Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.
Conforme os registros do projeto da
Universidade de Guelph, em março de 1854, chegaram relatos sobre as condições
terríveis e a falta de suprimentos médicos sofridas pelos soldados feridos que
lutavam na Guerra da Crimeia. O Ministro da Guerra convidou Florence para
supervisionar a introdução de enfermeiras nos hospitais militares na Turquia.
Com um grupo de 38 enfermeiras, Florence
chegou a Scutari e começou a organizar os hospitais para melhorar o
fornecimento de alimentos, cobertores e camas, bem como as condições gerais e a
higiene.
O conflito registrou mortalidade alarmante,
mas a grande maioria ia a óbito por doenças evitáveis (como tifo e cólera) e
não por ferimentos de combate.
A metodologia que ela desenvolveu para
analisar o que deu errado fundamentaria suas campanhas por reformas sociais e
de saúde. Quando retornou a Londres, Nightingale contou com a colaboração de
William Farr, superintendente de Estatísticas do Registro Geral e o mais
renomado estatístico médico da época.
Com ele, ela analisou os dados oficiais e
publicou seus icônicos diagramas de área polar. Seus gráficos (como o famoso
Diagrama da Rosa) demonstraram que as mortes disparavam devido às péssimas
condições sanitárias.
Após uma força-tarefa higienizar os esgotos
e a ventilação, a mortalidade britânica despencou de 23% para apenas 2,5%. Em
contraste, a taxa francesa, que não adotou as reformas a tempo, subiu.
A teoria ambientalista de Florence
Nightingale é o que ela descreve como cuidado necessário a recuperação do
doente, destacando que o ambiente tem que ser favorável a esse processo,
focando em questões sanitárias como controle de excrementos, oferta de água
limpa, luz solar e ventilação, como detalha Maria Angélica de Almeida Peres,
professora da Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ).
Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26.
Caderno Ciência & Saúde. Etc. p. 19.

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