sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Solenidade comemorativa dos 132 anos da Academia Cearense de Letras

Na noite de ontem, 20 de agosto de 2026, no Palácio da Luz, participei, pela quinta vez como imortal das letras cearenses, da solenidade celebrativa dos 132 anos de instalação da Academia Cearense de Letras (ACL), reconhecida por ser a primeira do gênero no Brasil, que se mantém em funcionamento, dado que foi criada em 1894, três anos antes da fundação da Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras (ABL).

A sessão solene, iniciada às 19h, com a apresentação do maestro Adelson Viana, que a todos encantou com a execução musical, ao acordeon, de um repertório genuinamente cearense, teve a Sra. Jerietza Gurgel, como cerimonialista, e foi liderada pelo Presidente da confraria, o Acad. Tales de Sá Cavalcante, que fez o discurso de saudação de aniversário da ACL e anunciou a celebração de festejos alusivos aos 300 anos de Fortaleza, fruto de projeto sob a coordenação do Acad. Pio Rodrigues Neto.

Na sequência, o Acad. Pio Rodrigues Neto exibiu as linhas gerais do projeto e convidou a Acada. Selma Prata, para efetuar o lançamento do Edital do Prêmio Artur Eduardo Benevides, destinado a premiar e publicar poesias temáticas sobre a capital cearense.

O ponto alto da noite foi a palestra intitulada “Fortaleza Hilária”, proferida pelo Acad. Juarez Leitão que, com a sua notória e reconhecida eloquência, mesmerizou a platéia, durante mais de uma hora, narrando episódios burlescos e causos acontecidos em Fortaleza, plenos de humor, além de muito bem-contados, conferindo ao ambiente um tom de animação e de contagiante deleite.

A efeméride foi consagrada pelo grande público presente, composto principalmente de membros participantes de confrarias e entidades literárias e culturais cearenses, bem como por formadores de opinião da sociedade local.

Ao final da solenidade, acadêmicos e seus convidados se confraternizaram em um coquetel ofertado pela ACL nas aprazíveis dependências do Café Java.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Letras – Cad. 25


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 727

Abro a coluna com uma historinha de Pernambuco.

Perspectivas e características

Quais as perspectivas que se apresentam ao Brasil nesse contexto de crise entre os Poderes? Confesso que não sei responder. Mas uma historinha de Pernambuco pode nos apresentar as perspectivas.

Luís Pereira, pintor de parede, dormiu com 200 votos e acordou como deputado Federal. Era suplente de Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, em Pernambuco, cassado pela ditadura. Chegou a Brasília de roupa nova e coração vibrando de alegria. Murilo Melo Filho melou o jogo, logo no aeroporto, com a pergunta abrupta:

– Deputado, como vai a situação?

Confuso, nervoso, surpreso, sem saber o que dizer, querendo causar boa impressão tascou:

– As perspectivas são piores do que as características.

Pois é, a esta altura, tem muito deputado imitando Luís Pereira e traçando o panorama do amanhã.

Começo minha análise política com o poema do beco, de Manuel Bandeira.

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?

-O que vejo é o beco.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/349574/porandubas-n-727


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A QUE PONTO CHEGAMOS

Por Rev. Munguba Jr. (*)

De quatro em quatro anos o Brasil se reúne para viver a magia de uma Copa do Mundo. Pais sacrificam parte da poupança para realizar o sonho dos filhos com os álbuns de figurinhas, e milhões de brasileiros alimentam a esperança de ver mais uma estrela estampada na camisa da nossa seleção.

Lembro-me da Copa de 1970. Eu era apenas um menino, comendo rocambole de goiaba e correndo pelas ruas atrás do Colégio Batista, onde morávamos, comemorando cada vitória da seleção brasileira. Depois daquela conquista vieram outras duas inesquecíveis, consolidando o Brasil como a única seleção pentacampeã do mundo.

Entretanto, neste ano chegamos a um ponto diferente. O debate deixou de ser sobre futebol.

Assistimos a campanhas favoráveis e contrárias ao nosso camisa 10 não por sua condição física, seu talento, sua capacidade técnica ou sua recuperação das lesões, mas por causa de suas preferências políticas e declarações públicas.

