segunda-feira, 8 de junho de 2026

QUANDO ME LEMBRO DO SEU NOME

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Os nomes começaram a escapar depois dos quarenta. Pergunto, não memorizo e, logo em seguida, repito: qual é mesmo o seu nome? Daí, associo-o ao nome de alguém que conheço - uma amiga, uma tia, um irmão.

Às vezes, surpreendo-me ao relembrar pessoas há tempos esquecidas: Raimundinha. Mundinha costureira. Casa da vovó. Baralho com os primos. Vovó falando para quem não estava no jogo: "Não vale peruar". Uma lembrança puxa a outra e, se continuo, é como puxar a linha de um novelo que não termina.

Quando a associação funciona, respiro aliviada. É delicado chamar as pessoas pelo nome, reconhecê-las. Talvez porque, ao ouvir o próprio nome, a gente se sinta, ainda que por um instante, existindo para alguém.

Outro dia, entrei em uma ótica e uma moça muito gentil me atendeu. Como é o seu nome? Wendy, respondeu. Fiquei animada e logo associei: a Wendy do Peter Pan? Ela sorriu e disse: não, foi um nome que minha mãe viu num romance. Você conhece a história original? Só conheço as adaptações da Disney, ela respondeu.

"Wendy estava brincando no jardim e, depois de colher mais uma flor, correu para junto de sua mãe. "Ah, se você ficasse assim para sempre!", disse a senhora Darling. Foi a partir daí que Wendy soube que teria de crescer. A gente sempre sabe quando tem dois anos: dois é o começo do fim."

Peter Pan foi, certamente, o livro que mais li para os meus filhos. Logo na primeira página, eu já ficava angustiada, engasgava-me e, em seguida, falava com uma voz bem animada, quase cantada: "Dois é o começo do fim!" Eles riam e pediam: faz de novo, mamãe, faz de novo.

E eu fazia tantas vezes que, em certo momento, já não lia mais aflita e me demorava um pouco mais na Terra do Nunca. Quem sabe ali fosse a terra do sempre.

Nessa época, eu lia sem óculos. Agora, compro meu primeiro par. Espero que me ajudem a enxergar melhor as minúcias do mundo, dos outros e as minhas, como escreveu José Saramago, "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Qual é mesmo o seu nome?

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/04/2026. Opinião. p.22.


domingo, 7 de junho de 2026

Causo Médico: O ENTERRO DE UM FUNDADOR

Corriam os anos setenta do século antanho, quando a comunidade médica e a sociedade locais foram colhidas pelo abrupto falecimento de um dos fundadores da primeira Faculdade de Medicina de um estado nordestino.

À beira do túmulo, sem pedir licença a ninguém, um antigo catedrático da escola médica, possuidor de grande erudição, resolveu fazer uso da palavra e tome a falar, discorrendo sobre os notáveis feitos do falecido, enaltecendo suas valorosas qualidades.

Falou tanto, que só faltou dizer que o morto, como sempre, estava na vanguarda institucional, e que, logo mais, seria seguido por seus colegas docentes, que fariam companhia a ele na morada eterna. Por muito pouco, o orador não chegou a apontar e a nomear os seus colegas médicos, dentre os ali assistentes, que o acompanhariam, algo que, certamente, causaria um certo rebuliço e desconforto entre os que seriam indicados para um tão inusitado séquito funéreo.

Após mais de uma hora de laudatório no campo santo, com o sol a pino, pois chegara o meio-dia, sem sinais de quaisquer nebulosidades que amenizassem os efeitos das radiações ionizantes, com os presentes suando a cântaros, os coveiros, cansados de esperar, encostaram suas pás e foram descansar sob a sombra de uma velha árvore.

O receio era de que o extinto, a qualquer instante, decidisse despertar do sono da morte, rogando que o fastidioso discurso fosse interrompido, deixando-o, finalmente, descansar na eternidade, liberando, assim, familiares e amigos de tão demorada cerimônia fúnebre.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.77.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: o enterro de um fundadorIn: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Janeiro de 2025 - Edição n.40. p.24 (online). (Doc. Nº 8.2.747).


Passos para atingir a paz interior IV

8. Medite sempre

A meditação acalma a mente, ajuda a dissolver pensamentos negativos, e isso influencia muito em nosso estado de espírito. É o maior alcance de bem-estar que podemos atingir. Se você meditar seriamente, sua mente vai permanecer tranquila por aproximadamente 23 horas e meia. Com o passar do tempo, vai perceber que seus pensamentos não serão tão nebulosos como antes, e você só tem a ganhar com os benefícios da meditação diária.  E se acha que isso vai interferir no seu dia a dia, o que acontece é justamente o contrário – a meditação aumenta sua eficiência para fazer suas tarefas, produzindo mais em menos tempo.

