Por Lauro Chaves Neto (*)
Durante décadas,
possuir tecnologia era um privilégio de grandes empresas. Hoje, com a
Inteligência Artificial (IA), ferramentas capazes de analisar dados,
automatizar processos, produzir conteúdo e apoiar decisões estratégicas estão
disponíveis para organizações de todos os portes.
Esse é o tema do
livro "Competitive Advantage and Strategy for Small Businesses and
Startups in an Artificial Intelligence Environment", o décimo primeiro de
minha autoria, resultado de pesquisa no pós-doutorado em Boston, Massachusetts,
sobre estratégia e adoção de Inteligência Artificial por pequenas empresas.
A tecnologia, por
si só, não cria vantagem competitiva. Ela potencializa aquilo que já existe
dentro da organização. Empresas com processos eficientes tendem a ampliar seus
resultados. Já as demais apenas automatizam suas próprias ineficiências.
Na pesquisa com
104 pequenas empresas do Brasil e dos EUA, observou-se que as organizações que
utilizam IA apresentaram crescimento médio anual de 12,93%, enquanto aquelas
que ainda não a utilizam cresceram, em média, 6,23%. O livro reforça que o
crescimento está ligado à forma como a IA é incorporada à estratégia do negócio
aliada a geração de valor para o cliente, e não simplesmente à sua utilização.
No Brasil, a
adoção da IA já é disseminada entre pequenas empresas, enquanto nos EUA ela
ainda ocorre de maneira mais seletiva. Entretanto, lá, nas que utilizam IA, o
impacto sobre o desempenho é significativamente maior. Isso sugere que a
diferença competitiva não está apenas em usar IA, mas em utilizá-la para
inovar, compreender melhor os clientes e apoiar decisões estratégicas.
Nesse novo
cenário, a maior vantagem das pequenas empresas talvez seja justamente sua agilidade.
Elas conseguem experimentar, aprender e adaptar seus modelos de negócio com
rapidez muito superior à das grandes organizações.
A IA continuará
evoluindo, mas o fator decisivo permanecerá essencialmente humano. Estratégia
significa fazer escolhas, definir prioridades e criar valor para o cliente. No
futuro, vencerão as empresas que souberem utilizar a IA com inteligência
estratégica.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 17/08/26. Opinião. p.18.
