a riqueza que vinha dos 'vazios'

Amiga Claudinha me mandou essa, contada pelo Nonato, ex-lateral direito do Quixadá dos tempos de Xavante e Jacaré na zaga. Jura pela "Cruz de Deus" como é verdade. Pretensão! Lá pelas bandas de Ibaretama, precisamente na localidade de Macacos, bem na extrema, explica, morava um cidadão conhecido por Chico Pinto.

Chico tomava conta de uma fazendinha pertencente a um senhor residente no Conjunto José Walter, aqui em Fortaleza. Era homem trabalhador, e tinha duas grandes habilidades: gostava duma cachaça (amuada) e era muito animado para fazer menino (reprodutor).

— E não era de meia que eu fazia menino, não, viu?

Naquele tempo, existia um benefício que garantia um dinheiro quando a mulher tinha filho. E Chico Pinto, que já era pai duma ruma, descobriu que aquilo também podia virar patrimônio, investimento, meio de vida. Toda vez que a mulher paria, Chico recebia o dinheiro e comprava uma novilha.

E assim foi: menino pra cá, novilha pra lá, novilha pra cá, menino pra lá... até que conseguiu juntar quatro vacas e uma novilha - esta última comprada depois do nascimento do filho mais recente, um tal Júnior Filho. Certo dia, no meio duma bebedeira, Chico na mesa de bar se gabando de sua riqueza...

— Eu já tenho é quatro vacas e uma novilha! Tá pôde?

No mesmo estabelecimento encontrava-se Manuel Vieira, o famoso Mané Mago. Que tinha um jeito peculiar de beber cachaça - não ficava rico, nem valente. Perdia era o medo de dizer a verdade na cara dos outros. Ao ouvir Chico se pabulando de novo...

— Eu estou ficando é rico, homem!

... Mané Mago olhou bem no fucim do outro, deu mais um gole e soltou essa:

— Rico coisa nenhuma, macho! Tu não tem é nada! Tudo que tu tem vem é dos vazios da tua mulher!

Para quem conhece a linguagem dos antigos, "os vazios" não precisavam de explicação: era por onde os filhos chegavam ao mundo. Naquele caso, também por onde o dinheiro das crias acabava virando vaca. Chico Pinto, porém, não achou graça nenhuma. Ficou enfurecido, puxou uma faca e partiu para cima de Mané Mago.

O problema é que Mané Mago era tão magro que, segundo a tradição oral da região, se tivesse corrido de frente para o vento, chegava do outro lado da estrada antes do próprio corpo. A discussão virou briga, e Mané Mago acabou levando a pior. Depois da confusão, Chico Pinto deixou a região. Vendeu as vacas que havia conseguido juntar e foi embora.

O resultado de toda aquela história: Chico Pinto ficou sem as vacas, Mané Mago deixou a história por contar e seu Pedro, lá do José Walter, ficou sem morador na fazenda.

Desde então, quando alguém em Macacos começa a se gabar de patrimônio, sempre existe o risco de aparecer um Mané Mago da vida e perguntar:

— Mas esse patrimônio veio de onde mesmo, macho?

Naquela época, em Ibaretama, gente fazia menino por amor, por gosto... Chico Pinto fazia pensando na cotação da novilha.

Pra inglês ouvir!

Mundico trabalhou por 10 anos na casa de seu Jorge e dona Candinha, que "traçavam" um inglesinho até mais ou menos. Um dia, interessado em Michael Jackson, perguntou a seu Jorge como era "começar" em inglês e o patrão respondeu: "Begin!" E recomeçar, seu Jorge? "Rebegin". Parar? "Stop".

- E reparar?

- Restop!!!

Fonte: O POVO, de 25/09/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Ceará é o potencial Data Center Valley brasileiro

Por Lauro Chaves Neto (*)

O Ceará pode estar diante de uma oportunidade que vai muito além da instalação de grandes data centers. A combinação entre localização geográfica, conectividade internacional, infraestrutura portuária, disponibilidade de energia renovável e ambiente industrial cria condições para que o Estado se transforme em uma das principais plataformas brasileiras de infraestrutura digital e inteligência artificial.

