Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Ao ser o que sou, não tenho qualquer outra
escolha. É a minha matriz existencial, a essência de mim e nada a desentalha,
pois, se fosse possível alterá-la ou deletá-la, minha existência não teria mais
razão de ser.
Eu sou em cada eu estou, e o meu estou está
no eu sou, qual elétron que somente gira em torno do núcleo.
Além do eu estou, o como estou atualiza as
sinapses do eu sou, porém, convém dizer, o eu sou jamais será modificado pelo
eu estou.
É no eu estou que se assentam máscaras,
tentando obumbrar o eu sou, escondendo-o e ferindo-o, muitas vezes, tão
gravemente, com frustrações, insinuações, dissimulações, negatividades,
desídia, de tal modo que nada lhe resta, senão reagir também, cruel e fortemente,
com desordens e patologias; inicialmente, gritos leves de socorro, que, não
ouvidos, rumam ao desespero. O eu sou, mesmo ferido, continua eu sou, mas os
espinhos do eu estou bloqueiam a sua dinâmica de crescer, expandir-se e
realizar-se.
O ‘eu sou’ é, categórica e eternamente, eu
sou. Contudo, o eu estou é escolha pessoal, e somente minha determinação tende
a ajustá-lo ou aliená-lo.
E para nós, cristãos, a fé é
imprescindível, porém, uma fé, que não exclua a fé em nós próprios. Deus não
faz, diz Santo Agostinho, o que cabe a nós fazê-lo: não é nossa vontade que se
impõe a Deus, mas, a vontade de Deus que se realiza em nós, para termos “vida
em abundância”. (Jo 10,10)
Não adianta reclamar, não adiantam
justificativas, não adianta buscar bodes expiatórios. Nada adianta, se as
rédeas não forem por mim assumidas; ninguém pode fazê-lo por mim.
Assim, segue a vida do Homo sapiens, na sua
inexorável viagem telúrica.
Tenhamos um bom sábado, com as bênçãos de
Deus!!!
(*) Pediatra e professor da Uece aposentado.
Enviado por WhatsApp em 29/11.25.

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