quinta-feira, 3 de abril de 2025

2026: A redenção do Ceará 30 anos depois

Por Luiz Eduardo Girão (*)

Minha avó Maria, nos ensinava: "ou aprendemos pelo amor ou pela dor…". Infelizmente, o despertar dos nossos conterrâneos está vindo através da dor, diante das grandes provações que os cearenses têm sofrido, especialmente na área da segurança pública.

Todos os dias, as páginas deste jornal escancaram um cenário típico da Idade Média, em um Estado cada vez mais dominado pelas facções criminosas, que humilham sem piedade nossos cidadãos, enquanto o governo do PT "assiste de camarote". O clima de medo desse faroeste urbano acontece à luz do dia e, o pior, vitima até idosos e crianças, tanto na capital quanto no interior, consequência da completa omissão e incompetência do governo aliado ao aparelhamento político e ideológico de instituições que deveriam fiscalizar e cobrar ações efetivas do executivo, mas "preferem" silenciar. E quem paga por essa inoperância institucional dos burocratas é quem, de fato, trabalha, carregando nas costas a máquina estatal cheia de privilégios.

Só neste início de fevereiro, além das dezenas de assassinatos que já viraram regra mensal, tivemos a tentativa de chacina em Caucaia, com cinco pessoas baleadas, além de mais uma onda de ataques a empresas provedoras de internet, deixando a população de 4 municípios sem comunicação. Enquanto isso os jovens adoecem pelas drogas e são cooptados neste barco estado que vivemos! Gente, onde vamos parar com essa barbárie?

O que me conforta é constatar um movimento forte e crescente em nossa sociedade, de não mais se curvar a essa velha e má política que nos colocou nessa humilhante situação, onde as trevas e sombras teimam em sufocar a "Terra da Luz". Mas não vão conseguir! Os ventos e o sol da mudança já apontam no horizonte, tal como aconteceu há tempos, em 1986, quando houve a quebra de paradigmas e um novo ciclo na gestão pública!

Tenho muita fé e esperança no levante de irmãs e irmãos de ideal — algo que já está em curso pleno e vigoroso — despertando a consciência desse povo de fibra e libertário por natureza que trará de volta o encanto que está ausente e tirará a ferrugem dos sorrisos! Percebo, nos quatro cantos do Ceará, uma legião do bem se unindo como nunca e tomando as rédeas do próprio destino por meio de uma participação mais ativa na vida política prestes a dar um grito de liberdade que acordará a "vizinhança inteira"!

Aliás, um aperitivo dessa mobilização ordeira e pacífica, inspirada pela indignação dos cearenses diante da inversão de valores e dos "poderosos de plantão", ocorrerá neste próximo domingo, 16/3, às 16h, na Praça Portugal. A organização é da Marcha pela Família.

Estarei lá e convido você a se juntar a nós; pelos nossos filhos e netos! Que Deus nos abençoe.

Paz e Bem!

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/03/25. Opinião, p.17.


quarta-feira, 2 de abril de 2025

TECNOFEUDALISMO

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

No livro "Sobre a China", Henry Kissinger elogia Mao Tsé-Tung por ter ordenado seu exército a se manter "comedido e probo" em antiga guerra da China contra a Índia. A vitória sobre posições indianas gerou nova fronteira. Mao determinou a volta ao limite anterior e a devolução dos armamentos pesados retidos.

A China usou a força não para conquistar territórios, senão "para obrigar a Índia a voltar à mesa de negociações". A China de hoje faria o mesmo? E Putin? E Trump? A mídia nos diz que este deseja tomar a Groenlândia, o Canadá e capturar Gaza. E, sem garantir a proteção aos ataques russos, exigiu da Ucrânia US$ 500 bilhões em terras com minerais raros e 50% da renda gerada pela exploração desses recursos.

