segunda-feira, 18 de maio de 2026

PARABÉNS À TRICENTENÁRIA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Acordou ainda bêbado na calçada da Rufino de Alencar, ao lado da Catedral. "Égua, tornei logo no espaço entre o Pajeú e a fortaleza, marcos da construção desta Cidade". O sol começava a dar timidamente as caras, furando as nuvens então grávidas de chuva. Centro vazio por causa do feriado, ele então se deu conta da efeméride: "Macho, tu é doido, 13 de abril de 2026, Fortaleza faz 300 anos hoje!". Levantou-se do imundo chão e foi dar início ao dia. O silêncio nos seus ouvidos foi dando lugar a um alarido cada vez mais alto à medida que se aproximava da Travessa Crato. Vislumbrou uma porção de gente aboletada nas mesas do Raimundo do Queijo. Apressou o passo, atravessou a Conde D'Eu na carreira, quase sendo atropelado por um táxi, e foi se juntar à barulhenta patota.

Para seu espanto, numa mesa o capitão-mor Manuel Francês, o padre João de Mattos Serra e Dom João V discutiam asperamente com Pero Coelho, Martim Soares Moreno e Raimundo Girão sobre a data correta da criação da Cidade. Noutra távola, Liberal de Castro, Fausto Nilo, Delberg Ponce de Leon e um certo arquiteto ligado ao patrimônio mais discordavam do que concordavam quanto ao futuro da semente que nasceu à sombra dos muros do forte. Outro grupo, formado por Juarez Leitão e Virgílio Maia pela Academia Cearense de Letras e Nirez e Clélia Lustosa pelo Instituto do Ceará debatiam sobre o melhor lugar para se comemorar o aniversário de Fort City, sendo apartados a todo instante por Abelardo Montenegro, que foi integrante das duas vetustas instituições culturais.

"Lai vai, doido, que diabo é isso?! Os mortos abandonaram seus túmulos para vir para cá bater boca com os vivos?! Arrocha, macho!", disse de si para consigo, incrédulo. Outra roda, formada por Lúcio Brasileiro, Gerard de Sangerie e Adília de Albuquerque, comentavam sobre o traje mais adequado para ser usado no evento festivo. Sentados no batente, Belchior, Ednardo e Fagner brigavam pelo título de artista que melhor cantou Fortaleza, sendo aparteados a todo momento por Marcelo Renegado e Tarcísio Sardinha. Enquanto Lira Neto, Paulo Linhares e Otacílio Colares riam da confusão, Lúcio Alcântara, Juraci Magalhães, Roberto Claudio e Álvaro Weyne disputavam o mérito de melhor alcaide local. A turma do Seu Raimundo, Erasmo Pitombeira à testa, tomava seu lauto café da manhã.

De repente, estoura um sururu dos diabos. Torcedores do Ceará, abraçados com Gildo, Tiquinho e Vina, trocavam sopapos com seus rivais leoninos que traziam Croinha, Amilton Melo e Brítez nas cacundas. A escaramuça só terminou quando alguém propôs que todos cantassem os parabéns para a feliz aniversariante e dividissem o bolo de 300 quilos que Burra Preta e Zé Tatá carregavam. Acordou aos gritos, desta vez de verdade. "Fortaleza, Loura desposada do sol, cidade insubmissa (mas que vota em político ressentido e que joga lixo na porta da prefeitura), dádiva do vento, filha do algodão, desigual, injusta, violenta, retrato fiel da Belíndia, capital da gambiarra e do improviso, mesmo assim eu te amo pois me aceitaste como filho teu", gemeu alegre e triste. "Grato por mais um dia".

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/04/26. Vida & Arte. p.2.


A ASCENSÃO DIGNIFICA-NOS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

A celebração da Ascensão do Senhor culmina o processo do resgate amoroso de Deus de suas criaturas e, em especial, de quem Ele fez com Suas próprias mãos e soprou-lhe Sua imagem e semelhança.

O Filho nasceu no seio de uma família, deu-Se a todos sem acepção de pessoas e sem opções privilegiadas, acolheu a fé dos que nEle creram, foi morto no patíbulo da cruz pelas garras do poder usurário, injusto e usurpador e ressuscitou, após três dias. Este, o mistério do amor incondicional de Deus por todos e por cada um de nós.

