domingo, 1 de novembro de 2026

O DONO DO MUNDO

Por Raimundo Padilha (*)

Quem é o dono do mundo? No plano celestial achamos que é Deus mas, na sua santa humildade, ele assim não se considera. No plano terráqueo, há quem se considere. Mera ilusão. Há quem se considere dono do mundo, ou pensa que é o Deus da terra.

E, talvez, até se considere imortal. Este é o caso de Donald Trump. O fato de dirigir a maior potência do Globo terrestre não lhe dá o direito desta titularidade. Mas, será que ele chega a pensar desta forma? Se assim for, é o caso de absoluta insanidade. E, se confimado o desvio de personalidade, a culpa é de quem o elegeu.

À meu juízo, só há um momento em que ele não se "acha". É quando na sua mente aparece a China. Neste espaço, ele vê como ameaça aos seus sonhos de loucura. E na velocidade do crescimento chinês, em pouco tempo, o poder econômico mudará de mãos. O jogo está jogado e a ameaça está próxima.

Mas ele é dono de cassino. As últimas medidas adotadas pelo Sr. Trump, não obstante as suas falsas manifestações de glórias, demonstram imaginar a titularidade do poder global. Falácias, simples falácias que amaciam o seu ego. A falta de respeito à soberania de outros países, podem, em alguns casos ganhar pela força, mas não pelas leis que fazem o nosso arcabouço jurídico-institucional.

Prender o Presidente da Venezuela pela força é uma coisa, pensar que acaba com a guerra da Rússia com a Ucrânia em 24 horas, é outra coisa e perder a guerra contra o Iran, são coisas que demonstram a sua relativa fragilidade ou visível insanidade.

Os seus ataques com os tarifaços, inclusive contra o Brasil, podem ser o ócio de um presidente, que enquanto pratica a matança podia estar cuidando da saúde e da desigualdade entre os povos. A ameaça que existe à soberania americana ele não ver ou não tem condições de demovê-la.

A corrida tecnológica contra a China, por exemplo, é uma guerra perdida. Mas, o Sr. Trump está preocupado com questiúnculas de países que não lhes causam ameaças, como Cuba, Venezuela e Brasil. Trocar a nomenclatura de um Ministério da Defesa por Ministério da Guerra, é pensar pequeno ou ter espírito de perseguição.

Sr. Trump faça PAZ, não faça GUERRA. Sr. Trump o mundo sofre com a saúde e com as desigualdades econômicas. Pense nisto. Torne o mundo menos desigual. Olhe para a África e a ajude.

Ou será que além de prepotente o Sr. também é racista? Seja Presidente de um País mais rico ajudando os mais carentes e não estimulando o seu arsenal bélico e matando inocentes. O exemplo que o Senhor deu na ocupação do Capitólio foi vergonhosa por ter perdido legitimamente a eleição. Logo mais, daqui a dois anos, o Sr. estará fora da Presidência dos Estados Unidos e talvez tenha que voltar a ser croupier dos seus cassinos, e disto é que o Sr. entende.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 1/10/26. Opinião. p.15.


 

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