domingo, 10 de maio de 2026

Mãe, esteio da vida

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Nas caladas do tempo, a escalada da vida. E com ela todo o universo vibra, enquanto um ser salta do ventre de uma mulher para lançar-se à maior epopeia da vida.

Esta mulher, mãe de todo vivente, traz o nome sagrado de mãe; ela partilha suas energias, sua essência de humana raça para que um outro humano se faça e se desenvolva de suas entranhas.

A história da maternidade vem atravessando tempos e culturas e sempre com a significação da força da resiliência, da superação e do amor incondicional, bem como sem isenção de dores e sofrimentos.

A natureza outorgou à mulher o poder e a dignidade não apenas da procriação, numa invejável colaboração com o Criador, mas de fundamental valor e inigualável, na convivência da humanidade. Nenhum outro ser humano tem tamanha pujança da mulher, nem jamais a suplantará, no carinho, na dedicação, na maneira de encarar o mundo e ver a realidade.

Mãe não se atrela a nenhum estereótipo, nem se fecha em nenhuma ideologia, nem também se circunscreve a opiniões contraditórias e tentativas ‘fugidias’ da própria natureza da mulher.

Na esteira da história, a mãe é considerada o pilar do filho e este, conforme afirma Sófocles, é a âncora da vida da mãe. Não apenas a mãe biológica, mas aquela que adota e que se dedica a filhos não, biologicamente, seus.

A maternidade vai além da dimensão biológica, ela vem moldando valores e princípios, subjetividade e compreensão da família, da sociedade, do mundo, a iniciar no colo da mãe. A mãe não é a rainha do lar, ela é, de fato e de direito, a Rainha da vida.

A hodiernidade, metida em avanços científicos e tecnológicos, muitos capitaneados por mulheres-mães, tem cultuado uma visão um tanto esdrúxula e, mesmo, improcedente da maternidade, negligenciando e/ou negando suas características intrínsecas ao ser-mulher. Não é a ‘existência’ mulher, que deve se adequar ao sistema, todavia, é o sistema que deve abrir espaço para que a mulher possa se realizar, em conformidade com o seu desiderato de livre arbítrio – maternidade ou não –, sem abdicar de sonhos profissionais e afins.

Por que a maternidade causa impacto no mercado de trabalho? Por que desconsiderar mulheres-mães, em muitas atividades laborais?

Ora, uma sociedade, que não privilegia a maternidade, escanteia toda uma geração do desenvolvimento psicológico, ético, moral e espiritual, pois é no aconchego materno que começa a educação da criança. A essa altura, cabe o enunciado de Pitágoras, ao dizer que educar as crianças é necessário para não punir os adultos, ou seja, para que a sociedade tenha adultos éticos, honestos e justos.

Freud argumenta que a mãe é o primeiro objeto de amor e desejo do bebê e o mais fundamental. E isto é imprescindível na formação do ego e na estruturação psíquica, pois, este primeiro vínculo ‘esculpe’ todas as relações futuras do indivíduo. Daí que a maternidade deve ser celebrada e não mitigada pelo mercado de trabalho e pelas instituições. Injuriar a maternidade não é apenas agredir a natureza, senão, também, tentar justificar o injustificável.

É a mãe que dá as primeiras matrizes sociais, psicológicas, espirituais ao seu filho. É a mãe que mostra a seu filho como reagir, mesmo, aos instintos naturais de medo, tristeza, mágoa e outros. É a mãe que testemunha ao filho como cuidar de si e como cuidar dos outros.

Certa vez, entrou no meu consultório uma família para consultar seu filho de três aninhos; após a consulta, o marido ficou um instante comigo e segredou-me: ‘eu tenho inveja de minha mulher que está grávida, como gostaria de sentir o bebê, como ela o sente no seu ventre, mas me conformo em auscultar seus movimentos através do ventre de minha esposa’.

Ser mãe é privilégio único e absoluto da mulher, partilhando do dom da criação, da doação e de um amor tão forte e ardente.

Nesta efeméride, em que se elogiam as mães, relembro o exemplo de Maria, mãe de Jesus, que lhe ensinou valores humanos e virtudes espirituais, com dedicação, carinho e amor. Relembro, também, as mães solo e as mães trabalhadoras, que suportam dificuldades financeiras, tão vulneráveis a preconceitos e intolerâncias. Saúdo ainda as mães empreendedoras, que sabem equilibrar sua vida pessoal, profissional e o cuidado e a atenção aos filhos.

Enfim, um convite a todos os filhos e filhas para respeitarem e cuidarem de quem os gerou e cuidou e ainda cuida, pois, a mãe nunca esquece os filhos.

E que a sociedade aprenda a respeitar a dignidade das mães.

Nós somos o legado de nossas mães, que se estende por gerações, e é reconhecido como pilar de amor e sabedoria na família.

A todas as mães vivas e falecidas, de todas as raças e de todas as cores, de todas as espiritualidades e de todos os credos, de todos os níveis, mães biológicas e mães de amor e acolhimento, o meu mais profundo amplexo oracional e a eterna gratidão de todos nós 'humanos'. Vós sois a alma do mundo, a alavanca da dignidade e o esteio da vida. Nós   filhos e filhas, ajoelhados, vos veneramos e benditos os que vos reconhecem, vos amam e vos cuidam, com respeito, atenção e carinho, todos os dias de vossa vida.

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/05/26.

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