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terça-feira, 2 de abril de 2024

CEARENSE AMERICANO? Menino de 11 anos dá dicas de inglês para brasileiros com gírias do Ceará


Eric Gurgel, filho de Felipe Gurgel e Anna Paula, residente em Columbia Missouri (USA).

Por Mariana Reouças, jornalista de O Povo

Filho de cearenses, estadunidense de 11 anos ensina ‘inglês nativo’ para brasileiros nas redes sociais

Já pensou em aprender inglês com um professor meio estadunidense e meio brasileiro? O pequeno Eric, de apenas 11 anos, diverte e dá dicas de pronúncia nas redes sociais. Com mais de 17 mil seguidores no Instagram, o menino vem encantando muitos brasileiros que querem aprender mais sobre a língua estrangeira.

“Dicas de inglês e curiosidades da vida americana”, é assim que o perfil Aprenda Inglês com Eric é apresentado. Administrada pelos pais, a ideia do canal surgiu pelo próprio menino, há 3 anos. Na época, mesmo com pouca idade, o pequeno já conseguia conversar em português, apesar de trocar algumas palavras ou letras.

Menino de 11 anos diz que gosta de ensinar coisas que os cursos não ensinam

Sobre a aptidão do garoto, a mãe, Anna Paula, contou, em entrevista ao O POVO, que ela e o marido se mudaram para os Estados Unidos em 2011, mas continuaram mantendo as visitas ao Brasil e os costumes brasileiros em casa, inclusive falando português. Segundo ela, o menino sempre foi comunicativo e com desenvoltura para as câmeras.

Com português fluente, o professor-mirim explica que pensa nos conteúdos e grava sozinho, contando com o apoio dos pais na edição. “As pessoas têm dificuldade em falar inglês e eu gosto de ensinar coisas que os cursos não ensinam, por isso criei o canal e até agora estou gostando”, contou Eric Gurgel ao O POVO.

Em ‘cearês’, menino de 11 anos dá dicas de inglês nas redes sociais

Sem perder a ‘gaiatice’ nata, o pequeno professor aproveita algumas das gírias cearenses para mostrar aos seus alunos que podem se comunicar bem sem perder a originalidade. “Abestado”, “amostrado”, e até o “que diabo é isso?” são algumas das expressões mostradas por Eric no Instagram.

Apesar dos dialetos não serem comuns no estado onde a família mora, em Missouri, os jargões são comuns em casa.

Segundo a mãe do menino, os pais tentam manter a rotina e os costumes brasileiros com os filhos, Eric e o caçula George, de 4 anos. O primogênito viu a rotina como uma oportunidade: “Às vezes presto atenção em frases que eles falam e como dá pra ser em inglês e penso se pode ou não ser uma dica boa [para os vídeos]”.

“Até antes da pandemia, a gente ia duas ou três vezes pro Brasil, então acaba que a imersão dele [na língua portuguesa] é muito grande”, afirma Anna Paula. Ela acrescenta, ainda, que em Nova Iorque, estado de nascimento de Eric, a família tinha muitos amigos brasileiros.

Menino que ensina inglês para brasileiros no Instagram fala sobre o Brasil

Como toda criança, Eric possui atividades favoritas e relembra, com amor, sua saudade do Brasil. “Eu amo o Ceará, amo Fortaleza. Minha coisa favorita de lá é a praia e já que Missouri é bem no meio, então não tem praia e aí dá falta”. Eu amo tomar banho de mar, passar tempo com a família e eu amo a água de coco, é muito melhor no Brasil”, completa.

Entre as comidas, o menino confessa ter uma paixão por um dos doces mais populares do Brasil: o brigadeiro. “Eu amo brigadeiro! Normalmente quando tem aniversário e as pessoas levam tipo bolo ou coisa assim, eu normalmente faço brigadeiro e todo mundo ama”.

Notas: perfil ‘Aprenda Inglês com Eric’; veja vídeo Instagram

Fonte: https://www.opovo.com.br/divirtase/2024/03/29/cearense-americano-menino-de-11-anos-da-dicas-de-ingles-para-brasileiros-com-girias-do-ceara.html#container-main


domingo, 1 de janeiro de 2023

UM BLOG EM EVOLUÇÃO – a marcha de 2022

Em 31/12/2022, o blog chegou ao patamar de 204.260 acessos, com o incremento de 5.210 visitas durante o ano recém-findo, conferindo uma média de 434 acessos mensais.

Em 2022, foram 630 postagens, correspondentes em média a 52,5 por mês; isso, em parte, ocorreu porque, principalmente, nos finais de semana, o blog exibia duas inserções por dia. Em relação ao ano de 2021, houve um incremento apenas de 10 postagens. Diferentemente do ano anterior, quanso em decorrência da Covid-19, a maior permanência em casa, sob home-office, concorreu para um aumento substantivo, o que não se reproduziu no ano de 2022.

A regularidade e a qualidade das postagens, bem como a sua diversidade temática, entre outros motivos, têm contribuído para manter a fidelidade dos visitantes de costume e o acolhimento de adesões ao blog. Neste ano, diversas crônicas publicadas pelo editor do blog nas mídias impressas e aqui inseridas como postagens foram reproduzidas em grupos de WhatsApp, colhendo boa repercussão entre os leitores.

