sábado, 13 de junho de 2026

MARGARETH DALCOLMO: entre a literatura e o compromisso com a ciência II

Por Ana Rute Ramires, jornalista de O Povo.

OP - A senhora também menciona que, durante esse período da Covid-19, a gente teve um retrocesso de 10 anos no combate à tuberculose. Como é que o Brasil pode recuperar esse tempo perdido? A senhora acha que a gente vai conseguir recuperar?

Margareth - Vai. Mas, quer dizer, você não recupera um tempo perdido. Ele não é recuperável, né? O tempo perdido, ele é, eu diria, recomponível de uma outra maneira. Então, nós tivemos um retrocesso em todas as doenças, não foi só nas doenças transmissíveis, a tuberculose foi a que mais sofreu, mas nós tivemos um retrocesso muito grande em outras doenças, como as cardiovasculares, onde a mortalidade aumentou, mas sobretudo nos cânceres. Nos cânceres realmente foi devastador o retrocesso. Por quê? Porque pessoas que estavam em tratamento, muitas interromperam, pessoas não tiveram seus exames preventivos feitos, portanto, não tiveram seus diagnósticos de câncer de mama, de câncer de próstata e de outros cânceres e pessoas que não foram operadas, não foram tratadas numa temporalidade adequada. Então, sem dúvida, o impacto sobre o câncer foi devastador. Na tuberculose também, porque o Brasil tem um paradoxo, né? O Brasil tem uma carga de doença muito alta ainda. Nós tínhamos aproximadamente 90.000 casos por ano, passamos para 100.000 casos por ano. Uma mortalidade que também teve um impacto muito grande, porque as pessoas deixaram de se tratar, os serviços não funcionaram. Eu trabalho na Fiocruz, um serviço que nunca deixou de funcionar, porque como nós fazemos pesquisa, nós temos voluntários e não podíamos deixar de ser atendidos de modo algum. Tem muitas implicações de natureza ética e, além disso, nós desenvolvemos pesquisa, então, nós estávamos lá o tempo todo, mas isso não aconteceu com a maior parte do serviço. Então, o paradoxo ao qual eu me refiro é que o Brasil tem tratamento rápido molecular na rede pública, ou seja, um diagnóstico que pode ser feito em 24 horas. O Brasil tem tratamento gratuito, governamental, para todo mundo, inclusive com medicamentos de alto custo e que são oferecidos pelo SUS. Então, nada justifica a não ser uma ineficiência dos serviços e eu acho que isso é um exemplo bastante revelador das necessidades de melhoria do funcionamento do SUS. O SUS, você sabe, eu sou defensora absolutamente convicta do SUS, né? Eu acho que o SUS é o maior programa de inclusão social do mundo. Não há nenhum país que tenha mais de 100 milhões de habitantes que ofereça serviço para todo mundo de maneira equânime. Como SUS, com todos os seus problemas, com todas as suas falhas, com todo o seu subfinanciamento, nós ainda gastamos muito pouco com saúde, né? Nós gastamos menos de 5% do nosso PIB com saúde, quando outros países gastam muito mais, mais de 10%. Então, assim, nós precisamos aumentar o investimento do SUS, precisamos melhorar a qualificação das pessoas que lá trabalham. Então, essa questão de recursos humanos é muito importante e nós precisamos dar acesso maior, lembrando algo que eu considero muito importante que todo mundo tem que ter essa consciência. O Brasil é um país que envelheceu rapidamente. Nossa população aumentou a sua longevidade de maneira quase abrupta nos últimos 40 anos, né? Nós aumentamos a nossa expectativa de vida ao nascer de 54 para 78 anos em 40 anos. Isso se deve a uma ação de saúde pública chamada vacinas. E essa crença, essa confiabilidade, é muito importante que seja retomada para que nós consigamos manter não só a confiança da nossa população, como as medidas que estão ligadas a isso. Então, as doenças tiveram impacto com a Covid-19, sem dúvida nenhuma, mas isso levou a uma consciência e que hoje tá muito clara para nós. Essa não foi a última pandemia das nossas vidas. A Covid-19 não é a última pandemia, teremos outras. Então, o relatório global publicado no final de 2024, o Global Report publicado na revista Lancet agora em 2025, revela por estudos muito bem feitos que nós temos uma chance real de 48%, matematicamente calculada, de que nós teremos nos próximos 8 anos uma grande pandemia com muitas de mortes, por mais de 1 milhão de mortes. E isso é esperado. Então, o Brasil não pode mais ser apanhado tão desprevenido como foi quando a Covid a chegou, de modo algum. Então, o Brasil precisa de uma nova institucionalidade que cuide disso, que prepare o país para isso. Então, faço parte de um grupo criado pelo Ministro Padilha, assim que ele assumiu no ano passado, para a criação de uma nova institucionalidade que nesse momento tá aprovada e que depende apenas agora de um marco legal, né, um projeto de lei, uma medida provisória, algo que possa institucionalizar de maneira definitiva e nós possamos ter todas as providências rapidamente tomadas.

