Por Rita Fabiana Arrais (*)
A elevação dos
preços dos alimentos ocupa a pauta da economia nacional em razão de pressionar
o aumento da inflação, dificultando o cumprimento da meta central estipulada em
3% ao ano.
O grupo de
hortifrúti encabeça os aumentos, desde o final de 2025, com a disparada dos
preços da batata - inglesa (26,29%), tomate (12,97), cenoura (22.5%), pepino
(48,60%), abobrinha (36,10%), alface (13,76%), cebola (27,47), brócolis (20,84)
e a batata-doce (19,50%).
Dados
compartilhados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacam
a prévia da inflação oficial –medida pelo Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - sendo de 0,62% no mês de maio.
Os impactos
socioeconômicos são diversos, porém o que de imediato se verifica é a redução
do poder de compra das famílias, e o comprometimento de uma fatia maior do
salário para alimentação.
No Cariri o
hábito de ir as feiras-livres e ao mercado é uma tradição regional que permite
o crescimento e o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, ao mesmo
tempo em que fortalece a economia local.
É certo que o
cenário apresentado afasta os demandantes destes espaços, como também reduz o
volume das suas compras. Pelo lado dos ofertantes (permissionários e feirantes)
os custos elevados- em razão da entressafra e das condições climáticas
desfavoráveis - aquecem o mercado paralelo de atravessadores que inflam os
preços para obterem uma margem de lucro maior.
Em visita in loco
nas feiras-livres e mercados de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha
verificou-se um aumento entre 15% e 20% sobre o valor das caixas de 25 kg de
hortaliças (Cx de 25 Kg do Tomate Cajá por R$ 255,00 Reais e a Cx de 25 Kg da
batata-inglesa por R$ 260,00 Reais) que chegam nas bancas e boxes do mercado.
É importante
destacar que no Ceasa Cariri (Barbalha) os preços estão com valores bem mais
acessíveis. No entanto a demanda constante e crescente do Crajubar que é
estimulada por um calendário festivo de 12 meses, e um polo gastronômico
consolidado permitem que as oscilações de preços ocorram com mais frequência.
Inseridos neste
mercado competitivo, os ofertantes buscam agregar qualidade aos produtos a fim
de diferenciar-se dos demais. Quanto a composição do preço final que chegará ao
bolso dos consumidores, o objetivo é a fidelização da clientela, mesmo que para
isso tenha que reduzir sua margem de lucro.
E quanto aos
consumidores? O cenário é de aperto no orçamento familiar e de muita disposição
física para transitar nas feiras em busca de melhores preços.
(*) Economista.
Fonte:
O Povo,
de 5/06/26. Opinião. p.19.
