quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A DOR DAS LEMBRANÇAS

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Existem dores que não estão no presente, mas continuam vivas como se nunca tivessem passado. Elas não aparecem o tempo todo nem dominam todos os momentos, mas permanecem guardadas em algum lugar da alma, esperando apenas um estímulo para emergirem novamente.

Se ao lembrar de determinado acontecimento você sente dor, desconforto ou uma reação emocional intensa, isso revela algo importante: aquela ferida ainda não cicatrizou completamente. O tempo, por si só, não cura tudo. Em muitos casos, apenas ensina a pessoa a conviver com aquilo que nunca foi verdadeiramente resolvido.

A dor da alma raramente se apresenta de forma clara. Ela assume diferentes formas, muitas vezes mascaradas, dificultando sua identificação. Pode surgir como raiva desproporcional, inveja silenciosa, vergonha, ansiedade constante, medo ou até rejeição a pessoas, lugares e situações ligados a antigas experiências.

Uma pessoa pode perceber uma irritação recorrente ao conviver com alguém da própria família sem compreender sua origem. Em muitos casos, essa emoção está ligada à sensação de ter sido menos valorizada ou comparada de forma injusta. Em outro contexto, alguém que viveu uma experiência traumática pode não reviver conscientemente aquela dor, mas encontrar enorme dificuldade para confiar nas pessoas e construir vínculos afetivos saudáveis.

A mente humana possui mecanismos complexos de proteção. Experiências carregadas de sofrimento podem permanecer armazenadas em níveis inconscientes, influenciando emoções, escolhas e comportamentos sem que a pessoa perceba claramente sua origem.

É nesse ponto que entram os chamados gatilhos emocionais. Um gatilho é qualquer estímulo capaz de ativar uma memória emocional não resolvida. Pode ser uma palavra, um tom de voz, um ambiente ou uma situação específica. Quando isso acontece, a pessoa não reage apenas ao presente, mas também à dor que continua associada àquela lembrança.

Você não precisa continuar vivendo sob a égide da dor das lembranças. É possível ressignificar o passado. A memória permanece, mas deixa de controlar as emoções, as escolhas e o futuro. 

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 1/08/2026. Opinião. p.14.


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Lançamento do Nº 10 da Revista Anual da ACEMES

A Diretoria da Academia Cearense de Médicos Escritores (ACEMES), durante o Setembro Cultural do Ideal Clube, conduziu o lançamento do Nº 10 da sua revista anual, agora denominada Coletânea Acemes 2026, tendo o jornalista Vicente Alencar como cerimonialista.

O evento aconteceu no Ideal Clube, no Espaço José Telles, em Fortaleza-CE, em 15 de setembro de 2026 (terça-feira) e contou com a expressiva presença de acadêmicos e de muitos convidados, além de familiares do Acad. Flávio Leitão.

A obra, expondo a produção literária dos confrades e de membros honorários dessa arcádia, foi apresentada pelo médico e escritor Luiz Moura Jr, atual Presidente da Acemes, que foi seguido em seu discurso, pelo pronunciamento da professora e escritora Laéria Fontenele, da Academia Cearense de Letras e membro honorária da Acemes, que cuidou de esmiuçar o teor e as características proeminentes da coletânea em lançamento.

Uma sensível homenagem aos acadêmicos Josué de Castro Filho e Flávio Leitão, ilustres membros honoráveis da Acemes, recentemente falecidos, foram lembrados em discurso proferido pelo Acad. José Maria Bonfim de Morais, ilustre vice-presidente do sodalício, sendo sucedido pela fala de agradecimento do neurocirurgião Flávio Leitão Filho.

O confrade Luiz Moura Jr, que presidiu a solenidade, conclamou a audiência a prestar um minuto de silêncio em reverência aos dois imortais que nos deixaram.

Participei dessa obra com três produções literárias: “Haroldo Juaçaba em livros”, “Luiz Carlos da Silva: 25 anos de saudades” e “ICC: importa fazer o bem”.

Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da Sobrames-CE e da Acemes


DE MAU A PIOR

Por Raimundo Padilha (*)

O mundo está passando por aceleradas e profundas transformações. Na área da tecnologia, a velocidade tem sido inimaginável. A inteligência artificial veio para ficar e, com ela, profundas transformações. Igualmente, as energias alternativas já se constituem uma nova realidade.

O mundo avança a passos largos, não obstante a política e as guerras se constituem um retrocesso. Aliás, a política e a corrupção convivem em harmonia, comprometendo o homem nos seus valores morais. A política é praticada com "p" minúsculo, em que predomina o jogo imoral do salve-se quem puder.

