Por Lauro Chaves Neto (*)
Fortaleza chega
aos 300 anos reafirmando uma característica central de sua trajetória: a
capacidade de transformar posição geográfica em protagonismo econômico.
Hoje, responde por quase 40% do PIB estadual, esse dado revela não apenas
liderança, mas uma forte concentração econômica que molda o desenvolvimento do
estado.
Quando o Ceará
tinha sua capital em Aquiraz, o dinamismo econômico estava em polos como
Aracati. Fortaleza surgiu mais como uma escolha estratégica e administrativa do
que como centro econômico. Sua ascensão veio com o tempo, consolidada pelo
comércio, pelo ciclo do algodão e pela centralização política.
Hoje, é uma das
principais economias urbanas do país, com destaque crescente na economia de
serviços e, mais recentemente, na conectividade digital. A cidade deixou de ser
apenas um entreposto para se tornar um hub estratégico, conectando o Brasil a
mercados internacionais por meio de infraestrutura logística e tecnológica.
Entretanto, a
estrutura econômica da cidade ainda revela fragilidades importantes. A elevada
dependência do setor de serviços, muitas vezes de baixa produtividade, limita
ganhos mais robustos de renda e competitividade. A indústria perdeu
participação relativa nas últimas décadas, reduzindo o potencial de
encadeamentos produtivos mais complexos. Soma-se a isso a informalidade
persistente, a baixa qualificação de parte da força de trabalho e os gargalos
em infraestrutura urbana, que impactam diretamente a eficiência econômica.
A elevada
concentração econômica exige políticas que ampliem a inclusão e reduzam as
desigualdades. A transição para uma economia mais sofisticada demanda
investimentos em educação, inovação e produtividade. Além disso, questões
urbanas e ambientais ganham centralidade.
Fortaleza precisa
qualificar seu crescimento, elevar o padrão de produtividade e sofisticação da
economia local. Se conseguir alinhar conectividade, capital humano e estratégia
de longo prazo, poderá transformar sua posição privilegiada em desenvolvimento
sustentável e inclusivo, consolidando-se como uma das cidades mais dinâmicas do
país.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 27/04/26. Opinião. p.16.
