Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)
Há algum tempo
publiquei um artigo falando dos meus porquês sobre o Brasil e, também, há algum
tempo publiquei artigos sobre a Transnordestina. Hoje, volto aos dois assuntos.
Vamos relembrar
alguns dos aspectos que nortearam construção da Ferrovia Transnordestina: a) em
1990 teve início a construção de um trecho da proposta Ferrovia
Transnordestina; b) em 2006 teve início a implantação da "nova"
Ferrovia Transnordestina; c) em 2016 a obra parou com apenas 52,0% concluída e
com gastos já realizados de R$ 6,27 bilhões; d) as novas previsões de término
foram estabelecidas para 2017; e) os gastos adicionais somavam R$ 6,7 bilhões;
f) seu percurso inicial de 2.304 km diminuído para 1.753 km.
Estamos no começo
de 2026 e desde 2016 o que aconteceu? a) seu término deverá (sic) acontecer em
2027; b) estimativas apontam que seu custo, até este ano, deverá alcançar o
valor de R$ 8,2 bilhões; c) sua rota terá extensão de, apenas, 1.206km; d) ela
não irá mais até o porto de Recife.
O seu percurso
irá de Eliseu Martins, no Piauí, passando por Trindade e chegando a Salgueiro
(ambos em Pernambuco), entrando no Estado do Ceará e indo até o porto de Pecém,
no litoral cearense.
Agora, vamos aos
meus "porquês".
No artigo a que
me referi fiz a seguinte pergunta: "Por que a construção de qualquer obra
pública no Brasil demora muito mais para ser concluída do que está previsto? E
por que os custos finais sempre são bem maiores que os custos iniciais
previstos?"
No caso da
Ferrovia Transnordestina tenho agora a resposta. A falta de definição precisa
sobre o projeto a ser executado por parte das autoridades brasileira; a falta
de compromisso dos responsáveis pela execução de obras públicas. Haja vista que
por suas falhas, nada lhes será cobrado. Nem agora, nem no futuro. Não importa
o que acontecer, esta falta de responsabilização pelo fracasso, pelos
prejuízos, permite-lhes agir sem nenhum compromisso com a honestidade e a
seriedade, que a construção de uma obra pública exige.
Vejam o que
aconteceu. Um trem da Ferrovia Transnordestina deveria no dia 24/1/2025 fazer
seu primeiro percurso, saindo de Bela Vista, no Piauí e ir até Iguatu, no
Ceará. Entretanto, tal fato não aconteceu. E por que não? Pelo simples fato,
acreditem, que o IBAMA, simplesmente, ainda não havia dado a permissão para a
operação da ferrovia.
Como é que os
administradores de um empreendimento que já dura mais de 20 anos, ainda não têm
em mãos, todas as licenças necessárias, sejam quais forem, para sua plena
operação?
Este trem deveria
transportar uma carga de milho. Como ficam os produtores agrícolas com esta
falta de transporte no tempo aprazado? E os prejuízos, quem paga?
Este é o Brasil
da irresponsabilidade!
(*)
Economista e professor titular aposentado da UFC,
Fonte:
O Povo,
de 8/02/26. Opinião. p.22.


