quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MÉDICOS ESPECIALISTAS, EM TERMOS

Por Jocélio Leal (*)

Não é raro um paciente ser atendido por um médico portador de RQE - o Registro de Qualificação de Especialista - mesmo que este nem tenha feito uma residência. Em suma, um programa de pós-graduação lato sensu para médicos formados. Nesta formação, o foco é a especialização prática e teórica em uma área específica. Pode ser cardiologia ou nefrologia, por exemplo. É um período de treinamento intensivo em hospitais sob supervisão, visando obter o título.

Médicos com RQE, mas sem residência são uma temeridade. Mas é tudo legalizado. Pode ter sido aprovado em prova de título de especialista organizada por uma sociedade de especialidade reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB). Só precisa da comprovação do dobro do tempo da residência no exercício da especialidade. Uma declaração de um município onde atuou como generalista sustentando que sim, atuava em área específica, resolve.

Com o número emitido pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), fica oficializado. E como o paciente checa o RQE? Procura no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou no Conselho Regional (CRM) - no Ceará o Cremec. Encontra o Registro, mas não sabe se foi obtido do modo mais consistente.

Aliás, há situações em que, por exemplo, hospital de oftalmologia emprega ainda residentes no serviço de urgência, mas esta já é outra história. Não é ilegal, porque enquanto médico ele pode abrir um peito ou uma cabeça. Não o faz porque não tem formação, mas legalmente pode.

E por que aumentou a olhos vistos a quantidade de especialistas sem residência? Porque as vagas para residência estão muito aquém da demanda, oriunda da enxurrada de faculdades Brasil afora, daí o pessoal busca o caminho mais curto. O número de escolas chega perto de 500, com mais de 50 mil vagas anuais, conforme diferentes levantamentos.

Sabe como é, o garoto ou garota passa seis anos a estudar na graduação, pagando algo na casa dos dois dígitos, e tem pressa para rentabilizar o canudo.

Agora no Ceará um pequeno alento. Após aderir a dois editais do Governo Federal e conseguir a aprovação dos projetos submetidos, a Escola de Saúde Pública do Estado passa a contar com novas 174 bolsas: 92 para a Residência Médica e outras 82 voltadas à Residência em Área Profissional da Saúde (Uniprofissional e Multiprofissional.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/01/2025. Economia. p.13.

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