quarta-feira, 7 de outubro de 2026

SORRISO DO ABRAÇO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

O abraço do peito

Desperta emoção,

Sentimento de acolhida,

Sem impor condição.

 

O sorriso da mente

Alegra o diálogo,

Emite sinais candente

De tolerância e paz.

 

O beijo do coração

Aquece boa amizade,

Para ser capaz

De ecoar ao mundo

 

Que a fé existe,

Nunca se omite,

Nem o afeto sincero

Do amor trovador.

 

O abraço sorri

Colhendo amores

Sabendo quais flores

Não sucumbem a dores.

 

E o cuidado aparece,

No imo sagrado do peito,

A Deus eleva uma prece,

Ajoelhado, sorri e agradece.

 

Uma boa segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 4/08/26.


COMO FORMAR "CIRURGIÕES DO FUTURO"

ROBÔ | Em um hospital de Londres, médico ensina outros profissionais a usar capacete de realidade virtual 3D. O treinamento em cirurgia robótica é para a realização de procedimentos menos invasivos.

O cirurgião Sasha Stamenkovic tira o capacete de realidade virtual em 3D. "Hoje realizamos uma intervenção muito, muito complexa", comemora, após uma operação robotizada que permitiu retirar um tumor do pulmão de um paciente.

No St Bartholomew's Hospital, no centro de Londres, ele ensina outros três médicos a utilizar um novo sistema de cirurgia assistida por robô, chamado Da Vinci 5.

O capacete permite que ele observe o pulmão do paciente.

"Conservamos grande parte do pulmão, contornando vasos sanguíneos e vias respiratórias realmente muito pequenos", explica o cirurgião torácico de 60 anos.

Ele se dirige a três cirurgiões de outro hospital que observam como Stamenkovic utiliza o novo sistema fabricado pela empresa americana Intuitive.

O equipamento chegará ao seu centro cirúrgico no fim deste ano, como parte de uma estratégia nacional para aumentar o uso da robótica na cirurgia minimamente invasiva no sistema público de saúde britânico.

Como diretor de cirurgia robótica e pesquisa do Barts Health NHS Trust, Stamenkovic treina aqueles que, segundo ele, serão os "cirurgiões do futuro".

O objetivo do governo é que, até 2035, a assistência robótica seja utilizada em nove de cada dez cirurgias minimamente invasivas na Inglaterra.

À primeira vista, parece um videogame. Stamenkovic realiza a operação a partir de um console situado em um dos lados da sala.

Os movimentos de suas mãos são transmitidos a três braços robóticos que manuseiam os instrumentos cirúrgicos sobre um paciente deitado a alguns metros de distância.

Um quarto braço segura uma câmera que fornece a imagem em 3D ao cirurgião. As imagens podem ser vistas em duas telas instaladas na sala de cirurgia.

Esse sistema pode ser utilizado em diversas especialidades, como urologia, ginecologia e várias cirurgias: colorretal, torácica, abdominal ou geral.

Stamenkovic vê vantagens para a cirurgia minimamente invasiva, pois os finos braços robóticos são mais adequados do que as mãos para manipular instrumentos em incisões pequenas.

A precisão também reduz o risco de complicações, como escapes de ar, frequentes após uma intervenção pulmonar.

Esse tipo de intervenção reduz a duração da internação e o período de recuperação. Em um sistema de saúde público sob pressão, a expectativa é que os pacientes possam deixar o hospital mais cedo, para liberar leitos e reduzir as listas de espera.

Ian Macleod, de 76 anos, foi o primeiro paciente do sistema de saúde público britânico a se submeter a uma cirurgia de câncer de pulmão com essa tecnologia. Considera que sua recuperação foi "extraordinária".

Apenas 30 minutos depois de voltar ao quarto, já estava de pé. Ele recebeu alta do hospital com apenas um ponto de sutura e, menos de uma semana depois, já estava dirigindo seu carro ao lado da esposa.

A robótica é uma das cinco "grandes apostas" do plano de saúde de dez anos para a Inglaterra. Mas o Royal College of Surgeons, que representa os cirurgiões, denuncia um acesso desigual a essa técnica cirúrgica entre as diferentes regiões. Fala em "loteria geográfica".

Também critica a ausência de um modelo de financiamento "coerente" para a robótica nos hospitais públicos, o que obriga alguns estabelecimentos a depender de doações. (AFP)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/08/2026. Ciência & Saúde. p.18.


terça-feira, 6 de outubro de 2026

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

- A gente é um bando de miseráveis.

