quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

CAIU DE MAL DURO

Por Raimundo Padilha (*)

Literalmente, Maduro preso, está fora de ação. O ex-presidente e sua esposa estão pagando um preço muito alto pelos crimes supostamente cometidos. Presidir um País é bastante diferente de dirigir um ônibus.

Praticamente, os veículos modernos têm duas marchas, uma para a frente e outra para trás. Enquanto, dirigir um país exige uma infinidade de movimentos em todas as direções, podendo, inclusive, promover retrocessos. Maduro não apodreceu no poder, embora fosse o seu destino. Não tinha os pré-requisitos de um presidente de um país tão rico em petróleo, contrapondo-se a uma população em estado de miséria. A sua permanência no poder, foi pela compra de apoios das autoridades por ele escolhidas.

Maduro foi o sucessor de Hugo Chavez, que exercia a liderança do País com maior abrangência popular.

Mas também usou práticas ditatoriais.

Maduro, depois de motorista de ônibus, foi deputado chegando a ser vice-presidente do Chavez.

Mas, Maduro, diferentemente, do seu antecessor apresentava características de um oportunista ou aventureiro.

Sendo a Venezuela o país detentor da maior reserva de Petróleo do mundo, a fragilidade crescente da sua economia é sinônimo de que ambos os Governos fracassaram totalmente. A pobreza cresceu de forma assustadora e com ela se ampliaram as correntes migratórias principalmente para os países vizinhos, com maior intensidade para a Colômbia.

O abastecimento das famílias, dos produtos básicos alimentícios e até papel higiênico eram adquiridos nos países vizinhos. Se falta alimentação o que se imaginar dos demais serviços como educação e saúde?

Outro elemento de grande desgaste é a participação da Venezuela no narcotráfico. Sem entrar no mérito de participação direta de Maduro e de sua esposa, a falta de um combate intensivo comprometeu a sua gestão.

O narcotráfico é um cancro das sociedades e a conivência com a sua prática é um dos maiores crimes que se pode praticar contra a humanidade.

Já do lado do Trump, invadir a Venezuela e prender o Maduro é uma atitude condenável pela falta de respeito à soberania daquele país. O exercício da força para prender um Presidente é um abuso de poder e uma atitude antidemocrática. Aliás, a sua arrogância tem sido demonstrada em várias oportunidades, como se fosse o dono do mundo. Trump é arrogante, prepotente e extremamente contraditório.

É de se admirar como o povo americano o elegeu, depois dos atos por ele instigados na invasão do Capitólio. Foi uma afronta à democracia e o povo americano se auto-proclama seu maior defensor. O mundo está passando por um momento de guerras injustificáveis e com fracas e falsas lideranças. O Presidente venezuelano caiu de Maduro, mas outros Presidentes podem apodrecer no Poder.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 17/01/26. Opinião. p.18.


Níveis de relacionamento teológico da Igreja Católica

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Uma foto traz memórias, ativa saudades, recorda exemplos, provoca emoções e revive pessoas, fatos e lembranças. Assim, a Igreja tem fotos e imagens, a relembrar aos fiéis, que, apesar das fragilidades humanas, houve e há pessoas que seguiram, com denodo e firmeza, as pegadas de Jesus Cristo. Estas merecem nosso apreço e nossa consideração. Eis, portanto, os níveis de relacionamento teológico da Igreja Católica.

1) Latria deriva do grego λατρεία (latreía), do verbo λατρεύω (latreúo) - “adorar” ou “servir em culto”. Indica honra suprema de adoração somente a Deus, exclusivamente à Trindade. - Pai, Filho e Espírito Santo.

2) Hiperdulia deriva do grego υπερδουλεια (hiperduleia) - «elevada veneração»), mas abaixo de Deus. É aplicado, desde o século XIII, em honra à Virgem Maria;

3) Protodulia deriva do grego πρωτοδούλεια - veneração especial. Aplica-se  a São José, pai nutrício de Jesus, em honra a sua paternidade, dignidade e santidade, abaixo de Maria Santíssima;

4) Dulia deriva do grego δουλεια (duleia) e refere-se à veneração aos demais santos, modelos de vida cristã.

