domingo, 27 de setembro de 2026

SANTAS CHAGAS: Fonte de Misericórdia e Vida

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

No mês de setembro somos convidados a fixar os nossos olhos e o nosso coração no mistério mais profundo do amor de Deus, a nossa devoção à Jesus das Santas Chagas.

Quando olhamos para o Crucificado, ou quando contemplamos a imagem de Jesus Ressuscitado que traz em Suas mãos, pés e lado os sinais da Paixão, nós não estamos olhando para marcas de derrota. As Chagas de Jesus não são cicatrizes de uma humilhação passada; elas são as marcas vitoriosas da nossa libertação, as fontes abertas da Misericórdia Divina e os canais por onde corre a cura para nossas próprias feridas.

Vivemos em um mundo marcado por profundas feridas. Feridas na alma, feridas na mente, traumas que sangram em segredo, marcas de rejeição, de abandono, de traição e de pecado. Quantos de nós não trazemos cicatrizes dolorosas que ninguém vê? Tentamos disfarçar sob as máscaras das aparências, mas, por dentro, a alma continua machucada.

Diante do nosso sofrimento, Deus não permaneceu indiferente, assistindo à nossa dor do alto dos céus. O profeta Isaías, séculos antes de Cristo, já profetizava o mistério da Redenção, que cito continuamente: "Ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz caiu sobre ele, e por suas chagas fomos curados." (Is 53, 5)

Na Cruz, Jesus assumiu em Seu próprio Corpo a dureza dos nossos pecados. Os pregos cravados em Suas mãos puras e em Seus pés santíssimos, e, finalmente, a lança que abriu o Seu Coração, tudo isso foi o preço pago para carregar em Si a culpa dos nossos pecados e das nossas dores.

A Tradição da Igreja sempre encontrou nas Santas Chagas um refúgio seguro contra os ataques do inimigo e contra as desesperanças da vida. Os Santos Padres e os grandes místicos da Igreja compreenderam que entrar nas chagas de Jesus é o caminho mais curto para a santidade.

O Catecismo da Igreja Católica ilumina de forma teológica esse mistério, mostrando que o sacrifício de Cristo nas chagas é a expressão máxima da Sua liberdade e do Seu amor por nós: "Jesus conheceu-nos e amou-nos a todos durante sua Vida, sua Agonia e Paixão e entregou-se por todos e cada um de nós: "O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim" (Gl 2,20). Amou-nos a todos comum coração humano. Por esta razão, o sagrado Coração de Jesus, traspassado por nossos pecados e para a nossa salvação." (CIC 478)

E a Tradição vai ainda mais longe. Por que Jesus, ao ressuscitar com um corpo glorioso, capaz de atravessar portas, escolheu manter as Suas chagas? Ele poderia ter ressuscitado com o corpo perfeitamente sem marcas. Mas Ele fez questão de mantê-las. Por quê?

Primeiro, para provar a Sua identidade: Para mostrar aos discípulos assustados que Aquele que ressuscitou era o mesmo que havia sido crucificado por amor.

Segundo, para interceder por nós diante do Pai: A Tradição nos ensina que, no Céu, Jesus apresenta continuamente ao Pai as Suas gloriosas chagas como uma oração perene em nosso favor. Quando o Pai olha para o Filho, Ele vê as marcas do preço que foi pago por cada um de nós.

Lembremo-nos do relato no Evangelho de São João, os discípulos estavam trancados no cenáculo por medo. Jesus aparece, deseja a paz e mostra as mãos e o lado. Mas Tomé não estava lá. Quando os outros contam, Tomé dúvida: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se não colocar o meu dedo no lugar dos pregos e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei." (Jo 20,24-25)

Oito dias depois, Jesus volta. Ele não vai para condenar a incredulidade de Tomé, mas vai diretamente ao encontro da sua ferida espiritual. Jesus olha para Tomé e diz: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel." (Jo 20,27)

Ao tocar nas Chagas de Jesus, Tomé não tocou apenas em carne ressuscitada; ele tocou na própria essência de Deus. O homem que duvidava caiu de joelhos e pronunciou a profissão de fé mais bela e direta de todo o Novo Testamento: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28).

