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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Loas a Pedro Salgueiro

Por Raymundo Netto (*)

Conheci o contista e cronista Pedro Salgueiro em uma van rumo ao Aracati, em 2005, quando lancei meu primeiro livro: "Um Conto no Passado: cadeiras na calçada".

O Pedro é funcionário público. Na época, tinha parte das tardes livres e eu estava terrivelmente desempregado. Assim, passei a encontrá-lo muito frequentemente, fosse em sua casa - e até participando das festas de sua família, pois ele ama a sua família -, em livrarias, sebos e bares ou em lançamentos, onde ele me apresentava a escritores cearenses e aos escritores do mundo, em horas e horas de conversas sem pressa em alguma calçada de bar. Além de ter uma biblioteca imensa, ele compra livros para distribuir aos amigos e chegados. Sensível, inteligente e generoso, ele lê as obras desses amigos, percebe-lhes as tendências, estilos e afinidades e oferece a eles livros que crê serem indispensáveis à sua formação literária. Acompanhado de copos de cerveja e de tripa assada, em seus grupos - é muito gregário - ele é apenas um leitor, mas um grande leitor. Sem pedantismo, analisa as obras, destrincha narrativas, discorre sobre a biografia e particularidades daqueles autores, quase como se fossem vizinhos ou amigos, numa naturalidade de quem vive o que diz e o que faz.

Na época que o conheci, ele estava com a coletânea de contos "Dos Valores do Inimigo" no Vestibular da Universidade Federal do Ceará (UFC). Diversas vezes, pude assistir ao brilho do olhar dos jovens estudantes que se reuniam em grupos para conversar com ele. Eram rodas alegres, e não havia ali uma estrela, um escritor sobre pedestal, mas um homem simples que ama a literatura que lê - e como lê - e que produz, mas em um ritmo descansado, pois sempre preferiu viver do que cultuar a viciosa sede da fama. Com seu boné sobre a cabeça, o copinho americano de cerveja em uma mão e pendendo na ponta do indicador da outra um saco plástico com mais livros adquiridos de sebos da região, Pedro desmitificava a figura do escritor. Expunha sobre sua escrita, suas influências e seus mestres em uma conversa tão despretensiosa a deixar claro para aqueles jovens que a leitura e a escrita são manifestações e expressões humanas, e é nisso que reside a sua arte e magia.

Ensimesmado em meu canto, podia imaginar o menino que acordava no fundo encardido da rede, despertando o olhar para os caibros tortos com ripas de marmeleiro de sua casinha humilde no Alto das Pedrinhas de Tamboril, sob as bênçãos do Serrote do Feiticeiro. Aquele que trazia no peito em lágrimas a grande admiração pelo pai, o seu Arimateia, que fora agricultor, comerciante, prático de farmácia e que, na experiência de ser candango em Brasília, aprendeu a "arte das solas, vaquetas, pregos e virolas", vivendo e morrendo sapateiro, ainda jovem, aos 58 anos. Um menino grande e ainda malino cujo sangue do braço esquerdo corria "pelas veredas pedreguentas do Carão. Do outro braço, o sangue das tristes Oliveiras, dos tontos bons da Curimatã, do Jumentão da Maravilha". Sua escrita é atraída pelos "minúsculos seres que sobrevivem nas sombras", e seu tema predileto é a morte e os "assassinatos verbais", assombrado que é pelo som de badalos e chocalhos tinindo no escuro.

É provável que sua escrita, principalmente das crônicas, se dê tomando o cafezinho coado da vó Candinha e comendo as bruacas assadas de dona Geny em cadeiras de balanço à sombra de castanholeiras, ao lado do avô Chico Inácio, a prosear sobre seus livrinhos de caubói e assistindo ao "diabo que, rosianamente, redemoinha no terreiro".

Eu tive muita sorte de ingressar no meio literário com a colaboração, incentivo e a amizade desse "sertanejo exilado no litoral". Aprendi e sempre aprendo muito com ele. É uma grande figura, inegavelmente escritor dos melhores já nascidos no Ceará. E aqui carimbo essa homenagem sincera de gratidão e respeito para esse meu grande amigo.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/07/26. Vida & Arte, p.2.


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

BIOGRAFIA DO MÉDICO ESCRITOR FLÁVIO LEITÃO

FRANCISCO FLÁVIO LEITÃO DE CARVALHO nasceu aos 21 de abril de 1939 em Fortaleza-CE. Filho de José Valdivino de Carvalho, professor e poeta, e Maria Adamir Leitão de Carvalho, pianista. Médico neurocirurgião, contista e memorialista cearense.

FORMAÇÃO E ATIVIDADE PROFISSIONAL

Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) (1959-1964). Realizou especialização em neurocirurgia no Hospital São Francisco, em Porto Alegre (1965-1966).

Fellow do Serviço de Neurocirurgia da Tufts New England Medical Center – Serviço do Prof. Dr. Bennett M. Stein. (1973). Mestre em Cirurgia pela UFC (1998-2000).

É professor adjunto aposentado da Faculdade de Medicina da UFC e médico aposentado do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Presidiu a Comissão de Ensino e Cultura do Corpo Clínico do HGF (1972).

