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quinta-feira, 12 de junho de 2025

O mundo está ao contrário e ninguém reparou

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou, na semana passada, o mapa-múndi oficial em uma versão invertida – “de cabeça para baixo”, disponível em: <https://surl.li/msauuk>. Mas por que o mundo está ao contrário e ninguém reparou? Vamos à resposta para a pergunta de Nando Reis.

Tive o privilégio e a honra de ter sido aluno do professor Horacio Capel Sáez no mestrado em Planificação Territorial e Desenvolvimento Regional da Universidade de Barcelona. Geógrafo e ganhador do Prêmio Vautrin Lud (considerado o Nobel da Geografia), o professor Sáez ensinava, com base na ciência e na cartografia, que, desde o século 15, o mundo vem sendo mapeado a partir de diferentes perspectivas.

A mais usual é a visão eurocentrista – a chamada Projeção Cilíndrica de Mercator. Essa projeção foi elaborada pelo geógrafo, cartógrafo e matemático holandês Gerhard Mercator (1512–1594), inspirado pelo astrônomo e geógrafo Ptolomeu (100 –168). Vale lembrar que a tese ptolomaica, segundo a qual a Terra ocupava o centro do universo, foi aceita por 14 séculos até ser desmentida pelas teorias de Copérnico e Galileu.

A cartografia de Mercator foi a primeira representação cartográfica de toda a superfície terrestre. Nessa projeção, os meridianos são planificados na forma de linhas verticais retas, paralelas e equidistantes horizontalmente.

Já a Projeção de Gall-Peters, conhecida como cilíndrica e equivalente, oferece uma alternativa à de Mercator. Nela, as retas perpendiculares aos paralelos e as linhas meridianas apresentam intervalos menores, resultando em uma representação mais fiel das áreas dos continentes. O mapa recebeu esse nome em homenagem a James Gall, escocês aficionado por astronomia que o desenhou pela primeira vez em 1855, e ao historiador alemão Arno Peters, que difundiu suas ideias na década de 1970. Essa projeção prioriza a proporção entre as áreas, e não a forma dos continentes.

No mundo anglo-saxão, os mapas-múndi produzidos na Austrália são os mais conhecidos entre aqueles que adotam a perspectiva “de baixo para cima”, os chamados “de cabeça para baixo” (upside-down). Além da Austrália, países como Japão e Nova Zelândia também fazem mapas nos quais seus territórios aparecem centralizados, como forma de legitimar seu posicionamento político.

Importa mencionar que o primeiro mapa “de cabeça para baixo” foi obra do australiano Stuart McArthur, que, aos 12 anos, desenhou o mapa “com o sul para cima”, apresentando-o, posteriormente, na Universidade de Melbourne.

A plataforma The True Size (https://thetruesize.com), de forma interativa, contribui para combater o analfabetismo geográfico ao permitir comparações proporcionais entre os países, sem anular a representação planificada.

Nosso geógrafo maior, Milton Santos — também laureado com o Prêmio Vautrin Lud — costumava afirmar: “O centro do mundo está em todo lugar, e cada lugar é o mundo à sua maneira”.

Um exemplo curioso vem dos quadrinhos. Mafalda, personagem criada pelo cartunista argentino Quino, ironiza a disposição tradicional dos mapas, nos quais o Norte aparece “em cima” e o Sul é mantido “embaixo”.

Em conclusão, aprendamos com Mílton Santos e Mafalda que, em cartografia, não existe “para cima” ou “para baixo”, mas apenas Norte e Sul. Em segundo lugar, é importante destacar o caráter ideológico das ciências que construíram uma visão de mundo centrada no Norte, região que hoje abriga a maior parte dos países desenvolvidos.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 15/05/25. Opinião. p.21.


quarta-feira, 16 de junho de 2021

A GEOGRAFIA DA FOME, O QUE MUDOU 60 ANOS DEPOIS?

Por Cláudia Leitão (*)

“Os países ricos conhecem a poluição direta, física, material, a do ambiente natural. Os países subdesenvolvidos são presas da fome, da miséria, das doenças de massa, do analfabetismo. O homem do Terceiro Mundo conhece essa forma de poluição chamada 'subdesenvolvimento'".

