sexta-feira, 27 de março de 2026

Crônica: “A única alegria” ... e outros causos

A única alegria

- Depois que minha véa 'subiu' - direto pro Céu se foi Eneida, quedê ventura na vida? Os meninos (Zé e Manel) casados, morando em São Paulo. Beber, não provo mais uma gota; raparigar, vixe! Samba, forró, futebol, Praça da Matriz e pescaria no Açude Novo, passou vontade! Até pra missa perdi a vontade de ir, e padre Raimundinho é gente boa.

- Mas o senhor ainda tá novão, seu Sisnando!

- 89 anos, novão?

- Anda com as próprias pernas, vai ao mercado, faz a comida, barre o terreiro de casa, tem a companhia de sua irmã Neuminha.

- Tem jeito não, Adrovaldo! Com Eneida, foi também meu coração.

- Na minha mente o senhor tá é deprimido, e depressão é coisa que, cuidando, o caba melhora uma coisinha.

- Nada disso! É saudade, mesmo! Tá ruim!

- Alegria, nenhuma mais?

A pergunta pôs o velho Sisnando a meditar profundo. Com pouco ele retoma a conversa.

- É... Tem um pormenor! Mas tu vai dizer que eu sou doido...

- Vou não! Impossível o cristão viver sem uma alegriazinha ao menos! Qual?

- Obrar!

- No sentido de... arrear o barro?!?

- Sim. Seguro a vontade até!... Quanto mais apertado, melhor. Aí eu corro e descarrego. Pense num alívio! Enviesado, mas é a minha alegria! Única alegria!

É osso, meu amigo, é osso!

Médico pegou fama e logo é endeusado, especialmente no interior, não importando se ainda estuda Medicina. Por conta da tarimba em consertar de um tudo que quebrasse em todos, um jovem aluno do 10º semestre, de férias na comunidade, foi procurado na segunda-feira bem cedo pra "obrar verdadeiro milagre". O(a) paciente? Ninguém conhecido como eleitor. A alcunha nós sabíamos - "Fifilzinha", cinco anos de serviços prestados à família de Marleudo, humilde agricultor.

A vítima fraturara o pé direito ao saltar do poleiro; talvez o vento forte lhe tenha arremessado ao chão. Pisou em falso e... crec! Ligamentos do membro inferior em cacarecos. Coronel foi o primeiro a chegar ao local do sinistro. Lá estava "Fifilzinha" - galinha caipira poedeira, contorcendo-se de dor. O galo, nem aí pros gemidos da premiada ave - dois ovos postos por dia desde o ano passado.

- Dr. Abel ainda tá na casa do pai? - indaga Marleudo, compadecido.

- Sim, as aulas só recomeçam mês que entra, eu soube! - responde a mulher.

- Pois vamos levar Fifizinha pra consultar esse pé agora. Olha só como está? Dismintido!

- Marleudo, o rapaz estuda medicina de gente! Ainda se prepara pra ser doutor de osso!

- Quem sabe de osso dum cristão, saberá dum bicho de pena!

Pra encurtar história, o quintanista de Medicina imobilizou o pé da galinha com palitos de picolé, sobre emplastro de pano velho embebido em mastruz, e ave, uma semana depois, corria como uma atleta. E deu em ciscar pra frente, mas esse era só um detalhe!

As enroladas de "Dona Menina"

Conhecida pela criatividade com que saía das dificuldades, mamãe se superou quando nos serviu o primeiro grappete. Nosso particular de uva nada mais era que "quissuco" de groselha com laranja espremida. A tampa das garrafas postas à mesa, pedaços generosos de sabugo. E ainda fazia na boca aquela zoadinha de tampa de cerveja liberada por abridor. Se alguém reclamasse do excesso de açúcar mascavo no fundo da garrafa, dizia afobada:

- E é pra ser feliz!!!

Fonte: O POVO, de 27/02/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 26 de março de 2026

PERDER PARA GUARDAR

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

"Melhor se guarda um voo de um pássaro do que um pássaro sem voos" - Antônio Cícero

É tão difícil ver um passarinho de perto. Quase todas as manhãs, tento me aproximar dos bem-te-vis. Vou em busca do canto deles, solfejo um sol-mi-dó bem baixinho, mas, quando me aproximo, eles voam. Parecem brincar. Fico com a sensação de que estão chamando um ao outro. É muito comum vê-los em dupla. Sobem rápido, se deslocam e se escondem na árvore; o amarelo desaparece entre as folhas, e o que fica é aquele traço no ar - o desenho de um movimento que já não está mais lá.

E é assim que eu o guardo: admirando o seu voo. A gente não guarda segurando, trancando, impedindo que voe. Guarda deixando ir. Nisso há uma grande beleza, porque, para guardar, é preciso arriscar-se a perder.