OBRAS LITERÁRIAS

Participou das seguintes Antologias da Sobrames-CE: Esmeraldas (1993), Prescrições (1994), Amostra Grátis (1995), Recidivas (1998), Palpitações (2000), Anseios da Face (2002), Veia Poética (2004), Inspiração (2006), Queixa Principal (2007), Achado Casual (2008), Ressonâncias Literárias (2009), Receitas Literárias (2010), Passeata Literária (2011), Murmúrios Literários (2012), Letras que Curam (2013), Digno de Nota (2014), Ritmo Literário (2015), Semeando Cultura (2016), À Flor da Pele (2017), Lapso Temporal (2018), Pontos de Vista (2019), Sopro de Luz (2020), A Plenos Pulmões (2021), Limiar da Criação (2022), Lampejos da Memória (2023), Uso Profilático (2023) e Piscar de Olhos (2025).

Participou da Revista da Academia Cearense de Médicos Escritores: Nº 1 (2017), Nº 2 (2018), Nº 3 (2019), N° 4 (2020), N° 5 (2021), N° 6 (2022), N° 7 (2023), N° 8 (2024) e N° 9 (2025).

Outras Obras: História da Neurologia e da Neurocirurgia no Ceará (2009), Algumas Achegas à História da Neurologia Cearense. in: História da Neurologia no Brasil (Capítulo 11), Retórica de Circunstâncias (2016), Ventura de Gamalielzinho & Outros Contos (2016) e Tarcísio Leitão – Trajetória de um Coerente (2022).

AGREMIAÇÕES

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN); da Academia Brasileira de Neurocirurgia; da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia (SNNC); da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia (SOCENNE); do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; da Academia Cearense de Medicina (ACM); da Academia Cearense de Letras (ACL); da Academia Cearense de Médicos Escritores, (ACEMES, Fundador); Membro Titular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames‐CE), da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE); Membro Correspondente da Academia Pernambucana de Medicina (2018). Membro Titular da Associação Brasileira de Bibliófilos (2012).

HOMENAGENS

Recebeu as seguintes Homenagens: Homenagem da SOCENNE por ter sido Membro Fundador; Homenagem da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, no seu 60º. aniversário – 2002; Troféu Coruja de Ouro pela SOCENNE (Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia) – 2006; Troféu cinquentenário do I Congresso Brasileiro de Neurocirurgia – 2008; Distinção no Ensino Médico do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC – 2009; Homenagem Especial patroneada pelo NEAN (Núcleo de Estudos Acadêmicos em Neurocirurgia – 2010; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia – 2013; Homenagem da Escola Municipal Prof. José Valdivino de Carvalho, Medalha Valdivino de Carvalho – 2014; Medalha do Mérito Ético-Profissional do CRM-CE – 2014; Homenagem do NEAN-UFC – 2015; Comenda do Mérito Médico do Curso de Medicina da Unifor – 2016; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia Honra ao mérito condecorado com a medalha Dr. Rafael Rodrigues Holanda – 2017; Homenagem pela Academia Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Medalha da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Certificado de Gratidão – Refeitório São Vicente de Paulo das Irmãs de Caridade – 2023; e Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Nota: Elaborada com base na postagem feita por Pedro Mendes, para o Projeto de Iniciação Artística intitulado “Perfis de médicos escritores do Ceará: incursões literárias e culturais” (Chamada Pública 82/2023 - Exercício 2024), sob orientação e revisão do Dr. Marcelo Gurgel, aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual do Ceará.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro Titular da ACM, da ACEMES e da ACL


sábado, 25 de julho de 2026

ELSIE STUDART: treze anos de sua partida

Hoje, ao tempo em se comemora o Dia do Escritor, somam-se treze anos do desaparecimento trreno da Profa. ELSIE STUDART GURGEL DE OLIVEIRA, que faleceu, em Fortaleza, em 25/07/2013.

Ao longo desses anos, como demonstração de amizade e de estima, que por ela devotamos, temos procurado recordar a sua memória, por intermédio de homenagens especiais, divulgação de artigos sobre ela e lançamentos de sua produção literária póstuma.

Dela dispomos ainda de material esparso, mas o bastante para editar mais duas ou três obras póstumas, assim que lograrmos reunir o apoio financeiro para bancar a impressão física desses livros ou, quiçá, como possível alternativa, optar pela editoração eletrônica a ser hospedada em site apropriado.

Nos últimos dias, passamos a prospectar os meios necessários para enfeixar uma nova publicação, focada em textos relacionados com o DNOCS, órgão federal em que ela trabalhara por muitos anos, até a sua aposentadoria por tempo de serviço.

Isso tem cooperado, também, para amainar a saudade que nos atinge desde quando ela retornou à Casa do Pai.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo da família Studart Gurgel

segunda-feira, 6 de julho de 2026

ESCRITORES

Por Pedro Salgueiro (*)

I - Esses viventes estranhos, metidos a querer saber de quase tudo, a ser "antenas da raça". São seres falíveis, feito quaisquer unzinhos; cheios de defeitos, pululam por aí emitindo opiniões sobre o planeta e arredores. Dariam uma enciclopédia em cem volumes todas as previsões, dicas e besteiras que proferiram pelos tempos afora.

A mim me (sic) parece serem apenas pequenos seres inofensivos, cavilosos, vaidosos, mas inofensivos. Raros escrevem algum livro que mudam uma geração, poucos lançam palavras que se sustem no vento.

