sexta-feira, 13 de março de 2026

Crônica: “O Ceará é que nem cuscuz - só presta molhado; seco, entala!” ... e outro causo

“O Ceará é que nem cuscuz - só presta molhado; seco, entala!”

A frase-título dessas mal traçadas linhas é da lavra criativa e bem-humorada do saudoso Hilton Cortez, pai do querido primo Helder Cortez, e me foi repassada pelo cedrense deputado Deassis Diniz. A Filosofia bem ilustra a bênção desse fenômeno divino chamado “chuva”, que pro povo aqui de nós é tudo e mais alguma coisa abaixo das nuvens. É chover e o mundo transmudar. Demócrito Dummar, contou-nos o amigo Demitri Túlio, dizia, com regozijo: “Eu não perco uma chuva”!

Chuva - oração que cai em forma de alegria, aguando esperança - remete a fraseados e terminologias que, em cearensês castiço, animam demais grandezas:

- Adivinhando chuva – Dando sinais de que vai chover.

- Ano bom – Ano de bom "inverno", de chuvas regulares.

- Bonito pra chover – Tempo meteorológico propício à pancada de chuva.

- Pau-d’água – Chuva forte. Mesmo que pé d’água.

- Saprico – Salpico, neblina ("librina"), chuva fina.

- Sereno – Chuva fina, chuvisco, garoa - a umidade da noite e da madrugada.

- Formiga de chuva – Formiga que tem asa - "siriri".

- Chuviscar – Neblinar (‘librinar’), cair chuva fina (‘chuvisco’).

- Três coisas que cristão nenhum no mundo confia... – Tempo de chuva, doido sem juízo e bunda de menino novo.

- Biqueira - Cano por onde escorre a água da chuva que cai no telhado.

A esse respeito, circula no Instagram cena maravilhosa, inspiradora: ruma de meninos, sob a regência festiva de um cachorro pé duro, se esbaldando na chuva, celebrando o “inverno” na maior alegria, se abrindo, frescando. A lapada d’água a escorrer pela biqueira, tinindo de forte, dá a impressão de que a vida se resume a chover aos borbotões, permitindo desconexão dos aperreios cotidianos, congraçar, felicitar gente.

Ah, quem me dera fosse a pulga da dobra da orelha daquele cachorro fuleiro!

O remédio exato

Por falar no grande Hilton Cortez, é dele uma receita simples e eficiente para a cura de males da tristeza e da ansiedade, medicação disponibilizada em qualquer bodega, restaurante, mercantil... Em tempo: se você está enfrentando algum “despombalizanento” de cunho emocional ou coisa que o valha, prestenção - esse aqui é tiro e queda.

Estava Hilton em Iguatu (à época residindo em Cedro), acompanhando a concunhada dona Fransquinha, mãe da Derlange, a uma consulta médica. Enquanto esperava, aboletou-se num boteco de esquina, tranquilamente, tomando sua cerveja gelada.

Hora e meia mais tarde, a matriarca da família Santos já buscava a farmácia mais próxima, urgia comprar a medicação passada pelo especialista. Mas, quedê poder adquirir a gororoba? Esquecera em casa a carteira de identidade. Dispara para o local onde estava Hilton - consultório popular ameno e descomplicado, sem efeitos colaterais. Fransquinha se lamenta:

- Preciso voltar a Cedro e pegar meu RG, Hilton! O remédio que o doutor receitou é tarja preta. Certamente não tem ele lá.

- Como é que é!?! Fazer esse entrançado todo por causa dum remédio pros nervos! - invocou-se Hilton.

- Sim, tô carecendo de tomar vexado o medicamento!

- Pois eu vou te receitar um que é infalível, ‘negocim’ bom que dá gosto beber!

E voltando-se para o garçom, Dr. Hilton Cortez ordenou:

- Zé Raimundo, traga uma Brahma estupidamente e um copo descansado!

