quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

SINGELA E PROFUNDA REFLEXÃO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Ao ser o que sou, não tenho qualquer outra escolha. É a minha matriz existencial, a essência de mim e nada a desentalha, pois, se fosse possível alterá-la ou deletá-la, minha existência não teria mais razão de ser.

Eu sou em cada eu estou, e o meu estou está no eu sou, qual elétron que somente gira em torno do núcleo.

Além do eu estou, o como estou atualiza as sinapses do eu sou, porém, convém dizer, o eu sou jamais será modificado pelo eu estou.

É no eu estou que se assentam máscaras, tentando obumbrar o eu sou, escondendo-o e ferindo-o, muitas vezes, tão gravemente, com frustrações, insinuações, dissimulações, negatividades, desídia, de tal modo que nada lhe resta, senão reagir também, cruel e fortemente, com desordens e patologias; inicialmente, gritos leves de socorro, que, não ouvidos, rumam ao desespero. O eu sou, mesmo ferido, continua eu sou, mas os espinhos do eu estou bloqueiam a sua dinâmica de crescer, expandir-se e realizar-se.

O ‘eu sou’ é, categórica e eternamente, eu sou. Contudo, o eu estou é escolha pessoal, e somente minha determinação tende a ajustá-lo ou aliená-lo.

E para nós, cristãos, a fé é imprescindível, porém, uma fé, que não exclua a fé em nós próprios. Deus não faz, diz Santo Agostinho, o que cabe a nós fazê-lo: não é nossa vontade que se impõe a Deus, mas, a vontade de Deus que se realiza em nós, para termos “vida em abundância”. (Jo 10,10)

Não adianta reclamar, não adiantam justificativas, não adianta buscar bodes expiatórios. Nada adianta, se as rédeas não forem por mim assumidas; ninguém pode fazê-lo por mim.

Assim, segue a vida do Homo sapiens, na sua inexorável viagem telúrica.

Tenhamos um bom sábado, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 29/11.25.


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