Mas quão triste seria o mundo sem esses vermezinhos feitos de ira, vaidade e água.

II - Me irrito profundamente quando escuto ou leio alguém reclamando da enorme quantidade de escritores e lançamentos de livros em nossa volúvel loirinha desmazelada pelo sol (esses mesmos jamais reclamam da enorme quantidade de políticos ladrões, marginais de toda sorte, péssimos profissionais e outras mazelas mais que inundam nossa vã sociedade).

Se for escritor o reclamante, imagino logo que o sujeito quereria ser escritor sozinho e que se acha infinitivamente melhor do que os outros (o que não se confirma na maioria das vezes).

Caso seja um jornalista o criticante, vejo com piores olhos ainda, visto serem os profissionais que mais deveriam valorizar a classe dos escritores (que todos, mesmos o fazedor de horóscopo, deveriam almejar ser; e não raro são os que mais inflacionam o mercado com obras dispensáveis e medíocres).

III - Adoro lançamento e se pudesse iria a todos.

E são raras as semanas em que não vou prestigiar um amigo, um desconhecido ou até antipatizante, com minha gordita presença em sua noite de autógrafos.

Verdade que detesto discurso e apresentações, e a primeira coisa que observo num palestrante é a quantidade de páginas em suas mãos.

O resto é só festa, reencontro de amigos, rebuliço de gente, corrida atrás dos quitutes e bebidas; de gente, em sua maioria, de bem (o que não se pode afirmar de muitas reuniões sociais, clubes granfinos e convenções de partidos).

Portanto, amigos, escrevam bastante e tentem fazê-lo cada vez melhor; pois se seus escritos não ajudarem a tornar melhor o mundo, com certeza não o tornará pior.

IV - Recentemente a polonesa, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Olga Tokarczuk revelou, numa entrevista, já ter usado a Inteligência Emocional para experimentos literários em seus textos, o que chocou muitos e agradou poucos. Para brincar, mas longe de confiar na ferramente, resolvi perguntar à tal IA o que os escritores acham sobre o escrever:

- "O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever." - Thomas Mann (1875 - 1955);

- "Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido." - Jules Renard (1864 - 1910);

- "Tantas pessoas que escrevem e tão poucas que lêem!" - André Gide (1869 - 1951);

- "Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do ato de escrever." - José Saramago (1922 - 2010);

- "Não se 'faz' uma frase. A frase nasce." - Clarice Lispector (1920 - 1977);

- "Acabar um livro é como dar à luz uma criança e dar-lhe um tiro." - Truman Capote (1924 - 1984);

- "Depois de se escrever um conto, deve-se cortar o início e o fim, pois é aí que nós, escritores, mais mentimos" - Anton Tchekhov (1860 - 1904);

- "Nenhum ferro pode penetrar no coração humano de maneira tão gélida como um ponto colocado no momento exato." - Isaac Bábel (1894 - 1940);

- "Devemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros." - Eugène Ionesco (1912 - 1994);

- "Toda frase deve fazer uma de duas coisas - revelar o personagem ou avançar a ação." - Kurt Vonnegut (1922 - 2007);

- "A escrita não é senão ritmo." - Virginia Woolf (1882 - 1941);

- "Minha regra mais importante é uma que resume todas: se soa como escrita, eu reescrevo." - Elmore Leonard (1925 - 2013).

Minha contribuição:

- "Eu acredito que a estrada para o inferno é pavimentada com advérbios" - Stephen King

- "Palavras por si só não têm o poder de impressionar a mente sem o horror requintado da sua realidade." - Edgar Allan Poe

- "Você não pode culpar o escritor pelo que os personagens falam." - Truman Capote.

- "Um livro é um sonho que você segura em suas mãos." - Neil Gaiman

E para finalizar:

- "Escreva bêbado, edite sóbrio." - Hemingway.

(*) Cronista e articulista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/05/25. Vida & Arte, p.2.


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

O popular Luís Fernando Verissimo

Por Raymundo Netto (*)

O leitor ou a leitora de Luís Fernando Verissimo quando assiste a suas entrevistas, não importa o período, nunca o encontra.

Há sempre ali um "outro" homem com o olhar quase alheio e a fala tão plácida a dar a entender um certo desinteresse em esticar a conversa. Ao contrário do outro, as respostas, histórias e descrições se repetem muito frequentemente, sem momentos de arrebatamento, de movimentos ligeiros de mãos e braços, nenhuma súbita gargalhada, nem piadas, nada que evidencie o Verissimo do papel, aquele que por mais de 50 anos chegou à casa de brasileiros, seja pelos seus escritos, cartuns/quadrinhos ou adaptações para programas de TV ou cinema, divertindo, encantando e despertando reflexões sobre as coisas das mais desimportantes às mais existenciais.

Diante dessa minha "incomodação", esse mistério que nem o irrequieto detetive Ed Mort poderia resolver, voltei à crônica "O Popular", aquela que intitula o seu primeiro livro - com o curioso subtítulo "crônicas ou coisa parecida" -, publicado na década de 1970.

Verissimo nos conta dessa pessoa que tem "uma fatal curiosidade pelo detalhe supérfluo, um fascínio irresistível pelo insignificante", aquela cujo "habitat natural é à margem dos acontecimentos". Assim o descreve: "um sujeito com as mãos nos bolsos e um embrulho embaixo do braço".

