quinta-feira, 14 de maio de 2026

Finim é um risco na imensidão do mar

Por Izabel Gurgel (*)

Por volta das cinco da tarde, Francisco Finim sai de casa, no Moura Brasil, no Centro de Fortaleza, apetrechado para pescar no mar à vista. Leva a tiracolo a balsa artesanal, feita por ele com pranchas de isopor, sacos de ráfia e pedaços de madeira. Um primor de desenho, de corte e costura manual, de reuso e aproveitamento de materiais. Fino designer, fino design.

O acervo de gestos, cultivados em uma vida de práticas de invenção, integra desde a feitura quanto o transporte da balsa e remos, o manejo nas águas e na terra, na descida do morro até o mar, na subida de volta à casa, com frutos do trabalho. Leva junto o galão, a rede sintética que é uma operação entre vazio e cheio, leveza e peso. A rede é adornada com chumbo para tanto submergir (a trama geométrica) quanto deixar a borda visível e firme para lançamento e arrasto. A balsa, a pesca, a vida cotidiana constituem uma rede quase invisível de agenciamentos para existir.

Dos altos do Moura Brasil, Finim faz o caminho-serpentina descendo para a praia, cruzando a avenida Leste-Oeste, cuja construção mudou os contornos de onde vive, desde a retirada de ruas e casas e moradores ao barulho de grande circulação de veículos, constituindo um outro espaço e um outro tempo.

Finim realiza o apelido incorporado quando, ele ao mar, nosso ponto de vista partindo da sede do Nupac, vemos o pescador como um risco na imensidão. O Nupac é o Núcleo de Patrimônio Cultural do Moura Brasil, conduzido por Ismael Gutemberg e Débora Soares, na casa da família, na 'rua de frente' do morro. Finim é um risco na imensidão. No alto, eu o vejo porque Ismael me ajuda a olhar.

Quando começa a remar, de costas para o mar, de frente para a praia e a Cidade, Finim é um músico solista em concerto sinfônico. Com seus instrumentos, e a orquestração para o encontro com o mar, Finim toca o que tem de melhor. Eu o vi partir um dia, depois de fazer com ele o caminho da casa à praia, Finim tão íntimo dos materiais de trabalho e do chão onde pisa quanto aberto ao que pode ser que pensamos em quando um bailarino dança.

Finim se lança ao mar dando as coordenadas para Ismael melhor se posicionar e fotografá-lo. Que Ismael fosse pelo pontão da marina do hotel de mesmo nome. Fazemos pelo pontão o percurso que Finim faz nas águas. Finim músico, orquestra, maestro e música. Na plateia, Ismael e eu nos deslocamos em paralelo até Finim nos ultrapassar, remando sem parar, indo, seguindo, avançando rumo ao "endereço" onde quer chegar.

Ao longo do pontão, conversa com a gente, da água para a terra, querendo me fazer ver como lhe é perfeita, na adequação ao corpo exíguo, a balsa várias vezes revestida de sacos de farinha de trigo, oriundos da padaria da família da Débora, nos altos do Moura. Com a proa feito noiva do vento, Finim se distancia e nos acena com os remos: "Dona Izabel, agora só oito horas". É o horário de retorno. À imagem de São Francisco e os pássaros, acrescentamos a movente paisagem Finim e os peixes.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/04/26. Vida & Arte, p.2.

Hospitais de ensino para fortalecer o SUS

Por Josenília Gomes (*)

Desde que foi vinculado à HU Brasil, antes chamada Ebserh, o Complexo Hospitalar da UFC teve sua capacidade de resposta à rede de saúde fortalecida por um modelo de gestão que garante previsibilidade, qualificação de processos e melhores condições para o cuidado em saúde. No último ano, essa parceria institucional se traduziu em resultados que evidenciam isso.

A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand seguiu referência para a gestação de alto risco com emergência obstétrica e cuidados a recém-nascidos prematuros extremos, oferecendo cirurgia fetal como correção intrauterina de meningomielocele e fetoscopia a laser para síndrome de transfusão feto-fetal. Também acolheu mulheres vítimas de violência, em tratamento de endometriose e para neovagina com pele de tilápia. Foram realizados quase 490 mil procedimentos com foco no cuidado da mulher durante a gestação e fora dela.

No Hospital Universitário Walter Cantídio, foram registrados quase 400 mil atendimentos ambulatoriais, cinco mil cirurgias, mais de um milhão de exames diagnósticos, 13 mil procedimentos oncológicos e 254 transplantes. Destaque para a primeira infusão da medicação Spinraza para o tratamento de crianças com atrofia muscular espinhal.

Em 2025, o CH-UFC avançou ainda na qualificação do ensino em saúde, com o fortalecimento da formação de preceptores, a ampliação dos programas de residência e a diversificação dos campos de estágio. O período também foi marcado pela conquista do Prêmio PIT HU Brasil/MEC 2025, que reconheceu iniciativas tecnológicas.