Perder é inevitável. Há perdas pequenas, quase imperceptíveis – um compromisso que esquecemos, uma tarde inteira perdida. Outras são maiores: lugares que foram casa, a sensação de pertencer. E há aquelas que beiram o intolerável: as que levam quem a gente já foi um dia.

Há poucos dias, reencontrei, após muitos anos, uma amiga querida de infância que acabara de perder a mãe. E, de repente, senti muitas saudades daquela família em que os amigos dos filhos eram sempre bem-vindos, a conversa era sem censura, e a varanda, cheia. O clima da casa era festivo.

Lembrei-me, com riqueza de detalhes, do seu quarto: havia duas camas de madeira com colchas de retalhos e a janela que se abria para o quintal. Ela costumava guardar escritos de frases e poemas em papel amadeirado.

Ao chegar em casa, fui buscar um deles que está comigo há mais de trinta anos, guardado numa caixa que vez ou outra eu remexo. Mas não está trancado, porque, se fecho os olhos, vem, num cordão fluido de memórias que se misturam, flutuam e se ligam, a lembrança da cor do papel e da letra dela.

Aquilo que já não podemos tocar mantém-se vivo, seguindo inúmeros caminhos possíveis, como a memória do voo dos bem-te-vis. Ele vai, mas seu voo e seu canto ficam guardados em nós.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/02/2026. Opinião. p.14.

A MISSÃO DE ARIOSTO HOLANDA

O Povo, de 23/03/26. Editorial,

De sua Limoeiro natal, Ariosto Holanda, morto no último sábado, aos 87 anos, costumava dizer que havia aprendido o dom da fraternidade, levando-o para o mundo. Essa qualidade era conjugada no seu dia a dia de professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), deputado federal ou missionário da ciência, sempre a serviço de um horizonte no qual a justiça social era mestra e definidora de seus passos.

Parlamentar de seis mandatos, com experiência tanto pelo Executivo (foi secretário nos governos de Tasso Jereissati) quanto pela academia, onde ocupou-se da docência por décadas, Ariosto era vocacionado para o trabalho de partilha do conhecimento.

Daí que tenha se especializado nesse papel de estabelecer pontes entre áreas que normalmente se mantêm distantes, associando técnica e humanismo com o propósito de encontrar respostas para problemas concretos. Nele o saber era mais valioso se pudesse ajudar a contornar as dificuldades cotidianas.

A tecnologia, por exemplo, só tinha serventia se auxiliasse na redução do fosso das desigualdades. Desse espírito politicamente comprometido com o bem-comum nasceram os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), ambos instrumentos de disseminação da educação em modalidades diversas.

Esse era o norte da trajetória de Ariosto, que cuidou em aproximar o Ceará de uma perspectiva moderna sem negligenciar a correção dos desníveis econômicos e sociais. Como titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia, lançou sementes que ainda hoje operam como diretriz dos projetos concebidos no estado, o que só reforça uma visão de desenvolvimento de longo prazo que não se media por colorações partidárias. Pelo contrário, a política não era um fim em si mesma, tampouco meio para enriquecimento e permanência no poder.

No Legislativo, empenhou-se na tarefa de fazer avançar o Ceará mediante somatório de esforços orientados para um mesmo objetivo, fosse o de ampliar a rede de ensino técnico, fosse o de criar soluções inteligentes para vencer as dificuldades mais agrestes que o território impunha, tal como a escassez hídrica.

Nisso se vê como Ariosto se guiava por um compromisso inarredável com os cearenses e com o Nordeste, região na qual depositava plena confiança quando se tratava de apostar no futuro.

Nascido Francisco Ariosto Holanda, falava com orgulho da simplicidade dos pais. Logo chegou à universidade, onde se formou em Engenharia Civil. De lá seguiu para vida sortida em experiências na esfera privada e também na pública, onde fez carreira como gestor. Essa caminhada está fartamente documentada nas páginas do O POVO, que sempre soube reconhecer-lhe os méritos.

A propósito de suas ideias e sonhos, dele se dizia com frequência, a título de elogio: é "homem à frente do seu tempo". Não era. Ariosto era fruto de sua época, com raízes fincadas no mesmo presente que dividia com seus conterrâneos, atento aos desafios que a realidade apresentava e pronto a encontrar respostas para os impasses que afligiam sua gente. 