9. Nunca deixe a mente desocupada

Vale aquele antigo ditado: “Mente vazia é oficina do diabo”. Todas as nossas más ações surgem quando estamos, como diz o ditado, com a mente vazia. Mantenha-se ocupado com coisas boas e úteis. Tenha um passatempo em seu tempo livre. Junte-se com pessoas que tenham os mesmos interesses que os seus. E pondere o que é mais importante: dinheiro ou bem-estar. Seu tempo livre bem utilizado, sua vida social e atividades que trazem o bem, como por exemplo fazer caridade, vão te proporcionar uma sensação de gratidão e alegria.

10. Não procrastine e nunca se arrependa

Não perca seu tempo com a pergunta “Devo ou não devo fazer? ”. Dias, semanas, meses e anos podem ser desperdiçados através da dúvida e dessa questão que não vai levar a lugar algum, apenas a desperdício de tempo. Ninguém pode antecipar o futuro. Ninguém sabe o que vai acontecer no mundo e até mesmo em suas próprias vidas daqui 10 minutos. Todos nós aprendemos com nossos erros e, dessa forma, saímos fortalecidos no caminho da vida. E o mais importante: o passado já foi. Nunca olhe para trás.

NÃO SE ARREPENDA. O que quer que aconteça em sua vida, não chore sobre o leite derramado.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Passos para atingir a paz interior III

5. Adapte-se de acordo com o ambiente

Se você tentar mudar o que está ao seu redor por conta própria, as chances de falhar são grandes. Ao invés disso, adapte-se ao novo ambiente no qual está agora. Ao fazer isso, tudo ao redor melhora e você tem uma nova visão sobre o todo. E isso funciona como um milagre: até aquelas pessoas que pareciam desagradáveis para você mudam, e o ambiente fica muito mais harmonioso.

6. Aceite o que não pode ser mudado

Esta é a melhor forma de transformar uma desvantagem em uma grande vantagem. Todos os dias, enfrentamos diversos inconvenientes, como irritações, pequenos acidentes, ficar doentes, e assim por diante, e isso pode nos deixar fora de controle. Se não nos controlarmos ou mudarmos em relação a isso, tudo pode piorar. O ideal é aprender a lidar com essas situações de forma alegre e descontraída. Acredite em si mesmo e você vai ganhar em paciência, força de vontade e fortalecimento interior.

7. Não morda mais do que você pode mastigar

Esta máxima deve ser lembrada constantemente. Nós frequentemente tendemos a adquirir muito mais responsabilidades além do que somos capazes de carregar, somente para satisfazer nosso ego. Por isso, aceite suas limitações. Todos nós temos. Para quê acumular tantas funções e ter preocupações extras? Isso vai te deixar longe da sua paz de espírito, e ainda pode te causar ansiedade.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 6 de junho de 2026

Passos para atingir a paz interior II

2. Esqueça e perdoe

Esta é a ajuda mais poderosa quando falamos em paz de espírito. Grande parte de nós sempre alimenta sentimentos negativos em relação a pessoas que nos insultaram ou feriram nossos sentimentos. Nós nutrimos queixas e sentimentos ruins. Isso desencadeia problemas de saúde, como dores no estômago (gastrite e úlceras são comuns em relação a isso), noites mal dormidas e pressão alta. Em muitos casos, o insulto foi feito apenas uma vez, e a pessoa carrega aquilo por anos, lembrando-se constantemente disso. Perdoe. Esta é a melhor forma de evoluir. Por isso, você deve banir este péssimo hábito. A vida é muito curta para desperdiçarmos com esse tipo de sentimento e pensamentos negativos.

3. Não espere o tempo todo por reconhecimento

Infelizmente, no mundo de hoje, grande parte das pessoas pensam mais em si mesmos. Elogios em muitos casos são difíceis de serem ouvidos, e em diversos casos alguns indivíduos o fazem por interesse próprio. Alguns podem elogiá-lo pelo fato de você estar bem hoje, mas, se um dia algo acontece e você perde o poder, fica menos favorecido e precisa de ajuda, esses mesmos que um dia o elogiaram podem não fazer isso quando você estiver em uma posição diferente. Por isso, faça seus deveres de forma ética e sincera.

