quinta-feira, 6 de agosto de 2026

PEDRO, A ROCHA

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

No pátio de Caifás, Pedro negou Jesus,

Mas, reconheceu sua divindade,

Quando, categórico, com lucidez, afirmou:

Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo.

 

Esta profissão de fé

Não o fez o mais amado,

Porém, o mais fiel e confiável,

Mais que Tomé, Tiago e João.

 

A Pedro tornou rocha da Igreja,

Deu-lhe as chaves do Céu,

Ordenou-lhe confirmar os irmãos,

Na fé, que lhes tinha ensinado.

 

A Igreja é de Cristo,

Pedro, seu fiel servidor.

Os princípios da Igreja

Foi Jesus quem implantou.

 

Pedro recebeu o poder:

Ligar ou desligar na terra

Será sancionado no céu.

Uma advertência Jesus lhe deu,

 

Ninguém pode a(dul)lterar,

O que Deus escreveu.

Sua Palavra é eterna,

Sabedoria e salvação dos povos.

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." (Gal 1, 8-9)

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 28/06/26.


Praça Luiza Távora: um pedaço de cidade sem sorte

Por Romeu Duarte Junior (*)

Como se dizia antigamente no saudoso Pasquim, meninos, eu vi! Vi com estes olhos que a terra há de comer um dia. Foi com assombro e êxtase que dei com ele pela primeira vez. Já abandonado, esvaziado dos seus moradores, o mato crescendo à volta, os palacetes fechados, em meio a um dos locais mais belos da Aldeota onde os oitizeiros dão-se os galhos num abraço de sombra e afeto. Sim, caras e caros, estou falando do Castelo do Plácido, obra monumental que o seu dono mandara projetar pelo maior arquiteto do Ceará    de todos os tempos, João Sabóia Barbosa, para agradar sua esposa italiana. Em 1974, um grupo empresarial comprou e demoliu o edifício para no terreno construir um centro comercial. Talvez por maldição, quebrou que apartou. Os palacetes restaram lá.

Ednardo, o grande cantor de Fortaleza, nos embalou com a bela "Longarinas" logo após a perda do palácio: "E a lua viu desconfiada; a noiva do sol com mais um supermercado; era uma vez o meu castelo entre mangueiras; e jasmins florados; e o mar engolindo lindo; e o mal engolindo rindo". Algum tempo depois, alguém teve a bela ideia de implantar na praça criada um centro de exposição e comercialização do artesanato cearense. Confiou-se o projeto ao engenheiro Pedro Natale Rossi, sobrinho da proprietária original e famoso pelas casas que então projetava e construía. No projeto que elaborou, usou carnaúba, concreto, alvenaria e telha de barro. Talvez porque foi retirada a casca dos troncos da palmeira, a estrutura colapsou, o que fez com que a obra fosse demolida. Triste.

Súbito, chega-me a infausta notícia de que o Metrofor interditará a praça por dois anos e meio para a construção de uma estação metroviária subterrânea, cuja implantação importará na escavação de uma vala de 38 metros de profundidade com diâmetro de mesma dimensão, o que fará com que seja suprimida boa parte da arborização. Pergunta-se: a central de artesanato e os palacetes serão também afetados pelo impiedoso tatuzão? Mais uma indagação: Fortaleza tem um metrô ou é o metrô que manda na cidade? Será que não há alternativas para a solução do problema de engenharia? Acode-me Roberto Carlos, o Rei: "Não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso". Depois da tragédia de Parangaba, mais essa. Será que o Ednardo vai ter que fazer mais uma canção?

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/07/26. Vida & Arte. p.2.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

POSSES DOS NOVOS SÓCIOS NO INSTITUTO DO CEARÁ (agosto de 2026)

Alguns sócios na solenidade de posses de novos consócios no Instituto do Ceará em 10/02/26. (Foto cedida por Dr. Fernando Antônio Melo).

O Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) realizou na noite de ontem (4/08/26), no Palacete Jeremias Arruda, a solenidade de posse dos seus novos sócios colaboradores, os Drs. João Macedo Coelho Filho e Ofélia Maria Gomes de Matos e do sócio correspondente Dr. Antônio Carlos Pessoa Chaves.

