Por Ana Rute Ramires, Ana Sá e Samuel Setúbal
As Novas Diretrizes da formação em
Enfermagem no Brasil
O Brasil possui uma tradição importante na
formação em Enfermagem, com forte conexão com as necessidades do Sistema Único
de Saúde (SUS). O relatório “Demografia e mercado
de trabalho em enfermagem no Brasil”, divulgado pelo Ministério da Saúde no fim de 2026, analisa dados
do setor entre 2017 e 2022.
Documento aponta o enorme crescimento dos
cursos de bacharelado na rede privada (impulsionados pelo EaD) e destaca que a
grande maioria dos profissionais busca especializações lato sensu
(pós-graduações e especializações tradicionais) para se diferenciar no mercado.
Os técnicos de enfermagem formam a maior
força de trabalho quantitativa da enfermagem no País e sua formação ocorre
massivamente em escolas técnicas e redes estaduais. No caso dos auxiliares, há
uma tendência de "extinção gradual" ou declínio da
categoria, já que o mercado exige cada vez mais o nível técnico, levando muitos
antigos auxiliares a fazerem a complementação para se tornarem técnicos.
Em maio, houve a homologação das novas
Diretrizes Curriculares Nacionais da Graduação em Enfermagem (DCNs/Enf).
Segundo Jacinta Fátima Sena da Silva, presidenta da Associação Brasileira de
Enfermagem (Aben), a homologação "representa uma
conquista histórica para a Enfermagem brasileira e para a sociedade".
Nas últimas décadas, segundo ela, "observou-se uma expansão acelerada e, muitas vezes,
desordenada da oferta de cursos, especialmente no setor privado, nem sempre
acompanhada das condições pedagógicas, estruturais e práticas necessárias para
garantir uma formação de qualidade".
A defesa do ensino presencial é o pilar
central das novas DCNs. Jacinta Sena destaca que "a formação em Enfermagem exige experiências presenciais,
supervisão qualificada, vivência nos serviços de saúde e desenvolvimento de
competências técnicas, científicas, éticas e relacionais complexas". O que seria
dificilmente suprido por modelos totalmente remotos.
Além da técnica, a formação qualificada é
considerada uma estratégia de valorização profissional a longo prazo. Para as
entidades de classe, o ensino de qualidade é indissociável de uma remuneração
digna e de condições de trabalho adequadas.
"Ao mesmo tempo, a
homologação não encerra a luta. Será fundamental apoiar e acompanhar sua
implementação e defender permanentemente a qualidade da formação frente a
interesses mercadológicos que historicamente pressionam pela flexibilização dos
processos formativos", acrescenta.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/07/26.
Caderno Ciência & Saúde. p. 16-18.

Nenhum comentário:
Postar um comentário