sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras"

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Realizado no dia 30 de julho de 2026, às 19h, na sede da Sociedade Cearense de Pediatria (Socep), à Rua Maria Tomásia, 701 – Aldeota, em Fortaleza-CE, o lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras".

A obra é uma edição comemorativa aos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, a qual se uniu nesta iniciativa à Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Ceará, no compromisso comum de preservar a memória daqueles que dedicaram suas vidas aos cuidados das crianças e dos adolescentes em nosso Estado.

Apresentação, por Maria Sidneuma Melo Ventura

Prefácio, por João Cândido de Souza Borges

Autores: (Maria Sidneuma, João Borges e Marcelo Gurgel) e Coautores: (15)

Parte I - História e Evolução da Pediatria no Ceará 

Parte II - A Pediatria do Ceará em Livros

Parte III - Pediatras Atuantes no Ceará

Parte IV - Entrevistas com Pediatras Cearenses, conduzidas por Clara Studart e revisadas por Mirna Gurgel

Parte V - Apêndices e Anexos

Pósfacio, por Marcelo Gurgel Carlos da Silva 

Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2026

260p. Capa dura

ISBN: 978-85-420-1973-5

Obs.: Preço: R$ 100, 00 (cem reais), à venda na Socep.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Nova’Acts em 13/08/2026.

https://airblog-pg.blogspot.com/2026/08/1480-lancamento-do-livro-pediatria-no.html


Crônica: O lambedor ... e outros causos

O lambedor

A amiga Baixinha é conhecida internacionalmente no Jardim das Oliveiras por preparar o mais potente lambedor que se tem notícia no Ceará, de verdade. Orgulhosa de seu lambedor caseiro (xarope à base de agrião, malva-santa, "pepaconha", mastruz e demais ervas medicinais cozidas com mel, em alquimia que só ela sabe a receita), a querida Baixinha se gaba de já haver curado muita alergia e coqueluche pelaí.

- Meu lambedor já chegou à Inglaterra! Curou tosse braba de muito gringo! Sem falar de gente daqui do Brasil! Nada de gororoba de farmácia, meu lambedor é naturalmente milagrento!

Essa notícia maravilhosa me remeteu a um tio segundo - tio Manezinho, de meu pai, morador da Barra do Ceará. Ele tinha um cachorro pé duro com esse nome - "Lambedor". Estivemos na casa dele, ao lado do campo do Ferrim, num sábado à tarde, e enfim entendemos o porquê de tão doce e curativo nome - do cachorro. Lá estava o tio de papai refestelado na cadeira de palhinha e, deitado aos seus pés, o dito cachorro, diligente. Lambia-lhe solene, com gosto de gás, a ferida braba de sua canela, ao tempo em que espantava tudo que era mosquito em redor. Papai, horrorizado, deu um pulo e gritou:

- Tí Manezim, o Lambedor!!!!!!

- Peça uma colherada na cozinha à sua tia!

Português nós sabe...

Das Chagas, me confidenciou Paulo Marcelo (O Bigode), queria porque queria estudar Espanhol nas Casas de Cultura Estrangeira da UFC. E fez uma redação à direção, explicando os motivos da escolha do idioma castelhano de Cervantes. Passada uma semana, pegou o Campus do Pici/Unifor e foi bater no Benfica, pra saber o resultado de seu requerimento. Lá chegando, guiando-se pelo waze, a placa dizia em letras garrafais: "Casa de Cultura Hispânica".

Lendo aquilo, deu meia volta, decepcionado. Em casa, já, a mulher indaga de um marido claramente chateado com o que houve. Ele...

- Cacei, cacei e cacei hispanha e hispanhol e num vi nada disso por lá. Nããã!

O querido amigo é o mesmo que, certa vez, perguntado sobre a árvore "seringueira", respondeu que era a que dava "seringuela'.

Para admissão imediata

O empreendedor Jota Crocodilo (exportador de dindin light) está precisando dos seguintes profissionais - levar referências:

- Secador de cueca na base do assopro.

- Caçador de cururu escovado em beira de lagoa.

- Narrador de enterro de sogro enjoado.

- Descamador de peixe com as unhas.