As Chagas de Jesus têm o poder de transformar a dúvida em fé, o desespero em certeza, a morte em vida. Se realmente tocamos as Chagas de Cristo pela oração, pela adoração e, sobretudo, no Sacramento da Reconciliação (Confissão) e da Eucaristia, a nossa incredulidade cai por terra.

Quando o pecado pesar, quando os pensamentos de autodestruição, de desespero ou de impureza assaltarem a sua mente, faça o que os santos ensinam: "Senhor Jesus, esconde-me dentro das Vossas Santas Chagas". Nelas nenhum mal tem poder. Elas são a nossa fortaleza inviolável.

Meus irmãos, as Santas Chagas de Jesus estão abertas e reluzentes de glória eternamente. Elas não exigem de nós perfeição para entrar; elas exigem apenas a nossa pequenez e o nosso desejo de cura.

Acolhamos hoje essa graça. Que cada Chaga aberta seja para nós fonte de misericórdia, e que delas jorre o amor que nos restaura.

Deus abençoe e o Senhor Jesus das Santas Chagas os proteja!

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 8/08/2026. Opinião. p.14.

sábado, 26 de setembro de 2026

Causo Médico: ROJO X ROXO

Esse fato aconteceu em uma escola médica, no final dos anos sessenta do século XX. Para acomodar um novo e improvisado professor, talvez admitido por injunções corporativas, acabou o dito cujo por assumir um cargo, como auxiliar de Bioquímica, cabendo-lhe, inicialmente, ministrar aulas práticas aos acadêmicos.

Em uma das práticas, que consistia em demonstrar a presença de fenolftaleína, o professor seguiu, passo a passo, os procedimentos estabelecidos, e pontificou:

– Agora, atentem para o nosso tubo de ensaio. É só aguardar alguns segundos, que o líquido nele contido ficará roxo, confirmando a presença da fenolftaleína.

Passado algum tempo, a substância ficou vermelha, em franca discordância do que o médico enunciara.

– Acho que cometi algum equívoco nas reações. Vamos fazer de novo, e bem devagar, pra não errar. Tá certo, turma!?

– Sim, professor – responderam, em uníssono, os poucos alunos presentes.

A prática foi reiniciada, observando, pausadamente, a sequência das reações, até o docente sentenciar:

– Pronto, meninos! Fizemos tudo direitinho! Esperem um pouquinho que vai ficar bem roxo.

Para decepção de todos, o líquido tomou uma cor vermelha rutilante. O professor pôs uma mão na cabeça, enquanto a outra sustentava o livro, e protesta:

– Não é possível! Eu segui tudo o que estava escrito no livro. Era pra dar roxo. A não ser que eu tenha falhado no manuseio dos produtos.

Os alunos continuavam sem entender o que se passava, e um deles indagou:

– Professor será que os produtos utilizados estão na validade?

– Sim, eles foram comprados na semana passada. Esse kit é novinho! Vamos fazer de outro modo. Dessa vez, eu cuidarei só da leitura e um de vocês vai fazer as reações. Alguém se habilita?

De imediato, um acadêmico apontou para uma colega e sugeriu:

– Professor, a Terezinha tem curso de técnica laboratorial e trabalha em um laboratório de análises clínicas. Acho que é a mais talhada para essa tarefa.

E assim foi feito: o mestre ditava e a experiente técnica realizava os procedimentos. Conclusa a operação, o tão esperado roxo não vingou; de novo, lá estava o vermelho das vezes anteriores.

O docente, mais do que intrigado com o resultado, ficou furioso e atacou:

– Este livro está redondamente errado! Aqui diz claramente que o resultado é roxo! No próximo semestre não vamos mais adotar essa porcaria!

Foi então que um dos estudantes pediu para ver a obra, cuja página com a citada prática estava marcada com um clip e o resultado final devidamente grifado pelo professor.

O aluno não se conteve e caiu na gargalhada ao se deparar que a obra estava escrita em castelhano e o desfecho grifado era: ROJO, um falso amigo para os lusófonos, que se traduz por vermelho na nossa “última flor do Lácio, inculta e bela”.