A gerência da HU Brasil no CH-UFC trouxe avanços em infraestrutura, como ampliação de consultórios, modernização da unidade de pesquisa clínica e laboratório de simulação para treinamento prático simulado, além da reorganização de unidades administrativas. Foram mais de R$ 11 milhões investidos em obras e aquisição de equipamentos.

Em 2026, será necessário consolidar políticas permanentes de formação, continuar investindo em inovação pedagógica, fortalecer indicadores de qualidade e integrar ainda mais gestão, ensino, assistência e pesquisa. É o caminho para o Complexo Hospitalar da UFC, para a HU Brasil, para o SUS e, sobretudo, para a população que dele depende.

(*) Médica. Superintendente do Complexo Hospitalar da UFC/HU Brasil.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/04/2026. Opinião. p.20.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

É PRECISO APRENDER

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

A gente precisa entender que o ensino dá conhecimento, mas é a educação que forma o cidadão;

A gente precisa aprender que o conhecimento não forja o caráter, não molda a ética, nem configura honestidade, são os valores cultivados que esculpem as atitudes;

A gente precisa aprender que inteligência acumula conhecimentos e habilidades, mas é a sabedoria que mostra maturidade e dá seu direcionamento;

A gente precisa entender que a inteligência, sem mergulhar na humildade, nos limites e na experiência da sabedoria, provoca desigualdades, gera polarizações e cria conflitos;

A gente precisa aprender que sabedoria não se confunde com ciência, tampouco maturidade configura estultice nem velhice;

A gente precisa aprender que dialogar não é falar qualquer coisa, mas saber ouvir, antes de falar;

A gente precisa aprender que para viver em harmonia não é necessário concordar com todas as opiniões, mas respeitá-las;

A gente precisa entender que pessoas incompetentes buscam justificativas, ao invés de superação;

A gente precisa entender que pessoas medíocres vivem a acusar os outros e nunca se acusam dos mal-estares que causam;

A gente precisa entender que quem vive a gerar conflitos, ao invés de buscar soluções, goza de alienantes doutrinações ou é prisioneiro de sua própria ignorância;

A gente precisa aprender a ter prudência com a bondade dos maus e a maldade dos bons.

Uma boa terça-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 7/04/26.


Prosperidade compartilhada versus barbárie bélica

Por José Nelson Bessa Maia (*)

Em meio a absurda guerra em curso dos EUA e Israel contra o Irã e seus efeitos caóticos sobre a economia global, o mundo assiste a uma reconfiguração da ordem internacional, gerando uma verdadeira época dos monstros em que, segundo o falecido pensador italiano Antonio Gramsci (1891-1937), "o velho mundo está morrendo e o novo mundo luta para surgir." Diante disso duas abordagens civilizacionais diametralmente opostas saltam aos nossos olhos.

De um lado, a potência hegemônica por 80 anos luta belicosamente para manter sua supremacia em um contexto crescentemente multipolar e de claro esgotamento do financiamento de sua estrutura imperial pelo planeta afora. Por outro, a China, em sua ascensão pacífica, avança com vigor em termos econômicos, tecnológicos e de bem-estar rumo à posição de maior e mais desenvolvida economia do mundo.

Enquanto as manchetes da mídia estavam centradas na guerra no Oriente Médico e suas implicações sobre os mercados financeiros, o Parlamento da China aprovava no início de março de 2026 o seu 15º plano quinquenal (2026-2030), que traça por meio de planejamento de médio e longo prazo a direção das políticas, objetivos de desenvolvimento e reformas a serem executadas nos próximos cinco anos, revelando uma previsibilidade que contrasta com governos obcecados por ciclos eleitorais curtos e/ou intervenções em assuntos de outros países.

O esboço do 15º Plano Quinquenal estabelece uma série de metas, tendo o "desenvolvimento de alta qualidade" no topo da agenda. Apesar dos desafios estruturais, como o envelhecimento populacional, desequilíbrios setoriais e a transição energética, a China propõe um modelo de desenvolvimento próprio que prioriza o bem-estar social e a autonomia tecnológica, servindo como um farol alternativo para o Sul Global.

Os principais vetores do Plano são a inovação tecnológica, a expansão do mercado interno com bem-estar social, a transição para a economia verde e o fortalecimento da segurança nacional. A ênfase do 15º Plano Quinquenal no citado "desenvolvimento de alta qualidade" oferece uma fonte de certeza em meio a uma crescente incerteza global, e ajudará a escrever um novo capítulo na trajetória chinesa de rápido crescimento e estabilidade social de longo prazo.