- Animador de briga de galo.

- Comentarista de enterro.

- Analista de cururu enfezado.

- Instrutor de fie duma égua.

- Professor de natação em bacia.

- Decorador de cerca de arame farpado.

- Manicure de quiromante...

Novo cearensês

Água quebrada a frieza - Água tépida, no ponto exato de dar um banho - em criança.

Precisa só dum pezinho... - Basta um empurrão pruma briga, carece de pouca coisa para começar - a confusão, a briga...

Tirar a suja - Dar uma desculpa esfarrapada.

De testa - Frente a frente, misturando os bigodes.

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A ILUSÃO NO CLIQUE: o custo social das bets

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

No Brasil de hoje, bares, calçadas ou pontos de ônibus exibem o brilho de telas de celulares com gráficos coloridos, foguetes que sobem, promessas de multiplicação instantânea de dinheiro das chamadas "bets". Elas passaram de entretenimento para um problema de urgência social, econômica e de saúde pública, ocupando, com uma velocidade impressionante, espaço no cotidiano de uma população já endividada e pouco alertada para os riscos sobre o orçamento doméstico.

Dados recentes de pesquisa realizada pela CNC, estimam em 81,6% o número de famílias endividadas, 29,7% com atraso e 12,3% sem condições de quitação. Esse recorde histórico, não admitindo mais protelações.

A demora já favoreceu o caminho para aquele clique, que cria um momento lúdico, mas, na realidade, torna o cidadão um possível viciado, com a ilusão do ganho fácil, desde que persevere. "Insista, persista, não desista. O seu dia chegará", já dizia velho bordão da Loteria Cearense.

Contudo, o problema não é o jogo em si, mas o dinheiro da bodega, da conta de luz ou do mercantil do mês, canalizado para a ilusão do ganho fácil. Números do Banco Central indicam que os recursos transferidos via Pix para plataformas de apostas - hoje na casa das 200 legalmente estabelecidas -, podem chegar a R$ 30 bilhões mensais e, mais grave, análises amostrais apontam para que 5 milhões de  teriam destinado, em um mês, cerca de R$ 3,0 bilhões para essas plataformas.

Não é de estranhar que os varejistas cearenses já se ressintam da perda de fôlego do consumo básico, porquanto a renda que circularia no comércio do bairro, por exemplo, está sendo desviada para essas plataformas e distribuída não se sabe exatamente para onde.

O debate sobre a regulamentação, com regras de publicidade, tributação e mecanismos de identificação de perfis de risco, já tardio, da burocracia estatal, em ritmo de tartaruga versus a velocidade do clique. Devemos tratar o superendividamento por apostas não como um desvio de caráter, mas como um problema de saúde coletiva— a ludopatia.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Opinião. p.18.


QUANDO O GLOBAL ENCONTRA O LOCAL

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Para além dos territórios nacionais, as políticas educacionais contemporâneas circulam globalmente. Neste cenário orientações de organismos internacionais com foco em direitos, inclusão, equidade e sustentabilidade convivem com políticas de avaliação externa e controle de resultados, fenômeno que alguns estudiosos têm denominado de "datificação". Essas ideias, nem sempre convergentes, atravessam fronteiras e chegam às mais diferentes realidades, incluindo as escolas.

Ao aportar no Brasil, tais iniciativas ganham relevo. O país, entretanto, nunca foi um terreno de simples reprodução de políticas. Nosso sistema federativo constitui uma realidade complexa onde União, Estados e Municípios compartilham responsabilidades e preservam margens de autonomia.

Assim, no âmbito local, as políticas globais são apropriadas, negociadas e recriadas. A homogeneidade de formulações globais perde terreno para a heterogeneidade de políticas locais em ambientes marcados por tensões e contradições.

Seus avanços educacionais resultam de políticas locais consistentes de cooperação, avaliação e fortalecimento das redes municipais. As iniciativas, contudo, não chegam a todos os municípios da mesma forma. Embora compartilhem diretrizes comuns, estes constroem caminhos próprios, definem prioridades distintas e inventam diferentes formas de governar a educação.