- As coisas podem ser caras, mas há quem as compre; a gente é que é miserável mesmo.

- Ah! Vida do inferno. Não estou mais me aguentando.

Estas queixas não são tão incomuns de se ouvir.

Nas minhas palestras e cursos, tenho ouvido semelhantes depoimentos, que margeiam o abismo da depressão.

Muitas vezes, são almas pequenas com grandes dons. Almas que se fazem pequenas pela inércia de sair do casulo, em busca de seus sonhos, que permanecem, no universo dos possíveis.

Eles não apodrecem, mas são chutados para debaixo do tapete, em cima do qual assentam-se lamúrias de uma inteligência arguta, de uma visão míope, de um arrazoado ideologizado, de uma negação de si.

Tal atitude pode provir de frustração sofrida, diante do fracasso em algum momento na vida, o que acontece com qualquer um de nós. Pode provir ainda de discordâncias, conflitos e confrontos internos, de ‘menos valia’ e de diversas outras causas, mesmo silenciosas. A frustração provoca dor profunda e impacta toda a nossa dimensão existencial.  É o preço de nossas fragilidades, no campo da realização de nossos sonhos, de nossas pretensões, de nossas expectativas. Para umas pessoas, exercita o caráter e treina a resiliência – no grego άσκηση (áskese): o conflito pode ajudar a clarear ideias e convicções que a pessoa acalenta. Para outras, cria um lamaçal, uma areia movediça, que vai consumindo quaisquer expectativas, quaisquer sonhos, na impotência assumida de qualidades e conhecimentos adquiridos.

As habilidades anulam-se, seja pelo orgulho ferido, pela decepção humilhante ou por outros arrazoados, que a própria frustração legitima, criando seus levianos gatilhos. A alma apequena-se, o mundo fica mau, as pessoas são inimigas e um auto ódio toma conta e aliena a mente. A pessoa desconhece suas forças e desgasta suas energias com situações dissinérgicas, quais sejam de irritabilidade, cansaço, insatisfação, impaciência, protelação constante. Seu olhar volta-se, então, para o sucesso dos outros e, incomodada, a pessoa passa a criticá-los, impulsivamente, na inveja e vitimização da miserabilidade de sua alma, criando ao seu derredor uma nuvem de mal-entendidos, de malquereres, num inferno que a pessoa cria para si e tenta mergulhar seu entorno.

Em tudo isso, há que se questionar, como escreve Victor Frank, o sentido da vida, no encontro consigo mesmo, ressignificar seus valores e princípios, fortalecer a sua fé e reconquistar sua autoestima. Rever seus ‘hábitos de vida’ e seu ‘padrão mental’.

E, antes que a frustração teime em permanecer, com seus deletérios sintomas, é necessário a busca de profissional.

“A vida é luta renhida”, diz Gonçalves Dias, em sua Canção dos Tamoios. Ela abre espaço aos corajosos e intrépidos, enquanto simplesmente, passa pelos fracos, ironiza-os e apena-se dos dons desperdiçados.

Uma boa quinta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 30/07/26.

A ESPERANÇA EQUILIBRISTA

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Alguém me perguntou, outro dia, o que espero do futuro. Ué! Eu e meu alter ego — essa outra identidade que teima em me acompanhar — esperamos muita poesia, alguma lucidez, uma dose necessária de loucura e, sobretudo, fantasia. Meus caros amigos, sobre esses desejos arrisco aqui alguns rabiscos. Aí vão.

Da lucidez, espero que finalmente compreendamos que nenhuma transformação verdadeira começa nos palácios, gabinetes ou tribunas. Ela começa no comportamento. Na maneira como enxergamos o outro, convivemos com as diferenças e decidimos participar da construção de uma sociedade menos egoísta e mais fraterna.

Por incrível que pareça, talvez este seja justamente o tempo de romper paradigmas. Há momentos em que o desencanto pode ser fértil. Quando velhas certezas desmoronam, abre-se espaço para desconfiar das verdades prontas e inverter a lógica de um passado que tantas vezes fabricou conveniências travestidas de certezas. Quem sabe estejamos assistindo ao início do fim dos falsos profetas?

Da fantasia, espero que o mundo ouse interromper o eterno déjà-vu. A história brasileira parece, às vezes, uma peça em permanente reprise: mudam os figurinos, as falas e os cenários, mas os personagens continuam por ali. Ora irreverentes, ora indignados, noutras ocasiões bonzinhos e convenientes. E há os autoproclamados "intelectuais", sempre preparados para explicar aos outros aquilo que eles próprios pouco compreendem.

