domingo, 16 de agosto de 2026

Florence Nightingale: Legado que perdura

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Florence Nightingale fundou a primeira escola laica de formação de enfermeiras do mundo. No artigo "De Florence Nightingale à pandemia Covid-19: o legado que queremos", publicado na revista científica Texto & Contexto - Enfermagem, Maria Itayra Padilha, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pós-doutora em História da Enfermagem e Saúde, fala sobre esse legado na formação.

"A iniciativa serviu como semente de um novo status para a Enfermagem como profissão, e para a criação de inúmeras outras instituições de ensino espalhadas pelo mundo, fundadas por ex-alunas, implantando o chamado Sistema Nightingaleano de Ensino de Enfermagem, inclusive no Brasil."

A Escola de Enfermagem Anna Nery, fundada em 1920, no Rio de Janeiro, foi a primeira instituição estruturada sob os pilares do sistema de Florence Nightingale no Brasil.

A professora Maria Itayra explica que Anna Justina Ferreira Nery, que deu nome à escola, foi outro exemplo de atuação na linha de frente em guerras. A brasileira prestou cuidados aos feridos na Guerra do Paraguai, em 1860, e posteriormente recebeu o título de "primeira enfermeira brasileira".

A fundação da escola se deu pela atuação do Departamento Nacional de Saúde Pública, liderado pelo médico Carlos Chagas, e pela Fundação Rockfeller, que se aliou ao governo brasileiro e trouxe enfermeiras norte-americanas ao Brasil numa missão para implantar a enfermagem moderna no País.

A professora Maria Angélica de Almeida Peres, da UFRJ, destaca que é preciso considerar o contexto histórico para entender as características da enfermagem natingueliana.

A historiadora observa que uma aparente "submissão" de Florence aos médicos era, na verdade, uma estratégia política consciente. Ela sabia que, para a profissão vingar, precisava primeiro se estabelecer dentro das condições possíveis para mulheres no século XIX.

Florence faleceu aos 90 anos, em 13 de agosto de 1910, e foi sepultada ao lado dos túmulos de outros membros da família em East Wellow, Hampshire.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. Etc. p. 19.


Florence Nightingale: Pioneirismo na ciência de dados

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Conforme os registros do projeto da Universidade de Guelph, em março de 1854, chegaram relatos sobre as condições terríveis e a falta de suprimentos médicos sofridas pelos soldados feridos que lutavam na Guerra da Crimeia. O Ministro da Guerra convidou Florence para supervisionar a introdução de enfermeiras nos hospitais militares na Turquia.

Com um grupo de 38 enfermeiras, Florence chegou a Scutari e começou a organizar os hospitais para melhorar o fornecimento de alimentos, cobertores e camas, bem como as condições gerais e a higiene.

O conflito registrou mortalidade alarmante, mas a grande maioria ia a óbito por doenças evitáveis (como tifo e cólera) e não por ferimentos de combate.

A metodologia que ela desenvolveu para analisar o que deu errado fundamentaria suas campanhas por reformas sociais e de saúde. Quando retornou a Londres, Nightingale contou com a colaboração de William Farr, superintendente de Estatísticas do Registro Geral e o mais renomado estatístico médico da época.

Com ele, ela analisou os dados oficiais e publicou seus icônicos diagramas de área polar. Seus gráficos (como o famoso Diagrama da Rosa) demonstraram que as mortes disparavam devido às péssimas condições sanitárias.

Após uma força-tarefa higienizar os esgotos e a ventilação, a mortalidade britânica despencou de 23% para apenas 2,5%. Em contraste, a taxa francesa, que não adotou as reformas a tempo, subiu.

A teoria ambientalista de Florence Nightingale é o que ela descreve como cuidado necessário a recuperação do doente, destacando que o ambiente tem que ser favorável a esse processo, focando em questões sanitárias como controle de excrementos, oferta de água limpa, luz solar e ventilação, como detalha Maria Angélica de Almeida Peres, professora da Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. Etc. p. 19.


sábado, 15 de agosto de 2026

Florence Nightingale: Origens e formação da "Dama da Lâmpada"

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Florence Nightingale nasceu em Florença, na Itália, no dia 12 de maio de 1820, na época em que seus pais, aristocratas britânicos, residiam no país. Na infância, ela era estudiosa e se interessava especialmente por matemática.

Ela teria sentido um "chamado" de Deus e acreditava estar destinada a fazer algo maior, conforme registros do Florence Nightingale Museum, localizado no St Thomas' Hospital, em Londres, Inglaterra, onde ela fundou sua escola de enfermagem.

