Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)
Há 250 anos,
exatamente em 9 de março de 1776, o escocês Adam Smith publicava a obra A
Riqueza das Nações: Investigação sobre sua Natureza e suas Causas. O livro
marcou o nascimento da economia como ciência. Nele, Smith argumenta que a
verdadeira riqueza de um país não é o ouro acumulado – como sustentava a
doutrina mercantilista –, mas sim a capacidade produtiva de seu trabalho, ou
seja, sua produtividade.
O crescimento
econômico é impulsionado pela divisão do trabalho, pelo livre mercado, pela
livre concorrência e pelo interesse próprio, que, por meio da chamada “mão
invisível”, pode gerar benefícios para toda a sociedade.
O autor elaborou
uma teoria sobre o funcionamento do sistema econômico, que reformulou
completamente o paradigma vigente à época, quando a riqueza nacional era medida
pelas reservas de ouro e prata de um país. Importar mercadorias do exterior era
considerado prejudicial, pois significava abrir mão dessa riqueza para
pagá-las. Exportar, por sua vez, era visto como benéfico, já que os metais
preciosos retornavam à nação.
Assim, os países
mantinham uma vasta rede de controles para impedir que essa riqueza metálica se
dissipasse, por meio de impostos sobre importações, subsídios a exportadores e
proteção às indústrias nacionais.
Esse mesmo
protecionismo vigorava também internamente. As cidades impediam que artesãos de
outras localidades se estabelecessem em seus territórios para exercer suas
atividades. Fabricantes e comerciantes solicitavam ao rei monopólios
protecionistas, e dispositivos que economizavam mão de obra eram proibidos por
representarem uma ameaça aos produtores existentes.
O pensador
escocês demonstrou que A Riqueza das Nações não constitui um endosso à ganância
econômica, como às vezes ainda é caricaturada. O interesse próprio pode
impulsionar a economia, mas essa força só gera benefícios quando há competição
genuinamente aberta e livre de coerção. Ele destaca que o crescimento econômico
não pode ser avaliado apenas pelo aumento da riqueza total de um país.
Uma sociedade só
pode ser considerada verdadeiramente próspera quando a maioria da população tem
acesso a condições dignas de vida, como renda suficiente, emprego de qualidade,
educação e saúde.
O clássico do
filósofo escocês sintetiza os princípios centrais de seu pensamento econômico:
a defesa do livre comércio, da divisão do trabalho, da livre concorrência, da
eficiência produtiva e da cooperação entre as nações, sempre baseada na
liberdade econômica – base do comércio internacional. O trabalho busca
apresentar ao mundo uma ciência econômica descritiva, baseada em evidências,
sem deixar de lado as questões morais fundamentais para o ser humano.
Em 1759, muito
antes de A Riqueza das Nações, Smith havia publicado a obra que o consagrou no
campo da filosofia: A Teoria dos Sentimentos Morais. Em síntese, a natureza
humana é complexa. Somos egoístas, mas também gostamos de ajudar os outros.
Os dois livros
são, portanto, complementares: mostram como indivíduos podem conviver
pacificamente na esfera moral e, ao mesmo tempo, cooperar de forma produtiva no
plano econômico. Como afirmou o próprio autor: “Nenhuma sociedade pode ser
florescente e feliz se a grande maioria de seus membros for pobre e miserável”.
(*) Mestre em
Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e
Planejamento do Eusébio-Ceará.
Fonte:
O Povo,
de 5/03/26. Opinião. p.18.

Nenhum comentário:
Postar um comentário