Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)
Uma pergunta que
está martelando minha cabeça é: nós, brasileiros, principalmente os presidentes
e os congressistas, estamos transformando o Brasil em um país de mendigos?
Esta preocupação
nasceu da consulta que fiz sobre a situação econômica da população brasileira,
dados a partir de 2020, em diversas publicações (Ver www.gov.br; Informes do PT;
Portal do IFSC; CNN; Agência Brasil).
A seguir, mostro
as estatísticas encontradas:
• 49,7 milhões de
pessoas, em 8/2026, no Bolsa Família;
• 3,2 milhões de
famílias no Auxílio Gás (Gás do Povo), 2023;
• 16,6 milhões de
pessoas sem pagar energia (novo), em 4/2026;
• 2,6 milhões de
pessoas no Fies (dívida de R$ 115 bilhões com 80% de inadimplência em alguns
Estados), em 6/2025;
• 3,85 milhões de
estudantes no programa Pé de Meia, 2024;
• 10 milhões no
Bolsa Escola (estamos nos últimos lugares do índice Pisa, um ranking
mundial de aprendizado na educação básica e temos 30% dos nossos adultos
alfabetizados classificados como analfabetos funcionais);
• 2,4 milhões no
Pronaf (programa para agricultura familiar) em 2026, aproximadamente, 30% de
inadimplência;
• 1,6 milhão de
famílias no Programa Minha Casa Minha Vida (2019-2022);
• 83,7 milhões de
pessoas "negativadas", em 6/2026;
• 38,8 milhões de
trabalhadores informais (7/2026);
• 7,5 milhões de
MEIs são considerados precários, que não contribuem para o sistema
previdenciário.;
• 42,3 milhões de
pessoas penduradas na Previdência (em 7/2026);
• 12 milhões de
funcionários públicos;
• 32% dos CNPJs
do país estão "negativados" (R$ 170 bilhões de dívida);
Para completar o
retrato do Brasil, vejamos a quanta monta a população brasileira, segundo o
último Censo:
i. População
Total = 203.080.756
ii. População de
15 a 59 anos = 130,7 milhões
iii. PEA = 109,1
milhões
Embora as
estatísticas não permitam fazer o cálculo exato de qual o percentual total de
pessoas que recebem doações do Governo, pois algumas podem receber mais de um
benefício, pode-se inferir alguma estatística com alguns cálculos aproximados.
Por exemplo,
vamos imaginar que alguns programas com nomes diferentes beneficiem mais de uma
pessoa (caso de estudantes e que a família recebe o Bolsa Família), estes não
entraram duas ou mais vezes em nossas estimativas. Mas existem programas, como
o Fies ou o Pronaf, que não beneficiam pessoas, também, nos outros programas
sociais.
Trabalhando com
alguns deles, cheguei à estimativa de que 58,5 milhões de pessoas estão
recebendo algum auxílio do Governo. Aproximadamente, 53,6% de nossa PEA. Se
dividirmos pela população total, teremos um percentual de 28%. Percentuais
bastante consideráveis.
Esse é o retrato
do Brasil na atualidade. Estamos beneficiando a população de duas Argentinas.
(*)
Economista e professor titular aposentado da UFC,
Fonte:
O Povo,
de 20/09/26. Opinião. p.22.