OP - E o que é que a gente faz enquanto espera a próxima pandemia? A senhora falou desse grupo de trabalho que está sendo institucionalizado. O que é que a gente precisa fazer para se preparar para outro evento como esse?

Margareth - Primeiro, nós temos que ter toda uma questão logística de entendimento institucional da relevância, da magnitude que o problema pode ter. Isso é muito importante. Segundo, qualquer pandemia ou qualquer epidemia daqui para a frente será sempre, ou uma maioria delas, de origem zoonótica. Ela virá do mundo animal. O homem tá fazendo tão mal ao planeta com esses desmatamentos e mudanças climáticas e tudo que de modo negacionista pode ser negado, mas nós sabemos que é verdade. Tudo isso está relacionado, nada disso é independente. Então, muito provavelmente, as próximas epidemias serão não só de origem zoonótica, ou seja, gripes aviárias, mas relacionadas a viroses, doenças virais de transmissão respiratória, isto é, uma pessoa contaminada pode transmitir para várias outras. Então, é preciso que esse entendimento seja público, que as pessoas saibam disso. Segundo, que a comunicação seja muito imediata, seja feito alerta e que as pessoas possam cumprir normas e recomendações sanitárias que protejam as pessoas. E terceiro, que o Brasil tenha a contingência necessária. Então, você se lembra que nós não tínhamos máscara, nós não tínhamos vidro para envasar vacinas. Nós precisamos de autonomia, autonomia da indústria, para que nós tenhamos estoque adequado de tudo que é necessário para controlar algo que é transmissível e que é é transmissível de um vetor ou que é transmissível de uma pessoa para outra. Essa logística, que eu chamo de contingência, é crucial pro Brasil nesse momento. Nós precisamos disso e nós precisamos de autoridade. É claro que uma institucionalidade nova não terá poder de polícia. Eu não posso chegar e fechar esse hotel onde nós estamos, ou escola, não. Mas eu posso dizer ao público: escolas devem ser fechadas, cinemas devem ser fechados, locais públicos, festas canceladas, porque há uma transmissão que é coletiva e que uma pessoa pode transmitir para várias outras. Alguém com essa autoridade, um grupo de pessoas com a chancela governamental. E isso não pode estar ligado a governos. Isso tem que ser uma institucionalidade de Estado que não sofra nenhuma interferência de natureza política. Nós estamos aqui para orientar, prover informações, gerar conhecimento e, sobretudo, dizer do que foi encontrado, seja isso uma resposta boa, uma informação ruim, preocupante ou alarmante, mas nós temos que dizer a verdade. Felizmente, a imprensa brasileira, eu sou particularmente muito grata à imprensa brasileira de modo geral, salvo raras exceções, a imprensa brasileira optou numa encruzilhada de opção, optou pelo caminho correto. Ouviu-nos e nos deu voz permanente, como você viu. Tinha dias que eu dava quatro, cinco entrevistas em canais diferentes de televisão, de rádio, de jornais. Eu passei a escrever em um jornal semanalmente, eu dei entrevista para muitos órgãos internacionais, porque a situação do Brasil preocupava o mundo todo, naturalmente. Nós convivemos desde o início com algo muito nocivo ao Brasil, faço questão de frisar isso. Nós convivemos com uma tensão entre a nossa voz e a retórica governamental que era extremamente danosa à nossa população. Então, nós vivemos nessa tensão desde o início e procuramos, digamos assim, diminuir isso dando informação precisa e verdadeira.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/06/26. Páginas Azuis. p.6-7.