Todo cidadão tem o direito de manifestar suas convicções e fazer suas escolhas. Somos contrários a qualquer forma de discriminação. Seja na política, na religião, na vida familiar ou na esfera da sexualidade, cada pessoa deve ser livre para expressar suas convicções. Respeitar uma decisão não significa, necessariamente, concordar com ela.

Quando escolhemos um médico para realizar uma cirurgia, observamos sua formação, sua experiência e seus resultados. Quando buscamos um salão de beleza, avaliamos a qualidade do atendimento e o resultado do serviço. Raramente perguntamos qual é a preferência política ou a orientação ideológica dessas pessoas.

Talvez estejamos perdendo a capacidade de distinguir o que é essencial do que é secundário. Precisamos aprender novamente a separar as estações da vida e evitar transformar diferenças de opinião em critérios absolutos para julgar pessoas.

Quando confundimos competência com preferência, perdemos muito mais do que um jogo. Perdemos a capacidade de conviver.

Vai lá, Neymar! Faça no campo aquilo que você sabe fazer. Honre a camisa da seleção com dedicação, entrega e excelência. E, se Deus permitir, ajude a trazer para o Brasil mais uma estrela.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 4/07/2026. Opinião. p.24.


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Cearense Melissa Gurgel alçada ao cargo de professor titular da Unicamp

Ontem (18/08/2026) foi dia de alegria para a família Gurgel Adeodato. A Melissa Gurgel Adeodato Vieira, filha dos jornalistas aposentados Márcia Gurgel e Adeodato Junior, foi aprovada em primeiro lugar como professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Melissa já desempenha o cargo de professora desde 2010 na própria universidade.

Aos 47 anos de idade, atinge o ápice da carreira acadêmica, tendo em seu robusto currículo mestrado e doutorado em Engenharia Química e três pós-doutorados, sendo um em Stuttgart, na Alemanha.

Melissa teve uma sólida base estudantil no Colégio Christus e na Universidade Federal do Ceará (UFC), por onde se graduou em Engenharia Química com diploma de Magna Cum Lauda, tendo sido, até então, o concludente com o maior IRA (Índice de Rendimento Acadêmico) da história desse curso da UFC. Fez parte do curso de Engenharia Química na École Centrale de Paris.

Desde 2023, ela compõe a lista de pesquisadores cientistas mais influentes no Mundo segundo ranking elaborado pela editora científica Elsevier e liderado por uma equipe de especialistas da Universidade de Stanford.

Nota do Blog do Marcelo Gurgel: Melissa Gurgel é uma querida sobrinha minha que obteve o primeiro lugar, disputando esse concurso público da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, com cinco concorrentes, sendo três da própria Unicamp e dois outros de fora. Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.


terça-feira, 18 de agosto de 2026

"A escolinha do Professor Vorcaro"

Por Raimundo Padilha (*)

Parodiando a Escolinha do Professor Raimundo, do maior humorista brasileiro, o cearense Chico Anysio, estamos assistindo à Escolinha do Professor Vorcaro. Na Escolinha do Chico, os alunos eram humoristas famosos, que interpretavam papéis que os colocaram no patamar da fama. Chico era o titular da cátedra.

Na Escolinha do Professor Vorcaro, os seus alunos são corruptos, que ocupam, com raras exceções, o cardinalato da nossa República. Todos de maneira direta ou indireta, por meio de familiares são personagens de tramas golpistas. Enquanto na Escolinha do Chico o objetivo era fazer rir, na Escolinha do Professor Vorcaro é de fazer chorar. Quanta tristeza está no rastro deste drama, onde o seu professor é um pegajoso bandido, que atrai alunos mediante fartas propinas.

No Chico, o jogo era limpo. No Vorcaro, o jogo é sujo. Em matéria de corrupção é a maior em volume e em número de participantes. Três togados se tem notícia que tiveram participações, um senador apresentou projeto ampliando vantagens para o Banco Master do Sr. Vorcaro, além de outros cardeais que intermediaram operações para aplicações de Fundos de Pensões no mesmo Master.

