sexta-feira, 10 de julho de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 870

Abro a coluna com uma historinha que o ex-governador do Piauí, Alberto Silva, contava. Análise da índole piauiense.

Sou do Piauí, e daí?

Alberto Silva dizia que a alma piauiense sofria de complexo de inferioridade. Na Sudene, em Recife, ouvi dele esse chiste: um interlocutor pergunta a outro: o senhor é de onde? Resposta: sou do Piauí e daí? E já mostrava os punhos para esmurrar o interlocutor.

E foi pensando nisso que ele, quando governador, decidiu criar a Potycabana, uma praia de Copacabana, às margens do rio Poty. Importou equipamentos que faziam ondas nas águas. Não foi bem sucedido. No dia da inauguração, discursou: não precisamos ao Rio de Janeiro para tomar banho em Copacabana. Temos a nossa Potycabana. A criançada, em algazarra, mergulhou nas ondas barrentas. Uma criança morreu. O sonho foi embora.

Bonecos de Olinda, prazer!

Certa feita, acompanhei Michel ao Recife para uma visita ao senador Jarbas Vasconcelos, então governador do Estado. Fazia parte da liturgia do presidente do PMDB ouvir as lideranças do partido, ainda mais se tratando de Jarbas Vasconcelos, que realizou um grande trabalho pelo partido, desde os tempos em que o presidiu.

Chegamos já tardinha, com o sol se pondo. A casa do governador parecia um museu a céu aberto. Pela coleção de bonecos, o artesanato pernambucano se fazia intensamente presente nos cômodos. Sentamo-nos na sala de recepção. Os raios do sol abriam uma pequena claridade numa sala contígua, onde em uma mesa de jantar/almoço, convivas pareciam se regalar com os acepipes.

Fiquei curioso. Michel, então, muito educado, pediu licença de Jarbas, levantou-se e se dirigiu aos convivas, querendo cumprimentar cada um.

Mão estendida para o primeiro, veio o susto. Eram 7 ou 8 bonecos de Olinda, em tamanho natural, sentados à mesa e diante de pratos e talheres. Disfarçando o gesto risível, o presidente da Câmara volta ao nosso convívio sem conseguir o riso.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/420911/porandubas-n-870

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Nota de pesar da Clínica Pediátrica Alberto Lima por seu dirigente

É com profundo pesar que a Clínica Pediátrica Alberto Lima comunica o falecimento de seu fundador, Dr. Alberto Lim a de Souza, ocorrido nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, em Fortaleza, aos 81 anos.

Médico pediatra formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 1969, o Dr. Alberto dedicou mais de cinco décadas à saúde das crianças do Ceará. Serviu por mais de vinte anos ao Hospital Geral de Fortaleza, onde chefiou a Enfermaria de Pediatria que hoje leva o seu nome. Foi um dos fundadores do Hospital Pronto-Baby e da Residência Médica em Pediatria do HGF, e membro titular da Cadeira 7 da Academia Cearense de Medicina.

Em 1984, fundou a clínica que carrega o seu nome e que, há 42 anos, acolhe gerações de famílias de Fortaleza e de todo o estado.

Mais do que um grande médico, o Dr. Alberto formou pessoas e nos deixou um modo de cuidar: com escuta, respeito e carinho por cada criança e cada família. Esse modo de cuidar permanece, e permanecerá, em cada consulta realizada nesta casa.

Ao Dr. Alberto, a nossa eterna gratidão. À sua esposa, Ana Lúcia, aos seus filhos e netos, o nosso abraço e a nossa solidariedade. E às famílias que ele atendeu ao longo de tantos anos, o nosso carinho: a dor de hoje é compartilhada.

Velório na Funerária Ternura: hoje, das 22h à meia-noite, com reinício amanhã (10/07) às 7h30. Missa às 9h30. Sepultamento às 11h, no Cemitério Parque da Paz.