A saudação coletiva, em caráter oficial, aos novos sócios do Instituto do Ceará, foi proferida pelo sócio efetivo Gilson Moreira, que ressaltou os compromissos que os associados precisam assegurar para garantir o crescimento e a valorização da Casa do Barão.

Os recém-empossados João Macedo Coelho Filho e Ofélia Maria Gomes de Matos, na sequência, pronunciaram seus discursos de posse.

Na oportunidade, receberam o Diploma de Amigo do Instituto o engenheiro civil Américo José de Oliveira Bezerra, por suas dedicação e esmero na condução das melhorias físicas efetuadas na sede da instituição, e o educador Casemiro de Medeiros Campos, por sua atuação como cerimonialista dos eventos do Instituto do Ceará.

Como último ato da solenidade, o sócio efetivo e ex-presidente Lúcio Alcântara fez a entrega do diário contábil da empresa de Jeremias Arruda, trazido do Rio de Janeiro, gentilmente doado pela neta Letícia desse empresário, livro que passa a integrar o acervo de preciosidades do Instituto do Ceará.

A sessão solene foi presidida pelo sócio Seridião Correia Montenegro, Presidente do Instituto do Ceará.

Por especial deferência do Acad. Luiz Moura Jr., presidente da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes), em virtude da sua justificada ausência na presente posse de dois dos seus acadêmicos titulares, a Acemes se fez representar pelo Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva.

Depois da solenidade de posse, foi ofertado pelos recipiendários um coquetel aos convidados, nos vstosos salões e sacadas do Palacete Jeremias Arruda.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio do Instituto do Ceará


Médico e poeta lança livro no Ideal Clube

José Henrique Leal lança seu segundo livro unindo humanismo e inspiração lírica.

"À Luz da Memória", novo livro de José Henrique Leal, reúne poemas com temática que tem uma feição clássica, sem desprezar as percepções sentimentais e líricas provindas do coração e das muitas paisagens de sua terra Crateús. Foi lá onde viveu desde os três anos de idade vindo de Picos (PI) para desenvolver os primeiros estudos. O livro será lançado nesta quarta, 5, às 19 horas, no Ideal Clube.

Depois, Flávio Leitão de Carvalho, médico e escritor, membro da Academia Cearense de Letras, expressa que "Henrique, da sua adolescência até a sua adulticie, assumiu dois cadinhos fundidores de mentes iluminadas: os Seminário São José de Sobral e, em Fortaleza, o Seminário da Prainha". Certa noite, o poeta seminarista teve um sonho registrando seu adeus à possível vocação para o sacerdócio. E ingressou no Curso de Medicina da UFC.

"À luz da Memória" prova a dedicação poética de Henrique e trata de uma poesia mais conceitual que fantasiosa, daí a beleza de "A Chuva Benfazeja", "Uma Lacuna no Amar", "Entrega" e "Despertar para o Viver". Também, no novo livro, a ser apresentado esta noite pelo médico João Martins, é possível fazer um brinde com o poeta em sonetos revelando a configuração visível do conteúdo, que Henrique expõe com plena dominação de dois elementos: o significado (conceito) e o significante (forma linguística). É um livro que harmoniza o médico e pesquisador com a suavidade do poeta.

Lançamento "À luz da memória"

Quando: quarta, 5, às 19 horas

Onde: Salão do Ideal Clube (Avenida Monsenhor Tabosa, 1381 - Meireles) Entrada gratuita

Valor do livro: R$ 80,00

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/08/2026. Vida & Arte. p.3.


Fiar, tecer, tramar no Ceará das rabecas

Por Izabel Gurgel (*)

"Arte da Tradição - Mestres do Povo" (Expressão Gráfica e Laboratório de Estudos da Oralidade da Uece e UFC, 2005) reúne as mais de 50 matérias publicadas no Ceará. Quatro rabequeiros estão em "Artes da Tradição - Mestres do Povo": Raimundo Veríssimo, de batismo Raimundo Bezerra do Nascimento, de Itapipoca; Zé Oliveira, do Cariri, cego e artista como o pai, o cego Oliveira; mestre Silvino, Silvino Veras D'Ávila, de Irauçuba; e Antônio Hortênsio, da Varjota, também presente no livro "Mestres da Cultura Popular Tradicional do Ceará" (Secult Ceará, 2006), que reúne 11 mulheres e 25 homens reconhecidos Tesouros Vivos do Ceará pela lei estadual instituída em 2003.