Segundo o contador do blog, comparando com o ano precedente, teria ocorrido uma retração de quase 6% do total de acessos, mas é bem possível que uma expressiva parte das visitas não esteja sendo apurada por questões operacionais do contador. Com efeito, confirmando essa compreensão, nota-se no Blogger que muitas postagens alcançaram várias centenas de acessos, e delas diversas atingiram mais de mil registros, ao passo que o contador do blog apontava cerca de quinhentos acessos cumulativos durante o mês.

Ao final, assinalo o meu agradecimento a todos que me honraram com suas visitas ao Blog e oferto votos de que tenham um próspero ano de 2023, livres das ameaças de retorno da pandemia que tanto nos transtornou.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Administrador do Blog do Marcelo Gurgel

quinta-feira, 11 de março de 2021

O QUE A IMPRENSA ESCONDE

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

… Eu não entendo essa suspensão dos planos de saúde para o diagnóstico de Corona 19 seja como médico ou como cidadão. Comunico aos que não entendem a minha surpresa que, pela minha idade de 85 anos, sou considerado como pertencente ao grupo de risco…

Apesar de ser um admirador da imprensa e dos seus avanços tecnológicos, creio que ela se presta cada vez mais à democratização da informação e concordo com o sábio Millôr Fernandes quando dizia:

“Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Sei também que a imprensa omite— e não poucas vezes— a parte mais importante do que é notícia. Vamos a um exemplo pessoal.

Solicitado por meu médico por apresentar dificuldades respiratórias e apresentar discreta dispneia aos esforços, após exame cardiológico e ausculta pulmonar, a submeter-me, além de outros exames de rotina, o de sorologia para Covid-19 IgG-IgM. Informou-me (a atendente de laboratório) que teria de pagar a quantia de 170 reais para que fosse realizado tal exame. Não irei discutir nem apresentar os assuntos técnicos sobre a validade ou não de tais “dosagens” e da importância de um diagnóstico precoce.

Os meus amigos, entrevistadores da imprensa, estão aí para provar que sempre recusei opinar sobre essa pandemia (Doença epidêmica amplamente difundida), até intitulada de genocídio, pois não sou infectologista nem tenho especialidades assemelhadas. Também não sou ingênuo para não saber que jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. “O resto é publicidade.” Repito.

O BRADESCO (plano de saúde ao qual pertenço) não cobriria os gastos com o exame solicitado por meu médico e informaram-me que os únicos que arcam com esse exame é a Embraer, que é um conglomerado transnacional brasileiro, fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares, peças aeroespaciais, serviços e suporte na área. Outro plano que pagava era o denominado de Cassi, responsável pelos planos de saúde dos empregados do Banco do Brasil, mas que suspendeu o pagamento desde o mês de julho de 2020.

Eu não entendo essa suspensão dos planos de saúde para o diagnóstico de Corona 19 seja como médico ou como cidadão.

Comunico aos que não entendem a minha surpresa que, pela minha idade de 85 anos, sou considerado como pertencente ao grupo de risco.

Não me queixo. “Vale a pena viver – nem que seja para dizer que não vale a pena…” já dizia o poeta gaúcho Mario Quintana.

Mas acho justo perguntar, desconheço alguma menção da mídia irritantemente alarmista e monotemática a esse problema. Ela, que aborda somente um tema, calou-se do novo coronavírus no dia da catástrofe de Beirute.

Fim da história. Paguei a quantia e aguardo o resultado. No entanto, desconhecia totalmente esse procedimento. Nunca escutei nem li nada sobre esse pagamento – e sou usuário de dois planos de saúde, ambos em dia.

O que explicaria esse silêncio midiático?

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

CRIANÇAS e PANDEMIAS (“o novo-normal”)

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

As manchetes e os meios de comunicação, sejam profissionais ou sociais, são avaros em estudar/noticiar/ marquetear a repercussão sobre a saúde mental de crianças e jovens causada pela atual pandemia informatizada.

Como médico, enfrento desafios ao tratar pacientes com condições que não compreendo inicialmente ou que têm um repertório limitado de evidências do que denomino de fome ancestral, o que também me ilumina e me faz lembrar de que a arte da medicina costuma ser a “arte de não saber”. Livros e especialistas não têm as respostas. Essa incerteza requer humildade, uma mente aberta, exploração e ações sem compreensão total, tantas são as áreas envolvidas.

As manchetes e os meios de comunicação, sejam profissionais ou sociais, são avaros em estudar/noticiar/ marquetear a repercussão sobre a saúde mental de crianças e jovens causada pela atual pandemia informatizada.

Reflexos sobre as crianças, sobretudo aquelas desprovidas de segurança alimentar (neologismo para a fome crônica) desde a fecundação, crescidas ao desabrigo, desagasalho, desproteção, abandono, desamparo, desarrimo, orfandade, vivendo em favelas, mocambos, palhoças, palafitas, construções em encostas, sem falar na falta de saneamento básico, pois as manilhas de esgoto são desconhecidas do eleitor, ficam no subsolo, nunca à vista.

Durante a atual gripe sazonal, os agravos psicológicos sobre as crianças e adolescentes são pouco mencionados, muito embora a repercussão sobre eles das adversidades durante suas fases de crescimento seja a que deixa maiores feridas e marcas psicossomáticas. Por outro lado, um acompanhamento maternal é fundamental para o desenvolvimento saudável do futuro adulto.

Crianças com prováveis problemas de saúde mental apresentam mais do que o dobro de probabilidade de viver em famílias que estavam ficando para trás com suas contas, aluguel, desempregadas, em comparação com aquelas cujas famílias conseguiam pagar suas contas.