Temos o presente de Deus: “Filius datus est nobis”. (Um Filho nos foi dado).

Temos a missão do Filho: “Ecce Agnus Dei, qui tollit peccata mundi”. (Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo)

Temos a prova do amor incondicional de Deus: “Ecce lignum crucis in quo pependit salus mundi”. (Eis o lenho da Cruz, do qual dependeu salvação do mundo).

Temos a consagração da garantia plena e total: “Christus ressurrexit, sicut dixit”. (Cristo ressuscitou, como disse).

Após a consumação do Plano de Deus “Consummatum est” (Tudo está realizado), em grego “Τετέλεσται”, o Filho Ressuscitado passa quarenta dias fortalecendo, enriquecendo e complementando o ensinamento divino “Quod Ego facio, tu nescis modo: scies autem postea”. (O que faço não compreendes agora; saberás mais tarde).

Restava agora o coroamento da dignidade humana, ante a infinita amorosidade de Deus: Jesus, o Filho Salvador, ascende aos céus e, com Sua humanidade, assenta-se à direita do Pai. Jesus, não só nos leva aos céus, Ele nos eleva a dignidade perdida; na Sua Ascensão, Ele nos incendeia’ o coração e acende e faz arder a fé: “Eius Ascensio restituit dignitatis nostrae plenitudinem”. (Sua Ascensão restituiu nossa plena dignidade).

Ao ascender aos céus, Jesus faz-nos uma ‘intimação’ tão precisa, tão transparente e tão rigorosa, quanto amigável:

Homens da Galileia, por que ficais parados, olhando para o céu?  Ele virá do mesmo modo que O vistes subir para o céu.” (cfe. At 1,11).

Recebereis o poder do Espírito Santo para serdes Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria e até os confins da terra.” (At 1, 8).

Toda autoridade Me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos Meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei e estarei convosco até o fim do mundo.” (cfe. Mt 28, 19).

Para todos nós, cristãos, eis duas mensagens: não ficar parado, mas crescer na fé, na caridade, no amor, pois o céu não se conquista com olhares, senão com o testemunho vívido do Evangelho; a segunda é a certeza da Parusia, aliás, o lençol dobrado no túmulo já o anunciara.

Para a Igreja, Jesus define, claramente, sem rodeios nem ambiguidades, a sua missão.

Dominus vobiscum, (O Senhor esteja convosco) diz o sacerdote e o povo responde Et cum spiritu tuo (E com teu espírito). A mutualidade partilhada da oração irmana sacerdote e fiéis.

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/05/26.

domingo, 17 de maio de 2026

POSSE DA XXV DIRETORIA DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA

Mesa diretora da solenidade de posse da XXV Diretoria da ACM em 15/05/26. (Foto cedida pela Acada. Sara Lúcia F. Cavalcante).

A Academia Cearense de Medicina (ACM) efetuou na noite de 15/05/2026, no Auditório Reitor Martins Filho da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), a solenidade de posse da sua nova diretoria, para o biênio 2026-28, que terá na sua Presidência o Acad. Ivan de Araújo Moura Fé, substituindo o Acad. José Henrique Leal Cardoso.

Comportou ao Acad. José Henrique Leal Cardoso empossar e passar o colar presidencial ao novo presidente, após o que o presidente recém-empossado nomeou e deu posse aos componentes da nova Diretoria Executiva e do respectivo Conselho Fiscal.

Na oportunidade, a ACM realizou a posse do seu membro honorário Hugo Santana de Figueiredo, ilustre e conceituado oftalmologista radicado no Cariri cearense, que foi recepcionado, em nome do sodalício, pelo Acad. Vladimir Távora Fontoura Cruz, seu colega de turma médica e proponente da concessão desse título acadêmico. Em seguida, cumprindo o ritual de posse, o Acad. Hugo Santana de Figueiredo pronunciou o seu discurso de agradecimento permeado de caras lembranças da sua trajetória de vida profissional.

O evento foi conduzido de forma exitosa pelo cerimonialista Acad. João Martins de Souza Torres, consoante protocolo cuidadosamente por ele elaborado.

