sexta-feira, 29 de maio de 2026

Crônica: As dores de cabeça da cobra-de-duas-cabeças ... e outros causos

As dores de cabeça da cobra-de-duas-cabeças

Sábado chuvoso e lá encontramos um exemplar, passeando "apressada" no bananeiral do quintal de seu Zezinho, que "cavava lento" o terreno de semear feijão. Theo, neto observador, pergunta que "bicho era aquele", movendo-se retilineamente. Especialista em tijubinas, piriguás, punarés e cururus, tão-somente, pesquisei ligeiro na Internet e falei que se tratava de "um lagarto sem patas com hábitos subterrâneos".

- Falou um quilo, não entendi "uma" grama, vô! É ver uma minhoca!

- Não é. Essa aí "se move cavando o solo com movimentos musculares anelados, similares aos de uma lagarta"...

- Nem de "largata" eu gosto!!!

- No popular, meu bichim, chama-se "cobra-de-duas-cabeças", alcunhada cientificamente de Amphisbaena.

Em seguida fomos prosear no alpendre da fazenda, matutando sobre o réptil de "corpo cilíndrico e musculoso" que "pode se locomover pra frente ou pra trás, criando a ilusão de ter duas cabeças funcionais". Theo quebrou o silêncio de segundos e, fraternal, expôs, conforme a tenra vivência, o que supunha lógico: a mãe deveria usar duas colheres pra dar a sopa dela - "uma pra cada cabeça". Me abri, dei corda e assuntei, frescando.

- Eu tenho pra mim que são dois bonés que ela usa em dia de sol brabo!

- Vô! Será que uma só vê o sol nascer enquanto a outra só vê o sol se pôr? Ou as duas cabeças da cobra-de-duas cabeças concordam e olham pro mesmo lado?

- Na minha mente olham pro mesmo lado, são amigas. Diferente do bicho homem...

- Então, vô, quando tomam banho, cantam a mesma música, né?

- "A cobra não tem pé / A cobra não tem mão / Como é que a cobra sobe / Num pezinho de limão?"

- Vô, tu num disse que era uma cobra só de agá?!?

Com pouco, falando sério, tornei a pescar no celular que, ao sentir-se ameaçada, "a cobra-de-duas-cabeças levanta tanto a cauda quanto a cabeça, confundindo predadores sobre qual extremidade é a verdadeira". Também aprendi que, apesar da mordida forte, aquela de que falamos não tem peçonha nem oferece riscos graves. "Não ofende um pinto".

Nesse momento, tomado de invulgar espírito moleque, indaguei de mim para comigo, sob o olhar questionador de um Theo - felizmente - ainda desconhecedor dessas coisas de adultos metido a besta, sem graça:

- Se o namorado dela fugir com a minhoca da vizinha, em qual cabeça fica o chifre?

Apracur Duo

Ele ainda existe e é comercializado aos montes. Medicamento antigripal clássico e bastante tradicional, é utilizado há um tempão para o alívio dos sintomas de gripes e resfriados, conhecido que é pela ação combinada - atuando como analgésico, antitérmico e antialérgico. O nome é motivo de gozação pela molecagem aqui de nós. Nem na versão duplamente terapêutica ele escapa da fulerage.

Na casa da septuagenária Rosita Meire, esse comprimido revestido, tiro e queda em caso de "estalicido", sempre foi motivo de gaiatice pelos irmãos. Tanto que a moça velha evitava pronunciar-lhe o nome onde fosse. Certo dia, bem chumbada - e sem ter quem fosse à farmácia pegar uma caixa com 12 comprimidos, ela mesma chegou lá espirrando, se queimando de febre. Com muito esforço e lascada de vergonha ousou perguntar:

- Tem Aprabunda, seu Dedé?

Fala Cearense - edição segunda

Aguar a grama - Fazer sexo.

Precisa só dum pezim! - Carece só dum motivo, pequeno que seja, pra começar uma discussão, uma briga.

Puxe um banco e sente no chão! - Pegue um tamborete e se abanque - sente-se!

Fonte: O POVO, de 24/04/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Exame de Qualificação em Ciências Farmacêuticas (UFC) da Profa. Jaciara Alves

Ocorreu na tarde de ontem (27/05/26), de forma virtual, na Universidade Federal do Ceará, o Exame de Qualificação de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Ceará.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Marta Maria de França Fonteles, Marcos Aguiar Ribeiro, Kilvia Helane Cardoso Mesquita e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, aprovou o Projeto de Tese Desenvolvimento e validação de uma matriz lógica de indicadores para avaliação econômica da assistência farmacêutica básica no Sistema Único de Saúde”, apresentado pela doutoranda JACIARA ALVES DE SOUSA, orientada da Profa. Dra. Marta Maria de França Fonteles.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do Doutorado em Saúde Coletiva- PPSAC UECE


SOBRE A "INÉRCIA COGNITIVA"

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

O título faz alusão às possibilidades da ignorância e do ato de manter -se ignorando, ou seja, desconhecer ou negar os fatos e a realidade, as contradições morais de nossa consciência.

