terça-feira, 12 de maio de 2026

A dificuldade de integrar municípios pauperizados ao polo Crajubar

Por Rita Fabiana Arrais (*)

A sala de aula é um dos melhores lugares para uma professora de economia aprender mais sobre a sua região e os problemas que permeiam o cotidiano de cada aluno que sonha alcançar - por meio do curso superior - à emancipação financeira.

É visível a angústia com que questionam a situação econômica do seu município, ao mesmo tempo em que buscam qualificação para atuar em um grande centro urbano.

Por que no meu município não tem emprego? Esse questionamento é necessário para compreendermos que o atraso estrutural dos municípios, a curto prazo, os torna financeiramente endividados e dependentes de empréstimos federais.

Na Região Metropolitana do Cariri esse debate acirra-se em período eleitoral a fim de encontrar respostas para a invisibilidade de alguns municípios que permanecem com baixíssimos indicadores socioeconômicos, dificultando a captação dos investidores privados.

Esses indicadores (renda, nível educacional, taxa de desemprego, saúde, saneamento, estradas etc.) são imprescindíveis para atrair capital para o município, pois mostram não só a economia, mas as condições reais da população e do mercado consumidor.

É importante pensarmos na RMC para além do Crato-Juazeiro-Barbalha, visto que a concentração de investimentos públicos e privados acelera a desigualdade interna.

No ano de 2024, o Cariri tinha 27 cidades com Índice de Desenvolvimento Socioeconômico na linha da pobreza, como por exemplo: os municípios de Abaiara, Potengi e Caririaçu.

Esses dados revelados dos Índices Firjan (2025) corroboram para o aprofundamento do debate, a fim de buscar soluções para encurtar a distância dos municípios menos desenvolvidos para o polo mais dinâmico.

A desigualdade interna avança pela Chapada do Araripe e exige uma mudança na rota dos investimentos públicos para que haja possibilidade de diversificação econômica nesses municípios, evitando a cristalização das atividades econômicas voltadas para o pequeno comércio e o setor público.

Será que podemos pensar no Cariri mais integrado? E como podemos expandir a economia do Crajubar beneficiando o entorno? Esses gargalos que são perceptíveis não ocupam a esfera do problema fácil de se resolver.

Para modificar o cenário, é preciso trabalho conjunto. Não é só uma questão de dinheiro em abundância. É preciso as Parcerias Público-Privadas conectando as cadeias produtivas locais às grandes empresas.

Como diz a professora: sua cidade pode ser produtiva utilizando as ferramentas que se tem de melhor, mas é preciso que você retorne com mais conhecimento e ajude a transformar essa realidade.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 10/04/26. Opinião. p.21.

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