Por Lauro Chaves Neto (*)
O Ceará pode
estar diante de uma oportunidade que vai muito além da instalação de grandes
data centers. A combinação entre localização geográfica, conectividade
internacional, infraestrutura portuária, disponibilidade de energia renovável e
ambiente industrial cria condições para que o Estado se transforme em uma das
principais plataformas brasileiras de infraestrutura digital e inteligência
artificial.
A referência
internacional mais evidente é a Virgínia, nos Estados Unidos. A região de
Northern Virginia tornou-se o maior polo de data centers do mundo ao combinar,
ao longo de décadas, conectividade, energia, infraestrutura, terrenos, capital
e proximidade de grandes mercados. Hoje, esse ecossistema movimenta dezenas de
bilhões de dólares e sustenta mais de cem mil empregos.
O Ceará não
precisa copiar a Virgínia. Pode construir um modelo próprio. Se, no curto
prazo, os data centers movimentarão construção civil, engenharia, energia,
telecomunicações, refrigeração e serviços especializados, no médio prazo
poderão estimular uma cadeia de fornecedores locais, ampliar a demanda por
profissionais qualificados e criar novos mercados para empresas cearenses.
A energia poderá
ser um dos nossos maiores diferenciais com uma proposta de valor diferente:
computação de alta capacidade alimentada por energia limpa e competitiva. Outro
desafio - e oportunidade - será a água. Data centers exigem sistemas
sofisticados de refrigeração, e o Ceará precisa incorporar desde o início
tecnologias de baixo consumo hídrico, reuso e eficiência.
No longo prazo a
conexão entre data centers, universidades, empresas e empreendedores pode criar
um ecossistema tecnológico capaz de gerar valor muito além do investimento
inicial.
O sonho não
deveria ser simplesmente ter grandes data centers instalados no Ceará. O
verdadeiro objetivo deveria ser muito mais ambicioso: transformar o Ceará em um
Data Center Valley brasileiro, capaz de converter energia renovável em
computação, computação em inteligência artificial e inteligência artificial em
empresas, conhecimento, empregos qualificados e desenvolvimento econômico.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 18/09/26. Opinião. p.18.
