segunda-feira, 2 de setembro de 2024

O ECONOMISTA NA SOCIEDADE

Por Lauro Chaves Neto (*)

O Dia do Economista, 13 de agosto, permite uma reflexão sobre o seu papel na sociedade, trata sobretudo da melhoria da qualidade de vida das pessoas, esse protagonismo profissional acontece com a atuação nas esferas pública, privada e no terceiro setor.

Na área pública, Governo Federal, Governos Estaduais e Prefeituras possuem maiores probabilidades de sucesso quando se apoiam no conhecimento técnico de Economistas na formulação e implantação das políticas públicas sustentáveis, com a formulação de orçamentos, planos estratégicos e setoriais, por exemplo.

Já no setor privado, a atuação do Economista vai desde a elaboração e análise do Plano de Negócio, a gestão do Fluxo de Caixa, a apuração dos Custos, a Formação do Preço de Venda, a análise de viabilidade dos investimentos, a Elaboração de cenários alternativos até as estratégias competitivas. Inclui também uma forte atuação na implantação da Agenda ESG e do fomento aos Negócios de Impacto.

A formação acadêmica do Economista é multidisciplinar e complexa, aliando métodos quantitativos, teoria econômica, ciências sociais, gestão empresarial, finanças, visão territorial e economia política, o que explica a diversidade dos seus campos de atuação profissional.

Um economista (de boa formação!) possui a análise crítica dos sociólogos, o raciocínio lógico dos engenheiros, a visão territorial e espacial dos arquitetos e geógrafos, o entendimento da raiz dos fenômenos dos historiadores, a capacidade de gestão dos administradores, a familiaridade com os números dos contadores, além da capacidade de argumentação dos advogados.

Constante leitura e atualização são tarefas obrigatórias dos Economistas que desejam obter sucesso profissional. É necessário acompanhar e avaliar a evolução das variáveis sócio econômicas, do ambiente empresarial, do contexto legal, da geopolítica, da sustentabilidade, e sobretudo da qualidade de vida das pessoas.

Essa diversidade de habilidades, ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades profissionais, impõe aos professores e estudantes de Economia um pacto pela busca contínua do conhecimento.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 13/08/24. Opinião. p.18.

OS SONHOS NÃO ENVELHECEM

Por Romeu Duarte Junior (*)

A Manoel e Mana Holanda

Dia desses, deu no jornal que um empresário, de muitos janeiros vividos e bem-sucedido em tudo o que fez na vida, realizou um sonho antigo: abriu uma garapeira dentro do seu shopping para vender caldo de cana e pastel. Como toda azeitona tem caroço, fiquei ruminando de mim para comigo: o que faz alguém, que já conseguiu tudo em sua existência, lutar pela concretização de um desejo tão simples? Seria essa a chave do enigma Rosebud do famoso filme Cidadão Kane criado pelo meu herói Orson Welles? Tantas perguntas. Só sei que o senhor apareceu na fotografia exibindo um sorriso de orelha a orelha, além de um pastel que parecia bem gostoso. Ali estava alguém feliz e de vontade saciada por ter alcançado algo que ansiava desde menino. Só ventura.

A ideia ocorreu-lhe quando, garoto, frequentava a heráldica Pastelaria Leão do Sul, ícone astronômico da Praça do Ferreira. "Ainda vou botar um negócio desse para mim um dia", dizia de si para consigo enquanto provava o delicioso lanche da tarde. Contudo, não foi fácil para ele efetuar o tão caro capricho. Sua mulher, por exemplo, não via qualquer sentido na proposta, para ela apenas uma arrumação, ainda mais com ele naquela idade. "Ah, é? Pois eu vou acabar parando no hospital se eu não fizer isso!", disse-lhe o marido. Ela, muito sábia, retrucou-lhe: "Entre discutir e ser feliz, eu prefiro ser feliz. Ande, vá vender o seu caldo de cana e o seu pastel". Na inauguração, o mais novo garapeiro da cidade mostrava-se mais alegre do que quando abriu seu shopping há 34 anos.