A referência internacional mais evidente é a Virgínia, nos Estados Unidos. A região de Northern Virginia tornou-se o maior polo de data centers do mundo ao combinar, ao longo de décadas, conectividade, energia, infraestrutura, terrenos, capital e proximidade de grandes mercados. Hoje, esse ecossistema movimenta dezenas de bilhões de dólares e sustenta mais de cem mil empregos.

O Ceará não precisa copiar a Virgínia. Pode construir um modelo próprio. Se, no curto prazo, os data centers movimentarão construção civil, engenharia, energia, telecomunicações, refrigeração e serviços especializados, no médio prazo poderão estimular uma cadeia de fornecedores locais, ampliar a demanda por profissionais qualificados e criar novos mercados para empresas cearenses.

A energia poderá ser um dos nossos maiores diferenciais com uma proposta de valor diferente: computação de alta capacidade alimentada por energia limpa e competitiva. Outro desafio - e oportunidade - será a água. Data centers exigem sistemas sofisticados de refrigeração, e o Ceará precisa incorporar desde o início tecnologias de baixo consumo hídrico, reuso e eficiência.

No longo prazo a conexão entre data centers, universidades, empresas e empreendedores pode criar um ecossistema tecnológico capaz de gerar valor muito além do investimento inicial.

O sonho não deveria ser simplesmente ter grandes data centers instalados no Ceará. O verdadeiro objetivo deveria ser muito mais ambicioso: transformar o Ceará em um Data Center Valley brasileiro, capaz de converter energia renovável em computação, computação em inteligência artificial e inteligência artificial em empresas, conhecimento, empregos qualificados e desenvolvimento econômico.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 18/09/26. Opinião. p.18.


quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A importância geopolítica e os desafios do BRICS

Por José Nelson Bessa Maia (*)

A 18ª Cúpula do Brics foi realizada em Nova Délhi, Índia, nos dias 12 e 13 de setembro de 2026. O encontro ocorreu sob a presidência rotativa da Índia. A agenda abordou temas como cooperação econômica e financeira, inovação, sustentabilidade, governança global e o fortalecimento da cooperação entre os países do Brics e do Sul Global.

Criado em 2009, o Brics consolidou-se como um dos mais importantes espaços diplomáticos de articulação entre países do chamado Sul Global. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo ampliou progressivamente sua influência internacional, tornando-se uma expressão relevante da busca por uma ordem mundial multipolar.

Sua principal importância geopolítica está na possibilidade de ampliar a representação dos países do Sul Global nas decisões internacionais. Durante décadas, instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outros organismos multilaterais refletiram predominantemente o peso econômico e político das potências ocidentais.

O Brics procura criar mecanismos que permitam maior participação das economias emergentes na definição das regras da governança global.

Outro aspecto importante é a dimensão econômica do grupo. Os 11 países do BRICS reúnem uma parcela expressiva da população mundial, dos recursos naturais, da produção industrial e do crescimento econômico global. O PIB conjunto de US$ 70 trilhões (no conceito PPP) supera o PIB dos membros do G-7.

A criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) representa uma tentativa concreta de ampliar as fontes de financiamento para projetos de infraestrutura e desenvolvimento, reduzindo a dependência das instituições financeiras ocidentais.

O Brics enfrenta desafios. Seus membros têm diferentes sistemas políticos, interesses nacionais, estruturas econômicas e prioridades estratégicas. Há rivalidades e disputas geopolíticas regionais entre alguns de seus integrantes, o que dificulta o consenso.

Outro desafio é transformar o peso econômico do grupo em maior capacidade efetiva de coordenação geopolítica. A ampliação do número de membros aumenta a representatividade do Brics, mas também torna mais complexa a definição de acordos e prioridades.

A Declaração da 18ª Cúpula do Brics defendeu o multilateralismo, o crescimento econômico inclusivo e o fortalecimento do Sul Global e o consenso em torno da necessidade de "máxima contenção" nos conflitos no Oriente Médio.

Na ocasião, o Brasil colocou o seu sistema de pagamentos (o PIX), como um modelo tecnológico para discussões sobre a interligação de pagamentos e a redução da dependência do dólar, além de reiterar pleitos históricos, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU, do FMI e da OMC. 

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 18/09/26. Opinião. p.19.