Pois, uma coisa é fato. Ser ignorante pressupõe um desconhecimento da realidade, no aspecto intelectual. Já manter-se ignorando traduz não querer conhecer, ou, simplesmente, gozar do desconhecimento.

Noutro aspecto, Jacques Lacan, psicanalista francês, definiu o termo "a passion for ignorance" baseado em estudos budistas, para descrever como seus pacientes faziam de tudo para não saber a causa do sofrimento, mesmo quando expunham que gostariam de entendê-la. Na psicanálise a ignorância apresenta-se em formas distintas na neurose, na psicose e na perversão. Por Freud enquanto a psicose repudia a realidade, a neurose somente a ignora. Tal fato pude comprovar com uma experiência traumática quando ainda estudante, ao expor, por solicitação da própria família e de especialistas, o estado de um paciente com câncer terminal. Embora o paciente insistisse em conhecer a verdade, sua reação à notícia foi inesperada. Logo pela manhã falava-me das providências de vida e de estar preparado para enfrentar esse momento. Acho, até, que desconfiava do diagnóstico.

Por outro lado, muitas pessoas usam a negação e a ignorância como estratégia diante de verdades inconvenientes e que fogem das suas percepções de realidade, e ainda, como forma de criar cenários fantasiosos.

É fato que a distinção entre o ato de ignorar e o de manter-se ignorando remonta a aspectos morais que transitam entre responsabilidade e inocência. Sobre esse ponto de vista ouvi muitas vezes do meu pai; "quanto mais consciência e quanto mais conhecimento, maior sua responsabilidade social".

Num mundo instantâneo a informação é imediata, mas nem sempre respaldada de veracidade. Os algoritmos são, em si, uma nova forma de envolver, de aculturar e de transgredir valores.

Tudo isso gera ansiedade, e muitos optam por cerrar os olhos, não escutar ou silenciar diante de informações que causam desconforto.

Em tempos de crise, duvidar da verdade pode ser uma atitude cômoda para negar o sofrimento, ou ainda, uma estratégia de manipulação para impedir reações ao "status quo".

Enfim, o termo "inércia cognitiva", parece-nos adequado a um tempo de indiferença ao que é ou não verdade ou real. São os tempos da "post-truth", que, infelizmente, relaciona-se à inabilidade de aprender ou mesmo, a ausência da vontade de conhecer.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/04/2026. Opinião. p.23.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Defesa de Memorial de Dafne Rodrigues para Professor Titular da Enfermagem da Uece

Aconteceu na tarde de hoje, quarta-feira (27/05/26), na Sala 1 do PPCLIS da Universidade Estadual do Ceará - Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da Professor Titular do docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Ana Fátima Carvalho Fernandes (efetivo UFC), Andrea Gomes Linard (efetivo Unilab), Patricia Neyva da Costa Pinheiro (suplente externo) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Lucilane Maria Sales da Silva, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora DAFNE PAIVA RODRIGUES.

Congratulações à professora Dafne Rodrigues, por atingir o topo da carreira universitária consolidada em sua bonita trajetória de vida, marcada por realizações pessoais e profissionais expressivas, que traduzem o seu espírito científico e a sua inestimável devoção ao ensino superior.

Também merecem os parabéns a graduação em Enfermagem e o programa de pós-graduação em Cuidados Clínicos e Enfermgem da Uece, por contarem com a professora Dafne Rodrigues em seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE

Autocuidado e liberdade radical são carne e unha para uma ótima velhice

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Minha amiga Rita me ligou de São Paulo cobrando o artigo que prometi escrever sobre a população velha — aquela não bem-dotada de saberes e recursos para o bem-viver. Disse, mais uma vez, que eu romantizo a velhice, como se os velhos não sofressem e bastasse querer para serem felizes. "E não é bem assim", resmungou.

Hoje, sem ela por perto, mas tentando acalmá-la e entrando na "real" que ela cobra, digo: os velhos no Brasil vivem, sim, o desamparo. Como lembra Alexandre Kalache: "Envelhecer não é tão fácil não". E não é mesmo. Os dissabores da velhice exigem políticas públicas claras e eficazes.

Se volto à história, vejo que, desde o Brasil Colônia, os cuidados com os velhos ficaram muito mais nas mãos da caridade — Santas Casas de Misericórdia e famílias — do que sob o dever social do Estado.

Como mostra Mary del Priore em História da Velhice no Brasil, o envelhecer, por muito tempo, foi vivido à margem de direitos, sustentado mais pela compaixão do que por políticas bem estruturadas. Esse modelo desembocou nos asilos do início do século passado, ainda sob a lógica assistencial.

