domingo, 21 de junho de 2026

JOÃO MACEDO: a medicina como ciência e encontro humano

Por Lêda Maria, jornalista de O Povo

João Macedo Coelho Filho, casado com a pediatra Zilma, pai de Ênio, Iana e João Neto. Caminheiro animado da vida, boa-praça, sempre bem acolhido por onde passa e trabalha. Entusiasta da ideia de que "a beleza salvará o mundo", daí sua paixão pelas artes plásticas e pela literatura. Ama a ciência, o estudo, o contato com as pessoas e a possibilidade de ajudar alguém, sobretudo os que sofrem. Daí sua vocação para a medicina, que inspirou os três filhos, e sua devoção à docência, exercida "como quem reza", no dizer de Filgueiras Lima. Formou-se em Medicina pela UFC, em 1988, e, posteriormente, passou por São Paulo e pelo Reino Unido em sua formação acadêmica, obtendo mestrado, doutorado e especialização em geriatria, área que exerce ativamente em seu consultório. Na UFC, ingressou como docente em 1991, introduziu o ensino de geriatria e, atualmente, é diretor da Faculdade de Medicina, cargo em que cumpre a honrosa missão de contribuir para a formação de médicos de excelência.

Quando decidiu fazer Medicina?

Ainda no colégio, tive alguns professores que eram médicos e ensinavam disciplinas como Biologia e Química. Eles despertaram em mim grande interesse pelo conhecimento científico. Mais tarde, tive também aulas de análises clínicas em uma disciplina de caráter profissionalizante, experiência que igualmente me encantou. Ao mesmo tempo, a formação humanística e espiritual sempre exerceu forte atração sobre mim. Quando percebi que a Medicina reunia essas dimensões e representava um caminho privilegiado para ajudar as pessoas, não tive mais dúvidas: queria ser médico.

Quais foram as suas grandes influências na faculdade?

Foram muitos os professores, profissionais e amigos que me inspiraram ao longo da formação. Não ouso citar nomes, porque certamente cometeria a injustiça de esquecer alguns. Sempre admirei especialmente aqueles que exercem a Medicina aliando sólido conhecimento técnico à simplicidade, sem arrogância e longe da ribalta. Aqueles que estão sempre disponíveis para cuidar dos pacientes com zelo, respeito e genuína dedicação.

O que acha da medicina cada vez mais tecnológica?

Os avanços da ciência e da tecnologia melhoraram imensamente o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das doenças. O desafio é garantir que todos tenham acesso a esses avanços e, ao mesmo tempo, que a tecnologia jamais substitua a natureza essencialmente humana da Medicina, na qual empatia, compaixão e ética permanecem insubstituíveis.

Sente-se realizado com a sua especialidade, a geriatria?

Absolutamente realizado. A geriatria é uma especialidade em que não há compartimentalização. A pessoa é vista em sua integralidade: nas dimensões clínica, funcional, social e existencial. Exercemos o cuidado em sua expressão mais ampla. Além disso, aprendemos muito com as pessoas longevas: suas histórias de vida, seus exemplos de resiliência e os desafios que enfrentaram. Refletir sobre a velhice e o envelhecimento é uma necessidade de todos no mundo contemporâneo, em que a expectativa de vida cresce continuamente.

E a literatura?

Desde o colégio, gosto de literatura, que defino como linguagem e interioridade. É um caminho que me permite encontrar leveza, contemplar a dimensão humana e refinar a forma de ver e de estar no mundo. É também uma maneira de visitar meu universo subjetivo, minhas paixões, encantamentos e memórias.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/06/2026. V&A. Lêda Maria. p.3.


Amar em Comunhão: a força dos primeiros passos

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

Em um tempo marcado por relações frágeis e vínculos muitas vezes efêmeros, a proposta do movimento Amare, idealizado por mim, surge como um convite profundo à solidez do amor vivido a dois.