Resultado: dona Fransquinha nunca tomou o tal remédio prescrito pelo médico, passando a adotar o de Hilton Cortez, de uso contínuo, dali por diante. Uma dor na unha sequer sentiu mais!

Fonte: O POVO, de 13/02/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 12 de março de 2026

HUMILDADE: riqueza de espirito, ousadia da inteligência

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Não sei de onde vens. Mas sei onde nasceste.

Quando a terra apareceu, no mundo criado, o cheiro do Humus esparramou-se pelo planeta, fez primeiro o Homo e deu nome à Humanidade.

E foi daí que se fez ’humilis’, ‘humilitas’, a humildade.

Somos terra, da terra viemos.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Antes de tudo, é preciso ter clareza de que humildade nunca foi sinônimo de humilhação, de ignomínia, tão pouco de renúncia à dignidade humana.

Considera-se um sentimento a ser cultivado, diante das nossas limitações, fragilidades, sem autodesprezo e também de nossos dons e valores, com modéstia e ausência de orgulho e presunção.

Qual húmus, singelo, rústico, porém de alta fertilidade, que faz brotar vida, do chão se eleva sem arrogância, sem prepotência, sem vaidade, não se sobrepondo a ninguém, nem exorbitando qualidades e virtudes.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Humildade cultiva-se na consciência do conhecimento de si mesmo, de seus limites. Conhecimento sincero que as entranhas não maquiam.

Humildade não é subordinação, nem alienação, é sabedoria do bem viver, da simplicidade e da pujança do crescer, crescer sempre. Não se opõe à riqueza, nem é característica da pobreza, é o sopro da alma a alçar voo altaneiro da sabedoria.

Nutre-se a humildade da simplicidade de pobres em espírito e de ricos de justiça e paz, de fraternidade de mente e coração. Associada à gratidão, traz os pajens da compaixão, da bondade e da generosidade. Fortalece laços familiares e consolida relacionamentos e promove um ambiente de suporte e de compreensão mútua.

Ao afirmar ‘só sei que nada sei’, expõe-se Sócrates, no que podemos nominar ‘humildade intelectual’: sua abertura ao conhecimento proporciona-lhe espaço para novas ideias, para novas aprendizagens, prontidão para aprender sempre e disposição para admitir seus erros. Erros, que a humildade corrige, mas o orgulho despreza e aniquila, no lodaçal de sua vaidade.

A humildade tem ouvidos ‘ativos’, palavras equilibradas, espirito sereno, cria saudável convivência, num ambiente de respeito, de ética e de valorização de todos, sem supremacia, nem desrespeito à dignidade de quem quer que seja.

Nos escritores latinos, encontramos, entre outros, em César ‘turris humilis’ (torre baixa) e em Virgílio ‘domus humilis’ (casa térrea). A conotação de miserável, de baixa condição veio do latim clássico. No entanto, foi o Cristianismo que nos legou essa visão de reconhecimento de nossas fragilidades e limitações contingentes.

Enfim, a humildade dá o sentimento exato do nosso bom senso, ao nos avaliarmos, em relação às outras pessoas.

E um líder humilde inspira confiança e enobrece lealdade. Cria um legado de empatia, respeito e colaboração.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Tenhamos um bom dia, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/02/26.


quarta-feira, 11 de março de 2026

O PODER

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Por uns elogiado, por outros criticado, Golbery do Couto e Silva, ideólogo no nosso último regime militar, dizia: "poder não é improviso nem carisma; é planejamento". Os defeitos do general não o impediram de possuir uma boa biblioteca. E afirmava: "uma gripe nos permite pôr a leitura em dia".

Acometido por uma virose recente, li bastante e soube pela TV que Gilberto Kassab, como fazia o PSD de outrora, o mesmo de JK e Tancredo, habilmente uniu, no atual PSD, os pré-candidatos a presidente: Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. Um deles deverá compor, com Flávio Bolsonaro e Zema, o time da dita direita. Lula já é o pole position da dita esquerda. Que bom seria um Brasil com voto distrital e mandatos políticos únicos com duração de 5 anos.