Durante a pandemia as famílias não têm o suficiente para comer ou dependem cada vez mais dos bancos de alimentos, em comparação com o antes da pandemia. As escolas fecharam, destacando o efeito desigual do bloqueio na aprendizagem, não falando na falta de “internet”, quanto mais para aquelas que nem têm comida nas suas casas. O que sei como antigo pediatra é que crianças com pais ou familiares em sofrimento psíquico tornam-se mais propensas a ter problemas de saúde mental, além de sofrimentos físicos e imunológicos. Os pesquisadores acadêmicos preveem que os efeitos cumulativos da não intervenção resultarão no aumento das desigualdades na saúde e na educação, nas gerações seguintes, porém poucos apresentam soluções.

Uma enorme quantidade de trabalho e envolvimento com crianças e jovens faz-se necessária e não somente sob o aspecto socioeconômico. Há um imperativo moral para maximizar o potencial de atendimento à saúde e ao bem-estar da próxima geração.

Para terminar gostaria de dizer: o sorriso de uma criança sempre me dá esperança de que tenhamos um mundo melhor no futuro. Muito embora eu saiba ser esperança um alimento da nossa alma, ao qual sempre se mistura o veneno do temor, do medo e das incertezas deste mundo pós-pandemia. E os que nos tentam impor o terror ainda têm a descaramento de denominar o futuro de Novo Normal. Seja lá o que isso queira dizer.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

PANDEMIA E SUBJETIVIDADE

Por José Jackson Coelho Sampaio (*)

Desde quando McLuhan, na década de 1960, estabeleceu o conceito de Aldeia Global, vivemos às turras entre desenvolvimentos do real concreto (levar a vida) e do real abstrato (pensar a vida) e entre uns e outros. Ficou claro, aos poucos, que o globo não se comportaria como uma aldeia, socialmente homogênea, próxima da experiência de família, clã ou tribo, com território ampliado ao planeta.

Vimos a mudança do critério organizador da ideia de aldeia, mantendo o mesmo ar de marasmo, mas reordenada por faixa etária, hábito de consumo, profissão de crenças esquemáticas (lógicas do slogan e da partidarização) etc. Multiplicaram-se aldeias a testarem fronteiras entre si, sem nascerem, ou sendo violentados ao nascer, sistemas democráticos globais. O lema do século XIX, "trabalhadores de todo mundo, uni-vos", teve a universalização do trabalho superada pela universalização do capital, que se beneficia das crises de toda ordem e dos avanços tecnológicos, reprodutores dos modos de pensar.

Diante do capitalismo financeiro globalizado e da fragmentação belicosa da webesfera em aldeias desterritorializadas ideologicamente, ou reterritorializadas por crenças esquemáticas, explicações passionais de como levar a vida, nos colocamos diante de outra pergunta: como a experiência da informação em tempo real, filtrada por algo/alguém com poder de filtro, ou a experiência das guerrilhas virtuais, com assassinatos no mínimo simbólicos dos que forem diferentes de narciso, pode afetar nossa consciência?

A consciência tem pelo menos quatro faces, sempre misturadas: a consciência para os outros, isto é, a personalidade, que pode ser conservadora (identidade) ou inovadora (criatividade), e a consciência para si, isto é, a subjetividade, que também pode ser identitária ou criativa. Considerando-se este esquema fluido, sem estatuto de forma ou de lei, quais reações, imediatas e mediatas, podem ser identificadas frente à pandemia da COVID19, a 1ª do mundo globalizado?

Diante do nenhum ou pouco saber, esquecidos das epidemias anteriores registradas na história, manipulados por interesses econômicos e/ou político-eleitorais, vamos criando, nas ruas e na internet, nas campanhas eleitorais e na busca de hegemonia midiática, alguns padrões de reação: os mais primitivos e perniciosos são, num extremo, o negativismo e, no outro, a afirmação belicosa de uma ignorância. Entre os extremos, quatro destaques: instintuais reacionários, instintuais progressistas, intelectuais reacionários e intelectuais progressistas.

Haja tribo a buscar hegemonia no discurso das redes de comunicação de massa, sempre reducionistas ao slogan pela busca da maior cobertura; no discurso das bolsas de valores e dos chamados mercados, desterritorializados; e no discurso político-partidário; todos em crise, apartados das práticas por trás dos discursos. As igrejas, que poderiam oferecer conforto privado, disputam o mercado político-partidário. Enquanto isso, o indivíduo sofre o destino de bola de tênis de mesa, para lá e para cá, parecendo folha morta, mas com o sofrimento próprio do humano perdido na floresta. 

(*) Professor titular de Saúde Coletiva e Ex-reitor da Uece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/12/20. Opinião, p.21.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Lançamento do Livro CONTANDO CAUSOS DA MÍDIA

 


O Instituto do Câncer do Ceará (ICC), no transcurso da comemoração do Dia do Médico, realizou hoje, 16 de outubro de 2020, às 9 horas, em seu Auditório Governador Lúcio Alcântara, o lançamento do livro “Contando Causos da Mídia”, cujos exemplares foram gentilmente distribuídos aos membros do Corpo Clínico do ICC.