De fato, nunca o resultado poderia ser roxo ou violeta. Quem ficou roxo de vergonha foi o infeliz e desqualificado mestre, um desconhecedor do “falso amigo” do idioma mais falado na Espanha e na América Latina.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.29-30.

* Republicado. In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Abril de 2025 - Edição n.43. p. 29-30 (online).


CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Setembro/2026

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de setembro/2026, que será realizada HOJE (26/09/2026), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Crônica: Djalma Babau e o "waze ariado" no Acaracuzinho ... e outros causos

Djalma Babau e o "waze ariado" no Acaracuzinho

"Me chamam Djalma Babau e tenho um alerta a fazer. Se o amigo conhece o tal "aplicativo gratuito de navegação por GPS para celulares que usa informações em tempo real compartilhadas pelos próprios motoristas para mostrar o melhor caminho", coidado! Cumpade Zé Barbosa, pouco chegado ao modernismo tecnológico, quase se lasca pela falta de categoria na lida com esse negócio! Vou contar a besteira que sucedeu.

Pouco "uberista", Babau inventou de ensinar ao motorista "a rodagem mais curta" para chegar à casa da filha mais velha, no Acaracuzinho, saindo do Siqueira. Desde que entrou no carro, sem reparar - nas fuças dele - o celular do chofer indicando o caminho traçado pelo programa, pôs-se a narrar o trajeto, empolgado à moda Gomes Farias. Motorista aparente se enfezar com o bodejado. A moça da máquina dizia:

- A quinhentos metros, vire à direita na Rua 116...

- Uma ova que vai virar à direita na 116! 116 é do grupo do leão no jogo do bicho. Sou Ceará. Caminhe mais uma coisinha, minha senhora, e siga até o bar de Nozinho!

Ao invés de explodir com os pitacos de Zé Barbosa, o motorista sabiamente deixar correr frouxo, para ver como ia terminar tudo, onde (não) iam chegar, só pra fazer o mal. Quando Zé deu fé, já divisava uma placa que anunciava: "Bem-vindos a Itapebussu". Sem mais o que dizer, cumpade Zé Barbosa reconhece que melou a vara e, acabrunhado, falou no ouvido do aplicativo:

- Tu tá é ariado, waze véi fulerage!

O "bilôto" que mudou uma vida

Já vi crente ir de joelhos a Canindé pagar promessa pro filho que passou no exame de admissão; esposa que rezou novena e trezena em agradecimento pela cura de doença braba no marido arreado; político que deu quinhentos contos à instituição de caridade por ter sido sufragado nas urnas com 15 votos; moça velha grávida de agradecimento a Santo Antônio pelo namorado que arrumou.

Contudo, a colega Francisca foi muito, muito além em sua imensa gratidão: acendeu 10 velas e orou pra mãe da pessoa que inventou a máquina de lavar. Pela primeira vez alguém fez algo assim. Acostumada e "bater roupa", primeiramente, nas águas corrente do Ereré (córrego que corta Pacajus a oeste), passou, depois, a lavar redes e peças de cama e mesa na lavanderia de casa, com sabão em barra, tacando um cacete de jucá no "espinhaço dos panos".

Toinho, marido da Francisca me mandou vídeo da mulher ajoelhada diante do eletrodoméstico, rezando contrita, rodeada de velas de uma semana. Assim falando:

- Obrigado, seu inventor! Apertando um bilôto, o colega tirou das minhas costas e braços uma tonelada! Se tiver uma rede pra nós lavar, manda! Pro senhor é de grátis! Amém!

Olhos nos ovos

Joseph, bodegueiro famoso de São Romão. Pacato e gentil, dizia-se "remediado", mas que tinha uma riqueza: o filho Peter Joaquim Muller Gregório, seu assistente no sortido estabelecimento. Pra contrabalançar, uma mulher braba feito "siri na latra" - Candinha. E era dezembro, mercearia enfeitada de detalhes natalinos. Chega a vendedora de ovos caipira - Lica, a generosa. 75 unidades numa caixa escura, lacrada. Joseph, de calção num tamborete, deixando aparecer "as partes", derrama-se todo ante a senhora estupefata:

- Lilica! Sempre novona e bonita! E isso aí, na caixa?!?