ADORAÇÃO somente a Deus. Aos santos, VENERAÇÃO.

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 1/02/26.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Rede ICC Saúde ultrapassa 100 cirurgias robóticas para tratamento de câncer

Por Marília Braga, jornalista de O Povo

Com uma tecnologia de ponta e acesso ampliado, a Rede ICC Saúde consolida a cirurgia robótica como realidade no tratamento do câncer no Ceará

Rede ICC Saúde ultrapassa a marca de 100 cirurgias robóticas para tratamento contra o câncer no Hospital Haroldo Juaçaba, em Fortaleza, tornando-se pioneira na oferta da tecnologia para pacientes do SUS no Norte e Nordeste. O avanço une inovação, produção científica e cuidado integrado, ampliando o acesso a procedimentos de alta complexidade, o que contribui para a inclusão da técnica no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a partir de 2026.

A meta para este ano é fortalecer o programa e, pelo menos, triplicar o volume de procedimentos realizados, ampliando o alcance da tecnologia no Estado, projeta o cirurgião oncológico especialista em robótica, Bruno Soares.

A expansão da cirurgia robótica representa um avanço para a instituição, que consolida um modelo assistencial baseado na integração entre tecnologia de ponta, qualificação profissional e pesquisa clínica.

A iniciativa fortalece tanto o atendimento pela saúde suplementar quanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo desigualdades no acesso a tratamentos de alta complexidade.

Para o cirurgião oncológico especialista em robótica, Bruno Soares, alcançar essa marca de 102 cirurgias robóticas demonstra um avanço impressionante não apenas para tratamentos oncológicos, mas para medicina em geral.

"Existe realmente uma vontade de que a cirurgia robótica seja cada vez mais incorporada no tratamento de oncologia, trazendo uma tecnologia que permite cirurgias menos agressivas, menos invasivas, com recuperação melhor, inclusive em alguns cenários com melhor proposta de tratamento oncológico mesmo, sendo um atestado de competência, de compromisso e principalmente de inovação na instituição", afirma.

Pioneirismo no SUS e impacto nacional

A Rede ICC realizou a primeira cirurgia robótica para pacientes do SUS no Norte e Nordeste, marco inédito até outubro de 2024, o que gerou estudos que comprovaram segurança, eficácia e custo-benefício da técnica.

Com base nesses dados, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a cirurgia robótica em urologia na cobertura obrigatória dos planos de saúde, válida a partir de abril de 2026.

Das 102 cirurgias realizadas, 53% delas atenderam pacientes do SUS e 47% particulares, sendo em sua maioria, em pacientes homens.

Os procedimentos usam a plataforma Da Vinci X, referência mundial em sistemas robóticos avançados que são usados em cirurgias minimamente invasivas.

Conheça os benefícios da cirurgia robótica

Segundo o médico Bruno Soares, a principal vantagem da tecnologia está na capacidade de articulação do equipamento, que permite movimentos mais precisos, inclusive em espaços estreitos, além de oferecer imagem tridimensional mais nítida e estável.

A imagem em 3D e a precisão do robô permitem uma preservação mais efetiva de estruturas delicadas, como os nervos”, resume o médico, destacando os ganhos expressivos sobretudo nas cirurgias de próstata e ginecológicas.

Para casos de câncer de intestino, especialmente o câncer colorretal, a cirurgia robótica também tem apresentado resultados expressivos. “Para o câncer colorretal, o ganho é tremendo, pois conseguimos manter a mesma eficácia oncológica, ou até superior, com uma recuperação muito melhor”, afirma.

De acordo com o cirurgião, além da efetividade no controle da doença, a tecnologia contribui para uma recuperação mais rápida e para a manutenção da qualidade de vida do paciente após o tratamento.

Veja os benefícios da cirurgia robótica:

Maior precisão cirúrgica;

Movimentos milimétricos;

Menos invasiva;

Recuperação mais rápida;

Melhor visualização do campo operatório.

Na Rede ICC, a tecnologia é integrada a protocolos assistenciais que priorizam segurança e cuidado humanizado.

