terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Educação superior une governo e sociedade pelo desenvolvimento do Ceará

Por Cândido B.C. Neto (*)

O desenvolvimento científico, tecnológico e humano contemporâneo depende substancialmente do conhecimento e da capacidade de produção do país, da região e de cada comunidade.

A competitividade, a agregação de valores, a criação de oportunidades com impactos positivos sobre a distribuição de renda, a inovação dos processos de produção e de seus produtos, dentre outros aspectos, passa essencialmente pela geração e difusão do conhecimento coletivo, seja pelas áreas de P&D das empresas, seja dentro das universidades ou institutos de pesquisa científica.

Nesse contexto, as Instituições de Ensino Superior têm papel relevante como promotoras, incentivadoras e indutoras do setor produtivo, através da oferta de uma "Educação Humanista com Inclusão Produtiva", com ensino de qualidade e programas de apoio à ciência, tecnologia e inovação.

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) e de parceiros, tem promovido um espaço de debate e de construção coletiva ao ampliar a articulação com diversos setores, tendo em vista o desenvolvimento harmonioso e igualitário o estado.

Reconhecendo, acima de tudo, ser a Educação um compromisso com a condição humana, o Governo do Ceará está implantando o Programa de Universalização da Educação Superior como ação do Plano de Desenvolvimento Integral da Educação Superior (MAPP 241Secitece).

O objetivo principal do programa é trazer, durante os próximos anos, um novo cenário para o Plano Nacional da Educação (PNE), focado nas principais demandas dos municípios e na redução das desigualdades regionais, destacando a política de cooperação federativa e o regime de colaboração interinstitucional para os avanços e desenvolvimento do Ceará.

Teremos, por assim dizer, um dos mais importantes momentos da história da educação cearense, unindo o Ceará através do binômio "educação-desenvolvimento" para construção, com a sociedade, de uma realidade tão almejada pelo nosso povo.

(*) Professor da Uece e coordenador da Educação Superior da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/01/26. Opinião. p.16.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A verdade é sempre o melhor caminho: os investimentos do Estado em Juazeiro do Norte

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Em publicação no O POVO de 24 de dezembro, o Prefeito de Juazeiro do Norte produziu um texto onde mostrou números parciais e omitiu a verdade dos fatos. Senão vejamos: o gestor não mencionou a importância da obrigação da Prefeitura com adimplência à Lei Complementar 178/2018 e ao Decreto Estadual 32.811/ 2018. A Prefeitura de Juazeiro, por diversas vezes, ficou em débito com as responsabilidades dos convênios. No dia 24 de dezembro, por exemplo, o município estava inadimplente no CAUC (Sistema de Informações sobre Requisitos Fiscais), o que inviabiliza receber repasses de convênios, seja federal ou estadual. Estando adimplente com as obrigações e prestação de contas o repasse seguirá o fluxo do cronograma de desembolso.

Sobre os convênios citados no artigo - 273/2022; 274/2022 e 080/2021 -, o Estado já liberou o percentual de 42,45% e 39,23% para os dois primeiros, respectivamente. No caso do último, o Governo já desembolsou 82,94% dos recursos. Todavia, o que não foi mencionado pelo Prefeito de Juazeiro é que, mesmo com dificuldades de liquidez, pois o município de Juazeiro está com indisponibilidade de caixa bruta ou insuficiência de caixa (https://www.tesourotransparente.gov.br/temas/estados-e-municipios/capacidade-de-pagamento-capag), o Governo Elmano de Freitas cumpriu com suas obrigações sobre os convênios citados.

O Prefeito também não mencionou a amplitude dos investimentos do Governo do Ceará e do Governo Federal em Juazeiro do Norte. Nos últimos cinco anos, entre os investimentos realizados, o Governo do Estado reconstruiu a Arena Romeirão, obra entregue em março de 2022, uma das mais modernas do interior do Brasil. Apenas na Saúde, os Governos Federal e Estadual já enviaram R$ 559 milhões, afora o investimento e manutenção do Hospital Regional do Cariri, que o Estado mantém plenamente, no valor de manutenção de mais de R$ 200 milhões.