Em um momento em que alguns países recorrem ao protecionismo, a China abre seu vasto mercado, compartilhando sua prosperidade como fonte de oportunidade e cooperação globais. O crescimento equilibrado de seu imenso comércio externo permitirá mais estabilidade e dinamismo na economia global. Com determinação estratégica o país avança para ocupar o lugar que lhe cabe, mas compartilhando com os seus parceiros os frutos de seu desenvolvimento acelerado e de seus avanços tecnológicos.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 12/04/26. Opinião. p.20.


terça-feira, 12 de maio de 2026

CONVITE: II Encontro Científico da Academia Cearense de Medicina

A Diretoria da Academia Cearense de Medicina (ACM) convida médicos e eudantes de Medicina para participaremdo seu II Encontro Científico, cujo tema central é o ensino médico na graduação que será realizado amanhã, 13 de maio de 2026, no Auditório do 2º Andar da Unichristus, - Campus Parque Ecológico, em Fortaleza.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


Padre Tomé morre aos 87 anos por pneumonia, em Fortaleza

Nascido na Irlanda de batismo Thomas Francis Reynolds, o missionário redentorista faleceu nesse domingo, 10, deixando legado católico em Fortaleza

Thomas Francis Reynolds, popularmente conhecido como padre Tomé, morreu aos 87 anos, em Fortaleza, nesse domingo, 10. A informação foi confirmada pela Arquidiocese da Capital.

Ele estava enfrentando um quadro de pneumonia.

Notório como exemplo católico para o Ceará, o sacerdote foi diretor do antigo Colégio Redentorista, aproximadamente entre 1988 e 1998.

Ainda presidia missas na Paróquia de São Raimundo, no bairro Rodolfo Teófilo, e atendia às confissões nas quartas-feiras. Ajudava também nas unidades de São Raimundo Nonato, da Glória e da Cidade 2000.

Em nota de pesar, a circunscrição da Igreja Católica lamentou o óbito. O missionário redentorista faleceu por volta das 21h30min no Hospital da Unimed.

O provincial da Província Redentorista de Brasília, padre João Paulo de Souza (CSsR), o definiu como: "Missionário dedicado ao anúncio do Evangelho e ao serviço do povo de Deus, Pe. Tomé, vindo da Irlanda, marcou a vida de muitas pessoas por seu testemunho de fé, simplicidade, silêncio e entrega missionária".

Diante do momento, Arquidiocese pediu união solidária aos familiares, amigos e aos missionários redentoristas, em prece para que o religioso seja acolhido por Deus em misericórdia.

Fonte: O Povo, de 12/05/2026. Online.

Nota do Blog: O corpo do Pe. Tomé está sendo velado na Igreja dos Redentoristas. A missa de corpo presente aconteceu às 7h de hoje, 12/05/2026, seguida de sepultamento às 9h, no Parque da Paz.


A dificuldade de integrar municípios pauperizados ao polo Crajubar

Por Rita Fabiana Arrais (*)

A sala de aula é um dos melhores lugares para uma professora de economia aprender mais sobre a sua região e os problemas que permeiam o cotidiano de cada aluno que sonha alcançar - por meio do curso superior - à emancipação financeira.

É visível a angústia com que questionam a situação econômica do seu município, ao mesmo tempo em que buscam qualificação para atuar em um grande centro urbano.

Por que no meu município não tem emprego? Esse questionamento é necessário para compreendermos que o atraso estrutural dos municípios, a curto prazo, os torna financeiramente endividados e dependentes de empréstimos federais.

Na Região Metropolitana do Cariri esse debate acirra-se em período eleitoral a fim de encontrar respostas para a invisibilidade de alguns municípios que permanecem com baixíssimos indicadores socioeconômicos, dificultando a captação dos investidores privados.

Esses indicadores (renda, nível educacional, taxa de desemprego, saúde, saneamento, estradas etc.) são imprescindíveis para atrair capital para o município, pois mostram não só a economia, mas as condições reais da população e do mercado consumidor.

É importante pensarmos na RMC para além do Crato-Juazeiro-Barbalha, visto que a concentração de investimentos públicos e privados acelera a desigualdade interna.

No ano de 2024, o Cariri tinha 27 cidades com Índice de Desenvolvimento Socioeconômico na linha da pobreza, como por exemplo: os municípios de Abaiara, Potengi e Caririaçu.

Esses dados revelados dos Índices Firjan (2025) corroboram para o aprofundamento do debate, a fim de buscar soluções para encurtar a distância dos municípios menos desenvolvidos para o polo mais dinâmico.

A desigualdade interna avança pela Chapada do Araripe e exige uma mudança na rota dos investimentos públicos para que haja possibilidade de diversificação econômica nesses municípios, evitando a cristalização das atividades econômicas voltadas para o pequeno comércio e o setor público.

Será que podemos pensar no Cariri mais integrado? E como podemos expandir a economia do Crajubar beneficiando o entorno? Esses gargalos que são perceptíveis não ocupam a esfera do problema fácil de se resolver.

Para modificar o cenário, é preciso trabalho conjunto. Não é só uma questão de dinheiro em abundância. É preciso as Parcerias Público-Privadas conectando as cadeias produtivas locais às grandes empresas.

Como diz a professora: sua cidade pode ser produtiva utilizando as ferramentas que se tem de melhor, mas é preciso que você retorne com mais conhecimento e ajude a transformar essa realidade.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 10/04/26. Opinião. p.21.

 

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