Por Raimundo Padilha (*)
Literalmente,
Maduro preso, está fora de ação. O ex-presidente e sua esposa estão pagando um
preço muito alto pelos crimes supostamente cometidos. Presidir um País é
bastante diferente de dirigir um ônibus.
Praticamente, os
veículos modernos têm duas marchas, uma para a frente e outra para trás.
Enquanto, dirigir um país exige uma infinidade de movimentos em todas as
direções, podendo, inclusive, promover retrocessos. Maduro não apodreceu
no poder, embora fosse o seu destino. Não tinha os pré-requisitos de um
presidente de um país tão rico em petróleo, contrapondo-se a uma população em
estado de miséria. A sua permanência no poder, foi pela compra de apoios das
autoridades por ele escolhidas.
Maduro foi o
sucessor de Hugo Chavez, que exercia a liderança do País com maior abrangência
popular.
Mas também usou
práticas ditatoriais.
Maduro, depois de
motorista de ônibus, foi deputado chegando a ser vice-presidente do Chavez.
Mas, Maduro,
diferentemente, do seu antecessor apresentava características de um oportunista
ou aventureiro.
Sendo a Venezuela
o país detentor da maior reserva de Petróleo do mundo, a fragilidade crescente
da sua economia é sinônimo de que ambos os Governos fracassaram totalmente. A
pobreza cresceu de forma assustadora e com ela se ampliaram as correntes
migratórias principalmente para os países vizinhos, com maior intensidade para
a Colômbia.
O abastecimento
das famílias, dos produtos básicos alimentícios e até papel higiênico eram
adquiridos nos países vizinhos. Se falta alimentação o que se imaginar dos
demais serviços como educação e saúde?
Outro elemento de
grande desgaste é a participação da Venezuela no narcotráfico. Sem entrar no
mérito de participação direta de Maduro e de sua esposa, a falta de um combate
intensivo comprometeu a sua gestão.
O narcotráfico é
um cancro das sociedades e a conivência com a sua prática é um dos maiores crimes
que se pode praticar contra a humanidade.
Já do lado do
Trump, invadir a Venezuela e prender o Maduro é uma atitude condenável pela
falta de respeito à soberania daquele país. O exercício da força para prender
um Presidente é um abuso de poder e uma atitude antidemocrática. Aliás, a sua
arrogância tem sido demonstrada em várias oportunidades, como se fosse o dono
do mundo. Trump é arrogante, prepotente e extremamente contraditório.
É de se admirar
como o povo americano o elegeu, depois dos atos por ele instigados na invasão
do Capitólio. Foi uma afronta à democracia e o povo americano se auto-proclama
seu maior defensor. O mundo está passando por um momento de guerras
injustificáveis e com fracas e falsas lideranças. O Presidente venezuelano caiu
de Maduro, mas outros Presidentes podem apodrecer no Poder.
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 17/01/26. Opinião. p.18.

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