4. Tente não sucumbir à inveja e o ciúme

Todos nós sabemos o quanto a inveja pode influenciar o nosso estado de espírito. Você sabe que trabalha até mais que seus colegas de trabalho, mas às vezes outra pessoa pode conseguir aquele cargo superior ou promoção que você tanto almejava. Em outro caso, você começa o seu próprio negócio, mas não tem o mesmo sucesso que um parente, colega ou até mesmo seu vizinho, que começou a trabalhar por conta até depois que você. Isso acontece. E por acaso precisamos alimentar algum sentimento de inveja?  Não! Lembre-se que, na vida, tudo é moldado pelo destino, e isso resulta em nossa realidade. Você não vai conseguir mudar e evoluir ao se queixar, invejar e culpar os outros. A inveja não vai te levar a nada, e vai te deixar ainda mais longe da sua paz de espírito.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Passos para atingir a paz interior I

Atingir a Paz Interior é Fácil: Siga Esses 10 Passos

A vida é um longo caminho cheio de desafios. Muitos deles são internos, e dependem de como NÓS os aceitamos e os interpretamos. Nossas vidas podem levar diferentes caminhos, dependendo do que fazemos e o que buscamos ao longo dessa jornada. Aqui estão 10 avisos que, se seguidos, vão garantir uma vida melhor – e com certeza com mais paz de espírito.

1. Não interfira na vida dos outros a não ser que te peçam ajuda

Muitos de nós criamos nossos próprios problemas quando interferimos demais na vida alheia. Fazemos isso porque de certa forma achamos que estamos convencidos de que a nossa solução é sempre a melhor, nossa lógica é a mais perfeita e que aqueles que não nos seguem não estão na direção certa. Mas isso é um engano. Não existem dois seres humanos que podem pensar ou agir exatamente da mesma maneira. O ideal é cuidar da nossa própria vida e, assim, manter a paz interior. E somente dê conselhos quando a pessoa pedir.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

NAQUELA TARDE

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Naquela tarde, o inverno tinha chovido toda a manhã e continuava um sereno inconstante.

Quando? eu não recordo, mas não havia atravessado os 7 anos de minha meninice.

Aconteceu, à tardinha, ainda com o céu plúmbeo; o cheiro de terra molhada lembrava as pancadas da manhã. Era, na verdade, o petricor, que ainda exsudava da terra molhada.

A rua estendia-se sobre o barro. Aqui e ali, algumas poças d’água, entremeadas de pequenas moitas de plantas silvestres, expandiam-se, livremente, sem a ameaça de transportes, salvo as carroças de seu Odilo, que, naquele dia, estavam recolhidas, e o livre ir e vir de transeuntes.

Foi, nesse cenário, que eu e uma querida amiga, infante como eu, resolvemos desafiar aquela tardezinha cinzenta, com uma das diversas brincadeiras, que criávamos.

Deixamos a calçada, onde estávamos a conversar e rir de nossas tagarelices, caminhamos até o meio da rua e, entre duas poças d’água, naquele pedaço de barro ainda empapado, mas não escorregadio e começamos a rodopiar, segurando-nos com uma mão – mão-com-mão – tendo como ponto de apoio um pé-com-um pé.

E rodopiamos e rodopiamos, com alegria no sorriso, contrastando com a carranca, que as nuvens se nos ofereciam.

E foi, num desses rodopios, que nos pregou um susto uma pequena cobra listrada, que atravessava nosso pequeno espaço; levantou a cabeça com a boca aberta, no que não pude evitar pisar-lhe a cabeça, pois, em nosso rodopio, aquela passada era minha.

Paramos o rodopio, incontinenti. A cobra estava morta, era uma cobra coral. Seu corpo, com as belas listras à vista, tinha também marcas de um pé, provavelmente, de minha amiga.

O pavor apresentou-se na lividez de nossos rostos, enquanto o coração disparava. Assustados, corremos para a calçada, onde, sentados, passamos a examinar, nervosa e ansiosamente, nossos pés e pernas: dobramos a perna direita sobre a coxa esquerda e, depois, a perna esquerda sobre a coxa direita. Nossos olhos varreram-nas, seguindo a palpação de nossas mãos. Então, uma onda de calmaria deu um banho em nosso medo: não havia sinais de picada em nossos pés e pernas.

Respiramos, enfim, aliviados e agradecemos a Deus.

Acabara a brincadeira e retornamos para nossas casas.

Um bom sábado, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 18/04/26.

 

Free Blog Counter
Poker Blog