Nota do Blog Grande perda para a Medicina cearense e mais particularmente para a pediatria do Ceará. Sua valiosa biografia está registrada no livro dos Membros Titulares da ACM e no livro “Pediatria no Ceará: história e patronos”, da Sociedade Cearense de Pediaria, ora no prelo.

Que Deus o acolha, no Seu amor e na Sua misericórdia e console seus familiares.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Editor do Blog


Uma historinha de caças e caçadores

 Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

O piloto soviético T. Kuznetsov sobreviveu à queda de seu caça Il-2 em 1942, quando este foi abatido em uma missão de reconhecimento. Kuznetsov conseguiu escapar dos destroços e se escondeu nas proximidades. Para sua surpresa, um Bf 109 alemão pousou perto do local do acidente e o piloto começou a vasculhar o Il-2 destruído em busca de "souvenirs". Pensando rápido, Kuznetsov correu até o caça alemão e o usou para voar para casa, escapando por pouco de ser abatido por caças soviéticos durante o retorno.

Várias lições para a vida estão embutidas nessa historinha, que é real.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog EntreMentes em 30/10/2025.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/10/uma-historinha-de-cacas-e-cacadores.html

A ECONOMIA CHINESA É RESILIENTE MESMO COM CRISES GEOPOLÍTICAS

 Por José Nelson Bessa Maia (*)

O mundo passa por turbulência e incertezas devido a tensões geopolíticas levadas ao extremo pela agressão dos EUA e Israel ao Irã. Como consequência essa guerra levou a novo choque de energia, com forte elevação nos preços do petróleo e interrupções nos suprimentos. Os mercados financeiros oscilam devido a volatilidades nos preços dos ativos. Nesse contexto poucos países mantêm o crescimento e conseguem amortecer os choques externos.

A China tem sido capaz de preservar o crescimento a julgar pelos dados oficiais. O PIB da China cresceu 1,3% no 1º trimestre de 2026 ou 5% ano a ano, 0,5 ponto percentual mais rápido que o do quarto trimestre de 2025. A produção cresceu e a oferta acelerou-se, com a demanda em recuperação, o emprego se mantendo estável, com aumentos moderados nos preços e avanços nos segmentos da nova economia.

De fato, o produto industrial chinês cresceu 6,1% em base anual no 1º trimestre de 2026. Ritmo mais rápido do que no 4º trimestre de 2025. Em termos mensais, o produto industrial aumentou 0,28% em março. O produto da mineração subiu 6% em termos anuais entre janeiro e março, enquanto o da indústria de transformação cresceu 6,4%. O produto dos serviços de utilidade pública aumentou 4,3%. O produto da manufatura de alta tecnologia teve aumento de 12,5% no 1º trimestre, com participação no produto industrial atingindo 16,9%, e impulsionando o crescimento geral em dois pontos percentuais.

O investimento cresceu 1,7% no primeiro trimestre, revertendo queda de 3,8% em 2025, turbinado pelos gastos com infraestruturas e aceleração dos investimentos industriais, compensando a queda nos investimentos do setor imobiliário. No total, o consumo e o investimento responderam por 84,7% do crescimento do PIB no 1º trimestre, um aumento de quase 30 pontos em relação ao ano anterior, indicando mudança gradual, mas contínua no modelo de crescimento mais baseado no mercado interno e menos dependente do setor externo.

O desemprego urbano ficou em 5,3% no 1º trimestre de 2026, mantendo-se no nível do mesmo período do ano passado. Somente em março, o desemprego urbano ficou em 5,4%, 0,1 ponto percentual acima do mês anterior. A meta estabelecida para o desemprego urbano é de 5,5% em 2026 e projeta-se criar mais de 12 milhões de novos empregos urbanos em 2026.