Qual será o seu cotidiano agora? Aos cuidados diários que dispensa ao seu centro comercial de três centenas de lojas somar-se-á aquele que devotará à sua merendeira. Posso vê-lo de jaleco atrás do balcão, organizando os pastéis e demais acepipes no fiteiro, checando a temperatura e a qualidade do caldo de cana, servindo com cortesia os clientes, recebendo dinheiro e passando troco. Como dizia minha saudosa mãe, mais vale um gosto do que cem mil réis. Apesar da tortura onipresente do etarismo, essa doença de quem se acha um eterno Peter Pan, sempre é hora de começar algo novo, de investir, de tornar exequível um pensamento, tenha a pessoa a idade que tiver. Não está aí o Nirez, em seus verdejantes 90 anos, pondo no Facebook o seu belo acervo?

Sempre a matutar sobre as coisas do mundo, encarei a notícia como uma baita lição de vida. Não devemos desistir dos nossos sonhos, são eles que nos levam pela estrada afora. Quanta gente vive por aí de forma frustrada por não ter coragem de mudar de caminho e fazer o que sempre deveria ter feito? Sofri isso na pele. Larguei a engenharia no oitavo semestre, faltando apenas um ano para terminar, e me mudei de mala e cuia para a arquitetura, onde fiz quase tudo o que foi possível. Agora, perto da aposentadoria, erra aquele que pensa que vou armar a rede na varanda e lá me instalar, curtindo o dolce far niente.

Vou reassumir o meu escritório e me transformar num arquiteto de bairro. Isso mesmo, fazendo pequenos projetos e obras. E escrevendo, prazerosa paixão...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/07/24. Vida & Arte. p.2.

domingo, 1 de setembro de 2024

PESAR POR PROFESSOR FERNANDO CÂMARA

 

É com pesar que informo o falecimento ontem à noite (31/08/2024) do professor, historiador e genealogista Francisco Fernando Saraiva Câmara.

Nascido em Quixeramobim-Ceará, em 24 de agosto de 1930, contava ele com 94 anos de idade ao falecer.

Fernando Câmara era membro da Academia Brasileira de História (SP), da Academia Cearense de Retórica, da Academia Sobralense de Estudos e Letras, do Instituto Cultural do Vale Caririense, do Lyons Clube de Quixeramobim.

Era, atualmente, o decano do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), entidade que o acolheu como sócio efetivo em 17 de outubro de 1975.

O corpo do Sr. Francisco Fernando Saraiva Câmara está sendo velado, desde às 8 horas de hoje, no Velatório Ternura, à Rua Pe. Valdivino, Nº 2.255. Hoje, dia 1º de setembro, acontecerá a missa de corpo presente, às 11h30, e, em seguida, às 13h, seus despojos serão conduzidos ao cemitério Jardim Metropolitano.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio do Instituto do Ceará


O PAPEL TRANSFORMADOR DA PSICOLOGIA

Por Luan Teixeira (*)

O Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto no Brasil, é uma data dedicada a homenagear e reconhecer o trabalho essencial dos profissionais da psicologia. Esta comemoração marca a regulamentação da profissão no país, que ocorreu em 1962 com a promulgação da Lei nº 4.119. Desde então, os psicólogos têm desempenhado um papel fundamental na promoção da saúde mental, no apoio ao desenvolvimento pessoal e na melhoria da qualidade de vida de indivíduos e comunidades.

A psicologia é uma ciência vasta com diversas áreas de atuação, sendo a psicologia clínica a mais comum e amplamente reconhecida. Os profissionais dessa área trabalham diretamente com indivíduos para tratar uma variedade de questões emocionais e comportamentais. Existem também diversas outras áreas de atuação menos conhecidas, mas igualmente importantes. Por exemplo, a psicologia organizacional e do trabalho foca na aplicação de princípios psicológicos para melhorar o ambiente de trabalho, aumentar a produtividade e promover o bem-estar dos funcionários.

A psicologia educacional concentra-se em entender e melhorar o processo de aprendizagem e as dinâmicas escolares. Outras áreas menos visíveis incluem a psicologia do esporte, que aplica técnicas psicológicas para otimizar o desempenho de atletas, e a psicologia ambiental, que estuda como o ambiente influencia o comportamento humano e busca promover práticas sustentáveis.