Cabe também reconhecer que o Governo Elmano de Freitas já aportou recursos superiores a 320 milhões em Juazeiro do Norte, no período de 2023-2025. Esses investimentos foram multidimensionais, nas áreas de infraestrutura e mobilidade, recursos hídricos, saneamento básico e social. No Anel Viário, uma obra de investimento do Estado, a atual administração estadual entregou os trechos 4 e 5, totalizando R$ 67 milhões, e o trecho 6 já está com a ordem de serviço assinada. Investimentos diretos do Estado, sem contrapartida da Prefeitura de Juazeiro. O Prefeito esteve presente em quase todas as entregas resultantes desses investimentos estaduais, a exemplo da inauguração da Casa da Mulher Cearense, mantida pelo Governo do Ceará. A verdade é sempre o melhor caminho.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 27/12/25. Opinião. p.15.

O SOL QUE INSISTE EM NÃO SE PÔR

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Em São Petersburgo, há alguns dias de verão em que o sol se recusa a desaparecer por completo. As noites não escurecem, permanecendo suspensas na claridade do crepúsculo. Noites Brancas foi minha última leitura de 2025. Uma novela de Dostoievski sobre dois jovens que se encontram durante quatro dessas noites luminosas. Curiosamente, terminei o livro no dia 25 de dezembro, enquanto recebia mensagens de amigos queridos desejando feliz Natal e um ótimo Ano-Novo.

O protagonista se autodenomina um sonhador - alguém que passou a vida inteira sonhando acordado, encolhido em seu refúgio como um caracol na concha, solitário, distante da realidade concreta. Nástienka, a moça por quem se apaixona, vive presa: a avó cega mantém os vestidos das duas unidos apenas por um alfinete.

A atmosfera onírica das noites brancas torna-se o cenário perfeito para esse encontro improvável.

Nessas quatro noites, caminhando sobre as pontes da cidade, o sonhador experimenta algo nunca vivido. Um momento de intimidade, ainda que breve.

As pontes atravessam o rio, mas reduzem a distância entre dois solitários e ligam o imaginar ao viver. Sonho e realidade não são opostos irreconciliáveis. São duas faces da mesma moeda, e a vida acontece justamente no equilíbrio entre eles.

Pensei bastante sobre essa imagem: o sol que se recusa a se pôr. No sonhador, ela ganha forma: a tentativa de manter acesa uma luz capaz de dar conta da própria escuridão. Não precisamos viver o tempo todo sonhando, mas esses intervalos de luz são vitais.

"As noites brancas virão". É o consolo de quem vive na escuridão durante os meses de inverno em São Petersburgo. Elas duram apenas algumas semanas por ano. São um fenômeno efêmero, e é justamente essa brevidade que as torna preciosas.

Haverá dias frios. A escuridão virá certamente. Mas, por vezes, você será esse sol que insiste em não se pôr. Viva suas próprias noites brancas: luminosas, imprescindíveis. Ainda que seja por alguns instantes.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/12/2025. Opinião. p.18.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

DA NARRATIVA À REALIDADE

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Escrevi num domingo, não publiquei imediatamente, dei um tempo. Foi num dia diferente, pelo menos para mim. Numa manhã, após sair do Hospital, hábito que cultivo há 35 anos, dirigi-me para encontrar minha irmã. A poucos metros da sua casa, resolvi parar numa venda para comprar algumas surpresas para o domingo de Páscoa. Ao descer do carro fui surpreendido por um jovem nervoso e agressivo, descendo de uma moto. Apontou-me um revólver aparentemente velho, não hesitou em bater com o cano no meu tórax.

Não vou entrar nos detalhes, já que isso é diário para milhares de cearenses. Mas o que mais me surpreendeu foi a postura da polícia ao chegar no local do assalto. Naquela ocasião, o policial sem sequer descer do carro, disse-me, ao ser informado por amigo que se tratava de um médico e ex-secretário de saúde do Estado, "não tem problema, é rico". Naquele momento tive dúvida se a minha indignação se devia à violência ou ao descaso com a sociedade. Entre o discurso de um governo fraco, essencialmente por sua forma medíocre, amparado por um esquema de sedução dos poderes, à situação calamitosa em que estamos.

Não que sejamos únicos, mas estamos entre os piores indicadores de violência no Brasil.  como todos vocês, a reação tem uma mistura de vários sentimentos, entre eles impotência e, sobretudo, tristeza. Depois de algumas reflexões, resta-nos crer que em algum momento, mudaremos. Pois, de nada adianta falar do passado, de uma nação que desde o início foi extorquida. Para quem não sabe, por curiosidade, era proibido aos que estavam no Brasil emitir notícias a Portugal, ensurdecendo os absurdos.

Passados todos esses anos, já é o momento de romper com esse "homem cordial", afeito a informalidade, adaptando-se em qualquer situação. Se por um prisma é conveniente, por outro induz ao jeitinho brasileiro, associado à corrupção, à falta de civismo e ao personalismo.