Após o término dos trabalhos, a ACM e o Acad. Hugo Santana de Figueiredo proporcionaram aos acadêmicos e seus convidados um coquetel de congraçamento nos jardins da Reitoria da UFC.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


O AMOR QUE VENCE A MORTE

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

A Páscoa é o coração da fé cristã. Não é apenas uma data no calendário litúrgico nem a lembrança de um fato do passado. A Páscoa é um acontecimento vivo, permanente, que atravessa os séculos e alcança cada ser humano em suas dores, medos e esperanças. Celebrar a Páscoa é proclamar que a morte não tem a última palavra, que o sofrimento não é definitivo e que Deus permanece fiel até o fim.

Desde o Antigo Testamento, a Páscoa está ligada à passagem: passagem da escravidão para a liberdade, da opressão para a terra prometida. Em Jesus Cristo, essa passagem atinge sua plenitude. Ele atravessa a morte e abre para toda a humanidade um caminho novo. Como afirma São Paulo: "Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa fé" (1Cor 15,14). Não se trata de um detalhe da fé, mas de seu fundamento.

A Páscoa nos revela quem é Deus: não um Deus distante ou indiferente, mas um Deus que entra na história, sofre conosco, morre por amor e ressuscita para nos devolver a vida. A ressurreição não apaga a cruz, mas dá sentido a ela. O Ressuscitado conserva as marcas dos cravos, mostrando que o amor vivido até o extremo não é destruído, mas transfigurado.

O túmulo vazio é um sinal aberto. Ele aponta para algo maior: Jesus não está mais entre os mortos porque Deus agiu. Como diz o anjo: "Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?" (Lc 24,5).

Quantos de nós carregamos sepulcros interiores - medos, culpas, desesperanças? O sepulcro vazio nos provoca a sair. Não é um lugar para permanecer, mas para partir em missão. A Páscoa nos tira das seguranças, das certezas fechadas, e nos envia a anunciar que a vida venceu.

A Igreja sempre afirmou com clareza: a ressurreição de Jesus não é metáfora nem símbolo psicológico nem simples continuidade da memória dos discípulos. Trata-se de um acontecimento real, histórico, mas que ultrapassa a história. O corpo de Jesus ressuscita, porém não volta à vida biológica como Lázaro. Ele entra numa condição nova, glorificada.

Celebrar a Páscoa não é apenas afirmar que Jesus ressuscitou, mas permitir que Ele ressuscite em nós. Cada vez que escolhemos a vida, o perdão, a reconciliação, a justiça, participamos da dinâmica pascal.

A ressurreição nos ensina que Deus age mesmo quando tudo parece perdido. Quando a pedra parece pesada demais, quando o túmulo parece definitivo, Deus já está trabalhando no silêncio da madrugada. A Páscoa nasce no escuro, antes do sol aparecer.

Como Igreja, somos chamados a ser sinais de ressurreição num mundo marcado por tantas mortes: físicas, emocionais, sociais e espirituais. Onde há exclusão, somos chamados à comunhão. Onde há desespero, à esperança. Onde há cruz, a anunciar que ela não é o fim.

A essência da Páscoa cabe numa simples proclamação: Ele vive. E porque Ele vive, a vida tem sentido, a dor não é absurda e o amor não é em vão. O túmulo vazio não é um ponto final, mas um começo.

Cristo ressuscitou. Verdadeiramente ressuscitou. Aleluia! Feliz e abençoada Páscoa!

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 18/04/2026. Opinião. p.22.

sábado, 16 de maio de 2026

II Encontro Científico da Academia Cearense de Medicina

Em 13 de maio de 2026, no Auditório Central da Universidade Christus (Unichristus), aconteceu o II Encontro Científico da Academia Cearense de Medicina (ACM).

Após a composição da mesa de abertura dos trabalhos, que contou com a representação de importantes entidades médicas e de ensino, a programação foi iniciada com o discurso de saudação proferido pelo presidente da ACM José Henrique Leal Cardoso.

Em seguida, o Acad. Anastácio de Queiroz Sousa discursou em homenagem ao Presidente de Honra do evento, o Acad. Emérito Dr. Elias Giovane Boutala Salomão traçando esmiuçada e alentada biografia do homenageado. O Dr. Elias Boutala, bastante sensibilizado com a honraria concedida pela ACM, agradeceu com palavras tocantes, gerando emoção entre os presentes e produzindo calorosos aplausos de reconhecimento da audiência.