Os psicólogos também têm um papel importante na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, pois atuam na promoção de políticas públicas de saúde mental e em programas sociais voltados para o acolhimento e tratamento de populações vulneráveis. A atuação desses profissionais é cada vez mais necessária em tempos de crise, como durante a pandemia de COVID-19, que trouxe à tona a importância do suporte psicológico no enfrentamento do isolamento, do luto e das incertezas.

Neste dia, também é importante refletir sobre a importância da saúde mental e a necessidade de quebrar o estigma associado aos problemas psicológicos. Reconhecer o trabalho é também valorizar a busca pelo autoconhecimento, pelo bem-estar emocional e pela construção de uma sociedade mais saudável e equilibrada.

A data é uma oportunidade para agradecer a esses profissionais por sua dedicação, empatia e compromisso com o cuidado e o desenvolvimento humano. É um momento para celebrar as conquistas da psicologia e reafirmar a importância de continuar investindo na formação e valorização desses profissionais que tanto contribuem para o bem-estar coletivo.

(*) Docente do Curso de Psicologia da Estácio.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/08/2024. Opinião. p.26.


sábado, 31 de agosto de 2024

MARIO RIGATTO – vida e legado de um professor de medicina

 

Por Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg, médica e historiadora

Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de várias histórias.

Clarice Lispector - Os Desastres de Sofia (conto).

É missão das mais honrosas apresentar o livro “MARIO RIGATTO – VIDA E LEGADO DE UM PROFESSOR DE MEDICINA” de autoria da Profa. Dra. Helena Pitombeira, aqui no HEMOCE - Templo Sagrado da Medicina Cearense.

É, também, motivo de alegria e prazer tecer considerações sobre essa vultosa e relevante obra que, além de resgatar a vida e o legado de Mario Rigatto, para familiares e amigos, enriquecerá os anais da História da Medicina.

Por outro lado, é grande a responsabilidade de expor um livro de conteúdo raro, pois trata-se do memorial de um dos maiores luminares da medicina brasileira do século XX.

Rompendo o abismo e a pátina do tempo, Helena evoca o passado e nos brinda, depois de 24 anos da partida de seu amado, com uma obra primorosa revestida de uma aura que exala amor, carinho e reconhecimento do legado de Mario Rigatto.

A frase que abre livro “SAUDADE É UM ELOGIO AO PASSADO” e o texto que antecede o sumário foram retirados da “Aula da Saudade”, proferida por Rigatto no término do curso médico, da turma de 1974, da UFC, e que ensejou o espraiamento dessas aulas por todo o Brasil.

O elogio ao passado levou a autora, em parceria com sua amiga e cunhada, Helena Rigatto Kauer, a gestar esse livro, uma grande colcha de retalhos afetivos, como ressaltou sua filha Maria Helena.

Helena cerziu a colcha com textos seus e de Mario, além de tocantes depoimentos de familiares e amigos.  Depois, embelezou-a com fotos históricas de documentos e momentos mágicos da vida de Rigatto e de seus ancestrais.

O livro, impresso nas oficinas da gráfica Expressão Gráfica e Editora, com a Coordenação Editorial de Ítalo Gurgel, Projeto Gráfico/Capa de Geraldo Jesuíno e fotografias do acervo da família, é carinhosa e generosamente dedicado aos sete filhos de Mario Rigatto: Virginia, Paulo, Beatriz, Luiz, Marília, Maria Helena e Roberto.

Os Agradecimentos são dirigidos à Helena Rigatto Kauer, com quem a autora divide os méritos do livro, ao dr. Carlos Antônio Mascia Gottschall, ao jornalista Ítalo Gurgel, ao professor Geraldo Jesuíno, à Tereza Gurgel e a todos que dedicaram a Rigatto textos de profundo sentimento, no dizer de Helena.

O Prefácio de Carlos Gottschall, discípulo, amigo e companheiro de trabalho de Mario Rigatto por quatro décadas, além de amoroso, enaltece ao virtudes e as belas facetas da personalidade do amigo e engrandece suas atividades profissionais.

é um resumo da vida de Rigatto, com foco em suas atividades profissionais.

A Apresentação de Maria Helena, filha de Rigatto e Helena, fala do pai encantando plateias, lembra um pai carinhoso e atencioso com os filhos, mostra o esforço de sua mãe em selecionar fotos e organizar o livro com ajuda de sua tia Leninha e ressalta que a obra é uma visita intimista aos amigos e espaços percorridos por Rigatto.