MARGARETH DALCOLMO: entre a literatura e o compromisso com a ciência I

A médica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz é uma defensora da ciência, do humanismo e do compromisso inegociável com a verdade

Por Ana Rute Ramires, jornalista de O Povo.

Nascida em uma família de juristas, por muitos anos ela quis ser diplomata. Mas o encontro com a Medicina foi sem volta. Entre o amor pela literatura e o empenho na pesquisa científica, forjou-se uma defensora da ciência, do humanismo e do compromisso inegociável com a verdade. De uma adolescente engajada nas causas sociais, que sempre gostou de cuidar de gente, Margareth Dalcolmo tornou-se médica pneumologista e pesquisadora com carreira exitosa.

Ao O POVO, a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM) alerta sobre a previsão de novas pandemias nos próximos anos e elogia a capacidade da comunidade científica nacional em gerar inovações mesmo sob adversidades. Dalcolmo também reflete sobre os desafios estruturais do Sistema Único de Saúde (SUS), o compartilhamento de desinformação durante a pandemia da Covid-19 e a precarização da formação médica no Brasil.

O POVO - A senhora vem de uma família de juristas e pensou em ser diplomata. Como foi esse encontro com a Medicina?

Margareth Dalcolmo - Realmente, a minha família é uma família que tem muito pouca tradição médica. Na verdade, eu só tenho dois primos médicos mais ou menos da mesma geração que eu, um pouquinho mais velhos, com quem eu tive muito pouco contato na vida. E eu venho do meio da justiça. Meu pai era advogado, meu avô era advogado, minhas tias eram uma juíza e outra promotora. Então, cresci nesse meio e, desde muito pequena, eu sempre li muito, sempre fui uma criança muito curiosa, muito aventureira, muito sonhadora, tinha um imaginário fertilíssimo e dizia que ia ser diplomata. E meu primeiro presente, além de uma boneca, naturalmente, que eu tinha e gostava muito, foi um grande quebra-cabeça de mapa-mundi que meu pai me deu. Então, eu me lembro que eu botava aqueles alfinetinhos coloridos nos lugares. Sempre escolhia nomes exóticos para os lugares. E, assim, meus pais levaram aquilo à sério e me puseram para estudar línguas muito cedo. Na Cultura Inglesa, na Aliança Francesa, onde eu entrei ainda adolescente. Mas eu sempre fui muito jeitosa para cuidar. Eu sempre gostei muito de estar com as pessoas mais velhas e sempre tive um jeito assim, uma curiosidade em relação a ouvir o outro, cuidar do outro, né? Eu lia muito e, aos 17 anos de idade, já no ano de fazer o cursinho pré-vestibular, eu tomei a decisão de que não seguiria a carreira de humanas e iria fazer vestibular para Medicina. Meus pais ficaram muito surpresos nessa ocasião e, enfim, eu tinha feito curso clássico, não tinha feito curso científico, que era a formação da minha geração. E eu disse aos meus pais que eu já tinha combinado tudo com os meus colegas, que eu ia dar aula de português, inglês, história, geografia para eles, eles iam me ensinar física e química para poder melhorar as minhas condições. E assim foi. E eu jamais tive qualquer minuto de hesitação. Era um momento do Brasil muito difícil. Nós estávamos na ditadura militar, no final da ditadura. E eu fiquei muito chocada vendo gente da minha geração sendo presa. Enfim, foi um momento muito difícil. Eu sempre fui uma adolescente profundamente consciente e muito engajada nas causas sociais. De modo que foi uma decisão muito madura para uma adolescente, da qual eu jamais tive qualquer arrependimento. Meus pais riram na minha primeira decisão, achando que na primeira aula de anatomia, com cheiro de formol, eu ia mudar de ideia e voltar para o meu desejo original. Isso nunca aconteceu. Então, foi uma decisão que me deu muito prazer ao longo da minha vida, de uma carreira bem sucedida, que me deu certamente muitas preocupações, cuidar de gente é algo muito desafiador, mas também é fascinante. Eu gosto de gente e, para ser médico, eu sempre digo aos meus alunos, têm que gostar de gente, né? E eu gosto de gente, gosto de cuidar, gosto de ouvir, gosto de estudar e continuo trabalhando, pesquisando. Eu sou pesquisadora clínica, trabalho com pesquisas, não de bancada, de laboratório, mas pesquisas com pessoas. Então, isso prova, na verdade, ao longo da minha carreira, essa consistência foi se fazendo trabalhando sempre com pessoas, procurando um propósito, digamos assim, de fazer alguma coisa que coletivamente pudesse ser útil. Essa foi a minha entrada na Medicina. Foi serena, surpreendente para os outros, mas enfim, sem volta.