Não importa o que esteja acontecendo no mundo, esse tal sujeito pode ir, por exemplo, comprar alguma coisa no armazém e na volta parar e dar uma espiadinha num território de guerra, assalto ao banco ou numa liquidação em loja de artigos femininos. E não, não há perigo algum para ele, pois jamais será vítima de nada, como também nunca será ele o entrevistado. Os transeuntes, os passantes, esses sim, mas o Popular jamais!

Penso que o cronista é esse Popular, um fino e inviolável observador das coisas e das gentes. Mas essa percepção em si, por mais aguçada e minuciosa que seja, não nos impactaria se não fosse registrada em papel. Um fato que se deu para Verissimo aos 33 anos, por obrigação, pela necessidade pecuniária de sobrevivência da família - estava casado com a dedicada e gentil Lúcia Helena, sua guardiã, e tinha uma primeira filha, hoje, além de jornalista, roteirista e tradutora, também escritora: Fernanda Verissimo.

Nos anos seguintes ao "O Popular", ocupando espaços em grandes periódicos do País, além de mais dois filhos - Mariana e Pedro -, acumulou uma produção extraordinária, como poucos, atingindo em cheio os seus leitores, e por eles sendo reconhecido pela brilhante agudeza, ironia e diversidade de seu humor e pela revelação de nossa risível sociedade (des)humana, promovendo e consolidando a grandeza do gênero crônica, um dos mais democráticos - cabe tudo nele - e o mais brasileiro de todos.

Porém, a vida, conforme o cronista, é apenas "um breve hiato de perplexidade entre dois vazios". A morte, essa "titica", é uma das únicas certezas da vida. Outra delas, assim penso eu, é a nossa incapacidade de aceitá-la plenamente.

Numa noite verissimas dessas, uma de suas "cobras" - a combinação do seu gosto por quadrinhos com suas limitações como desenhista, dizia - pergunta: "Será que há vida após a morte?

A segunda cobra responde: "Parece que sim, mas tem que ter pistolão!"

E, afinal, meu querido Verissimo, vai nos deixar sem saber o que o Popular traz nesse embrulho?

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/09/25. Vida & Arte, p.2.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Frases mais marcantes de Luiz Fernando Verissimo III

21.“A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo mas é claro, certo?”

22.“No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa.”

23.“Só acredito naquilo que posso tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.”

24.“Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha.”

25.“Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente dispensáveis no mundo, a não ser naquelas profissões reconhecidamente masculinas, como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro, decorador de interiores e estivador.”

26.“Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores.”

27.“Nunca usei bombacha, não gosto de chimarrão e nem de me lembrar da última vez que subi num cavalo. Aliás, o cavalo também não gosta.”

28.“Os tristes acham que o vento geme; Os alegres acham que ele canta.”

29.“Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas.”

30. “Escrevi uma vez que era um cético que só acreditava no que pudesse tocar: não acreditava na Luiza Brunet, por exemplo. Cruzei com a Luiza Brunet num dos camarotes deste Carnaval. Ela me cobrou a frase, e disse que eu podia tocá-la para me convencer da sua existência. Toquei-a. Não me convenci. Não pode existir mulher tão bonita e tão simpática ao mesmo tempo. Vou precisar de mais provas”.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

Frases mais marcantes de Luiz Fernando Verissimo II

11.“Não sei para onde caminha a humanidade. Mas, quando souber, vou para o outro lado.”

12.“A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.”

13.“O outono é a única estação civilizada. A primavera é descontrole glandular da Natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade.”

14.“Passamos a vida inteira nos preparando para nossa morte e quando ela vem não podemos assistir.”

15.“A gente não faz aniversários. Os aniversários é que vão fazendo a gente. E depois, pouco a pouco, nos desfazendo.”

16.“Nosso dilema continua sendo que só nos livramos da morte livrando-nos do corpo e só nos livramos do corpo morrendo.”

17.“Ninguém é o que pensa que é, muito menos o que diz que é. Precisamos da complicação para nos definir. Ou seja: ninguém é nada sozinho, somos o nosso comportamento com o outro.”

18.“Ninguém é o que parece ou o que aparece. O essencial não há quem enxergue.”

19.“Nada como uma boa conversa para se encontrar a solução de qualquer coisa, mesmo a insanidade.”

20.“Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.”

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

Frases mais marcantes de Luiz Fernando Verissimo I

Morreu, em 30/08/25, Luiz Fernando Verissimo, um dos maiores cronistas brasileiros.

A seguir, uma seleção das 30 frases mais marcantes de Verissimo, que continuam a ressoar pela sua inteligência, humor e atemporalidade:

1. “O mundo não é ruim, só está mal frequentado.”

2.“Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.”

3.“Resignemo-nos à ignorância, que é a forma mais cômoda de sabedoria.”

4.“Você só sabe até onde pode ir quando já foi.”

5.“Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido.”

6.“O futuro era muito melhor antigamente.”

7.“Desenvolvi uma mente defensiva como um condomínio fechado. Uma mente com guarita, que abate qualquer inimigo na porteira.”

8.“Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, completamente livre, é a que não tem medo do ridículo.”

9.“Mas, como em tudo na vida, no amor também é preciso moderação.”

