Por José Nelson Bessa Maia (*)
Tornou-se um
lugar-comum afirmar que a baixa produtividade é um dos principais entraves ao
crescimento econômico do Brasil, permanecendo praticamente estagnada há
décadas. Por causa disso o país enfrenta uma "armadilha de baixo
crescimento", com trabalhadores produzindo, em média, cerca de um quinto
do que nos EUA, tido como referência nessa matéria.
A comparação
internacional de produtividade costuma ser feita em PIB por trabalhador
empregado em dólares internacionais ajustados por Paridade de Poder de Compra.
Os dados mostram que o Brasil teve forte perda relativa entre 1980 e 2000 e
depois ficou praticamente estagnado. Hoje, um trabalhador brasileiro produz 24%
do que produz um trabalhador norte-americano médio.
Por outro lado, a
China partiu de base extremamente baixa em 1980, mas teve o maior avanço da
história econômica recente. Com isso, a produtividade chinesa passou de 4%
da americana para 40% em pouco mais de quatro décadas.
O dado mais
impressionante é que, em 1980, o Brasil possuía uma produtividade de oito vezes
superior à da China. Hoje, a situação se inverteu: a produtividade média do
trabalhador chinês já é 60% maior que a do trabalhador brasileiro. O Brasil
permaneceu praticamente estagnado por quatro décadas, enquanto a China convergiu
rapidamente para os níveis das economias avançadas.
Entre as
principais causas estão a falta de concorrência, dificuldades de acesso a
crédito, distorções tributárias e regulatórias e má alocação de recursos, que
impedem empresas mais produtivas de crescer. Além disso, grande parte da força
de trabalho está concentrada em setores de baixa produtividade, como
agricultura e comércio.
Para resolver
esse impasse e superar o desafio da baixa produtividade, diversos estudos
apontam a necessidade de promover reformas estruturais, maior integração
produtiva, maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), melhoria
na educação básica, média e superior e maior abertura a investimentos
estrangeiros. Esse pacote de medidas poderia impulsionar a produtividade do
trabalho e alavancar o crescimento em bases sustentáveis. Além disso, muitos
defendem a estímulos direcionados a setores intensivos em conhecimento,
inserção planejada em cadeias globais de valor e modernização da agroindústria.
Em um país com
tantas potencialidades, como recursos naturais abundantes, sistema financeiro
sofisticado, grande mercado interno e boas universidades como o Brasil,
conclui-se que, embora o problema seja estrutural, há uma janela de
oportunidade para se evitar mais uma década perdida, desde que governos,
empresas e universidades atuem de forma coordenada no bojo de uma Estratégia
Nacional de Desenvolvimento para romper o circuito da baixa produtividade e
superar a armadilha da renda média.
(*)
Ex-secretário de Assuntos Internacionais do
Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela
Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.
Fonte:
O Povo,
de 27/06/26. Opinião. p.25.

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