quarta-feira, 29 de julho de 2020

O DESAFIO DA MEDICINA EM TEMPOS DE COVID-19


Por Weiber Xavier (*)
Se de médico e louco todos temos um pouco", nesse caos da pandemia muitos pacientes se apoderaram da ansiedade e começaram a interpretar e solicitar exames por conta própria, a se automedicarem além de estabelecer diagnósticos pelo "Dr. Google". A comunicação da ciência acelerou durante a pandemia, o que é bom e desafiador. A troca de informações científicas é realmente útil, fantástica e facilitada pela tecnologia. No entanto, muitas pesquisas ruins e fake news foram publicadas por "especialistas do Twitter" ou de outras mídias sociais.
A Covid-19 teve um tremendo impacto na prática da Medicina. Com muitos consultórios fechados e sem aulas presenciais nas faculdades a possibilidade da telemedicina terá um impacto não só na prática, mas na formação médica. Como ficarão os congressos médicos que antes reuniam milhares em centro de eventos? Como obter educação e divulgar informações confiáveis?
A Covid levou ao rápido movimento para a telemedicina, embora a sua adoção varie por especialidade médica. A tecnologia de vídeo permite várias interações médicas de diversas especialidades na visita de um paciente. A tecnologia de vídeo poderá, por exemplo, oferecer uma oportunidade para as universidades entrevistarem um grupo mais diversificado de candidatos residentes sem o ônus e o custo da viagem. Entre algumas desvantagens digitalizar um consultório requer esforço e treinamento, tarefa especialmente mais difícil para pessoas com mais idade e dificuldade com novas tecnologias.
Se por um lado a telemedicina aproxima e facilita o acompanhamento dos pacientes, por outro corre o risco de extrapolar o limite entre um contato e outro. Os limites imprecisos e dificuldade em estabelecê-los de forma ética e com qualidade no atendimento é um desafio no atendimento por telemedicina. As plataformas gratuitas WhatsApp e Zoom não são as melhores opções, já que não garantem o sigilo das informações. Os softwares médicos especializados na área, necessários para garantir o sigilo das informações têm um custo extra.
Convém lembrar que nenhum teste é perfeito e ainda não se tem uma terapia efetiva específica comprovada contra o coronavírus. Desde os tempos hipocráticos a arte médica é difícil e um tutorial de 30 minutos não o tornará apto a exercer a profissão médica. São tempos desafiadores, mas, certamente, encontraremos sempre um médico junto ao leito do doente.
(*) Médico e professor de Medicina da UniChristus.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/6/2020. Opinião. p.15.

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