Da loucura — porque alguma loucura é indispensável à sanidade — espero que consigamos manter a uma distância razoável os convenientes, os chatos de plantão, os protagonistas da tolice e, principalmente, os hipócritas. Estes atravessam governos, ideologias e gerações com impressionante capacidade de sobrevivência. Trocam de discurso com a mesma desenvoltura com que preservam seus interesses.

E deixo para a poesia aquilo que talvez seja o mais importante.

Que ela nos devolva um samba com bossa, emoção e paixão. Que nos permita acreditar novamente na delicadeza em tempos de brutalidade, na beleza em tempos de vulgaridade e na esperança em tempos de desencanto. Que possamos olhar para este país sem ingenuidade, mas também sem desistência.

Afinal, a esperança brasileira sempre teve algo de equilibrista. Caminha sobre o fio, tropeça, quase cai, recupera-se e continua. Talvez porque tenhamos aprendido, entre quedas e recomeços, que desistir também é uma forma de perder o equilíbrio.

E quem sabe ainda possamos sonhar, como naquela canção, com o Brasil que esperava a volta do irmão do Henfil.

Porque, enquanto houver poesia, ainda haverá um país possível.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/08/2026. Opinião. p.15.


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O QUE É SER HUMILDE

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

A gente precisa aprender que ser humilde é cultivar a verdade de nossas qualidades e de nossos vícios, de nossos anjos e de nossos demônios;

A gente precisa aprender que nossos sonhos são sementes, precisam ser plantadas, regadas e cuidadas;

A gente precisa dar-se conta de que, se o terreno não for fértil, as sementes não medrarão, por mais que se as reguem;

A gente precisa aprender que não podemos ter aversão ao que somos. Mas, acatar o que somos, e, com amor sincero, equilibrar-nos, mudando, ajustando e consolidando, em cada dia;

A gente precisa entender que o túmulo não respeita diplomas, não ouve homenagens, nem aceita considerações e arrependimentos;

A gente precisa entender que honrarias e fama não atravessam os umbrais da eternidade;

A gente precisa entender que a terra não conserta nossos erros, apenas consome nossa matéria e deixa nossos passos seguirem ao encontro da eternidade, seja ela qual for;

A gente precisa compreender que o diálogo não é confronto, pode ser, às vezes, amargo, porém, nunca impõe, nunca censura, nunca desrespeita, tampouco nunca capitula. Sempre tolera, sempre respeita a vida, a liberdade e a dignidade da pessoa humana;

A gente precisa compreender que o diálogo é encontro de pessoas em suas diferenças;

A gente precisa compreender que o diálogo exige correição de caráter, firmeza de propósitos, honestidade de princípios, despojamento de preconceitos e de ódio, abertura da mente, ética de conduta e amor à criatura humana;

A gente precisa entender que nunca haverá uma só opinião, um só pensamento, uma única crença, pois, se acontecesse, seria o fim da raça humana.

Uma boa segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 27/07/26.


Mortalidade infantil cai 68% no Ceará durante os últimos 25 anos

Por Kleber Carvalho, jornalista de O Povo.

Medidas de acompanhamento gestacional e cuidados com recém-nascidos são apontados como peças-chave para redução. Estado busca reduzir taxa de mortalidade para menos de 10 óbitos a cada mil nascidos vivos

RESUMO A mortalidade infantil no Ceará caiu 68% desde o início do século. Entre 2000 e 2025, o número de óbitos entre recém-nascidos (até um ano de idade) regrediu de 3.8 mil para 1.2 mil por ano no Estado.

Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico Óbitos Infantis e Fetais Evitáveis no Ceará, documento divulgado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e que mostra a evolução da prevenção à mortalidade infantil no Estado.

No início dos anos 2000, o Ceará tinha uma média de 26,5 bebês mortos a cada mil nascidos vivos. Pouco mais de duas décadas depois, a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) está em 11,2 crianças mortas a cada mil nascimentos, índice 57% menor.

De acordo com a Sesa, a redução evidenciada pelo boletim é resultado de parceria com os municípios para a qualificação da atenção primária em saúde na capital e no interior cearense.

Com mais recursos de acompanhamento em saúde antes, durante e depois do nascimento, as crianças do Estado enfrentam cada vez menos com problemas que antes eram determinantes para o falecimento, como erros no pré-natal e baixa assistência ao bebê nos primeiros dias de vida.