10.“Ironia tem que ser entendida como ironia, senão não é ironia.”

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).


VERÍSSIMO

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Faleceu neste sábado (30/08), aos 88 anos, em decorrência de uma pneumonia, o escritor Luís Fernando Veríssimo, quando se encontrava internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre Sua vida e sua múltipla obra deixaram um legado imenso para a cultura brasileira. Ele era muito mais do que um escritor; era um cronista agudo do cotidiano, um humorista refinado e um dos maiores expoentes da literatura contemporânea do país.

Era filho do também célebre escritor Érico Veríssimo, que escreveu a saga da terra gaúcha, "O Tempo e o Vento".

Uma vida dedicada às letras e ao humor

Nascido em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, Luís Fernando teve uma vida ligada à literatura desde a infância. Passou parte de sua adolescência nos Estados Unidos, onde seu pai lecionou, e retornou ao Brasil para trabalhar como jornalista e, mais tarde, se dedicar à literatura.

Era conhecido por sua personalidade reservada e por sua mente brilhante, que produzia algumas das críticas sociais mais perspicazes e engraçadas da imprensa nacional.

A múltipla obra: muito além das crônicas

A genialidade de Veríssimo se expressou em diversas frentes:

Crônicas e Humor. Sua coluna de jornal no "Zero Hora" era uma das mais lidas e aguardadas do Brasil. Coleções como "O Analista de Bagé" e "Comédias da Vida Pública" são antológicas. E seus personagens, como a Velhinha de Taubaté, Ed Mort e o Analista de Bagé, se tornaram ícones da cultura brasileira.

Romances e Contos. Sua ficção nestes gêneros é igualmente poderosa. Romances como "O Clube dos Anjos" (sobre um grupo de gourmets que se reúne para jantares finos) e "Borges e os Orangotangos Eternos" (uma mistura de romance policial e ensaio literário) demonstram sua erudição e capacidade narrativa.

Cartuns e Humor Gráfico. Também era um talentoso cartunista. Suas tiras, muitas vezes mudas, com traços simples e situações absurdas, expunham perfeitamente suas ideias. A série "As Cobras" é um exemplo disso.

Música e Outras Influências. Um amante declarado de jazz, tema que frequentemente permeava suas crônicas. Foi um músico (saxofonista) que dialogava com a banda "Jazz 6" em que tocava.

Seu legado e sua voz

O humor de Luís Fernando Veríssimo nunca foi apenas para fazer rir. Era um instrumento de crítica social e política. Ele usava o absurdo, a ironia e o nonsense para dissecar as hipocrisias, os costumes e os dilemas da vida moderna no Brasil. Sua capacidade de observar o óbvio e extrair dele uma conclusão hilária e profundamente verdadeira era seu dom maior.

Sua morte é uma perda irreparável. Ele era um farol de inteligência, lucidez e humor em tempos muitas vezes sombrios. Luís Fernando Veríssimo deixa uma obra vasta que continuará a fazer rir, pensar e encantar as gerações atuais e futuras. 

Relembre algumas de suas frases marcantes

Escrever não me dá prazer, gosto mesmo é de soprar saxofone.

Não gosto que me imponham coisas, e a velhice é uma imposição, uma prepotência do tempo. Sou contra.

Se o mundo está correndo para o abismo, chegue para o lado e deixe-o passar.

Vou morrer sem realizar o meu grande sonho: não morrer nunca.

Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.

Depois de uma certa idade, é temerário fazer aniversário. Que agonia! Todo "parabéns" soa, mesmo dito numa boa, como ironia.

Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 31/08/2025.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/08/verssimo.html


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Cid Saboia de Carvalho, doa a quem doer!

Por José Luís Lira (*)

Cid Carvalho, símbolo de honradez e dignidade, criou o bordão “doa a quem doer”, expressão que traduz sua independência e personalidade. Advogado (OAB/CE 1.516), professor, jornalista, radialista e político, foi um dos mais ilustres representantes do Ceará no Senado Federal, entre 1986 e 1994; senador constituinte e relator do projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Intelectual de destaque, possui vasta cultura nas mais variadas áreas do saber.

No dia 25 de agosto, há 90 anos, nasceu Cid, filho de dona Margarida Saboia e do Dr. Jáder de Carvalho, nesta capital cearense.

Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, em 1967, exerceu o magistério com brilhantismo não apenas na Faculdade de Direito, mas também nas Faculdades de Ciências Sociais, Economia e Jornalismo. O jornalismo fazia parte de sua vida desde a infância, inspirado pelo exemplo do pai, também advogado e jornalista. Aos 12 anos, iniciou-se no rádio como comentarista político e esportivo, atuando nas rádios Uirapuru e Assunção.

Casado com dona Luce Fontenele de Carvalho, é pai de três filhos: Cid Saboia de Carvalho Filho, Robério Fontenele de Carvalho e Antonino Fontenele de Carvalho, todos advogados. Antonino, além da advocacia, seguiu os passos do avô e do pai no radialismo, auxiliando-o e, por vezes, conduzindo seu programa de rádio. Um democrata na acepção plena da palavra e na prática da vida. Sua atuação no Senado Federal confirma esse legado: sempre em defesa dos interesses da sociedade, teve papel decisivo na redação do artigo 5º da Constituição de 1988, um dos trechos mais significativos da Carta Magna.