OP - A senhora falou que, desde criança, gostava muito de ler, tinha muita criatividade e, até hoje, é uma leitora voraz, tem uma super biblioteca também, é escritora. Quais são os seus livros preferidos, autores? A senhora acha que esse arcabouço da leitura também influenciou a senhora como médica e como pesquisadora?

Margareth - Isso é importante ser dito, hoje, num momento em que nós estamos vivendo, em que as pessoas ficam muito tentadas a se dispersar ou ler de maneira muito superficial por algo que eu considero muito nocivo nos dias que nós vivemos, que chamam-se redes sociais. As redes sociais, se bem usadas, podem ser muito úteis, são úteis para o nosso trabalho, para uma informação imediata, a inteligência artificial chegou para nos ajudar nesse sentido. Eu tenho escritores que marcaram muito, desde cedo de ter lido, livros que marcaram muito a minha vida. Eu já escrevi um artigo sobre isso. O livro que marcou a minha vida, a minha carreira, a minha especialidade é a Montanha Mágica, de Thomas Mann, que é um livro absolutamente seminal na minha formação, como A Morte de Ivan Ilitch, do (Liev) Tolstói. Mas a minha autora querida, preferida é Marguerite Yourcenar, que escreveu livros maravilhosos, tem uma biografia maravilhosa, Simone de Beauvoir naturalmente, porque marcou a minha geração, né? Eu me lembro quando eu fiquei assim uma noite sem dormir, quando eu li o Segundo Sexo e aquela volúpia de entender o nosso papel de mulher no mundo. Então, ler Simone naquele momento fez muita diferença. Muitos outros autores, eu sempre li muito. Você acabou de mencionar que eu tenho uma bela biblioteca, né? Eu fui casada durante quase três décadas com um grande intelectual também (Cândido Mendes de Almeida, imortal da Academia Brasileira de Letras, falecido em 2022). Era uma casa que não tinha filhos, mas tinha duas bibliotecas, né? Hoje, tem uma só. Então, nós passávamos de uma para outra. Isso foi enriquecedor também porque propiciou um diálogo humano. Meu marido era um grande humanista, então, um diálogo de grande densidade e humana, né? Eu acho que um médico não pode ler só artigos. Existe uma frase dita ainda no século XIX por um médico português que dizia: "Um médico que só sabe medicina, nem medicina sabe." E eu considero essa frase absolutamente definitiva. Se nós não procurarmos entender onde nós estamos inseridos, sobretudo sendo brasileiros… E gostando do Brasil, como eu gosto, né? Eu gosto muito do Brasil, eu gosto muito de viver aqui. Viver no Brasil para mim é uma opção. Uma escolha deliberada. Foi aqui que eu fiz a minha carreira, foi aqui que eu conheci pessoas e encontrei os amores, tenho minha família, embora minha família seja de imigrantes. Eu sou de origem italiana. Então, eu sou como grande parte do Brasil, venho daqueles que vieram para construir esse país. Acho que isso reforça um compromisso muito forte.

