quinta-feira, 28 de maio de 2026

Exame de Qualificação em Ciências Farmacêuticas (UFC) da Profa. Jaciara Alves

Ocorreu na tarde de ontem (27/05/26), de forma virtual, na Universidade Federal do Ceará, o Exame de Qualificação de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Ceará.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Marta Maria de França Fonteles, Marcos Aguiar Ribeiro, Kilvia Helane Cardoso Mesquita e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, aprovou o Projeto de Tese Desenvolvimento e validação de uma matriz lógica de indicadores para avaliação econômica da assistência farmacêutica básica no Sistema Único de Saúde”, apresentado pela doutoranda JACIARA ALVES DE SOUSA, orientada da Profa. Dra. Marta Maria de França Fonteles.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do Doutorado em Saúde Coletiva- PPSAC UECE


SOBRE A "INÉRCIA COGNITIVA"

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

O título faz alusão às possibilidades da ignorância e do ato de manter -se ignorando, ou seja, desconhecer ou negar os fatos e a realidade, as contradições morais de nossa consciência.

Pois, uma coisa é fato. Ser ignorante pressupõe um desconhecimento da realidade, no aspecto intelectual. Já manter-se ignorando traduz não querer conhecer, ou, simplesmente, gozar do desconhecimento.

Noutro aspecto, Jacques Lacan, psicanalista francês, definiu o termo "a passion for ignorance" baseado em estudos budistas, para descrever como seus pacientes faziam de tudo para não saber a causa do sofrimento, mesmo quando expunham que gostariam de entendê-la. Na psicanálise a ignorância apresenta-se em formas distintas na neurose, na psicose e na perversão. Por Freud enquanto a psicose repudia a realidade, a neurose somente a ignora. Tal fato pude comprovar com uma experiência traumática quando ainda estudante, ao expor, por solicitação da própria família e de especialistas, o estado de um paciente com câncer terminal. Embora o paciente insistisse em conhecer a verdade, sua reação à notícia foi inesperada. Logo pela manhã falava-me das providências de vida e de estar preparado para enfrentar esse momento. Acho, até, que desconfiava do diagnóstico.

Por outro lado, muitas pessoas usam a negação e a ignorância como estratégia diante de verdades inconvenientes e que fogem das suas percepções de realidade, e ainda, como forma de criar cenários fantasiosos.

É fato que a distinção entre o ato de ignorar e o de manter-se ignorando remonta a aspectos morais que transitam entre responsabilidade e inocência. Sobre esse ponto de vista ouvi muitas vezes do meu pai; "quanto mais consciência e quanto mais conhecimento, maior sua responsabilidade social".

Num mundo instantâneo a informação é imediata, mas nem sempre respaldada de veracidade. Os algoritmos são, em si, uma nova forma de envolver, de aculturar e de transgredir valores.

Tudo isso gera ansiedade, e muitos optam por cerrar os olhos, não escutar ou silenciar diante de informações que causam desconforto.

Em tempos de crise, duvidar da verdade pode ser uma atitude cômoda para negar o sofrimento, ou ainda, uma estratégia de manipulação para impedir reações ao "status quo".

Enfim, o termo "inércia cognitiva", parece-nos adequado a um tempo de indiferença ao que é ou não verdade ou real. São os tempos da "post-truth", que, infelizmente, relaciona-se à inabilidade de aprender ou mesmo, a ausência da vontade de conhecer.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/04/2026. Opinião. p.23.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Defesa de Memorial de Dafne Rodrigues para Professor Titular da Enfermagem da Uece

Aconteceu na tarde de hoje, quarta-feira (27/05/26), na Sala 1 do PPCLIS da Universidade Estadual do Ceará - Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da Professor Titular do docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Ana Fátima Carvalho Fernandes (efetivo UFC), Andrea Gomes Linard (efetivo Unilab), Patricia Neyva da Costa Pinheiro (suplente externo) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Lucilane Maria Sales da Silva, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora DAFNE PAIVA RODRIGUES.

Congratulações à professora Dafne Rodrigues, por atingir o topo da carreira universitária consolidada em sua bonita trajetória de vida, marcada por realizações pessoais e profissionais expressivas, que traduzem o seu espírito científico e a sua inestimável devoção ao ensino superior.

