segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Cid Saboia de Carvalho, doa a quem doer!

Por José Luís Lira (*)

Cid Carvalho, símbolo de honradez e dignidade, criou o bordão “doa a quem doer”, expressão que traduz sua independência e personalidade. Advogado (OAB/CE 1.516), professor, jornalista, radialista e político, foi um dos mais ilustres representantes do Ceará no Senado Federal, entre 1986 e 1994; senador constituinte e relator do projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Intelectual de destaque, possui vasta cultura nas mais variadas áreas do saber.

No dia 25 de agosto, há 90 anos, nasceu Cid, filho de dona Margarida Saboia e do Dr. Jáder de Carvalho, nesta capital cearense.

Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, em 1967, exerceu o magistério com brilhantismo não apenas na Faculdade de Direito, mas também nas Faculdades de Ciências Sociais, Economia e Jornalismo. O jornalismo fazia parte de sua vida desde a infância, inspirado pelo exemplo do pai, também advogado e jornalista. Aos 12 anos, iniciou-se no rádio como comentarista político e esportivo, atuando nas rádios Uirapuru e Assunção.

Casado com dona Luce Fontenele de Carvalho, é pai de três filhos: Cid Saboia de Carvalho Filho, Robério Fontenele de Carvalho e Antonino Fontenele de Carvalho, todos advogados. Antonino, além da advocacia, seguiu os passos do avô e do pai no radialismo, auxiliando-o e, por vezes, conduzindo seu programa de rádio. Um democrata na acepção plena da palavra e na prática da vida. Sua atuação no Senado Federal confirma esse legado: sempre em defesa dos interesses da sociedade, teve papel decisivo na redação do artigo 5º da Constituição de 1988, um dos trechos mais significativos da Carta Magna.

Escritor desde a década de 1950, era natural que compusesse a Academia Cearense de Letras, a Academia Cearense de Retórica, a Academia Cearense da Língua Portuguesa, a Associação Brasileira de Bibliófilos e o Instituto do Ceará. Quando Matusahila Santiago e eu fundamos a Academia Fortalezense de Letras, em 2002, não houve dúvida, o indicamos e Cid Carvalho foi aclamado o primeiro presidente da primeira academia de letras do milênio no Ceará.

Para defini-lo, tomo emprestadas palavras de seu pai, Jáder de Carvalho: “eu sou o índice do meu povo:/ se o homem é bom — eu o respeito./ Se gosta de mim — morro por ele./ Se, porque é forte, entender de humilhar-me,/ — ai, sertão!/ Eu viveria o teu drama selvagem,/ eu te acordaria ao tropel do meu cavalo errante,/ como antes te acordava ao choro da viola...”

Concluo, emocionado, lembrando de homenagem a Clóvis Beviláqua, quando Dr. Cid disse que pronunciava o nome de Clóvis como quem rezava. Hoje, repito com devoção – Cid Saboia de Carvalho – como quem eleva uma oração de louvor e gratidão por sua existência!

(*) Advogado e professor universitário.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/08/25. Opinião, p.19.

MEC acerta com ações sobre cursos de Medicina

O Povo, Editorial

O Ministério da Educação precisa levar à frente as iniciativas anunciadas, aplicando-as com rigor, de modo a corrigir os erros que hoje se apresentam, deixando funcionar somente os cursos em condições de oferecer formação de qualidade

O ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), anunciou, nesta quarta-feira, que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (EnaMed) será aplicado pela primeira vez em outubro deste ano. Lançado em abril, a prova tem o propósito de avaliar a qualidade dos cursos de Medicina no País.

A partir de agora, o EnaMed será obrigatório para o estudante que quiser participar do Exame Nacional de Residências (Enare). Portanto, será um incentivo para comparecerem ao EnaMed. E a decisão do MEC já fez efeito. Durante todo o ano de 2024, houve 32 mil inscrições no EnaMed, número que subiu para 96 mil nos sete primeiros meses de 2025.

Segundo Camilo Santana, "o grande objetivo" do EnaMed é melhorar a formação médica, a par de outras medidas que serão aplicadas. Entre elas, mais rigor no monitoramento e visitas presenciais de fiscais do MEC nos cursos, a partir de 2026.

O resultado da avaliação é que vai determinar as providências que terão de ser tomadas pelos cursos mal avaliados, em uma escala que vai de 1 (nota mínima) até 5 (máxima).

As punições que serão tomadas em relação aos cursos mal avaliados variam conforme o índice obtido pelo curso. As sanções podem incluir redução de vagas de ingresso (nota 2), chegando à suspensão do curso (nota 1). Os conceitos 1 e 2 ainda terão suspensos os contratos de financiamento estudantil (Fies) e o de bolsas (Prouni). Caso não haja melhora ou as medidas exigidas pelo MEC não forem cumpridas, os cursos poderão ser extintos.