Escritor desde a década de 1950, era natural que compusesse a Academia Cearense de Letras, a Academia Cearense de Retórica, a Academia Cearense da Língua Portuguesa, a Associação Brasileira de Bibliófilos e o Instituto do Ceará. Quando Matusahila Santiago e eu fundamos a Academia Fortalezense de Letras, em 2002, não houve dúvida, o indicamos e Cid Carvalho foi aclamado o primeiro presidente da primeira academia de letras do milênio no Ceará.

Para defini-lo, tomo emprestadas palavras de seu pai, Jáder de Carvalho: “eu sou o índice do meu povo:/ se o homem é bom — eu o respeito./ Se gosta de mim — morro por ele./ Se, porque é forte, entender de humilhar-me,/ — ai, sertão!/ Eu viveria o teu drama selvagem,/ eu te acordaria ao tropel do meu cavalo errante,/ como antes te acordava ao choro da viola...”

Concluo, emocionado, lembrando de homenagem a Clóvis Beviláqua, quando Dr. Cid disse que pronunciava o nome de Clóvis como quem rezava. Hoje, repito com devoção – Cid Saboia de Carvalho – como quem eleva uma oração de louvor e gratidão por sua existência!

(*) Advogado e professor universitário.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/08/25. Opinião, p.19.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

ELSIE STUDART: doze anos de sua partida

Hoje, quando se comemora o Dia do Escritor, completam-se doze anos da perda deste mundo menor da Profa. ELSIE STUDART GURGEL DE OLIVEIRA, falecida em Fortaleza, em 25/07/2013.

Por todos esses anos, como ratificação de apreço e de afeição, que por ela nutrimos, temos buscado preservar a sua memória, por meio de homenagens especiais, publicação de artigos sobre ela e lançamentos póstumos de suas obras literárias.

Recentemente, inserimos no livro “Laudamus Vos”, de nossa lavra, o texto “ELSIE STUDART: uma existência profícua e sensata”, contendo uma síntese biográfica em sua homenagem.

Ainda dispomos de material suficiente para editar mais dois ou três livros póstumos, assim que obtivermos os recursos monetários para arcar com a impressão dessas obras ou, talvez, como possível alternativa, cuidar da editoração eletrônica para ser abrigada em site adequado.

Isso tem colaborado, também, para amenizar a saudade que nos infringe desde quando partiu para outro plano.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo da família Studart Gurgel


terça-feira, 4 de março de 2025

Pesar da Academia Brasileira de Letras por Affonso Romano de Sant’Anna

Com imenso pesar, a Academia Brasileira de Letras lamenta a morte do escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna, aos 87 anos, na manhã desta terça-feira (4/2/25). Mineiro de Belo Horizonte, ele foi um dos grandes cronistas do país e autor de mais de 60 livros de poesia e prosa. Era casado com a também escritora Marina Colasanti (1937-2025).

A ABL presta homenagem a esse grande escritor, autor de um dos mais potentes poemas sobre o Brasil – “Que país é este?” (1980) –, com a primeira das sete partes da obra. A coletânea de mesmo nome rendeu a Affonso o Prêmio Jabuti.

O poema ganhou a primeira página do Jornal do Brasil à época e foi traduzido para o francês, inglês, espanhol e alemão. Impresso em pôsteres, decorou a parede de escritórios, sindicatos, universidades e bares, refletindo sua enorme repercussão popular.

Uma coisa é um país,

outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,

outra um regimento.

Uma coisa é um país,

outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas

usei caderno “Avante”

— e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um “futuro radioso”

e éramos maiores em tudo

— discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,

outra um fingimento.

Uma coisa é um país,

outra um monumento.

Uma coisa é um país,

outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça

em busca da especiosa raiz? ou deveria

parar de ler jornais

e ler anais

como anal

animal

hiena patética

na merda nacional?

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo

comendo o que as traças descomem

procurando

o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso

que nos impeliu a errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos

nacionais, como qualquer santo barroco

a rebuscar

no mofo dos papiros, no bolor

das pias batismais, no bodum das vestes reais

a ver o que se salvou com o tempo

e ao mesmo tempo

– nos trai.

Fonte: enviado por Fernando Melo e circulando em grupos de WhatsApp.


domingo, 18 de agosto de 2024

PESAR POR PROFA. NOEMI ELISA ADERALDO

Foi com imenso penar que se tomou conhecimento do falecimento, na manhã de hoje, domingo (18/08/2024), da Profa. Noemi Elisa Costa Soriano Aderaldo, docente aposentada da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A Profa. Noemi Elisa Aderaldo que lecionou, por muitos anos, no Curso de Letras da UFC, destacou-se como escritora e crítica literária, sendo uma proficiente conhecedora da obra de Fernando Pessoa.

Ela ingressou na Academia Cearense de Letras (ACL), há 36 anos, em 1988, como ocupante da Cadeira 33, patroneada por Rodolfo Teófilo, na vaga deixada por Otacílio Colares, sendo a quarta mulher admitida nessa confraria literária cearense.

