Por
José Maria Bonfim de Morais (*)
Brasil colônia não tinha médico. Portugal não admitia
alguém que lesse. Queria manter seus súditos analfabetos. Fazia uma exceção os
seminários católicos. Estes estabelecimentos possuíam Filosofia e Teologia.
Somente com abrupta vinda de Dom João VI se iniciaria
Faculdade de Medicina. A primeira no Terreiro de Jesus em Salvador. A Faculdade
de Medicina de Salvador fez florescer a vocação de médicos que adormecia em
tantos lares.
Flávio Leitão e seu irmão caminharam com brilho e com
determinação na arte de curar. Flávio engendrou os caminhos misteriosos da
neuromedicina. Foi mais longe. Buscou a Neurocirurgia. Formado foi para longe.
Em 1949 Eliseu Paglioli, filho de Caxias do Sul, inaugurava o Pavilhão São
José.
A Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre, inaugurada
em 1881, é um conglomerado de Hospitais. Lá você encontra o Pavilhão Pereira
Filho, inaugurado por um grande médico cearense o Dr. Fernando Carneiro. A
proximidade com a Argentina uma das maiores e mais ricas potências pós-guerra,
só benefícios trouxeram para os pampas. Flávio trouxe consigo não somente
conhecimento, mas a maneira de ser médico. De um comportamento profissional
incontestável.
O Hospital Geral de Fortaleza do ex-Inamps, era um
hospital de alta complexidade com a predominância de casos cirúrgicos. A equipe
de Neurocirurgia era relativamente grande. Dr. Djacir, Dr. Vicente Lobo, Dr. Flávio
Leitão, Dr. Sérgio Pouchain, Dr. Soleno Paiva, Dr. Vicente Leitão e Dr. Firmo
Holanda. Era a mesma equipe que atuava na Casa de Saúde São Raimundo.
Por muitos anos Flávio foi médico do meu tio José Olímpio
de Moraes, portador da Síndrome de Parkinson. A neurocirurgia, como a cirurgia
cardíaca, sofreu o impacto do intervencionista. Flávio foi pioneiro em
Fortaleza na abordagem cirúrgica transesfenoidal. Foi o pioneiro, que tenho
conhecimento da Tomografia do Cérebro. Depois viria a RNM.
Encontrava-se em Flávio, um remanso de serenidade. Uma
segurança de um porto iluminado de esperança. Seja pelo sonho que se leva. Seja
pelo barco que sai em busca para minar o desespero. Mas Flavio que sempre
retornava cheio de alegria. Cheio de vidas alentadas de esperança. Deus é bom.
(*)
Da Academia Cearense de Médicos
Escritores, da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.

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