O banco oferecia taxas aos seus investidores bem acima das praticadas pelo mercado e não apresentando liquidez, levando os seus investidores a recorrer ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o qual chegou cobrir mais de R$ 50 milhões. Este é o maior rombo da história do Sistema Financeiro Nacional.

É vergonhosa a máscara dos seus participantes. E os seus poderes/cargos vão para lata do lixo. Uns mais, outros menos, mas de modo geral os 3 poderes foram atingidos.

A pretexto de produzir um filme de personagem que se tem dúvidas das suas virtudes, foi orçado em mais de R$ 130 milhões e abocanhados mais de R$ 60 milhões, quando o filme "O Agente Secreto", que concorreu ao Oscar, custou pouco mais de R$ 26 milhões.

E a história ainda está incompleta ou mal contada, pois se desconhece a estrada percorrida pelo dinheiro, nem o seu real orçamento e muito menos a comprovação da sua aplicação. Tudo muito obscuro e com historiadores falseando as suas narrativas.

Banquetes luxuosos na Europa, com cardápios de finíssimo trato e bebidas do mais requintado paladar foram promovidos pela Escolinha do Sr. Vorcaro.

Enquanto na Escolinha do Chico o final era o aplauso, com o Sr. Vorcaro o final será o xadrez. Aliás, o seu professor já estava vendo o sol quadrado e empulseirado. Triste fim, triste drama.

Duas escolas com objetivos bastante distintos. Vorcaro, professor esperto. Chico, professor engraçado. Grande diferença.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 8/07/26. Opinião. p.15.


MEU AMADO PAI

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Como seguirei sem ouvir a sua voz, sem ouvir a sua risada maravilhosa, sem ouvir o senhor dizer que a casa estava mais bonita quando eu dormia com vocês? Como será não ouvir o senhor perguntar: "Cadê os meninos, minha filha?"? Como será escrever sem ter o meu maior admirador para fazer os comentários amorosos, hiperbólicos e suspeitíssimos - afinal, eram seus, papai? Como seguirei sem o meu melhor amigo, que segurou a minha mão quando eu não tive condições de me sustentar? Como será viver sem o seu olhar e o seu sorriso apaixonados por mim, pai? Como será não ouvir o senhor dizer: "O vovô é axaponado pela Maína"?

Pai, me falta um pedaço. Já não sou mais a mesma. Ao mesmo tempo, algo se expande. Suas raízes se aprofundam em mim. É algo inominável, mas talvez as palavras de Drummond se aproximem do que eu sinto: "A ausência é um estar em mim, e essa ausência assimilada ninguém a rouba mais de mim".

Pai, agradeço a Deus por ter dormido na sua casa na sua última noite. Quando cheguei, conversamos sobre o meu aniversário, que se aproxima, e eu lhe disse: "Vou fazer 45 anos, pai". E o senhor me respondeu: "É muito tempo, minha filha. Mais que o dobro da idade que eu tinha quando perdi o papai".

Ao acordar, dei-lhe um beijo de bom-dia, e o senhor me disse, pela última vez: "A casa está mais bonita!" Depois, voltou-se para a mamãe e perguntou: "Guidinha, quer casar comigo?" Sorri e perguntei: "Quer renovar os votos, pai?" E o senhor respondeu, brincando: "Não. Quero casar de novo com ela".

Lembra do passarinho que vi de longe e mostrei ao senhor, pai? Outro dia, enviei-lhe um vídeo de um bem-te-vi cantando na minha casa, e o senhor me escreveu: "Ele deve estar falando uma coisa muito boa, minha filha". Agora, pai, sempre que um passarinho cantar, vou sentir que é o senhor me falando coisas boas.

Lembra que eu lhe contei que o meu dia anterior tinha sido muito bonito? Que eu tinha ido à Praia de Iracema ver o pôr do sol e senti tanta vontade de tomar banho de mar - porque foi o senhor, pai, quem me ensinou a amar o mar - que entrei de roupa e tudo, e o senhor sorriu? Mostrei também ao senhor a foto de uma criança brincando, e o senhor repetiu uma frase que dizia tantas vezes: "Criança é uma maravilha!"