Em 2001, o consultor internacional Kenichi Ohmae lançou o livro "O Continente Invisível". Nele destacou a descoberta e a colonização dos continentes e o advento da internet, "o continente invisível", que, em seu dizer, seria colonizado, porém, com futuro imprevisível. Após 24 anos, Bolívar Torres, no "O Globo", comenta o compêndio "Tecnofeudalismo", de Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia, a ser lançado no Brasil em abril, em que o autor compara as big techs a senhores feudais e defende que o capitalismo morreu e foi substituído por algo pior.

Varoufakis afirma que os mercados teriam sido trocados "por plataformas de comércio digital que, na prática, operam como os antigos feudos. Os usuários digitais se tornariam 'servos', enquanto os detentores do capital tradicional [...] se limitariam ao papel de 'vassalos'. E o lucro, motor do capitalismo, teria sido substituído por seu antecessor feudal: a renda. [...] Os usuários não são clientes no sentido clássico, mas servos que geram dados e precisam dessas plataformas para acessar informações, trabalho e serviços essenciais".

Para Arthur Bezerra, também citado por Torres, a influência das big techs sobre Trump leva muitos a achar que Elon Musk é o "verdadeiro" chefe de Estado dos EUA. Será o tecnofeudalismo uma das respostas às indagações de Kenichi Ohmae sobre o continente invisível? O futuro dirá.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/03/25. Opinião, p.18.

terça-feira, 1 de abril de 2025

BONITO PRA CHOVER

Por Izabel Gurgel (*)

Melhor do que Carnaval é Carnaval com chuva.

Vale, claro, para quem, como eu, gosta das duas coisas.

Escrevo fora de hora e ouvindo trovões.

Chove lá fora e me vem à lembrança um Carnaval que passou, o primeiro trio elétrico da vida passando e parando justo onde estávamos. Salve Salvador. "Chove lá fora..." começou tão santinho, santinho e eu não sabia que era só a largada para o demo solto (e ele é legião). Só eu não sabia.

Não lembro das cordas e dos cordeiros, como se diz dos homens que seguram as cordas, fronteira que separa quem brinca dentro e quem pula fora. Conheci a nomeação 'cordeiros' anos depois e só hoje, trovejando lá fora, percebo que talvez venha da corda o batismo deles e não do bicho associado ao sacrifício e invocado na missa. Aquele que tira o pecado do mundo.

É preciso saber ler os sinais. Estamos pessoas exauridas... As redes que uma querida professora farejou anos atrás como antissociais estão cheias de lições extraviadas de interpretação de texto. Diz-se isso nas redes em várias línguas. Com sotaque dos quatro cantos do mundo, que não são aquela encruza benta por tudo de bom que é brincar. O chamado Quatro Cantos de Olinda, os da canção "Me segura que senão eu caio", de Alceu Valença.

Anoto Olinda outra vez e volto ao título do texto, Bonito pra chover, o lindo trio que Leonardo Mota (1891-1947) anotou pra gente de ouvir dizer em suas andanças pelos sertões do mundo.

Bonito pra chover, que o querido professor Gilmar de Carvalho (1949-2021) tornou título e tutano de livro de ensaios sobre a cultura cearense (o subtítulo). Publicação da Fundação Demócrito Rocha, 2003. Vou citar Leota. O livro é "No tempo de Lampião", primeira edição no começo da década de 1930. Lampião vivinho da silva.

Cito o Leota: "À noitinha, no pátio da fazenda, um silêncio de angústia imobilizava os sertanejos, de ouvidos atentos a algum trovão longínquo. Há três meses, uma preocupação indisfarçável chumbava os espíritos à expectativa do inverno daquele ano. Seria possível que, mais uma vez, o anjo mau do extermínio adejasse sobre a terra mártir? (...) Pleno março e nenhuma esperança de inverno. Pela madrugada, ao filho varão que saíra ao terreiro, a fim de ver se estava relampeando pro lado do Piauí ou se o céu estava promisso de chuvas, o velho sertanejo pergunta, da rede em que está deitado na sala da frente:

- Manoé, meu filho, está bonito pra chover?".