Há dez anos no Ceará, o movimento acolhe casais nos primeiros anos de união — até sete anos — reconhecendo nesse período um dos mais desafiadores da vida conjugal. É justamente nesse tempo inaugural que se moldam as bases do diálogo, da escuta, do perdão e da perseverança, elementos indispensáveis para que o amor não se desgaste diante das inevitáveis provas da convivência, nem se perca diante das pressões externas do mundo contemporâneo.

A inspiração encontra eco no magistério da Igreja, especialmente na Amoris Laetitia, na qual o Papa Francisco ressalta que o amor no matrimônio é um caminho de construção contínua, feito de pequenas escolhas diárias. Ele recorda que os primeiros anos exigem paciência, maturidade e, sobretudo, enraizamento espiritual — um tempo em que o casal aprende a sair de si para acolher o outro, a transformar diferenças em aprendizado e a cultivar a unidade sem anular a individualidade, construindo assim uma comunhão verdadeira.

Caminhar com a Igreja, nesse contexto, não é apenas frequentar celebrações, mas permitir que a graça divina permeie as realidades concretas da vida a dois: os conflitos silenciosos, os sonhos partilhados, as limitações humanas e as conquistas que se tornam testemunho. Ao viver em comunidade, os casais descobrem que não estão sós — há outros que também enfrentam dúvidas, crises e recomeços. E é justamente nesse espelho do outro que Deus se revela, sustentando, curando e orientando cada passo, fortalecendo o vínculo conjugal com esperança renovada.

Mais do que um movimento, o Amare se configura como um verdadeiro itinerário espiritual e humano, no qual o amor conjugal é educado, amadurecido e fortalecido. Em tempos de dispersão e imediatismo, ele resgata a beleza de permanecer, de reconstruir quantas vezes forem necessárias e de compreender que o matrimônio, quando vivido à luz do Evangelho, torna-se não apenas um compromisso, mas uma vocação viva, fiel e renovada todos os dias, sustentada pela graça e pela presença constante de Deus. 

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 2/05/2026. Opinião. p.22.


sábado, 20 de junho de 2026

A osteoporose e o Congresso de Fortaleza

Por Vandick Queiroz (*)

Fortaleza sediará hoje, no Hotel Gran Mareiro, o Congresso Norte-Nordeste de Osteoporose e casos cirúrgicos ortopédicos em idosos. Será uma iniciativa inédita da Associação Brasileira Ortopédica de Osteoporose, devendo reunir os maiores médicos especialistas nessa área científica. Como sabemos, nossa população está em processo de envelhecimento acelerado e a tendência é que possa vir a sofrer cada vez mais, infelizmente, de osteoporose, osteoartrite e sarcopenia (que é a perda de massa musculação).

A Osteoporose é uma doença silenciosa, até começarem a ocorrer fraturas pelas quedas e por traumas de baixa energia, resultando em dores e limitações crônicas que afetam a mobilidade e a qualidade de vida, além de custos sociais (pois alguém da família ficará sem trabalhar, para cuidar dessa pessoa idosa) e também para os sistemas de saúde público ou privado.

Atualmente, temos mais de 10 milhões de brasileiros com osteoporose e a carga pessoal e social só tende a aumentar. Todo um esforço está sendo feito para a adequada prevenção dessas doenças, sendo fundamental a discussão dessa problemática entre os médicos especialistas (razão maior desse congresso médico em nossa cidade) e todos os setores da sociedade envolvidos.

Na conjuntura atual, não somente no Brasil como também no mundo inteiro, após o paciente sofrer uma queda da própria altura associada a uma fratura da coluna, quadril ou outras articulações, em cerca de 80% dos casos, é feito muitas vezes somente o tratamento cirúrgico da fratura.

Devemos evoluir para uma situação em que os pacientes também devam se encaminhados para fazer o diagnóstico e tratamento da doença osteoporótica que realmente foi a causadora da fragilidade óssea. Com isso, preveniremos efetivamente mais e mais fraturas, evitando sofrimentos e gastos, possibilitando uma vida mais longa e de qualidade para as pessoas idosas.