Quase sempre, o dirigente de um pequeno clube não aceita perder o cargo. Imagine um Presidente da República. O desejo de liderar um país se dá pelo poder, acompanhado, ou não, de outros motivos. Poderio em excesso leva às oligarquias, e Biden custou a reconhecer o "peso da idade".

Em 1992, James Carville, estrategista da disputa de Bill Clinton nos EUA contra George Bush, cunhou a frase: "É a economia, estúpido", e ensinou-a aos parceiros de campanha por desejar que a citação fosse uma das três mensagens da estratégia. As outras eram "Mudança versus mais do mesmo" e "Não se esqueçam da saúde".

O poder é encantador não pela economia, senão por prometer segurança, sentido, reconhecimento e imortalidade simbólica. Nele há a promessa, mas nunca a entrega por completo. Para Freud, o apego ao poder se dá por: narcisismo, sentimento de desamparo, sublimação da agressividade com pulsão de morte e fantasia de onipotência infantil. Já para Nietzsche, dá-se pela afirmação da própria existência, crítica à moral tradicional e ainda desejo de criar e superar limites impostos à expressão natural da vida - não por ilusão de segurança.

A respeitar esses e outros históricos pensadores, sigamos o parágrafo único do artigo 1º de nossa Constituição: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/02/26. Opinião, p.14.

A CORRIDA MALUCA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Senhoras e senhores, tomem seus lugares à frente da TV, do celular e do computador que a corrida começou. Sim, será mais do mesmo, só que desta vez o show está mais para hard core do que para voo de colibri. Em vez de propostas exequíveis voltadas à resolução dos problemas desta sofrida cidade, baixarias, memes, xingamentos, mentiras a granel e toda sorte de baboseiras. Claro, os histriônicos postulantes a vereador de sempre já mostram as caras, que sem eles o horário eleitoral não teria a menor graça. Por que concorrem, já que não serão eleitos? Talvez por carência, quiçá por vontade de aparecer, sabe-se lá. No quesito moda, tem do casual chic passando pelo street wear ao canelau look. Em menos de um mês, o primeiro turno das eleições municipais. Segurem-se...

As pesquisas estão completamente baratinadas, não se sabe se pelo método investigativo delas ou pela falta de credibilidade de alguns institutos. Numa, o aspirante a alcaide encontra-se avançado em relação aos seus opositores; noutra, acha-se lá na rabeira, vá entender. Aliás, quem precisa de pesquisa eleitoral para definir seu voto é gente que nunca teve educação político-ideológica ou que há muito a rebolou na lata do lixo. Não será o sujeito engomadinho com seu meloso discurso quem vai ganhar o eleitor consciente. O formato debate/programa eleitoral/santinho está completamente superado pela intensidade pantanosa das redes sociais, onde vicejam patranhas mil. As muitas promessas que jamais serão cumpridas embrulham o estômago. Política baixa.

E quanto aos candidatos a prefeito? O atual ocupante do Palácio do Bispo e concorrente à reeleição passou meses desaparecido da cidade e teve que criar um personagem metido a descolado para se comunicar com o povo de Fort City. Vai dar certo? Tenho as minhas dúvidas. O chefe dos amotinados, com seu rosto de bom moço, que não engana ninguém. Aliás, os incautos é que se enganam com ele. O deputado federal conhecedor da anatomia humana que se diz anti-sistema. Se por anti-sistema se entende alguém que não reconhece nem respeita a Constituição Federal e os poderes constituídos, tal como o seu mentor, aí é caso de falta de decoro parlamentar a ser punida. O requerente que aguarda ansiosamente pelo apoio da Loura, que talvez nunca venha. E o resto é traço...