Os Capítulos são teias que se interligam em uma dança mágica para contar a história de Rigatto, enveredando-se por outras histórias.

Como nos ensina o provérbio chinês, atribuído a Confúcio, “Uma imagem vale mais que mil palavras”, Helena recheou oito, dos dez capítulos, com imagens.

O Capítulo I, OS RIGATTOS E OS PILLMANNS DO RIO GRANDE DO SUL, evoca as raízes italianas e alemãs de Mario, reverenciando os antepassados.

O Capítulo II, INFÂNCIA FELIZ, JUVENTUDE IRREQUIETA, nos apresenta um Rigatto que, apesar de ter perdido o pai com apenas 12 anos, não perdeu a alegria de viver.

O Capítulo III, SERVIÇO MILITAR E O AMOR PELO ESPORTE, ressalta o orgulho de Rigatto em servir à pátria e a paixão pelo remo, esporte que cultuou durante toda a vida.

O Capítulo IV, IMENSA DEDICAÇÃO À FAMILIA, nos brinda com a transcrição da homenagem que Rigatto fez à sua mãe, Anna Luiza, em sua posse na Academia Nacional de Medicina, no dia 12.08.1991, e, também nos fala de sua dedicação sem limites à ampla família.

Os Capítulos V, VI, VII, VIII e IX são consagrados à vida profissional de Rigatto, como médico, professor e pesquisador. É dado um estaque especial às campanhas antifumo, que Rigatto abraçou com pioneirismo, lançando, em 1975, no Rio Grande do Sul, a primeira campanha formal de luta antitabágica no Brasil; enaltece o pesquisador que mostrou a existência de seis corações do homem e o conferencista sedutor, mestre da palavra que encantava e deleitava qualquer auditório e que proferiu 1035 conferências.

Como cientista, a produção de Rigatto foi abrangente:  430 publicações nacionais e internacionais, 82 artigos, 147 resumos, seis livros publicados, 57 capítulos de livros, 18 teses orientadas, 110 ensaios, 239 temas livres, 195 participações em congressos.

O Capítulo X, MARIO RIGATTO NÃO MORREU – DEPOIMENTOS, é composto por 33 comoventes relatos de filhos, irmãos, familiares e amigos.

Dois textos fecham o livro com “Chave de Ouro”. A homenagem que Helena presta a sua cunhada, “ODE A UMA GRANDE AMIGA, HELENA RIGATTO KAUER e a notável biografia de Rigatto, destacando a homenagem póstuma do Conselho Federal de Medicina – Comenda Mario Rigatto – Medicina e Humanidades Médicas.

O estilo da escrita de Helena remete a “teoria do iceberg” elaborada pelo afamado escritor estadunidense Ernest Hemingway (1899-1961), ganhador do Nobel da Literatura, em 1954, com seu magnífico livro “O Velho e o Mar”.

Podando seus textos, Hemingway dizia que o significado mais intenso de suas histórias está imerso, está nas entrelinhas.

Em seu livro de memórias, “Paris é uma festa”, ele explica que a parte omitida fortalece a história, comparando-a a um iceberg.

Como frisou Maria Helena na apresentação do livro “Com certeza nem tudo foi dito aqui. Esta obra não tem a pretensão de ser completa, mas sim de ser sincera, traduzindo através de seus textos e imagens o amor que Mario Rigatto espalhou.”

O livro de Helena, de uma elegância ímpar, ostenta em sua capa azul marinho uma foto icônica de Mario Rigatto, com sua emblemática gravata borboleta, adornada com sua artística assinatura.

Na quarta capa, o romântico texto de Rigatto:

“De acordo com o poeta, a sede do amor é o coração. Alguns anos depois de eu me haver dedicado ao estudo do pulmão, partindo de uma formação de cardiologista, comecei a ter serias dúvidas sobre a legitimidade dessa localização do amor. Afinal de contas, o que pode o amor fazer ao coração? Acelerar-lhe um pouco a frequência? Por outro lado, o pulmão tem muito a ver com a nossa vida afetiva. Pois não é com o pulmão que nós rimos? Não é com o pulmão que choramos? Não é o pulmão que soluça? Não é do pulmão que partem todas as interjeições afetivas, de onde nascem todos os ais de amor? E aos meus relutantes companheiros cardiologistas, tenho ponderado: o que pode uma discreta taquicardia sinusal comparada à respiração arfante de uma mulher apaixonada?”