É domingo de Carnaval. Em Fortaleza, vai ter Rei de Paus na Domingos Olímpio. Cada vez que passa o maracatu do seu Geraldo (Barbosa), fica bonito pra chover. Tem mais maracatu na rua. "Me chama" é o título da canção que me fez ir atrás do trio elétrico. Ainda estamos aqui.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/03/25. Vida & Arte, p.2.

segunda-feira, 31 de março de 2025

A SANTA CASA E A SAÚDE PÚBLICA

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Em diversos momentos, neste espaço e em outras oportunidades, vimos falando sobre a questão crucial de termos novamente a Santa Casa em pleno funcionamento, por tudo aquilo que ela representa para a sociedade cearense, desde o longínquo 1854, quando foram iniciadas as tratativas para a sua criação, concretizada em 14.03.1861, com sua instalação.

Durante esses anos, a Santa Casa funcionou como Maternidade, administrou uma Funerária e continua contando com o Hospital da Santa Casa, o Hospital Psiquiátrico São Vicente de Paulo, a gestão do Cemitério São João Batista e a Clínica Eduardo Salgado.

A crise atual, agravada durante a pandemia, é mais uma das muitas que as filantrópicas, via de regra, padecem por conta do subfinanciamento das atividades clínicas e cirúrgicas sob a Tabela SUS, com mais de 20 anos de defasagem.

As formas de solucionar o problema já foram também continuadamente expostas e resultaram em reunião no Ministério da Saúde, em setembro de 2024, de onde se saiu com o compromisso de ações, como o aporte emergencial de recursos e a cobertura do déficit mensal hoje existente.

Lamentavelmente, em início de fevereiro, voltou-se à estaca zero, alegando-se que as medidas haviam sido em caráter ad referendum, carecendo, portanto, de serem reiniciadas, causando tristeza e mal-estar entre todos os que acompanham a situação e se esforçam por solucioná-la.

Lembramos que, em 01.10.1895, pela Lei no. 278, o governo estadual autorizou o elevado aporte de 37.000$000 (em réis da época) para o resgate da dívida da Santa Casa. Em outros momentos, novos aportes foram feitos, porquanto os serviços são sempre remunerados abaixo dos reais valores.

Continuamos com a força e a resiliência em mantê-la aberta, em prol da população mais carente, mas reivindicamos a complementação dos valores da Tabela SUS e outras formas de transferência de recursos. Nos últimos anos, a Santa Casa vinha realizando em média 50 cirurgias por dia, podendo, com extensão de turnos, duplicar esse número, ajudando a reduzir as trágicas filas de hoje no Ceará.

Vamos continuar salvando vidas? A Santa Casa sabe como. 

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/02/25. Opinião. p.20.

AINDA ESTAMOS AQUI

Por Sofia Lerche Vieira (*)

As últimas imagens de "Ainda estou aqui" costumam se confundir com uma plateia comovida e silenciosa. A experiência de ver o filme é única. A um só tempo, individual, coletiva e reverente. O que desperta tal sentimento?

São muitas as razões para aplaudir o filme de Walter Salles. O tema do trauma político nacional tem um sentido universal. Rubens Paiva expressa um caso brasileiro de tortura e morte durante a ditadura. Alexei Navalni, dissidente político russo, morto sob circunstâncias obscuras em 2024, foi reverenciado por mais de mil pessoas em 16 de fevereiro deste ano por ocasião do aniversário de sua morte.

É oportuna a forma escolhida para abordar o tema: a vida de uma família antes e depois da tragédia do assassinato de sua principal figura. A reconstrução através de imagens de luz e alegria, sombra e tristeza expressam um tratamento preciso de imagens onde se misturam flashbacks e cenas do contexto político. Sobre dessas duas realidades, paira a busca incessante da verdade que tem na figura de Eunice Paiva sua âncora. O drama pessoal se mescla, assim, com o contexto político ditatorial, entrelaçando os diferentes níveis de aproximação à realidade.