- São seus ovos, são seus ovos! - responde ela, olhos grelados nas 'ovanças' de Joseph.

Candinha ouve a conversa, de dentro de casa, e grita com o cão nos couros:

- Que raparigagem é essa aí? Hein?

Fazendo valer a autoridade, ordena ao filho Peter Joaquim e ao marido Joseph:

- Almoço tá quase pronto, Quinca! E tu, Zé, traga a farinha do pirão com os meus ovos!!!

Fonte: O POVO, de 28/08/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

ESTRATÉGIA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Por Lauro Chaves Neto (*)

Durante décadas, possuir tecnologia era um privilégio de grandes empresas. Hoje, com a Inteligência Artificial (IA), ferramentas capazes de analisar dados, automatizar processos, produzir conteúdo e apoiar decisões estratégicas estão disponíveis para organizações de todos os portes.

Esse é o tema do livro "Competitive Advantage and Strategy for Small Businesses and Startups in an Artificial Intelligence Environment", o décimo primeiro de minha autoria, resultado de pesquisa no pós-doutorado em Boston, Massachusetts, sobre estratégia e adoção de Inteligência Artificial por pequenas empresas.

A tecnologia, por si só, não cria vantagem competitiva. Ela potencializa aquilo que já existe dentro da organização. Empresas com processos eficientes tendem a ampliar seus resultados. Já as demais apenas automatizam suas próprias ineficiências.

Na pesquisa com 104 pequenas empresas do Brasil e dos EUA, observou-se que as organizações que utilizam IA apresentaram crescimento médio anual de 12,93%, enquanto aquelas que ainda não a utilizam cresceram, em média, 6,23%. O livro reforça que o crescimento está ligado à forma como a IA é incorporada à estratégia do negócio aliada a geração de valor para o cliente, e não simplesmente à sua utilização.

No Brasil, a adoção da IA já é disseminada entre pequenas empresas, enquanto nos EUA ela ainda ocorre de maneira mais seletiva. Entretanto, lá, nas que utilizam IA, o impacto sobre o desempenho é significativamente maior. Isso sugere que a diferença competitiva não está apenas em usar IA, mas em utilizá-la para inovar, compreender melhor os clientes e apoiar decisões estratégicas.

Nesse novo cenário, a maior vantagem das pequenas empresas talvez seja justamente sua agilidade. Elas conseguem experimentar, aprender e adaptar seus modelos de negócio com rapidez muito superior à das grandes organizações.

A IA continuará evoluindo, mas o fator decisivo permanecerá essencialmente humano. Estratégia significa fazer escolhas, definir prioridades e criar valor para o cliente. No futuro, vencerão as empresas que souberem utilizar a IA com inteligência estratégica.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 17/08/26. Opinião. p.18.


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A ARQUITETURA DO DESCONTO HIPERBÓLICO

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Entre receber R$ 1.000 hoje ou R$ 1.200 daqui a um mês, a maioria das pessoas escolherá a primeira opção. O benefício imediato parece ter muito mais valor do que os R$ 200 adicionais no futuro, ainda que não esteja tão distante.

Se a escolha passar a ser entre receber R$ 1.000 daqui a um ano ou R$ 1.200 um mês depois, a lógica se inverte: a maior parte das pessoas prefere esperar um pouco mais para receber a recompensa maior. Afinal, quando a espera já é longa, o intervalo de um mês tende a fazer pouca diferença.

Essas duas situações ilustram o chamado desconto hiperbólico, um viés cognitivo explorado pelos jogos de azar e pelas bets. O valor atribuído aos ganhos futuros cai rapidamente em comparação ao das recompensas imediatas, mas essa queda desacelera à medida que a espera se prolonga.

O conceito de desconto hiperbólico foi formalizado pelo psiquiatra americano George Ainslie, em 1975. Mais tarde, o economista David Laibson adaptou esse modelo para uma versão mais aplicável à economia.