Anoto mentalmente essas impressões enquanto assisto na Praça do Ferreira a um ato do Movimento Crítica Radical. Meus valorosos e combativos amigos do grupo há muito elegeram a política e o capitalismo como entes dignos de serem levados ao paredão. "Emancipação ou extinção!", bradam eles. Ora, o que é isso senão uma forma de se fazer política? Eliminar a política evitaria as disputas, tão caras aos seres humanos? Disse Platão que "não há nada de errado com aqueles que não gostam de política; simplesmente serão governados por aqueles que gostam". É do jogo, como dizem os sábios. A tarde cai enquanto meu pensamento voa e pousa na peleja entre o pretenso Dono do Mundo e o Togado Careca. Quem ganhará? Melhor merendar um pastel com caldo de cana.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/02/26. Vida & Arte. p.2.

terça-feira, 10 de março de 2026

Transnordestina. Mais uma vergonha

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Há algum tempo publiquei um artigo falando dos meus porquês sobre o Brasil e, também, há algum tempo publiquei artigos sobre a Transnordestina. Hoje, volto aos dois assuntos.

Vamos relembrar alguns dos aspectos que nortearam construção da Ferrovia Transnordestina: a) em 1990 teve início a construção de um trecho da proposta Ferrovia Transnordestina; b) em 2006 teve início a implantação da "nova" Ferrovia Transnordestina; c) em 2016 a obra parou com apenas 52,0% concluída e com gastos já realizados de R$ 6,27 bilhões; d) as novas previsões de término foram estabelecidas para 2017; e) os gastos adicionais somavam R$ 6,7 bilhões; f) seu percurso inicial de 2.304 km diminuído para 1.753 km.

Estamos no começo de 2026 e desde 2016 o que aconteceu? a) seu término deverá (sic) acontecer em 2027; b) estimativas apontam que seu custo, até este ano, deverá alcançar o valor de R$ 8,2 bilhões; c) sua rota terá extensão de, apenas, 1.206km; d) ela não irá mais até o porto de Recife.

O seu percurso irá de Eliseu Martins, no Piauí, passando por Trindade e chegando a Salgueiro (ambos em Pernambuco), entrando no Estado do Ceará e indo até o porto de Pecém, no litoral cearense.

Agora, vamos aos meus "porquês".

No artigo a que me referi fiz a seguinte pergunta: "Por que a construção de qualquer obra pública no Brasil demora muito mais para ser concluída do que está previsto? E por que os custos finais sempre são bem maiores que os custos iniciais previstos?"

No caso da Ferrovia Transnordestina tenho agora a resposta. A falta de definição precisa sobre o projeto a ser executado por parte das autoridades brasileira; a falta de compromisso dos responsáveis pela execução de obras públicas. Haja vista que por suas falhas, nada lhes será cobrado. Nem agora, nem no futuro. Não importa o que acontecer, esta falta de responsabilização pelo fracasso, pelos prejuízos, permite-lhes agir sem nenhum compromisso com a honestidade e a seriedade, que a construção de uma obra pública exige.

Vejam o que aconteceu. Um trem da Ferrovia Transnordestina deveria no dia 24/1/2025 fazer seu primeiro percurso, saindo de Bela Vista, no Piauí e ir até Iguatu, no Ceará. Entretanto, tal fato não aconteceu. E por que não? Pelo simples fato, acreditem, que o IBAMA, simplesmente, ainda não havia dado a permissão para a operação da ferrovia.

Como é que os administradores de um empreendimento que já dura mais de 20 anos, ainda não têm em mãos, todas as licenças necessárias, sejam quais forem, para sua plena operação?

Este trem deveria transportar uma carga de milho. Como ficam os produtores agrícolas com esta falta de transporte no tempo aprazado? E os prejuízos, quem paga?

Este é o Brasil da irresponsabilidade!

