Por Penélope
Menezes (*)
A taxa de mortalidade infantil (TMI) em
território cearense registrou um declínio de 17,6% entre 2011 — quando 13,6
óbitos de crianças menores de um ano por mil nascidos vivos foram apontados — e
2024 (11,2 óbitos). A informação é do boletim epidemiológico de dezembro/2025
da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa).
De 2011 a 2024, o levantamento notifica que
21.221 mortes de crianças menores de um ano foram registradas no Estado. O
número total corresponde a uma média de 1.542 óbitos/ano.
Já a proporção de óbitos infantis evitáveis
variou de 71,2% em 2011 para 62,5% no ano de 2024. A porcentagem representa uma
redução de 12,2%, com discretas flutuações no período.
"Mortes infantis evitáveis" são "aquelas consideradas
preveníveis por ações efetivas dos serviços de saúde". Incluem
"adequada e oportuna atenção à mulher na gestação e no parto; atenção ao
recém-nascido; ações de imunoprevenção; ações adequadas de diagnóstico e
tratamento e ações de promoção".
"A primeira questão é entender o que é morte evitável e morte
inevitável", diz a ginecologista e obstetra Liduína Rocha." A morte
inevitável é a que, mesmo que se faça diagnóstico, não existe tratamento.
Principais causas: malformações fetais e as doenças genéticas".
Já uma parte significativa das mortes
infantis evitáveis acontece durante o período do perinatal, ou seja, a
partir da 28ª semana até o final do primeiro mês e, especialmente, nos
primeiros dias após o nascimento.
Entre as causas, predominaram no ano de
2024 as reduzíveis por ações de atenção à mulher na gestação e por adequada
atenção ao recém-nascido. Ambas alcançaram 44%.
A terceira posição foi ocupada pelas
evitáveis por adequada atenção à mulher no parto, com variação entre 11,4%
(2011) e 8,3% (2024), registrando redução de 26,9%.
"Essas mortes neonatais precoces, que acontecem no momento do
nascimento até o sétimo dia, uma parte significativa delas acontece na
maternidade, mas por condições que poderiam ter sido prevenidas ou tratadas
adequadamente no pré-natal. Um dos exemplos significativos é a prematuridade,
que se associa muito à infecção", explica a profissional.
Para Liduína Rocha, durante o pré-natal,
fazer cultura de urina de maneira sistematizada é uma prevenção efetiva.
"Outras condições maternas são responsáveis por prematuridade,
causada por uma necessidade de intervir ou por descompensações que podem levar
à morte ainda na gravidez ou logo após o nascimento. Duas condições são
diabetes gestacional e uma condição da pressão alta induzida pela gravidez, que
a gente chama pré-eclampsia", completa.
A ginecologista e chefe da Divisão Médica
da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Zenilda Vieira Bruno, aponta que,
diante do cenário, a qualidade do pré-natal deve melhorar. As mudanças devem
incindir na realização de exames laboratoriais e nas medicações.
"No momento do parto, é importante maior disponibilidade de leitos,
para não ter atraso na resolução do parto, com maior disponibilidade de leitos
de UTI neonatal para os bebês prematuros", relata Zenilda.
(*) Jornalista
de O Povo.
Fonte:
Publicado In: O Povo, de 5/01/2026. Cidades.
p.17.

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