A reflexão, lamentavelmente tão atual, é de Josué de Castro, um pernambucano cidadão do mundo, indicado três vezes ao Prêmio Nobel, deputado, professor, embaixador e presidente da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

Castro era um humanista. Sua visão ética e abstrata de justiça não se descolava das suas atitudes. Atravessou a vida enfrentando poderosos para transformar a realidade das populações famintas do planeta.

A publicação, em 1946, do magistral "Geografia da Fome" inaugura uma extensa produção intelectual que denuncia a conspiração silenciosa em torno da insegurança alimentar no Brasil e no mundo, só explicável, segundo ele, por interesses e preconceitos de ordem moral, política e econômica.

Afinal, as tecnologias, presentes desde a primeira metade do século XX, já seriam capazes de produzir alimentos para todo o planeta.

Para Castro, o subdesenvolvimento não passava de uma dimensão do próprio modelo de desenvolvimento capitalista.

Não será por acaso que terá seus direitos políticos caçados pelo golpe militar de 1964 (golpe sim!) e morrerá no exílio, em Paris, sempre afetado pelos problemas sociais brasileiros.

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, 2017-2018, divulgada pelo IBGE, a insegurança alimentar grave esteve presente entre 10,3 milhões de brasileiros, trazendo o Brasil de volta ao mapa mundial da fome. Com o advento da covid-19, em 2021 são mais 116 milhões de pessoas que sofrem algum tipo de privação alimentar.

Se Josué de Castro fosse vivo, continuaria contribuindo sobre a fome, a biodiversidade, a poluição, o desenvolvimento sustentável, a concentração de renda, entre outros temas urgentes sobre os quais o Brasil vem silenciando. Que falta faz Josué de Castro e seu compromisso com a dignidade humana! 

(*) Professora da Uece. Diretora do Observatório de Governança Municipal do Iplanfor.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/4/21. Opinião, p.22.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Posse do Prof. Dr. José Borzacchiello da Silva no Instituto do Ceará

 


Amanhã, dia 20 de abril de 2021 (terça-feira), sob a presidência do Gal. Júlio Lima Verde Campos de Oliveira, será realizada a sessão solene de posse no Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) do novo associado efetivo, o ilustre Prof. Dr. José Borzacchiello da Silva, ocasião em que o mesmo será recepcionado pela sócia efetiva Angela Maria Rossas Mota de Gutierrez.

A solenidade acontecerá de forma remota/virtual, através do aplicativo Google Meet.

O evento terá início às 17 horas.

Segue o link do google meet para o acesso a solenidade de posse.

https://meet.google.com/squ-ggfj-ibv

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio efetivo do Instituto do Ceará


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

MISSA DE SÉTIMO DIA POR PROF. CAIO LÓSSIO BOTELHO


A Missa de sétimo dia pela alma do Prof. Caio Lóssio Botelho acontecerá hoje, dia 26/12/2018, às 19 horas, na Capela de Sta. Edwirgens, situada na Av. Presidente Castello Branco, que fica vizinha ao Hotel Marina.

A biografia do Prof. Caio Botelho, disponível no site da netsaber, traz a seguinte apresentação:

Caio Lóssio Botelho (Geógrafo; professor; escritor e pesquisador.) 1933-

Caio Lóssio Botelho, formou-se em geografia e história na Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, em 1956. É Docente-Livre em geografia econômica-UFC; Doutor em planejamento regional e geografia integral; técnico em fotointerpretaçãio e planejamento; técnico em métodos quantitativos em geografia; Bacharel em administração pública-UFC; Bacharel e licenciado em geografia-UFC e Bacharel e licenciado em história-UFC. Pertence as seguintes Associações técnicas, científicas e culturais: Presidente da Associação Pan-Americana dos diplomados em recursos naturais-OEA; Membro do The National Geografic Society-EUA; Membro da União Brasileira de Ciências Antropológicas e Etnográficas; sócio efetivo do Instituto do Ceará; membro da Academia Cearense de Ciências; membro da Sociedade Cearense Cearense de Geografia e História etc. Caio é estudioso do fenômeno das secas no Nordeste, principalmente do Ceará. É profundo conhecedor das causas e efeito deste fenômeno. Possui diversos livros editados, quase todos embasados na ciência geográfica; dentre eles destacamos: A filosofia e o progresso evolutivo da geografia; Repensando o cosmo: O homem e a geografia astronômica; Geografia monística, volume 1 e 2 e Seca - Visão dinâmica, integrada e correlações.

 

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