Informação importante: fratura osteoporóticas em idosos, não somente as do fêmur, matam mais que câncer de mama, infarto agudo do miocárdio e AVC!!!

(*) Médico ortopedista. Especialista em osteoporose.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/06/2025. Opinião. p.26.

Cientistas Subestimados Que Estavam Certos III

Alfred Wegener (1880-1930)

Proponente da teoria da deriva continental

Wagener era um geofísico e meteorologista, cuja vida é tão trágica quanto excitante. Wegener estuda amostras de terra de vários continentes e notou um padrão estranho: a composição das amostras das Américas era estranhamente semelhante à da Europa Ocidental, e os fósseis e rochas australianos tinham uma estranha semelhança com os da Ásia e da Nova Zelândia.

Isso o levou a sugerir em uma série de documentos que os continentes da Terra podem se mover ao longo de milhões de anos. Mais uma vez, a teoria de Wegener também foi rejeitada por outros cientistas na época.

Em 1930, ele foi em uma expedição à Groenlândia e morreu com a idade de 50 anos. Somente anos depois, na década de 1960, a teoria da deriva continental foi estabelecida como um fato científico.

Nicolau Copérnico (1473-1543)

Descobriu o Sistema Solar Heliocêntrico

Durante a antiguidade, os cientistas estabeleceram que vivemos em um sistema solar heliocêntrico, o que significa que todos os planetas giram em torno do sol. No entanto, esse conhecimento foi perdido por centenas de anos, até que Copérnico o restabeleceu em 1543 em seu livro Das Revoluções das Esferas Celestes, que foi amplamente ignorado, e as pessoas continuaram acreditando que a Terra era o centro do universo.

O que também prejudicou foi que a igreja católica condenou seu livro e o baniu por séculos. Ainda assim, o estudo de Copérnico é considerado uma das realizações astronômicas mais notáveis da Idade Média e Copérnico é conhecido por praticamente todos.

O mesmo se aplica a outros quatro dedicados cientistas que discutimos neste artigo. Essas histórias mostram que a persistência e a devoção à verdade transcendem o tempo, ao passo que o escárnio e a malevolência não são. Portanto, seja corajoso e não tenha medo de falar sua verdade.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Cientistas Subestimados Que Estavam Certos II

Gregor Mendel (1822-1884)

Descobriu a herança genética

Um monge por característica, Gregor Mendel era um cientista nato: ele era um matemático talentoso e um brilhante biólogo. Mendel sozinho fundou a ciência da genética quando, enquanto trabalhava no jardim do mosteiro, notou que algumas das flores de ervilha tinham uma coloração mista, enquanto outras tinham apenas uma cor.

Isso o fez pensar que existem algumas características, como a cor das flores, que devem ser passadas de geração para geração, e quando essas características são diferentes na planta “mãe” e “pai”, ela pode produzir uma característica mista. Ele então continuou cruzando plantas de ervilha com vários traços e traçou os mecanismos básicos de herança genética, que ele publicou em um artigo que foi completamente ignorado.

Mendel seguiu em frente com sua vida e se tornou o abade de seu mosteiro. Apenas 16 anos após sua morte, seu trabalho foi redescoberto e se tornou a base da genética, como a conhecemos hoje.

William B. Coley (1862-1936)

O Fundador da Imunoterapia

No final do século 19, não havia radiação, quimioterapia ou drogas contra o câncer, e o procedimento padrão para tumores cancerígenos envolvia cortar tumores ou tecidos cancerígenos. William Coley era um cirurgião de ossos que trabalhava no New York Cancer Hospital.

Ele notou que alguns pacientes que sofriam de infecções bacterianas, como infecções por estreptococos, tinham maior probabilidade de se recuperar de câncer sem cirurgias do que outros pacientes. Isso fez com que Coley injetasse vários pacientes com uma versão enfraquecida de estreptococos e outra bactéria, o que, em alguns casos, fazia o câncer do paciente diminuir drasticamente, mas em outros, os pacientes acabavam morrendo devido às infecções que ele administrava.

