quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

UMA QUESTÃO DE BOM SENSO

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

A opção pelo uso de siglas é por vezes duvidosa. No caso de CPF, por exemplo, é de melhor uso do que "Cadastro de Pessoa Física". Por feliz iniciativa do prefeito Roberto Pessoa, a Biblioteca de Maracanaú chama-se "José Augusto Bezerra", decerto ali não haverá placa com a sigla BJAB. Esta seria ofensiva ao notório intelectual e à palavra biblioteca, que é de origem grega, na junção de biblíon (livro) com thḗkē (caixa, depósito), a formar uma coleção de preciosidades. Homenageados e fundadores não devem ser reduzidos a letras.

Já Mr. (mister) Trump fez pior ao extinguir a biblioteca da NASA (por sinal, uma boa abreviação). O saudoso e notável empresário José Dias de Macêdo, que criou a J. Macêdo (e não JDM), ensinava: "mais importante do que o que eu digo é o que você entende". O uso de siglas possibilita erro de interpretação, por serem simples iniciais.

A defender essa tese, a antiga Revista São Paulo Magazine já publicou texto sobre a visita de britânicos a uma casa alemã para alugá-la. De volta à Inglaterra, a senhora lembrou-se de não ter visto o WC e escreveu ao proprietário: "(...) sou da família que (...) o visitou (...), mas (...) agradeceríamos se nos informasse onde se encontra o WC". O alemão, não compreendendo o sentido da abreviatura "WC" e julgando tratar-se da capela da seita inglesa White Chapel, assim respondeu: "(...) o local a que se refere fica a 12 km da moradia. Isto é muito cômodo, sobretudo se tem o hábito de ir lá frequentemente (...). Alguns vão a pé, outros de bicicleta. Há lugar para 400 pessoas sentadas e 100 em pé. Os assentos são de veludo; recomenda-se chegar cedo para arrumar lugar sentado. (...) À entrada, é fornecida uma folha de papel a cada pessoa, mas, se chegar depois (...), pode usar a do vizinho ao lado. Tal folha deve ser restituída à saída para ser usada durante o mês. Existem amplificadores de sons. (...) Fotógrafos especiais tiram flagrantes para os jornais da cidade, de modo que todos possam ver seus semelhantes no cumprimento de um dever tão honrado". O uso de siglas é uma decisão sua, portanto uma questão de bom senso. E não "UQBS".

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/01/26. Opinião, p.16.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

GRAN CIRCO TERRA BRASILIS

Por Romeu Duarte Junior (*)

Pelo jeitão da coisa, 2026 vai ser um ano trepidante, com montanhas-russas de emoções e amplo consumo de valium, dienpax, imosec e outros remédios tarja-preta por parte dos mais fracos. Para os que se cansarem de tanta correria e nervos à flor da pele, um bálsamo: dos dez feriados nacionais, nove cairão em dias úteis, gerando os mui famosos 'imprensados", pais dos feriadões. Isso sem se falar dos dias de dolce far niente cearenses e fortalezenses, que completarão a agenda de rede, cachacinha e pé na parede. Portanto, se o bicho vai pegar, teremos sombra e água fresca de sobra. Lazer? Ócio? Vagabundagem mesmo, que ninguém é de ferro. Para quem, como eu, pensa em se aposentar, já é um estímulo e tanto. Gentilândia, Joaquim Távora e Barra do Ceará, me aguardem!

Para quem gosta de atividades esportivas, será um ano para passar assistindo à TV. Será realizada a Copa do Mundo Fifa, com 48 seleções, 104 jogos e três sedes, Canadá, EUA e México. Fico pensando se o angu não vai engrossar por conta das atuais tensas relações entre estes três países, construídas pelo agente laranja no seu afã de anexar territórios e submeter povos ao seu talante. Para quem gosta de sofrer, Ceará e Fortaleza disputarão o Manjadinho, a Lampions League, a Copa do Brasil e o calvário da Série B do Brasileirão. De quebra, teremos também os Jogos Olímpicos de Inverno na Itália, mais precisamente em Milão e Cortina D'Ampezzo, geladíssimo aquecimento para a Olimpíada de Los Angeles em 2028. Será um olho no peixe do trabalho e o outro no gato da bola...

Todavia, iniciei esta crônica falando de antidepressivos, calmantes e outros fármacos que socorrem os débeis de alma, cabeça e coração. Outro evento de rachar o quengo também se anuncia: as eleições para presidente, governador, senador e deputados. Ainda estava com a fatia do peru na boca quando vi o mimimito-réu sair do hospital e ir para a sua cela na PF. Na mesma toada, presenciei seu assessor pegar uma preventiva por ter usado indevidamente uma rede social. Por fim, mas não menos, flagrei o bananinha tendo o mandato cassado, virando réu por coação e intimado a voltar ao Brasil para reassumir seu posto de escrivão na PF. Chegando em solo pátrio, já se sabe o que vai acontecer com ele. Como diz o doido, o mundo não gira, capota...