Este livro, o 106.º de nossa autoria, foi prefaciado pelo jornalista Tarcísio Matos e registra setenta causos hilários acontecidos nos diferentes meios de comunicação e em distintas épocas, por mim coligidos ao longo do tempo.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico do Instituto do Câncer do Ceará


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

CÉLULAS ESPELHOS

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

…Os neurônios-espelho fornecem um mecanismo neurobiológico aceitável que explica por que a exposição à violência na mídia leva à violência imitativa. Isto é só um aviso!…

O 1% restante das pessoas já tinha um problema sério bem antes de ver as fotos ou ler as reportagens — e não serão os jornais que irão resolvê-lo”. Diz a Folha de São Paulo de 20/03/2019, no artigo intitulado Imprimatum assinado pelo colunista Hélio Schwartsman.

Não faz bom jornalismo o profissional que acende o pavio da explosão midiática para realizar-se com furos jornalísticos. No caso da tragédia em Suzano a pirotecnia continua pipocando. E não me venham explicar, senhoras e senhores midiáticos, que é necessário ilustrar as reportagens dantescas sejam elas ao vivo, fotografadas, noticiadas ou pelos filmezinhos feito pelos Iphone dos colaboradores ad hoc, para demonstrar que não é normal ou edificante o que está acontecendo ou aconteceu.

Valer-me-ei do antigo conhecimento da “psiconeurociência”, não tão atual para os leigos (1916), a qual, pela velocidade dos avanços recentes, já pode ser considerada uma senhora idosa, apesar de que a ciência não tem idade, atualizando-se sempre em constantes mutações e progressos.

Comecemos pelos primatas e depois pelos seus derivados mais inteligentes, os homens. Ambos são possuidores de células nervosas (neurônios) especializadas e que aprendem as funções e atuações das mais diversas, pela observação de animais da mesma espécie. Se um ser presenciar um outro ser da mesma espécie fazendo alguma coisa, repete o que o outro estava realizando.

Aprende assim a descascar amendoim com o semelhante, dependendo da agilidade do observado. Este é um processo cultural de aperfeiçoamento que, como tudo na vida, poderá ser considerado positivo ou negativo

Em 1996/8 neurocientistas que examinavam o cérebro de um macaco depararam-se com um curioso aglomerado de células no córtex pré-frontal, uma área do cérebro responsável pelo planejamento de movimentos, localizado no lobo frontal.

Quando um macaco avista outro macaco executando uma ação, imita-o como se fosse sua imagem refletida num espelho.

O aglomerado de células dispara não apenas quando o macaco executa uma ação, mas também quando o macaco vê a mesma ação executada por outra pessoa.

O mesmo ocorre com as pessoas. As células respondem da mesma maneira. Pouco importa se o macaco estendeu a mão para agarrar uma banana, ou apenas observou – com inveja – outro macaco ou um humano comendo a fruta. Como as células refletem as ações que o macaco observa, os neurocientistas chamam-nas de “neurônios-espelho”.

Experimentos posteriores confirmaram a existência desses neurônios-espelho, mais aperfeiçoados, em humanos e revelaram outra surpresa.

Além de espelhar ações, as células excitavam-se (ou refletiam) no caso de sensações e emoções. “Os neurônios-espelho sugerem que pretendemos estar no lugar mental de outra pessoa”. Se estamos preparados para internalizar automaticamente os movimentos e estados mentais dos outros, nossos semelhantes, então o que isso sugere é a forte influência de filmes violentos, programas de televisão, videogames e outras cositas, mas…nas nossas emoções e desejos.

Carecemos de ter mais cuidado com o que assistimos. Caberia ao pessoal da mídia profissional saber o que podem causar e ter mais cuidado com o que estão apresentando aos seus leitores e espectadores (fregueses e consumidores, na era do domínio do Mercado, merecem respeito!).

Isso difere muito do que andam afirmando por aí, do perigo dos videogames…. e outras tantas asneiras.

Os próprios cientistas estudiosos dessas formações neurológicas citam o escritor Marcel Proust (1871-1922) que, no seu livro “No Caminho de Swann” dizia: O que censuro nos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que nós lemos, apenas três ou quatro vezes na vida, os livros em que há coisas essenciais.

Os neurônios-espelho fornecem um mecanismo neurobiológico aceitável que explica por que a exposição à violência na mídia leva à violência imitativa. Isto é só um aviso!

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

terça-feira, 29 de setembro de 2020

IMUNIDADE DE REBANHO E MÉDIA MÓVEL DA COVID-19 EM FORTALEZA-CEARÁ: motivo das incongruências entre afirmações da mídia e do governo

Por Profa. Dra. Thereza Maria Magalhães Moreira (*)

Imunidade de rebanho é forma indireta de proteção individual, que acontece quando porcentagem significativa da população já teve ou foi vacinada para uma doença, nos dois casos produzindo imunidade específica. Neste caso, haveria menos susceptíveis (não doentes e não vacinados) do que recuperados e imunizados. A competição entre vírus vacinal e sua forma selvagem e a presença de menos susceptíveis favorece a diminuição da transmissão pessoa-pessoa (R), protegendo aqueles que ainda não adoeceram ou foram vacinados, que nesse ponto terão menor probabilidade de se infectar.