Desde 1995, essa celebrada escritora exercia a Diretoria de Publicações e presidia a Comissão de Redação da Revista da ACL

O velório terá início às 19h deste domingo (18/08/2024), no Complexo Velatório Ethernus (Rua Padre Valdevino, 1.688, Aldeota), com missa de corpo presente programada para às 14h de amanhã (19/08/2024), e, em seguida, seus despojos serão encaminhados para cremação.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da ACL – Cadeira 25


quarta-feira, 17 de julho de 2024

JOÃO BOSCO SERRA E GURGEL. Reminiscências

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

 

JB Serra e Gurgel. Fotografado por Paulo Gurgel no Ordones, em Fortaleza.

Encontro com JB, um agregador de amigos

Quando: num sábado, em maio de 2019.

Onde: no restaurante Carneiro do Ordones, no Parque Araxá.

Fui buscar JB Serra e Gurgel no Hotel Mercure e, por sugestão dele, fomos ao citado restaurante.

(Meu irmão Marcelo não pôde ir conosco devido a compromissos outros.)

Nesse restaurante da zona oeste de Fortaleza, estivemos a conversar por um par de horas.

João Bosco era jornalista e escritor, tendo sido o autor de 150 biografias de cearenses "de todos os andares". Além de ser um exímio contador dos acontecidos em Acopiara, cidade em que estavam fincadas suas raízes.

Ele costumava me enviar exemplares dos livros que escrevia e já havia transcrito algumas postagens minhas no jornal "Ceará em Brasília", do qual era um dos editores. Certa vez, subsidiei-o com informações para um artigo de reminiscências sobre o Usina Ceará, seu primeiro e único clube.

Também era um girólogo porreta, e seu alentado "Dicionário de Gíria" havia chegado à 9.ª edição.

Uma de suas preocupações: não ver, até então publicada, a obra que José Jarbas Studart Gurgel deixou inacabada (porém, em fase final), depois de ter rastreado os quatrocentos anos da família Gurgel no Brasil.

No final do encontro, convidou-me para visitá-lo em Niterói, onde residia, quando não estava em Brasília exercendo o voluntariado na Casa do Ceará.

Era membro da Associação Brasileira de Imprensa e também organizava um banco de dados na internet sobre os Gurgel do Amaral Valente, de Acopiara.

Livros que publicou

Cronologia da Evolução Histórica das Relações Públicas
Dicionário de Gíria (em sua 9.ª edição)
Livro Negro da Previdência Social
Livro Evolução da Previdência Social
Nas Terras do Senhor Meu Pai
Nas Terras do Senhor Meu Rei (volumes I e II)

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 15/07/2024.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/07/joao-bosco-serra-e-gurgel-reminiscencias.html

sábado, 13 de julho de 2024

J. B. SERRA E GURGEL: um jornalista dedicado ao Ceará

Foi com tristeza que recebi por WhatsApp, em 2/07/24, o anúncio do desaparecimento terreno do jornalista cearense João Bosco Serra e Gurgel, filho de Acopiara, um dos maiores redutos da família Gurgel no território alencarino.

J. B. Serra e Gurgel, ex-aluno do Liceu do Ceará, se iniciou no jornalismo no Ceará, mas cedo migrou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou em veículo importante da imprensa carioca, e daí partiu para a capital federal, local em que concentrou a sua atividade laboral de jornalista, como assessor de comunicação de órgãos públicos federais, e de escritor fecundo, com vários livros publicados, comportando destacar o intitulado "Dicionário de Gíria", alvo de sucessivas edições e contendo milhares de verbetes.

Inegavelmente, o seu empenho, por longos anos, como editor do CEARÁ EM BRASÍLIA, informativo oficial da Casa do Ceará em Brasília, bem registra que ele nunca esquecera das suas origens cearenses e dele se pode dizer que: Serra e Gurgel saiu do Ceará, mas o Ceará nunca saiu dele.

Uma prova inconteste desse apreço reside no desejo final do próprio jornalista: ele foi velado em Juazeiro do Norte e teve o corpo sepultado em Acopiara-CE, sua terra natal.

Em atendimento a convite desse perlustrado conterrâneo, entre 2012 e 2016, fui um ativo colaborador do Jornal da Casa do Ceará em Brasília, que pode ser corroborado por 19 (dezenove) artigos publicados, dentre os itens constantes no Capítulo 8 do meu curriculum vitae, aqui identificados e enumerados pelos respectivos Docs. Foram eles:

CEARÁ EM BRASÍLIA (CEBSB)

1. “Mulheres na vida de Jesus”, de Lúcia Arruda. CEBSB, 23 (244): 8, set. 2012. (Doc. Nº 8.2.343).

2. Casimiro Montenegro Filho: o marechal visionário. CEBSB, 23 (244): 6, out. 2012. (Doc. Nº 8.2.346).

3. Joaquim Eduardo de Alencar: o sanitarista de primeira grandeza do Ceará. CEBSB, 23 (246): 6, dez. 2012. (Doc. Nº 8.2.352).