Dizer que a educação é a solução para todos os males, parece-me simplista e infantil, quando não se esclarecem os métodos e os objetivos, quando assistimos aos sucessivos erros. Refiro-me a uma realidade perversa, um desempenho trágico das competências cognitivas dos alunos do ensino público. Em dados publicados em 2025 constatamos que somente 5% dos alunos de escola pública atingem conhecimento mínimo em matemática. Infelizmente os resultados são bem diferentes das narrativas.

Cabe-nos responsabilizar as nossas lideranças. Uma parte importante dessa mudança, da transformação, de impedir essa sentença determinista de "sempre foi assim e não vai mudar", passa, evidentemente, pela política. A frase de "esse é o jogo", que ouvi de uma certa liderança do nosso Estado, fez a autointitulada esquerda crer que era preciso entrar no jogo para mudar. Embora, do ponto de vista da história, pareça tolice, passaram a vestir o papel da antítese de suas propostas. Ou seja, chegaram para mudar, se corromperam, e, agora, fazem parte do sistema. Assim mesmo, a teimosia é um surto, e nesse, empregamos uma força que não reconhecemos. Nessa ruptura que está por acontecer.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/12/2025. Opinião. p.15.


POSSE DOS NOVOS SÓCIOS E CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA DA SOBRAMES-CE-2025

Aconteceu em 8 de dezembro de 2025, às 19h30, no Auditório da Sociedade Cearense de Pediatria (SOCEP), em Fortaleza-CE, a festa de confraternização natalina e a posse de seis novos membros da Sociedade Cearense de Médicos Escritores - Regional Ceará (Sobrames-CE).

A solenidade foi presidida pela Presidente da Sobrames-CE, Dra. Maria Sidneuma Melo Ventura, que pronunciou o discurso de abertura, dando conta de suas realizações no ano em curso, e teve o jornalista e sobramista benemérito Vicente Alencar, na qualidade de mestre de cerimônias.

A mesa diretora dos trabalhos foi composta pelos doutores Maria Sidneuma Melo Ventura, Presidente da Sobrames-CE, Ricardo Rangel de Paula Pessoa, Presidente da Associação Médica Cearense; João Cândido de Sousa Borges, Presidente da SOCEP; João Osmiro Barreto, Presidente da Cooperativa dos Pediatras do Ceará; Walter Miranda Filho, representando a Academia Cearense de Médicos Escritores; Sebastião Diógenes Pinheiro, representando a Academia Cearense de Medicina; e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, representando a Academia Cearense de Letras.

Foram empossados, como sócios titulares, os médicos: Drs. Maria Carlos Pereira da Silva, Ivna Hitzschky Fernandes Vieira Previdelli, Fernando Antônio Lopes Furtado, Ricardo Rangel de Paula Pessoa e Angelo Roncalli Ramalho Sampaio, e como sócio acadêmico, Éden Moura Mendonça, estudante de Medicina da Unichrisrus.

As saudações aos recém-empossados foram feitas pelos sobramistas Sebastião Diógenes, Walter Miranda, Dione Mota, Arruda Bastos e Álvaro Madeira que os apresentaram como sócios e todos os novos membros presentes realizaram, individualmente, seus discursos de posse, que poderão integrar suas participações na Antologia de 2026.

O espírito natalino foi vivenciado na seleção de cantos entoados pelo Coral da Unichristus, sob a regência do maestro Marcos Roozgillo, e na leitura da crônica “Natal: passado e presente”, de autoria Marcelo Gurgel.

Participaram do evento inúmeros sobramistas, familiares e amigos que, com suas presenças, prestigiaram esse momento de confraternização da Sobrames-CE.

No final do evento, foi servido aos convidados um apetitoso coquetel patrocinado pela Sobrames-CE e por alguns consócios voluntários.

Parabéns aos seis novos membros sobramistas, recém-empossados.

Sejam, pois, todos bem-vindos!

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da Sobrames-CE

* Publicado In: Jornal do médico, 22(200): 36-37, janeiro de 2026.


sábado, 31 de janeiro de 2026

Cidadãos de bem, vítimas do mal

Por Emanuel Freitas da Silva (*)

Passavam dois dias do Natal e faltavam quatro para a passagem de ano quando as redes sociais foram tomadas pelas imagens de dois turistas mato-grossenses, espancados por vendedores na praia de Porto de Galinhas, em Pernambuco, após recusarem-se a pagar taxas abusivas cobradas ali de quem senta-se para aproveitar a praia.

