Por
Marcelo Bloc (*)
O falecimento
aconteceu na manhã deste sábado, 21, e o ex-deputado deixa legado das
estratégias de desenvolvimento da Ciência e Tecnologia para o País e sobretudo
para o Ceará
O engenheiro, ex-deputado federal e
ex-secretário do governo estadual, Francisco Ariosto Holanda, morreu na manhã
deste sábado, 21 de março, em Fortaleza, aos 87 anos, por complicações da
doença de Parkinson.
O velório de Ariosto ocorreu a partir das
10h, na Funerária Ternura, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O sepultamento foi
realizado às 16h, no cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré, na capital
cearense. Nascido no dia 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, no
interior do Ceará, Ariosto era filho de Francisco Holanda de Oliveira e
Raimunda Chagas Oliveira.
Ele foi estratégico para o desenvolvimento
da Ciência e Tecnologia do Ceará. Semeou a ideia da educação técnica e
profissional como uma ferramenta de transformação e inclusão social para os
jovens, que resultou nas Escolas Estaduais de Educação Profissional, hoje
espalhadas por todo o Ceará. Também criou o Instituto Centro de Ensino
Tecnológico (Centec).
Suas principais contribuições acadêmicas e
políticas, para a inovação tecnológica no Nordeste, foram a criação de
"bancos de soluções" e o fomento ao biodiesel como ferramentas de
emancipação econômica para o pequeno produtor e para o trabalhador regional. Os
Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) também foram criados sob a liderança de
Ariosto Holanda.
Ariosto concebeu os CVTs como uma
ferramenta para levar a Ciência e a Tecnologia ao pequeno produtor e ao jovem.
Levava como um dos lemas que o acesso ao conhecimento técnico é um direito
fundamental e essencial para a dignidade humana.
Citando o filósofo britânico Karl Popper,
em uma entrevista ao documentário do O POVO+, Memórias O POVO, Ariosto defendeu
a "audácia intelectual" e criticou a falta de políticas públicas
voltadas a dignidade da pessoa humana e para o pequeno produtor, o que
considerou uma omissão grave. "O que está em jogo nas regiões
subdesenvolvidas é a dignidade da pessoa humana, é o direito à vida. Então isso
aí resume tudo, né? É o direito à vida. Nós não temos mais direito à vida.
(...) E eu não aceito, não aceito você ter projetos que podem mudar a vida das
pessoas e não plantar. Então eu não aceito isso", disse ele.
Formado em Engenharia Civil pela
Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também foi professor, trabalhou na
distribuidora de energia elétrica, Companhia Energética do Ceará (Coelce) e
Petrobras. Ariosto Holanda foi parlamentar por cinco mandatos e recebeu
diversos prêmios relacionados à Ciência e Tecnologia.
Iniciou a vida política assumindo a
Secretaria da Indústria e Comércio do Estado do Ceará (1987-1989) no primeiro
governo Tasso Jereissati. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo partido
PSB e conseguiu ser eleito na última colocação dentre os elegíveis (22ª
posição).
Um dos filhos de Ariosto, Paulo André
Holanda, atua como superintendente regional do Serviço Social da Indústria
(Sesi) Ceará e diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai Ceará). Na gestão de Educação e Tecnologia, ele frequentemente
representa o legado do pai em eventos de inovação no Estado.
O Instituto Iracema Digital criou uma
honraria com seu nome. Em 2025, já chegou à III Comenda Ariosto Holanda de
Ciência, Tecnologia e Inovação, que premia pessoas que têm contribuído para o
fortalecimento da inovação tecnológica no Ceará. Na ocasião, todos os
homenageados no evento exaltaram o legado do ex-deputado Ariosto Holanda, pelo
pioneirismo de adotar estratégias voltadas ao desenvolvimento da Ciência e
Tecnologia no Ceará nos anos nos quais não se debatia o assunto.
(*) Jornalista de O Povo.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/03/26. Notícias p.10.