Na prática, o pesquisador Vincent Berthet propõe três ferramentas para reduzir os efeitos do desconto hiperbólico.

A primeira consiste na utilização de "dispositivos de compromisso", como planos automáticos de poupança e metas que evitem decisões impulsivas.

Outra estratégia é o "compromisso prévio", que envolve criar barreiras ao comportamento impulsivo. Um exemplo é o agendamento automático de investimentos regulares.

A terceira ferramenta consiste no uso de lembretes (visuais, escritos ou em conversas) que reforcem decisões de longo prazo.

Nesse contexto, a Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado (Seplag-CE) e a Fundação Demócrito Rocha lançaram, em junho deste ano, o Programa de Educação Financeira do Estado do Ceará, cuja primeira iniciativa foi o Curso de Educação Financeira para Cidadania Plena.

O projeto é inovador em âmbito nacional e incorporou esse arcabouço teórico para orientar pessoas e famílias sobre os riscos das bets. O curso alcançou 10.870 participantes, superando a meta inicial de 3 mil.

As inscrições já foram encerradas, mas o Programa de Educação Financeira continuará com uma série de atividades multidimensionais.

Portanto, a análise da interação entre o viés do presente, os instrumentos de comprometimento e o endividamento revela que o autocontrole pode manifestar-se tanto na capacidade de evitar situações tentadoras quanto na habilidade de resistir a elas.

Contudo, por mais eficazes que sejam os mecanismos de autocontrole, as ações de educação financeira devem considerar as diferenças entre os diversos públicos, como servidores públicos, jovens, idosos e outros segmentos.

Além disso, o fortalecimento da literacia financeira e o acesso ao aconselhamento profissional deverão constituir recursos complementares.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 6/08/26. Opinião. p.15.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

NOVOS TEMPOS?

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

A expressão francesa "Mardi Gras", literalmente, significa "terça-feira gorda". É a terça-feira de Carnaval. O termo vem do consumo de alimentos gordurosos antes da abstinência da quaresma. Em cidades como New Orleans, "Mardi Gras" passou a ser Carnaval e nesse período lá estive. O desfile é bem distinto do nosso.

Lembrava o das antigas escolas do Brasil em 7 de Setembro. Indaguei a um dos policiais por que alguns deles entravam num carro comum e logo saíam. Disse-me ele: "É o carro do médico da polícia. Estamos em operação. Se alguém achar que irá gripar, entra no veículo e recebe uma injeção". Imaginei o cuidado que os americanos deveriam ter com seus soldados numa guerra.

Segundo a mídia, em novembro de 2025, o porta-aviões USS Abraham Lincoln foi ao Mar da China. Após a guerra entre EUA e Irã, o navio deslocou-se ao Oriente Médio. Os porta-aviões devem atracar a cada 30 ou 40 dias para descanso da tripulação e reabastecimento, mas o navio americano está no mar 3 meses a mais do que o previsto, e parentes dos militares que estão a bordo denunciaram, entre outros problemas, a escassez de comida e itens para higiene pessoal, além da contaminação da água, e que o longo período no mar e em guerra já impacta a saúde mental da tripulação. Novos tempos?

Noticiou-se que, em recente viagem do presidente, com a desconfiança de ataque iraniano ao avião, o líder dos EUA saiu secretamente para outra aeronave ao usar o caminhão de abastecimento e deixou, como "isca", os repórteres e assessores, que viajaram sem saber do perigo que corriam. Novos tempos?

O truque lembra o que teria acontecido em Brasília quando um marido sentiu que, para a esposa crer na sua viagem, teria de vê-lo entrar no avião. O esposo nele ingressou, saiu pelo caminhão e ficou em Brasília com a "outra".

Em 1998, o presidente Clinton quase perdeu o mandato, não por trair a esposa, mas por mentir. Hoje, em novos tempos, se daria o mesmo?

Para o neurocientista Miguel Nicolelis, "os EUA estão em uma autodestruição, com derretimento interno, sua democracia está morrendo e os jovens estão sem perspectiva alguma". Novos tempos?

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/08/26. Opinião, p.18.

 

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