Por José Nelson Bessa Maia (*)
O mundo passa por
turbulência e incertezas devido a tensões geopolíticas levadas ao extremo pela
agressão dos EUA e Israel ao Irã. Como consequência, essa guerra levou a novo
choque de energia, com forte elevação nos preços do petróleo e interrupções nos
suprimentos. Os mercados financeiros oscilam devido a volatilidades nos preços
dos ativos. Nesse contexto poucos países mantêm o crescimento e conseguem
amortecer os choques externos.
A China tem sido
capaz de preservar o crescimento a julgar pelos dados oficiais. O PIB da China cresceu
1,3% no 1º trimestre de 2026 ou 5% ano a ano, 0,5 ponto percentual mais rápido
que o do quarto trimestre de 2025. A produção cresceu e a oferta acelerou-se,
com a demanda em recuperação, o emprego se mantendo estável, com aumentos
moderados nos preços e avanços nos segmentos da nova economia.
De fato, o produto
industrial chinês cresceu 6,1% em base anual no 1º trimestre de 2026. Ritmo
mais rápido do que no 4º trimestre de 2025. Em termos mensais, o produto
industrial aumentou 0,28% em março. O produto da mineração subiu 6% em termos
anuais entre janeiro e março, enquanto o da indústria de transformação cresceu
6,4%. O produto dos serviços de utilidade pública aumentou 4,3%. O produto da
manufatura de alta tecnologia teve aumento de 12,5% no 1º trimestre, com
participação no produto industrial atingindo 16,9%, e impulsionando o
crescimento geral em dois pontos percentuais.
O investimento
cresceu 1,7% no primeiro trimestre, revertendo queda de 3,8% em 2025, turbinado
pelos gastos com infraestruturas e aceleração dos investimentos industriais,
compensando a queda nos investimentos do setor imobiliário. No total, o consumo
e o investimento responderam por 84,7% do crescimento do PIB no 1º trimestre,
um aumento de quase 30 pontos em relação ao ano anterior, indicando mudança
gradual, mas contínua no modelo de crescimento mais baseado no mercado interno
e menos dependente do setor externo.
O desemprego
urbano ficou em 5,3% no 1º trimestre de 2026, mantendo-se no nível do mesmo
período do ano passado. Somente em março, o desemprego urbano ficou em 5,4%,
0,1 ponto percentual acima do mês anterior. A meta estabelecida para o
desemprego urbano é de 5,5% em 2026 e projeta-se criar mais de 12 milhões de
novos empregos urbanos em 2026.
Por fim, a China
gera estabilidade num ambiente global de incerteza, apoiada em seu sistema
estatal de planejamento central e a eficácia de suas políticas de longo prazo,
sempre atentas às turbulências externas e à necessidade de ajustes a fatores
adversos. A melhoria da confiança na China reflete-se nos fluxos de entrada de
investimento direto estrangeiro, atraído pelo vigor de seu setor de
Inteligência Artificial (IA) e o vasto e denso mercado interno como grandes
atrativos.
(*)
Ex-secretário de Assuntos Internacionais do
Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela
Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.
Fonte: O Povo, de 10/05/26. Opinião. p.23.

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