Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
Em se tratando da Igreja Católica,
assiste-se a uma avassaladora onda de liberalismo progressista, e, diante
desses ‘neologismos pragmáticos’, é necessário um ponto de reflexão para não sairmos
da estrada, definida por Jesus.
Trago aqui minha singela opinião, sem
pretensões de maiores aprofundamentos, tampouco de convencer ninguém.
A tradição é a transmissão de valores,
princípios e costumes de geração em geração, de tal maneira a manter a
identidade cultural e a essência dos valores e princípios de um povo, de uma
nação, de uma instituição. O tradicionalismo, por sua vez, está mais atento ao
como, valoriza mais o rito do que a essência.
A Igreja Católica tem como suporte a
Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério.
O Cristianismo não existiria sem a
historicidade dos Apóstolos e de Jesus Cristo, cujo ensinamento foi preservado
e transmitido pelos Apóstolos, a partir da Igreja primitiva, sem a qual a
Bíblia seria apenas um livro sem contexto.
Há registros, tanto na cultura grega,
quanto na cultura romana, de baluartes que nos legaram a Bíblia. Assim, temos
Clemente de Roma e Policarpo de Esmirna, no século I, Irineu de Lião, no século
II, Agostinho de Hipona, no século V, Tomás de Aquino, no século XIII e os
gregos Orígenes, Atanásio de Alexandria, entre tantos outros. Romper, portanto,
com a Sagrada Tradição, é desvincular-se da história, rompendo com os próprios
Apóstolos e, enfim, com a Palavra que é o Cristo Jesus.
A liturgia, com seus gestos, atitudes,
músicas e símbolos propicia um ambiente de espiritualidade e de adoração, não
deve ser adaptada à vaidade e transitoriedade do mundo, aliás o fermento é a
Palavra e jamais o mundo.
Dando um olhar pragmático, é possível
perceber-se que a atitude de adoração à Eucaristia parece ter-se encolhido, o
Santíssimo circula pelo meio das pessoas como algo vulgar, não há sinalização
de que Jesus está passando; a atitude de alguns sacerdotes e alguns ministros,
diante da Eucaristia, não chega a ser nem mesmo uma vênia e a distribuição da
Santíssima Eucaristia é mais semelhante a uma feira do que ao Santíssimo
Sacramento, o Filho de Deus encarnado, presente no pão eucarístico.
Como católico, há vezes, que eu não me
sinto num templo católico, sendo mais convidativo à oração e ao encontro com
Deus o interior de minha moradia. Muitos ritmos musicais, nas celebrações,
espantam e afastam mais do que despertam o espírito e não convidam à adoração,
‘data venia’, parece-me mais um show de calouros; muitas proclamações da
Palavra são péssimas e incompreensíveis leituras sem qualquer preparo, nem
compreensão do próprio leitor, constituindo, na minha visão, um desrespeito
para com a Palavra.
O objetivo da substituição da língua
oficial, o latim, pelo vernáculo, parece-me que vulgarizou, mas não
espiritualizou, como se pranteava.
E o Presidente da celebração não é o
sacerdote, é o próprio Cristo, tanto que a consagração é feita ‘in persona
Christi’. O sacerdote é o intercessor, junto a Jesus Cristo, de quantos
participam da liturgia e extensivo a todos.
A Igreja não é estática, nem o sacrifício
da cruz e a ressurreição, riqueza museológica. Mas, a sua dinâmica não coincide
com a dinâmica do mundo. É o Espírito que a vivifica, e não o mundo. Sempre
foi, é e sempre será!!!
O Bispo auxiliar de Hertogenbosch, Robert
Mutsaerts, afirmou que o colapso da prática religiosa, na Holanda, deveu-se à
tentativa de tornar a Igreja mais atraente, ao modernizar suas práticas e
diluir a identidade católica, resultando em esvaziamento, ao invés de
renovação. (https://www.instagram.com/p/DWbWzLXDolJ/?img_index=1).
A Palavra nunca envelhece e jamais
precisará de alterações, mesmo semânticas: evangelizar implica, sim,
contextualização dentro do modal cultural, mas nunca o inverso, nem tampouco
alteração e/ou adaptação de quaisquer citações da Palavra. À catequese cabe a
explicação compreensível do Texto Sagrado.
‘Domine, auge fidem meam’!!!
Uma boa sexta-feira, as bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/04/26.