Em alguns casos, traços do velho clientelismo persistem e imprimem marcas a políticas supostamente novas. Pesquisa recente sobre o tema, cujos resultados estão reunidos no livro "Desafios da Educação na Região Metropolitana de Fortaleza", permitiu perceber que não existe uma única experiência metropolitana, mas múltiplas formas de traduzir orientações comuns em políticas concretas.

A heterogeneidade é, pois, incorporando sentidos tanto das políticas globais quanto da singularidade de suas invenções. A experiência do Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), que o Ceará vem exportando para o mundo, é uma evidência virtuosa do encontro entre o global e o local

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Opinião. p.18.


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

INFORMAÇÃO NÃO É SABEDORIA

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Uma leitura recente do economista e escritor americano Thomas Sowell levou-me a uma reflexão que parece cada vez mais atual. Vivemos a era da inteligência artificial, da informação instantânea e da abundância de dados. Nunca foi tão fácil saber. Paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil compreender.

Em Os Intelectuais e a Sociedade, Sowell distingue conhecimento de sabedoria. Os intelectuais - os chamados "ungidos" - acumulam informações, formulam teorias e influenciam o debate público. Mas isso não os torna, necessariamente, sábios. A sabedoria nasce quando o conhecimento é temperado pela experiência, pela humildade e pelo compromisso com o bem comum. Seu oposto não é a ignorância, mas a insensatez. Da mesma forma, a inteligência pode sucumbir à estupidez quando perde a capacidade de reconhecer os próprios limites.

A história é pródiga em teorias defendidas com fervor, muitas delas apresentadas como verdades definitivas que acabaram desmentidas pelo tempo. Ainda assim, seus formuladores permanecem reverenciados, como se a eloquência pudesse substituir a evidência. O progresso do conhecimento nunca foi linear; sempre dependeu da disposição de revisar certezas.

A questão que se impõe é outra: a revolução tecnológica tornará o debate público mais racional? Seremos mais capazes de ouvir, ponderar e mudar de opinião diante dos fatos? Ou caminharemos para uma sociedade dividida entre certezas absolutas, onde qualquer discordância é tratada como ameaça?

A informação é indispensável ao desenvolvimento humano. Contudo, isolada do contexto e da reflexão crítica, ela pode produzir exatamente o efeito contrário. Em vez de aproximar, separa; em vez de esclarecer, confunde. Narrativas simplificadas encontram terreno fértil quando oferecem respostas fáceis para problemas complexos. E, na velocidade das redes, emoções costumam viajar mais rápido que evidências.

Enquanto continuarmos a rotular pessoas antes de examinar argumentos, pouco avançaremos. Crenças não são artigos de fé imutáveis. Diferentemente dos gostos pessoais, elas devem estar abertas à revisão sempre que novas evidências surgirem, sobretudo quando dizem respeito aos fatos e às relações de causa e efeito.

Decidir bem exige mais do que informação. Exige método, espírito crítico, capacidade de verificar, responsabilidade intelectual e, sobretudo, humildade para admitir o erro.

Lembro-me, então, de uma frase de um antigo professor: "O céu é longe", assim como a caminhada rumo à sabedoria. Ainda habitamos um mundo de opiniões apressadas e certezas frágeis, frequentemente sustentadas mais pela convicção do que pela razão.

Talvez por isso permaneça tão atual a observação de Bertrand Russell: "O problema do mundo é que os estúpidos têm plena convicção, enquanto os inteligentes são cheios de dúvidas." Em tempos de excesso de informação, talvez a virtude esteja em cultivar a dúvida honesta, aquela que não enfraquece o pensamento, mas o torna mais livre e mais próximo da verdade.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/07/2026. Opinião. p.23.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Defesa de Memorial de Lucilane Maria Sales da Silva para Professora Titular da Enfermagem da Uece

Ocorreu na tarde de ontem, segunda-feira (10/08/26), no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará - NUTEE/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da professora Lucilane Maria Sales da Silva, docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Ana Karina Bezerra Pinheiro (efetivo UFC), Patrícia Neyva da Costa Pinheiro (efetivo UFC), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno) e Joselany Afio Caetano (suplente externo), tendo por secretária a Profa. Dra. Dafne Paiva Rodrigues, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora LUCILANE MARIA SALES DA SILVA.