Equipes integradas 

As mais de 100 cirurgias robóticas foram realizadas através de equipes multiprofissionais, formadas por cirurgiões, enfermeiros, anestesistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos que trabalham juntos em todas as etapas do cuidado, seguindo o modelo “Jeito ICC de Cuidar”, um modelo baseado na integração entre especialidades, coordenação do cuidado e centralidade no paciente.

"Hoje, cada cirurgião que compõe a equipe do ICC tem a plena convicção de que ele é incapaz de resolver o problema do paciente sozinho. A gente precisa desse suporte multidisciplinar, desse suporte integral completo", afirma Bruno Soares.

Marco para a saúde futura

Com mais de 80 anos de atuação, a Rede ICC mantém investimentos constantes em tecnologia, pesquisa e capacitação profissional. A cirurgia robótica é mais que uma conquista tecnológica: reforça um modelo de cuidado baseado em ciência, inovação e atenção integrada ao paciente, consolidando o protagonismo da instituição na saúde do Ceará e do Brasil.

Após alcançar esse marco importante na consolidação da cirurgia robótica, o próximo passo é ampliar o acesso à tecnologia, avalia o cirurgião.

Precisamos estruturar a cirurgia robótica não mais como um sonho ou como futuro, mas como realidade”, afirma. “Agora é hora de expandir o acesso, especialmente para pacientes com câncer de intestino, de endométrio e de colo do útero.”

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/02/2026. Ciência & Saúde. p.16.

Sabe com quem está falando?

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Há muitos anos, um pastor batista, grande amigo de meu pai, foi parado em uma blitz em uma de nossas estradas. O oficial o abordou com educação e disse: "Se for autoridade, por favor, identifique-se."

O amigo de meu pai respondeu com apenas uma palavra: ministro. O oficial prontamente pediu desculpas, abriu a barreira policial e liberou o veículo sem analisar um único documento. Ele não mentiu: no cadastro oficial de profissões, pastor é registrado como Ministro do Evangelho.

No entanto, quantas vezes presenciamos situações bem diferentes? Pessoas que, por serem parentes de autoridades, agem com grosseria ao serem abordadas e recorrem à famosa "carteirada".

Ao examinarmos os acontecimentos recentes em nossa nação, percebemos o quanto esse comportamento é pueril e até infantil. O que vemos é a banalização do poder de influência: juízes das mais altas cortes assistem aos ganhos de parentes diretos se multiplicarem da noite para o dia.

Um juiz julgar uma causa na qual atua um escritório de advocacia ligado à sua própria família é, no mínimo, imoral. A ética parece ter sido sepultada, e o devido processo legal encontra-se profundamente maculado.

É como um jogo de cartas marcadas, em que a questão não é se a parte familiar vencerá, mas apenas quando. Um dos participantes do processo já perdeu por antecipação, ainda que o teatro de um julgamento seja cuidadosamente encenado.

Lembro-me de um tempo em que havia orgulho nas autoridades do Judiciário. Desconfiávamos do Executivo e do Legislativo, mas o Judiciário era visto quase como sagrado. Muitos jovens sonhavam com carreiras honrosas como advogados, promotores e juízes.

Hoje, conheço pessoas que já não alimentam esse sonho. Sabem que, para alcançar sucesso, teriam de "vender a alma para o diabo", comprometendo valores e princípios. Como foi possível destruir, em tão pouco tempo, a confiança pública a níveis tão inaceitáveis?

Talvez um caminho de retorno seja a ampliação da transparência.

Retorno, por fim, às palavras milenares de Jesus Cristo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 17/01/2026. Opinião. p.17.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Gestão compartilhada com a iniciativa privada chega até Barbalha

Por Rita Fabiana Arrais (*)

O início do ano de 2026 na Região Metropolitana do Cariri trouxe algumas decisões a respeito da concessão à iniciativa privada da gestão temporária de patrimônio público na cidade de Barbalha. A autorização do Poder Executivo Municipal visou promover a cessão de uso dos respectivos bens imóveis: Balneário do Caldas, Hotel das Fontes, Parque da Cidade e o Casarão Hotel.