4. Haroldo Juaçaba: um homem da cultura regional e universal. CEBSB, 23 (237): 15, mar. 2012. (Doc. Nº 8.2.323).

5. Grasiela Teixeira Barroso: ícone da enfermagem no Ceará. CEBSB, 23 (239): 14, mai. 2012. (Doc. Nº 8.2.329).

6. O Zé Pinto da sucata. CEBSB, 24 (247): 6, jan. 2013. (Doc. Nº 8.2.357).

7. Parsifal Barroso: político e pensador. CEBSB, 24 (248): 6, fev. 2013. (Doc. Nº 8.2.364).

8. Primórdios do Serviço Social em Fortaleza. CEBSB, 24 (249): 11, mar. 2013. (Doc. Nº 8.2.367).

9. Lembranças do Cine Familiar em Otávio Bonfim. CEBSB, 24 (251): 8, mai. 2013. (Doc. Nº 8.2.373).

10. Manuel Antônio Andrade Furtado. CEBSB, 24 (252): 8, jun. 2013. (Doc. Nº 8.2.377).

11. Oswaldo Riedel: uma vida a serviço da ciência e da cultura cearenses. CEBSB, 24 (253): 14, jul. 2013. (Doc. Nº 8.2.382).

12. Diplomas médicos: seis ou oito anos. CEBSB, 24 (254): 14, set. 2013. (Doc. Nº 8.2.389).

13. José Valdivino de Carvalho: um educador cristão e social. CEBSB, 24 (255): 22, set. 2013. (Doc. Nº 8.2.399).

14. A Fortaleza encantada: da bela e da fera. CEBSB, 24 (257): 8, nov. 2013. (Doc. Nº 8.2.402).

15. Médicos contam causos da caserna. CEBSB, 25 (259): 8, jan. 2014. (Doc. Nº 8.2.411).

16. Um contabilista exemplar do Ceará. CEBSB, 25 (263): 8, mai. 2014. (Doc. Nº 8.2.426).

17. Platicéfalos no vestibular do ITA de 2015. CEBSB, 26 (272): 12, fev. 2015. (Reproduzido a pedido). (Doc. Nº 8.2.461).

18. José Fernandes: um médico cultor do vernáculo. CEBSB, 26 (277): 8, jul. 2015. (Doc. Nº 8.2.475).

19. Carlos Ribeiro: sacerdote da medicina. CEBSB, 27 (283): 6, jan. 2016. (Doc. Nº 8.2.494).

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico e economista em Fortaleza


JOÃO BOSCO SERRA E GURGEL. Nota de falecimento

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

10/07/2024 - Faleceu em 1.º de julho, em Niterói-RJ, o jornalista e escritor João Bosco Serra e Gurgel, que, por muitos anos, editou o jornal "Ceará em Brasília". Foi velado em Juazeiro do Norte e, como era desejo do próprio jornalista, teve o corpo sepultado em Acopiara-CE, sua terra natal.

Pesquisador da nossa cultura popular, escreveu o "Dicionário de Gíria", com 820 páginas, que se encontra em sua 9.ª edição. Além de outras obras que trazem sua assinatura, polígrafo que foi.

João Bosco deixa uma enorme saudade entre aqueles que, ao longo de uma vida luminosa, privaram de sua amizade e afeto.

A ele, nosso reconhecimento e nossa homenagem.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 11/07/2024.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/07/joao-bosco-serra-e-gurgel-nota-de.html

terça-feira, 26 de setembro de 2023

UM ATO DE ESCREVER, DE PAIXÃO

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Escrevo para os amigos, aqueles que há tempos não vejo, mas que cada vez mais estão próximos. Provavelmente pela lembrança da infância e da juventude de sonhos e fantasias, que com o passar dos anos são mais vivas, pois contam com simplicidade d'alma.

Escrevo para viver a saudade dos que partiram... Com a sensação que estão e não se foram. Pois, eles são a nossa identidade, a melodia das noites de outrora.

As memórias vão ficando cada vez mais vivas, chegando a perceber-se no quase tocar. Talvez por entender com pura poesia e música sem a qual não dá para viver. Resta-nos as recordações, os momentos em que o espírito é um vulto de encantos.

De uma forma intransigente, por vezes da minha personalidade, entrego-me à emoção do dia a dia, em cada ato, seja solene ou comum, assim como no passado e num futuro de vontade, vestido de utopia e principalmente de crenças.

Acredito nas pessoas, visto pelo tempo em que as observo nas suas contradições, nas suas loucuras e nos seus medos, na transferência de hábitos familiares, que em parte, ordenam os erros, os acertos e o sofrimento.

Ao longo dos anos, venho observando e assistindo à morte quando fecha um ciclo, independente de sua época, quer seja sob a espada mais aguda de um campo de batalha, ou mesmo diante das traições da vida urbana atual e complexa. E, ainda, pela certeza de completar o destino de nosso corpo e espírito, e, finalmente, pelo encontro consigo mesmo.

Viver é ter a humildade de lidar com o imprevisível, com a sensação de finitude, com toda a angústia da não sobrevivência, que muitas vezes nos induz a comportamentos anacrônicos e insensatos.

É, a vida de médico deu-me oportunidades incomuns. Do prazer insubstituível da sensação de ajudar, como se fosse cada momento eterno, a cada diálogo no contexto de uma vida, que no mesmo instante é única no sofrimento e angústia, mas é múltipla no desejo e esperança.

Por tudo isso, agradeço a oportunidade de viver, de ver os anos que se vão, com suas dores pelos desencontros, e quase que ao mesmo tempo pela intuição infalível da continuidade de tudo, pelos amigos, pelos mais próximos e pela sucessão das vidas em conjunto.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/08/2023. Opinião. p.19.


 

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