Segundo a Radiografia das Escolas Médicas no Brasil, publicada pelo portal do Conselho Federal de Medicina, além da falta de estrutura adequada para o funcionamento de muitos cursos, existe um "aumento desenfreado no número de faculdades e de vagas nos últimos anos". A partir de 2010, foram criadas 210 novas escolas médicas em todo o território nacional, sendo 150 particulares e 60 públicas.

Age corretamente o MEC ao apertar a fiscalização sobre as faculdades de Medicina que proliferam pelo Brasil, boa parte delas funcionando precariamente. Um controle rigoroso da qualidade dos cursos reduzirá o risco de médicos receberem o diploma sem a formação adequada para atender à população.

Mesmo com altas mensalidades, há uma grande demanda pelos cursos de Medicina. Devido a isso, constituem-se um mercado de alta rentabilidade, atraindo a iniciativa privada. Por óbvio, não se pede ao mercado que faça benemerência, mas quando se trata da vida humana, o lucro não pode ser o único objetivo.

Portanto, o MEC precisa levar à frente as iniciativas anunciadas, aplicando-as com rigor, de modo a corrigir os erros que hoje se apresentam, deixando a funcionar somente os cursos em condições de oferecer formação de qualidade.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/08/2025. Editorial. p.18.


domingo, 24 de agosto de 2025

Medo, medo, medo... ah, essa velhice

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Foi visitando a exposição Subsequência, em exibição na Estação das Artes de Fortaleza, que encontrei o medo da velhice dos anos setenta. Trata-se de uma das obras do premiado artista cearense Marcus Francisco MF (1950-1980), que mostra duas mulheres posando após dezenas de cirurgias plásticas. Seus rostos, repuxados, perderam as marcas do tempo — e talvez a identidade. O medo do envelhecimento as levou a transfigurarem-se em busca da juventude.

O mesmo medo reaparece no filme A Substância (2024), em que a personagem de Demi Moore, Elisabeth Sparkle, entra em colapso emocional ao ser advertida por seu empresário sobre a perda de sua "higidez" corporal. A partir daí, ela inicia um processo existencial danoso e irreversível, tentando rejuvenescer a qualquer custo — transfigurando-se e perdendo, de vez, também a identidade.

Na série de TV Ginny e Georgia (2024), que trata da relação turbulenta entre uma mãe de 30 anos, com medo extremo do envelhecimento, e sua filha adolescente de 16, há uma cena emblemática: em plena madrugada, a mãe descobre um fio de cabelo branco no queixo e, aos gritos, acorda a filha para confirmar a existência daquela marca da velhice. A confirmação desencadeia um medo extremo. Quando a filha diz para ela não se afligir, a mãe responde: "Envelhecer é uma sentença de morte horrível, inevitável."

Provocações como essas nos fazem olhar para a nossa relação cultural com a idade de forma mais crítica, mostrando como somos orientados a perseguir uma juventude infinda. Esse modo é nosso — e foi na década de setenta que se consolidou, com a onda de cirurgias plásticas, como Marcus apresenta em seu quadro.

Simone de Beauvoir, em A Velhice (1970), afirma que "é o corpo que desvela a velhice." O corpo denuncia o tempo — e, com ele, vêm as limitações da senescência. Em paralelo, a sociedade responde com apagamento e escanteio aos velhos. O etarismo, como alerta a OMS, atinge um em cada dois idosos no mundo.

MF, Beauvoir, o cinema e as séries contemporâneas revelam, por diferentes linguagens, o medo de ser velho — medo que paralisa e impede a reinvenção das identidades.

Mas há luz. O tabu da velhice começa a se abrir. Artistas, pensadores e profissionais vêm criando caminhos mais lúcidos e libertários para enfrentá-lo. A antropóloga Mirian Goldenberg, por exemplo, propõe uma velhice sem vergonha — no corpo, na alma e nas escolhas. "Sou uma velha sem vergonha", diz ela. E conclama: sejamos todos velhas e velhos sem vergonha — o que significa: sejamos livres.

Só a liberdade do velho talvez seja o melhor antídoto contra o medo de envelhecer. A liberdade de sermos como quisermos: naturais ou retocados com cuidados, produtos e procedimentos condizentes com o estado de espírito de cada um; recolhidos ou expostos; lentos ou vibrantes. Que cada um faça de seu corpo uma morada possível e digna.

Ah... essa velhice bem que pode ser olhada de frente, debatida e vencida — com arte, filosofia, coragem e o prazer de se ver velho no espelho.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/07/2025. Ciência & Saúde. p.16.


MEDICINA DE PAI PARA FILHO: Dr. Djacir Figueirêdo e seu legado familiar

Djacir Gurgel de Figueirêdo nasceu em Limoeiro do Norte-CE em 5/04/1931.