No Parlamento, legisla-se em causa própria, buscando as vantagens pessoais. Raros são os honestos. E mais raros ainda são os projetos de qualidade votados em benefício da coletividade. A corrupção com suas mais diversas facetas, enlameando a ética e a moral, inclusive do cardinalato republicano. A justiça é perniciosamente lenta, estimulando a prática dos crimes e da sua impunidade.

Nestas áreas, estamos de mau a pior. E falta homem de estatura moral elevada que dê o grito de basta. Por isso, estamos a caminho do pior. A coletividade já não crê nos homens públicos. E se avizinham as eleições e a ameaça de dias piores.

Não tenho filiação partidária, não obstante tenha tido amizade com os três coronéis Adauto Bezerra, César Cals e, principalmente, Virgílio Távora, que militaram na política do Ceará por alguns anos.

Há um desencontro visível entre os estatutos partidários e a prática dos seus militantes, acho até que eles não leem referidos estatutos. Talvez só o PT guarde alguma identidade, mesmo assim distante das suas origens.

Antes da revolução de 64, os partidos guardavam maior fidelidade. Nesse período, houve o bipartidarismo: Arena e MDB. A Arena era um partido do Governo central, e o MDB se constituía numa frente com diversos matizes, no que se assemelha ao "Centrão" de hoje.

Atualmente funcionam perto de 30 partidos, quase todos de cores desbotadas. Somente dois personagens agrupam a maioria dos eleitores no que são acompanhados pelos demais partidos, inclusive os nanicos.

Dos grandes temas nacionais, quase nenhum é debatido congressoalmente. A coletividade é marginalizada, somente sendo procurada próximo às eleições. Estamos com a nossa democracia ameaçada? Como politizar a população? Existem, todavia, os apaixonados de raiz, num radicalismo entediante. Já não se debatem projetos ou programas de governo. Os xingamentos estão presentes na pauta, traduzindo-se num show de baixarias. Pobre política, desavergonhados políticos, com algumas exceções. A qualidade dos políticos está ladeira abaixo. Como será o nosso amanhã? 

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 5/08/26. Opinião. p.15.


terça-feira, 15 de setembro de 2026

.CONVITE: Lançamento do Nº 10 da Revista Anual da Acemes

O presidente da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes), Dr. Luiz Gonzaga de Moura Jr., convida para o lançamento do Nº 10 da “Coletânia Acemes 2026”, antiga Revista Anual da Acemes.

A Coletânia, de autoria dos membros titulares da Acemes, será apresentada pelo médico e escritor Acad. Luiz Moura, e pela professora e escritora Laéria Fontenele, da Academia Cearense de Letrs e membro honorária da Acemes

Local: Ideal Clube – Av. Monsenhor Tabosa, 1.381, Meireles - Fortaleza

Data: Dia 15 de setembro de 2026 (terça-feira). Horário: 19h30min.

Traje: Esporte fino. Aos acadêmicos indica-se o uso de pelerine e medalha.


Defesa de Memorial de Paula Matias Soares para Professor Titular da Educação Física da Uece

Na manhã de segunda-feira (14/09/26), ocorreu na Sala 3 do Programa de Pós-Graduação de Cuidados Clínicos e Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará - PPCLIS /Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da professora Paula Matias Soares, docente do Curso de Educação Física da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. Marcelo Gurgel Carlos da Silva (efetivo Uece), José Gerardo de Vasconcelos (efetivo UFC), Luís Távora Furtado Ribeiro (efetivo UFC), José Jackson Coelho Sampaio (suplente interno) e Antônio Barroso Lima (suplente externo), tendo por secretário o Prof. Dr. Nilson de Souza Cardoso, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora PAULA MATIAS SOARES.

Efusivas congratulações à professora Paula Matias Soares, por alcançar o ápice da docência universitária em sua empreitada profissional, repleta de feitos pessoais e docentes, que bem exprimem o seu empenho de educadora competente e a sua efetiva colaboração ao magistério superior cearense.

De igual modo, são merecedores de reconhecimentos, no seio da Uece, a graduação (licenciatura e bacharelado) em Educação Física, que tem a professora Paula Matias Soares como docente, e a Direção do Centro de Ciências da Saúde, do qual ela é a vice-diretora.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-Uece


SETOR DE ATACAREJO IMPULSIONA A ECONOMIA CARIRIENSE

Por Rita Fabiana Arrais (*)

O ano de 2009 representa para a Região Metropolitana do Cariri (RMC) o início de uma nova relação econômica entre os ofertantes e os demandantes do setor varejista de alimentos.

O dinamismo urbano, a economia diversificada, a constante e elevada demanda, a localização estratégica e o suporte do poder público em proporcionar infraestrutura adequada foram condicionantes primordiais para que, nesse período, Juazeiro do Norte fosse a primeira cidade do Ceará a receber uma rede de atacarejo.