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Editorial, p.20.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Baturité – Uma nova Igreja no coração do Ceará

Por Pe. Raphael Silva Maciel (*)

Por ordem de Jesus Cristo, os apóstolos foram por todo o mundo anunciando o Evangelho (cf. Mc 16,15) e pondo os fundamentos do que conhecemos como Dioceses, que tem à sua frente um autêntico Sucessor dos Apóstolos, que desde os tempos apostólicos são chamados de bispos. Como fruto da missão da Igreja, há quase 172 anos era criada a Diocese do Ceará. Daquele primeiro núcleo nasceram outras 9 Dioceses, sendo mais jovem a recém-criada Diocese de Baturité.

O papa Leão XIV, na sua solicitude pela evangelização e salvação das almas, acatou o pedido dos Bispos do Ceará, unidos ao Arcebispo Metropolitano, de erigir mais uma nova Diocese do Estado que concentra a segunda maior população católica do Brasil. Encravada no maciço de Baturité e em partes do Sertão Central, a nova Diocese nasce com 21 Paróquias, em 14 municípios, sob a guia de um Sucessor dos Apóstolos, Dom Luís Gonzaga Pepeu.

Além da grande devoção à Nossa Senhora da Palma e São Francisco das Chagas, a Diocese também abraça a devoção e causa de canonização da Serva de Deus Irmã Clemência de Oliveira. Sem dúvida, essas devoções são sinais maravilhosos da presença da fé católica e do espírito missionário nas terras da nova Diocese.

Baturité significa “serra verdadeira” ou “de onde sai água boa”. Na serra ou no sertão muitas águas boas jorrarão: águas da graça divina que continuarão a percorrer os vales e rincões, dando esperança em tempos de dificuldades, para um povo que sempre pôs sua fé na Providência divina.

Pelo território da Diocese muitos já passaram, dando suas melhores forças até chegar a esse dia histórico: jesuítas, capuchinhos, frades menores, padres diocesanos, religiosas, fiéis leigos, que em conformidade com o Evangelho foram audazes na difusão da obra de Deus e no ensino da fé cristã. Baturité é a primeira Diocese brasileira criada por Leão XIV, fato histórico não só para o Ceará, mas para todo o Brasil. Viva a Diocese de Baturité!

(*) Sacerdote diocesano de Fortaleza. Missionário da Misericórdia.

Fonte: O Povo, de 25/03/2026. Opinião. p.16.


Miriam Porto Mota e a Missão Asa Branca

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

1983. Gonzaga Mota assumia o governo do Ceará com uma herança de grandes dificuldades que o Estado atravessava, em parte por conta da estiagem que assolou todo o território a partir de 1979, um fenômeno considerado por alguns historiadores como a maior seca já vivida.

A inclemência climática encaminhava o Ceará para um colapso social, sendo o batismo de fogo do novo governante, que precisou de toda a sua experiência para buscar soluções urgentes e minorar o sofrimento de tantos cearenses.

Episódios como a falta absoluta de água em Senador Pompeu, a invasão dos armazéns da Cobal em Canindé, a invasão de flagelados de Itapipoca a Fortaleza, a migração massiva em Quixeramobim e o flagrante do calango abatido por Chico Marcolino para sua alimentação, em Apuiarés, representavam o desespero de um povo. O sertão bateu às portas do Palácio da Abolição.

Os bolsões de emergência não se mostravam suficientes, mas o governador tinha vantagens a explorar. Como um renomado economista, tinha a visão técnica do problema. Como um democrata, tinha a visão política, embora ainda fosse neófito nessa área. Mas tinha uma outra força que ele próprio talvez não tivesse percebido.

Falo de sua esposa, Miriam, que iniciou um trabalho com um grupo de servidores e voluntários e, a partir dele, convenceu o governador de que se precisaria de muito mais para estancar o sofrimento daquele povo, surgindo daí o que se denominou Missão Asa Branca.

A primeira-dama coordenou as atividades da Missão, contando com novos apoios, como a Defesa Civil, o Exército, a Polícia Militar e a Cruz Vermelha, além de empresários e associações, de forma a levar para o interior comboios com água, roupas e alimentos e propiciar ações de saúde, documentação, dentre outras.

Ela foi considerada à época uma primeira-dama gestora, capaz de enfrentar uma logística de guerra, vencer tensões políticas e gerir de forma adequada os conflitos resultantes da situação de tragédia então vivida, servindo ainda hoje como exemplo de dedicação e solidariedade.

Das crises surgem pessoas com capacidade de as transformar em oportunidades, como o fez Miriam Porto Mota.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/02/26. Opinião. p.18.

Desafios da educação na Região Metropolitana de Fortaleza 2

Por Sofia Lerche Vieira (*)

A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), instituída em 1973, agrega um conjunto de 19 municípios (Aquiraz, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Paracuru, Paraipaba, Pindoretama, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Trairi). Sua criação coincidiu com iniciativas semelhantes voltadas à integração do planejamento e da organização de municípios espacialmente próximos das capitais. Um dos objetivos era mitigar o crescimento desordenado resultante de fatores diversos, dentre eles o êxodo rural e a industrialização.

