Por Marcelo Alcântara Holanda (*)
"Críon, devemos um galo a Asclépio;
não te esqueças". Essas foram as enigmáticas palavras de Sócrates,
imediatamente antes de cumprir sua sentença de morte em Atenas, em 399 a.C. O
galo representava um sacrifício ao herói deificado da Medicina na Grécia
antiga, em "pagamento" pelas curas alcançadas. Intérpretes modernos
veem aí uma crítica do filósofo à decadência daquela pólis, doente por matar
quem trazia luz e sabedoria em tempos difíceis.
Maio de 2026, 25 séculos depois. Nasce a
Fundação Elmo para Suporte à Saúde Respiratória. Em seu nome, carrega uma
homenagem a todas as instituições e pessoas que participaram do maior
"case" de inovação em saúde durante a pandemia de Covid-19: o
capacete Elmo. Desenvolvido pela Funcap, UFC, Unifor, ESP/Sesa, Senai/Fiec e
produzido pela empresa Esmaltec, o dispositivo salvou milhares de vidas em todo
o Brasil e, em particular, onde foi criado, no nosso Ceará, um dos estados com
menos recursos econômicos do País (Gomes G. et al. Helmet CPAP in 1,685
Patients with Covid-19. Chest Critical Care, 2026; 4).
Sua missão: realizar e apoiar ações em
benefício da saúde respiratória por meio de quatro pilares: pesquisa, inovação,
ensino e memória. Como na Atenas de Sócrates, temos nossas mazelas sociais e no
setor da saúde: o negacionismo, a falta de coesão social, as fragilidades do
SUS e da rede suplementar, a crise na formação de profissionais, a falta de
articulação com o setor industrial, entre outras.
Ao povo cearense, oferecemos uma
instituição em prol da respiração suave e saudável que nos permita a vida
plena, não como um sacrifício por bens alcançados, mas como dádiva de
esperança, potência, união e pacto por tempos melhores e mais resilientes diante
das inevitáveis endemias de hoje e das pandemias de amanhã. Bem-vinda,
Fundação.
(*) Médico
pneumologista intensivista. Professor associado da UFC.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/05/2026.
Opinião. p.16.

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