Este ponto ocorre quando a doença mostra estado contínuo de endemia, no qual o número de infectados sofre alteração linear, ou seja, não mais aumenta ou diminui exponencialmente. Para calcular os susceptíveis (S), tem-se que R*S = 1. Assim, quanto menor o número de susceptíveis (S) ou quanto mais pessoas imunes, menor a transmissão da doença e menos ela se espalha. Mas qual o R que representaria imunidade de rebanho no caso da Covid-19? Essa proporção depende do quão infecciosa é a doença, sendo de 95% para o sarampo e 35% para a gripe. Ora, o SARS-Cov-2, vírus causador da Covid-19 é um vírus respiratório, como o da gripe. Qual seria seu percentual para gerar imunidade de rebanho? A atual estimativa de R para a Covid-19 em Fortaleza é 0,79, o que levaria ao nível de imunidade de rebanho correspondente a 26,7% de todos os susceptíveis. Ainda não temos vacina. A população de Fortaleza em 2020 é de 2.686.612 pessoas. Assumindo a premissa de todos são susceptíveis, teríamos a necessidade de 717.325 casos de Covid-19 em Fortaleza para induzir imunidade de rebanho.

Até agora têm-se 224.847 casos de Covid-19 no Ceará. Assumindo a premissa de que metade desses casos do Estado é em Fortaleza, seriam 112.434 casos da doença na cidade. Assumindo, ainda, subnotificação de 50% (pessoas que adoeceram e não procuraram o sistema de saúde nem foram identificadas como casos da doença pela vigilância epidemiológica), haveria total de casos em Fortaleza de 224.847 doentes/ recuperados. Assim, atualmente ocorreu apenas um terço dos casos necessários para se alcançar a imunidade de rebanho em Fortaleza. E ainda há que se considerar a aparente transitoriedade da imunidade produzida com o adoecimento pela Covid-19, o que aumentaria a necessidade de doentes, pois a imunidade de rebanho dura enquanto perdurar a titulação de anticorpos nos recuperados/vacinados, neste último caso ainda inexistentes.

Deseja-se, além dos casos atuais, mais 500 mil casos de Covid-19 em Fortaleza ou é mais prudente adotar medidas protetivas? Considerando a escolha da segunda opção, use máscara, proteja os olhos e mantenha o distanciamento social. A Covid-19 não acabou só porque você cansou de ficar em casa! Bom, então inexiste condição de imunidade de rebanho na Covid-19 em Fortaleza, sendo relevante acompanhar a média móvel da doença para verificar seu estágio atual em nossa capital.

A média móvel é a média aritmética simples em um período x, feita para suavizar oscilações e facilitar visualizar a tendência da curva de casos/óbitos. Ela é chamada de média móvel porque não é fixa, ou seja, todo dia o cálculo é refeito, somando-se o valor dos casos/óbitos daquele dia com o dos 6 dias anteriores, tudo isso somado e depois dividido por 7, no caso da média móvel de 7 dias, que é a mais usada pela imprensa no caso da Covid-19. Dessa forma, diminuem-se as distorções causadas pelos plantões de fim de semana e feriados, quando há menos registros, e os picos de registros no início da semana, quando o registro de casos/óbitos é retomado.

Como Fortaleza teve pico cedo (maio/2020), atualmente, os casos na cidade estão baixos, mas, como em todo o mundo, são flutuantes, com microondas da doença, então o percentual já não é mais a melhor medida para o nosso caso, porque a proporção entre número absoluto e percentual já é grande, dando uma falsa ideia de que estamos vivenciando uma situação ruim aqui no Estado, o que não é verdade. Ademais, Fortaleza está melhor que o Ceará, por ter sido o primeiro município do Estado a ter iniciado sua curva epidemiológica, o que a deixa com maior decaimento (descida) da curva que o resto do Estado, mas o Ceará também já está quase finalizando o decaimento (descida) da curva. Assim, a melhor forma de cálculo para Fortaleza e o Ceará, bem como para todos aqueles municípios/Estados com poucos casos diários da doença, seria usar números absolutos no cálculo da média móvel junto de seu desvio padrão, ou outra medida mais adequada, para que a matemática realmente possa representar a realidade da Covid-19 nos estados mais evoluídos em sua curva epidemiológica.

(*) Professora do Curso de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em da Universidade Estadual do Ceará-UECE. Pesquisadora do CNPq. Membro do Grupo de Trabalho-GT para enfrentamento à pandemia do coronavírus da UECE

*Publicado In: Jornal do médico digital, 1(5): 66-69, setembro de 2020. (Revista Médica Independente do Ceará).