Também merecem os parabéns a graduação em Enfermagem e o programa de pós-graduação em Cuidados Clínicos e Enfermgem da Uece, por contarem com a professora Dafne Rodrigues em seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE

Autocuidado e liberdade radical são carne e unha para uma ótima velhice

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Minha amiga Rita me ligou de São Paulo cobrando o artigo que prometi escrever sobre a população velha — aquela não bem-dotada de saberes e recursos para o bem-viver. Disse, mais uma vez, que eu romantizo a velhice, como se os velhos não sofressem e bastasse querer para serem felizes. "E não é bem assim", resmungou.

Hoje, sem ela por perto, mas tentando acalmá-la e entrando na "real" que ela cobra, digo: os velhos no Brasil vivem, sim, o desamparo. Como lembra Alexandre Kalache: "Envelhecer não é tão fácil não". E não é mesmo. Os dissabores da velhice exigem políticas públicas claras e eficazes.

Se volto à história, vejo que, desde o Brasil Colônia, os cuidados com os velhos ficaram muito mais nas mãos da caridade — Santas Casas de Misericórdia e famílias — do que sob o dever social do Estado.

Como mostra Mary del Priore em História da Velhice no Brasil, o envelhecer, por muito tempo, foi vivido à margem de direitos, sustentado mais pela compaixão do que por políticas bem estruturadas. Esse modelo desembocou nos asilos do início do século passado, ainda sob a lógica assistencial.

Foi com a Constituição de 1988 que a proteção à velhice ganhou status de direito. Vieram, depois, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, a Política Nacional da Pessoa Idosa e o Estatuto da Pessoa Idosa. Em tese, deixamos de ser objetos de cuidado para nos tornarmos sujeitos de direitos.

Mas que direitos são esses, Rita, se as calçadas daqui seguem como pistas de trekking impossíveis a velhos? Se espaços públicos — como a nossa Beira-Mar, construída com pistas exclusivas para pedestres — são tomados inescrupulosamente por bicicletas, skates e patins, com seus proprietários deslizando a altas velocidades e colocando em risco quem apenas quer caminhar? Esse descaso tem nome: idadismo institucional disfarçado.

Diante desse cenário, para amenizá-lo, trago o que considero o ponto mais "top" do envelhecer hoje: a política pessoal.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/04/2026. Ciência & Saúde. p.16.

terça-feira, 26 de maio de 2026

EMPREENDEDORISMO E BENEFÍCIO SOCIAL

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Inovação é a implementação de novas ideias, produtos, serviços ou processos que geram valor, melhoram a eficiência e resolvem problemas. Não se trata apenas de inventar, mas de aplicar a criatividade para criar impacto econômico e social. Dois grandes pensadores austríacos do século XX trazem conceitos convergentes e complementares sobre o tema. Joseph Schumpeter definiu a inovação como o motor do desenvolvimento econômico por meio da "destruição criativa". Já Peter Drucker compreende a inovação como um processo de busca por oportunidades planejadas, voltadas ao empreendedorismo e aos benefícios sociais.

O Ceará é o estado da inovação. Aqui, ampliamos a capacidade energética e atraímos empresas graças a esse potencial inovador e empreendedor. Somos hoje um dos principais hubs tecnológicos e de conectividade do Brasil. Isso se deve a nossa posição estratégica como ponto de chegada de cabos submarinos, aliada à instalação de data centers. Esses fatores vêm promovendo uma profunda transformação digital.

A predileção dos investimentos em data centers está relacionada não apenas com a concentração global de cabos submarinos, mas também com a capacidade articuladora do governador Elmano de Freitas em atrair esses investimentos. Somada a isso, está a atuação da Secretaria de Planejamento e Gestão, por meio do Programa Ceará Mais Digital, com respaldo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que envolve o investimento de US$ 31 milhões.

Nesse cenário, o Ceará figura como o segundo ponto focal dessas conexões que atravessam os oceanos, atrás somente de Shima, no Japão. Essa infraestrutura conecta o Brasil a América do Norte, Europa e África, tornando a cidade estratégica para empresas de tecnologia interessadas em baixa latência e alta conectividade.

O Cinturão Digital, iniciado na gestão do ex-governador Cid Gomes, alcançou, no Governo Elmano, mais de 6 mil quilômetros de extensão, abrangendo os 184 municípios do Estado. Com o objetivo de ampliar a conectividade, o Governo do Ceará lançou o Programa 5G Rural, que prevê a implantação de mil torres com a tecnologia 5G em até quatro anos. Neste ano, já serão instaladas 300 torres, promovendo inclusão digital no campo, pois o Ceará é um só.