Por fim, a China gera estabilidade num ambiente global de incerteza, apoiada em seu sistema estatal de planejamento central e a eficácia de suas políticas de longo prazo, sempre atentas às turbulências externas e à necessidade de ajustes a fatores adversos. A melhoria da confiança na China reflete-se nos fluxos de entrada de investimento direto estrangeiro, atraído pelo vigor de seu setor de Inteligência Artificial (IA) e o vasto e denso mercado interno como grandes atrativos. 

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 8/06/26. Opinião. p.19.

VACINAÇÃO, ALÉM DA HESITAÇÃO

 Por Magda Almeida (*)

A queda das coberturas vacinais no Brasil é um problema grave e merece preocupação. No entanto, reduzir esse fenômeno à hesitação vacinal ou à suposta resistência da população às vacinas simplifica excessivamente uma realidade muito mais complexa e pode nos afastar das soluções necessárias.

É verdade que a circulação de desinformação e os movimentos antivacina ganharam espaço nos últimos anos e devem ser enfrentados com firmeza. Mas explicar o fracasso sucessivo das metas vacinais quase exclusivamente por esse fator produz uma narrativa incompleta, que transfere o peso do problema apenas para o indivíduo e reduz a responsabilidade dos gestores e da organização dos serviços de saúde.

O Brasil já foi referência mundial em vacinação. Não alcançamos coberturas superiores a 90% apenas porque a população confiava nas vacinas, mas porque existia uma rede capilarizada de Atenção Primária à Saúde, com agentes comunitários realizando busca ativa, vacinação nas escolas, campanhas territoriais e equipes capazes de identificar quem estava ficando para trás.

Hoje, esse cenário é diferente. Em muitos municípios, há fragilização das equipes, redução da capacidade territorial e dificuldades operacionais. As salas de vacina nem sempre funcionam em horários compatíveis com a vida das pessoas, o acesso pode ser burocratizado e ainda se observa a exigência de carteira física mesmo diante de registros digitais disponíveis. Pequenas barreiras, somadas, tornam-se obstáculos reais.

Há ainda uma mudança demográfica importante: o Brasil envelheceu. Parte significativa do público-alvo das campanhas é formada por idosos com dificuldades de mobilidade, dependência familiar ou limitações para chegar até as unidades de saúde. Para muitos, não basta a vacina estar disponível no posto, é preciso que o sistema consiga chegar até eles, por meio de vacinação domiciliar, apoio das equipes e atuação dos agentes comunitários de saúde.

Também é preciso olhar para as diferenças regionais. No Nordeste, por exemplo, a sazonalidade da influenza ocorre mais cedo. Quando a vacina chega tardiamente, parte da população já adoeceu ou está em plena circulação do vírus.

A pergunta central, portanto, não deveria ser apenas "por que as pessoas não se vacinam?", mas também "por que o sistema não conseguiu alcançá-las?". Recuperar coberturas vacinais exige enfrentar a desinformação, sim, mas, sobretudo, fortalecer a Atenção Primária, ampliar acesso e reconstruir capacidades que levaram décadas para serem consolidadas e pouco tempo para serem desconfiguradas.

(*) Médica de Família e Comunidade. Professora da Famed/UFC. Gestora pública.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/06/2025. Opinião. p.19.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

FEIRANTES CARIRIENSES SOFREM COM PREÇOS DOS HORTIFRÚTIS

 Por Rita Fabiana Arrais (*)

A elevação dos preços dos alimentos ocupa a pauta da economia nacional em razão de pressionar o aumento da inflação, dificultando o cumprimento da meta central estipulada em 3% ao ano.

O grupo de hortifrúti encabeça os aumentos, desde o final de 2025, com a disparada dos preços da batata - inglesa (26,29%), tomate (12,97), cenoura (22.5%), pepino (48,60%), abobrinha (36,10%), alface (13,76%), cebola (27,47), brócolis (20,84) e a batata-doce (19,50%).

Dados compartilhados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacam a prévia da inflação oficial –medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - sendo de 0,62% no mês de maio.