terça-feira, 11 de agosto de 2020

PANDEMÍDIA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
- Nasrudin e a Peste -
A Peste ia a caminho de Bagdá quando encontrou Nasrudin. Este perguntou-lhe: Aonde vais?
A Peste respondeu-lhe: Bagdá, matar dez mil pessoas.
Depois de um tempo, a Peste voltou a encontrar-se com Nasrudin.
Muito zangado, o mullah disse-lhe: Mentiste. Disseste que matarias dez mil pessoas e mataste cem mil.
E a Peste respondeu-lhe: Eu não menti, matei dez mil. O resto morreu de medo.
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Pandemídia é um neologismo que criei há pouco para nomear o surto midiático/terrorista que hoje assola a vida da maioria dos humanos. Há necessidade urgente de uma revisão da maneira como a mídia e os políticos abordam o surto virótico, tornando-o malévolo e assustador quando são distorcidas as ocorrências de contexto médico ou sobre doenças infecciosas, medicina alternativa e curas milagrosas.
Esse efeito iatrogênico (iatrogenia [de iatro- + -genia], substantivo feminino que exprime as alterações patológicas provocadas no paciente por tratamento de (qualquer tipo) em certos momentos passa do informativo para o aterrorizante.
Sei que os jornalistas gostam de dar notícias ruins por seu impacto midiático. No caso, exageram as consequências de um surto gripal anual e normal para torná-lo numa peste sempre fatal e sem cura. Ao mesmo tempo, a mídia entrevista médicos e pesquisadores que são apresentados como “experts”. Um expert é um homem que parou de pensar. Para quê pensar, se ele é um expert?
Tais experts fazem os maiores buchichos opinativos, com graves consequências. Ademais, as estrelas jornalísticas pertencentes às “grandes mídias” frequentemente distorcem os fatos e exibem uma visão assustadora, atendendo à orientação dos proprietários da empresa midiática.
O temor produzido por essa maneira de inflacionar os riscos poderia ser amainado por um diálogo apropriado entre o gerador da notícia (médico, cientista ou pesquisador) e um exímio questionador. No entanto, um e outro exageram os fatos, ressalvadas as exceções de praxe. Mas, vamos aos fatos.
Grande amigo meu, médico, foi convidado para dar uma entrevista à TV. Foi à sala de espera, aguardar a hora de “entrar no ar” a ser indicada por seu anfitrião-midiático. O assunto seria o uso ou não uso das máscaras, se o médico era favor ou contra. Foi possível perceber de imediato que o entrevistador não queria uma opinião médica, mas sim qual seriam as preferências políticas do entrevistado.
A ignorância do entrevistador sobre o assunto era tão grande que ele confundia a palavra Epidemia (doença geralmente infecciosa que ataca simultaneamente um grande número de pessoas de determinada localidade e que tem caráter transitório) com a palavra Pandemia, que significa doença vastamente difundida pelo Planeta.
Em tempo, creio ser muito necessária a divulgação de informação honesta e correta para que a população perca o medo de uma gripe grave, mas que não irá destruir a humanidade nem é tão aterrorizante que possa paralisar as atividades cotidianas dos indivíduos.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 29 de julho de 2020

O DESAFIO DA MEDICINA EM TEMPOS DE COVID-19


Por Weiber Xavier (*)
Se de médico e louco todos temos um pouco", nesse caos da pandemia muitos pacientes se apoderaram da ansiedade e começaram a interpretar e solicitar exames por conta própria, a se automedicarem além de estabelecer diagnósticos pelo "Dr. Google". A comunicação da ciência acelerou durante a pandemia, o que é bom e desafiador. A troca de informações científicas é realmente útil, fantástica e facilitada pela tecnologia. No entanto, muitas pesquisas ruins e fake news foram publicadas por "especialistas do Twitter" ou de outras mídias sociais.
A Covid-19 teve um tremendo impacto na prática da Medicina. Com muitos consultórios fechados e sem aulas presenciais nas faculdades a possibilidade da telemedicina terá um impacto não só na prática, mas na formação médica. Como ficarão os congressos médicos que antes reuniam milhares em centro de eventos? Como obter educação e divulgar informações confiáveis?
A Covid levou ao rápido movimento para a telemedicina, embora a sua adoção varie por especialidade médica. A tecnologia de vídeo permite várias interações médicas de diversas especialidades na visita de um paciente. A tecnologia de vídeo poderá, por exemplo, oferecer uma oportunidade para as universidades entrevistarem um grupo mais diversificado de candidatos residentes sem o ônus e o custo da viagem. Entre algumas desvantagens digitalizar um consultório requer esforço e treinamento, tarefa especialmente mais difícil para pessoas com mais idade e dificuldade com novas tecnologias.
Se por um lado a telemedicina aproxima e facilita o acompanhamento dos pacientes, por outro corre o risco de extrapolar o limite entre um contato e outro. Os limites imprecisos e dificuldade em estabelecê-los de forma ética e com qualidade no atendimento é um desafio no atendimento por telemedicina. As plataformas gratuitas WhatsApp e Zoom não são as melhores opções, já que não garantem o sigilo das informações. Os softwares médicos especializados na área, necessários para garantir o sigilo das informações têm um custo extra.
Convém lembrar que nenhum teste é perfeito e ainda não se tem uma terapia efetiva específica comprovada contra o coronavírus. Desde os tempos hipocráticos a arte médica é difícil e um tutorial de 30 minutos não o tornará apto a exercer a profissão médica. São tempos desafiadores, mas, certamente, encontraremos sempre um médico junto ao leito do doente.
(*) Médico e professor de Medicina da UniChristus.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/6/2020. Opinião. p.15.

terça-feira, 2 de junho de 2020

ISOLAMENTO OU DISTANCIAMENTO?