Porém, o sábado nos trouxe o tom tragicômico deste ano maluco. Inspirado na tal Doutrina Monroe ["A América para os (norte) americanos"], as forças militares estadunidenses invadiram a Venezuela por terra, mar e ar, mandando bala e despejando bombas, além de terem sequestrado Nicolás Maduro. Muito boa essa: o mandatário venezuelano é "autocrata" enquanto o agente laranja é "presidente". À frente de um império decadente, mira as riquezas dos países para extorqui-los em vez de resolver os problemas agudos da Terra do Tio Sam. Inventa um inimigo, tal como na fábula do lobo e do cordeiro, para justificar um direito que não possui. Enquanto isso, ONU calada, Europa lascada, China, Irã e Rússia de binóculos, Brasil atento. Tudo pode acontecer, caros, inclusive nada.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/01/26. Vida & Arte. p.2.


A expressão "manicômio tributário" e sua real consequência

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O professor Lello Gangemi, catedrático da Universidade de Nápoles e estudioso do sistema tributário italiano, escreveu, em 1959, o artigo “O manicômio tributário italiano”. A análise impressiona pela atualidade e semelhança com o nosso sistema tributário, que se encontra em fase terminal. Gangemi afirmou: “... a infelicíssima situação do nosso ordenamento tributário: um caos de leis contraditórias e em antítese aos mais elementares princípios de racionalidade, justiça e socialidade”. A frase foi amplamente disseminada no Brasil pelo tributarista Alfredo Becker, em sua obra Teoria Geral do Direito Tributário.

Em minha trajetória, ouvi muitos utilizarem o termo “manicômio tributário” como mera crítica marginal ao sistema, sem o devido aprofundamento epistemológico. Isso me levou a examinar o cerne da manifestação de Gangemi, que escreveu o referido artigo em homenagem a Benvenuto Griziotti – economista e financista italiano que desenvolveu a teoria da capacidade contributiva, entendida como a possibilidade econômica de pagar tributos.

O nosso “manicômio tributário” distorceu, ao longo de mais de 30 anos, o princípio da capacidade contributiva e produziu um padrão de desigualdade inigualável. No Brasil, a carga tributária incidente sobre os mais ricos é inferior à observada na maior parte dos países. O 1% mais rico da população concentra 27,4% da renda nacional (dados de 2019), percentual significativamente superior à estimativa anterior, de 20,3%.

Esses dados fazem parte do estudo “Progressividade Tributária e Desigualdade no Brasil: Evidências a partir de Dados Administrativos Integrados”, elaborado por economistas brasileiros e de outras nacionalidades, com a colaboração da Receita Federal. O levantamento, disponível em: <https://share.google/sijO6M78RFLDCaM4z>, revela que os milionários em dólar no País – aqueles que recebem mais de R$ 5,5 milhões anuais – pagam alíquotas efetivas muito menores do que o restante da população: 20,6% (incluindo todos os tributos), contra 42,5% pagos pelo brasileiro médio.

O estudo também aponta que o 0,1% mais rico do Brasil – cerca de 150 mil pessoas, com renda anual média de R$ 4,6 milhões – concentra 12,4% de toda a renda nacional. Já o 0,01% mais rico – aproximadamente 15 mil pessoas, com média anual de R$ 23 milhões – detém 6,1% da renda total.

Diante desse cenário, pode-se constatar que o “manicômio tributário” produziu no Brasil uma das maiores desigualdades do mundo, por meio de um sistema tributário regressivo que distorceu completamente a capacidade de pagamento de pessoas físicas e jurídicas. Nesse contexto, a aprovação da Emenda Constitucional 132/2023 representa um marco relevante ao iniciar um amplo processo de transformação do sistema tributário brasileiro, com vigência a partir de 2026.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 8/01/26. Opinião. p.17.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CONVITE Lançamento da obra Laudate

O Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Deputado Estadual Romeu Aldigueri, o Presidente da Academia Cearense de Medicina, Acadêmico José Henrique Leal Cardoso, e o Diretor-Executivo do Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), Prof. Dr. João Milton Cunha de Miranda convidam para a solenidade de lançamento da obra Laudate – Aos confrades das academias médicas do Ceará, de autoria do Acadêmico Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Presidente da Academia Cearense de Saúde Pública.

Dia: 11/02/2026 (quarta-feira).

Horário: 15h.

Local: Auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), Avenida da Universidade, nº 2853, Benfica, Fortaleza-CE.


