Por Pe.
Reginaldo
Manzotti (*)
Janeiro é o mês do recomeço. O
calendário vira, os dias se renovam, e somos convidados a olhar para frente com
esperança. Para nós cristãos, esse tempo não é apenas uma oportunidade de
traçar metas e fazer promessas: é um chamado à conversão, à escuta de Deus e à
vivência mais profunda da fé.
O tempo é um dos maiores dons que Deus
nos concede. Cada segundo é uma oportunidade de amar, servir, crescer e se
aproximar do Senhor. No entanto, muitas vezes vivemos como se o tempo fosse
infinito, adiando decisões importantes, negligenciando relacionamentos e
esquecendo que "o hoje" é tudo o que temos.
Por isso, Janeiro, por excelência traz a
proposta de mudanças de renovação em nossa vida espiritual. Após as festas de
fim de ano, é comum sentirmos um certo vazio ou cansaço. Mas Deus nos chama a
recomeçar com Ele. A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de Janeiro),
nos lembra que o ano começa sob o olhar materno da Virgem Maria, que nos conduz
a Jesus.
Logo depois, somos convidados a
contemplar com profundidade o mistério da Epifania do Senhor, uma das
celebrações mais ricas e universais da nossa fé cristã. A palavra
"Epifania" vem do grego epiphaneia, que significa
"manifestação" ou "revelação". Jesus Cristo se manifesta
como luz para todas as nações, como Salvador não apenas de Israel, mas de toda
a humanidade.
A Solenidade da Epifania encerra o Tempo
do Natal. Enquanto o nascimento de Jesus foi revelado aos pastores -
representantes dos humildes e marginalizados de Israel - a Epifania marca a
visita dos Magos do Oriente, que representam os povos gentios, os estrangeiros,
os buscadores da verdade. Eles vêm guiados por uma estrela, símbolo da luz
divina que brilha nas trevas e conduz os corações sinceros até o Salvador.
Este encontro entre os Magos e o Menino
Jesus é profundamente simbólico: é o cumprimento das profecias que anunciavam
que todas as nações viriam adorar o Messias (Is 2,2-3. 11,10. 60,3; Zc 14,16).
É a confirmação de que o amor de Deus não conhece fronteiras, que o Cristo é
universal, que a salvação é oferecida a todos.
Quem eram esses Magos? A tradição os
chama de reis, e lhes atribui nomes: Gaspar, Melchior e Baltasar. Mais do que
reis, eram sábios, estudiosos dos astros, homens que buscavam sentido para a
existência. Eles representam todos os que são tocados pela graça e se põem a
caminho.
O que os move? Uma estrela. Um sinal no
céu. Deus fala também através da criação, e os corações atentos percebem. Eles
não se contentam com o conforto de suas terras; enfrentam perigos, atravessam
desertos, perguntam, erram, recomeçam. São peregrinos da fé. E quando
finalmente encontram o Menino, não hesitam: prostram-se e O adoram.
Os presentes que os Magos oferecem -
ouro, incenso e mirra - são cheios de significado:
* Ouro: símbolo da realeza. Jesus é Rei,
mas não como os reis deste mundo. Seu trono é a cruz, seu cetro é o amor.
* Incenso: símbolo da divindade. Jesus é
Deus, digno de adoração.
* Mirra: símbolo do sofrimento. Jesus é
homem, destinado a sofrer por nós.
Esses presentes revelam quem é Jesus:
verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Rei e Servo, Salvador e Sacrifício.
Celebrar a Epifania é mais do que
recordar um evento do passado. É reconhecer que Deus continua se manifestando.
A estrela ainda brilha. Os sinais ainda são dados. Mas é preciso ter olhos
atentos e coração disponível.
Muitas vezes Deus se revela nas pequenas
coisas: na beleza da natureza, na Palavra proclamada, na Eucaristia celebrada.
A Epifania nos convida a sermos como os Magos: buscadores da verdade,
adoradores do Mistério, generosos em nossa entrega.
A Epifania também nos ensina sobre
conversão. Os Magos, depois de encontrarem Jesus, voltam por outro caminho.
Isso não é apenas geográfico - é espiritual. Quem encontra o Cristo não pode
seguir vivendo da mesma forma. A luz que brilha transforma, ilumina, purifica.
A Epifania é convite à mudança, à renovação, à abertura ao novo.
Deixemo-nos guiar pela estrela da fé.
Que possamos reconhecer os sinais de Deus em nossa vida, adorá-Lo com
sinceridade, oferecer-Lhe o ouro do nosso amor, o incenso da nossa oração e a
mirra dos nossos sofrimentos.
Que a luz de Cristo brilhe em nós e nos
torne também manifestações do amor de Deus no mundo. Que sejamos
estrelas que conduzem outros ao Salvador. E que, como os Magos, nunca deixemos
de buscar, de caminhar, e de ser corações adoradores.
Desejo a todos um 2026 de bençãos, paz e
prosperidade!
(*) Fundador e presidente da
Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de
Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 24/01/2026. Opinião. p.18.