Os impactos socioeconômicos são diversos, porém o que de imediato se verifica é a redução do poder de compra das famílias, e o comprometimento de uma fatia maior do salário para alimentação.

No Cariri o hábito de ir as feiras-livres e ao mercado é uma tradição regional que permite o crescimento e o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, ao mesmo tempo em que fortalece a economia local.

É certo que o cenário apresentado afasta os demandantes destes espaços, como também reduz o volume das suas compras. Pelo lado dos ofertantes (permissionários e feirantes) os custos elevados- em razão da entressafra e das condições climáticas desfavoráveis - aquecem o mercado paralelo de atravessadores que inflam os preços para obterem uma margem de lucro maior.

Em visita in loco nas feiras-livres e mercados de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha verificou-se um aumento entre 15% e 20% sobre o valor das caixas de 25 kg de hortaliças (Cx de 25 Kg do Tomate Cajá por R$ 255,00 Reais e a Cx de 25 Kg da batata-inglesa por R$ 260,00 Reais) que chegam nas bancas e boxes do mercado.

É importante destacar que no Ceasa Cariri (Barbalha) os preços estão com valores bem mais acessíveis. No entanto a demanda constante e crescente do Crajubar que é estimulada por um calendário festivo de 12 meses, e um polo gastronômico consolidado permitem que as oscilações de preços ocorram com mais frequência.

Inseridos neste mercado competitivo, os ofertantes buscam agregar qualidade aos produtos a fim de diferenciar-se dos demais. Quanto a composição do preço final que chegará ao bolso dos consumidores, o objetivo é a fidelização da clientela, mesmo que para isso tenha que reduzir sua margem de lucro.

E quanto aos consumidores? O cenário é de aperto no orçamento familiar e de muita disposição física para transitar nas feiras em busca de melhores preços.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 5/06/26. Opinião. p.19.

SEU PRÉDIO ESTÁ PREPARADO PARA O CARRO ELÉTRICO?

Por Carlos Farias (*)

O avanço dos veículos elétricos e híbridos no Ceará revela uma mudança importante no comportamento de consumo e na mobilidade urbana. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que a frota de veículos eletrificados no Estado cresceu 226,1% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2026, ultrapassando 17 mil unidades em circulação.

O crescimento acelerado do setor traz um alerta importante: a infraestrutura elétrica de residências, condomínios e empresas nem sempre está preparada para suportar esse novo perfil de consumo.

Existe um erro comum de acreditar que basta instalar uma tomada ou adaptar um ponto de energia para carregar um veículo elétrico. Na prática, carregadores exigem potência elevada, uso contínuo e instalações dimensionadas corretamente. Quando isso não acontece, os riscos são sérios.

Sobrecarga elétrica, sobreaquecimento de cabos, curtos-circuitos e incêndios podem ocorrer em estruturas que não passaram por avaliação técnica adequada. Em condomínios, o problema ganha proporções ainda maiores, já que uma instalação irregular pode comprometer toda a rede elétrica do prédio.

Um incêndio iniciado em uma instalação inadequada pode causar perda de veículos, danos estruturais e prejuízos materiais, além de colocar vidas em risco. Não se trata apenas de um problema individual, mas de segurança coletiva.

Muitos edifícios antigos não foram projetados para suportar a demanda energética gerada por carregadores elétricos. Por isso, antes de qualquer instalação, é fundamental realizar análise de carga, revisão do cabeamento, avaliação dos quadros elétricos e estudo da capacidade.

A expansão dos veículos elétricos representa um avanço importante para a mobilidade e sustentabilidade, mas o crescimento do setor precisa vir acompanhado de responsabilidade técnica, planejamento e prevenção.

Nos condomínios, esse debate precisa envolver moradores, administração e gestão predial, para que as decisões sobre instalação da infraestrutura elétrica aconteçam com acompanhamento técnico adequado.

(*) Engenheiro eletricista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/06/26. Opinião, p.18.

 

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