quarta-feira, 10 de junho de 2026

A economia chinesa é resiliente mesmo com crises geopolíticas

Por José Nelson Bessa Maia (*)

O mundo passa por turbulência e incertezas devido a tensões geopolíticas levadas ao extremo pela agressão dos EUA e Israel ao Irã. Como consequência, essa guerra levou a novo choque de energia, com forte elevação nos preços do petróleo e interrupções nos suprimentos. Os mercados financeiros oscilam devido a volatilidades nos preços dos ativos. Nesse contexto poucos países mantêm o crescimento e conseguem amortecer os choques externos.

A China tem sido capaz de preservar o crescimento a julgar pelos dados oficiais. O PIB da China cresceu 1,3% no 1º trimestre de 2026 ou 5% ano a ano, 0,5 ponto percentual mais rápido que o do quarto trimestre de 2025. A produção cresceu e a oferta acelerou-se, com a demanda em recuperação, o emprego se mantendo estável, com aumentos moderados nos preços e avanços nos segmentos da nova economia.

De fato, o produto industrial chinês cresceu 6,1% em base anual no 1º trimestre de 2026. Ritmo mais rápido do que no 4º trimestre de 2025. Em termos mensais, o produto industrial aumentou 0,28% em março. O produto da mineração subiu 6% em termos anuais entre janeiro e março, enquanto o da indústria de transformação cresceu 6,4%. O produto dos serviços de utilidade pública aumentou 4,3%. O produto da manufatura de alta tecnologia teve aumento de 12,5% no 1º trimestre, com participação no produto industrial atingindo 16,9%, e impulsionando o crescimento geral em dois pontos percentuais.

O investimento cresceu 1,7% no primeiro trimestre, revertendo queda de 3,8% em 2025, turbinado pelos gastos com infraestruturas e aceleração dos investimentos industriais, compensando a queda nos investimentos do setor imobiliário. No total, o consumo e o investimento responderam por 84,7% do crescimento do PIB no 1º trimestre, um aumento de quase 30 pontos em relação ao ano anterior, indicando mudança gradual, mas contínua no modelo de crescimento mais baseado no mercado interno e menos dependente do setor externo.

O desemprego urbano ficou em 5,3% no 1º trimestre de 2026, mantendo-se no nível do mesmo período do ano passado. Somente em março, o desemprego urbano ficou em 5,4%, 0,1 ponto percentual acima do mês anterior. A meta estabelecida para o desemprego urbano é de 5,5% em 2026 e projeta-se criar mais de 12 milhões de novos empregos urbanos em 2026.

Por fim, a China gera estabilidade num ambiente global de incerteza, apoiada em seu sistema estatal de planejamento central e a eficácia de suas políticas de longo prazo, sempre atentas às turbulências externas e à necessidade de ajustes a fatores adversos. A melhoria da confiança na China reflete-se nos fluxos de entrada de investimento direto estrangeiro, atraído pelo vigor de seu setor de Inteligência Artificial (IA) e o vasto e denso mercado interno como grandes atrativos.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 10/05/26. Opinião. p.23.

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