O preço da força no fim da ditadura de Maduro

Por Heitor Férrer (*)

A prisão de Nicolás Maduro, decorrente de uma intervenção direta dos Estados Unidos na Venezuela, provoca sentimentos contraditórios em quem defende, de forma inegociável, a democracia. De um lado, cai um ditador abominável, um lixo, um verme humano que jamais deveria ter recebido afagos de qualquer nação civilizada. De outro, impõe-se ao mundo uma lógica perigosa: a força como instrumento de reorganização geopolítica.

Maduro já deveria ter caído há muito tempo. Não pelas mãos de potências estrangeiras, mas pelo levante legítimo do povo venezuelano, guindado pela democracia que lhe foi sequestrada. Seu regime, herdado do autoritarismo de Hugo Chávez, sustentou-se em eleições fraudulentas, no controle absoluto das instituições e na negação sistemática das liberdades. Um monstro político que transformou uma nação rica em petróleo em um território de miséria, êxodo e humilhação.

É compreensível, portanto, que muitos venezuelanos aplaudam o fim do tirano, ainda que isso custe a soberania nacional. Entre a submissão a um ditador e a tutela estrangeira, muitos optam por se livrar do algoz. A queda de Maduro, em si, merece ser festejada. Ditadores não merecem reconhecimento, tampouco carinho diplomático.

Entretanto, o método importa. Ao anunciar que controlará a Venezuela e suas principais riquezas, especialmente o petróleo, os Estados Unidos inauguram uma nova ordem mundial baseada, não no direito internacional, mas na imposição da força, uma lógica que remete ao Império Romano, onde o imperador decidia, com suas legiões, quais povos seriam conquistados e submetidos.

Esse precedente é grave e não pode ser ignorado. Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outra nação. Sob o argumento de uma "causa nobre" ou de um "interesse global", abre-se espaço para que potências decidam quem governa e quem administra as riquezas de um país. Imagine-se, por exemplo, se os Estados Unidos resolvessem intervir no Brasil justificando que a Amazônia não estaria sendo devidamente protegida e, em nome da humanidade, invadisse nosso território. Aceitaríamos? Aplaudiríamos? Claro que não.

Em 2023, critiquei, publicamente, a forma prestigiosa como o presidente Lula recebeu Maduro no Brasil. Maduro era ilegítimo, fraudou eleições, negou as atas exigidas internacionalmente e jamais deveria ter sido recebido como chefe de Estado legítimo. Seu governo precisava cair, sim, mas pela pressão interna do povo venezuelano e pelo isolamento diplomático, nunca por invasão de força estrangeira.

A democracia não pode ser defendida atropelando a soberania dos povos sob pena de fortalecer o discurso conveniente dos mais fortes. Amanhã, poderemos ser o próximo.

P.S.: Enquanto escrevo este artigo, Trump publica nas redes sociais: "o hemisfério ocidental é nosso". Que horror...

(*) Médico e deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/01/2026. Opinião. p.15.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

O MÉDICO ESCRITOR LUIZ MOURA

Luiz Gonzaga de Moura Júnior veio ao mundo, por um imperativo gestacional, sobretudo de parturição, no Crato-CE, a 5 de dezembro de 1955, mas se reconhece como um legítimo filho do Cedro, onde foi gerado e viveu a sua infância.

Em se tratando da condição momentânea e dos conhecidos predicados do ilustre confrade Luiz Moura Jr., jocosamente qualificado de “arengueiro” por seus colegas, em tempos universitários, não se deterá aqui a explicitar aspectos biográficos profissionais, do médico cirurgião geral e bariátrico e professor universitário, mas se reserva a perlustrar, ainda que tangencialmente, alguns dos seus feitos bibliográficos.

Escudado na sua participação das antologias: Sobre Todas as Coisas (1987), Letra de Médico (1989), Efeitos Colaterais (1990), Meditações (1991), Outras Criações (1992), Esmeraldas (1993), Prescrições (1994), conduzidas pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional Ceará (Sobrames/CE), da qual foi presidente no biênio 1989-91, ele trouxe à lume, em 1997, a sua primeira obra-solo, sob o título “Tô Doente, Doutor!”, que se sagrou um êxito editorial, de tiragem esgotada e exemplares catados em sebos.

Em 2005, Luiz Moura brindou seus tantos ávidos e tão carentes leitores com o seu segundo livro “O Homem da Maleta Preta”, mantendo a mesma linha literária da publicação precedente, replicando o mesmo sucesso editorial e se consagrando como contista, cronista e memorialista, e, sobretudo, um exímio contador de causos.

Em 2008, com a sua carreira profissional consolidada, reativa o engajamento na produção literária, retomando a contribuição nas antologias da Sobrames/CE: Achado Casual (2008), Ressonâncias Literárias (2009), Letras Que Curam (2013), Digno de Nota (2014), Semeando Cultura (2016), À Flor da Pele (2017), Lapso Temporal (2018), Pontos de Vista (2019), Sopro de Luz (2020), A Plenos Pulmões (2021), Limiar da Criação (2022), Lampejos de Memória (2023), Via Profilática (2023) e Piscar de Olhos (2025).