Desfeita a mesa de abertura, o programa científico começou com um ciclo de conferências, intitulado “Panorama Nacional e Estadual das Escolas Médicas”, sob a coordenação da Dra. Inês Tavares Melo, atual presidente do CREMEC, que teve como conferencista os Drs. Margareth Dalcolmo (Academia Nacional de Medicina), Estevam Rivello (Conselho Federal de Medicina), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (Academia Cearense de Medicina) e Edmar Fernandes (Sindicato dos Médicos do Ceará).

Após o intervalo, completando a programação da manhã, teve um ciclo de conferências, denominado “Experiência das Escolas com Nota Cinco no Enamed”, com a coordenação do Dr. Ivan de Araújo Moura Fé, atual vice-presidente da ACM, do qual participaram como expositores José Lima Rocha (Unichristus), João Macedo Coelho Filho (Universidade Federal do Ceará) e Sheila Maria Fontenele (Universidade Estadual do Ceará).

O turno da tarde constou, inicialmente, do ciclo de conferências “Novas Estratégias Metodologias de Ensino e Aprendizagem”, coordenado pela Acada. Sara Lúcia Ferreira Cavalcante, tendo por conferencistas os médicos e professores José Batista (Universidade Federal do Ceará), Luiz Gonzaga de Moura Jr. (Unichristus) e Verônica Freitas (Universidade de Fortaleza).

O II Encontro Científico da ACM foi encerrado com o “Simpósio Entre as Escolas Médicas do Ceará”, coordenado pelo Acad. Arruda Bastos, tendo por debatedores Marcelo Gurgel Carlos da Silva (Universidade Estadual do Ceará) e Edmar Fernandes (Sindicato dos Médicos do Ceará).

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


O QUE ACONTECEU?

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Normalmente não assisto TV aberta. Prefiro selecionar conteúdos sob demanda e, assim, construir um conjunto de informações mais equilibrado, contemplando visões diferentes e, muitas vezes, até discordantes entre si. No entanto, nas últimas semanas, percebi uma mudança de direção nos editoriais da grande mídia.

O que, até pouco tempo atrás, era tratado como ataque ao Judiciário e à democracia, passa agora a ser apresentado sob a antiga e apropriada perspectiva da liberdade de imprensa. Na realidade, nunca se tratou de ataque, mas de críticas, algo essencial em qualquer sociedade democrática.

Fico satisfeito em perceber o retorno de um jornalismo mais firme, combativo e investigativo, comprometido com a apresentação honesta dos fatos. Quando os diferentes lados de uma notícia são expostos com clareza, todos ganham.

Em momentos recentes, aplausos foram direcionados ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, mesmo diante de decisões controversas, como prisões e condenações severas, além de medidas monocráticas que atingiram jornalistas e cidadãos comuns por manifestações de pensamento divergente. Esse cenário levanta reflexões importantes sobre limites, equilíbrio e responsabilidade institucional.

Não se trata de direita ou esquerda. A polarização sempre existiu e continuará existindo. O ponto central é a defesa de uma imprensa livre, equilibrada e corajosa, não subserviente a qualquer poder.

A Bíblia afirma que a nossa palavra deve ser "sim, sim; não, não". Isso remete à clareza e à honestidade. É legítimo que o jornalista expresse sua opinião, desde que o faça de forma transparente, distinguindo claramente o que é fato, o que é interpretação e o que é posicionamento pessoal.

A recente cobertura de temas como o Banco Master e o INSS, sem poupar agentes de diferentes espectros políticos, traz um novo fôlego ao jornalismo.

O Brasil precisa, com urgência, de seus jornalistas plenamente ativos: livres, íntegros, investigativos e profundamente comprometidos com a verdade.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 11/04/2026. Opinião. p.20.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 866

Abro a coluna com um frio aperto de mão.

O frio aperto de mão

O deputado baiano mandou cartão de Natal para uma mulher que morrera há muito tempo. A família, irritada, retribuiu: "Prezado amigo, embora jamais o tenha conhecido durante os meus 78 anos de vida terrena, daqui de além-túmulo, onde me encontro, agradeço o seu gentil cartão de boas festas, esperando encontrá-lo muito em breve nestes páramos celestiais para um frio aperto de mão. Purgatório, Natal de 2005." O deputado recebeu a resposta. E espera, angustiado e insone, pelo aperto de mão.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/419404/porandubas-n-866


 

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