Passados mais de 50 anos de seu surgimento, imensos desafios persistem na região, a maioria dos quais associados às desigualdades de infraestrutura e desenvolvimento entre a capital e os municípios adjacentes. Dentre esses cabe assinalar a segurança pública, a mobilidade e o transporte urbano, o saneamento básico, habitação e educação. Aprofundemos este último aspecto.

Em termos de matrículas na educação básica, a RMF responde por 42% da oferta total do Estado, com 913.559 alunos em 2024 (INEP, 2024). Das matrículas públicas, 51% situam-se nas redes municipais e 19% na rede estadual.

No que se refere ao número de estabelecimentos de ensino, a RMF possui 2.466 escolas, sendo 1.132 (46%) municipais e 284 (12%) estaduais. O quadro docente é composto de 28.781 professores, sendo 21.054 pertencentes às redes municipais e 8.067 docentes da rede estadual. Quanto ao vínculo de trabalho, 56% dos professores das redes municipais e 48% da rede estadual são concursados.

Os dados apresentados mostram a complexidade do recorte territorial, seja em termos de quantidade de municípios com contextos socioeconômicos, territoriais e educacionais diversos, como no que diz respeito as capacidades estatais para implementação de políticas educacionais.

Estudos sobre aspectos relacionados aos indicadores educacionais mais relevantes como taxas de rendimento, distorção idade-ano, organização da oferta por rede, permitirão melhor compreender os desafios educacionais dessa complexa região.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/02/26. Opinião. p.18.

terça-feira, 24 de março de 2026

A missão de Ariosto Holanda

De sua Limoeiro natal, Ariosto Holanda, morto no último sábado, aos 87 anos, costumava dizer que havia aprendido o dom da fraternidade, levando-o para o mundo. Essa qualidade era conjugada no seu dia a dia de professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), deputado federal ou missionário da ciência, sempre a serviço de um horizonte no qual a justiça social era mestra e definidora de seus passos.

Parlamentar de seis mandatos, com experiência tanto pelo Executivo (foi secretário nos governos de Tasso Jereissati) quanto pela academia, onde ocupou-se da docência por décadas, Ariosto era vocacionado para o trabalho de partilha do conhecimento.

Daí que tenha se especializado nesse papel de estabelecer pontes entre áreas que normalmente se mantêm distantes, associando técnica e humanismo com o propósito de encontrar respostas para problemas concretos. Nele o saber era mais valioso se pudesse ajudar a contornar as dificuldades cotidianas.

A tecnologia, por exemplo, só tinha serventia se auxiliasse na redução do fosso das desigualdades. Desse espírito politicamente comprometido com o bem-comum nasceram os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), ambos instrumentos de disseminação da educação em modalidades diversas.

Esse era o norte da trajetória de Ariosto, que cuidou em aproximar o Ceará de uma perspectiva moderna sem negligenciar a correção dos desníveis econômicos e sociais. Como titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia, lançou sementes que ainda hoje operam como diretriz dos projetos concebidos no estado, o que só reforça uma visão de desenvolvimento de longo prazo que não se media por colorações partidárias. Pelo contrário, a política não era um fim em si mesma, tampouco meio para enriquecimento e permanência no poder.

No Legislativo, empenhou-se na tarefa de fazer avançar o Ceará mediante somatório de esforços orientados para um mesmo objetivo, fosse o de ampliar a rede de ensino técnico, fosse o de criar soluções inteligentes para vencer as dificuldades mais agrestes que o território impunha, tal como a escassez hídrica.

Nisso se vê como Ariosto se guiava por um compromisso inarredável com os cearenses e com o Nordeste, região na qual depositava plena confiança quando se tratava de apostar no futuro.

Nascido Francisco Ariosto Holanda, falava com orgulho da simplicidade dos pais. Logo chegou à universidade, onde se formou em Engenharia Civil. De lá seguiu para vida sortida em experiências na esfera privada e também na pública, onde fez carreira como gestor. Essa caminhada está fartamente documentada nas páginas do O POVO, que sempre soube reconhecer-lhe os méritos.

A propósito de suas ideias e sonhos, dele se dizia com frequência, a título de elogio: é "homem à frente do seu tempo". Não era. Ariosto era fruto de sua época, com raízes fincadas no mesmo presente que dividia com seus conterrâneos, atento aos desafios que a realidade apresentava e pronto a encontrar respostas para os impasses que afligiam sua gente. 

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Editorial, p.20.

 

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