Foi com a Constituição de 1988 que a proteção à velhice ganhou status de direito. Vieram, depois, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, a Política Nacional da Pessoa Idosa e o Estatuto da Pessoa Idosa. Em tese, deixamos de ser objetos de cuidado para nos tornarmos sujeitos de direitos.

Mas que direitos são esses, Rita, se as calçadas daqui seguem como pistas de trekking impossíveis a velhos? Se espaços públicos — como a nossa Beira-Mar, construída com pistas exclusivas para pedestres — são tomados inescrupulosamente por bicicletas, skates e patins, com seus proprietários deslizando a altas velocidades e colocando em risco quem apenas quer caminhar? Esse descaso tem nome: idadismo institucional disfarçado.

Diante desse cenário, para amenizá-lo, trago o que considero o ponto mais "top" do envelhecer hoje: a política pessoal.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/04/2026. Ciência & Saúde. p.16.

terça-feira, 26 de maio de 2026

EMPREENDEDORISMO E BENEFÍCIO SOCIAL

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Inovação é a implementação de novas ideias, produtos, serviços ou processos que geram valor, melhoram a eficiência e resolvem problemas. Não se trata apenas de inventar, mas de aplicar a criatividade para criar impacto econômico e social. Dois grandes pensadores austríacos do século XX trazem conceitos convergentes e complementares sobre o tema. Joseph Schumpeter definiu a inovação como o motor do desenvolvimento econômico por meio da "destruição criativa". Já Peter Drucker compreende a inovação como um processo de busca por oportunidades planejadas, voltadas ao empreendedorismo e aos benefícios sociais.

O Ceará é o estado da inovação. Aqui, ampliamos a capacidade energética e atraímos empresas graças a esse potencial inovador e empreendedor. Somos hoje um dos principais hubs tecnológicos e de conectividade do Brasil. Isso se deve a nossa posição estratégica como ponto de chegada de cabos submarinos, aliada à instalação de data centers. Esses fatores vêm promovendo uma profunda transformação digital.

A predileção dos investimentos em data centers está relacionada não apenas com a concentração global de cabos submarinos, mas também com a capacidade articuladora do governador Elmano de Freitas em atrair esses investimentos. Somada a isso, está a atuação da Secretaria de Planejamento e Gestão, por meio do Programa Ceará Mais Digital, com respaldo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que envolve o investimento de US$ 31 milhões.

Nesse cenário, o Ceará figura como o segundo ponto focal dessas conexões que atravessam os oceanos, atrás somente de Shima, no Japão. Essa infraestrutura conecta o Brasil a América do Norte, Europa e África, tornando a cidade estratégica para empresas de tecnologia interessadas em baixa latência e alta conectividade.

O Cinturão Digital, iniciado na gestão do ex-governador Cid Gomes, alcançou, no Governo Elmano, mais de 6 mil quilômetros de extensão, abrangendo os 184 municípios do Estado. Com o objetivo de ampliar a conectividade, o Governo do Ceará lançou o Programa 5G Rural, que prevê a implantação de mil torres com a tecnologia 5G em até quatro anos. Neste ano, já serão instaladas 300 torres, promovendo inclusão digital no campo, pois o Ceará é um só.

A digitalização de matrículas escolares, os sistemas integrados de saúde pública e as plataformas de gestão pública são exemplos concretos de inovação voltada ao benefício social. Em 2026, 92 mil alunos fizeram a matrícula on-line, evitando deslocamentos e reduzindo custos de transporte para as famílias.

Este é o verdadeiro sentido da inovação: implementar novas ideias, gerar oportunidades, reduzir desigualdades e garantir que o desenvolvimento chegue a todos os cearenses. 

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 16/04/26. Opinião. p.21.


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Defesa de Tese em Saúde Coletiva (Uece) de Francisco Valdicélio Ferreira

Aconteceu na manhã de hoje (25/05/26), de forma emota via Meet, mais uma defesa de tese do Doutorado em Saúde Coletiva do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) da Uece.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Helena Alves de Carvalho Sampaio (Uece Orientadora), Virginia Visconde Brasil (UFGO), Katarinne Lima Moraes (UnB), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (Uece), Clarice Maria Araújo Chagas Vergara (Uece), Ana Suelen Pedroza Cavalcante (Uece suplente) e Soraia Pinheiro Machado (Uece suplente), aprovou a Tese “Organização letrada em saúde: validação de ferramenta de autoavaliação e estudo multicêntrico”, apresentada pelo doutorando FRANCISCO VALDICÉLIO FERREIRA.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do Doutorado em Saúde Coletiva PPSAC-UECE


 

Free Blog Counter
Poker Blog