segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Como está a primeira rua compartilhada de Fortaleza quase 11 anos depois

Por Daniel Gifone, jornalista de O Povo

Projeto feito em colaboração entre a Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos foi pioneiro na Cidade, mas situação de abandono é destacada por frequentadores

No dia 19 de novembro de 2015, foi inaugurada, no bairro Dionísio Torres, a primeira rua compartilhada de Fortaleza, realizada a partir da Parceria Pública e Privada (PPP) entre a Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos.

O projeto tinha como objetivo, de acordo com a própria gestão municipal, possibilitar uma convivência harmoniosa entre pedestres e ciclistas, autorizando a apenas a passagem de ambulâncias em caso de emergências e inserindo o conceito de traffic calming nas extremidades das ruas, sem desníveis ou barreiras, facilitando o trânsito das pessoas.

A via contava, a princípio, com bancos, mobiliário urbano, paraciclo, piso drenante, painel de mosaico, jardim vertical, paisagismo, iluminação de LED e uma geladeira que servia como biblioteca pública, para quem quisesse ler no local.

Desde então, pouco se foi noticiado sobre a rua, apesar de a Prefeitura ter verbalizado, na época, sua intenção de continuar investindo em projetos voltados para a melhoria da mobilidade urbana.

A poucos meses do décimo primeiro aniversário de inauguração, o O POVO visitou a rua, a fim de observar o cenário atual e averiguar como tem sido a manutenção do equipamento.

O que foi encontrado foi uma rua em situação precária, com lixo espalhado pelo chão, vegetação crescendo desordenadamente nas beiradas dos muros que, por sua vez, estão com sua pintura desgastada, descascando e com manchas.

Outras características notáveis são um jardim vertical mal cuidado, bancos faltando, além de um poste com seu transformador exposto, com grande potencial de causar um acidente.

O comerciante Sebastião Gomes, que há dez anos possui um ponto de venda de lanches na rua, diz que chegou a notar serviços como retirada de algumas vegetações, porém, nenhuma reforma significativa.

De acordo com ele, a coleta de lixo no local teria sido interrompida, com lixeiros já não passando mais pela rua para coletar os dejetos, tornando a limpeza do local responsabilidade dele e da equipe do Hospital São Carlos.

Não tinha lixeiro recolhendo mais, porque antes eles faziam isso, né? Tinha um rapaz que tirava o lixo que tava aí dentro e levava pro caminhão recolher, aí depois desistiram do rapaz. Aí ficou por nossa conta, aí toda vez que a gente vinha aqui tinha muito lixo aí, mas sem proteção, aí eu mesmo decidi 'emborcar', aí fica como assento”, explica.

O eletricista Leandro Barros destacou que os postes e as árvores também apresentam insegurança para quem transita no local: "As árvores estão muito velhas. O perigo delas é de cair, é mais perigoso ficar embaixo da árvore do que esperar nelas para ter proteção do sol. É muito risco”.

Se é responsabilidade da Prefeitura, então é a responsabilidade dela de zelar, assim como é do hospital também. Mas que ela está maltratadinha ela está, de limpeza, acho que não teve a evolução dela. No começo ela parecia ser artística, mas não está mais atrativa”, avalia.

Em nota, a Coordenadoria Especial de Apoio à Governança das Regionais (Cegor) informou que tanto a rua Otoní Façanha de Sá quanto a Praça Rogério Froes, contam com projeto de manutenção elaborado pela gestão municipal.

A proposta para a rua, em particular, contempla a manutenção do piso drenante, com o objetivo de qualificar a infraestrutura local e proporcionar mais conforto e segurança aos usuários.

Quanto à previsão para a realização, a nota informa que as intervenções serão executadas de acordo com a disponibilidade orçamentária e o cronograma de investimentos da gestão municipal.

Já a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) comunicou que realiza a coleta domiciliar de resíduos na rua Otoní Façanha de Sá três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, no período da noite.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/07/26. Cidades. p.12.


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