Políticas públicas baseadas em valores e informadas por evidências

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

A Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE) e a Escola de Gestão Pública do Estado do Ceará (EGPCE) estão realizando o programa Políticas Públicas baseadas em Valores e informadas por Evidências. A formação é ministrada pelo professor Paulo Jannuzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), vinculada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com 73 anos de trajetória, a Ence é a mais tradicional escola de estatística do Brasil e a primeira do gênero na América Latina. Na abordagem adotada pelo programa, constituem evidências não apenas dados, estatísticas, estudos e documentos preparatórios, mas também o conhecimento tácito acumulado sobre as políticas públicas e seus programas. Esse conjunto de informações e saberes é fundamental para subsidiar o desenho, a implementação e o aprimoramento das atividades, dos produtos e dos resultados da ação governamental.

A metodologia desenvolvida pelo professor Jannuzzi aproxima os participantes do estado da arte contemporâneo da administração e das políticas públicas. Fruto da parceria entre Seplag-CE, Ence e EGPCE, a formação tem como objetivo fortalecer a capacidade técnica de servidores e gestores estaduais envolvidos na formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas.

A abordagem das políticas públicas baseadas em valores e informadas por evidências ganhou crescente relevância nos círculos governamentais e acadêmicos. O debate contemporâneo tem contribuído para superar a concepção de um modelo idealizado e "puramente científico" de formulação das políticas públicas, em favor de uma perspectiva mais realista, que reconheça a necessidade de integrar evidências, valores, experiência administrativa e contexto político.

Essa compreensão encontra respaldo nos estudos de Brian Head, uma referência no debate internacional sobre políticas públicas informadas por evidências. Em seus trabalhos, Head defende que a formulação de políticas eficazes depende de um equilíbrio entre diferentes tipos de conhecimento: a evidência científica (pesquisa acadêmica), a evidência organizacional/administrativa (a experiência dos funcionários públicos) e o conhecimento político (valores, julgamentos e pressões sociais).

É nesse contexto que se insere o programa desenvolvido no Ceará. A iniciativa resulta de uma profícua colaboração entre a Seplag-CE, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e a EGPCE, com o apoio incondicional do IBGE, por meio do presidente Márcio Pochmann.

Esse esforço conjunto busca estruturar um modelo de avaliação de políticas públicas e capacitar servidores e gestores estaduais para formular, implementar e aperfeiçoar políticas públicas fundamentadas no conhecimento científico e, ao mesmo tempo, calcadas na viabilidade administrativa e política.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 17/09/26. Opinião. p.15.


terça-feira, 20 de outubro de 2026

TEMPO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Não é apenas espaço de recordações, mas espaço de proposições.

O tempo não passa.

Ele finca pé, teimoso, que é e sempre será, enquanto marcamos nossos passos na trilha, que, no seu espaço, vamos abrindo.

O tempo nunca passa.

Mas, nós caminhamos nele entre passado e futuro, curtindo sabores que nos damos, na força da resiliência de nossas fragilidades.

Há um tempo dentro de mim.

Outro tempo fora de mim.

É bom saboreá-lo – qual? –, pois para todos há um umbral e, ao atravessá-lo, renascemos com a morte do tempo, no qual nosso ser vai sendo e crescendo, estando em cada gesto do amar, em cada fluir do fazer, em cada sorriso do contemplar e em cada beijo do abraço. 

O tempo de fora me permite e oportuniza.

O tempo de dentro é lerdo, temeroso e, às vezes, algoz a me vitimizar.

E, assim, vamos nós e o tempo no tempo do tempo, sempre com o tempo, na trilha do espaço que nele criamos.

O tempo de fora é suave

O tempo de dentro é barulho.

O tempo de fora oferece

O tempo de dentro esquadrinha.

O tempo de fora é curto

O tempo de dentro é mendaz

O tempo de fora, impávido, segue

O tempo de dentro um dia desmorona

E, noutro, morre, consumindo o seu espaço.

E, então, nunca mais daremos de cara com o tempo, pois, o nosso tempo passou e numa curva da eternidade, desaparece para sempre, enquanto continua a transportar mais e mais outros e desaparecer em cada curva de suas vidas.

O que haverá depois, se o tempo morreu e o espaço sumiu?

Ora, o que deles fizeste, será o teu guia eterno.

Perscruta-te!

Tempus fugit!

Uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 14/08/26.

 

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