OP - A senhora teve uma atuação muito conhecida pela população em geral por causa da Covid-19, muito por causa do seu quê de comunicação também, né? Como foi essa experiência de comunicar sobre a ciência em um período tão delicado com relação a fake news, tão eivado de desinformação?

Margareth - De novo, foi um compromisso público que eu assumi desde que percebi ainda no dia 14 de março de 2020, quando eu dei a primeira entrevista pública sobre a Covid-19 no Brasil numa grande rede de televisão que me convidou. Porque eu havia gravado um pequeno filminho, eu nem sabia naquela época usar esse termo que eu vou usar que chama-se viralizar. Havia viralizado, em 36 horas no ar tinha alcançado 25 milhões e meio de visualizações. Foi por essa razão que uma rede de televisão me telefonou. E eu tinha gravado esse pequeno videozinho porque eu havia saído de Brasília, onde estava assessorando o ministro (Luiz Henrique) Mandetta, na ocasião, para elaborar as primeiras recomendações para conduta, como nós deveríamos nos comportar na epidemia que tava chegando, que já estava se instalando no Brasil. Eu havia participado, 17 anos antes, do grupo que havia assessorado o ministério quando houve a epidemia de H1N1. Na época, era ministro (José Gomes) Temporão. Naquela ocasião, fizemos todas as providências necessárias, tínhamos estoque de remédio, tínhamos vacina comprada, ao contrário do que estava acontecendo naquele momento onde o Brasil não tinha nem sequer a continência necessária para enfrentar a tragédia que começava a se abater sobre o País. E eu anunciei ao público isso. Ao fazê-lo, eu percebi que havia tido um impacto muito grande nas televisões e nos órgãos de comunicação. Havia uma maneira de informar e eu tomei esse compromisso de dizer a verdade sempre, por pior que ela fosse. Há um exemplo muito paradigmático para mim que foi no Natal de 2020, quando o jornal me perguntou: “É verdade que a senhora vai dizer que não pode ter Natal no país mais católico do mundo?”. Eu disse “Vou dizer que não pode ter Natal”. Estavam morrendo 2.000 pessoas por dia, não tinha nem como enterrar, né? Nós estávamos abrindo cova rasa em São Paulo, Manaus, a tragédia instalada. Então, eu sempre disse que sim. Com todos os ônus e bônus que isso, evidentemente, encerrava. Essa forma de se comunicar é algo que acho que é uma característica, não diria que é um dom, mas uma característica, uma coisa de quem ensina. Uma maneira pedagógica, digamos assim, de dar as piores notícias, como nós damos as notícias más. Como nós damos a alguém que tem uma doença grave, que não há mais o que fazer ou comunicar a família, né? Há uma maneira de se saber fazer isso de modo a atenuar o sofrimento, seja ele individual, seja ele coletivo. E eu acho que, de certa maneira, eu consegui.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/06/26. Páginas Azuis. p.6-7.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Defesa de Memorial de Ilvana Lima Verde Gomes para Professora Titular da Enfermagem da Uece


Flagrante da Comissão Especial Julgadora, ao término da defesa do Memorial da enfermeira ILVANA LIMA VERDE GOMES. A Profa. Ilvana Lima Verde está ladeada por Profs. Maria Salete Bessa Jorge, Marcelo Gurgel Carlos da Silva, e Andrea Gomes Linard e Edna Maria Camelo Chaves, à direita, e pela professora Patrícia Neyva da Costa Pinheiro, à esquerda. (Foto cedida por Profa, Thereza Moreira).

