segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM PÂNICO

Por Carlos Viana (*)

Nos últimos dias tenho recebido uma enxurrada de mensagens de colegas com deficiência desesperados, porque tiveram seus Benefícios de Prestação Continuada (BPC), bloqueados. Tentando entender a situação, descobri que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), está realizando um pente-fino nos beneficiários desse programa, com o objetivo de evitar fraudes no recebimento do dinheiro.

De acordo com o próprio INSS, as pessoas com deficiência devem atualizar seu CadÚnico, cadastrar a biometria e passar por perícia médica e avaliação social.

É mais do que legítimo que o INSS aperte o cerco, pois estamos falando de dinheiro público, que precisa ser bem empregado. A questão que me deixa com a pulga atrás da orelha é a forma como o INSS está fazendo esse procedimento.

Segundo muitas pessoas com quem falei, a notificação chegou em cima da hora. Em um dos casos, a pessoa deveria receber o benefício no dia 28 e a notificação chegou no dia 26. E aí, como, em tão pouco tempo, é possível realizar todos esses procedimentos?

Além disso, uma dificuldade enfrentada pelos beneficiários é a dificuldade para marcar os procedimentos no INSS, que já tem uma alta demanda no seu dia a dia, e precisa atender a mais essa solicitação. Soube de pessoas que só conseguiram agenda para abril do ano que vem. Até lá, claro, ficam sem receber o benefício.

Entendo que os gastos federais estejam nas alturas e que o Governo precisa cortar onde dá, e que o orçamento do BPC está estrangulado com novos benefícios, mas é doloroso você ouvir um áudio de uma pessoa às lágrimas, porque teve o benefício bloqueado, e só tem agenda para o ano que vem. "Como vou comer? De onde vou tirar dinheiro pra sobreviver", dizia essa pessoa.

E as perguntas que ficam são: onde estão as entidades que nos representam? Onde estão Ministério Público e Defensoria Pública? Quem vai socorrer essas pessoas? Como sempre, a corda só arrebenta do lado mais fraco. Nesse caso, o das pessoas com deficiência e suas famílias, que têm no BPC a única fonte de renda para seu sustento básico. Afinal de contas, estamos falando de pessoas pobres, em sua maioria sem acesso a uma educação de qualidade e ao mercado de trabalho.

(*) Jornalista. Repórter do Núcleo de Opinião do jornal O POVO.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/12/25. Opinião, p.18.


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