Na Inglaterra vitoriana, esperava-se que mulheres de sua posição se dedicassem ao casamento e à vida doméstica, papéis que ela ativamente rejeitou.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. Etc. p. 19.


O legado de Florence Nightingale, a precursora da enfermagem moderna

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Além da "Dama da Lâmpada", Florence Nightingale foi uma estatística, estrategista e cientista brilhante, cujas contribuições perduram até hoje

Durante as noites, ela percorria os corredores do Hospital de Scutari (Istambul, Turquia) carregando uma lâmpada para vigiar e prestar cuidados aos soldados feridos. Enquanto o exército britânico lutava na Guerra da Crimeia (1854-1856), Florence Nightingale travava uma guerra interna contra a sujeira, o ar estagnado e a negligência que tiravam mais vidas do que as próprias armas.

Foi esse ritual de cuidado e vigilância que cristalizou a figura da "Dama da Lâmpada", transformando uma voluntária obstinada na precursora da enfermagem científica moderna. Florence foi pioneira em formular políticas de saúde pública integradas ao bem-estar social, defendendo que a saúde dependia de habitação, saneamento e nutrição.

Sua maior conquista foi transformar a enfermagem em uma profissão "respeitável" para as mulheres e, em 1860, ela fundou a primeira escola de formação profissional para enfermeiras, a Nightingale Training School, no St Thomas' Hospital, em Londres.

De acordo com Maria Angélica de Almeida Peres, professora e pesquisadora em História da Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Jeneiro (UFRJ), a principal contribuição de Florence Nightingale foi a profissionalização da enfermagem, transformando uma prática que antes era puramente caritativa ou leiga em uma ciência com conhecimento próprio e autônomo.

O projeto The Collected Works of Florence Nightingale (CFN), da Universidade de Guelph, Canadá, reúne um acervo massivo de cartas, livros e artigos de jornais da época (The Times, The Lancet) sobre ela.

Conforme informações disponíveis no site do projeto, ela foi uma cientista social empírica e introduziu a saúde baseada em evidências, usando estatísticas e dados para monitorar reformas, priorizar a prevenção e evitar danos hospitalares.

A imagem da mulher verificando se tudo estava bem à noite lhe rendeu o apelido de "Dama da Lâmpada", além do respeito dos soldados britânicos.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. p. 19.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras"

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Realizado no dia 30 de julho de 2026, às 19h, na sede da Sociedade Cearense de Pediatria (Socep), à Rua Maria Tomásia, 701 – Aldeota, em Fortaleza-CE, o lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras".

A obra é uma edição comemorativa aos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, a qual se uniu nesta iniciativa à Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Ceará, no compromisso comum de preservar a memória daqueles que dedicaram suas vidas aos cuidados das crianças e dos adolescentes em nosso Estado.

Apresentação, por Maria Sidneuma Melo Ventura

Prefácio, por João Cândido de Souza Borges

Autores: (Maria Sidneuma, João Borges e Marcelo Gurgel) e Coautores: (15)

Parte I - História e Evolução da Pediatria no Ceará 

Parte II - A Pediatria do Ceará em Livros

Parte III - Pediatras Atuantes no Ceará

Parte IV - Entrevistas com Pediatras Cearenses, conduzidas por Clara Studart e revisadas por Mirna Gurgel

Parte V - Apêndices e Anexos

Pósfacio, por Marcelo Gurgel Carlos da Silva 

Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2026

260p. Capa dura

ISBN: 978-85-420-1973-5

Obs.: Preço: R$ 100, 00 (cem reais), à venda na Socep.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Nova’Acts em 13/08/2026.

https://airblog-pg.blogspot.com/2026/08/1480-lancamento-do-livro-pediatria-no.html


Crônica: O lambedor ... e outros causos

O lambedor

A amiga Baixinha é conhecida internacionalmente no Jardim das Oliveiras por preparar o mais potente lambedor que se tem notícia no Ceará, de verdade. Orgulhosa de seu lambedor caseiro (xarope à base de agrião, malva-santa, "pepaconha", mastruz e demais ervas medicinais cozidas com mel, em alquimia que só ela sabe a receita), a querida Baixinha se gaba de já haver curado muita alergia e coqueluche pelaí.

- Meu lambedor já chegou à Inglaterra! Curou tosse braba de muito gringo! Sem falar de gente daqui do Brasil! Nada de gororoba de farmácia, meu lambedor é naturalmente milagrento!