Aconteceu na tarde de hoje, sexta-feira (12/06/26), no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará - NUTEE/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da professora Ilvana Lima Verde Gomes, docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. Marcelo Gurgel Carlos da Silva (efetivo Uece), Patrícia Neyva da Costa Pinheiro (efetivo UFC), Andrea Gomes Linard (efetivo Unilab), José Jackson Coelho Sampaio (suplente interno) e Maria Salete Bessa Jorge (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Edna Maria Camelo Chaves, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora ILVANA LIMA VERDE.

Congratulações à professora Ilvana Lima Verde, por atingir o nível mais alto da carreira universitária, concretizada em sua desafiante trajetória de vida, marcada por feitos pessoais e profissionais significativos, que traduzem o seu empenho científico e a sua inestimável dedicação ao ensino superior.

Também merecedores de parabéns estão a graduação em Enfermagem e os programas de pós-graduação da área da Saúde Coletiva da Uece, por contarem com a professora Ilvana Lima Verde em seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE



FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 868

A prisão... suavemente...

José Maria Alkmin, o matreiro mineiro, foi advogado de um crime bárbaro. No júri, conseguiu oito anos para o réu. Recorreu. Novo júri, 30 anos. O réu ficou desesperado:

- A culpa foi do senhor, dr. Alkmin. Eu pedi para não recorrer. Agora vou passar 30 anos na cadeia.

- Calma, meu filho, não é bem assim. Nada é como a gente pensa da primeira vez. Primeiro, não são 30, são 15. Se você se comportar bem, cumpre só 15. Depois, esses 15 são feitos de dias e noites. Quando a gente está dormindo tanto faz estar solto como preso. Então, não são 15 anos, são 7 e meio. E, por último, meu filho, você não vai cumprir esses 7 anos e meio de uma vez só. Vai ser dia a dia, dia a dia. Suavemente.

(Sebastião Nery conta a historinha).

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/420140/porandubas-n-868

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Defesa de Memorial de Neto Cisne para Professor Titular da Administração da Uece

Flagrante da Comissão Especial Julgadora, logo depois da defesa do Memorial do economista JOSÉ JOAQUIM NETO CISNE. O Prof. Neto Cisne está ladeado pelo professor Almir Bittencourt da Silva, à direita, e por Profs. Jair do Amaral Filho, Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Ana Augusta Ferreira de Freitas, à esquerda. (Foto cedida por Prof. Neto Cisne).

Ocoeeeu na tarde de ontem, quarta-feira (10/06/26), no Miniauditório Áurea Bessa do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual do Ceará - CESA/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da Professor Titular do docente do Curso de Administração da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, formada pelos Profs. Drs. Ana Augusta Ferreira de Freitas (efetivo Uece), Jair do Amaral Filho (efetivo UFC), Almir Bittencourt da Silva (efetivo UFC), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno) e Krishnamurti de Morais Carvalho (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Thiciane Mary Carvalho Teixeira, aprovou o Memorial apresentado pelo professor doutor JOSÉ JOAQUIM NETO CISNE.

Congratulações efusivas ao professor Neto Cisne, por atingir o topo da carreira univsersitária, consolidada em sua decação à vida acadêmica, com substantivos feitos profissionais e pessoais, que sacramenam o seu pendor científico e a sua dedicação valioosa ao ensino superior.