"Quando eu fortaleço a saúde da família eu tenho expansão no pré-natal, qualifico mais essa gestante, a puérpera e a criança. Essas estratégias fazem com que haja essa redução, porque eu garanto parto seguro e humanizado, cobertura vacinal maior, acompanho o desenvolvimento dessa criança e controle de doenças crônicas", explica a orientadora da Célula de Atenção Primária e Promoção da Saúde da Sesa, Sheila Santiago.

Com mais recursos de acompanhamento em saúde antes, durante e depois do nascimento, as crianças do Estado enfrentam cada vez menos com problemas que antes eram determinantes para o falecimento, como erros no pré-natal e baixa assistência ao bebê nos primeiros dias de vida.

"Quando eu fortaleço a saúde da família eu tenho expansão no pré-natal, qualifico mais essa gestante, a puérpera e a criança. Essas estratégias fazem com que haja essa redução, porque eu garanto parto seguro e humanizado, cobertura vacinal maior, acompanho o desenvolvimento dessa criança e controle de doenças crônicas", explica a orientadora da Célula de Atenção Primária e Promoção da Saúde da Sesa, Sheila Santiago.

Essas investigações permitem determinar por exemplo se a morte ocorreu nos períodos neonatal precoce, neonatal tardio ou pós-neonatal.

Essa especificação é importante porque cada uma dessas fases do recém-nascido tem motivos recorrentes de mortalidade. Se há muitas crianças morrendo nos seis primeiros dias de vida, a causa dessas mortes pode estar relacionada ao pré-natal feito pelas gestantes.

Essa ciência permite que ações preventivas sejam intensificadas e possam e diminuam as mortes classificadas pela Secretaria de Saúde como "óbitos evitáveis", ou seja, aqueles que poderiam não ter acontecido se a atenção à gestante e à criança fosse melhor executada.

"A investigação de óbito vê justamente essas falhas e começa a trabalhar nessas falhas. Assistência ao pré-natal e ao neonatal são fundamentais para a redução desses óbitos", conclui Santiago.

Mais da metade dos óbitos infantis ocorre nos primeiros seis dias de vida

Mais de 52% dos óbitos de recém-nascidos no Ceará ocorrem ainda nos seis primeiros dias de vida. Segundo a Sesa, as principais causas desses falecimentos são problemas na formação da criança durante a gravidez, como transtornos de baixo peso e desconfortos respiratórios.

Em 2025, 104 crianças faleceram vítimas de baixo peso no Ceará, enquanto outras 67 tiveram problemas de respiração ao longo da primeira semana.

Ainda conforme o boletim, os riscos diminuem no período neonatal tardio, quando as complicações estão relacionadas especialmente à septicemias e problemas de formação do coração.

Entretanto, são as mortes do neonatal tardio que chamam a atenção das autoridades de saúde, com algumas de suas causas relacionadas à falta de vacinação dos recém-nascidos, além de septicemias e más-formações, também.

"Esse é um ponto importantíssimo e que nosso sistema de saúde tem se debruçado. O Brasil sempre foi exemplar em termos de cobertura vacinal, desde o SUS. Nos últimos anos temos observado o crescimento de um discurso antivacina, e que tem comprometido a decisão dos responsáveis em garantir os esquemas vacinais. Essa hesitação pode ter efeitos importantes para agravamento de adoecimentos e repercussão nas taxas de óbitos pós-neonatal", pontua Lima.

No Ceará, esse acompanhamento do cumprimento dos esquemas de vacinais é realizado pelas equipes da saúde primária, que fiscalizam o calendário de imunizantes da criança e realizam busca ativa e campanhas de saúde.

"É de extrema importância a gente estar acompanhando o cartão de vacina. A atenção primária é quem tem um papel primordial, com monitoramento pela Sesa e acompanhamento de todas as crianças", finaliza Santiago.

Investigação de óbitos exerce papel fundamental

O caminho adotado pelo Ceará para reduzir o número de óbitos das crianças de até um ano foi saber como essas mortes aconteciam.

Nesses 25 anos, o número de mortes de recém-nascidas investigadas saltou de 14% em 2000, para 94% em 2025. A partir desses dados foi possível transformar a realidade de locais como o Sertão Central, que detinha os maiores índices de óbito no Estado ao início do século e hoje é a região com menor TMI em todo o Ceará.