Ingressou na terceira turma da Faculdade de Medicina do Ceará em 1950, formando-se pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1955.

Djacir Figueirêdo (CRM/CE 28) fez especialização em Neurocirurgia no Instituto de Neurocirurgia de Porto Alegre em 1957. Foi Visiting Fellow no Department of Neurological Surgery, College of Physicians and Surgeons, da Columbia University, em New York, em 1964-65.

Criou o Serviço de Neurocirurgia na FAMED UFC em 1958, na qual ingressou como professor assistente, e foi o fundador da disciplina de Neurocirurgia em 1960, da qual aposentou-se, como professor adjunto, após mais de 30 anos de docência.

No Hospital Geral de Fortaleza, foi o introdutor da Neurocirurgia, chefe do Serviço de Clínicas Cirúrgicas (1970-98), e diretor fundador do Corpo Clínico (1967-71).

Como pioneiro da Neurocirurgia cearense, ele foi introdutor no Ceará e um dos primeiros no Brasil a realizar diversas técnicas neurocirúrgicas.

Em quase 70 anos de exercício da medicina, realizou mais de 7.000 intervenções neurocirúrgicas no cérebro e na medula espinhal e segue atuando junto com seu filho, o Acad. Daniel Figueiredo, sendo o médico de menor número do CRM/CE em atividade, inscrito em 18/01/1960, sob o nº 28.

Organizou dezenas de eventos científicos e participou de cerca de três centenas de congressos médicos nacionais e internacionais, com apresentação de trabalhos em quase cem deles. Foi ainda presidente de honra de diversos congressos da sua especialidade.

Recebeu muitas homenagens das entidades médicas e da sociedade civil, cabendo citar a Medalha da Abolição, a mais importante honraria do Estado do Ceará.

Em 10/11/1989 foi empossado na Academia Cearense de Medicina (ACM). Exerceu a vice-presidência da ACM no biênio 2016-18 e a presidência no biênio 2018-20.

Casado desde 1957 com a farmacêutica Maria Lindalva Freire Figueiredo, viu a medicina florescer na família com os filhos Djacir Filho (cirurgião plástico CRM/CE 4251 RQE 1235) e Daniel (neurocirurgião CRM/CE 4250 RQE 1236), enquanto Daniela (advogada e psicóloga) seguiu caminhos igualmente dedicados ao cuidado humano.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cad. 18

* Publicado In: Jornal do médico, 21(194): 9-9, agosto de 2025. (Revista Médica Independente do Ceará).


sábado, 23 de agosto de 2025

Gaiatice do Paulo Ferreira: "Orelhudo ou Pregueado"? Oh! dúvida cruel

Gaiatice do Paulo Ferreira: "Orelhudo ou Pregueado"? Oh! dúvida cruel

Há muitos anos, ocorreu algo muito cômico em um plantão do IJF - Centro que passou para a história.

Vejamos o episódio. Uma criança de meses de idade do sexo feminino deu entrada naquele hospital de urgência com uma febre altíssima. A pediatra, depois de examiná-la, chamou apressadamente a auxiliar de enfermagem e ordenou a aplicação de um supositório de um medicamento para diminuir esta alta temperatura corporal.

A auxiliar de enfermagem colocou a criança em decúbito dorsal ("DE PAPO PRO AR"), puxou os membros inferiores da paciente no sentido da sua cabeça (como é protocolar nesses casos) e, assim, colocou em exposição o órgão genital e o ânus da criança.

Neste momento, a funcionária, vendo esse "panorama", indagou em alto e bom som à pediatra:

- "Doutora, eu boto o supositório no orelhudo ou no pregueado".

Gargalhada geral.

Nota: o médico e contador de causos Paulo Ferreira pertence à Sobrames/CE e à Acemes.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).


MÃE É MÃE... SOGRA É SOGRA!

O rapaz chega em casa muito animado e diz para sua mãe que se apaixonou e quer se casar. A mãe inicia uma série de perguntas e ele faz a seguinte proposição:

- Mãe, por brincadeira, vou trazer aqui amanhã três mulheres e você irá tentar adivinhar com qual delas eu irei me casar.

A mãe acaba por concordar com o teste. No dia seguinte, ele traz a sua casa três mulheres lindíssimas.

Elas sentam-se no sofá e ficam conversando com a mãe do rapaz durante um bom tempo. Depois de horas de conversa entre elas o rapaz chega e pergunta:

- Então mãe, você é capaz de adivinhar com qual eu vou me casar? A mãe responde imediatamente:

- Com a do meio.

O rapaz fica surpreso e pergunta:

- É incrível mãe. Você acertou! Mas como é que adivinhou?

A mãe responde:

- Não gostei dela...

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). (Autor desconhecido).

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Agosto/2025

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de agosto/2025, que será realizada HOJE (23/08/2025), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


 

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