Por Vladimir Spinelli Chagas (*)
Em tempos nunca conhecidos por várias das gerações que hoje povoam a Terra, passamos a conviver com a necessidade de adotar medidas que evitem a proliferação, sem controle, do Sars-Cov-2.
Informações são diariamente veiculadas, algumas com cunhos catastróficos, mas não parece que tenhamos, de fato, percebido a natureza da pandemia e, mais das vezes, passamos até a digladiar - não bastasse a cena política - sobre o que fazer, o que não fazer. Procuramos remédios, fórmulas mágicas, exemplos que deram certo ou errado e, principalmente, culpados.
Uma das discussões em que, às vezes, incorremos: precisamos nos isolar ou distanciar? Recebi de amigos restrições ao uso do termo isolamento. Pensei sobre o assunto e, de fato, vejo razões para isto.
Isolamento dá a ideia de fuga, de corte de laços, de separação. Distanciamento, por sua vez, pressupõe certo afastamento, mas a ideia de, por alguma forma, continuarmos juntos.
Pessoas nas varandas exercendo alguma forma de arte, especialmente a música. Lives de famosos ou não que, mesmo a distância, também exibem cenas de arte, desporto, culinária, exercícios e tantas outras formas de união, nos fazem entender que esse afastamento nos distancia fisicamente, mas nos aproxima espiritualmente, como talvez nunca o tenhamos experimentado.
As pessoas têm passado a conhecer melhor as outras, a ver novos caminhos, a refletir sobre seus próprios valores. A enxergar um pouco melhor quais os papeis que todos - pessoas, animais, vegetais e matéria - representamos na natureza.
Portanto, não estamos de fato isolados, a não ser aqueles que assim o desejam por motivação pessoal. Estamos todos juntos numa comunhão espiritual que nos mostra mais reais, mais carentes, mais gente.
Se, nesse distanciamento, cada um de nós aproveitar o "tempo ocioso" para rever seus próprios conceitos de mundo, de presença e ausência, de certo e errado, de a favor e contra, teremos um ganho substancial no novo mundo que se avizinha, porque não sairemos deste momento na forma em que nele entramos. Queiramos ou não, reagiremos de maneira diferente. Espero que mais tolerante.
(*) Professor da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 4/5/20. p.18.

domingo, 5 de abril de 2020

PÓS-MODERNIDADE E INTERIORIDADE


Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)
A pós-modernidade desafia a Igreja a fazer inteligível a mensagem de Jesus. Jesus Cristo é modelo para todas as épocas e culturas. Como atualizar sua mensagem aos jovens? Primeiro é conhecer a realidade destas juventudes. O jovem está inserido numa época com novas denominações: "era da globalização"; "era da informação"; "sociedade do espetáculo", "era da incerteza"; entre outras. Geração denominada de Homo Zappiens, nativos digitais, com o controle da informação; utilizam linguagem própria; integram diferentes redes sociais, com amigos virtuais. Mergulhados no ciberespaço, com dezenas de amigos, encontram-se solitários. Nunca tivemos uma geração tão abastada e, tão só, ansiosa, com medos e complexos emocionais, em desamparo e incompletude. Curtem seus "conhecidos virtuais", mas não o diálogo com os mais próximos. Dialogam com os de fora, e silenciam com os de dentro, gerando vazio e poucas relações familiares. O excesso de uso das mídias digitais tem aumentado a infelicidade a níveis absurdos. Uma geração em "tempos líquidos", frágil, sem raízes e asas.
É importante observar as possibilidades de transformação desse cenário. É possível? Acreditamos, que sim, construindo pressupostos que podem servir de suporte para a transformação da vida dessa geração. O que posso fazer para que os jovens tenham dias felizes e saudáveis numa sociedade que cresce ansiosa e depressiva?
Numa perspectiva inaciana o enfoque está na construção do projeto de felicidade, que dá sentido a própria vida, educando no autoconhecimento, no saber e competências relacionais. Uma evangelização que englobe corpo, pensamento, sentimentos e movimentos interiores. A interioridade não se reduz a um intimismo, mas abre à relação com o outro, despertando solidariedade e partilha.
Uma formação de jovens conscientes, competentes, compassivos e comprometidos, para e com os outros. Jovem que desenvolve sua liberdade para viver e decidir com responsabilidade. Comprometido com a transformação da humanidade e com o cuidado da "casa comum". Quando estas atitudes interagem formamos "profetas do sentido", isto é, profetas da vida, de Deus, da felicidade.
(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia.
Fonte: O Povo, 8 de fevereiro de 2020. Opinião. p.14.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