"Você olha para o passado. Quando a gente começa a investigar, a gente começa a buscar prontuário, ver as fichas, quantas vezes foi na unidade, como estava o cartão de vacina, como foi o pré-natal... Logicamente se você detectar nessa investigação uma falha de processo, isso gera um novo plano de ação. Quando vou investigando óbitos eu vou descobrindo as não conformidades e melhorando", ressalta a orientadora da Célula de Atenção Primária e Promoção da Saúde da Sesa, Sheila Santiago.

Essas investigações permitem determinar por exemplo se a morte ocorreu nos períodos neonatal precoce, neonatal tardio ou pós-neonatal.

Essa especificação é importante porque cada uma dessas fases do recém-nascido tem motivos recorrentes de mortalidade. Se há muitas crianças morrendo nos seis primeiros dias de vida, a causa dessas mortes pode estar relacionada ao pré-natal feito pelas gestantes.

Essa ciência permite que ações preventivas sejam intensificadas e possam e diminuam as mortes classificadas pela Secretaria de Saúde como "óbitos evitáveis", ou seja, aqueles que poderiam não ter acontecido se a atenção à gestante e à criança fosse melhor executada.

"A investigação de óbito vê justamente essas falhas e começa a trabalhar nessas falhas. Assistência ao pré-natal e ao neonatal são fundamentais para a redução desses óbitos", conclui Sheila.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/08/2026. Cidades. p.14.


domingo, 4 de outubro de 2026

NOSSA SENHORA APARECIDA: Entre o Direito Canônico e a Identidade Nacional

Por José Luís Lira (*)

Periodicamente, o debate brasileiro é tomado por ruídos sobre símbolos da identidade nacional. Entre eles, a titularidade de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil vira alvo de questionamentos ideológicos ou propostas sem aderência jurídica. Faz-se imperativo restabelecer a verdade técnica: o padroado da Virgem Aparecida é civil e espiritualmente inabalável, imune a caprichos de autoridades seculares.

Sob a ótica do Direito Canônico, a outorga de padroado espiritual é ato de soberania eclesial exclusiva. O título de "Padroeira Principal do Brasil" foi outorgado pelo Papa Pio XI em 16 de julho de 1930, por decreto pontifício motu proprio. Na arquitetura da Igreja, a competência para criar ou extinguir honras litúrgicas de uma nação pertence unicamente à Sé Apostólica.

Nenhuma instância civil — Executivo, Legislativo ou Judiciário — detém jurisdição para anular um decreto papal. Qualquer tentativa secular de legislar sobre essa titularidade espiritual é nula e juridicamente inválida.

No ordenamento civil, o feriado de 12 de outubro foi instituído pela Lei Federal nº 6.802, de 30 de junho de 1980, pela qual a República reconhece formalmente a dignidade da Padroeira. Para qualquer modificação dessa garantia, é indispensável a aprovação de nova legislação pelo Congresso.

Na realidade política do território, dada a profunda inserção da devoção mariana e a expressiva representação parlamentar que protege as raízes culturais e cristãs, tal proposta enfrentaria barreira social intransponível. Tentar desfazê-la seria votar contra a herança histórica da Pátria.

Ademais, evoca-se o princípio do Estado Laico de forma equivocada, supondo que a laicidade exija a anulação das tradições religiosas. A jurisprudência constitucional consagra o modelo de laicidade colaborativa, jamais hostil. A Constituição de 1988 (artigos 215 e 216) impõe o dever de amparar as manifestações culturais e o patrimônio imaterial do povo.

A devoção a Nossa Senhora Aparecida é um elemento integrador que moldou a alma da nação desde o encontro da imagem em 1717. Preservar seu espaço na herança civil cumpre o mandamento de resguardar a nossa própria trajetória.

Diante de qualquer tentativa de apequenar a Protetora do Brasil, ergue-se este manifesto como um firme desagravo à Padroeira. É inadmissível que a imagem que emergiu do barro para a sagrada luz, símbolo máximo de unidade e esperança, seja instrumentalizada em disputas ruidosas.

A dignidade de Nossa Senhora Aparecida está resguardada pelas colunas do direito, da história e do afeto de milhões de brasileiros. Seu manto azul e sua coroa de Rainha permanecem soberanos e protegidos contra qualquer insurgência secular.

(*) Professor adjunto de teoria política da Uece/Facedi.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/03/26. Opinião. p.19.


 

Free Blog Counter
Poker Blog