De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM) é crescente o número de municípios que desejam implementar as Parcerias Público-Privadas (PPPs) atendendo a um cenário de gestão eficiente e moderna.

Dados da pesquisa, "O Brasil das PPPs municipais", realizada com 2.834 municípios respeitando critérios quantitativos de números de habitantes e riqueza gerada, trouxe uma análise que chamou bastante atenção: 58,3% dos municípios investigados e que adotam modelo de gestão em parceria desejam ampliar a novos setores as concessões, a fim de promover ganhos sociais, melhorias no desempenho econômico baseado em investimentos técnicos e financeiros.

É importante destacar que modelos de parcerias são realidades na região, como o case de sucesso "Adote uma Praça" implementado em Juazeiro e que viabiliza a conservação de praças, parques e áreas verdes por empresas privadas em troca de espaços para promoção da marca.

O Cariri possui um fluxo de visitantes intenso, sustentado pelo calendário das romarias, movimentando os espaços e equipamentos públicos de toda a região, impactando as potencialidades de lazer na encosta da Floresta Nacional do Araripe.

A saber, a Barbalha possui uma das estâncias de águas naturais mais emblemáticas do Nordeste, O Balneário do Caldas e o Hotel das Fontes, bens públicos de incomensurável representação para nós, caririenses. Porém, esses bens cinquentenário desafiam o modelo de gestão burocrática das décadas passadas ao uso de ferramentas organizacionais mais eficazes para o agora.

Almejar mudanças não depende apenas de um "querer fazer"! Neste caso específico, diversos fatores estão diretamente interligados ao modelo de gestão a ser compartilhado, tais como: as necessidades da comunidade do Caldas, a preservação do meio ambiente e a exploração do ecoturismo.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio) irá gerenciar esses bens por vinte anos, com aporte financeiro de R$100 milhões de reais que serão utilizados em infraestrutura, qualificação técnica e projetos sustentáveis.

É cabível registrar que as PPPs devem ser acompanhadas pela sociedade civil, exigindo transparência na utilização dos recursos financeiros, e a qualidade dos serviços ofertados.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 16/01/256. Opinião. p.17.

Barbalha, Ni de Souza, Mateu Babaçu

Por Izabel Gurgel (*)

- Niii, repete o i ao modo Cariri, habituada à surpresa que o nome suscita e a criatura já fisgada pelo riso dela. Você vai ver Ni quarta-feira? O ímã do riso está ligado desde o domingo.

Mateu Babaçu, a atriz Ni de Souza guarda mais do que o próprio trajeto no nome de batismo da figura cômica que performa como solista ou em grupo. Maria Irani é "a filha do meio" de Maria Nilza Silva de Sousa e Francisco Valdivino de Sousa, dentre quatro homens e duas mulheres. Nasceu a 26 de abril de 1968. O registro é datado de 1967. Não falei? Nega Ni chega antes.

Dos possíveis sentidos de Irani, sugestão de uma amiga dos pais, criadora de abelhas, ficamos com o de abelha furiosa, enfurecida, em língua de povos originários.

O palhaço do reisado que Ni nos oferece é uma realização de eras e almas de corpos dedicados a fazer do mundo um lugar melhor. Nem que seja por um instante. Virado pelo avesso. Tomado pela brincadeira, pelo gosto de ser besta, zelar e velar a bobagem. Rir não abre só as vias respiratórias. Desenha passagens no tempo.

Digo para Ni que cruzei com Pinga Fogo, ele a contar de si: "setenta e quatro anos de nascido, sessenta e nove de Mateu e vinte e cinco temperando rapadura", o tempo de serviço em engenho de cana. Pedi e Ni me contou outra vez a história dela, que virou a aula-espetáculo "De onde vem o meu Mateu".

Das fontes da Chapada do Araripe, Seu Epitácio e o rosário de festas, folias, folguedos são águas bentas para Ni. Compadre dos pais, "é o primeiro Mateu com quem tive contato". Tão presente quanto respeitado na família dela, reconhecido em sua sabedoria-modo de estar no mundo, o mestre octogenário segue atraindo a abelha. Tornam possível a polinização.