No seu último dia, pai, o vento soprava forte. Lembra que o senhor dizia: "Dizem que, quando a gente sente o vento no rosto, é Deus nos acariciando." Ele o acariciou, papai.

Lembra que ouvimos juntos "Todo Sentimento", do Chico?

O senhor descansou nos meus braços, papai, que tenham sido o colo do amor mais profundo que uma filha pode oferecer a um pai.

Depois de te perder

Te encontro, com certeza

Talvez num tempo da delicadeza

Onde não diremos nada

Nada aconteceu

Apenas seguirei, como encantada ao lado teu

Da sua sempre, Ticinha

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/07/2026. Opinião. p.17.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Parte de vila militar é demolida para construção de nova praça em Fortaleza

Por Victor Marvo, jornalista de O Povo

Conjunto de residências da Base Aérea de Fortaleza estava desocupado há mais de uma década. Obra com investimento de R$ 3,25 milhões deve ser concluída em 2027

Resumo

“Oito residências da antiga vila militar da Força Aérea Brasileira (FAB), no bairro Aeroporto, em Fortaleza, foram demolidas como parte das intervenções para a implantação de uma praça integrada ao projeto do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Ceará. A demolição foi iniciada no fim de junho. Agora, no local restam árvores em um terreno cercado por tapumes e uma placa que indica a construção do novo pátio.”

Historicamente, as vilas militares eram construídas para abrigar militares da ativa e suas famílias nas proximidades das unidades onde serviam. Esse modelo foi adotado em praticamente todas as bases da FAB criadas entre as décadas de 1940 e 1950.

Em Fortaleza, o conjunto de residências pertencia à Base Aérea de Fortaleza (BAFZ), localizada entre as avenidas Borges de Melo e Aguanambi, e começou a ser desocupado em meados de 2013, quando o 1º Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação foi transferido para a Base Aérea de Natal (RN).

Praça terá nome do criador do ITA

O projeto da praça foi anunciado pelo governador Elmano de Freitas (PT) em abril deste ano, durante a cerimônia de entrega da primeira etapa das obras do campus do ITA Ceará.

Com investimento de R$ 3,25 milhões, a praça será construída em frente à Base Aérea de Fortaleza e deverá ser entregue no início de 2027, conforme informou a Superintendência de Obras Públicas (SOP).

O equipamento será denominado Praça Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, em homenagem ao cearense considerado patrono da Engenharia da Aeronáutica e idealizador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Conforme registros da FAB, Casimiro Montenegro Filho nasceu em Fortaleza em 28 de outubro de 1904 e ingressou na Escola Militar do Realengo em 1923, sendo declarado aspirante a oficial do Exército em dezembro de 1928.

Como será a nova praça?

Em resposta ao O POVO, a SOP confirmou que as próximas etapas da obra incluem serviços de pavimentação, urbanização e paisagismo, além da revitalização das áreas verdes e da instalação de um busto em homenagem ao marechal.

Com área aproximada de 4,5 mil metros quadrados, a praça contará com quadra poliesportiva, pista de skate, bicicletário, brinquedopraça, academia ao ar livre e espaços destinados ao lazer e à convivência da população, além de intervenções de urbanização e paisagismo.

A iniciativa segue a linha de outros projetos recentes do Governo do Ceará, como o Parque Dom Aloísio Lorscheider e o Polo Esportivo e Cultural do VLT Aeroporto, voltados à promoção da qualidade de vida por meio da requalificação dos espaços urbanos.

Transformação da área começou em 2020

A transformação da antiga vila militar da Força Aérea Brasileira (FAB), na avenida Borges de Melo, não é recente.

Em novembro de 2020, O POVO noticiou o início da demolição de parte do conjunto de residências de oficiais da Aeronáutica, após a cessão da área pela União ao Governo do Ceará para a implantação do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp).

Na época, os imóveis já estavam desocupados havia cerca de oito meses em razão da redução do contingente da Base Aérea de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Cidades. p.15


 

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