Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.
Além da "Dama da Lâmpada",
Florence Nightingale foi uma estatística, estrategista e cientista brilhante,
cujas contribuições perduram até hoje
Durante as noites, ela percorria os
corredores do Hospital de Scutari (Istambul, Turquia) carregando uma lâmpada
para vigiar e prestar cuidados aos soldados feridos. Enquanto o exército
britânico lutava na Guerra da Crimeia (1854-1856), Florence Nightingale travava
uma guerra interna contra a sujeira, o ar estagnado e a negligência que tiravam
mais vidas do que as próprias armas.
Foi esse ritual de cuidado e vigilância que
cristalizou a figura da "Dama da Lâmpada", transformando
uma voluntária obstinada na precursora da enfermagem científica moderna.
Florence foi pioneira em formular políticas de saúde pública integradas ao
bem-estar social, defendendo que a saúde dependia de habitação, saneamento e
nutrição.
Sua maior conquista foi transformar a
enfermagem em uma profissão "respeitável" para as mulheres
e, em 1860, ela fundou a primeira escola de formação profissional para
enfermeiras, a Nightingale Training School, no St Thomas' Hospital, em
Londres.
De acordo com Maria Angélica de Almeida
Peres, professora e pesquisadora em História da Enfermagem da Escola de
Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Jeneiro (UFRJ), a
principal contribuição de Florence Nightingale foi a profissionalização da
enfermagem, transformando uma prática que antes era puramente caritativa ou
leiga em uma ciência com conhecimento próprio e autônomo.
O projeto The Collected Works of
Florence Nightingale (CFN), da Universidade de Guelph, Canadá, reúne um
acervo massivo de cartas, livros e artigos de jornais da época (The Times,
The Lancet) sobre ela.
Conforme informações disponíveis no site do
projeto, ela foi uma cientista social empírica e introduziu a saúde baseada em
evidências, usando estatísticas e dados para monitorar reformas, priorizar a
prevenção e evitar danos hospitalares.
A imagem da mulher verificando se tudo
estava bem à noite lhe rendeu o apelido de "Dama da Lâmpada", além do respeito
dos soldados britânicos.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26.
Caderno Ciência & Saúde. p. 19.
