quinta-feira, 23 de abril de 2026

ESCOLAS: espaços de proteção e aprendizagem

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Pesquisa recente financiada pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), sob nossa coordenação, focalizou desafios da política educacional na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O estudo detectou que a presença de facções criminosas em diversos municípios impacta escolas, famílias e comunidades, gerando medo e até suspensão de aulas.

O poder público tem buscado respostas para enfrentar tal situação, mediante ações de órgãos de Educação, Segurança Pública, Assistência Social e do Justiça, buscando também coordenar esforços intersetoriais.

As secretarias de Educação têm adotado medidas como reforço da vigilância em imediações de escolas, reorganização de horários e rotas de transporte seguro para estudantes, e ações pedagógicas e socioemocionais visando aumentar a resiliência dos alunos.

Iniciativas voltadas para a segurança escolar existem tanto no âmbito estadual quanto municipal. Em Fortaleza, por exemplo, a Guarda Comunitária Escolar (GCE) realiza patrulhamento preventivo e contínuo em mais de 650 escolas, CEIs e creches, acompanhando alunos e professores na entrada e saída das escolas.

Apesar dos esforços, desafios persistem. Políticas setoriais esbarram em limitações de recursos, dificuldades de articulação interinstitucional e na própria desigualdade territorial na região, repercutindo sobre o acesso das comunidades a programas de prevenção e apoio. A rotatividade de profissionais, a escassez de infraestrutura adequada e a incapacidade de implementação uniforme de programas educativos agravam essas dificuldades.

Para familiares e educadores, a sensação de insegurança continua sendo um obstáculo cotidiano, e as respostas encontradas têm sido insuficientes para confrontar problemas complexos que atravessam a vida escolar e social dos jovens. É urgente e necessário fortalecer a presença do Estado nas comunidades, mediante esforços institucionais coordenados. Ações dessa natureza reduzem riscos imediatos, reafirmando a escola e o território como espaços de proteção, aprendizagem e futuro, e não de medo e abandono.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.

Nenhum comentário:

 

Free Blog Counter
Poker Blog