Ouvindo Seu Epitácio, ela se deu conta do compromisso dele com os futuros do brinquedo coletivo. Ele sentia escassear a aparição de novos Mateu.

Foi a bem dizer fogo tocando pólvora. A prática de iniciação teatral que Ni fazia em escola pública virou oficina para (re)descobrir o palhaço de rosto pintado de preto, língua solta, chapéu em forma de cone adornado de espelhos e fitas, a cafuringa que se alonga rumo ao céu feito babaçu em busca de sol.

Em 2000, na festa de carregamento do pau da bandeira de Santo Antônio, Ni cuidou da primeira ninhada de Mateu nas ruas. Em 2025, "quase cinquenta". Em Barbalha, o Grupo Mateu de Teatro dá cria todo ano.

Feito por homens no reisado, o ofício da abelha abriu passagem à consagração das mulheres brincando de Mateu.

Pandeirista, o pai temia pelos desafios que ela, como ele, teria como artista. Nascido no dia da criança, Seu Chico se encantou no Carnaval de 2023, aos 84 anos. A mãe vai fazer 81 dia 13 de maio. Como sempre nos dias de festa, desde quando era quebradeira de babaçu no sítio Brito, Dona Nilza faz em casa a comida de sustança antes da brincadeira.

Fraaaaaaaaaaaaaaaa...

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/01/26. Vida & Arte, p.2.


Para onde vai a memória de uma cidade?

Por Mário Mamede (*)

A identidade de um povo tem como pilares fundamentais suas características étnicas, sua língua, sua cultura e a capacidade de ser guardião de suas memórias, preservando-as e transmitindo-as às gerações vindouras. A partir destes pilares, estão firmadas as condições para nos reconhecermos e sermos reconhecidos como um grupo identitário e fortalecermos num projeto de nação com uma visão de futuro.

Essa identidade estabelece a coesão necessária para termos consciência do que somos e do que desejamos para nós e para os nossos descendentes.

E esta percepção nos impulsiona para firmarmos um sentimento de pertencimento, alimentarmos a nossa autoestima e construirmos uma cidade que seja um lugar bom de viver para todas as pessoas.

A partir dessas breves reflexões, vamos ao que julgo mais importante e urgente, do que sinto necessidade de comentar.

Em Fortaleza, temos um acervo importante da memória de nossa cidade do ponto urbanístico, fotográfico, social, e um arquivo musical organizado por um funcionário público de nome Miguel Ãngelo de Azevedo, mais conhecido por Nirez, hoje uma importante referência e fonte de pesquisa sobre a nossa Capital.

Com a felicidade de viver seus 91 em plena lucidez e uma invejável memória para fatos recentes e passados, Nirez organizou e alimentou o seu acervo, acumulado ao longo de toda uma vida, com muita dedicação. Muitas e muitas histórias de Fortaleza estão guardadas em seu computador, em documentos físicos e em fotos.

Nirez é o guardião da maior e mais bem conservada coleção de discos de cera do Brasil, desde os primeiros gravados no Rio de Janeiro, nos anos 30 do século passado. Mais do que uma coleção, um tesouro!

Ocorre que todo esse patrimônio está hoje guardado em sua própria casa, e chega a um momento de vida em que já não tem mais como dar conta de mantê-lo.

Em comum entendimento com o Nirez, procurei o diretor do Museu da Imagem e do Som, que demostrou vivo interesse, levantando a possibilidade de sua incorporação ao acervo do MIS. Avançamos animados para uma agenda com uma relevante expressão política do Governo Estadual, acontecida no mesmo local no 06 de junho do ano passado.

As ideias convergiram e, pela sua importância, o assunto seria levado para análise do Governador. Adentramos 2026 e, até hoje, a resposta tem sido o silêncio, um silêncio que incomoda. Por isso faço publicamente um apelo às nossas autoridades, instituições acadêmicas e setor empresarial para não deixarmos que esse pedaço da nossa memória vire poeira.

O que se tornou antigo não pode continuar sendo traduzido equivocadamente como obsoleto, sem valor, isso é história que forma a identidade de uma cidade e de um povo.

(*) Médico ortopedista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/01/2026. Opinião. p.15.


 

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