As cenas mostravam dois homens espancados, ensanguentados, por uma turba que parecia excitada pela ânsia de violentar. Vários contra dois.

Com a repercussão das imagens em veículos da mídia tradicional, o caso se nacionalizou e a solidariedade se ampliou ao se saber que se tratava de um casal. Nas redes sociais, revolta pelo ocorrido e relatos aos montes se juntaram para denunciar a prática abusiva que seria recorrente ali; com o avançar do tempo, outras barracas de praia também tinham a cobrança abusiva relatada por dezenas de brasileiros.

A revolta e o estupor foram gerais. A governadora do estado se pronunciou e cobrou diligências. A prefeitura de Ipojuca fez-se obrigar, somente depois disso, a fiscalizar o cumprimento de lei sancionada em 2019, emitindo novo decreto.

Pois bem, (quase) tudo mudou depois que se começou a desconfiar da identidade política do casal. A sunga usada por um deles despertou a desconfiança de que seriam “bolsonaristas”, “gays de direita”, que visariam reproduzir, através do caso, estereótipos sobre o Nordeste, o que só se agravaria com a informação de que passaram a virada de ano em Balneário Camboriú, a convite da prefeitura.

Politizou-se: o caso, a violência, a cobrança, o desfecho.

A realidade da extorsão abusiva, seguida de pancadas que os fizeram sangrar, instantaneamente passou a compor um repertório de menos gravidade ao se identificar os dois como do polo político oposto.

Não seriam vidas dignas, não pertenciam ao “lado de cá”. Era a versão, à esquerda, da ideia de “cidadão de bem” ou do “humano direito”; daí, “todo castigo é pouco”.

O tribunal das redes é implacável, e sua solidariedade é efêmera. Triste fim de nosso tempo. Não existem humanos em geral; a condição humanoide é dada pela filiação a um espectro político.

(*) Professor adjunto de teoria política da Uece/Facedi.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/01/26. Opinião. p.14.

A corrida pela monumentalização da fé católica no Ceará

Por Emanuel Freitas da Silva (*)

Depois da pomposa inauguração da imagem de Nossa Senhora de Fátima, na cidade do Crato, no mês passado (que contou com ampla divulgação da Prefeitura Municipal), seguida da inauguração, no entorno, de uma capela que funciona como réplica daquela que existe em Portugal, outras cidades cearenses parecem ter corrido, com a ajuda do governo estadual, para também inscreverem seus nomes na rota do turismo religioso no Ceará.

A cidade de Jucás, por exemplo, inaugurou um santuário à Nossa Senhora do Carmo, com uma imagem que repete as dimensões da do Crato - anunciada como "maior que o Cristo Redentor" -, em meio a um complexo com lojas, restaurante, lanchonetes e banheiros, além de uma capela e outros espaços para receber romeiros e visitantes. Num convênio entre a prefeitura e o governo estadual, o acesso ao local custou quase R$ 4 milhões aos cofres públicos.

Na região, existem ainda imagens de Nossa Senhora da Purificação (em Saboeiro) e de Nossa Senhora da Penha (em Campos Sales). Em Santana do Cariri, “novas imagens” da estátua de Benigna também foram divulgadas em dezembro, criando expectativa acerca de sua entrega, bem como do complexo religioso que deverá cercar o local.

Por sua vez, Caridade também correu para, depois de quase 40 anos, encabeçar o corpo de Santo Antônio. E tudo, reitere-se, com pretensões de construção de complexos que ponham as cidades na rota do turismo religioso.

Para não falar de Santo Antônio (Barbalha), Padre Cicero (Juazeiro e Maracanaú), São Francisco (Canindé), Menino Jesus de Praga (Chorozinho), Santa Edwiges (Caucaia) e tantas outras imagens espalhadas pela cidade de Fortaleza.

Expressão de fé do segundo maior estado católico do país (somos 70% de católicos)? Também. Mas, sobretudo, expressão da aliança, histórica e permanente, do poder público com o credo que nos constituiu como nação e que, por isso mesmo, ainda acumula, de modo legitimado, privilégios que outros credos buscam também usufruir.

Ao que parece, instaurou-se uma disputa acirrada pela monumentalização da fé em diversas cidades, que passam a ter seus territórios, do chão ao alto do firmamento, fincados e atravessados pelas representações do universo sagrado do catolicismo.

(*) Professor adjunto de teoria política da Uece/Facedi.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/12/25. Opinião. p.16.


 

Free Blog Counter
Poker Blog