domingo, 5 de abril de 2026

PÁSCOA: Esperança que ressuscita

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

A Páscoa é o grande coração da fé cristã. Mais do que recordar um acontecimento do passado, ela nos convida a atravessar, com Cristo, o caminho da morte para a vida, da escuridão para a luz, da desesperança para a esperança renovada.

A Ressurreição inaugura uma nova possibilidade para a existência humana: a certeza de que Deus continua agindo na história e conduzindo a vida para além de toda derrota, de toda dor e de toda aparente perda.

Na pedagogia espiritual de Santo Inácio de Loyola, aprendemos que Deus fala na trama concreta da vida. Ele se manifesta nos acontecimentos, nos movimentos do coração, nas alegrias e também nas dores que atravessamos. A espiritualidade inaciana nos ensina a contemplar a realidade com profundidade, percebendo que Deus trabalha silenciosamente em todas as coisas e conduz a história com uma sabedoria que muitas vezes só compreendemos com o passar do tempo.

A Páscoa, portanto, não é apenas uma celebração litúrgica; é uma experiência espiritual que nos transforma por dentro. É o convite a reconhecer que o Cristo ressuscitado continua caminhando ao nosso lado, mesmo quando os olhos da fé parecem obscurecidos pelas preocupações e pelas cruzes da vida. Assim como os discípulos de Emaús descobriram a presença de Jesus ao partir do pão, também nós somos chamados a abrir o coração para perceber sua presença no cotidiano.

A pedagogia inaciana também nos convida a olhar a Ressurreição como um movimento interior de libertação. Libertar-se do medo que paralisa, das culpas que aprisionam e das tristezas que roubam o sentido da caminhada. Cristo ressuscitado rompe as pedras dos nossos sepulcros interiores e nos devolve a coragem de viver, de recomeçar e de confiar novamente na força da graça.

Viver a Páscoa é permitir que a vida nova de Cristo transforme nosso olhar, nossas escolhas e nossa maneira de estar no mundo. Como recordava Santo Inácio, somos chamados a buscar e encontrar Deus em todas as coisas, reconhecendo sua presença também nos pequenos sinais da vida cotidiana.

Porque, para quem caminha com o Ressuscitado, nenhuma noite é definitiva. Sempre haverá uma aurora anunciando que a vida venceu.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 4/04/2026. Opinião. p.16.

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