Por Rita Fabiana Arrais (*)
No último dia 10
de junho - durante a 113ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - aprovou-se
o registro de bem cultural aos Lugares Sagrados da cidade de Juazeiro do Norte.
De acordo com a
Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Romaria (Sedetur) de
Juazeiro do Norte o processo de solicitação do registro iniciou-se em 2018 com
a juntada de um arcabouço documental, enfatizando a importância simbólica dos
lugares às mais distintas manifestações religiosas dos fiéis que peregrinam na
cidade desde 1889 quando impactados pelo milagre da hóstia e pela figura
emergente do Padre Cícero Romão.
A comunidade do
bem cultural demarca os seguintes lugares: a Basílica de Nossa Senhora das
Dores, a Capela do Socorro, a Casa dos Milagres Padre Cícero, a Casa Museu
Padre Cícero, o Santuário dos Franciscanos, o Rio Salgadinho, a Ladeira do
Horto e o Complexo do Horto. São nestes espaços "no universo das
devoções" onde o sagrado habita. O simbolismo destes lugares alcança seu
ponto fulcral durante as romarias, momento em que os fiéis renovam sua fé, ao
mesmo tempo em que ressignificam seus rituais.
Atualmente
existem dez romarias por ano (Celebração em memória da morte da beata Maria de
Araújo; Romaria de São Sebastião; Romaria de Nossa Senhora das Candeias;
Romaria de nascimento do Padre Cícero; Romaria em memória da morte do Padre
Cícero; Romaria de Nossa Senhora das Dores; Romaria de São Francisco; Romaria
de Finados; Romaria de ordenação do Padre Cícero; Romaria do Ciclo Natalino). Estima-se
que 2,5 a 3 milhões de romeiros participam destes eventos consolidando o
turismo religioso como uma das principais atividades econômicas da Região
Metropolitana do Cariri (RMC). Registre-se que com a lei federal nº 15.443 de
26 de junho de 2026 todas as romarias tiveram as datas inclusas no Calendário
Turístico Oficial do Brasil.
É notório que
estes eventos religiosos impulsionam o desenvolvimento e crescimento econômico
da RMC, pois os setores do comércio, serviços e infraestrutura são
positivamente impactados com a demanda constante, e consequentemente estimulam
a geração de empregos, o aumento da renda e da arrecadação de tributos.
Quanto ao volume
de dinheiro movimentado, estima-se que R$ 754 milhões são abarcados pela
economia local e distribuídos em setores como o hoteleiro, restaurantes,
mercado de artigos religiosos, transporte, entre outros. (Sedetur/2025)
Como dizia o Seu
Luiz Gonzaga (1912-1989): "Olha lá no alto do horto, ele tá vivo o
"padim" não tá morto!
(*) Economista.
Fonte: O Povo, de 3/07/26. Opinião. p.17.