Esse tratamento para o câncer era chamado de toxinas de Coley, e ele e alguns outros médicos usaram a teoria de Coley para tratar o câncer. Infelizmente, a teoria de Coley não foi bem aceita na comunidade científica e foi esquecida por quase meio século.

Somente na década de 1960, muitos anos após sua morte, a ideia de imunoterapia reapareceu na pesquisa médica, e os numerosos artigos de Coley tiveram um papel importante no estabelecimento desse campo de tratamento do câncer.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Cientistas Subestimados Que Estavam Certos I

Se você e suas ideias forem rejeitadas uma e outra vez, embora saiba que você está certo, nunca desista. As histórias de vida desses cinco cientistas provam que, às vezes, é preciso muito tempo para que as pessoas apreciem seu esforço, pois cada uma delas foi rejeitada em sua vida ou até mesmo envergonhada por suas teorias.

No final, no entanto, todos os cinco cientistas se mostraram corretos e a ciência moderna recebeu muito conhecimento e inspiração inestimáveis de suas pesquisas científicas. Vamos ser inspirados por suas vidas e aprender a perseverar, não importa o que aconteça.

Ignaz Semmelweis (1818-1865)

O pai da desinfecção

Semmelweis foi o primeiro médico a sugerir que doenças infecciosas podem se espalhar quando os médicos não lavam as mãos ou desinfetam suas ferramentas, anos antes de aprendermos sobre a teoria microbiana das doenças. Semmelweis era um obstetra em Viena, cuja observação foi que a taxa de mortalidade das mulheres pós-parto era muito maior nos partos hospitalares do que nos nascidos de parteira.

Ele acreditava que isso acontecia porque os médicos da época costumavam examinar rotineiramente cadáveres e realizar autópsias, e depois continuariam a assistir partos, os quais, como Semmelweis concluiu, devem ter espalhado a doença para as mulheres. Para neutralizar isso, ele fez os médicos e enfermeiros lavarem as mãos antes de ajudar no parto e até mesmo começarem a desinfetar as ferramentas.

sso diminuiu a taxa de mortalidade das mortes pós-parto quase imediatamente, e Semmelweis publicou vários artigos sobre esse fenômeno, mas ninguém acreditou nele. Ele foi demitido de seu trabalho em Viena e continuou sua prática em Budapeste, e lá também, as taxas de mortalidade entre as mulheres caíram em 25%.

Desmoralizado e intrigado pela ignorância da comunidade científica, Semmelweis desenvolveu depressão clínica e foi administrado em uma instalação mental, onde ele morreu inesperadamente, provavelmente devido a ferimentos que sofreu do pessoal do hospital em uma tentativa de fugir.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Qualificação de Doutorado em Saúde Coletiva (UECE) de Maria Janaína Alves de Azevedo

Flagrante da Banca Examinadora, logo apóso Exame de Qualificação da assistente social MARIA JANAINA ALVES DE AZEVEDO. A doutoranda Janaina Azevedo está ladeada pelos professores Thereza Maria Magalhaes Moreira  e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, à esquerda, e pelo Prof. Francisco Gildemir Ferreira da Silva, à direita. (Foto cedida por Profa. Lucélia Afonso).

Aconteceu na tarde de hoje (19/06/26), na Universidade Estadual do Ceará, no NUPEINSC, mais uma Exame de Qualificação de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) da UECE.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Francisco Gildemir Ferreira da Silva, Thereza Maria Magalhaes Moreira e José Maria Ximenes Guimarães (suplente), aprovou o Projeto de TeseAvaliação econômica da municipalização do trânsito como política pública estruturante de segurança viária no Sistema Único de Saúde (SUS) do Ceará”, de Curso de Doitorado Acadêmico em Saúde Coletiva, apresentado pela doutoranda MARIA JANAINA ALVES DE AZEVEDO,

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


 

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