Congratulações à professora Lucilane da Silva, por alcançar o topo da carreira universitária, acadêmica em seu exitoso caminhar, pontuado por marcos pessoais e profissionais expressivos, que revelam o seu vigor científico e a sua valorosa contribuição ao ensino superior.

Também dignos de parabéns estão a graduação em Enfermagem e os programas de pós-graduação da área da Saúde Coletiva da Uece, por terem a professora Lucilane da Silva em seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


CLÃDESTINOS

Por Pedro Salgueiro, cronista de O Povo

Uma novíssima publicação de literatura e artes foi lançada em nossa "Loirinha-descabelada-pelo-sol": Contos, crônicas, ensaios, poemas, décimas, aldravias, canções, fotos e encARTEs de 23 convidados integram a edição inaugural da Clãdestinos (A revista oficial da Academia Cearense de Médicos Escritores - Acemes - foi lançada dia 13 de maio, no Palácio da Luz - Academia Cearense de Letras, com apresentação do escritor Juarez Leitão).

A publicação que chega tem periodicidade prevista para ser anual, e, segundo o editor, médico e escritor Fernando Siqueira Pinheiro, a ideia da Clãdestinos é ser um espaço para divulgação "de nossa rica e pungente produção artística e literária, destacando nomes consagrados e revelando novos talentos dessa nossa gloriosa província de Alencar".

A revista tem 84 páginas e seis encARTEs. São produções literárias de Pedro Salgueiro, Carlos Augusto Viana, Fernando Siqueira Pinheiro, Sérgio Telles, Daniel Mazza, Ana Márcia Diógenes, Dimas Macedo, Paulo Elpídio de Menezes Neto, Lia Leite, José Leite Jr, Romeu Duarte, João Macedo, Assis Ximenes, Karla Cavalcante e Geraldo Bezerra.

Algumas obras artísticas estão dentro da revista, como as de José Guedes, que tem participação especial com a tela Lúcio; e as fotos intituladas Descaminhos, de Leopoldo Kaswiner. Os demais encARTEs têm a base picotada para facilitar a retirada, caso o leitor queira emoldurar. E trazem produções artísticas de Virgílio Maia, Elberty Oliveira, Isaac Furtado e Sônia Figueiró.

O número 1 da revista traz ainda uma entrevista com o cantor e compositor Raimundo Fagner e a seção "A biblioteca dos Acadêmicos", que contemplou a biblioteca Labirinto, do médico e ex-governador Lúcio Alcântara. A cada edição outros espaços irão se somar.

A revista, com capa em verniz e papel couchê, tem projeto gráfico, ilustrações e a maioria das fotos de Glauco Sobreira. A foto da capa é de Leontino Eugênio. O conselho editorial da revista é formado por: Carlos Augusto Viana, Fernando Melo, Glauco Sobreira, Isaac Furtado, João Macedo, Luiz Moura e Walter Miranda.

O editor, Fernando Siqueira Pinheiro, esclarece:

"A proposta de uma publicação anual na forma de uma revista tradicional de literatura sob os auspícios da Acemes me foi feita pelo amigo médico, escritor e artista plástico Glauco Sobreira. A ideia seria produzir algo livre abrangendo todas as formas de expressão literária, com os participantes escolhidos a convite pelo conselho editorial e sempre procurando imprimir um modelo arrojado e transformador. Não sei dizer ao certo como cheguei ao título Clãdestinos. É sempre complicado tentar mapear os caminhos da nossa imaginação. Talvez tenha vindo desta natureza indisciplinada que há em todo artista, algo que nasce assim sem explicação e à margem das normas. Neste sentido, posso dizer, portanto, que toda arte é clandestina, surge antes de ser aceita, incomoda antes de ser celebrada e diz quase sempre o que o discurso oficial silencia. Claro que há também aqui uma explicita homenagem ao Grupo CLÃ, que em meados do século passado reuniu o que tínhamos de melhor do ponto de vista intelectual e que foi responsável por um dos mais importantes movimentos culturais do nosso estado".

Fonte: O POVO, de 10/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Pedro Salgueiro. p.2.


 

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