Outro destaque da obra é a economia de gestos e a inexistência de recursos e efeitos apelativos visível na controlada dor de Eunice e dos seus; nos gritos nos porões da ditadura; e, nos rastros de sangue que se procura expurgar pela lavagem do chão. Imagens grotescas são explícitas apenas nos personagens caricaturescos que levam Rubens Paiva preso para nunca mais voltar. O entrelaçamento entre o dito e o não dito, resulta em uma trama precisa, real e infinitamente triste.

A família, que não perde a capacidade sorrir mesmo em meio a tal adversidade, é o grande esteio da sobrevivência e superação. É exemplo de uma fé na vida que sequer os grilhões de uma ditadura torturante podem conter.

Contrapondo-se aos avanços de um crescente totalitarismo no Brasil e no mundo, a arte é a resposta singular de que, apesar de tudo, como Eunice e sua família, ainda estamos aqui. Venham ou não os Oscars, o filme já venceu!

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/02/25. Opinião. p.20.

domingo, 30 de março de 2025

Obras de Michelangelo que todos deveriam conhecer IV

7. Moisés

Localizado na deslumbrante Basílica de San Pietro in Vincoli, em Roma, Moisés foi originalmente encomendada em 1505, pelo Papa Júlio II, como parte de seu monumento funerário, mas não foi concluída até depois de sua morte. Esculpida em mármore, esta escultura é notável pela inclusão de um par de chifres na cabeça de Moisés – o que se acredita ser o resultado de uma interpretação literal da Vulgata, uma tradução latina da Bíblia - e foi feita para ser acompanhada por outras obras, incluindo o Escravo Morrendo e Escravo Rebelde, alojados no Louvre, em Paris.

8. A crucificação de São Pedro

Este foi o afresco final que Michelangelo pintou durante sua vida. Ele reside na Cappella Paolina do Palácio do Vaticano e foi originalmente encomendado pelo Papa Paulo III, em 1541. Em contraste com muitas outras representações do santo da era renascentista, o trabalho de Michelangelo se concentra em um assunto muito mais sombrio - sua morte. Um projeto de restauração iniciado em 2004, de cerca de 12 milhões de reais, durou cinco anos e revela um aspecto muito interessante do afresco: os pesquisadores agora acreditam que uma figura vestida de turbante azul no canto superior esquerdo da pintura é, na verdade, o próprio artista. Se correta essa teoria, essa pintura seria o único autorretrato de Michelangelo de que se tem notícia.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Obras de Michelangelo que todos deveriam conhecer III

5. O Tormento de Santo Antônio

O Museu de Arte Kimbell, no Texas, tem a honra de possuir o Tormento de Santo Antônio - a primeira pintura conhecida de Michelangelo - que teria sido pintada quando o artista tinha apenas 12 ou 13 anos de idade. Criado sob a tutela de seu velho amigo Francesco Granacci, este quadro foi citado por artistas e escritores do século XVI - Giorgio Vasari e Ascanio Condivi - primeiros biógrafos de Michelangelo - como uma obra realizada que embelezou criativamente a gravura original de Schongauer, e alcançou amplo reconhecimento.

6. Tondo Doni

Esta é a única pintura de painel sobrevivente feita por Michelangelo. Foi feita para o rico banqueiro florentino Agnolo Doni, que provavelmente comemoraria seu casamento com sua esposa Maddalena, filha da proeminente família nobre da Toscana, a Strozzia.

Ainda em sua moldura original - uma bela peça de madeira ornamentada e projetada também por Michelangelo - a obra reside na Galleria degli Uffizi desde 1635, e é a única pintura de Michelangelo que pode ser encontrada em Florença, na Itália.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.



 

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