Luiz Moura é membro titular fundador da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes), ora exercendo uma profícua presidência à frente dessa entidade, tendo tomado parte em todos os dez números da Revista da ACEMES, do 0 de 2016 ao 9 de 2025.

Como ser notadamente gregário, possuidor de muitos amigos e colegas, em coautoria com Nasser Aguiar e Walter Miranda, tornou público, em 2010, o livro “A Arte Mede Sina”, para rememorar os trint’anos da Turma Samuel Pessoa, a dos médicos de 1980.2 da UFC; e, em 2020, rendeu loas ao corifeu da cirurgia bariátrica brasileira, o renomado cirurgião paulista Antônio Garrido, com a publicação “Garrido e a Cirurgia Bariátrica”.

Agora, para comemorar os seus 70 anos de idade, nada pode ser mais apropriado a um escritor do que se presentear e, sobretudo, regalar a todos com a publicação da obra monumental intitulada o “Diário de um Arengueiro”, cujo subtítulo qualifica o seu teor, ao reunir “motes, mitos e estórias – sátira e folclore médico”.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina – Cad. 18

* Publicado In: Jornal do médico, 22(200): 34-35, janeiro de 2026.


Dom Antonio Carlos do Nascimento: um bispo segundo o coração de Deus

Por Pe. Raimundo Neto (*)

Conheço padre Antonio Carlos, hoje dom Antonio Carlos, desde que ele era seminarista. Sua família morava na Paróquia de São Vicente de Paulo, no bairro Dionísio Torres, e ele foi acolhido pelo meu antecessor, padre Mariano Rocha Matos (in memoriam), e por mim também.

Dom Antonio Carlos, bispo auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza, é um homem marcado pela simplicidade e humildade, de voz pausada e mansa, sem perder a galhardia de um “gentleman”. Possui trato fino com os colegas sacerdotes e proximidade com os leigos. Indubitavelmente, foi esse um dos motivos pelos quais foi escolhido bispo de nossa Igreja Católica Romana. Formado em Direito Canônico e exercendo suas funções no Tribunal Eclesiástico com competência e acolhimento, nunca foi sabujo de ninguém a fim de receber prestígios ou galgar alto posto na hierarquia da Igreja. Tornou-se bispo pelo chamado de Deus e de sua vontade.

Com a ordenação de um bispo, a Igreja renasce e se configura sempre de novo, assegurando a sucessão apostólica ininterrupta, desde os primeiros discípulos de Jesus. É bom saber que o episcopado não é um carreirismo, uma honraria, mas um serviço que nasce da amizade com Cristo. “Já não vos chamo de servos, mas amigos” (João 15,15). O ministério confiado aos bispos é um serviço ao Amigo (Jesus), é a doação da vida por amor. Por isso, o episcopado é um caminho de entrega, sacrifício, cruz e oferta da vida. A centralidade de si mesmo e o destaque precisam desaparecer para que Cristo, seu Evangelho e os mais humildes estejam no centro.

Devemos olhar para o bispo com o olhar da fé, ou seja, da visão teológica. E o que o olhar da fé diz sobre o nosso bispo auxiliar, dom Antonio Carlos? Ele é um enviado de Deus, “bendito o que vem em nome do Senhor” (Mateus 21,9). É um sucessor dos doze apóstolos. É o mestre da fé, da doutrina e do culto sagrado. É aquele que, à semelhança de Jesus, lava os pés de seus discípulos (João 13,16). É o servidor do Evangelho. É aquele que está em comunhão com o Colégio Episcopal e com o Romano Pontífice, o papa. É um irmão, pai e amigo. É chamado a viver a espiritualidade de Marta e Maria (Lucas 10,38). Por fim, é aquele que recebeu o múnus de santificar, ensinar e governar.

Dom Antonio Carlos, Sua Excelência, revestido da autoridade de Cristo, é o arauto da fé, doutor autêntico da fé apostólica. Receba de seus irmãos padres as mais expressivas boas-vindas. Que Deus lhe dê o discernimento e a paresia para enfrentar as borrascas que o mundo contemporâneo nos apresenta. O multilateralismo, as polarizações, as inversões axiológicas, ou seja, a perda dos valores, que são desafios da nossa sociedade moderna, sejam combatidos pelo seu ministério episcopal.

Que o Senhor Jesus o abençoe e o faça um pastor segundo o coração de Deus.

(*) Sacerdote. Vigário paroquial da Paróquia de São Vicente de Paulo.

Fonte: O Povo, de 4/02/2026. Opinião. p.15.

 

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