A digitalização de matrículas escolares, os sistemas integrados de saúde pública e as plataformas de gestão pública são exemplos concretos de inovação voltada ao benefício social. Em 2026, 92 mil alunos fizeram a matrícula on-line, evitando deslocamentos e reduzindo custos de transporte para as famílias.

Este é o verdadeiro sentido da inovação: implementar novas ideias, gerar oportunidades, reduzir desigualdades e garantir que o desenvolvimento chegue a todos os cearenses. 

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 16/04/26. Opinião. p.21.


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Defesa de Tese em Saúde Coletiva (Uece) de Francisco Valdicélio Ferreira

Aconteceu na manhã de hoje (25/05/26), de forma emota via Meet, mais uma defesa de tese do Doutorado em Saúde Coletiva do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) da Uece.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Helena Alves de Carvalho Sampaio (Uece Orientadora), Virginia Visconde Brasil (UFGO), Katarinne Lima Moraes (UnB), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (Uece), Clarice Maria Araújo Chagas Vergara (Uece), Ana Suelen Pedroza Cavalcante (Uece suplente) e Soraia Pinheiro Machado (Uece suplente), aprovou a Tese “Organização letrada em saúde: validação de ferramenta de autoavaliação e estudo multicêntrico”, apresentada pelo doutorando FRANCISCO VALDICÉLIO FERREIRA.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do Doutorado em Saúde Coletiva PPSAC-UECE


A EDUCAÇÃO SEM ESCOLA POLÍTICA

Por Raimundo Padilha (*)

No ensino superior quando foi quebrado o sistema seriado, substituído pela oferta por disciplina, se deu uma ruptura na educação política. No sistema seriado as turmas fechadas com seus 40 ou 50 alunos, facilmente eram identificados os seus líderes e com eles formados os seus Centros Acadêmicos, uma excelente escola de formação política. As suas lideranças se revelavam e eram facilmente identificadas.

Desta estrutura foram forjados líderes, que posteriormente foram atraídos para a militância político partidária levando valores que passaram a ocupar os parlamentos municipais, estaduais e federais. O nível médio dos parlamentares era bem mais elevado do que os atuais, tendo como consequência um debate de conteúdo e um maior e melhor nível de projetos.

O pensamento deles era voltado para a sociedade, ao contrário do que predomina hoje, que são voltados para os interesses pessoais dos próprios políticos, tendo como exemplo o absurdo de emendas parlamentares. A maioria dos eleitores não sabe em quem votou e a comunicação dos parlamentares com o eleitorado se dá predominantemente no período eleitoral à caça de votos para suas eleições e/ou reeleições. As casas legislativas não são avaliadas pelos seus eleitores, tendo como consequência mandatos sucessivos, quase que se transformando num emprego vitalício. E ainda há, o chamado "baixo clero", que vegeta e dorme em todo o seu mandato. É muito triste e pobre, o nosso parlamento, respeitadas as raríssimas exceções. Precisamos de muitas reformas e quem tem coragem de propor, se a nossa política é da conveniência pessoal? Está cômodo para eles e o povão que se lasque.

Foi apagado o processo de formação de líderes e ninguém contesta o fechamento da antiga escola política, nem alunos, nem professores. É como se estivéssemos no estado da arte, embora, com um parlamento fraco e sem visão de futuro. E onde está o MEC, que não enxerga o mal causado pelo período militar e que ainda persiste? Por conveniência, miopia ou frouxidão, nesta área, nada ou quase nada se faz no nosso país, a superficialidade é o que predomina.

Quando estudante do curso ginasial, hoje ensino fundamental participei ativamente dos Grêmios Literários. Eram verdadeiras escolas de formação política, havendo inclusive eleições bastante disputadas. Nos grêmios se praticava o exercício da oratória, de artes cênicas, dentre outras manifestações culturais. Isto era a base da formação de um caldo de cultura que tinha prosseguimento no período universitário, para aqueles vocacionados, sendo um caminho aberto para as atividades político partidárias. Daí o contraste entre os políticos de ontem e de hoje.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 15/04/26. Opinião. p.21.


 

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