Por José Nelson Bessa Maia (*)
Em meio a absurda
guerra em curso dos EUA e Israel contra o Irã e seus efeitos caóticos sobre a
economia global, o mundo assiste a uma reconfiguração da ordem internacional,
gerando uma verdadeira época dos monstros em que, segundo o falecido pensador
italiano Antonio Gramsci (1891-1937), "o velho mundo está morrendo e o
novo mundo luta para surgir." Diante disso duas abordagens civilizacionais
diametralmente opostas saltam aos nossos olhos.
De um lado, a
potência hegemônica por 80 anos luta belicosamente para manter sua
supremacia em um contexto crescentemente multipolar e de claro esgotamento do
financiamento de sua estrutura imperial pelo planeta afora. Por outro, a China,
em sua ascensão pacífica, avança com vigor em termos econômicos, tecnológicos e
de bem-estar rumo à posição de maior e mais desenvolvida economia do mundo.
Enquanto as
manchetes da mídia estavam centradas na guerra no Oriente Médico e suas
implicações sobre os mercados financeiros, o Parlamento da China aprovava no
início de março de 2026 o seu 15º plano quinquenal (2026-2030), que traça por
meio de planejamento de médio e longo prazo a direção das políticas, objetivos
de desenvolvimento e reformas a serem executadas nos próximos cinco anos,
revelando uma previsibilidade que contrasta com governos obcecados por ciclos
eleitorais curtos e/ou intervenções em assuntos de outros países.
O esboço do 15º
Plano Quinquenal estabelece uma série de metas, tendo o "desenvolvimento
de alta qualidade" no topo da agenda. Apesar dos desafios estruturais,
como o envelhecimento populacional, desequilíbrios setoriais e a transição
energética, a China propõe um modelo de desenvolvimento próprio que prioriza o
bem-estar social e a autonomia tecnológica, servindo como um farol alternativo
para o Sul Global.
Os principais
vetores do Plano são a inovação tecnológica, a expansão do mercado interno com
bem-estar social, a transição para a economia verde e o fortalecimento da
segurança nacional. A ênfase do 15º Plano Quinquenal no citado
"desenvolvimento de alta qualidade" oferece uma fonte de certeza em
meio a uma crescente incerteza global, e ajudará a escrever um novo capítulo na
trajetória chinesa de rápido crescimento e estabilidade social de longo prazo.
Em um momento em
que alguns países recorrem ao protecionismo, a China abre seu vasto mercado,
compartilhando sua prosperidade como fonte de oportunidade e cooperação
globais. O crescimento equilibrado de seu imenso comércio externo permitirá
mais estabilidade e dinamismo na economia global. Com determinação estratégica
o país avança para ocupar o lugar que lhe cabe, mas compartilhando com os seus
parceiros os frutos de seu desenvolvimento acelerado e de seus avanços
tecnológicos.
(*)
Ex-secretário de Assuntos Internacionais do
Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela
Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.
Fonte:
O Povo,
de 12/04/26. Opinião. p.20.

Nenhum comentário:
Postar um comentário