Também dignos de encômios estão a graduação em Administração e os programas de pós-graduação em Administração da Uece, por contarem com o professor Neto Cisne em os seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-Uece


Rio, quem te viu, quem te vê

Por Romeu Duarte Junior (*)

Assim como muitos e muitas da minha geração, fui criado sob a égide da visão do Rio de Janeiro como a maior das maravilhas do mundo. Meu pai, mineiro de nascença, mas carioca por desejo, morou cerca de 15 anos na belíssima Cidade Maravilhosa, precisamente no período que é conhecido como "anos dourados". Quando falava do que lá passara, seus olhos brilhavam, para aborrecimento de minha mãe, que via o Rio como um lugar de perdição e pecado. Aprendi, pois, com o autor dos meus dias (obrigado, Aírton Monte, que também era um fã do RJ), a venerar a capital carioca, sua cultura urbana, suas variadas expressões, seus lugares, seu povo. "Algum dia ainda vou morar lá", repetia sempre de mim para comigo esse mantra. Hoje, por várias questões, não mais, e explico porquê.

Meus interesses se concentravam no futebol, na literatura e na música da terra de Machado de Assis, numa relação idealizada e apaixonada. O Rio é um lugar onde o corpo ainda conta muito, principalmente o feminino, em torno do qual todas essas manifestações artísticas orbitam. Juntamente com as muitas praias, formavam um binômio irresistível, a Garota de Ipanema que o diga. O Botafogo de 1969, Doval, Zico, Adílio e Adão, Rivelino no Flu, a zaga do Vasco em 1974, o Bangu e o Ameriquinha, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, a turma afiada do Pasquim, Clarice Lispector, Antônio Callado, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Jacob do Bandolim, Tom Jobim, Vinícius, Chico Buarque, Edu Lobo, Martinho, Paulinho da Viola, tanta gente boa. E aí, e agora?

Como dizem seus cultores, a História serve para explicar o presente e não para glorificar o passado. No começo do século XX, de um lado, a cidade esplêndida, com a sua natureza magnífica e a sua arquitetura deslumbrante, e de outro, a morraria, que já se via ocupada pelos pobres favelados. Deixados à própria sorte pelo ausente Estado, criaram normas de conduta próprias que findaram dando no que aí está. A perda da condição de capital do Império e da República foi um duro golpe para o Rio, pondo fim a 152 anos de fastígio. A cidade, referência nacional e internacional da boa vida e do turismo, e o morro, abandonado e cada vez mais perigoso, vão ser dominados respectivamente por uma classe política corrupta e por toda sorte de bandidagem, facções e milícias. O resto você sabe...

Vejo na TV o governador-tampão do RJ demitindo centenas de terceirizados que ganhavam sem trabalhar. Vários agentes da Receita Federal envolvidos em grosso esquema de corrupção na zona portuária. Muitos secretários e deputados estaduais presos por meterem a mão no dinheiro público. Em mais de 30 anos, a única dirigente do estado que não foi presa é Benedita da Silva. O Rio é o locus da atuação do grupo político liderado pelo inominável presidiário. A política se deixou dominar por faccionados e milicianos. A polícia carioca, em seu estilo Robocop, é uma das que mais matam cidadãos e cidadãs no Brasil. Em vez de Festa de Arromba, baile funk. Em vez de Bossa-Nova, gangster rap. Em vez de Nuvem Cigana, tiroteios mil. Em vez de João Gilberto, Poze do Rodo. Barbárie...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/05/26. Vida & Arte. p.2.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Convite: Defesa de Memorial para Ascensão a Professora Titular de Ilvana Lima Verde Gomes

Banca de Titular da Profa. Ilvana Lima Verde Gomes, dia 12 de junho de 2026, às 14h no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem - NUTEE/Uece.

Banca de Titulares:Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Patricia Neyva da Costa Pinheiro e Andrea Gomes Linard

Suplentes: José Jackson Coelho Sampaio e Maria Salete Bessa Jorge

Secretária: Edna Maria Camelo Chaves


 

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