Essa notícia maravilhosa me remeteu a um tio segundo - tio Manezinho, de meu pai, morador da Barra do Ceará. Ele tinha um cachorro pé duro com esse nome - "Lambedor". Estivemos na casa dele, ao lado do campo do Ferrim, num sábado à tarde, e enfim entendemos o porquê de tão doce e curativo nome - do cachorro. Lá estava o tio de papai refestelado na cadeira de palhinha e, deitado aos seus pés, o dito cachorro, diligente. Lambia-lhe solene, com gosto de gás, a ferida braba de sua canela, ao tempo em que espantava tudo que era mosquito em redor. Papai, horrorizado, deu um pulo e gritou:

- Tí Manezim, o Lambedor!!!!!!

- Peça uma colherada na cozinha à sua tia!

Português nós sabe...

Das Chagas, me confidenciou Paulo Marcelo (O Bigode), queria porque queria estudar Espanhol nas Casas de Cultura Estrangeira da UFC. E fez uma redação à direção, explicando os motivos da escolha do idioma castelhano de Cervantes. Passada uma semana, pegou o Campus do Pici/Unifor e foi bater no Benfica, pra saber o resultado de seu requerimento. Lá chegando, guiando-se pelo waze, a placa dizia em letras garrafais: "Casa de Cultura Hispânica".

Lendo aquilo, deu meia volta, decepcionado. Em casa, já, a mulher indaga de um marido claramente chateado com o que houve. Ele...

- Cacei, cacei e cacei hispanha e hispanhol e num vi nada disso por lá. Nããã!

O querido amigo é o mesmo que, certa vez, perguntado sobre a árvore "seringueira", respondeu que era a que dava "seringuela'.

Para admissão imediata

O empreendedor Jota Crocodilo (exportador de dindin light) está precisando dos seguintes profissionais - levar referências:

- Secador de cueca na base do assopro.

- Caçador de cururu escovado em beira de lagoa.

- Narrador de enterro de sogro enjoado.

- Descamador de peixe com as unhas.

- Animador de briga de galo.

- Comentarista de enterro.

- Analista de cururu enfezado.

- Instrutor de fie duma égua.

- Professor de natação em bacia.

- Decorador de cerca de arame farpado.

- Manicure de quiromante...

Novo cearensês

Água quebrada a frieza - Água tépida, no ponto exato de dar um banho - em criança.

Precisa só dum pezinho... - Basta um empurrão pruma briga, carece de pouca coisa para começar - a confusão, a briga...

Tirar a suja - Dar uma desculpa esfarrapada.

De testa - Frente a frente, misturando os bigodes.

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A ILUSÃO NO CLIQUE: o custo social das bets

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

No Brasil de hoje, bares, calçadas ou pontos de ônibus exibem o brilho de telas de celulares com gráficos coloridos, foguetes que sobem, promessas de multiplicação instantânea de dinheiro das chamadas "bets". Elas passaram de entretenimento para um problema de urgência social, econômica e de saúde pública, ocupando, com uma velocidade impressionante, espaço no cotidiano de uma população já endividada e pouco alertada para os riscos sobre o orçamento doméstico.

Dados recentes de pesquisa realizada pela CNC, estimam em 81,6% o número de famílias endividadas, 29,7% com atraso e 12,3% sem condições de quitação. Esse recorde histórico, não admitindo mais protelações.

A demora já favoreceu o caminho para aquele clique, que cria um momento lúdico, mas, na realidade, torna o cidadão um possível viciado, com a ilusão do ganho fácil, desde que persevere. "Insista, persista, não desista. O seu dia chegará", já dizia velho bordão da Loteria Cearense.

Contudo, o problema não é o jogo em si, mas o dinheiro da bodega, da conta de luz ou do mercantil do mês, canalizado para a ilusão do ganho fácil. Números do Banco Central indicam que os recursos transferidos via Pix para plataformas de apostas - hoje na casa das 200 legalmente estabelecidas -, podem chegar a R$ 30 bilhões mensais e, mais grave, análises amostrais apontam para que 5 milhões de  teriam destinado, em um mês, cerca de R$ 3,0 bilhões para essas plataformas.

Não é de estranhar que os varejistas cearenses já se ressintam da perda de fôlego do consumo básico, porquanto a renda que circularia no comércio do bairro, por exemplo, está sendo desviada para essas plataformas e distribuída não se sabe exatamente para onde.

O debate sobre a regulamentação, com regras de publicidade, tributação e mecanismos de identificação de perfis de risco, já tardio, da burocracia estatal, em ritmo de tartaruga versus a velocidade do clique. Devemos tratar o superendividamento por apostas não como um desvio de caráter, mas como um problema de saúde coletiva— a ludopatia.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Opinião. p.18.


 

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