Por Lauro Chaves Neto (*)
"Breakneck:
China's Quest to Engineer the Future", de Dan Wang, da Universidade de
Stanford, na Califórnia, publicado em 2025, e considerado por parte da mídia
mundial o livro do ano, apresenta a ideia central de que "os EUA são
governados por advogados, enquanto a China é governada por engenheiros",
enquanto os americanos priorizam o jurídico e o regulatório, os chineses
colocam a engenharia e a execução prática no centro de sua estratégia nacional.
O livro destaca
que a estratégia chinesa envolve uma visão articulada de futuro, na qual
infraestrutura é sinônimo de influência geopolítica, segurança nacional e
projeção global, combinando planejamento estatal, inovação tecnológica e
diplomacia econômica, sem esquecer os lados negativos da engenharia social,
incluindo a vigilância de minorias étnicas, a repressão política e os traumas
da política do filho único e da Covid zero.
Em contraste, os
EUA são governados por advogados que são realmente eficientes em bloquear as
coisas, o que pode ser ruim e bom. Podem barrar ideias sem sentido, assim como
reduzir a velocidade e aumentar o custo da economia.
O livro oferece
lições relevantes para o Brasil ao mostrar como a China articula planejamento
de longo prazo, coordenação institucional e investimentos estratégicos em
infraestrutura. A principal lição é a importância de definir projetos
estruturantes que sejam sustentados por políticas de Estado, não apenas de
governo.
A experiência
chinesa também revela o valor de integrar infraestrutura física, digital e
energética, ampliando competitividade e conectividade regional, além de
estimular inovação tecnológica com foco em produtividade.
O livro também
alerta que infraestrutura só gera prosperidade quando integrada a políticas
industriais, inovação e logística sustentável - caso contrário, transforma-se
em ativo caro e subutilizado.
Por fim, ressalta
que velocidade não substitui participação social, nem os princípios
democráticos, isso significa a necessidade de ampliar diálogo com comunidades,
setor produtivo e academia, garantindo que o desenvolvimento seja inclusivo e
estratégico.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 5/01/26. Opinião. p.22.

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