Obrigada pela atenção!

(*) Discurso de apresentação do livro “Mario Rigatto – vida e legado de um professor de medicina”, de autoria da Profa. Dra. Helena Pitombeira, pronunciado por Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg no Auditório do Hemoce, em Fortaleza, em 30 de agosto de 2024.


LANÇAMENTO DO LIVRO MARIO RIGATTO DE HELENA PITOMBEIRA

 


Componentes da mesa diretora (da esquerda para a direita): Geraldo Jesuíno, Plínio Câmara, Luciana Barros, Ana Margarida Rosemberg, Maria Helena Pitombeira e Ítalo Gurgel. No canto, à direita, o cerimonialista Marcelo Gurgel.

Uma seleta audiência, composta por aproximadamente oitenta pessoas, participou na manhã de ontem (30/08/24)2, no Auditório do HEMOCE, no antigo Campus do Porangabuçu, atualmente denominado Campus Rodolfo Teófilo da Universidade Federal do Ceará (UFC), do lançamento do livro MARIO RIGATTO: vida e legado de um professor de medicina”, de autoria Maria Helena Pitombeira.

Atuei, como mestre de cerimônia, iniciando pela formação da mesa diretora, com a seguinte composição: Drs. Luciana Barros, diretora geral do HEMOCE; Maria Helena Pitombeira, a autora; Ítalo Gurgel, assessor de redação; Geraldo Jesuíno, responsável pelo projeto gráfico, Ana Margarida Rosemberg, apresentadora e Plínio Câmara, representado a Academia Cearense de Medicina (ACM), cabendo a presidência dos trabalhos à Dra. Luciana Barros.

A ACM se fez bem representar pela presença de muitos dos seus Membros Tilares, comportando mencionar as confreiras Ana Margarida Rosemberg, Elizabeth Daher, Lúcia Alcântara, Márcia Alcântara, Maria Helena Pitombeira e Maria dos Prazeres Rabelo, e os confrades Carlile Lavor, Fernando Barroso, João Martins, Marcelo Gurgel, Milton Lima, Ormando Campos, Paulo Reis, Plínio Câmara e Sebastião Diógenes. Também a realçar a boa participação de docentes e funcionários da UFC, entre ativos e aposentados.

A primeira parte do evento foi o lançamento do livro, sob os cuidados da Acad. Ana Margarida Rosemberg, que, em um bem elaborado elóquio, esmiuçou detidamente o conteúdo da obra, devendo esse discurso ser postado, em sua integralidade, em postagem seguinte deste Blog.

A segunda parte consistiu da exibição de um audiovisual, montado por Thayson Pinheiro, um interno do Curso de Medicina da Uece e expert em Inteligência Artificial, a partir das imagens dispostas no livro em comento, tendo a canção francesa Sous le ciel de Paris, de Edith Piaf, como fundo musical. O audiovisual, concluso com dois slides expondo uma síntese da biografia de Mario Rigatto em construção na Wikipédia, feita por Thayson Pinheiro, despertou viva atenção dos presentes, culminando em aplausos, com todos postados de pé.

A terceira parte foi reservada à fala de agradecimentos da autora que, após 24 anos da perda terrena do seu amado Mario Rigatto, publicava um memorial eivado de imorredouras lembranças, em homenagem ao seu consorte. Ela registrou a estreita colaboração do jornalista Ítalo Gurgel e do professor Geraldo Jesuíno, e assinalou os seus laços de amizade com os demais membros gaúchos da família Rigatto, e prestou o seu reconhecimento público à dileta amiga Ana Margarida, pelo incentivo à feitura do livro e pela generosa apreciação que fizera do mesmo. Ela encerrou a sua peroração convidando o confrade João Martins a se pronunciar, naquela ocasião, o que ele fez, com a habilidade da sua conhecida verve de bom orador, apontando fatos preciosos relacionados à vida do biografado.