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 8/02/26. Opinião. p.22.


segunda-feira, 9 de março de 2026

MISSA DE SÉTIMO DIA POR DR. JOSÉ WILSON ACCIOLY

Amanhã (10/03/2026), terça-feira, às 19h30min, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situada na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE, será celebrada a Missa da Ressurreição em sufrágio da alma do acadêmico Dr. José Wilson Accioly, perlustrado membro honorável e ex-presidente da Academia Cearense de Medicina.

O médico dermatologista Dr. José Wilson Accioly faleceu na tarde de 4/03/2026, consternando o seu amplo ciclo de relacionamento, composto por familiares, amigos, confrades, colegas e pacientes, mercê dos seus reconhecidos méritos humanos e profissionais.

Ao término da missa, em nome da Academia Cearense de Medicina, falará o também acadêmico e presidente da ACM, Dr. José Henrique Leal Cardoso.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


Uma casa para o Plebeu

Por Izabel Gurgel (*)

O Plebeu Gabinete de Leitura é a biblioteca que a leitora Adelaide Gonçalves vem construindo ao longo de uma vida cheia de vidas.

O amor aos livros e à leitura é um modo singularmente alegre de estar no mundo. Aprendizado iniciado na infância com a mãe, o pai e professores, no interior do Ceará. Torna-se pesquisadora a menina auxiliar de biblioteca na escola em Tauá, no sertão dos Inhamuns.

Professora de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), nossa Adelaide imensidão fez do Plebeu, de vários modos, um nascedouro de livros. Com gente amiga e colaboradores, o Plebeu faz e acontece, publica, tem banca itinerante e um sebo do qual podemos fruir todo segundo sábado do mês no Centro Frei Humberto, no bairro São João do Tauape, em Fortaleza, quando da Feira da Reforma Agrária (dia 7 de fevereiro, a próxima edição da feira). O MST também é doido por livro e leitura.

Jardim das veredas que se bifurcam, o Plebeu não para de dar cria. Aqui, mais uma estante nova, bem sortida, sobre a história do livro e da leitura. Ali, mesas com tu-do (tudo mesmo!) de um autor, o que fez o tradutor de Garcia Márquez para a língua portuguesa, escritor Eric Nepomuceno, dizer "Nem eu tenho todas as edições dos meus livros" quando da visita ao gabinete de leitura.

O mobiliário do Plebeu, ele próprio, conta o contínuo (re)desenhar de nossas casas e espaços públicos. Velhos gaveteiros e ficheiros encontram um bom destino lá. Cristaleiras, escrivaninhas e birôs, carteiras escolares, mesas, bancos e cadeiras de lugares e feituras tão diferentes nos ensinam o co-habitar, a incidência dos passados, a sábia acumulação, a desejada sedimentação em nome da fertilidade da terra, na Terra. O Plebeu é um sim à vida.

Adelaide segue ampliando a biblioteca que sempre teve uso para além do privado, pessoal. Na casa da professora, foi partilhada por estudantes, aprendizes e mestres do pesquisar, criaturas leitoras que receberam delas (biblioteca e Adelaide) sombra e água fresca para florescerem.

Em 2012, Adelaide tornou a biblioteca de casa mais social ao levá-la para o Centro de Fortaleza. Surge o Plebeu Gabinete de Leitura. Tem imagens lindas das duas primeiras sedes, ambas no edifício-sede da Associação Cearense de Imprensa.

Encaixotado, o Plebeu está mais perto de ter uma morada pra gente chamar de nossa. Uma legião cultivada pela Adelaide conspira para realizar o sonho, brasileiríssimo, que pulsa no coração da gente trabalhadora do país tão rico quanto desigual, o da casa própria.

Vai ser a rua mais bonita da cidade. Biblioteca é canteiro, jardim de calçada, pomar e horta, parque, mata, floresta. Enrama feito melão-de-são-caetano. Só existe se enlaça, entrelaça, tece, feito renda, bordado.

Quer saber mais? @plebeulivros no Instagram.

"Uma casa para o Plebeu".

Bora?

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/02/26. Vida & Arte, p.2.

 

Free Blog Counter
Poker Blog