segunda-feira, 1 de junho de 2026

FORTALEZA: a evolução e os desafios

Por Lauro Chaves Neto (*)

Fortaleza chega aos 300 anos reafirmando uma característica central de sua trajetória: a capacidade de transformar posição geográfica em protagonismo econômico.   Hoje, responde por quase 40% do PIB estadual, esse dado revela não apenas liderança, mas uma forte concentração econômica que molda o desenvolvimento do estado.

Quando o Ceará tinha sua capital em Aquiraz, o dinamismo econômico estava em polos como Aracati. Fortaleza surgiu mais como uma escolha estratégica e administrativa do que como centro econômico. Sua ascensão veio com o tempo, consolidada pelo comércio, pelo ciclo do algodão e pela centralização política.

Hoje, é uma das principais economias urbanas do país, com destaque crescente na economia de serviços e, mais recentemente, na conectividade digital. A cidade deixou de ser apenas um entreposto para se tornar um hub estratégico, conectando o Brasil a mercados internacionais por meio de infraestrutura logística e tecnológica.

Entretanto, a estrutura econômica da cidade ainda revela fragilidades importantes. A elevada dependência do setor de serviços, muitas vezes de baixa produtividade, limita ganhos mais robustos de renda e competitividade. A indústria perdeu participação relativa nas últimas décadas, reduzindo o potencial de encadeamentos produtivos mais complexos. Soma-se a isso a informalidade persistente, a baixa qualificação de parte da força de trabalho e os gargalos em infraestrutura urbana, que impactam diretamente a eficiência econômica.

A elevada concentração econômica exige políticas que ampliem a inclusão e reduzam as desigualdades. A transição para uma economia mais sofisticada demanda investimentos em educação, inovação e produtividade. Além disso, questões urbanas e ambientais ganham centralidade.

Fortaleza precisa qualificar seu crescimento, elevar o padrão de produtividade e sofisticação da economia local. Se conseguir alinhar conectividade, capital humano e estratégia de longo prazo, poderá transformar sua posição privilegiada em desenvolvimento sustentável e inclusivo, consolidando-se como uma das cidades mais dinâmicas do país.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 27/04/26. Opinião. p.16.


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