Por Raimundo Padilha (*)
Quem é o dono do
mundo? No plano celestial achamos que é Deus mas, na sua santa humildade, ele
assim não se considera. No plano terráqueo, há quem se considere. Mera ilusão.
Há quem se considere dono do mundo, ou pensa que é o Deus da terra.
E, talvez, até se
considere imortal. Este é o caso de Donald Trump. O fato de dirigir a maior
potência do Globo terrestre não lhe dá o direito desta titularidade. Mas, será
que ele chega a pensar desta forma? Se assim for, é o caso de absoluta
insanidade. E, se confimado o desvio de personalidade, a culpa é de quem o
elegeu.
À meu juízo, só
há um momento em que ele não se "acha". É quando na sua mente aparece
a China. Neste espaço, ele vê como ameaça aos seus sonhos de loucura. E na
velocidade do crescimento chinês, em pouco tempo, o poder econômico mudará de
mãos. O jogo está jogado e a ameaça está próxima.
Mas ele é dono de
cassino. As últimas medidas adotadas pelo Sr. Trump, não obstante as suas
falsas manifestações de glórias, demonstram imaginar a titularidade do poder
global. Falácias, simples falácias que amaciam o seu ego. A falta de respeito à
soberania de outros países, podem, em alguns casos ganhar pela força, mas não
pelas leis que fazem o nosso arcabouço jurídico-institucional.
Prender o
Presidente da Venezuela pela força é uma coisa, pensar que acaba com a guerra
da Rússia com a Ucrânia em 24 horas, é outra coisa e perder a guerra contra o
Iran, são coisas que demonstram a sua relativa fragilidade ou visível
insanidade.
Os seus ataques
com os tarifaços, inclusive contra o Brasil, podem ser o ócio de um presidente,
que enquanto pratica a matança podia estar cuidando da saúde e da desigualdade
entre os povos. A ameaça que existe à soberania americana ele não ver ou não tem
condições de demovê-la.
A corrida
tecnológica contra a China, por exemplo, é uma guerra perdida. Mas, o Sr. Trump
está preocupado com questiúnculas de países que não lhes causam ameaças, como
Cuba, Venezuela e Brasil. Trocar a nomenclatura de um Ministério da Defesa por
Ministério da Guerra, é pensar pequeno ou ter espírito de perseguição.
Sr. Trump faça
PAZ, não faça GUERRA. Sr. Trump o mundo sofre com a saúde e com as
desigualdades econômicas. Pense nisto. Torne o mundo menos desigual. Olhe para
a África e a ajude.
Ou será que além
de prepotente o Sr. também é racista? Seja Presidente de um País mais rico
ajudando os mais carentes e não estimulando o seu arsenal bélico e matando
inocentes. O exemplo que o Senhor deu na ocupação do Capitólio foi vergonhosa
por ter perdido legitimamente a eleição. Logo mais, daqui a dois anos, o Sr.
estará fora da Presidência dos Estados Unidos e talvez tenha que voltar a ser
croupier dos seus cassinos, e disto é que o Sr. entende.
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 1/10/26. Opinião. p.15.