O modelo de larga escala de mercadorias e os preços competitivos modificaram a rotina das compras do dia a dia dos caririenses, ao mesmo tempo em que expandiu a concorrência de preços pressionando os médios e grandes varejistas, do mercado local, a redefinirem as suas margens de lucros.

É cabível de registro que esse formato utilizado na rede de atacarejo com características definidas (autosserviço, rede de distribuição local, preços distintos para o atacado e varejo, custos e preços reduzidos), impactou consideravelmente a economia local e o entorno.

Na prática ocorreram rearranjos comerciais entre os agentes econômicos (produtores locais e lojistas) impulsionando a capacidade produtiva regional do setor de hortifrúti, o que diretamente colaborou para o aumento da geração de empregos, assegurando um volume maior de vendas e encurtando a distância entre às grandes cadeias de consumo.

Informações disponíveis pela Associação Brasileira dos Atacarejos (Abaas) revelam que especialmente em Juazeiro do Norte houve uma expansão de filias de grandes redes de atacarejos (Atacadão, Mix Mateus, Brasil Atacarejo, Assaí Atacadão, R. Carvalho, entre outros). Se levarmos em consideração o período de 2009 a 2026 as redes como Atacadão, Mix Mateus e Assaí Atacadão, duplicaram suas lojas em Juazeiro, e ampliaram para outras cidades da região.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) no ano de 2025 as redes de atacarejos cresceram 10,5% com faturamento recorde de mais de R$ 1 trilhão de reais, e dominando a fatia de 49,3% do mercado alimentício nacional.

A relação da renda com o consumo "explica" a expansão dessas redes na região. O cenário econômico instável com a disparada da inflação desacelera o consumo das famílias ao reduzir o poder de compra, deslocando a curva da demanda para locais (atacarejos) em que há possibilidade de fazer a feira (as compras) com preços mais acessíveis.

Nesses últimos dezessete anos a economia da RMC consolidou-se como uma das maiores, e mais importantes do Nordeste. Logo, permanece atraindo investimentos públicos e grandes volumes de capital privado.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 30/07/26. Opinião. p.19.


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A Missão da IA para o desenvolvimento seguro e compartilhado da humanidade

Por José Nelson Bessa Maia (*)

O debate internacional sobre inteligência artificial (IA) entrou em nova fase. A discussão se concentra agora não apenas no potencial da nova tecnologia, mas em regulá-la e utilizá-la para aumentar a produtividade e potencializar o desenvolvimento de todos os países. Há divergências entre o Ocidente e a China quanto aos objetivos estratégicos, ao papel do Estado, à governança, ao tratamento dos dados e à forma de equilibrar inovação, segurança e direitos individuais.

A divergência entre as abordagens ocidental e chinesa não decorre de avaliação diferente sobre a importância da IA - ambas a consideram uma tecnologia decisiva para o futuro. A principal diferença está no modelo de governança. Em linhas gerais, o Ocidente baseado no Liberalismo tende a privilegiar a inovação liderada pelo mercado, com dispositivos de proteção a direitos individuais e de regulação de riscos.

A China, por sua vez, adota a estratégia de coordenação pública em que a IA é tratada como ativo estratégico para impulsionar o desenvolvimento, modernização industrial, prestação de serviços públicos e segurança nacional.

Na Conferência Mundial de IA 2026 e em Xangai em 17-20 de julho, a China fez quatro observações importantes sobre a IA: primeiro, a necessidade de cooperação mutuamente benéfica e o estímulo à inovação. Para tal o código aberto, o compartilhamento para facilitar a inovação, o desenvolvimento industrial e a aplicação seriam essenciais para o avanço da IA.

Segundo, a percepção dos riscos e a garantia de que a IA seja segura e controlável, devendo estar sempre sob o controle humano e evitar a ênfase excessiva do conceito de segurança nacional no campo da IA.

Em terceiro, foi destacado o incentivo à inclusão e promoção do aprendizado mútuo entre as nações, uma vez que o avanço da IA e sua aplicação não devem minar a diversidade entre os países. Por último, a China defende a solidariedade e o aprimoramento da governança global, cabendo à ONU um papel nessa mediação, de modo a dar alinhamento e coordenação às estratégias de desenvolvimento, as regras de governança e os padrões técnicos da IA.

A posição chinesa tem méritos já que o debate sobre IA deixou de ser só tecnológico para se tornar uma questão de estratégia econômica, competitividade industrial e política pública. Passou a ser sobre uma ferramenta essencial para o crescimento no século XXI, comparável ao papel que as ferrovias, a eletricidade e a própria internet desempenharam no passado. Portanto, para os países do Sul Global a cooperação internacional será essencial para transformar a IA em aumento da sua competitividade e modernização, contribuindo para a transferência efetiva das novas tecnologias digitais e colocá-las a favor de seu genuíno desenvolvimento e soberania.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 25/07/26. Opinião. p.23.

 

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