"Ora direis, ouvir rabecas...". O professor Gilmar de Carvalho (1949-2021) assim finaliza o texto de apresentação do livro "Rabecas do Ceará" (Expressão Gráfica e Editora, 2006). No município de Graça, encontrou o mais velho dentre eles: Chico Flor, Francisco João da Silva, nascido em 1916. No município de Carnaubal, o mais novo dentre os 105 rabequeiros: Pedro Fontenele Sampaio, nascido em 1954.

"Ora direis, ouvir rabecas" é como Gilmar intitula o texto introdutório do livro "Tirinete - Rabecas da Tradição", de 2018, com 184 rabequistas e uma única mulher dentre eles, Ana Soares, de Umari. As artes de fazer e tocar rabeca estão em outras publicações, como "Mestres Santeiros - Retábulos do Ceará" (Museu do Ceará, 2004). Gilmar encontra em Guaraciaba do Norte o mestre Heráclito, nascido em 1910.

Cada livro, e todos eles com fotos de Francisco Sousa, é uma espécie de botija.

Leio e releio Gilmar, prestando atenção à presença de fiandeiras, rendeiras, bordadeiras. Mãos e mães que fiam e tecem, cortam e costuram, fazem e consertam redes de dormir, roupa de vestir, roupa de cama, mesa e banho. Fazem croché e outras artes têxteis. Para uso em casa, para sustento da casa. Anoto o nome delas. Mulheres com as quais Gilmar conversa, escutando-as sobre ofícios e labores, como a rendeira Maria Daniel, do serrote da Mataquiri, em Cascavel; Vicência Antônia Barbosa, Dona Miúda das bonecas de pano feitas desde a infância no sítio Bebida Nova, no Crato; a tecelã Dona Edite da rede de travessa, Maria Edite Pereira Santos, da Varjota dos Tremembé (as três no livro "Artes da Tradição"). Mulheres cujos nomes Gilmar faz seus entrevistados anunciarem como portadoras de 'ciência própria' para ganhar a vida, como as mães, avós e esposas dos rabequeiros. Dona Hilda Trajano, mãe do mestre Antônio Hortênsio, fiava algodão e tecia redes. Cada uma a seu modo, e todas elas, a tocar o cotidiano, a cuidar da casa, das crianças, dos adultos, por vezes da roça. E da almofada de renda, do tear, da grade com o labirinto, do bastidor com o bordado, do fio da vida. E da vida por um fio.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/07/26. Vida & Arte, p.2.


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Lugares sagrados e turismo religioso

Por Rita Fabiana Arrais (*)

No último dia 10 de junho - durante a 113ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - aprovou-se o registro de bem cultural aos Lugares Sagrados da cidade de Juazeiro do Norte.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Romaria (Sedetur) de Juazeiro do Norte o processo de solicitação do registro iniciou-se em 2018 com a juntada de um arcabouço documental, enfatizando a importância simbólica dos lugares às mais distintas manifestações religiosas dos fiéis que peregrinam na cidade desde 1889 quando impactados pelo milagre da hóstia e pela figura emergente do Padre Cícero Romão.

A comunidade do bem cultural demarca os seguintes lugares: a Basílica de Nossa Senhora das Dores, a Capela do Socorro, a Casa dos Milagres Padre Cícero, a Casa Museu Padre Cícero, o Santuário dos Franciscanos, o Rio Salgadinho, a Ladeira do Horto e o Complexo do Horto. São nestes espaços "no universo das devoções" onde o sagrado habita. O simbolismo destes lugares alcança seu ponto fulcral durante as romarias, momento em que os fiéis renovam sua fé, ao mesmo tempo em que ressignificam seus rituais.