CORONAVÍRUS: pânico midiático & econômico


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
é bom lembrar que, se quiserem alarmar a população, basta publicar as estatísticas de mortalidade causadas por fome, verminose e por males provocados pela nossa desnutrição, problema ancestral.
Esclarecimento deste artigo:
Os coronavírus correspondem a um grupo de vírus pertencentes à família “Coronaviridae” que são responsáveis por infecções respiratórias que podem ser leves ou bastante graves dependendo do (corona) vírus responsável pela infecção e do sistema imunológico do paciente.
Segundo os dicionários, o verbete pânico (em grego, panikón) significa algo que assusta sem motivo, em outras palavras, um terror infundado. No que lhe concerne, a Sociologia afirma tratar-se de reações inteiramente descontroladas de uma multidão, diante de um perigo, real ou aparente, nascidas do medo que esse perigo produz.
No Brasil, ninguém mais contesta a circulação da nova onda de infecções respiratórias que assola o mundo. Algumas pessoas vão morrer dessa moléstia, como, de resto, morrem de tantas outras, vítimas das demais variedades de infecções respiratórias, conhecidas ou desconhecidas pelos estudiosos do assunto. O Ministro da Saúde e os infectologistas acautelam sobre as probabilidades e os riscos da doença, sem fazer alarde acerca das medidas que os brasileiros devem adotar, principalmente em períodos de viagens.
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Venho aqui apelar e invocar a autocrítica de nossa imprensa, no sentido de não provocar uma epidemia de medo coletivo. Sem desejar comparar pessoas a animais, sabemos como é terrível o estouro de uma boiada…
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Muito embora não seja infectologista e sim médico psicoterapeuta, testemunho um pânico na sociedade. Desta forma, venho aqui apelar e invocar a autocrítica de nossa imprensa, no sentido de não provocar uma epidemia de medo coletivo. Sem desejar comparar pessoas a animais, sabemos como é terrível o estouro de uma boiada. E quem já trabalhou em emergências de hospitais, em dias de jogos, conhece de perto o quão trágico são o pânico dos torcedores e as tragédias causadas por brigas entre as torcidas.
Peço a Deus que apareça logo outro assunto (escândalos não faltarão) para que a irresponsabilidade de quem redige as manchetes e notícias dos telejornais seja saciada e a população possa esquecer, um pouco, a nova epidemia desse coronavírus.
Não é necessário ser jornalista para saber que as más notícias vendem muito mais. Os jornalistas gostam de notícias ruins exatamente por esse motivo. Destarte, elas ajudam que seja levada para casa uma quantidade maior de “leite das crianças”. E, como é duro se ganhar o pão, nada melhor do que uma manchete trágica para chamar a atenção do público.
No entanto, é bom lembrar que, se quiserem alarmar a população, basta publicar as estatísticas de mortalidade causadas por fome, verminose e por males provocados pela nossa desnutrição, problema ancestral.
Os profissionais de imprensa não são, em sua maioria, pessoas sadomasoquistas. Contudo, se escreverem que, no Brasil, se morre mais de diarreia e verminose, por semana, do que se morre em decorrência de todos os resfriados juntos, isso não proporcionará uma manchete atraente.
Até parece que as pessoas estão brincando com a síndrome do pânico da infecção respiratória vinda da China. Cuidado, com a saúde não se brinca, em particular, com a mental. Seria mais saudável se o Governo levasse adiante um programa de esgotos sanitários; como profissional da Saúde, garanto uma coisa: tal medida iria diminuir, pela metade, as mortes causadas por ingestão de águas contaminadas.
Sem desejar diminuir o risco do coronavírus do momento, lembro que a cada 15 minutos uma pessoa morre em acidente de trânsito no Brasil. Apesar de impactantes, as estatísticas já foram piores. Gradualmente, o país vem conseguindo reduzir as mortes, bem longe da meta da Organização das Nações Unidas de reduzir pela metade os óbitos em uma década (2011 a 2020).
Segundo DADOS, os acidentes rodoviários alcançam no Brasil em torno de 45 000 óbitos anualmente.
A quem se preocupa mais com a Economia do que com a Saúde:
– O custo por acidentado rodoviário (não fatal) é de 90 000 mil reais e quando fatal sobe para 550 mil reais (incluindo os óbitos após 72 horas do acidente), segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Isso quando a cotação oficial – como hoje – do real em relação ao dólar norte-americano é de um dólar para 4,25 reais. A maioria dos nossos equipamentos hospitalares é importado e seu custo é alto…

Pessoalmente estou muito mais preocupado com a falta do saneamento básico no Brasil. Lembro que a solução para o saneamento básico vem sendo adiada desde muito antes deste governo e a imprensa oficial e agora a social nada comentam, desde o último surto (de cólera) ocorrido em Londres em 1854, que serviu de lição sobre a importância do saneamento e a propagação das Epi/Pandemias
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

UM BLOG EM EVOLUÇÃO – a marcha de 2019


Em 31/12/2019, o blog chegou ao patamar de 185.440 acessos, com o incremento de 14.660 visitas, conferindo uma média de 1.221 acessos mensais.
Em 2019, tal como em 2018, foram 540 postagens, correspondentes, em média, a 45 por mês; isso, em parte, ocorreu porque, principalmente, nos finais de semana, o blog exibia duas inserções por dia.
A regularidade e a qualidade das postagens, assim como a sua diversidade temática, entre alguns motivos, vêm contribuindo para assegurar a fidelidade dos visitantes costumeiros e o acolhimento de novos adeptos do blog.
A despeito da provável migração de seguidores para outras mídias, houve, em relação ao ano precedente, um implemento da ordem de 10% do total de acessos, mas é possível que uma expressiva parcela das visitas não esteja sendo contabilizada por questões operacionais do contador do blog.
Registro o meu agradecimento a todos que me honraram com suas visitas e formulo votos de que tenham um venturoso ano de 2020.
Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Administrador do Blog do Marcelo Gurgel

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

APARELHAMENTO DA IMPRENSA


Um gaúcho passando suas férias no Rio de Janeiro vai visitar o zoológico. De repente, vê uma menina se aproximando demasiadamente da grade da jaula do leão.
O leão ataca e tenta puxá-la para dentro da jaula para matá-la, sob os olhares dos pais, paralisados de terror!
O gaudério corre e acerta um soco em cheio no nariz do leão, que dá um pulo, soltando a menininha.
Um repórter assistiu a todo o desenrolar da cena e diz ao gaúcho:
"Senhor, esta foi a atitude mais nobre e corajosa que já vi em toda a minha vida, garanto que este ato de heroísmo não irá passar em branco. Sou jornalista e o jornal amanhã trará a história na primeira página. Para complementar, qual é a sua profissão, e qual seu posicionamento político?"
O gaúcho responde:
"Estou em férias; sou Militar do Exército e nas eleições para Presidente votei contra a Dilma e vou votar em Bolsonaro em 2018."
Na manhã seguinte, o jornal estampa na primeira página:
"Radical de extrema-direita, ligado à ditadura militar, ataca imigrante africano, e rouba o seu almoço."
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Autoria desconhecida.
Nota do Editor do Blog: Essa piada foi modificada e divulgada à época das eleições passadas.

 

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