Ao término da sessão, enquanto se projetava um audiovisual histórico do cantor franco-italiano Ives Montand interpretando Sous le ciel de Paris, a autora recebeu os calorosos cumprimentos de seus convidados, que foram brindados com um belo e magnífico exemplar da obra recém-lançada, e, em seguida, agraciados por um bem-servido coquetel.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Crônica: “Jamais diga uma mentira que não possa provar” ... e outro causo

Jamais diga uma mentira que não possa provar

Valho-me de pensamento do genial Millôr Fernandes para dar título a estas mal traças, e contar duas potocas. Uma de papai e outra minha. Começo por seu Zé Duarte. Papai contava 85 anos quando passou a exercitar mui fertilmente a imaginação, registrando - bem sério - histórias que mais se assemelhavam a cabeludas estórias.

- Como é que é, colega?!? Tu foste volante do Ferrim? - mamãe assustada com a boa novíssima do marido.

- Servi muita bola, dona menina, pra Fernando e Zé de Melo em goleadas homéricas do meu glorioso Tubarão da Barra!

- E porque diabo tu nunca me falaste isso? - tornava a cismar dona Terezinha, conhecedora de cada detalhe de vida do marido, com quem estava unida em matrimônio há 60 anos à época.

Sem a menor cerimônia, ele emendava uma pabulagem na outra, em meio a familiares e amigos descrentes. Jurou de pé junto, naquele domingo, que fora delegado de polícia, prendera muito meliante no Alagadiço e no Coqueirinho, deu carreira em ladrão de bode, foi responsável pela captura de conhecido puxador de carros. Mamãe, encabulada total...

- Zé, pelo amor de Deus! Tu me matas de vergonha!

Agora é a minha vez!

Bem, fui inventar de contar episódio de minha infância, que somente eu sabia, e acabei tomando tonitruante vaia da assistência - o povo da família. Passei por "muito mentiroso". Como provar que, no início de 1969, aos 12 anos, ainda as pernas ligeiras, treinei no Fortaleza Esporte Clube, levado ao Parque dos Campeonatos por um olheiro de meninos bons de bola do São Gerardo? "Cadê fotos? Matéria de jornal? Testemunhas?" Jurandir Branco é como se chamava o olheiro, conhecido no bairro por "Ratinho". Fomos a pé ao Pici, cortando caminho por dentro. Ingênuo, eu expunha:

- Jurandir me deu uma camisa e me empurrou pra dentro do gramado, na ponta-direita, no meio duma ruma de meninos. 10 minutos em campo e não vi a cor da bola. Fui sacado do time. Voltei pra casa sem mostrar potencial, triste...

A plateia atenta à aventura de 55 anos atrás, entre admirada e incrédula, disparou comentários mordazes, levando-me a recordar as arrumações ditas por papai. Vê só!

- Conversa é essa, vô! Num tá vendo que o senhor nunca jogou no Fortaleza! - disparou um neto. - Conta outra, vai!

- Aí mente, Garricha depois da gripe! - disparou um vizinho despeitado.

- Tarcisim, meu fí! Esse você nunca me confidenciou! - despachou elegante a mulher.

- Com que pernas tu jogava bola, Tatá? - indagou a filha desconfiada.

- Por Deus como eu joguei bola no Fortaleza, meu povo! Quero é cegar na hora da morte! Tudo bem que eu não tenha tocado na pelota, mas... - tentei justificar-me, em vão.

- Faz o seguinte, conta agora aquela em que tu morre no final!

Aí foi a gota d'água. Parei imediatamente o converseiro. E o pensamento em papai, quando o bichim falava aquelas (im)prováveis lorotas. Pensei: e se seu Zé Duarte jogou mesmo no Ferrim? E se for verdade que ele se formou em Administração, na turma de Donald Birungueta? Sim, é possível que ele tivesse o domínio de 11 idiomas. Sabe lá ele não deu plantão no 7º DP nas férias do delegado Pantico! Acho até que ele chegou a comentar futebol ao lado de Paulino Rocha, na Assunção? E se papai estivesse falando a verdade?

Comecei a desconfiar de mim, acreditando que, em verdade, eu treinei foi no Ceará Sporting, nos tempos de Gildo, Gojoba, Magela, Edmar. Acho que foi. Arturzão chegou a dizer que eu tinha futuro como meia esquerda no time juvenil, dando assistência a Ivanildo...

Fonte: O POVO, de 12/07/2024. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

 

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