Atualmente existem dez romarias por ano (Celebração em memória da morte da beata Maria de Araújo; Romaria de São Sebastião; Romaria de Nossa Senhora das Candeias; Romaria de nascimento do Padre Cícero; Romaria em memória da morte do Padre Cícero; Romaria de Nossa Senhora das Dores; Romaria de São Francisco; Romaria de Finados; Romaria de ordenação do Padre Cícero; Romaria do Ciclo Natalino). Estima-se que 2,5 a 3 milhões de romeiros participam destes eventos consolidando o turismo religioso como uma das principais atividades econômicas da Região Metropolitana do Cariri (RMC). Registre-se que com a lei federal nº 15.443 de 26 de junho de 2026 todas as romarias tiveram as datas inclusas no Calendário Turístico Oficial do Brasil.

É notório que estes eventos religiosos impulsionam o desenvolvimento e crescimento econômico da RMC, pois os setores do comércio, serviços e infraestrutura são positivamente impactados com a demanda constante, e consequentemente estimulam a geração de empregos, o aumento da renda e da arrecadação de tributos.

Quanto ao volume de dinheiro movimentado, estima-se que R$ 754 milhões são abarcados pela economia local e distribuídos em setores como o hoteleiro, restaurantes, mercado de artigos religiosos, transporte, entre outros. (Sedetur/2025)

Como dizia o Seu Luiz Gonzaga (1912-1989): "Olha lá no alto do horto, ele tá vivo o "padim" não tá morto!

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 3/07/26. Opinião. p.17.

Como superar a persistente lacuna de produtividade no Brasil

Por José Nelson Bessa Maia (*)

Tornou-se um lugar-comum afirmar que a baixa produtividade é um dos principais entraves ao crescimento econômico do Brasil, permanecendo praticamente estagnada há décadas. Por causa disso o país enfrenta uma "armadilha de baixo crescimento", com trabalhadores produzindo, em média, cerca de um quinto do que nos EUA, tido como referência nessa matéria.

A comparação internacional de produtividade costuma ser feita em PIB por trabalhador empregado em dólares internacionais ajustados por Paridade de Poder de Compra. Os dados mostram que o Brasil teve forte perda relativa entre 1980 e 2000 e depois ficou praticamente estagnado. Hoje, um trabalhador brasileiro produz 24% do que produz um trabalhador norte-americano médio.

Por outro lado, a China partiu de base extremamente baixa em 1980, mas teve o maior avanço da história econômica recente. Com isso, a produtividade chinesa passou de 4% da americana para 40% em pouco mais de quatro décadas.

O dado mais impressionante é que, em 1980, o Brasil possuía uma produtividade de oito vezes superior à da China. Hoje, a situação se inverteu: a produtividade média do trabalhador chinês já é 60% maior que a do trabalhador brasileiro. O Brasil permaneceu praticamente estagnado por quatro décadas, enquanto a China convergiu rapidamente para os níveis das economias avançadas.

Entre as principais causas estão a falta de concorrência, dificuldades de acesso a crédito, distorções tributárias e regulatórias e má alocação de recursos, que impedem empresas mais produtivas de crescer. Além disso, grande parte da força de trabalho está concentrada em setores de baixa produtividade, como agricultura e comércio.

Para resolver esse impasse e superar o desafio da baixa produtividade, diversos estudos apontam a necessidade de promover reformas estruturais, maior integração produtiva, maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), melhoria na educação básica, média e superior e maior abertura a investimentos estrangeiros. Esse pacote de medidas poderia impulsionar a produtividade do trabalho e alavancar o crescimento em bases sustentáveis. Além disso, muitos defendem a estímulos direcionados a setores intensivos em conhecimento, inserção planejada em cadeias globais de valor e modernização da agroindústria.

Em um país com tantas potencialidades, como recursos naturais abundantes, sistema financeiro sofisticado, grande mercado interno e boas universidades como o Brasil, conclui-se que, embora o problema seja estrutural, há uma janela de oportunidade para se evitar mais uma década perdida, desde que governos, empresas e universidades atuem de forma coordenada no bojo de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento para romper o circuito da baixa produtividade e superar a armadilha da renda média.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 27/06/26. Opinião. p.25.


 

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