Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
A felicidade é um estado de plenitude,
satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude
são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a
alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar
espiritual ou paz interior.
Para Aristóteles, a felicidade é o fim que
todo ser humano busca, ou seja, o bem e o desejo maior que guia todas as ações
humanas.
Em “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a felicidade é 1) o maior bem desejado
pelos homens e 2) o fim das ações humanas. A felicidade é o objetivo final e
mais alto da vida humana. Ele acredita que a felicidade não é um estado
passageiro de prazer ou alegria, mas sim um estado duradouro e completo de
realização e satisfação em todas as áreas da vida.
“A excelência não é um ato, mas um hábito.” refere Aristóteles.
Sócrates (469 a.C./399 a.C.) deu novo rumo
à compreensão da ideia de felicidade, postulando que ela não se relaciona
apenas à satisfação dos desejos e necessidades do corpo, pois, para ele, o
homem não é só o corpo, mas, principalmente, a alma.
Ele escreve que a verdadeira felicidade só
pode ser alcançada, através da busca pela sabedoria e pela virtude. E postula
que o autoconhecimento e a reflexão constante sobre nossas ações e princípios
morais são essenciais para alcançar a verdadeira felicidade.
Segundo Tomás de Aquino, a felicidade é o
fim último e o bem supremo que todos buscamos na vida, sendo a felicidade o bem
próprio e perfeito do homem. Ela é regida por quatro princípios, que ele
denomina critérios da felicidade, entre os quais, o primeiro é a internalidade
– a felicidade é um “princípio interno” e o segundo é o valor intrínseco da
felicidade.
Os bens corporais não atendem a esse
requisito porque não incluem os bens da alma. As partes mais elevadas de nossa
natureza – as capacidades que nos tornam humanos – são as faculdades racionais
do intelecto e da vontade e as melhores atividades que podemos realizar são
conhecer e amar. Não queremos apenas conhecer e amar a nós mesmos; queremos
conhecer e amar coisas além de nós mesmos, especialmente outras pessoas.
Os bens correspondentes às nossas
faculdades racionais (conhecimento, liberdade, amizade, virtude, beleza) são
mais valiosos do que aqueles correspondentes às nossas faculdades corporais.
Portanto, um bem corporal não pode ser o bem completo e supremo.
A felicidade aperfeiçoa a alma, e a
alcançamos por meio de uma atividade da alma; mas o objeto da felicidade,
aquilo que nos faz felizes, é algo externo à alma.
Tomás de Aquino compara o ser humano a um
navio. O próprio navio (como o corpo humano) precisa ser conduzido pelo capitão
(como a alma humana), e o capitão precisa conduzir o navio rumo a um destino.
Embora um bom capitão conheça seu navio intimamente (autoconhecimento) e
aprecie suas qualidades, ao mesmo tempo que aceita suas fraquezas
(amor-próprio), o propósito de navegar não é meramente manter o navio à tona ou
se deslocar sem rumo, apenas por se deslocar, mas sim chegar a algum lugar. Da
mesma forma, o propósito da vida humana não é meramente permanecer vivo, pensar
e escolher por pensar e escolher, ou mesmo ser virtuoso. É cumprir o próprio
destino.
Santo Agostinho defende que a felicidade é
algo supremo e inatingível sem a presença de Deus, e que, apenas através da fé
e da busca espiritual, é possível alcançá-la.
Para Agostinho, O amor se passa como tema
fundamental e ele deve caminhar em conjunto com a razão e uma boa vontade para
chegar à verdadeira felicidade. O amor é o combustível da vontade, que está na
alma humana, uma faculdade dada que permite agir em qualquer direção.
Como corolário desse sumário de ensaio,
pode-se fazer uma analogia com o pássaro. Assim como ele voa livre sem que nada
o prenda, a felicidade também não pode ser capturada, imposta ou forçada. Ela
procede daquilo que, realmente, importa e, quando com ele nós nos conectamos: o
amor, a paz e a serenidade, os quais implicam em dignidade, justiça, fé e
fraternidade. No mais, tudo é qual uma carroça vazia – somente muito barulho e
ou semelhante a uma diarreia mental.
Nossas redes de ligação dão-nos subsídios
para dialogarmos com o sentido da vida e a transcendência de nossas limitações
outorga-nos uma proximidade com Deus, imprimindo mais profundidade à vida.
É nas coisas simples e genuínas, onde
alimentamos a alegria da felicidade.
Enfim, a felicidade é coach de nossa
jornada épica sem retorno, mas com possibilidade de consertos e acertos, e onde
a gratidão pelo que se é, pelo que se tem e pelo que se recebe nos reveste do
equilíbrio e da serenidade da vida.
Pilares da felicidade: emoções positivas,
engajamento, relacionamentos, sentido, propósito, significado, realizações,
espiritualidade e Deus.
Sem propósito de vida e sem um sentido da
vida dentro da vida, não há, oh! Não, não há lugar para a felicidade.
Tenhamos um bom sábado, com as bênçãos de
Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 28/02/26.

Nenhum comentário:
Postar um comentário